domingo, 23 de agosto de 2026

A confiança de Deus

 



Muitas vezes, nos deixamos invadir por sentimentos de desalento. Pensamos que não somos capazes de realizar ações no caminho do bem e colaborar com nosso semelhante.

Acreditamos não merecer a confiança de Deus.

Afinal, não temos virtudes suficientes para contribuir na grande obra de reformulação do mundo.

Quando esses pensamentos nos ocuparem a mente, paremos por alguns instantes e reflitamos.

Será que tudo que ocorre em nossas vidas não está relacionado com a confiança do Pai Eterno em nós?

Vejamos: é porque Deus confia em nós, que nos entrega uma família para cuidar.

Alguns nos tornamos pais e mães. Outros, sem filhos da própria carne, albergamos na alma sobrinhos, afilhados, ou apenas conhecidos, que educamos para a vida.

E é justamente, no devotamento a essas criaturas, que nos são confiadas por Deus, que aprimoramos nossos sentimentos, que cultivamos amor e respeito, que exercitamos a renúncia, a paciência, a colaboração.

Afinal, é para aqueles que temos sob nossos cuidados que estão direcionadas as nossas primeiras preocupações.

Identificamos a confiança de Deus em nós ao nos possibilitar desenvolver tarefas, servindo-nos da nossa inteligência.

Por contar conosco, com nosso espírito de responsabilidade, é que Ele nos permite empreender atividades que poderão influenciar muitas pessoas para o caminho do progresso.

Por confiar em nós, Seus filhos, nos delega a tarefa de nos tornarmos auxiliares na melhoria do planeta.

Também por isso nos concede o livre-arbítrio.

Graças a essa opção de escolha, elegemos nosso caminho e vamos nos sentindo felizes, à medida que colhemos os frutos da nossa boa semeadura.

É porque Deus tem a certeza de que podemos exercitar o discernimento, que nos permite o desenvolvimento de competências, de habilidades, com as quais podemos melhorar, instruir e elevar a nossa e a vida de nossos irmãos.

Deus confia em nós, em cada um de nós, tenhamos certeza disso.

Toda possibilidade da criatura, na edificação do bem, é concessão do Criador.

Dessa forma, como o Pai tem tanta confiança em nós, de igual forma tenhamos confiança nEle.

Tenhamos a certeza da Sua presença em nossas vidas. Saibamos reconhecer as infinitas bênçãos que Ele nos concede.

E nos sintamos gratos por podermos colaborar na Sua divina obra.

Não somos criadores da vida, mas somos honrados com a chance de sermos co-criadores com Ele.

Não somos os que podem atuar sobre o sol, a chuva e os ventos, mas podemos ser os que auxiliam no cultivo das mudas e no crescimento das lavouras.

Não somos os que podem determinar a manutenção da saúde das criaturas, mas podemos ser os que contribuem para lhes manter o bem-estar físico e emocional.

Não podemos definir a permanência dos seres humanos por mais anos, neste planeta, o que somente compete ao Ser Supremo.

Mas, podemos, como seres diligentes, contribuir para a redução da desnutrição, da fome dos nossos irmãos e lhes estender a mão, dizendo: Prossigamos.

Filhos de Deus. Detentores da Sua confiança. Vivamos e sirvamos ao bem.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 11, do
 livro Coragem, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de
Francisco Cândido Xavier, ed. CEC.
Em 1º.12.2021.

Escute o áudio deste texto: https://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=6614&let=C&stat=0

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Bagagem espiritual

 



Não é novidade a genialidade que algumas crianças demonstram, em tenra idade.

Lembramos de Mozart iniciando a composição de sua primeira sinfonia aos oito anos de idade, enquanto já encantava a nobreza com execuções primorosas ao piano, desde os cinco anos.

O grande violinista Paganini era aplaudido em um concerto, em Gênova, aos nove anos.

Victor Hugo era conhecido como a criança sublime, tendo recebido um prêmio em Tolosa, pelos seus versos, aos treze anos.

Em anos mais recentes, tem proliferado o número de gênios nas artes, nas ciências, nas letras.

Nascem em nossos lares. Estão ao nosso lado.

A família da brasileira Laura Regis Buchele transferiu residência para a Flórida, quando ela contava seis anos de idade.

