segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Anália Franco - Uma merecida Homenagem

Nossa sincera homenagem à Anália Franco, a quem dedicamos esta edição do Boletim GEAE, merecidamente chamada pelo historiador espírita Eduardo Carvalho de Monteiro (vide entrevista nesta edição) de "A Grande Dama da Educação Brasileira".



Homenagem à Grande Dama da Educação Brasileira


Se uma mulher, sem grandes posses ou fama, iniciasse uma cruzada para amparar crianças órfãs, recolhendo-as e dando-lhes, além de uma educação primorosa, uma formação profissional, provavelmente encontraria em nossos dias grandes dificuldades. Se ela se empenhasse em conseguir bem mais que simples donativos, que buscasse um engajamento da sociedade nesta tarefa, mostrando que o papel da mulher se estende bem mais que o limite familiar e que dela depende a formação das futuras gerações, que o esforço empregado e a dedicação ao próximo são valiosas oportunidades de crescimento pessoal, provavelmente seria evitada nas rodas sociais e acusada de ter posições extravagantes.

Imagine então, esta mesma mulher, lutando por seus ideais, na São Paulo da virada do século XIX para o XX, uma cidade provinciana, ainda centro de uma economia baseada na cafeicultura e ainda adaptando-se as novas realidades criadas pelo fim da escravidão. Cidade quatrocentona, onde o papel da mulher era adornar o lar e onde sua educação era considerada prejudicial ao perfeito desempenho de suas funções. Cidade onde matronas respeitáveis eram as que exerciam seu reinado doméstico isoladas das duras realidades da fome e da miséria.

Nesta São Paulo conservadora, ainda longe de ser a cidade cosmopolita do final do século XX, toda família que se prezasse mostrava profundo respeito pelas tradições centenárias e não deixava de ser assídua freqüentadora das missas celebradas nas importantes igrejas da cidade ou nas capelas de suas propriedades territoriais. Imagine-se agora uma mulher espírita e diante de uma grande obra !

Pois bem, esta mulher extraordinária existiu e embora sua obra tenha sido esquecida ou não se queira oficialmente relembrá-la, foi um dos maiores nomes da educação brasileira. Foi Anália Emilia Franco, abnegada servidora do Cristo, que deu vida ao chamamento evangélico do "vinde a mim os pequeninos" criando creches e orfanatos. Educou a infância carente, filhos de homens livres ou de ex-escravos, tendo inclusive sido uma das poucas vozes em favor das crianças negras enjeitadas pelos fazendeiros ao perderem seu valor comercial com o fim da escravidão. Foi, no Brasil, das primeiras a prover educação profissional para as meninas pobres, dando-lhes condições de sustentarem a si próprias.

Foi espírita e em seus educandários direcionou o ensino religioso para o estudo do evangelho, sem partidarismos e sem fanatismos, participou de grupos espíritas e nunca escondeu este fato, o que lhe trouxe inimigos poderosos.

Curiosamente, desta mulher que tanto fez pelo ensino brasileiro, que bem pouco havia progredido até sua época, pouco se fala, quase não se fazem homenagens publicas e não fosse o bairro que lhe leva o nome, onde hoje há um famoso shopping e grandes instituições de ensino, estaria completamente esquecida pelas gerações mais jovens, justamente as maiores beneficiárias de sua atuação revolucionária.

Se a história oficial dela se esqueceu, o mesmo não se passa conosco, espíritas, que lhe guardamos as lições de aplicação do amor ao próximo em serviço ativo e oramos para que - dos planos elevados em que agora merecidamente deve se encontrar - continue olhando pela juventude brasileira, ainda tão carente de uma sólida formação intelectual e moral quanto nos tempos em que levantou entre nós seus educandários.


Fonte: Editorial do Boletim GEAE, nr. 459, 2003.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Mensagem da Semana


Ouvir a Mensagem


Na Assistência Social


Aproximar-se do assistido encontrando nele uma criatura humana, tão humana e tão digna de estima, quanto os nossos entes mais caros.

Em tempo algum, agir sobrepondo instruções profissionais aos princípios da caridade genuína.

Amparar sem alardear superioridade.

Compreender que todos somos necessitados dessa, ou daquela espécie, perante Deus e diante uns dos outros.

Colocar-nos na situação difícil de quem recebe socorro.

Dar atenção a fala dos companheiros em privação, ouvindo-os com afetuosa paciência, sem fazer simultaneamente outra coisa e sem interrompê-los com indagações descabidas.

Calar toda observação desapiedada ou deprimente diante dos que sofrem, tanto quanto sabemos silenciar sarcasmo e azedume junto das criaturas amadas.

Confortar os necessitados sem exigir-lhes mudanças imediatas.

Ajudar os assistidos a serem independentes de nós.

Respeitar as idéias e opiniões de quantos pretendemos auxiliar.

Nunca subordinar a prestação de serviço ou benefício à aceitação dos pontos de vistas que nos sejam pessoais.

Conservar discrição e respeito ao lado dos companheiros em pauperismo ou sofrimento, sem traçar comentários desprimorosos em torno deles quando a visita for encerrada.


Autor desconhecido

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Educação Mediúnica


Por Dora Incontri


A Educação mediúnica é um dos aspectos característicos da Educação espírita, ligada ao desabrochar das capacidades extra-sensoriais que todo ser humano deverá desenvolver em sua jornada evolutiva. Como já foi analisado (ver Cap. II), há o mediunato—compromisso específico de atuação mediúnica numa dada existência—mas além desta tarefa, todos os seres humanos têm uma mediunidade geral, mais ou menos cultivada.

No caso de o indivíduo possuir algum dom mediúnico específico, a Educação mediúnica tem por meta possibilitar seu desenvolvimento e uso equilibrado, sadio e positivo. No caso de mediunidade difusa, não-específica, a meta é a de aguçar a sensibilidade extra-sensorial, a intuição, a percepção psíquica—coisas presentes em todos os seres humanos.

Tanto num como noutro caso, são facetas da proposta espírita: o controle racional das faculdades mediúnicas, fruto do estudo acurado dos fenômenos e da auto-análise que todo espírita comprometido com sua auto-educação deve permanentemente promover; o uso da mediunidade para fins úteis, nobres e cristãos; o cuidado para não converter nenhum dom mediúnico em fonte de riqueza material, de projeção pessoal ou de manipulação psíquica, ou seja, mediunidade com absoluto desinteresse e devotamento.

A Educação mediúnica não é meramente um apossar-se de técnicas, mas deve ser um fator de evolução global para o Espírito; uma possibilidade real de aperfeiçoamento moral e de prática do Bem. Os parâmetros éticos da mediunidade se sobrepõem aos aspectos técnicos, inclusive como garantia de controle do fenômeno e de atração de bons Espíritos—ao contrário de certas correntes espiritualistas que acentuam a frieza da técnica em detrimento do amor que deve orientar a utilização dos dons psíquicos.

Se, conforme Herculano Pires, O Livro dos Espíritos é um manual de Educação Integral, O Livro dos Médiuns é um manual de Educação mediúnica, que pela primeira vez na história humana colocou balizas éticas e racionais para a prática da mediunidade.

Fonte: A Educação Segundo o Espiritismo – Dora Incontri

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

A Educação Segundo o Espiritismo

A nossa homenageada, Anália Franco, é sinônimo de educação. Por essa razão, selecionamos o texto “A Educação Espírita”, da escritora, jornalista e pedagoga espírita brasileira, Dora Incontri, ressaltando a importância do aspecto pedagógico do Espiritismo no aperfeiçoamento moral do ser.



A Educação Espírita


Por Dora Incontri

Definições Possíveis

Existem três perspectivas sob as quais se pode falar em Educação Espírita. E certo que elas acabam se unificando num só conceito. Um aspecto deriva do outro e formam uma visão única.

Espiritismo como Educação. A essência do Espiritismo é a Educação. Ao contrário de outras correntes religiosas, que têm um caráter salvacionista, a Doutrina Espírita, com seu tríplice aspecto—científico, filosófico e religioso — pretende promover a evolução do homem e esta evolução é um processo pedagógico. A Educação do Espírito é o cerne da proposta espírita. Se o Espiritismo é uma síntese cultural, abrangendo todas as áreas do conhecimento, seu ponto de unificação é justamente a Pedagogia. Não foi à toa que Kardec tenha sido educador e tenha recebido influência de Pestalozzi, um dos maiores educadores de todos os tempos. Melhor compreende o Espiritismo quem o compreende pedagogicamente.

