quarta-feira, 8 de julho de 2026

A obsessão espiritual

 


Por Rogério Miguez

Visitando o compêndio das palavras - o dicionário -, obsessão significa: (1) 1. Impertinência, perseguição, vexação. 2. Fig. Preocupação com determinada ideia, que domina doentiamente o espírito, e resultante ou não de sentimentos recalcados; ideia fixa; mania.

Esta é a visão bem resumida do psonto de vista acadêmico, materialista, que pode contemplar a existência da conduta obsessiva através de dois processos: originada entre duas ou mais pessoas, que se perseguem, mutuamente ou não, ou oriunda apenas do próprio indivíduo, sobre si mesmo. Em qualquer dos dois casos tendo sempre por causa as mentes em temporário desalinho dos envolvidos, seja por qual motivo for.

Em princípio, sob este enfoque, não há qualquer interferência espiritual no processo, podendo ser vista como uma auto-obsessão, caso o obsidiado se imponha este quadro através de suas manias ou bizarrices, ou por uma obsessão entre indivíduos.

Como exemplos de um caso envolvendo mais de uma pessoa pode-se citar a situação do amor doentio existente pelo obsessor por outra pessoa, gerando ciúme excessivo sem qualquer razão, provocando o controle por parte do obsessor da vida do outro – por meio de ligações ou mensagens recorrentes -, além disso, o sentimento de medo ou tensão pode surgir em função do distanciamento da pessoa obsidiada. Há também a obsessão provocada pela perseguição em ambiente de trabalho, ou mesmo familiar.

Entretanto, considerando o enfoque espiritualista, particularmente espírita, este conceito é consideravelmente mais abrangente, pois admite, e demonstra, a possibilidade de atuação de entidades desencarnadas nestes processos patológicos.

Estes assédios espirituais sempre existiram, não são novidades, contudo, foram descortinados e apresentados claramente à Humanidade quando houve a divulgação da Doutrina Espírita no século XIX. Talvez a primeira tentativa de conceituação do significado da obsessão espiritual, esteja registrada nesta citação: (2)

Um dos maiores escolhos da mediunidade é a obsessão, isto é, o domínio que certos Espíritos podem exercer sobre os médiuns, impondo-se-lhes sob nomes apócrifos e impedindo que se comuniquem com outros Espíritos.

Por esta definição, Allan Kardec restringiu o processo apenas em relação aos médiuns que se relacionam, naturalmente, com os desencarnados, pois nesta obra, estava discorrendo sobre as dificuldades no exercício da mediunidade. Ressaltamos que os Espíritos agem de forma impositiva, e, como se sabe, ora se apresentando malgrado a vontade do médium, ora tentando enganar por meio de identidades falsas. Neste último caso, poderíamos fazer uma analogia com conhecidas condutas criminosas e dizer que seria uma espécie de estelionato espiritual.

Uma significação mais detalhada do fenômeno obsessão está contida na segunda obra básica do Espiritismo: (3)

[...] domínio que alguns Espíritos logram adquirir sobre certas pessoas. Nunca é praticada senão pelos Espíritos inferiores, que procuram dominar. Os bons Espíritos nenhum constrangimento infligem. Aconselham, combatem a influência dos maus e, se não os ouvem, retiram-se. Os maus, ao contrário, se agarram àqueles de quem podem fazer suas presas. Se chegam a dominar algum, identificam-se com o Espírito deste e o conduzem como se fora verdadeira criança.

Em relação a este segundo significado, destaca-se a possibilidade do processo obsessivo ainda se referir aos médiuns, pois este capítulo trata dos escolhos na prática do Espiritismo, contido em O Livro dos Médiuns.

Além disso, precisamos sempre ter em mente que, o bom Espírito é aquele que já possui um razoável entendimento das Leis de Deus, obtido, evidentemente, à custa de seus próprios esforços em aprendê-las. Passa a viver e aplicar tais princípios em suas jornadas evolutivas, conferindo-lhe um bom patamar de educação moral. Não foi criado bom por Deus, jamais, ao invés, adquiriu esta condição pelas suas continuadas conquistas morais e éticas realizadas ao longo de suas muitas existências.