Houve, inicialmente, uma preocupação com a adaptação na nova escola e com o idioma.

No entanto, Laura logo chamou a atenção dos professores, pela rapidez do seu aprendizado.

Submetida a um teste de QI, que durou quatro horas, registrou cento e trinta e nove pontos.

Logo depois, começou a participar de campeonatos na escola. Aos nove anos, foi admitida como membro da Mensa Internacional, a maior, mais antiga e mais famosa sociedade de alto QI do mundo.

Relatam seus familiares que ela sempre foi precoce.

Com dois anos conhecia o alfabeto e lia pequenas páginas.

Lê todos os dias, devorando uma média de dois livros semanais.

Ela tudo aprende com facilidade. Foi participar de aulas de música, e apenas ouvindo, tudo assimilava.

Manifestou vontade de aprender o idioma francês, e rapidamente conseguiu.

Cálculos mentais são feitos por ela como se fossem brincadeira.

Dizem seus professores que sua precocidade na leitura, matemática e língua inglesa é avançada para sua idade.

Afirmam que, ao chegar no ensino médio, ela poderá pular algumas etapas, dado o avanço que registra em seus testes.

*   *   *

Fatos semelhantes a este, nos fazem indagar o porquê desses pequenos gênios.

Embora se possa pensar em muitas hipóteses, como a hereditariedade, por exemplo, essa possibilidade não responde a todos os casos.

Isso porque alguns desses gênios têm pais quase iletrados, ou que desconhecem as ciências ou as artes em que os filhos se sobressaem.

A resposta mais plausível é se reconhecer a realidade da reencarnação, o retorno do Espírito para um novo corpo.

O corpo é novo mas o Espírito é milenar. Tendo vivido muitas experiências e conquistado uma extraordinária bagagem de conhecimentos, agora, os relembra, facilmente.

Então, algumas crianças apresentam habilidades para aprender idiomas, ou compor músicas, ou enveredar pelos caminhos da ciência.

Tudo como se fosse uma continuidade de algo já vivido, já experienciado.

E como nos encontramos em um mundo em transição, caminhando para mundo de regeneração, natural que um número maior desses gênios se manifeste entre nós.

Eles vêm para impulsionar o progresso da ciência, para embelezar o mundo com sua arte, para ensinar o bom, o belo, o ético.

Seres diferentes. Estão conosco. Merecem nossa atenção e nossos cuidados para que não se percam no emaranhado das nossas vaidades.

Redação do Momento Espírita, com fato
extraído do site www.sonoticiaboa.com.br
Em 19.6.2021.

Escute o áudio deste texto: https://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=6522&let=B&stat=0


segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Benefícios da oração



 Uma eficiente maneira de conseguir a ligação entre a criatura e o Pai Criador, é a oração ungida de sentimentos nobres.

A emissão da onda mental dirigida a Deus, com vigor e humildade, vence os espaços infinitos, alcançando o seu destino.

Não são as palavras que vestem o pensamento, por vezes até desnecessárias, que significam algo. O sentimento de amor que as acompanha é o detalhe de relevância.

Mais importante do que as formas e as fórmulas convencionais, são a intenção, o conteúdo intrínseco de que se constitui a prece.

Não será, portanto, pelo muito orar, repetindo palavras de contínuo, mas pelo orar bem, que a prece propicia benefícios inimagináveis.

A criatura que ora é favorecida com recursos desconhecidos e poderosos.

Pensa-se, quase sempre, que a função da prece é de peditório, tendo em vista as tantas necessidades reais e imaginárias dos seres humanos.

Em razão desse conceito equivocado, ora-se, apenas, quando as dores e as dificuldades ameaçam.

Ou quando o indivíduo se sente destituído de recursos para os enfrentamentos inevitáveis do cotidiano.

Certamente que se deve orar nas situações penosas e aflitivas. No entanto, não somente nessas conjunturas.

A prece nos deve servir para as mais diferentes circunstâncias experimentadas durante a vida, e depois dela...

A prece não irá resolver os dilemas, os problemas, os desesperos.

Revestida, porém, de sentimento, produz uma real ligação entre o filho que ora e o Pai Celeste.

De imediato, resultará em bem-estar, inspiração para encontrar soluções, reforço de energia.

