sábado, 5 de setembro de 2026

Dos Elementos gerais do Universo

 

 


A questão 27 de O Livro dos Espíritos é especialmente importante porque apresenta uma ideia central da filosofia espírita: a realidade não se limita à matéria, mas também não se reduz a um dualismo simples entre matéria e espírito.

Na questão, Kardec pergunta se haveria, então, dois elementos gerais no Universo: a matéria e o espírito. Os Espíritos respondem que sim, mas acrescentam um terceiro elemento: o fluido universal, que participa da natureza da matéria e serve de intermediário entre o espírito e a matéria.

A resposta à questão 27 deve ser compreendida dentro da visão espírita de que Deus é a causa primeira de todas as coisas, enquanto o Universo apresenta diferentes manifestações e princípios. Quando os Espíritos afirmam que existem “dois elementos gerais” — espírito e matéria — e, em seguida, acrescentam um terceiro, denominado fluido universal, não estão simplesmente propondo uma classificação física do Universo. Estão oferecendo uma chave de compreensão para a relação entre o mundo espiritual e o mundo material.

O Espírito, no sentido empregado por Kardec, representa o princípio inteligente do Universo. É o ser que possui consciência, pensamento e capacidade de evolução. A matéria, por sua vez, constitui o elemento sobre o qual o Espírito atua no processo de experiência e desenvolvimento. Entretanto, surge uma questão fundamental: como aquilo que é essencialmente espiritual pode relacionar-se com aquilo que é material?

É nesse ponto que aparece o chamado fluido universal.

Na concepção apresentada pelos Espíritos, ele seria um elemento intermediário, capaz de sofrer diferentes modificações e de constituir a base das manifestações que relacionam o princípio espiritual ao mundo material. Não devemos, porém, interpretá-lo simplesmente como aquilo que a física moderna chama de “fluido”, nem identificá-lo automaticamente com alguma substância física conhecida. Trata-se de um conceito próprio da cosmologia espírita apresentada por Kardec.

Um aspecto particularmente profundo da resposta está na afirmação de que o fluido universal é uma espécie de matéria elementar modificada. Isso amplia a compreensão espírita da própria matéria: aquilo que percebemos pelos sentidos seria apenas uma das formas de manifestação de uma realidade muito mais ampla.

Assim, a questão 27 nos convida a ultrapassar uma visão exclusivamente materialista da existência. O ser humano não seria apenas um organismo físico, porque existe nele o princípio inteligente, o Espírito. Ao mesmo tempo, enquanto encarnado, o Espírito necessita da estrutura material e dos elementos intermediários que possibilitam sua atuação no corpo e sua experiência no mundo.

Há ainda uma consequência filosófica muito importante: o Universo, para o Espiritismo, não é constituído por realidades isoladas e sem relação entre si. Espírito e matéria encontram-se integrados dentro de uma ordem universal, cuja causa primeira é Deus. O fluido universal, nesse esquema, ajuda a compreender justamente a possibilidade dessa interação.

Podemos, portanto, enxergar a questão 27 como uma espécie de ponte entre a metafísica e a experiência humana. Ela procura explicar não apenas “do que o Universo é feito”, mas também como o Espírito pode participar de um mundo material sem deixar de ser essencialmente espiritual.

Essa compreensão também ilumina o sentido da encarnação. O Espírito utiliza a experiência corporal como instrumento de aprendizado, expiação e progresso. A matéria, portanto, não é apresentada pelo Espiritismo como algo necessariamente contrário à espiritualidade. Ela é um campo de experiências e de desenvolvimento do ser espiritual.

Por isso, a questão 27 possui um alcance maior do que pode parecer à primeira leitura. Ela estabelece uma visão tripartite e integrada da realidade: Deus como princípio e causa primeira; o Espírito como princípio inteligente; e a matéria, juntamente com o fluido universal, como elementos relacionados à manifestação e à experiência.

Em síntese, podemos compreender a mensagem da questão 27 da seguinte maneira:

O Universo não é apenas matéria, nem o Espírito está separado da criação material. Existe uma relação dinâmica entre o princípio inteligente e o mundo material, dentro de uma ordem universal estabelecida por Deus. O fluido universal é apresentado pelos Espíritos como elemento intermediário que ajuda a explicar essa relação.