Por outro lado, o Espírito inferior é aquele que não adquiriu, até o momento, este grau de evolução moral e ético, regendo a sua vida, em consequência, sob os postulados que considera justos segundo o seu ainda acanhado e limitado ponto de vista. Esses são Espíritos ainda relativamente ignorantes, contudo, também chegarão, segundo seu próprio empenho, a um estágio espiritual mais elevado, quando, então, serão também chamados de bons Espíritos. Todavia, por hora, ou seja, temporariamente, são vistos como Espíritos maus. Cabe lembrar ainda sobre a possibilidade de os maus Espíritos serem muito inteligentes, preparados, perspicazes e arguciosos, porquanto, o avanço moral, que ainda não conquistaram, nem sempre acompanha imediatamente o progresso intelectual que já podem ter realizado.

Há também, ao final, a surpreendente informação sobre a possibilidade do médium obsidiado ser literalmente comandado em seus atos e pensamentos.

Já na terceira obra fundamental tem-se: (4)

A obsessão é a ação persistente que um Espírito mau exerce sobre um indivíduo. Apresenta caracteres muito diversos, desde a simples influência moral, sem perceptíveis sinais exteriores, até a perturbação completa do organismo e das faculdades mentais.

Agora o Codificador ressalta a possibilidade de a obsessão apresentar-se continuamente, alcançando o obsidiado por um tempo mais longo, atingindo-o profundamente, e como consequência, tanto o corpo físico, quanto a capacidade de ajuizamento da vítima.

Em outra obra básica, a última, Allan Kardec assim definiu o mecanismo: (5)

Chama-se obsessão à ação persistente que um Espírito mau exerce sobre um indivíduo. Apresenta caracteres muito diferentes, que vão desde a simples influência moral, sem perceptíveis sinais exteriores, até a perturbação completa do organismo e das faculdades mentais. Ela oblitera todas as faculdades mediúnicas.

Observe-se nesta outra conceituação do Pai do Espiritismo kardecista o destaque ao prejuízo para o bom exercício da faculdade mediúnica, e, consequentemente, para as atividades medianímicas que não poderão desenvolver-se adequadamente enquanto seus portadores tentarem atuar prisioneiros de algum processo obsessivo.

Já em Obras Póstumas, há também este significado bem conciso: (6)

A obsessão consiste no domínio que os maus Espíritos assumem sobre certas pessoas, com o objetivo de as escravizar e submeter à vontade deles, pelo prazer que experimentam em fazer o mal.

Nesta outra, o mestre de Lyon aponta uma nova motivação de atuação dos possíveis obsessores: a simples satisfação na prática do mal. Nada a estranhar, pois o Espírito ao desencarnar, se foi mau durante a sua caminhada em existência material, permanecerá mau no outro lado da vida, buscando os meios de satisfazer a sua má índole.

É interessante enfatizar que, embora estas definições espíritas destaquem a ocorrência da obsessão relacionada à prática da mediunidade, ela não se aplica apenas aos médiuns, mas a qualquer ser humano. Pode-se verificar este entendimento mais abrangente nos escritos do próprio Codificador quando afirma que o fenômeno obsessão pode ocorrer em qualquer um: (7)

Um fato importante a considerar-se é que a obsessão, qualquer que seja a sua natureza, é independente da mediunidade, e que ela se encontra, de todos os graus, principalmente do último, em grande número de pessoas que nunca ouviram falar de Espiritismo.

Quando Allan Kardec refere-se ao último grau da obsessão, significa a subjugação e, além deste, há também a obsessão simples, a fascinação e a possessão, sendo estas as principais variedades.

Por último, mas não que esta seja a derradeira definição, pois pode-se encontrar, eventualmente, outra nas obras doutrinárias, temos: (8)

A obsessão é a ação quase permanente de um Espírito estranho, que faz com que a vítima seja induzida, por uma necessidade incessante, a agir nesse ou naquele sentido, a fazer tal ou qual coisa.

