quarta-feira, 13 de maio de 2026

A transição planetária

 


Pelo Espírito Glauco

 Essa passagem de O Evangelho Segundo o Espiritismo está ligada à ideia de transformação moral e espiritual da humanidade. Dentro da doutrina espírita, “os tempos são chegados” significa que a humanidade atravessa um período de progresso intelectual e moral, no qual antigas interpretações equivocadas das leis divinas começam a ser corrigidas.

A expressão “todas as coisas hão de ser restabelecidas no seu verdadeiro sentido” refere-se, segundo o Espiritismo, à restauração da verdadeira essência dos ensinamentos de Jesus. Kardec explica que, ao longo dos séculos, muitos ensinamentos foram deturpados pelo orgulho humano, pelo interesse material e pelas interpretações literais. O Espiritismo surgiria, então, como o “Consolador Prometido”, trazendo esclarecimento racional e espiritual sobre temas como a imortalidade da alma, a reencarnação, a justiça divina e a lei de causa e efeito.

Quando o texto fala em “dissipar as trevas”, entende-se a superação da ignorância espiritual. As “trevas” simbolizam o materialismo absoluto, o egoísmo e a falta de compreensão das leis divinas. A doutrina espírita defende que o conhecimento espiritual aliado à razão ajuda o ser humano a compreender melhor sua existência e sua responsabilidade moral.

A frase “confundir os orgulhosos” aponta para a queda das ilusões de superioridade humana. No entendimento espírita, o orgulho é um dos maiores obstáculos à evolução do espírito. Aqueles que se julgam acima dos outros, presos ao poder, à vaidade ou à intolerância, acabam sendo confrontados pelas verdades espirituais e pelas consequências naturais de seus próprios atos.

Já “glorificar os justos” não significa exaltar pessoas privilegiadas, mas reconhecer aqueles que vivem conforme as leis de amor, caridade e humildade ensinadas por Jesus. Para o Espiritismo, os “justos” são os espíritos que procuram o bem, esforçando-se moralmente, mesmo em meio às dificuldades da vida terrena.

Essa passagem se relaciona diretamente com a ideia espírita de progresso contínuo da humanidade. O mundo estaria passando por uma transição moral, em que valores espirituais tenderiam gradualmente a prevalecer sobre o egoísmo e a violência. Não se trata de um fim do mundo físico, mas de uma renovação das consciências.

Assim, a citação expressa esperança e responsabilidade: esperança em uma humanidade mais esclarecida e fraterna, e responsabilidade individual de cada pessoa em participar dessa transformação moral através do autoconhecimento, da reforma íntima e da prática da caridade.


segunda-feira, 11 de maio de 2026

Servir ao próximo

 


Na obra O Evangelho Segundo o Espiritismo, os bons Espíritos nos lembra que a verdadeira utilidade ao próximo nasce da sinceridade do coração. Quando alguém deseja genuinamente servir, descobre que as oportunidades aparecem todos os dias: em uma palavra de consolo, em um gesto de paciência, em uma ajuda silenciosa ou até na simples atenção dada a quem sofre.

Servir ao próximo não significa apenas realizar grandes ações, mas colocar amor nas pequenas atitudes da vida cotidiana. Muitas vezes, esperamos ocasiões extraordinárias para fazer o bem, quando, na verdade, elas estão ao nosso redor o tempo todo. A caridade começa no lar, na escola, no trabalho e nas relações mais simples.

A citação também nos ensina que o bem exige iniciativa. Quem procura maneiras de ajudar encontra caminhos, porque Deus oferece constantemente oportunidades de crescimento moral através do auxílio aos irmãos. Assim, servir ao próximo é também servir a si mesmo, desenvolvendo empatia, humildade e fraternidade.

Por Carlos Pereira


domingo, 10 de maio de 2026

Especial Dia das Mães




Mãe é o abraço de Deus em forma de ternura.

No silêncio das lutas, na força das renúncias e no amor que nunca desiste, a maternidade revela uma das mais belas expressões da espiritualidade: o amor incondicional.

Ser mãe é iluminar caminhos, consolar dores, ensinar pelo exemplo e semear esperança mesmo nos dias difíceis. É missão sagrada de cuidado, paciência e entrega.

Neste Dia das Mães, que possamos agradecer a Deus por aquelas que foram e são instrumentos de luz em nossas vidas. E que o amor materno continue inspirando a humanidade a viver com mais compaixão, fé e fraternidade.