Sob o enfoque espírita, portanto, a questão 27 nos leva a uma reflexão essencial: somos Espíritos imortais vivendo temporariamente uma experiência material, e a matéria é apenas uma das dimensões da realidade universal. A compreensão dessa perspectiva modifica a maneira como enxergamos o corpo, a vida, a morte, o sofrimento e, sobretudo, o próprio sentido da existência.

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

De Deus


1.  Que é Deus?

“Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas.”  - O Livro dos Espíritos - Allan Kardec.

Comentário interpretativo à luz da Doutrina Espírita

“Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas.”
O Livro dos Espíritos, questão 1.

A resposta apresentada pelos Espíritos a Allan Kardec encerra, em poucas palavras, uma ideia profunda acerca da natureza de Deus. Para a Doutrina Espírita, Deus não é compreendido como um ser humano ampliado, com características, limitações ou paixões semelhantes às nossas. Deus é a Inteligência Suprema, isto é, a inteligência perfeita, absoluta e soberana, acima de tudo quanto podemos compreender no atual estágio de nossa evolução.

Ao afirmar que Deus é a “causa primária de todas as coisas”, os Espíritos indicam que, por trás da existência e da ordem do Universo, existe uma causa primeira, inteligente e necessária. O Universo não seria, portanto, compreendido apenas como resultado do acaso, mas como manifestação de leis e princípios cuja origem remonta à Inteligência Suprema.

A expressão “causa primária” também nos convida a refletir sobre a própria limitação do pensamento humano. Podemos investigar as causas dos fenômenos naturais, descobrir suas leis e compreender progressivamente os mecanismos pelos quais o Universo funciona. Entretanto, a questão espírita procura ir além: qual é a origem primeira de tudo aquilo que existe? Se todas as coisas fossem simplesmente efeitos de outras causas, chegaríamos à necessidade lógica de uma causa inicial que não dependesse de outra.

Essa compreensão é aprofundada na própria obra quando os Espíritos esclarecem que Deus é eterno, imutável, imaterial, único, onipotente e soberanamente justo e bom. Essas características são importantes porque impedem que interpretemos a ideia de Deus à maneira humana. Se Deus fosse limitado, sujeito a mudanças ou às imperfeições próprias dos seres criados, deixaria de ser a Inteligência Suprema.

A Doutrina Espírita também estabelece uma distinção fundamental entre Deus, espírito e matéria. Deus é o Criador; os Espíritos são seres criados, destinados ao progresso; e o mundo material constitui um dos campos de experiência e evolução dos Espíritos. Assim, o ser humano não é Deus nem uma parte de Deus, mas uma criatura em processo de aperfeiçoamento, chamada a desenvolver suas potencialidades intelectuais e morais.

Essa perspectiva modifica profundamente a relação do indivíduo com a existência. Se Deus é a Inteligência Suprema e a causa de todas as coisas, e se é também soberanamente justo e bom, então a vida não pode ser entendida como uma sucessão sem sentido de acontecimentos. A existência ganha uma dimensão educativa: as experiências, escolhas e consequências contribuem para o progresso espiritual.

Por isso, a resposta “Que é Deus?” não deve ser vista apenas como uma definição filosófica. Ela constitui o ponto de partida para uma visão de mundo baseada na inteligência, na ordem, na justiça e na bondade. Conhecer Deus, dentro dos limites humanos, não significa pretender compreender Sua essência — algo que a própria Doutrina considera além da capacidade atual do Espírito humano —, mas reconhecer Suas leis e procurar vivê-las.

Nesse sentido, a questão 1 nos conduz também a uma consequência moral: quanto mais o Espírito compreende a perfeição divina, mais percebe a necessidade de aperfeiçoar a si mesmo. O conhecimento de Deus, portanto, não deveria permanecer apenas no campo intelectual. Ele se traduz em transformação interior, desenvolvimento da razão, prática do bem, respeito ao próximo e busca constante da própria melhoria.