Tudo isso contribuirá para o equacionamento da dificuldade e do desafio evolutivo.

A prece é a linguagem que faculta a comunhão mental com o sumo bem, em contínuo fluxo de amor.

É um telefonema especial que se dá para ouvir a voz amorosa do Pai de todos nós.

É através dela que recebemos os recados da Espiritualidade Maior, interessada em nosso contínuo progresso, em nosso bem.

Orando, é possível esquecer os fatores desgastantes do dia a dia, em razão da sintonia com as faixas vibratórias mais elevadas.

À medida que o pensamento e a emoção canalizam a aspiração do amor, da saúde e da paz, na direção da verdade, alcançam a sintonia imediata com as forças da vida.

Tudo isso se transforma em sensação de harmonia e de indizível felicidade.

A prece não evitará os sofrimentos, nem impedirá que experimentemos os testemunhos que nos cabem.

Contudo nos facultará melhor enfrentá-los e superá-los com alegria e gratidão.

A prece pode ser comparada a uma ponte de energia luminosa, ligando a margem do ser ao sublime mundo dos seres superiores...

Aprendamos a transitar por ela com tal naturalidade que, depois de algum tempo, a nossa existência esteja transformada em uma contínua e eficiente oração.

*   *   *

Ora e vibra sempre positivamente.

Age com honestidade e retidão na tua vida.

Desta forma, usa a oração como hábito de te banhares nas sublimes ondas do oceano do Amor Divino.

Guarda a certeza de que, assim agindo, vencerás com galhardia as provas e as expiações do teu roteiro de elevação.

Deus estará contigo.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 27, do
 livro Iluminação Interior, pelo Espírito Joanna de Ângelis,
 psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL.
Em 14.1.2023.

Escute o áudio deste texto: https://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=6826&let=B&stat=0

sábado, 15 de agosto de 2026

Ágape




Os gregos antigos eram muito sofisticados ao falar sobre o amor.

Segundo eles, era impossível utilizar uma única palavra para definir tudo aquilo que a nossa cultura chama, unicamente, amor.

Para eles, havia seis formas de amor, cada qual com suas características.

O primeiro tipo, o amor Eros, era nomeado assim por conta do deus grego da fertilidade, representando a ideia de paixão.

Eros era o amor capaz de dominar e eximir o ser de sua racionalidade. Envolvia uma falta de controle, que assustava os gregos.

A segunda variedade, o Philia, era relativo à amizade, à fidelidade entre companheiros unidos por laços fraternos.

Essa forma de amor era muito mais valorizada do que a primeira.

O Ludus, terceira forma, guardava relação com a diversão, com a afeição, com as boas companhias e com o prazer de se estar ao lado de quem se quer bem.

O amor Àgape, quarto tipo, era a mais radical das formas. Foi traduzido mais tarde para o latim como Caritas, do qual se originou o termo caridade.

Ágape representava o amor abnegado, desinteressado. Aquele que se estende ao próximo, a fim de transformá-lo em um irmão.

Essa é a forma de amor ensinada na maioria das tradições religiosas.

No cristianismo, representa o amor divino que deve ser cultivado e estendido aos nossos semelhantes, seguindo o ensinamento de Jesus: Amai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a vós mesmos.

Ainda, o amor Pragma, o amor maduro, resultado de profundo entendimento, consideração, respeito e admiração, que se desenvolve entre casais de longo matrimônio e entre pessoas que convivem muitos anos.

Passadas as ilusões, deixam se levar pela alegria da convivência.  É o júbilo de saber que o outro ali está, em todos os momentos e circunstâncias, por mais difíceis e dolorosas que elas sejam.

Finalmente, a última forma, o amor Philautia ou autoamor. Não se trata de narcisismo, mas sim de uma maneira muito mais elevada de amor.

Os gregos entendiam que, quanto mais a criatura se ama, mais amor tem a oferecer.

        *   *   *

De que forma entendemos o amor? O que ele representa para nós? Como damos, recebemos e vivenciamos o amor?

Entregamo-nos aos preceitos de Jesus, buscando o autoamor, o amor ao próximo, o amor familiar e fraternal, o amor abnegado?

Ou ainda nos perdemos nas teias de Eros, das ilusões e paixões, dos interesses?