Lendo Kardec com olhos pedagógicos, pode-se observar a sua insistência e a dos Espíritos em comparações com imagens emprestadas do universo educacional. O desenvolvimento do Espírito através das vidas sucessivas é visto como um curso escolar, com seus anos letivos. A Terra é tratada como uma escola, em que as almas se matriculam para o seu aperfeiçoamento. As imagens são recorrentes e não são meros recursos literários. Há de fato uma identificação. Corroborando essa leitura do Espiritismo, Herculano Pires, em Pedagogia Espírita, comenta que: "O Livro dos Espíritos é um manual de Educação Integral oferecido à Humanidade para a sua formação moral e espiritual na Escola da Terra".

Ser espírita, pois, na acepção plena da palavra é engajar-se num processo de auto-educação, cujo fim mal podemos entrever. E estar em processo de auto-aperfeiçoamento, como já vimos, é o requisito básico do educador. Como o Espiritismo não é uma doutrina individualista, no sentido de descomprometer o ser humano de deveres para com o próximo—ao contrário, elege na caridade seu princípio máximo—quem está em processo de melhorar a si mesmo tem o dever moral de exercer uma tarefa pedagógica com todas as criaturas que o cercam. A caridade máxima, portanto, que o espírita deve procurar realizar como ideal de vida, não é o assistencialismo social, respeitável e necessário, mas limitado e superficial, é sim a caridade da Educação. Elevar, transformar, despertar consciências, contribuindo para a mudança interna dos homens—que redundará também numa evolução externa—esta deve ser a meta de todo espírita.

A Educação Segundo o Espiritismo: Se o Espiritismo é pedagógico, olhando a questão do lado avesso, a área específica da Pedagogia humana pode se iluminar com a perspectiva espírita. Neste sentido, a Educação espírita é a prática de uma Pedagogia à luz do Espiritismo. É exatamente o que estamos teorizando nesta obra. Muitas das idéias aqui expostas poderão ser partilhadas por adeptos de outras correntes filosóficas ou religiosas. Mas para aplicá-las inteiras, para aderir a uma formulação pedagógica completamente espírita, é preciso estar convencido dos postulados básicos da doutrina de Kardec. O educador espírita, porém, poderá e deverá exercer sua tarefa com quaisquer crianças e adultos. Se a verdadeira Educação se dá quando se desperta um processo evolutivo no educando, este processo poderá ser desencadeado em qualquer ser humano, tenha ele a cultura que tiver, seja ele partidário da religião que for. A influência benéfica de um educador, consciente de seu mandato, poderá se imprimir em qualquer educando.

Assim, educar espiritamente não é necessariamente educar para o Espiritismo. Kardec sempre enfatizou que os espíritas não deveriam fazer proselitismo e muito menos violentar consciências. No relacionamento com pessoas não espíritas, o educador espírita saberá exercer sua tarefa, sem impor suas convicções.

O Ensino Espírita: O terceiro aspecto da Educação espírita é mais específico, é o ensino propriamente da Doutrina Espírita. Mas se não houver, por parte daqueles que estão promovendo este ensino, uma compreensão clara e uma prática engajada da Pedagogia espírita, então o processo não passará de catequese, um ensino formal, destituído de compromissos mais profundos. Na linha conceitual que temos seguido aqui, é evidente que o ensino espírita não poderá ser mera transmissão de conteúdos, mas o despertar de uma consciência espiritual.


Fonte: A Educação Segundo o Espiritismo – Dora Incontri

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Música Espírita: Paraíso – Plínio Oliveira

Uma magnífica interpretação do cantor e compositor espírita Plínio Oliveira e coral, para essa canção de fé e esperança em um mundo melhor.


quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Entrevista: Vida e obra de Anália Franco

Uma entrevista do Programa Ação Espírita, da CONCAFRAS-PSE, com Julia Nezo, presidente do Centro de Cultura Documentação e Pesquisa do Espiritismo Eduardo Carvalho Monteiro, com o tema “Anália Franco, a Grande Dama da Educação Brasileira”.


terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Boas Notícias

Um destaque para algumas das notícias positivas nesse mês, divulgadas em sites:

Cinema


Estação Luz Filmes faz últimos ajustes para a estréia de As Mães de Chico Xavier

O filme cearense "As Mães de Chico Xavier", que está em fase de finalização, vai encerrar, no dia 1° de abril deste ano, as comemorações do centenário de nascimento do médium mineiro, que mais uma vez é destaque numa produção cinematográfica. O longa-metragem, dirigido por Glauber Filho e Halder Gomes, é uma produção da Estação Luz Filmes, com distribuição da Paris Filmes e apoio promocional da Globo Filmes e Telecine. No elenco estão nomes como Nelson Xavier, Caio Blat, Vanessa Gerbelli, Herson Capri, Via Negromonte e Tainá Muller, entre outros.

Antes dessa estréia comercial, o filme cumprirá um calendário de 20 avant-premières em 18 capitais brasileiras e mais as cidades de Uberaba e Pedro Leopoldo (MG), cidades onde Chico viveu. A produção também abrirá no dia 24 de março, o I Festival de Cinema Transcendental, em Brasília (DF) e no dia 31 de março, véspera da estréia em circuito nacional, o filme encerra a Mostra de Cinema Transcendental, em Fortaleza.

“As Mães de Chico Xavier” é baseado em fatos reais. Conta a história de três mães que terão em comum a busca de consolo e esperança no médium mineiro Chico Xavier. Ruth (Via Negromonte) sofre pelo filho, um jovem envolvido com drogas; Elisa (Vanessa Gerbelli) repensa sua vida após a perda do pequeno Theo (Gabriel Pontes); e Lara (Tainá Muller) é uma professora que enfrenta o dilema de uma gravidez não planejada.

Agência da Boa Notícia, 21/02/2011



Meio-ambiente


Mulçumanos e cristãos se unem na Indonésia para replantar árvores


Muçulmanos e cristãos da Indonésia se uniram para reflorestar as ladeiras calcinadas pelo vulcão Merapi, cuja erupção em outubro do ano passado deixou 322 mortos.

A ação conjunta pretende plantar sementes de tolerância frente à violência religiosa que sacudiu o país nas últimas semanas. Adeptos das duas religiões trabalham para plantar cerca de 100 mil árvores nos 75 hectares arrasados pelo vulcão.

Jornal A Tribuna, 21/12/2011


ONU traz solução econômica para desenvolvimento sustentável

As Nações Unidas revelaram nesta segunda-feira um estudo estratégico que, se colocado em prática, garantirá um futuro sustentável para o planeta por meio de investimentos no valor de US$ 1,3 trilhão por ano ou 2% da riqueza gerada pela economia global-- em dez setores-chave.

Esta mudança de paradigma em prol de uma "economia verde" também ajudaria a aliviar a miséria crônica, afirma o Programa Ambiental da ONU (UNEP, na sigla em inglês) em seu relatório, apresentado em uma reunião com mais de 100 ministros do Meio Ambiente em Nairóbi.

De acordo com a estratégia da ONU, a renda individual superaria as trajetórias previstas pelos modelos econômicos tradicionais, ao mesmo tempo em que reduziria à metade a "pegada ecológica" per capita da humanidade até 2050.

Entretanto, o UNEP admite que reestruturar a economia global contrariaria uma série de interesses poderosos, e seria um desafio para o mercado de trabalho.

O plano, porém, promete gerar índices de crescimento iguais ou maiores que a abordagem tradicional para os negócios, que --apesar de ter alimentado dois séculos de industrialização vertiginosa-- deteriorou pouco a pouco os recursos naturais da Terra.

"Precisamos continuar a desenvolver e expandir nossas economias", disse Achim Steiner, diretor executivo do órgão, ao apresentar o estudo.

"Mas este desenvolvimento não pode vir às custas dos próprios sistemas que sustentam a vida na terra, nos mares e em nossa atmosfera, que por sua vez sustentam nossas economias e a vida de cada um de nós", acrescentou.

As mudanças climáticas cada vez mais rápidas, a dramática redução da biodiversidade, a freqüente escassez de comida, o crescente abismo entre a demanda e o fornecimento de água doce, a destruição das florestas tropicais, berços da vida - são todos lembretes de que o equilíbrio e a generosidade da Terra não podem ser considerados eternos, destaca o documento.

Ao mesmo tempo, a crise financeira global de 2008 jogou luz sobre problemas estruturais profundos do sistema econômico.

"Embora as causas de crises como esta variem, em um nível essencial todas elas compartilham uma característica comum: a má alocação de recursos", indicou por sua vez Pavan Sukhdev, analista do Deutsche Bank, que participou do estudo da ONU.

O relatório aponta incentivos "perversos" que encorajam o comportamento não sustentável, incluindo os US$ 600 bilhões gastos anualmente com subsídios à produção de combustíveis fósseis e os US$ 20 bilhões destinados à indústria da pesca, cada vez mais predatória.