O conceito de obsessão, segundo o Espiritismo, está razoavelmente alinhado com a noção corriqueira que temos sobre este fenômeno, com a diferença fundamental de que o Espiritismo dilata este entendimento, tornando-o oceânico, ao apontar a possibilidade da obsessão ser praticada pelos chamados mortos, junto aos ainda vivos, e vice-versa, descortinando um cenário muito mais amplo e profundo no trato da questão, em relação às restritas propostas que não admitem a continuidade da vida, muito menos a imortalidade da alma.

Embora não se possa concluir diretamente pelas definições citadas, há também a intrigante auto-obsessão, contemplada nos significados do dicionário pelo sentido figurado do processo. Esta só pode ser debelada, caso o acometido por este mal, aprenda a se conduzir conforme os princípios divinos, deixando de lado as práticas sustentadas pelo seu monoideísmo, que podem levar o incauto facilmente às raias da loucura.

Do exposto, percebe-se que a problemática da obsessão é assunto vasto e, algumas vezes, complexo, com vasta literatura espírita sobre o tema.

Todas estas ligeiras observações devem servir apenas para nos chamar a atenção para as múltiplas facetas do processo, com possibilidade de alcançar-nos sempre que estivermos invigilantes e descuidados com a nossa vida mental e moral, além disso, quando deixamos que a vaidade e o orgulho norteiem as nossas ações.

Por hora, visto que estamos em um mundo de provas e expiações, não há escudo absoluto contra os obsessores, exceto aquele construído pela vida reta e sem máculas, sem deslizes e, principalmente, sem ofensas ao próximo, de modo a evitar vinganças futuras. Tarefa difícil de ser alcançada, mas não impossível. Tentemos ao menos, e, se insucessos nos alcançarem, levantemos os joelhos desconjuntados e sigamos em frente, jamais esmoreçamos.

Sempre é tempo de começar a ler os relatos oferecidos pela espiritualidade sobre este palpitante tema.

No mais, é viver e aprender, experimentar e crescer, tudo sob a égide de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Referências:

1 HOLANDA, A. Buarque de. Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa. Revista e aumentada. 2. ed. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira,1986.

2 _________. O que é o Espiritismo. Tradução da Redação de Reformador em 1884. 56. ed. 1. imp. Brasília: FEB, 2013. Escolhos da mediunidade. cap. II. it. 70.

3 _________. O Livro dos médiuns. Trad. de Guillon Ribeiro. 54 ed. Rio de Janeiro: FEB, 1987. Da Obsessão. cap. 23. it. 237.

4 _________. O Evangelho segundo o Espiritismo. Trad. Guillon Ribeiro. 131. ed. 6. imp. Brasília: FEB, 2015. cap. 28, item 81.

5 _________. A Gênese. Trad. de Guillon Ribeiro. 53 ed. 1 imp. [Edição Histórica]. Brasília: FEB, 2013. Obsessões e possessões. cap. 14, item 45.

6_________. Obras póstumas. Trad. Guillon Ribeiro. 22 ed. Rio de Janeiro: FEB, 1987. Primeira parte, VII. Da obsessão e da possessão. it. 56.

7 _________. O que é o Espiritismo. Tradução da Redação de Reformador em 1884. 56. ed. 1. imp. Brasília: FEB, 2013. Escolhos da mediunidade. cap. II. it. 76.

8 _________. Revista Espírita: jornal de estudos psicológicos. ano 1. n. 10.  out. 1858. Obsidiados e subjugados. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 4. ed. 1. imp. Brasília: FEB, 2019.

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Obsessão e desobsessão- - Suely Caldas Schubert


Neste episódio do programa Espírito e Vida (2012), a escritora e estudiosa espírita aborda o tema da obsessão e da desobsessão à luz da Doutrina Espírita, explicando como ocorre a influência espiritual, os fatores que favorecem os processos obsessivos e os caminhos para a libertação por meio da reforma íntima, da prece, do estudo e da vivência do Evangelho. Com linguagem clara e fundamentada nas obras espíritas, a convidada oferece reflexões valiosas para quem deseja compreender melhor a realidade espiritual e fortalecer o equilíbrio moral e emocional diante dos desafios da vida.