Qual a nossa verdadeira compreensão do que é o amor?

Importante se faz a reflexão a respeito. Importante que analisemos nossas ações, nossos sentimentos, a fim de bem avaliarmos de que espécie é o amor que nos move.

O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta, dizia o Apóstolo Paulo.

Pensemos nisso! Pensemos sobre o amor. Busquemos o amor que se oferece, que é fiel, que vive a alegria de ver o outro feliz.

Vivenciemos o amor, em suas nuances mais sublimes, sempre, diária e constantemente.

Redação do Momento Espírita, com base na obra
 How should we live, de Roman Krznaric,
 ed. BlueBridge.
Em 27.9.2016.

Escute o áudio deste texto: https://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=4906&let=&stat=0

terça-feira, 11 de agosto de 2026

O destino das nações

 


Muitas vezes, ao olharmos para o cenário conturbado do mundo, somos tomados por uma sensação de impotência.

Questionamos o rumo das civilizações, a postura dos governantes e a direção que segue a Humanidade. Parece-nos que os bons costumes estão à deriva, que predomina o egoísmo e a busca pelo próprio prazer.

Nessa observação, esquecemos que as grandes árvores das nações mergulham suas raízes em um solo muito específico, de modo geral, silencioso e invisível: o seio da família.

É entre as paredes do lar que o destino dos povos é traçado. Aqueles que hoje governam os países, que assinam decretos e conduzem a economia já foram crianças.

Não nasceram em gabinetes. Cresceram no convívio familiar, absorvendo valores, observando condutas e moldando o caráter no exemplo dos pais.

Suas decisões atuais carregam o peso das diretrizes recebidas nos dias de vivência doméstica. Como afirmou o sacerdote francês Henri Lacordaire:

A sociedade não é mais do que o desenvolvimento da família. Se o homem sai da família corrupto, corrupto estará para a sociedade.

O lar é o grande cadinho da alma. É ele que forma o profissional de todas as áreas, do operário ao magistrado.

Do homem de letras ao que realiza a limpeza das ruas, o asseio nos lares.

Do comerciante ao industrial, do empresário ao subordinado de mais simples categoria.

É a família que traça o caminho que seus membros percorrerão. Por essa razão, o cultivo das virtudes dentro de casa não é apenas um dever moral, mas uma necessidade social urgente. É a célula básica que sustenta todo o organismo da Humanidade.

Nas resoluções tomadas no dia a dia de qualquer pessoa, pesam as lições aplicadas na formação do caráter. Se as lições foram de desrespeito à vida, de supremacia da força bruta, de egoísmo ou de preconceitos, essas serão as suas bússolas.

Mas, se o solo foi fértil em honestidade, fraternidade e valorização da vida, essas virtudes embasarão suas decisões futuras.

A construção de um mundo melhor não acontece por decreto, mas pelas lições passadas, à mesa do jantar, no compartilhar o pão, no diálogo antes de dormir, no exemplo de retidão dos pais.

Não se constrói um edifício começando pela cobertura. Começa-se pelos alicerces. E a base de qualquer civilização é o lar.

Dessa maneira, se não desejamos mais guerras, corrupção ou violência, precisamos fundamentar nossos lares com os pilares da paz.

Não haverá um país moralizado sem cidadãos moralizados. Não haverá nações honradas sem homens honrados que as componham.

A moral, aprendemos, é a regra de bem proceder.

Existem valores que não podem ser esquecidos: a justiça, o amor e a caridade. Jesus os viveu e os ensinou, resumindo-os de forma magistral: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

Eis nosso grande desafio para a construção de uma nação de bem.

Pensemos: É, em grande parte, no seio das famílias que se prepara o destino das nações.

Comecemos agora a semear a paz que desejamos colher para nosso próprio amanhã.

Redação do Momento Espírita, com frases do
 Papa Leão XIII e de Henri Lacordaire, do livro
A sabedoria dos tempos, ed. Centro de estudos
 Vida e Consciência.
Em 16.7.2026

Escute o áudio deste texto: https://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=5230&let=&stat=0


domingo, 9 de agosto de 2026

Ao meu querido pai - (homenagem ao dia dos pais)

 



Olá, pai! Eu, que já fui criança um dia e que agora sou jovem, quase adulto, gostaria de dizer o que vai aqui dentro do meu coração, neste dia especial.