A ONU lançou um apelo aos líderes políticos, para que abram a cabeça e não tenham medo de inovar.

"Os governos têm um papel central na modificação de leis e políticas, investindo dinheiro público na riqueza pública para tornar esta transição possível", ressaltou Sukhdev.

Além disso, ações e iniciativas do setor público certamente "atrairiam trilhões de dólares em capital privado em prol da economia verde", afirmou.

O relatório do UNEP deseja, acima de tudo, combater o que descreve como "mitos" acerca do crescimento sustentável, a começar pela idéia de que a preservação do meio ambiente necessariamente acarreta menor crescimento econômico.

"Hoje há evidência suficiente [para provar] que tornar as economias mais verdes não inibe a criação de riqueza e muito menos a criação de empregos", indica o texto.


Folha.com, 21/12/2011



Saúde


Brasil produzirá genérico contra AIDS e hepatite


Brasília - O Ministério da Saúde anunciou hoje a produção genérica do remédio Tenofovir, usado atualmente por 64 mil pacientes com AIDS e 1,5 mil com hepatite. O remédio será produzido pelo laboratório oficial da Fundação Ezequiel Dias (Funed) do governo de Minas Gerais. A produção do remédio é fruto de uma Parceria Público Privada (PPP) firmada pelo governo em 2009. O governo calcula que nos próximos cinco anos a economia com a produção do medicamento genérico será de R$ 440 milhões.

O primeiro lote nacional do Tenofovir começará a ser produzido esta semana e deverá estar disponível para os pacientes no fim de março. A produção nacional, segundo o ministério, será suficiente para atender toda a demanda do País. Com a fabricação do remédio, 10 dos 20 medicamentos antiaids fornecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) passam a ser produzidos no Brasil.

Notícias UOL, 09/02/2011


Novo estudo identifica possível vacina que previne gastrite, úlcera e câncer gástrico

Uma nova pesquisa identificou uma vacina potencial capaz de reduzir a colonização da bactéria Helicobacter pylori, que causa gastrite, úlcera e até câncer. O estudo foi realizado por pesquisadores do Hospital Rhode Island, em colaboração com a Universidade de Rhode Island e a empresa EpiVax, que desenvolve vacinas.

Os tratamentos atuais usam vários antibióticos em combinação com outros medicamentos. Devido a um aumento na resistência a antibióticos, tem sido mais difícil eliminar a bactéria. O desenvolvimento de uma vacina como terapia alternativa é de muito interesse dos pesquisadores.

Segundo Steven Moss, gastroenterologista do Hospital Rhode Island e principal autor da pesquisa, “os resultados sugerem que o desenvolvimento de uma vacina contra a H. pylori pode levar a uma nova abordagem para a prevenção de doenças causadas pela bactéria, tais como úlcera péptica e câncer gástrico”. A vacina está em fase de testes.


IDMED, 03/02/2011

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Gotas de Luz


Lei de Liberdade


Liberdade de Pensar e de Consciência


A liberdade de pensamento e de ação, constituem atributos essenciais do Espírito, outorgados por Deus ao criá-lo.

A liberdade de pensar é sempre ilimitada, porquanto ninguém pode domar o pensamento alheio, aprisionando-o. Assim ensinam os Espíritos [LE-qst 833] ao responderem que “no pensamento goza o homem de ilimitada liberdade, pois que não há como pôr-lhe peias. Pode-se-lhe deter o vôo, porém, não aniquilá-lo.” Quando muito, ainda pela inferioridade e imperfeição de nossa civilização, tenta-se conter a manifestação exterior do pensamento, ou seja, a liberdade de expressão.

Se há algo que escapa a qualquer opressão é a liberdade de pensamento.

Somente por ela pode o homem gozar de liberdade absoluta. Ninguém consegue aprisionar o pensamento de outrem - embora possa entravar-lhe a liberdade de exprimi-lo.

Pela ação da lei do progresso, a liberdade, em todas as suas modalidades evolui, especialmente a liberdade de pensar, pois atualmente já não vivemos na época do “crer ou morrer”, como acontecia nos tempos da Inquisição ou Santo Ofício.

Na verdade, de século para século, menos dificuldade encontra o homem para pensar sem peias e, a cada geração que surge, mais amplas se tornam as garantias individuais no tange à inviolabilidade do foro íntimo.

Evidencia-se bem distinta a liberdade de pensar e de agir, pois enquanto a primeira se exerce com maior amplidão, sem barreiras, a última padece de extensas e profundas limitações.

Apesar de a liberdade de pensar ser ilimitada, ela depende do grau evolutivo de cada Espírito, na sua capacidade de irradiação e de discernimento. À medida que um Espírito progride, desenvolve-se-lhe o senso de responsabilidade sobre seus atos e pensamentos.

“A toda criatura é concedida a liberdade de pensar, falar e agir, desde que essa concessão subentenda o respeito aos direitos semelhantes do próximo.

Desde que o uso da faculdade livre engendre sofrimento e coerção para outrem, incide-se em crime passível de cerceamento daquele direito, seja por parte das leis humanas, sem dúvida nenhuma através da Justiça Divina.

Graças a isso, o limite da liberdade encontra-se inscrito na consciência de cada pessoa, que gera para si mesma o cárcere de sombra e dor, a prisão sem barras em que expungirá mais tarde, mediante o impositivo da reencarnação, ou as asas de luz para a perene harmonia.”

O limite da nossa liberdade está, portanto, determinado onde começa a do próximo.

“Em todas as relações sociais, em nossas relações com os nossos semelhantes, é preciso nos lembremos constantemente disto: Os homens são viajantes em marcha, ocupando pontos diversos na escala da evolução pela qual todos subimos. Por conseguinte, nada devemos exigir, nada devemos esperar deles, que não esteja em relação com seu grau de adiantamento.“

Logo, o Espírito só está verdadeiramente preparado para a liberdade no dia em que as leis universais, que lhe são externas, se tornem internas e conscientes pelo próprio fato de sua evolução. No dia em que ele se compenetrar da lei e fizer dela a norma de suas ações, terá atingido o ponto moral em que o homem se possui, domina e governa a si mesmo.

Daí em diante já não precisará do constrangimento e da autoridade social para corrigir-se. E dá-se com a coletividade o que se dá com o indivíduo. Um povo só é verdadeiramente livre, digno de liberdade se aprendeu a obedecer a lei interna, lei moral, eterna e universal que não emana nem do poder de uma casta, nem da vontade das multidões, mas de um Poder mais alto. Sem a disciplina moral que cada qual deve impor a si mesmo, as liberdades não passam de um logro; tem-se a aparência, mas não os costumes de um povo livre.

Tudo o que se eleva para a luz eleva-se para a liberdade.


Fonte: CVDEE

“Lei de Liberdade” continua no próximo Gotas de Luz.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Mensagem da Semana


Ouvir a Mensagem

Voz de Chico Xavier

Semeia, Semeia


Cada coração do caminho é comparável a trato de terra espiritual.

Muitos estarão soterrados no pedregulho dos preconceitos, ao pé de outros que se enrodilham no espinheiral da ilusão, requisitando tempo enorme para se verem livres.

Entretanto, reflete na terra boa, lançada ao desvalimento.

É aí que todos os elementos geradores da inércia se instalam.

Terras abandonadas, terras órfãs!...

Criaturas que anseiam pelo adubo da fé, almas que suplicam modesta plantação de esperança e conforto!...

Esses solos desprezados, muitas vezes, te buscam, fronteiriços... Descerram-se-te à visão, na fadiga dos pais que a dor imanifesta suplicia e consome; no desencanto dos companheiros tristes que carregam no peito o próprio sonho em cinzas; no problema do filho que a revolta desgasta; na prova dos irmãos que sorriem chorando para que lhes não vejas os detritos da mágoa...

Se já podes ouvir o Excelso Semeador, semeia, semeia!...

Sabes que a caridade, é o sol que varre as sombras; trazes contigo o dom de esparzir o consolo; podes pronunciar a palavra da bênção; consegues derramar o que sobra da bolsa, transformando a moeda em prece de alegria; guardas o braço forte que levanta os caídos; teus dedos são capazes de recompor as cordas que o sofrimento parte em corações alheios, afinando-as no tom da música fraterna; reténs o privilégio de repartir com os nus a roupa que largaste; nada te freia as mãos no socorro ao doente; ninguém te impede enfim, de construir na estrada o bem para quem passa e o bem dos que virão...

Não te detenhas, pois, no vazio das trevas!...

Planta a verdade e a Luz, o júbilo e a bondade.