sábado, 4 de julho de 2026

O Espiritismo e a Obsessão

 



Por Carlos Pereira

A obsessão constitui um dos temas mais relevantes da Doutrina Espírita, não apenas por sua frequência na experiência humana, mas sobretudo pelas lições morais que encerra. Desde os primeiros estudos realizados por Allan Kardec, observa-se que a influência dos Espíritos sobre os homens é um fenômeno natural, cuja intensidade depende das condições morais de cada indivíduo. Assim, compreender a obsessão à luz do Espiritismo significa conhecer suas causas, reconhecer seus efeitos e, principalmente, descobrir os meios seguros para preveni-la e superá-la.

A influência espiritual na vida humana

Em O Livro dos Espíritos, os Benfeitores Espirituais esclarecem que os Espíritos exercem constante influência sobre os pensamentos e as ações dos encarnados. Essa influência, entretanto, não elimina o livre-arbítrio. Cada pessoa conserva a capacidade de aceitar ou rejeitar as sugestões que recebe do mundo invisível.

Os Espíritos são atraídos pelas afinidades de sentimentos, pensamentos e inclinações. Desse modo, pensamentos elevados favorecem a aproximação dos bons Espíritos, enquanto sentimentos de orgulho, egoísmo, revolta, inveja, ódio ou sensualidade podem abrir espaço para entidades igualmente imperfeitas.

A obsessão representa, portanto, um caso particular dessa influência, caracterizado pela persistência de um Espírito mau em dominar ou constranger moralmente outro indivíduo.

O conceito espírita de obsessão

Em O Livro dos Espíritos, Kardec define a obsessão como o domínio que alguns Espíritos conseguem exercer sobre determinadas pessoas. Ela jamais ocorre sem uma causa, nem pode ser compreendida como simples castigo divino. Trata-se de um processo complexo, no qual frequentemente participam dois elementos: o Espírito perseguidor e o encarnado que, consciente ou inconscientemente, oferece condições para essa ligação.

A Doutrina Espírita ensina que Deus não permite sofrimentos inúteis. Mesmo as provas mais difíceis podem converter-se em oportunidades de aprendizado, reparação e crescimento espiritual.

Os graus da obsessão

Kardec classifica a obsessão em três modalidades principais.

A obsessão simples caracteriza-se pela ação persistente de um Espírito perturbador, que procura incomodar, influenciar pensamentos ou dificultar atividades, especialmente as mediúnicas.

A fascinação constitui um estágio mais profundo, no qual o obsidiado perde parcialmente a capacidade crítica, aceitando como verdade ideias falsas ou inspirações enganosas sem perceber o próprio equívoco.

A subjugação representa o grau mais intenso, podendo produzir constrangimentos morais e, em alguns casos, repercussões físicas que limitam temporariamente a vontade do indivíduo.

Essa classificação permanece atual porque demonstra que a obsessão não surge de forma abrupta, mas costuma desenvolver-se gradualmente.

As verdadeiras causas

Embora muitas pessoas atribuam toda obsessão exclusivamente à ação de Espíritos inferiores, o Espiritismo ensina que a causa mais profunda encontra-se nas imperfeições morais do próprio ser humano.

Mágoas cultivadas por longo tempo, orgulho ferido, ressentimentos, vícios, revolta contra a vida e ausência de vigilância espiritual favorecem a sintonia com Espíritos ainda presos aos mesmos sentimentos.

Em muitas situações há também compromissos oriundos de existências passadas. Antigos adversários reencontram-se, oferecendo uns aos outros oportunidades de reconciliação. Quando o perdão não acontece, os vínculos de animosidade podem prolongar-se além da morte física.

Entretanto, o conhecimento dessas possibilidades jamais deve alimentar fatalismo. O presente oferece sempre condições para modificar o futuro por meio da renovação íntima.

O tratamento espírita da obsessão

A terapêutica espírita não se limita ao afastamento do Espírito obsessor. O objetivo maior consiste na transformação moral de todos os envolvidos.

A prece sincera modifica a sintonia espiritual e fortalece o coração diante das dificuldades.