Feliz Dia das Mães a todas as mães da Terra e do Céu.

São os meus mais carinhosos e sinceros votos, 

Carlos Pereira- Manancial de Luz 

sábado, 9 de maio de 2026

Sobre a fé

 


A citação de O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, nos mostra que a verdadeira fé não deve ser cega ou baseada apenas na emoção. Kardec defende que a fé se fortalece quando é acompanhada pela razão e pelo entendimento. Ver ou ouvir algo não é suficiente; é preciso refletir, compreender e dar sentido ao que se acredita. Dessa forma, a fé torna-se mais consciente, segura e capaz de resistir às dificuldades e dúvidas da vida.

Por Carlos Pereira 

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Sobre a oração



A citação do capítulo XXVIII, item 1 de O Evangelho Segundo o Espiritismo convida à reflexão sobre o poder da prece como um elo direto entre o ser humano e Deus. Mais do que palavras repetidas mecanicamente, a oração é apresentada como uma expressão sincera da alma, que eleva o pensamento e fortalece o espírito diante das dificuldades. Esse ensinamento reforça que a eficácia da prece está na intenção, na fé e na humildade de quem ora, funcionando como instrumento de consolo, orientação e transformação interior.

Por Carlos Pereira 

terça-feira, 5 de maio de 2026

Dezoito anos de "Manancial de Luz"

 


Hoje o Manancial de Luz completa 18 anos… e o coração transborda de gratidão.

Ao olhar para trás, vejo muito mais do que textos publicados: vejo uma caminhada de aprendizado, transformação e, acima de tudo, de partilha. Cada mensagem escrita nasceu de reflexões sinceras, de estudos, de momentos de busca interior — e encontrou em vocês, leitores queridos, um solo fértil onde pôde florescer.

Durante todos esses anos, este espaço nunca foi apenas meu. Ele se tornou nosso. Um ponto de encontro de almas que desejam compreender melhor a vida, cultivar o bem, fortalecer a fé e caminhar à luz dos ensinamentos da Doutrina Espírita. Aqui, juntos, aprendemos que evoluir é um processo contínuo, que errar faz parte, e que recomeçar é sempre possível.

Compartilhar esse conteúdo sempre foi uma alegria profunda. Cada mensagem publicada carrega o desejo sincero de consolar, esclarecer e inspirar — assim como eu também tenho sido consolado, esclarecido e inspirado ao longo dessa jornada. Ensinar e aprender, aqui, caminham lado a lado.

Aos que acompanham o Manancial de Luz desde o início, minha eterna gratidão pela confiança e carinho. Aos que chegaram ao longo do caminho, sejam sempre bem-vindos — há sempre espaço para mais um coração disposto a aprender e amar.

Que possamos continuar juntos, semeando luz, cultivando esperança e espalhando as verdades que libertam e transformam.

Com carinho e gratidão,
seguimos adiante…

Carlos Pereira - Manancial de Luz 

domingo, 3 de maio de 2026

O Espiritismo e a lei de progresso

 


A citação do capítulo I, item 9 de O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec , aponta para uma visão profundamente dinâmica da vida moral: a Terra não é um mundo estático, mas um campo de aperfeiçoamento contínuo. A moral evangélica, quando vivida de forma autêntica, deixa de ser apenas um ideal abstrato e passa a atuar como força transformadora, capaz de elevar o padrão espiritual da humanidade. Assim, a melhoria do mundo está diretamente ligada à renovação íntima de cada indivíduo.

Ao afirmar que o Espiritismo é a “alavanca” utilizada por Deus, o texto sugere que essa doutrina funciona como instrumento de esclarecimento e conscientização, despertando o ser humano para sua responsabilidade no processo de progresso. Trata-se de compreender que a evolução não ocorre apenas no plano material, mas sobretudo no campo moral, conduzindo gradualmente a humanidade a um estado em que predominem valores como justiça, caridade e fraternidade.

Por Carlos Pereira 

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Especial do Mês

 


Neste mês, o blog Manancial de Luz apresenta o especial “Apontamentos do Evangelho”, uma proposta dedicada a iluminar o caminho espiritual por meio de reflexões simples e profundas. A cada publicação, os leitores encontrarão citações em destaque cuidadosamente extraídas da obra O Evangelho Segundo o Espiritismo, trazendo à tona ensinamentos que convidam à renovação íntima e ao fortalecimento da fé.