Eu sei que temos tido alguns desentendimentos, mas creia, papai, você é e sempre será meu grande herói.

Sabe, pai, quando observo suas mãos fortes, embora algumas marcas feitas pelo tempo, penso no quanto elas significam para mim, pois foram as primeiras a acariciar as minhas, inseguras na infância.

Quando vejo seus passos firmes, não esqueço de que foram eles que orientaram os meus primeiros passos.

Quando você me pede para ler algumas palavras que seus olhos já não conseguem ver com precisão, faço com carinho, pois não esqueço das palavras que você repetiu inúmeras vezes para que eu aprendesse a falar.

Percebo que, hoje, suas decisões são mais lentas. Mas sei também que minhas primeiras decisões foram por elas balizadas.

Talvez você não esteja tão atualizado quanto às novas tecnologias, mas eu me lembro que você pensou muito pouco em si mesmo, para fazer de mim uma pessoa de bem.

Se hoje sua saúde anda um pouco debilitada, sei que muito do seu desgaste foi para garantir a minha saúde. E se você não pronuncia corretamente alguma palavra, eu entendo, pois se esqueceu de si mesmo para que eu pudesse cursar uma Universidade.

Se hoje sua memória o trai, não esqueço das tantas vezes que advogou a meu favor, nas situações difíceis em que me envolvi.

Eu cresci, papai, não sou mais aquela criança indefesa, graças a você. Hoje, a juventude me empolga as horas... Mas não esqueci minha infância, meus primeiros passos, minhas primeiras palavras, meus primeiros sorrisos.

Acredite que tudo está bem vivo em minha memória, e eu sei que, nesse seu peito cansado, ainda pulsa o mesmo coração amoroso de outrora.

É verdade que o tempo passou, mas eu nem me dei conta, pois você esteve sempre ao meu lado, disposto a me proteger e a me ensinar.

Sabe, velho, embora eu não tenha muito jeito para falar coisas bonitas, desejo lhe dizer o quanto você tem sido importante em minha vida. Você pode não ser mais aquele moço forte, quanto ao corpo, mas tem um certo ar de sabedoria que na sua imagem de ontem não existia.

Eu sei, pai, que apesar de o tempo ter passado, em seu peito o coração ainda pulsa no mesmo compasso; que o afeto que você cultivou, agora floresce em minha alma; que as emoções vividas ainda podem ser sentidas como nos velhos tempos...

Eu reconheço, meu pai, que apesar dos longos invernos suportados, você ainda mantém acesa a chama de amor e ternura pelos seres que embalou na infância.

Por isso tudo, e muito mais, eu quero lhe agradecer de todo meu coração: Pela amizade que você me devota; pelos meus defeitos que você nem nota.

Por meus valores que você aumenta; pela minha fé que você alimenta.

Por esta paz que nós nos transmitimos; por este pão de amor que repartimos.

Pelo silêncio que diz quase tudo; por esse olhar que me reprova mudo.

Pela pureza dos seus sentimentos; pela presença em todos os momentos.

Por ser presente, mesmo quando ausente; por ser feliz quando me vê contente.

Por ficar triste, quando estou tristonho; por rir comigo, quando estou risonho.

Por repreender-me quando estou errado; por meus segredos, sempre bem guardados.

Por me apontar Deus a todo instante; por esse amor sempre tão constante.

Redação do Momento Espírita, com
 transcrição final de mensagem de
 autoria ignorada
Disponível no livro Momento Espírita, v. 2, ed. FEP.
Em 7.8.2026

Escute o áudio deste texto



quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Alegria verdadeira





Em um mundo ainda repleto de tantas dores e de tantas injustiças, é comum escutar as pessoas se queixarem de tudo e de todos.

É habitual encontrar pessoas sisudas, nas ruas, que nem sequer se dignam responder a um cumprimento, ou a olhar os outros nos olhos.

Parecem estar sempre mal-humoradas e infelizes com a rotina, com a vida que levam.

São pessoas que não percebem a beleza do céu, a suavidade do vento a tocar-lhes a pele, a melodia do riso de uma criança.

Seus olhos parecem estar impossibilitados de notar as cores e as belezas do mundo.