Se percebes a voz do Excelso Semeador, escutá-lo-ás, a cada passo, rente aos próprios ouvidos, a dizer-te confiante:

- Trabalha, enquanto é tempo e semeia, semeia!..


Emmanuel


Do livro "Opinião Espírita", de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, pelos espíritos Emmanuel e André Luiz.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Entrevista com Eduardo Carvalho Monteiro sobre Anália Franco

Eduardo Carvalho Monteiro, psicólogo por profissão, tem se dedicado a tarefa de preservação da memória do movimento espírita, sendo autor de diversas obras fundamentadas em suas pesquisas, entre elas "Anália Franco, A Grande Dama da Educação Brasileira", "Batuíra, Verdade e Luz", "Batuíra, O Diabo e a Igreja", "100 Anos de Comunicação Espírita em São Paulo". Também é o responsável pelo "Anuário Histórico Espírita" e grande incentivador da "Liga de Historiadores e Pesquisadores Espíritas". Além de suas atividades como pesquisador e historiador, é assessor pró-memória da União das Sociedades Espíritas de São Paulo e criador do seu Centro de Documentação Histórica, bem como fundador e vice-presidente da Sociedade Espírita Anália Franco de Eldorado, Diadema. Não seria possível deixar de mencionar que Eduardo além de espírita é maçon e, assim, suas pesquisas tem contribuído para resgatar os laços históricos entre o Espiritismo e a Maçonaria em terras brasileiras.

GEAE - Eduardo, gostaríamos de iniciar a entrevista perguntando-lhe como foi seu contato com a história de Anália Franco. O quê o levou a estudar e publicar um trabalho sobre a vida da grande Educadora?

Eduardo - Trabalhava já com a memória do Espiritismo quando um amigo, Presidente do Núcleo Espírita Anália Franco, da Zona Leste - SP, começou a insistir comigo que iniciasse uma pesquisa sobre a Educadora. Comecei despretenciosamente recolhendo material sobre ela, acabei entrando em sua faixa mental e, depois de 5 anos de pesquisas, o livro saiu. Devo dizer que foi uma pesquisa que me empolgou desde que comecei a penetrar no universo da grande educadora devido à grande personalidade que estava retratando.

GEAE - Em linhas gerais, como se desenvolveu sua pesquisa? Nos parece que Anália Franco não tem tido, por parte do povo de São Paulo, o reconhecimento que merece, principalmente quando se vêem homenagens públicas a personalidades que bem menos fizeram pelo progresso da nação que ela. O fato de Anália Franco ter abraçado a Doutrina Espírita tem algo a ver com este "esquecimento"?

Eduardo - Como disse, foram cinco anos de pesquisa, cerca de trinta viagens pelo interior de São Paulo e Rio de Janeiro "perseguindo" seus rastros, em que tivemos a oportunidade de "descobrir" umas cinco pessoas que foram suas alunas, todas nonagenárias, é claro, debruçamo-nos por centenas de documentos em arquivos de São Paulo e da Entidade que ela fundou a Instituição Beneficente e Instrutiva de São Paulo, visitamos Rezende, sua terra natal, consultamos e nos correspondemos com historiadores locais, foi, enfim, um exaustivo trabalho para reunir informações que estavam muito dispersas, colhendo uma aqui, outra ali, para, então montar o grande "quebra-cabeças", que foi escrever o livro.

Quanto à segunda parte da pergunta, é fato que muitos "valentões do Brás"ou "bêbados do Bexiga" mereceram mais referências de nossos cronistas da época do que Anália, no entanto, a história ainda lhe fará justiça. O fato de ela ser espírita numa época de grande influência clerical, ter sido apoiada pela maçonaria, ser republicana, defender minorias como os negros, tentar reabilitar mulheres decaídas, ser uma mulher com princípios feministas e outras atitudes que tomava, revelando independência, dinamismo e destemor, creio que tudo isso influenciou para que a sociedade da época tivesse tentado apagar seus méritos de mulher fantástica que foi. Como espíritas, sabemos, no entanto, que a recompensa está na sua consciência e não nas homenagens humanas que são fugidias.

GEAE - Conte-nos algo sobre a família e a época de Anália Franco, pois nos parece que ela foi uma pessoa que esteve muito além de seus contemporâneos. Possivelmente não deve ter encontrado muita compreensão na sociedade de São Paulo na virada do século XIX para o XX.

Eduardo - Anália Franco não teve filhos, mas teve dois irmãos que deixaram grande prole e, alguns de seus descendentes tivemos a oportunidade de entrevistar, mas apenas D. Maura Marques Leite cultuava e conhecia alguma coisa de Anália. No desenrolar de sua carreira Anália Franco rompeu barreiras, desprezou preconceitos, desafiou tabus em nome da liberdade de pensamento e do seu docemente tresloucado sonho de ver uma humanidade mais feliz, tornando-a pioneira em várias iniciativas: defendeu o direito da mulher trabalhar fora e desprender-se da tutela do homem, criando cursos para levar adiante sua idéia; defendeu o acesso da criança pobre, até de meninas, à alfabetização; defendeu a alfabetização de adultos; defendeu o acesso da mulher à cultura e intelectualização. Estas e outras teses de emancipação da mulher, que fizeram a fama da feminista das décadas de 60 e 70, já eram defendidas no começo do século por essa mulher que viveu além de seu tempo. Por isso enfrentou muitas dificuldades e incompreensões, o que não diminuiu o seu ritmo de trabalho.

GEAE - Infelizmente o nome de Anália Franco é hoje em dia mais associado ao bairro - por causa do shopping e da faculdade - que a grande Educadora propriamente dita, poucas pessoas conhecem a extensão de sua obra, mesmo no meio espírita. A propósito, como foi que ela se tornou espírita?

Eduardo - Infelizmente é um fato lamentável que seu nome esteja ligado ao nome de um bairro sem que as pessoas saibam a grande mulher que foi. Aos poucos, será inevitável que ela seja reconhecida e estudada sua obra, ocupando o lugar que merece na História. Como espíritas sabemos que não devemos cultuar idolatria às pessoas, mas trata-se de reconhecer seus méritos de grande filantropa e educadora.

Não conseguimos saber ao certo como ela se tornou espírita, mas imaginamos que deva ter sido no episódio da cura de uma cegueira que ela teve por dois anos.

Coincidentemente (ou não) quem ler a biografia de outra grande espírita e sua contemporânea, a espanhola Amália Domingo y Soler, verá que ela também se curou da cegueira por interferência espiritual, iniciando aí sua grande missão de divulgadora do Espiritismo.

GEAE - Ao ler seu livro sobre Anália Franco, nos chamou muito a atenção o fato dela ter sido uma educadora, tal qual foi Allan Kardec, Eurípedes Barsanulfo e Vinicius. Há relação entre a atividade de Anália Franco e sua adesão ao Espiritismo? Até que ponto o Espiritismo influenciou sua atividade como educadora ou sua atividade como educadora influenciou sua vivência da Doutrina Espírita?

Eduardo - Minha intuição me diz que todos foram espíritos preparados nas Escolas do Outro Plano com uma mesma concepção da necessidade de desenvolver na Terra a missão de educar a criança para formar o cidadão de caráter e espiritualizado, contribuindo assim para a elevação do padrão vibratório da humanidade. Podemos acrescentar muitos outros nessa lista: Jerônimo Ribeiro, Thomaz Novelino, Herculano Pires, Leopoldo Machado... a lista é longa.

GEAE - Bezerra de Menezes, Eurípedes Barsanulfo, Batuíra e Vinicius são praticamente contemporâneos de Anália Franco. Ocorreu influência deles na obra de Anália Franco ou dela sobre eles?

Eduardo - No que tenho conhecimento, Batuíra e Anália eram bastantes amigos e, naturalmente, trocavam muitas idéias e se visitavam entre si. Quanto aos demais, também acredito que possa ter havido contato entre eles e mútua influência, por que, à época, os espíritas eram poucos e muito unidos. Basta se ver que os jornais de Batuíra, Anália, o Reformador da FEB, traziam notícias e reproduções de artigos entre si. Apenas Bezerra, que desencarnou em 1900 não deve ter tido muito contato com os demais citados. Cairbar Schutel também carteava muito com Eurípedes e lhe pedia receitas para seus doentes.

GEAE - Considerando o estilo de ensino de Anália Franco, principalmente a orientação que imprimia à Instituição que dirigia e às suas professoras, em que ele diferia do ensino ministrado em outras Instituições da época?

Eduardo - A liberdade de pensamento. Anália dava noções cristãs a seus alunos sem lhes obrigar a seguir o Espiritismo. A maioria das outras Escolas, de orientação católica ou protestante, forçavam a criança a seguir suas religiões. Nas suas Instituições benemerentes, Anália não perguntava a que religião o assistido pertencia,acolhendo a todos.