Com uma abordagem acessível e inspiradora, o especial busca aproximar os ensinamentos do Evangelho de Jesus trazidos pelos Espíritos a Allan Kardec, oferecendo breves comentários que auxiliam na compreensão e aplicação prática das mensagens. Mais do que leitura, trata-se de um convite à vivência do Evangelho, despertando sentimentos de esperança, caridade e transformação pessoal.

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Mensagem para a eternidade

 


Por Rogério Miguez

O planeta Terra recebeu inúmeros emissários, seja no Ocidente, bem como no Oriente, todos Espíritos esclarecidos, vindo em nome de Deus e, particularmente, do Governador do orbe – Jesus, o Cristo. Invariavelmente, trouxeram mensagens sobre diversos aspectos do funcionamento da vida conforme os postulados imutáveis do Criador.

Alguns destes missionários foram, entre outros: Moisés, Krishna, Lao Tsé, Zoroastro, Buda, Confúcio, Sócrates e Pitágoras, todos preparadores do caminho de quem lhes enviou previamente. Trouxeram fundamentos das Leis divinas, cada qual em sua região de influência.

Isto acontece, pois, o Espírito ainda muito acanhado em seus conhecimentos e experiências precisa ser instruído seguidamente, e, aos poucos, de modo a ganhar a maturidade necessária para receber uma nova ordem de ideias neste processo continuado de aprendizado, trazida por um revelador de maior porte, como fez Jesus, após a vinda de todos estes precursores.

Quando o Cristo aqui chegou reencarnado, nos ofereceu ensinamentos mais completos - as diretrizes morais criadas pelo Senhor do Universo -, do que seus antecessores, delineando-as, com exemplos pessoais, sendo esta a característica marcante de sua vinda, uma verdadeira mensagem para a eternidade.

Esta valiosa mensagem para a eternidade, foi mencionada durante um encontro de Jesus com seus Apóstolos, registrada pelo Evangelista João (6: 67-69): Então, disse Jesus aos Doze: "Não quereis também vós partir?" Simão Pedro respondeu-lhe: "Senhor, a quem iremos? Tens palavras de vida eterna e nós cremos e reconhecemos que tu és o Santo de Deus".

Sim, os Apóstolos estavam cientes de que com Jesus havia a verdade, o caminho e a vida; com Ele, e apenas com o Meigo Rabi, poderiam beber a água que sacia em definitivo a sede de qualquer um buscando o esclarecimento sobre as Leis eternas, bem como, o verdadeiro conforto espiritual.

Para onde iriam os Apóstolos? A quem procurariam? – Refletiu Pedro, com apurado bom senso!

São as perguntas que os modernos seguidores do Cristo poderiam repetir neste momento de tantas dúvidas e incertezas por que passa a nossa amada Terra: quem mais procurar senão o Mestre de Nazaré, com as suas profundas lições sobre a beleza do Universo – as suas muitas moradas -, e, sobre a bondade, misericórdia e justiça do Eterno Pai?

Nele podemos confiar, seguir suas pegadas, mirar seus testemunhos, nos inspirar para seguir em frente sem medo e hesitação, não olhando para trás.

Os Apóstolos optaram com sabedoria por permanecer com o Mestre, pois reconheciam inequivocamente que com Ele poderiam viver em paz consigo mesmos, a ninguém mais precisariam recorrer em seus momentos de indecisão, nada mais teriam a temer, uma vez que com o Cristo estariam seguros, amparados, em resumo: desfrutariam da Paz do Cristo.

Este relato se deu há dois mil anos.

E, se hoje Jesus estivesse entre nós, e, igualmente nos perguntasse se desejaríamos partir? Qual seria a nossa resposta? Já não seria hora de seguir em definitivo Jesus? Finalmente calçar as sandálias da humildade e da fraternidade, como Ele as usou e seguir destemidos os seus indeléveis passos?

Há de observar-se ainda: mais do que apenas conhecer as palavras de vida eterna, será preciso viver intensamente as palavras de vida eterna, e, mirando Jesus, em seus inigualáveis exemplos, poderemos também, sem sombra de dúvida, agir como Ele agia, viver como Ele vivia. Aos poucos, sem muita pressa, gradativamente experimentando os aspectos práticos das palavras de vida eterna.