Seus ouvidos captam apenas lamúrias e queixumes.

Seus corações só guardam mágoas e arrependimentos.

Passam os dias, os anos, a vida inteira sem aproveitar o que de bom lhes é, diária e continuamente, ofertado por Deus, pela natureza e pelos seres que os cercam.

São pessoas sem alegria, que transformam a própria existência em um tormento repleto de desprazer e melancolia.

Perdem a oportunidade abençoada de ser úteis e de crescer como seres humanos.

Adoecem em virtude da amargura que cultivaram por toda a vida em suas almas.

Ferem com seu azedume corações caros que, muitas vezes, cansados de maus tratos e de desconsiderações, afastam-se em busca de consolo e de carinho.

São pessoas amargas que infelicitam a própria vida com essa atitude equivocada.

É necessário, apesar das dores que cobrem boa parte das criaturas, que saibamos cultivar a alegria.

Ser alegre não é rir às gargalhadas, à toa e a todo momento.

Também não é fazer bobices, desperdiçando tempo ou desrespeitando os outros.

Ser alegre, verdadeiramente, é sorrir diante da oportunidade de crescer como Espírito, por mais dolorosa que a prova possa parecer.

É exultar quando se percebe que as dificuldades do cotidiano nos possibilitarão alcançar enobrecimento interior.

É ter a certeza de que o verdadeiro bem-estar independe das coisas de fora, mas que nasce, sim, na fonte cantante e abençoada do solo do coração e da consciência tranquila.

Ser alegre é reconhecer a presença Divina em cada recanto da natureza, no olhar dos seres amados, no silêncio da noite e na beleza de cada amanhecer.

Ser alegre é saber que, por mais forte que sejam as tempestades de agora, mais cedo ou mais tarde o sol voltará a brilhar, secando nossas lágrimas e convidando-nos ao recomeço.

Ser verdadeiramente alegre é não se entregar às dores que parecem querer consumir nossas almas e dilacerar nossos sonhos.

É confiar na bondade infinita do Pai, que nos ama incondicionalmente e que jamais nos abandonará.

*   *   *

Jesus disse aos apóstolos que a felicidade não é deste mundo.

Por certo, os bens do mundo são muito passageiros para nos garantir eterna ventura.

Isso, no entanto, não significa que tenhamos que viver mergulhados na insatisfação e na amargura.

Compete-nos procurar sempre, de modo consciente e correto, os melhores caminhos, as decisões mais acertadas.

Assim, apesar dos inevitáveis dissabores e dos eventuais sofrimentos, haverá sempre, em nossos corações, motivos suficientes para sermos pessoas verdadeiramente alegres.

Redação do Momento Espírita, com base no cap.I, do livro
Convites da vida,  pelo Espírito Joanna de Ângelis,
psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL.
Em 8.4.2015.

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

À Imagem e Semelhança

 


As conquistas da Ciência, o avanço da tecnologia, a cada dia nos surpreendem e nos levam a indagar: Até onde irá a criatividade, a engenhosidade humana?

De que mais seremos capazes?

Testemunhamos a criação de estruturas funcionais, a partir de células-tronco, tendo conseguido os cientistas produzirem pele, orelha, nariz, coração, em laboratório.

Novas vacinas, equipamentos para realização de diagnósticos e terapias inovadoras assinalam a conquista dos estudiosos, que acenam com esperanças renovadas o processo de aniquilar o vírus do HIV e encontrar uma fórmula de cura aos contaminados.

Pesquisadores descobriram que o gene lin28a - que fica ativo no início da vida, mas se torna inativo, conforme os tecidos ficam mais maduros - é capaz de reprogramar as células somáticas humanas, de forma que elas voltem ao seu estado embrionário.

Essa descoberta permite o avanço nos estudos sobre a regeneração de membros amputados.

E, quando se fala do Infinito, do nosso imenso Universo, lembramos de que, desde 1977, a sonda espacial  Voyager 1 deixou nosso sistema solar e alcançou o espaço interestelar.

O que até há pouco tempo parecia pura ficção vai se tornando realidade nos dias em que vivemos.

A sonda americana Curiosity chegou à cratera Gale, no equador marciano e nos enviou registros de evidências diretas de que existiu um lago de água doce no planeta vermelho.