O estudo das obras espíritas esclarece a inteligência e fortalece a fé raciocinada.

O passe e a água fluidificada constituem recursos de auxílio espiritual, desde que recebidos com confiança e acompanhados do esforço pessoal de renovação.

A desobsessão realizada em reuniões mediúnicas sérias representa importante instrumento de socorro aos Espíritos sofredores, mas não substitui a mudança interior do encarnado. Sem reforma moral, o afastamento temporário de um perseguidor pode ser seguido pela aproximação de outros Espíritos igualmente infelizes.

Por essa razão, os Espíritos superiores insistem que o tratamento definitivo da obsessão acontece principalmente no íntimo da criatura.

A reforma íntima como prevenção

Nenhum recurso exterior possui eficácia duradoura quando falta disposição para melhorar pensamentos, palavras e atitudes.

A caridade, o perdão, a humildade, a disciplina mental, o trabalho no bem e a vigilância constante representam poderosa defesa espiritual.

Como ensina o Evangelho, a luz afasta naturalmente as trevas. À medida que a criatura cultiva sentimentos elevados, diminui sua afinidade com Espíritos inferiores e fortalece seus laços com os Benfeitores Espirituais.

A obsessão deixa então de ser vista apenas como um problema espiritual para tornar-se valiosa oportunidade de autoconhecimento e crescimento moral.

Considerações finais

O Espiritismo apresenta uma visão equilibrada da obsessão, distante tanto da superstição quanto da negação absoluta da realidade espiritual. Reconhece a influência dos Espíritos, mas enfatiza a responsabilidade individual e o poder transformador da vontade dirigida ao bem.

Mais do que buscar soluções imediatas para os sofrimentos decorrentes da obsessão, a Doutrina Espírita convida cada pessoa à renovação de si mesma. A verdadeira libertação nasce da transformação moral, do cultivo das virtudes cristãs e da confiança na misericórdia divina.

Sob essa perspectiva, a obsessão deixa de ser apenas motivo de temor para converter-se em oportunidade de reconciliação, aprendizado e progresso espiritual, confirmando que, conforme os ensinamentos espíritas, todo esforço sincero em direção ao bem encontra amparo na Providência Divina e na assistência dos bons Espíritos.

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Especial do Mês

 


Em sua permanente proposta de estudo e divulgação da Doutrina Espírita, o Manancial de Luz dedica este mês à reflexão sobre um tema de grande relevância para a compreensão da vida espiritual: a obsessão.

À luz dos ensinamentos consoladores do Espiritismo, este especial reúne uma criteriosa seleção de artigos, estudos, vídeos e textos de autores e pesquisadores espíritas que oferecem valiosos subsídios para o entendimento dos processos obsessivos, de suas causas e manifestações, bem como dos recursos de prevenção e libertação que a Doutrina Espírita nos apresenta.

Mais do que examinar um fenômeno espiritual, somos convidados a reconhecer que a obsessão encontra terreno propício nas imperfeições humanas, apontando-nos, ao mesmo tempo, o caminho seguro da renovação moral. A reforma íntima, a vigilância dos pensamentos, a prece sincera, o cultivo do bem e a vivência dos ensinamentos do Cristo constituem os instrumentos mais eficazes para a conquista da paz e do equilíbrio.

Estudar a obsessão, portanto, é também estudar a nós mesmos. É compreender que, acima de qualquer influência espiritual, permanece soberana a lei de amor e de progresso estabelecida por Deus, oferecendo a todos os Seus filhos as oportunidades necessárias de aprendizado, reparação e crescimento.

Que este especial possa inspirar momentos de reflexão, fortalecer a fé raciocinada e ampliar nossa compreensão acerca da misericórdia divina, que jamais nos abandona em nossa jornada evolutiva.

Convidamos você a acompanhar, ao longo deste mês, cada publicação desta série, na expectativa de que os ensinamentos aqui compartilhados se convertam em fonte de esclarecimento, consolo e esperança.

Que a paz do Cristo nos ilumine o entendimento e fortaleça nossos propósitos de renovação, para que, caminhando na luz do Evangelho, encontremos a verdadeira liberdade do Espírito.

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