Um desafio e tanto! Contudo, perfeitamente possível de ser atingido.

E, inspirados por esta mensagem para a eternidade, sejamos também portadores de palavras de: incentivo, esperança, alegria, amparo, justiça, e, sempre verdadeiras.

Sigamos assim, sempre avante, com Jesus, com a única insígnia possível em nosso peito - a figura do Mestre -, imortal, amoroso, paciente, que nos aguarda há bom tempo para caminhar junto com Ele, rumo aos braços do Pai Criador.

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Florescer onde estamos








Por Waldenir A Cuin


Trabalhai sempre. Essa é a lei para vós outros e para nós que já nos afastamos do âmbito limitado do círculo carnal. Esforcemo-nos constantemente.” -  Emmanuel (O Consolador, item 226)

Cada ser humano sendo criado, por Deus, na simplicidade e na ignorância e caminhado ao longo do tempo, encontra-se hoje na posição que conquistou pelos seus próprios esforços. Se não avançou mais na senda do progresso, foi por livre escolha.

No entanto, a Providência Divina disponibiliza recursos e mecanismos para que cada um realize as suas tarefas e funções dentro das aquisições que possui, tendo amplas e totais possibilidades de florescer onde e como estiver, dependendo obviamente da força de vontade, determinação e consciência de sua imortalidade, fazendo o máximo com a estrutura que tem, sem esperar facilidades ou privilégios.

Francisco Cândido Xavier, órfão de mãe aos cinco anos de idade, tendo vivido com uma madrasta que o castigava diariamente, trabalhado exaustivamente desde muito pequeno, enfrentando sempre doenças e adversidades, floresceu onde estava. Exerceu a mediunidade por mais de setenta anos, tendo publicado, em parceria com os Espíritos, centenas de livros, com os direitos autorais destinados às Instituições de Caridade. Consolou milhares de corações aflitos, estimulou a fundação de inúmeros centros espíritas e instituições de caridade e assistência social. Fez tudo isso e muito mais sem dar atenção às dificuldades que sempre enfrentou.

Irmão Dulce, na Bahia, uma freira extremamente caridosa, detentora de grave doença pulmonar, tanto que só dormia sentada num banquinho, pois utilizava apenas um quarto de um dos pulmões, se deitasse não respirava, muito pobre, conseguiu construir na cidade de Salvador-BA um hospital destinado aos mais necessitados e, posteriormente, uma creche para o acolhimento de crianças. Irmã Dulce com os poucos recursos que tinha floresceu onde estava, sem nunca dar atenção às adversidades que a cercavam, acreditando sempre no seu potencial de realização.

Francisco de Assis, filho de abastado comerciante na Itália, observando sua vocação e amor aos mais pobres da comunidade, ousadamente abandonou todas as possibilidades de usufruir da fortuna de seu pai, lançando-se a um notável trabalho de organização da religião que professava, colocando as lições de Jesus Cristo na vivência prática, exemplificando com seus intensos esforços como deve portar-se um cristão. Francisco de Assis floresceu onde estava.

Todos esses personagens e tantos outros que a história registra, com os recursos e mecanismos que conquistaram, não vacilaram em florescer onde estavam, ignorando brava e corajosamente todas as dificuldades que surgiam pela frente e contribuíram, de forma decisiva, para a construção de uma sociedade mais justa, fraterna e humana.

E nós?

Meditemos!

Importante que observemos os recursos que já amealhamos, mesmo que sejam poucos, não importa, e também destemidos e conscientes realizemos tarefas e funções que possam ajudar na melhoria da sociedade que nos acolhe, entendendo que o bem que fazemos ao próximo em realidade é o bem que fazemos a nós mesmos.

Notadamente, não conseguiremos realizar os feitos que essas personalidades história produziram, mas não estamos impedidos de oferecer também a nossa contribuição, pois a soma de pequenas realizações edifica os grandes acontecimentos.

Floresçamos, então, onde estamos.

Pensemos nisso.    

sábado, 25 de abril de 2026

O Livro Espírita



Por Arnaldo Divo Rodrigues de Carvalhou

 O livro espírita é um mentor generoso, sempre ao nosso dispor, trazendo a revelação da imortalidade da alma e do Deus único, justo e misericordioso.