*   *   *

Admirando as conquistas do homem, as técnicas de cirurgias sempre menos invasivas, a possibilidade de viajar pelo Infinito tanto quanto de descobrir tesouros de vida no interior da nossa Terra, ou no seio tépido dos mares, nos indagamos: Como pode tanto o homem?

E, encontramos nos versículos bíblicos do livro de Gênesis a anotação: Façamos o homem à nossa imagem e semelhança.

Semelhança de Deus. Deus é infinito em Suas qualidades: único, eterno, justo, bom, imparcial, onipotente, Criador incriado.

Semelhantes a ele, guardamos a imortalidade em nós e a condição de criar, a partir da matéria prima que Ele nos oferece.

Não há limites, pois, para as inovações da inteligência, não há limites no Universo.

Esse é um extraordinário incentivo à pesquisa, ao estudo, à imaginação, à criatividade.

Gerados do amor e pelo amor, nossa essência interior é o bem, a união. Por isso, nos debruçamos nos laboratórios de pesquisa, desdobrando-nos para a descoberta do que possa melhorar a vida dos nossos irmãos, sobre a Terra.

Por isso, olhamos para as estrelas, recordamos das outras tantas Humanidades que povoam os astros e, num sentido de fraternidade, os desejamos alcançar.

Imagem e semelhança de Deus. Onipotência – criatividade.

Inesgotabilidade – incessante vontade de aprender, descobrir, ir adiante.

Filhos de Deus, herdeiros do Universo, cada um de nós, como Ele, é único, porque Deus não se reprisa. e nos assinalou como destino o Infinito. O Infinito do Universo. O infinito das possibilidades.

Pensemos nisso: olhemos as estrelas e as desejemos conquistar. De forma material, nos avanços científicos.

De forma espiritual, fazendo luz, desde agora, na intimidade de nós mesmos, porque, à semelhança dEle, somos luz.

Iluminemos.

Redação do Momento Espírita, com citação
de Gênesis, I: 26.
Em 24.2.2014

Ouça aqui a mensagem:

sábado, 1 de agosto de 2026

Especial do Mês

 


Homenagem ao Momento Espírita

Ao longo deste mês, o Manancial de Luz tem a alegria de prestar uma singela, porém sincera homenagem ao Momento Espírita, uma das mais belas e constantes iniciativas de divulgação da Doutrina Espírita em língua portuguesa.

Nascido do ideal de trabalhadores dedicados ao bem, o Momento Espírita transformou-se, ao longo dos anos, em uma referência de estudo, reflexão e consolo, levando diariamente mensagens de esperança, fé, paz e renovação espiritual a milhares de pessoas. Inspirado nos ensinamentos de Jesus à luz da Doutrina Espírita, seu trabalho alcança lares, instituições, emissoras de rádio, plataformas digitais e corações espalhados por diversos países.

Com linguagem simples, profunda e acolhedora, suas mensagens dirigem-se a todas as pessoas, independentemente de crença, idade ou condição social. Cada texto é um convite à reflexão, ao autoconhecimento, à prática da caridade e ao fortalecimento da confiança na vida e na Providência Divina.

Esse valioso trabalho é realizado graças ao esforço dedicado de uma equipe de trabalhadores voluntários que, inspirados pelo ideal de servir, pesquisam, escrevem, revisam, traduzem e difundem conteúdos edificantes, sempre fundamentados nos princípios do Espiritismo cristão. É um exemplo de perseverança, organização e amor ao próximo colocado em ação.

Como forma de reconhecimento e gratidão por essa extraordinária contribuição à divulgação da mensagem espírita, durante todo este mês o Manancial de Luz publicará, em suas postagens diárias, uma seleção especial de textos do Momento Espírita, permitindo que nossos leitores revisitem ou descubram páginas repletas de sabedoria, consolo e inspiração.

Que esta homenagem represente nosso agradecimento aos seus fundadores, colaboradores e a todos aqueles que, ao longo de sua história, têm mantido viva essa luminosa tarefa de semear esperança, esclarecimento e paz.

Que Jesus continue abençoando o Momento Espírita, fortalecendo seus trabalhadores e permitindo que sua luz siga iluminando consciências e confortando corações por muitos anos.



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