GEAE - Caso comparemos o estilo de ensino das instituições dirigidas por Anália Franco com o aplicado nas escolas modernas, quais seriam as maiores diferenças?

Eduardo - Naturalmente que a Pedagogia progrediu muito e novas teorias meritórias surgiram, porém o método pestaloziano utilizado por Anália e adaptado às condições brasileiras por Anália nunca foi ultrapassado.

GEAE - No livro você fala do grande apoio que a Maçonaria deu ao trabalho realizado por Anália Franco. Poderia nos falar um pouco sobre esta questão? Gostaríamos de aproveitar e perguntar: como a Maçonaria vê o Espiritismo e seu relacionamento com ele?

Eduardo - No começo do século XX, a obrigação de todo maçom e Lojas maçônicas de trabalharem pela educação do povo era levada tão a sério, que esta obrigatoriedade constava de sua própria Constituição. O maçom, no entanto, cultor da liberdade de pensamento, também lutava, em razão disso, pela laicidade do ensino e a separação do Estado e da Igreja, daí a aproximação com Anália, uma das poucas educadoras da época que tinha o mesmo pensamento a respeito e afinidades de princípios. Não consegui confirmar documentalmente, mas acredito que o esposo de Anália, Francisco Bastos tenha sido maçom.

A Maçonaria vê o Espiritismo como vê todas as religiões que não cerceiem a liberdade de pensamento de seus profitentes: aceitando e sendo tolerante com todas. Maçonaria não é religião ao contrário do que muitos pensam, mas uma Escola Iniciativa que pratica rituais de mistérios tão antigos quanto o homem. Para entrar para a Maçonaria são selecionados na sociedade homens de bons princípios, crentes num Ser Superior, e uma das primeiras perguntas que lhe são feitas é se está disposto a respeitar os religiosos de todos os matizes que se tornarão seus Irmãos. A Maçonaria respeita tanto as religiões que para designar Deus escolheu um termo que não fere a crença de ninguém: Grande Arquiteto do Universo.

GEAE - Qual o papel que Francisco Antonio Bastos, marido de Anália Franco, exerceu em sua obra? Qual a razão do tratamento que lhe foi dispensado após a desencarnação de Anália Franco, principalmente seu afastamento das atividades na Colônia Regeneradora D. Romualdo?

Eduardo - Bastos foi o companheiro dedicado e amoroso de Anália, seu braço direito na administração das Instituições criadas por ela e mais do que isso: dava-lhe a devida sustentação espiritual através das sessões no Centro Espírita São Paulo. Infelizmente, após o desencarne da esposa querida, Bastos foi obrigado a deixar a Instituição, pois a nova Diretoria "não achava bem ficar um homem viúvo em meio a tantas meninas". Registre-se que muitas dessas meninas eram filhas adotivas (de papel passado) dele.

GEAE - As Instituições fundadas por Anália Franco ainda existem e ainda mantém os ideais de sua fundadora?

Eduardo - Segundo temos conhecimento, apenas duas das Instituições fundadas por Anália ainda funcionam: a própria Associação transferida para a cidade de Itapetininga-SP e o Lar Anália Franco de Jundiaí, este trabalhando admiravelmente segundo as idéias de sua fundadora. Vale registrar que na cidade de São Manoel-SP, ainda funciona o Lar Anália Franco fundado logo depois do desencarne de Anália por sua seguidora Clélia Rocha e que é uma referência da cidade em relação a bons serviços prestados à comunidade local.

GEAE - Temos noticias de Anália Franco no plano espiritual?

Eduardo - Sabemos que Anália Franco,ao longo da carreira mediúnica de Chico Xavier, psicografou várias mensagens que relacionamos em nosso livro "Anália Franco, a Grande Dama da Educação Brasileira". Este livro está esgotado, mas estaremos lançando uma segunda edição ainda esse ano.

GEAE - Gostaríamos de agradecer-lhe, em nome de todo o grupo, a gentileza da entrevista e pedir-lhe algumas palavras sobre como vê a importância de Anália Franco para a presente geração de Espíritas?

Eduardo - Eu acredito que a maior contribuição que ela nos deixou foi o seu exemplo. Anália foi uma maravilhosa sonhadora e tinha uma visão de futuro que, se nós tivéssemos tido em São Paulo dez mulheres como ela no começo do século XX, tenho a certeza de que os problemas sociais que o Estado enfrenta hoje seriam muito menores e as desigualdades mais amenas. A presente passagem de seu Espírito pela vida terrena deixou um rastro de luz e podemos nos orgulhar de ter tido esta grande mulher na família espírita.


Entrevista publicada em 2003 no Jornal Boletim GEAE.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Imagem e Mensagem: Documentário Anália Franco

Um documentário cronológico com fatos e fotos sobre a vida da educadora, jornalista e filantropa brasileira Anália Franco.


quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Anália Franco, um Relato em Quadrinhos

Um interessante relato em quadrinhos de uma das peregrinações feitas por Anália Franco, no ano de 1920, a fim de angariar recursos para assistência e amparo aos órfãos, na cidade de Ribeirão Preto, São Paulo.

Clique nas imagens para ampliá-las:


quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

O Poder do Pensamento


O Pensamento


por José Marcelo Gonçalves Coelho


Diferentemente dos orientais, nós, os representantes da chamada civilização ocidental, dificilmente nos dedicamos a aprofundamentos em torno das imensas potencialidades mentais de que dispomos.

A ciência acadêmica, materialista por excelência, estabelece que o pensamento é um fenômeno meramente fisiológico, decorrente da incessante atividade neuronial.

Em tempos idos, acreditávamos que os pensamentos que emitíamos eram de nossa exclusiva propriedade, razão pela qual permaneceriam, por assim dizer, encarcerados em nossos cérebros.

Entretanto, nascida em berço europeu, a Doutrina Espírita fez surgir, sobretudo pelas vias da razão, um novo conceito daquilo que reputamos como sendo o mais importante atributo do Espírito.

A questão 833 de O Livro dos Espíritos nos esclarece que é pelo pensamento que o homem desfruta de uma liberdade sem limites. A problemática que então se estabelece é a de não avaliarmos, com total exatidão, a verdadeira amplitude das conseqüências de nossas produções mentais.

André Luiz, em sua obra Mecanismos da Mediunidade, psicografada por Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, nos afirma que pensar é o ato de emitir matéria mental. Assim sendo, o pensamento deixa de ter um aspecto de invisibilidade para assumir a condição de matéria em movimento. Mas..., de que modo isso se processa?

Recorrendo novamente à primeira obra basilar do Espiritismo, verificamos que Kardec, em nota correspondente à questão 495, nos esclarece que é exatamente através do fluido cósmico (presente em todo o universo) que os corpúsculos mentais se movimentam. Por certo, não conseguimos visualizá-los com nossos olhos grosseiros, apenas lhes sentimos os resultados, da mesma forma como divisamos claramente a luz do sol refletida na Terra, mas, nunca, a movimentação das partículas que lhe deram origem.

Importante ressaltar que, em virtude das ondas emitidas por sua mente, o homem se mantém enclausurado nas zonas inferiores da vida carnal, acometido por diversos males, de ordem física e psíquica, decorrentes das vibrações deletérias com as quais se ajusta.

Todavia, é também a partir do pensamento que todos nós, seres eternos que somos, nos candidatamos aos mais altos vôos em direção ao sublime caminho de luz que nos cumpre trilhar.

Ademais, bem sabemos que toda vibração, de qualquer matiz, ao ser lançada no espaço, certamente há de influenciar tantos outros seres, encarnados e desencarnados, que, conscientemente ou não, nutrir-se-ão das mesmas emanações, num fenômeno natural de afinização.

Lembremo-nos, finalmente, que a tão falada reforma íntima, que se traduz por constante renovação de atitudes, inicia-se, incontestavelmente, pela reformulação lenta e gradual de nossa vida mental.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

A Missionária da Educação – 4ª parte


O Lado Espírita de Anália


É uma tarefa difícil precisar quando e como a “Missionária da Educação” se converteu à doutrina espírita, seja pelo longo tempo passado desde seu desencarne ou por não se encontrar qualquer dado ou depoimento concreto que comprove algo. Contudo, alguns fatos e referências fazem crer que, batizada e praticante católica moderada até por volta de 1899, foi por esta época que se deu sua aproximação com o Espiritismo, concomitantemente à cegueira que a vitimou e a posterior cura. Porém, arriscando uma hipótese sem dados fidedignos que possam comprová-la, talvez a chave do enigma esteja justamente nesta cura milagrosa.