Síntese

Podemos compreender a resposta dos Espíritos á Kardec da seguinte maneira:

Deus é a Inteligência Suprema, porque é a fonte absoluta de inteligência, sabedoria e perfeição.

É a Causa Primária, porque é o princípio originário de tudo o que existe, não sendo Ele próprio efeito de outra causa.

É o Criador, enquanto os Espíritos e os mundos pertencem à ordem das coisas criadas.

É infinitamente superior à nossa capacidade de compreensão, de modo que nossas representações humanas sobre Deus são necessariamente limitadas.

E, sobretudo, a ideia espírita de Deus está inseparavelmente ligada à justiça e à bondade, princípios que dão sentido ao progresso dos Espíritos e à lei moral.

Assim, a primeira questão de O Livro dos Espíritos não pretende simplesmente responder “quem é Deus?”, mas inaugura uma reflexão sobre a origem, o sentido e a finalidade da existência, convidando o ser humano a passar da crença meramente exterior para uma compreensão racional e, principalmente, para uma vivência moral coerente com as leis divinas.


quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Especial do Mês

Espiritismo em Enfoque: O Livro dos Espíritos

Um mês dedicado à obra que lançou as bases da Doutrina Espírita

Há livros que atravessam o tempo não apenas pelas ideias que apresentam, mas pela transformação que são capazes de despertar em quem os lê. O Livro dos Espíritos é um desses livros. Publicado pela primeira vez em 18 de abril de 1857, em Paris, a obra é considerada o marco inicial do Espiritismo e permanece, até hoje, como a base sobre a qual se estruturam os princípios fundamentais da Doutrina Espírita.

É com grande alegria que o Manancial de Luz apresenta, neste mês, o especial “Espiritismo em Enfoque: O Livro dos Espíritos”, um convite ao estudo e à reflexão sobre algumas das questões que compõem essa obra fundamental.

Um pouco da história

Na França do século XIX, manifestações que despertavam a curiosidade de estudiosos e da sociedade começaram a chamar a atenção de Allan Kardec, pseudônimo de Hippolyte Léon Denizard Rivail, educador e estudioso francês. Ao investigar esses fenômenos, Kardec percebeu que, por trás das manifestações, havia ensinamentos que poderiam ser examinados de maneira racional e organizada.

A partir de perguntas dirigidas aos Espíritos e das respostas obtidas por meio de diferentes médiuns, Kardec passou a comparar, analisar e confrontar os ensinamentos recebidos. Esse trabalho, realizado com método e espírito crítico, resultou na primeira edição de O Livro dos Espíritos, apresentada ao público em 1857.

A obra originalmente continha 501 questões. Posteriormente, profundamente revista e ampliada, teve uma segunda edição publicada em 18 de março de 1860, com 1.019 questões, edição que se tornou a referência clássica da obra.

Organizado em quatro grandes partes — Das causas primárias; Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos; Das leis morais; e Das esperanças e consolações — o livro aborda temas essenciais como Deus, a criação, a imortalidade da alma, a natureza e a vida dos Espíritos, a reencarnação, as leis morais, o progresso, as relações entre os mundos material e espiritual e o destino do ser após a morte.

Mais do que simplesmente apresentar respostas, O Livro dos Espíritos propõe um caminho de reflexão. Suas perguntas conduzem o leitor a pensar sobre quem somos, de onde viemos, para onde vamos e qual o sentido de nossa existência.

O marco inicial do Espiritismo

A importância de O Livro dos Espíritos para o Espiritismo vai além de sua condição de primeira obra da Codificação Espírita. É nele que encontramos, de forma sistematizada, os princípios fundamentais que seriam posteriormente desenvolvidos e aprofundados nas demais obras da Codificação.

A publicação de 1857, portanto, representa um momento decisivo: o nascimento do Espiritismo enquanto doutrina organizada, fundamentada na união entre os ensinamentos dos Espíritos, a razão e a observação dos fenômenos.

Por isso, retornar às suas páginas é também retornar às próprias raízes do pensamento espírita.

Um convite ao estudo

Ao longo deste mês, o Manancial de Luz percorrerá algumas dessas páginas, selecionando questões de O Livro dos Espíritos para compartilhar com nossos leitores.