- É um professor esclarecedor, que nos disciplina e ensina sobre a pluralidade das reencarnações – bênção para o aperfeiçoamento do espírito.

- É um amigo paciente e disponível, pronto para nos ajudar a compreender a comunicação com os espíritos que nos precederam.

- É um sábio humilde e virtuoso, que nos aconselha sobre a pluralidade dos mundos habitados e a grandeza da criação divina.

- É um guia de luz, que nos orienta sobre a lei de causa e efeito, onde a justiça se manifesta com equilíbrio, reajuste e novas oportunidades.

Tenha sempre um livro espírita por perto. A leitura serena e a meditação elevada fortalecem a mente e renovam o espírito.

Escolha um presente para a vida eterna: o conhecimento que ilumina o caminho da evolução.

O futuro nasce das escolhas que fazemos hoje. O passado não pode ser mudado, mas o presente é a base para um porvir melhor. Somos os arquitetos de nossa jornada. Dediquemos alguns instantes à leitura edificante e alimentemos nossa alma com sabedoria.

Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo é diretor da editora EME.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

A Verdadeira Caridade



Por Carlos Pereira

* Com base no capítulo XVIII, item “Fazer o bem sem ostentação”, de O Evangelho segundo o Espiritismo,  de Allan Kardec. 

A caridade é, sem dúvida, uma das mais elevadas expressões do espírito humano. No entanto, nem toda ação que aparenta ser caridosa nasce de um sentimento puro. Há uma diferença profunda — e muitas vezes sutil — entre a verdadeira caridade e aquela que se disfarça sob gestos exteriores, mas busca, no fundo, reconhecimento e aplauso.

No ensinamento espírita, a verdadeira caridade não se limita ao ato de dar algo material. Ela é, acima de tudo, uma disposição interior: silenciosa, sincera e desinteressada. É o bem praticado sem expectativa de retorno, sem necessidade de testemunhas, sem o desejo de ser visto ou admirado. É o gesto que nasce do amor ao próximo e da compreensão de que todos somos irmãos em evolução.

Por outro lado, existe a caridade dissimulada — aquela que, embora produza algum benefício aparente, está impregnada de vaidade. Nela, o indivíduo não busca apenas aliviar a dor alheia, mas também alimentar o próprio orgulho. Faz o bem, mas faz questão de que todos saibam; ajuda, mas espera reconhecimento; doa, mas cobra gratidão. Nesse caso, o ato perde parte de seu valor moral, pois se distancia do princípio essencial da humildade.

O ensinamento “fazer o bem sem ostentação” nos convida a uma reflexão íntima: por que fazemos o bem? Se a resposta estiver ligada à aprovação dos outros, ainda há um caminho a percorrer. A verdadeira caridade é discreta. Muitas vezes, sequer é percebida por quem a pratica como algo grandioso — pois é natural, espontânea, quase instintiva para o coração que já compreendeu o amor.

Além disso, a caridade verdadeira não se restringe a bens materiais. Ela se manifesta no perdão sincero, na palavra de consolo, na paciência diante das imperfeições alheias, no respeito às diferenças e na disposição de servir sem julgar. Pequenos gestos, quando revestidos de amor genuíno, têm um valor imensurável.

Em contraste, a caridade ostentosa pode até impressionar momentaneamente, mas não transforma profundamente o espírito. Ela é efêmera, pois depende do olhar externo. Já a caridade verdadeira permanece, pois está enraizada na consciência e contribui para o crescimento moral de quem a pratica.

Assim, a lição deixada pelos bons Espíritos a Kardec nos orienta a cultivar uma caridade que não busca luz sobre si, mas que se torna luz para os outros. Uma caridade que não se anuncia, mas que se sente; que não se exibe, mas que se vive.

Em última análise, a verdadeira caridade é um exercício de amor puro — aquele que dá sem esperar, que serve sem se impor e que ajuda sem se destacar. É nesse silêncio virtuoso que o espírito encontra sua maior elevação.

terça-feira, 21 de abril de 2026

Nascidos para Amar

 


Por Jane Martins Vilela

“Amar, no sentido profundo da palavra, é ser leal, probo, consciencioso, para fazer aos outros o que se quer para si mesmo; é procurar, ao redor de si, o sentido íntimo de todas as dores que oprimem vossos irmãos, para abrandá-las; é encarar a grande família humana como a sua...” -  Sanson, 1863, O Evangelho Segundo o Espiritismo.