Na realidade, Anália também pode ter sido conduzida à doutrina espírita por meio de seu marido, Francisco Antônio Bastos, fundador e dirigente do Centro Espírita São Paulo, sustentáculo espiritual da obra material da grande educadora e filantropa.

Pode-se afirmar ainda que este centro espírita foi um pioneiro na aglutinação do movimento espírita paulista, já que possuía funções federativas, aceitando adesões e promovendo a unificação da família espírita de São Paulo no começo do século XX. Sendo pequena a comunidade espírita nesta época, era natural que seus membros se relacionassem e fossem unidos, mas há que se registrar a amizade que Anália Franco e seu marido tinham com grandes líderes espíritas, como Cairbar Schutel, Augusto Militão Pacheco e Antônio Gonçalves da Silva, o Batuíra.

Como preferia ficar mais à retaguarda na atividade de divulgação espírita, a fim de não expor a Associação Feminina Beneficente e Instrutiva a rótulos que pudessem comprometer e causar mais oposição ao seu trabalho, como a ira das aferradas defensoras de outra religião, Anália Franco possui uma bibliografia escassa na área, destacando-se habilitação à Assistência nas Sessões de Espiritismo, obra escrita em conjunto com o marido e publicada inicialmente em 1912, com reedições em 1924 e 1932. Redigido em forma de perguntas e respostas, traz explicações importantes para a prática do Espiritismo de maneira simples e didática, representando um excelente veículo de propagação doutrinária. No entanto, apesar de procurar se preservar de comentários e discussões religiosas da época, Anália Franco não perdia a oportunidade de incentivar o estudo e a prática do Espiritismo na intimidade de suas cartas e na convivência com seus alunos.


Magaly Sonia Gonsales, Núcleo Fraterno Samaritanos

Imagem: Foto de Francisco Antônio Bastos, marido de Anália Franco e um de seus mais fiéis e ativos colaboradores em sua missão assistencial.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Pensamentos Nobres


Uma seleção de frases proferidas pela educadora Anália Franco ou extraídas de mensagens psicografadas pelo médium Chico Xavier:


"Conceber o bem não basta; é preciso fazê-lo frutificar."

"A verdadeira caridade não é acolher o desprotegido, mas promover-lhe a capacidade de se libertar."

"Honrarias externas servem por marcos ao respeito humano e títulos convencionais exprimem valiosas oportunidades de trabalho, mas terminam nas roupas que os transportam ou nas mãos que os empunham, se não foram mobilizados com humildade no cultivo do bem."

"Nosso fim é procurar diminuir cada vez mais em nosso meio a necessidade de esmola, pelo desenvolvimento da educação e do trabalho. Eduquemos e amparemos as pobres crianças que necessitam de nosso auxílio, arrancando-as das trilhas dos vícios, tornando-as cidadãs úteis e dignas para o engrandecimento de nossa pátria."

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Mensagem da Semana


Ouvir a Mensagem

Educandário de luz


Ninguém se reconheceria fora da paciência e do amor que Jesus nos legou, se todos freqüentássemos a universidade da beneficência, cujos institutos de orientação funcionam, quase sempre nas áreas da retaguarda.

Aí, nos recintos da penúria, as lições são administradas, ao vivo, através das aulas inumeráveis do sofrimento.

Tanto quanto possas e, mais demoradamente nos dias de aflição, quando tudo te pareça convite ao desalento, procura experiência e compreensão nessa escola bendita, alicerçada em necessidades e lágrimas.

Se contratempos te ferem nos assuntos humanos, visita os irmãos enfermos, segregados no hospital, a fim de que possas aprender a valorizar a saúde que te permite trabalhar e renovar a esperança.

Quando te atormente a fome de sucesso nos temas afetivos e a ventura do coração se te afigure tardia, toma contato com aqueles companheiros que habitam furnas abandonadas, para quem a solidão se fez o prato de cada dia.

Ante os empeços da profissão com que o mundo te honra a existência, consagra alguns minutos a escutar o relatório dos pais de família, entregues ao desespero por lhes escassearem recursos à própria subsistência.

E, se experimentas dissabores, perante os filhos que te enriquecem a alma de esperança e carinho, à face das tribulações que lhes gravam a vida, observa aqueles outros pequeninos que caminham nas trilhas do mundo, sem tutela de pai ou mãe que os resguarde, atirados à noite da criminalidade e da ignorância.

Matricula-te no educandário da caridade e guardarás a força da paciência.

Enriquece de cultura os dotes que te enfeitam a personalidade e realiza na terra os nobres ideais afetivos que te povoam os pensamentos, no entanto, se queres que a felicidade venha morar efetivamente contigo, auxilia igualmente a construir a felicidade dos outros.

Nosso encontro com aqueles que sofrem dificuldades e provações maiores que as nossas será sempre, em qualquer lugar, o nosso mais belo e mais duradouro encontro com Deus.


Emmanuel

Mensagem do livro "Paz e Renovação" Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Página de Mãe



Meu filhinho:

O santuário de minh’alma acendeu todas as lâmpadas de que dispunha e adornou-se com todas as flores do jardim de minhas longas esperanças para receber-te.

Cada frase tua possui uma vibração diferente e sublime para o meu organismo espiritual e, por isto, utilizo-me hoje da vida, adaptando-me ao teu país interior, guardando a alegria e a obediência da Terra, que se move ao redor do Sol para melhor reter-lhe os divinos raios.

Antes que pousasses em meu colo, os dias eram para mim a expectativa torturante e secular em sombria furna; entretanto, quando me beijaste pela primeira vez, tudo o que era obscuro e monstruoso banhou-se de inesperada luz.

Fontes ocultas se desataram contando, e calhaus que feriam mostraram gemas celestiais.

O pesado orvalho das lágrimas converteu-se em chuva de bênçãos, precipitando-se na terra sequiosa e fecundando divinas sementes de amor e eternidade...

Prelibei, desde então, a glória da vida, nos deliciosos segredos que a envolvem.

Celebrei-te a vinda como acontecimento máximo de minha passagem no mundo.

Renovaste-me o calendário íntimo e consolidaste novas forças no governo do meu destino, ensinando-me a louvar o Poder Celeste portador do teu coração de luz às minhas células mais recônditas que, à maneira de um grande povo, reverenciam em ti o enviado de redenção e paz, concórdia e alegria.

Rei de minh’alma vieste dos meus braços com a destinação de uma estrela para o meu caminho e orgulho-me de sentir-te os raios renovadores.

Minha serenidade vem da tua harmonia.

Só aspiro a uma glória: a de permanecer contigo no reino da perfeita compreensão.

Só desejo uma felicidade: a de contemplar a alegria calma e bela em teus olhos misteriosos.

Teu coração é o tenro arbusto que se converterá em tronco abençoado com a ajuda de minh’alma, que, manancial de carinho, te afagará as raízes...

Em breve, serás a árvore robusta e magnânima, enquanto continuarei sendo a fonte inalterável aos teus pés, rejubilando-me com a graça de ver-te espalhando flores e frutos, perfume e reconforto aos viajantes da estrada...

Filho de minha ternura, de onde vens? De onde viemos?

Cale-se o cérebro que, muitas vezes, não passa dum filósofo negativo, e fale entre nós o coração, que é sempre o divino profeta da imortalidade.

Vens para mim da Coroa Resplandecente da Vida e venho, por minha vez, ao teu encontro, emergindo do Amor que nunca morre...

Abro-te as portas do mundo e elevas-me ao santuário da fraternidade, porque, ao influxo de tua claridade indefinível em meu ser, a minha existência se dilata, cresce e se renova, fazendo meus os filhos alheios e desfazendo-se em amor e renúncia no Templo da Humanidade inteira.


Anália Franco

Do livro “Mãe”, Poema de Mãe – Antologia Mediúnica – psicografia de Francisco Cândido Xavier

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

A Missionária da Educação – 3ª parte

Fachada do casarão no Jardim Anália Franco, em São Paulo (SP), que foi sede da Associação Feminina Beneficente e Instrutiva, a principal instituição fundada por Anália Franco. Hoje, reformado, o local abriga um dos campus da Universidade Cruzeiro do Sul.


Espalhando Educação


“NOSSO FIM É PROCURAR DIMINUIR CADA VEZ MAIS EM NOSSO MEIO A NECESSIDADE DE ESMOLA, PELO DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO E DO TRABALHO. EDUQUEMOS E AMPAREMOS AS POBRES CRIANÇAS QUE NECESSITAM DE NOSSO AUXÍLIO, ARRANCANDO-AS DAS TRILHAS DOS VÍCIOS, TORNANDO-AS CIDADÃS ÚTEIS E DIGNAS PARA O ENGRANDECIMENTO DE NOSSA PÁTRIA.” (ANÁLIA FRANCO)


O prestigio de Anália Franco no seio do professorado já era grande quando surgiram a abolição da escravatura e a proclamação da República. O advento dessa nova era encontrou a educadora com dois grandes colégios gratuitos para meninas e meninos.