Em cada postagem, apresentaremos a questão proposta por Allan Kardec, a respectiva resposta dos Espíritos e, em seguida, algumas considerações procurando refletir sobre o seu significado à luz dos princípios da Doutrina Espírita e em sua relação com os desafios e experiências da vida cotidiana.

A proposta não é substituir o estudo cuidadoso da obra, mas, ao contrário, despertar o interesse por ela e incentivar o leitor a voltar às suas páginas, consultar seus capítulos e aprofundar cada ensinamento.

Que este especial seja, portanto, mais do que uma série de textos. Que seja uma oportunidade de estudar, refletir e, sobretudo, aplicar em nossa própria vida os ensinamentos que encontramos nessa obra que há mais de um século e meio vem convidando a humanidade a olhar para a existência sob uma nova perspectiva.

Seja bem-vindo ao nosso especial.

“Espiritismo em Enfoque: O Livro dos Espíritos.”

Que possamos, juntos, buscar nas perguntas e respostas de Kardec e dos Espíritos não apenas conhecimento, mas também novos caminhos para compreender a vida, o próximo e a nós mesmos.


sábado, 29 de agosto de 2026

O bem que se faz...

 


Quando a ingratidão te bater à porta, não digas: Nunca mais ajudarei a ninguém!

Quando a impiedade daqueles a quem beneficiaste chegar ao teu lar, não exclames: Para mim, chega!

Não sofras e nem te arrependas de ter ajudado.

Nem reclames: E eu que lhes dei tudo!

Não retribuas mal por mal, pois que assim, vitalizarás o próprio mal.

O bem que se faz a alguém é sempre luz que se acende na intimidade.

Naturalmente, gostarias de receber gratidão, amizade, compreensão. Todos apreciamos experimentar os frutos da gratidão.

Pensa que a árvore jamais pergunta a quem lhe colhe os frutos para onde os carregará ou o que pretende fazer deles.

Ela se felicita por poder dar. Por se multiplicar através da semente que, atirada ao solo, o abençoa com novas dádivas de alegria.

Segue-lhe o exemplo.

Teus frutos bons, que produzam bons frutos além...

Tuas nobres tarefas, que se desdobrem em tarefas superiores mais tarde.

Fica com a alegria de fazer, de doar. Nunca com a ideia de colher reconhecimento ou gratidão. Porque esperar gratidão pode ser também uma espécie de pagamento.

Sê tu sempre grato, mas não esperes pelo reconhecimento de ninguém.

O bem que faças, viajando sem parar em muitos corações, espalhará luz no longo curso da tua vida.

Amanhã ou depois, nos caminhos sem fim do futuro, mesmo que não o saibas ou que o tenhas esquecido, esse bem te alcançará, mais formoso, mais fecundo.

Assim, prossegue ajudando sempre. Observa como age a natureza.

O rio não cogita de examinar as bênçãos que conduz em suas águas, nem interpela o solo por onde segue.

Deixa-se jorrar, beneficiando a terra, a agricultura, as gentes.

O perfume, bailando no ar, nada pede para se espalhar até onde possa.

O grão não espera nada, além de ser triturado, para se converter em alimento.

O sol não escolhe lugar para visitar com luz, calor e vida.

A chuva não tem preferência por onde espalhar vitalidade.

Todos cooperam em nome da Divindade, sem exigências e sem reclamações.

São úteis e passam. Nada esperam, nada impõem.

Age desta forma, tu também, e transforma-te num cálice de bênçãos, servindo sempre.

*   *   *

Se a tristeza te visitar a alma, ante a ingratidão de tantos a quem doaste o que possuías de melhor, recorda o Mestre de todos nós.

Ele disse que estava no meio de nós, como aquele que serve.

E, tendo derramado o Seu amor, plenificando de vida a todos os que dEle se aproximaram, recebeu na hora extrema a ingratidão do abandono.

Mesmo assim, até hoje Ele prossegue, convidando: Vinde a mim.

Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim.

Redação do Momento Espírita, com base no cap.
Benefício e gratidão, do livro Dimensões da verdade,
pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de
Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL.
Em 13.6.2018.