Lendo este pequeno trecho do Evangelho, vemos quanto de virtudes precisamos adquirir para chegar a esse ponto. Somos ainda aprendizes desse sublime sentimento.

O amor é de origem divina, disse-nos nesse mesmo evangelho o espírito de Lázaro, na página intitulada A Lei de Amor.

Diz-nos ele que o amor resume inteiramente a doutrina de Jesus; que os sentimentos são os instintos elevados à altura do progresso realizado. Um dia seremos puro amor, como Jesus o é. Esse dia vai depender de nós, do nosso desejo de alcançar a felicidade destinada aos bons e puros de coração. Ainda nos falta muito, mas chegaremos lá, já que a trajetória evolutiva nos compele a esse sublime sentimento.

Na questão 166 de O Livro dos Espíritos Allan Kardec pergunta como a alma que não alcançou a perfeição na vida corpórea acaba de se depurar. Os espíritos respondem que suportando a prova de uma nova existência. Todos nós, dizem eles, passamos por várias existências físicas e na questão 167 dizem que o objetivo da reencarnação é a expiação, o aprimoramento progressivo da humanidade, sem o quê, aonde haveria o progresso?

Certa ocasião, lemos um livro de Leo Buscaglia, professor ítalo-americano, desencarnado há muitos anos, quando ele contou sobre um curso, intitulado Amor, que realizava na universidade. A fila de espera era grande, muitos desejosos de entender o amor ao próximo. Disse ele que colocava como requisito obrigatório para se frequentar essas aulas um trabalho voluntário. Um dia, um seu aluno, Gary, com cerca de 20 a 21 anos, se dirigiu a ele, dizendo que não sabia o que fazer. Como, perguntou-lhe Buscaglia, numa cidade enorme como esta, você não sabe o que fazer? Procure numa casa de velhinhos (deu-lhe o nome, uma senhora, também nomeada e vá visita-la). Ela sente muita solidão e necessita que a visitem.

Gary obedeceu. No dia da visita lá estava ele conversando com a senhora idosa. No início ela parecia desconfiada, depois foi-se abrindo, contando histórias de sua época e Gary religiosamente a visitava, o que para ele se tornou também um prazer. No dia da visita, a velhinha começou a cuidar melhor dela, se arrumar, afinal, era o dia do Gary. O professor Leo Buscaglia relata que se sentiu realizado como professor, num final de semana, quando haveria um jogo de futebol americano na universidade e o Gary apareceu lá com todos os velhinhos do asilo!

É sua a frase, num de seus livros, como também Joanna de Ângelis reportava que o amor se aprende, como aprendemos a ler e a escrever.

No livro Fonte Viva, de Emmanuel, através da psicografia de Chico Xavier, na página intitulada Na Presença do Amor, o espírito de Emmanuel inicia suas linhas com uma frase do apóstolo João, que diz” Aquele que ama a seu irmão está na luz e nele não há escândalo”.

Em suas palavras Emmanuel relata que quem ama o próximo, sabe, acima de tudo, compreender. E quem compreende sabe livrar os olhos e os ouvidos do venenoso visco do escândalo, a fim de ajudar ao invés de acusar ou desservir.

Diz ele que é necessário trazer o coração sob a luz da verdadeira fraternidade, para reconhecer que somos irmãos uns dos outros, filhos de um mesmo Pai.

Comenta que enquanto nos demoramos na escura fase do apego exclusivo a nós mesmos, encarceramo-nos no egoísmo e exigimos que os outros nos amem. Nesse passo infeliz, não sabemos querer senão a nós próprios, tomando os semelhantes por instrumento de nossa satisfação.

Que beleza o que ele diz: Ama, pois, e assim como a lama jamais ofende a luz, a ofensa não mais te alcançará.

Saberás que a miséria é fruto da ignorância e auxiliarás a vítima do mal, nela encontrando o próprio irmão necessitado de apoio e entendimento.

Aprenderás a ouvir sem revolta, ainda mesmo que o crime te procure os ouvidos, e cultivarás a ajuda ao adversário, ainda mesmo quando te vejas dilacerado, porque o perdão com esquecimento absoluto dos golpes recebidos surgirá espontâneo em teu espírito, assim como a tolerância aparece natural na fonte que acolhe no próprio seio as pedras que lhe atiram.