Logo que as leis permitiram e secundada por vinte senhoras amigas, Anália fundou, em 17 de novembro de 1901, a Associação Feminina Beneficente e Instrutiva, instituto educacional com sede no Largo do Arouche, região central de São Paulo (SP), e que se mudou posteriormente para um casarão no Jardim Anália Franco, do qual saiu há pouco tempo, rumo à cidade de Itapetininga (SP). Em seguida, criou várias escolas maternais e elementares, inaugurando solenemente o Liceu Feminino em 25 de janeiro de 1902, cuja finalidade era instruir e preparar professoras para dirigirem estas escolas. Eram dois anos de estudos para as professoras das escolas maternais e três anos para aquelas das escolas elementares.

A Associação Feminina Beneficente e Instrutiva possuía dois bazares, nos quais eram vendidos os artefatos produzidos por suas oficinas. Anália Franco mantinha escolas reunidas em São Paulo e escolas isoladas no interior, escolas maternais, creches, bibliotecas, escolas profissionais de arte tipográfica, escrituração mercantil, prática de enfermagem e arte dentária, além de cursos de línguas (francês, italiano, inglês e alemão), música, desenho, pintura, pedagogia, costura, bordado, flores artificiais e chapéus, totalizando 37 instituições sob sua direção.

Anália Franco publicou numerosos folhetos e opúsculos referentes aos cursos ministrados em suas escolas, além de tratados especiais sobre a infância, nos quais as professoras encontravam meios de desenvolver faculdades afetivas e morais nas crianças ao mesmo tempo em que as instruíam. O Novo Manual Educativo, obra de sua autoria, era dividido em três partes: infância, adolescência e juventude. Em 01 de dezembro de 1903, Anália passou a publicar A Voz Maternal, revista mensal com tiragem de 6 mil exemplares impressos em oficinas próprias.

Romancista, escritora, teatróloga e poetisa, Anália Franco escreveu uma infinidade de livretos para a educação das crianças, trabalhos dignos de serem adotados nas escolas públicas. Além disso, era espírita fervorosa, sempre revelando um inusitado interesse pelas coisas pertinentes à doutrina. Sua vasta cultura produziu os romances A Égide Materna, A Filha do Artista e A Filha Adotiva, além de numerosas peças teatrais, diálogos e estrofes, destacando-se Hino a Deus, Hino à Ana Nery, Minha Terra e Hino a Jesus, entre outros.

Em 1911, sem possuir qualquer recurso financeiro, Anália Franco conseguiu viabilizar a aquisição da Chácara Paraíso, formada por 75 alqueires de terra, boa parte de matas e capoeiras, mas com benfeitorias diversas, como o velho solar ocupado por longos anos por Diogo Antônio Feijó, uma das mais notáveis figuras da história do Brasil. No local, ela fundou a Colônia Regeneradora D. Romualdo, aproveitando o casarão, a estrebaria e a antiga senzala para internar, sob direção feminina, os garotos com grande capacidade para a lavoura, a horticultura e outras atividades agrárias, bem como recolher moças “desviadas”, regenerando centenas delas.

Em 20 de janeiro de 1919, Anália Franco regressou ao plano espiritual. Seu desencarne ocorreu justamente quando havia deliberado ir ao Rio de Janeiro para fundar mais uma instituição, o que acabou se concretizando posteriormente por meio de seu marido, que inaugurou o Asilo Anália Franco.

Incontestavelmente, a obra de Anália foi uma das mais destacadas e meritórias da história do Espiritismo. Sua vasta sementeira consistiu em 71 escolas, dois albergues, uma colônia regeneradora para mulheres, 23 asilos para crianças órfãs, uma banda musical feminina, uma orquestra e um grupo dramático, além de oficinas para manufatura de chapéus, flores artificiais e outros artigos na capital e em 24 cidades do interior de São Paulo.


Magaly Sonia Gonsales, Núcleo Fraterno Samaritanos.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A Música e o Espírito: Adágio in C Minor – Yanni

Destaque para a bela sinfonia Adágio in C Minor, do músico grego Yanni, num vídeo gravado ao vivo e que faz parte do DVD "Tribute".

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Uma página para Anália

O Espírito Hilário Silva descreve nessa página psicografada pelo médium Chico Xavier, o caráter generoso, abnegado e perseverante no bem da nossa ilustre homenageada Anália Franco.



Página de Anália


A doente se queixava em desespero, a senhora que lhe velava o leito perguntou:

- Permite que eu leia para seu reconforto algum pequeno trecho de Allan Kardec?

- Deus me livre! - gritou a enferma, cuspindo-lhe aos pés.

Ainda assim, as mãos abnegadas da companheira continuaram ajeitando-lhe os lençóis...

- Quero água! - exigiu a doente.

A amiga trouxe-lhe água pura e fresca.

De copo às mãos, a enferma, num ímpeto, atirou-lhe todo o líquido à face, vociferando:

- Água imunda!... Como se atreve a tanto? Quero outra!

Paciente e humilde, a senhora enxugou o rosto molhado e, em seguida, trouxe mais água.

- Quero chá.

E o chá surgiu logo.

- Chá malfeito! Chá frio! O conteúdo da taça foi projetado ao peito da outra, ensopando-lhe a blusa.

- Traga chá quente! Foi a ordem obedecida.

- Você aceita agora o remédio? - indagou a assistente.

- Que venha depressa.

Ao tomar, contudo, a poção, a dama inconformada agarra a colher e vibra um golpe no braço da amiga.

Surge pequeno ferimento, mostrando sangue.

E a enferma cai em crise de lágrimas.

Chora, chora e depois diz:

- Anália, se a religião espírita que você abraçou é o que lhe ensina a me suportar com tanta calma, leia o que quiser.

A interpelada sentou-se.

Tomou "O Evangelho segundo o Espiritismo" e leu a formosa página intitulada A Paciência, no capítulo IX, que começa afirmando:

"A dor é uma bênção que Deus envia a seus eleitos..."

Acalmou-se a doente, que acabou aceitando o socorro do passe e o benefício da água fluída.

Conversaram ambas.

A enferma, asserenada, ouviu da companheira os planos que arquitetava para o futuro, em benefício dos meninos abandonados à rua.

No dia seguinte, ao despedir-se, a obsidiada em reequilíbrio beijava-lhe as mãos e dava-lhe os primeiros dois contos de réis para começar a grande obra.

Essa enfermeira admirável de carinho e devotamento era Anália Franco, a heroína da Seara espírita paulista, que se fez sublime benfeitora das criancinhas desamparadas.


Hilário Silva

Psicografado por Francisco Cândido Xavier

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A Missionária da Educação – 2ª parte


Alunos sem Mães


Entretanto, chegou ao seu conhecimento que os nascituros de escravas estavam previamente destinados à famosa “roda” da Santa Casa de Misericórdia, já que essas crianças não eram “negociáveis” como os pais e, assim, eram expulsas das fazendas por serem “impróprias” para o trabalho, sendo obrigadas a perambular e mendigar pelas ruas e estradas. Diante disso, Anália escreveu um manifesto apelando pela ajuda das mulheres fazendeiras, além de trocar seu cargo em São Paulo por outro no interior do estado, a fim de socorrer as criancinhas necessitadas.

Em uma fazenda, conseguiu uma casa para instalar uma escola primária, fornecida gratuitamente por uma rica fazendeira sob a condição de que não houvesse promiscuidade entre crianças brancas e negras. Como Anália repeliu frontalmente tal situação humilhante, preferiu recusar a oferta gratuita e pagar aluguel, o que fez a fazendeira guardar ressentimentos diante de tamanha altivez.

Surgia assim a primeira e original Casa Maternal, onde Anália Franco recebia todas as crianças que lhe batiam à porta, levadas por parentes ou apanhadas nas moitas e desvios dos caminhos. Porém, com a mágoa represada e vendo que sua casa se transformou em um albergue de “negrinhos”, a fazendeira resolveu acabar com aquele “escândalo” em sua propriedade, abusando do prestígio político de seu marido. Promoveu diligências junto ao coronel, que conseguiu remover facilmente a professora do local.