Ama e compreenderás.

Compreende e servirás sempre mais cada dia, porque então permanecerás sob a glória da luz, inacessível a qualquer incursão das trevas

Essas orientações de Emmanuel são para a nossa profunda meditação, como aprendizes de amor. Os dias vindouros requererão de nós muito amor e compreensão. Que amemos um pouco mais a cada dia, para sermos discípulos dignos de Jesus, nosso mestre divino e inigualável! 

domingo, 19 de abril de 2026

Mérito

 



Por Wellington Balbo

Há uma palavra que é pouco lembrada no movimento espírita e, quando lembrada, muitas vezes produz uma visão bem distorcida. Essa palavra é: mérito. Parece que falar em mérito é desmerecer quem não o teve, criar barreiras e excluir.

Mas o mérito não se trata disso. Quem poderá negar o mérito de alguém que estudou e superou a si tirando uma nota maior na escola? Quem poderá negar o mérito de um trabalho bem feito, do controle emocional exercido num momento hostil? Por que não reconhecer o mérito do sujeito que venceu sua impaciência e superou suas crises de ciúme?

O mérito produz tantas discussões porque o vinculam a questões sociais, o que é empobrecer seu significado e toda experiência da alma.

Há vida e horizontes para além das posições sociais ocupadas no mundo, creiamos.

Os Espíritos nos trazem uma lição interessante: ao vencermos o orgulho e o egoísmo ficará a desigualdade do mérito. Portanto, sempre haverá desigualdade a ser produzida pelas opções que a alma faz neste mundo.

A ninguém são vedadas, dentro de seu campo de ação, as possibilidades do progresso. Ocorre que se faz a conexão estabelecida por comparações:

"Mas fulano começou atrás de beltrano".

O tema é muito mais profundo no campo do mérito. Não é estabelecer comparação entre A e B, mas de si para consigo. Serei melhor hoje do que fui ontem. Quando coloco o assunto “mérito” exclusivo ao segmento da posição social, alimento a comparação com os outros e a inveja.

A comparação produz dois elementos. Caso eu olhe para baixo posso me sentir superior a todos. Caso olhe para cima posso me sentir inferior. Naturalmente que, como um observador, noto as diferenças, mas eis aí uma tarefa a cumprir, uma oportunidade para desenvolver a capacidade de analisar cenários.

Os cenários dos outros, suas necessidades, experiências e virtudes adquiridas são diferentes das minhas, o que me leva ao raciocínio seguinte: não devo me preocupar com a vida alheia, suas conquistas, oportunidades, pois compará-las ao meu contexto é injusto comigo mesmo.

Essa ideia coloca meu pé na realidade: sou alma em trânsito por este mundo com o objetivo de aprender e melhorar, a situação alheia não me diz respeito, as ações dos outros não são desafios meus. Isso liberta. Desvincular-se de comparações ajuda muito na melhora de nossas emoções e sentimentos, colabora para um sentir mais ajustado às leis naturais e seu cumprimento.

Eis, então, na paz de consciência a sensação do mérito que alivia o mundo íntimo da alma.

É para além deste mundo, não apenas aquém...

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Ecos do passado




Por Rogério Miguez

Há muitas dúvidas quando recém-nascidos apresentam condições contundentes e desconcertantes em seus corpos sendo obrigados, a partir de então, conviver com: graves doenças, limitações físicas, problemas variados nos cérebros, entre tantos outros, manifestando-se desde o período de nascença, e ao longo da existência, intrigando pais que não entendem, e muitos não aceitam, por qual razão o seu esperado filho vai sofrer tanto durante a existência.

Os genitores, quando religiosos, indagam por que Deus permitiu que seu filho nascesse fora do padrão de normalidade, considerando tantas crianças isentas de tais entraves. Por outro lado, caso não creiam na existência de um Criador do Universo, atribuem à genética a causa única das muitas deformidades ou limitações apresentadas, ou seja, foi o azar promovendo uma particular combinação de genes, ou seja, foi falta sorte. As considerações sobre este tema, na presente análise, não se aplicam, particularmente, aos últimos, pois estes elegeram apenas as leis da matéria para explicar o mundo em que vivem.