Então, Anália foi para a cidade e alugou uma casa velha, pagando de seu próprio bolso o aluguel correspondente à metade de seu ordenado. Como o restante era insuficiente para a alimentação das crianças, ela não pensou duas vezes e foi pedir esmolas para a meninada pessoalmente. Partiu de manhã em caminhada, levando consigo o grupinho escuro que chamava de “meus alunos sem mães”. Em um jornal local, anunciou que havia um pequeno abrigo para as crianças desamparadas ao lado da escola pública. A fama da notável professora, nem sempre favorável, encheu a cidade.

A curiosidade popular tomou-se de espanto em um certo domingo de festa religiosa. Ela surgiu nas ruas com seus “alunos sem mães” em bando precatório. Moça e magra, modesta e altiva, aquela impressionante figura de mulher que mendigava para filhos de escravas tornou-se o escândalo do dia. Na opinião de muitos, era uma mulher perigosa. Seu afastamento da cidade começou a ser objeto de consideração em rodas políticas, nas farmácias etc., mas rugiu a seu favor um grupo de abolicionistas e republicanos, defendendo-a do grande grupo de católicos, escravocratas e monarquistas.

Com o decorrer do tempo, deixando algumas escolas maternais no interior de São Paulo, Anália Franco retornou para a capital paulista, entrando brilhantemente para o grupo abolicionista e republicano. Sua missão, porém, não era política. A preocupação maior era com as crianças desamparadas, levando-a a fundar uma revista própria, intitulada Álbum das Meninas, cujo primeiro número começou a circular em 30 de abril de 1898 e tinha como destaque o artigo “Às mães e educadoras”.


Magaly Sonia Gonsales, Núcleo Fraterno Samaritanos.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Dicas do Manancial

Essas são as nossas dicas do mês para leitura, música e filme:


LIVRO: O SENTIDO DA VIDA
AUTOR: ALFREDO NAHAS


















Sinopse da obra:

Este livro busca trazer respostas para velhas perguntas que o autor pesquisou nas obras de Kardec e, depois, encaminhou-as ao médium Francisco Cândido Xavier, em reuniões íntimas, donde extraiu os conceitos aqui colocados.

Questões do tipo: existem outros mundos habitados? Eles têm vida igual a nossa? Somos, realmente, familiares descendentes de seres de outro mundo? Enfim, qual o sentido da vida?

Aprofundando o estudo das razões de nossa existência como indivíduos, esta obra traz justificativas estimulantes para trabalharmos pelo bem de todos, como o papel principal de nossas vidas.



MÚSICA: CD ENYA “ONLY TIME ( THE COLECTION)”


















Essa é uma seleção completa, produzida no ano de 2002, com os maiores sucessos da artista irlandesa Enya. Uma coleção imperdível para fãs, com 4 CDs, incluindo canções como: Exile, Caribbean Blue, Book of Days, The Memory of Trees, Storms in Africa, Orinoco Flow, Watermark, Shepherd Moons, Wild Child e lógico, a sensacional Only Time, canção que foi trilha sonora de “Doce Novembro”, filme que faz parte da minha relação dos mais tocantes que pude assistir.

Conheça o álbum, ouça trechos das canções e faça pedidos clicando aqui.



FILME: UM SONHO POSSÍVEL
DIREÇÃO: JOHN LEE HANCOCK
GÊNERO: DRAMA


















Um filme comovente que tive a oportunidade de assistir pelo sistema pay-per-view, no canal fechado, mas, já se encontra disponível em DVD nas locadoras.

Inspirado numa história real, com roteiro escrito a partir do livro The Blind Side, de Michael Lewis, conta a história de um jovem negro, Michael Oher, sem-teto e com vocação para esportes, que vive sozinho até ser encontrado pela Sra. Leigh Anne (Sandra Bullock), que tocada de compaixão ao ver o seu estado, o resgata do frio das ruas para o seio de sua família. O que todos não sabiam é que aquele gesto solidário transformaria as suas vidas para sempre.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Mensagem da Semana


Ouvir a Mensagem



Disciplina e Educação


Evidentemente, não se justificam cilício e jejum sistemáticos, a serviço da alma, no entanto, é justo empenharmos atenção e esforço, na aquisição de hábitos dignos, conducentes à elevação.

Considera que toda obra, por mais importante, principia no alicerce e iniciemos as grandes realizações do Espírito, através de pequenos lances de disciplina.

Tanto quanto possível, aprende a te desprenderes dessa ou daquela porção de ti mesmo ou daquilo que te pertença a fim de ajudar ou facilitar alguém.

Não desprezes a possibilidade de visitar os irmãos em doença ou penúria, pelo menos uma vez por semana, de maneira a levar-lhes consolação e refazimento.

Em cada sete dias, qual ocorre ao impositivo do descanso geral, destaca um deles para ingerir o mínimo de alimentação, doando o necessário repouso aos mecanismos do corpo.

Semanalmente, retira igualmente um dia para o trabalho de vigilância absoluta no próprio pensamento e no próprio verbo, mentalizando e falando exclusivamente no bem dos outros.

Em cada ciclo de vinte e quatro horas, separa diminuta área de tempo, quando não possas fazê-la mais ampla, para estudo e meditação, silêncio e prece.

Faze, por dia ou por semana, um horário de serviço gratuito, em auxílio aos companheiros da Humanidade.

Decerto que não estamos generalizando recomendações, de vez que todos conhecemos criaturas, quase inteiramente devotadas ao bem do próximo.

Ainda assim, apresentamos o assunto de nós para nós mesmos, porque toda educação parte da disciplina e, para que nos ajustemos à disciplina, nesse ou naquele setor da vida, será sempre invariavelmente preciso começar.



Emmanuel

Página recebida por Francisco Cândido Xavier,
do livro Paz e Renovação, editora IDE.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

A Missionária da Educação - 1ª parte


PROFESSORA, ESCRITORA, TEATRÓLOGA E POETISA, ANÁLIA FRANCO DEDICOU-SE COM AFINCO PARA AMPARAR CRIANÇAS POBRES E ABANDONADAS POR MEIO DE VÁRIAS INSTITUIÇÕES CRIADAS POR ELA. USANDO O PODER DA EDUCAÇÃO E OS ENSINAMENTOS DA DOUTRINA ESPÍRITA, OFERECEU-LHES A OPORTUNIDADE DE SE LIBERTAREM DOS PRECONCEITOS E SE TORNAREM PESSOAS MAIS DIGNAS.


Muitas pessoas, sobretudo em São Paulo (SP), quando ouvem falar de Anália Franco, logo se lembram do Jardim Anália Franco, bairro conhecido como o “Morumbi da zona leste” por abrigar famílias com alto padrão de vida. Ou então do shopping center que leva seu nome, no qual, inclusive, está disponível um espaço onde são divulgadas fotos e uma breve história do bairro e dessa grande figura que dedicou sua vida para educar os mais necessitados. Mas, afinal de contas, quem foi Anália Franco?

Anália Emília Franco nasceu na cidade de Resende (RJ) em 01 de fevereiro de 1856. Depois de se casar com Francisco Antônio Bastos em 1906, seu nome passou a ser Anália Franco Bastos, mas ela ficaria mais conhecida sem o sobrenome do marido. Já aos 13 anos de idade e com a alma se preparando para os vôos da liberdade, Anália experimentava sua curiosidade com aquilo que começava a observar. Aos seus olhos, o campo não estava desnudo apenas no setor educacional, no qual somente as minorias encontravam suas oportunidades, mas também no da justiça, em seu aspecto amplo.

Os primeiros estudos de Anália Franco foram realizados em sua cidade natal, sob o olhar vigilante de sua mãe, também dedicada ao magistério e que iria lhe ensinar os primeiros passos da profissão. Sabe-se que, em 1861, os pais de Anália se estabeleceram em São Paulo (SP), matriculando-a na escola dirigida pela mãe. Aos 15 anos, tornou-se professora pública e, em 1876, passou a lecionar como assistente de sua mãe em Guaratinguetá (SP). Com a reabertura da Escola Normal de São Paulo, em 1877, voltou à capital paulista a fim de completar seus estudos, quando foi possível atestar a precocidade e o talento que já se delineavam em sua trajetória.

Pouco se sabe sobre a vida de Anália Franco nos 20 anos que se seguiram à sua formatura, em 1878. No entanto, há informações de que, em 1887, ela teria fundado seu primeiro abrigo de órfãos e se iniciado no jornalismo, colaborando em jornais e revistas literárias, como A Família, O Eco das Damas e A Mensageira, sempre ao lado dos grandes expoentes femininos da época. Mas foi após a promulgação da Lei do Ventre Livre, que libertava da escravidão os filhos dos escravos nascidos a partir de então, que sua vocação literária se exteriorizou. Nessa época, Anália Franco já era notável literata, jornalista e poetisa.


Magaly Sonia Gonsales, Núcleo Fraterno Samaritanos

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