As famílias religiosas, formadas por seus aflitos pais e seus desanimados filhos, ainda desconhecem uma lei divina regulando e explicando estas muitas desagradáveis surpresas: a lei de Causa e Efeito, uma norma justa e misericordiosa, regendo a Humanidade, desde que o mundo é mundo.

O princípio é muito simples, determinando consequências diretas às nossas ações do cotidiano, podendo surgir ao longo da atual existência, mas também alcançam as futuras reencarnações, sendo exatamente as últimas as causadoras das maiores perplexidades nas famílias.

A lei das reencarnações também possui papel capital no entendimento desta questão, sendo ela que explica por qual razão estas consequências podem alcançar existências futuras, conforme foi ensinado no Antigo Testamento:1

“...porque eu, o Senhor vosso Deus, sou Deus zeloso, que puno a iniquidade dos pais nos filhos, na terceira e na quarta gerações daqueles que me aborrecem,  particulares causas destes indesejados efeitos observados em crianças recém-natas:2


· Intelectuais que conspurcaram os tesouros da alma, artífices do pensamento que malversaram os patrimônios do espírito, rogam empeços cerebrais, que se façam por algum tempo alavancas coercitivas, contra as tendências ao desequilíbrio intelectual.

· Artistas que corromperam a inteligência intoxicando a sensibilidade alheia com os abusos da representação viciosa, imploram moléstias ou mutilações, que os incapacitem para a queda em novas culpas.

· Oradores e pessoas que influenciaram negativamente pela palavra, tarefeiros do uso do verbo que se prevaleceram dela para caluniar ou para ferir, solicitam as deficiências nos aparelhos vocais e auditivos, garantindo a segregação providencial.

· Os que abraçaram graves compromissos do sexo, criaturas dotadas de harmonia orgânica, que arremessaram os valores do sexo ao terreno das paixões aviltantes, enlouquecendo corações e fomentando tragédias, suplicam as doenças e as inibições genésicas que em os humilhando, servem por válvulas de contenção dos impulsos inferiores.

Entretanto, nem sempre o Espírito requisita deliberadamente determinadas enfermidades de vez que, em muitas circunstâncias quais aquelas que se verificam no suicídio ou na delinquência, caem, de imediato, na desagregação ou na insanidade das próprias forças, lesando o corpo espiritual, o que os constrange a renascer no berço físico, exibindo anomalias e moléstias congênitas, em aflitivos quadros expiatórios. No caso do suicídio, estas consequências estarão associadas à região atingida e desarranjada pelo ato suicida, ou seja, se houve envenenamento, renascerá com anomalias na laringe/garganta ou no aparelho digestivo; se o suicida se atirou de grande altura, apresentará um corpo mal formado, com graves dificuldades motoras; caso tenha atirado contra a próprio corpo físico, a região atingida apresentará problemas futuros, ou seja, no coração, na boca, no cérebro..., dependendo de onde foi desferido o tiro fatal; se o suicida encontrou o seu fim por afogamento, virá com o aparelho respiratório imperfeito, pulmões deficientes...

Em geral, nos casos de doenças compulsórias, impostas pela Lei Divina, a maioria das criaturas que trarão as provações da idiotia ou da loucura, da cegueira ou da paralisia irreversíveis, ou ainda, nas crianças-problemas, cujos corpos, irremediavelmente frustrados, durante todo o curso da reencarnação, mostram-se na condição de celas regenerativas, para a internação compulsória daqueles que fizeram jus a semelhantes recursos drásticos da Lei. Justo acrescentar que todos esses companheiros, em transitórias, mas duras dificuldades, renascem na companhia daqueles mesmos amigos e familiares de outro tempo que, um dia, se cumpliciaram com eles na prática das ações reprováveis em que delinquiram.

Por fim, é importante ressaltar que esta lei divina visa a correção do infrator, jamais a sua punição, não possui cunho de vingança, mas sempre de educação ou de reeducação, pois O Criador nos ama incondicionalmente e não deseja o sofrimento do delinquente, mas apenas a cessação do pecado.


Referências:

KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Trad. Guillon Ribeiro. ed. 131. Brasília/DF: FEB, 2015. cap. I. Nota 4 da Editora FEB de 1947.

2 XAVIER, Francisco Cândido e Vieira, Waldo. Leis de amor. Pelo Espírito Emmanuel. ed. 9. São Paulo/SP: FEESP, 1982. cap. I.

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