Escute o áudio deste texto: https://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=5448&let=B&stat=0

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

A benéfica influência da música

 


No mês de março de 2008, a revista científica Brain divulgou um estudo realizado por cientistas da Universidade de Helsinque, na Finlândia, com pacientes que sofreram derrame cerebral.

Sessenta voluntários participaram da pesquisa, divididos em três grupos.

O primeiro, formado por pacientes que foram expostos à audição musical, por duas horas diárias. O segundo, por pacientes que ouviam livros–áudio.

O terceiro grupo não ficou exposto a nenhum tipo de estímulo auditivo.

Após três meses, os cientistas observaram que a memória verbal melhorara 60% entre os pacientes que ouviam música, comparado com apenas 18% do grupo dos livros-áudio e 29% entre os pacientes que não receberam estímulos auditivos.

A pesquisa demonstrou ainda que os pacientes que ouviram música, durante a recuperação, revelaram uma melhora de 17% na concentração e na habilidade de controlar e realizar operações mentais e resolver problemas.

Teppo Sarkamo, que liderou o estudo, disse que a exposição à música durante o período de recuperação estimula a atividade cognitiva e as áreas do cérebro afetadas pelo derrame. Além de ajudar a prevenir a depressão nos pacientes.

A notícia é alvissareira e demonstra que, a cada dia, o homem avança no conhecimento, ampliando seus conceitos.

Que cientista conceberia, em anos recuados, que a arte poderia auxiliar a recuperação do cérebro humano?

Os que acreditam no Espírito, os artistas, os estetas, mais de uma vez sentiram o êxtase ao ouvirem determinadas peças musicais e falaram de suas propriedades.

A respeito da ação da música, em março de 1869, o Codificador da Doutrina Espírita, Allan Kardec estampou, em sua Revista Espírita, uma página mediúnica, assinada pelo consagrado Rossini.

O compositor italiano Gioachino Antonio Rossini, autor de música sacra, de música de câmara e de trinta e nove óperas, dentre elas as célebres O barbeiro de Sevilha e Cinderela, escreveu:

A influência da música sobre a alma, sobre o seu progresso moral, é reconhecida por todo o mundo.

A harmonia coloca a alma sob o poder de um sentimento que a desmaterializa.

Tal sentimento existe num certo grau, mas se desenvolve sob a ação de um sentimento similar mais elevado.

A música exerce uma influência feliz sobre a alma. E a alma, que concebe a música, também exerce sua influência sobre a música.

A alma virtuosa, que tem a paixão do bem, do belo, do grande, e que adquiriu harmonia, produzirá obras-primas capazes de penetrar as almas mais encouraçadas e de comovê-las.

Por fim, diz o compositor que moralizando os homens, o Espiritismo exercerá grande influência sobre a música.

Produzirá mais compositores virtuosos, que comunicarão suas virtudes, fazendo ouvir suas composições.

****

Utilizemos a música em nossa vida. A música que emociona, que eleva.

Não há necessidade de se ouvir somente música erudita, clássica.

Há tantos compositores populares, de tantos países, com músicas belíssimas, que encantam e extasiam os que as escutam.

Busquemo-las e deixemos que nossa alma cresça, enchendo-se de sons, de harmonia, de beleza.

Redação do Momento Espírita, com base em notícia
colhida no Boletim SEI nº 2121 e no artigo Dissertações
espíritas, da Revista Espírita, março de 1869, ed. FEB.
Em 27.9.2013.

domingo, 23 de agosto de 2026

A confiança de Deus

 



Muitas vezes, nos deixamos invadir por sentimentos de desalento. Pensamos que não somos capazes de realizar ações no caminho do bem e colaborar com nosso semelhante.

Acreditamos não merecer a confiança de Deus.

Afinal, não temos virtudes suficientes para contribuir na grande obra de reformulação do mundo.

Quando esses pensamentos nos ocuparem a mente, paremos por alguns instantes e reflitamos.

Será que tudo que ocorre em nossas vidas não está relacionado com a confiança do Pai Eterno em nós?

Vejamos: é porque Deus confia em nós, que nos entrega uma família para cuidar.

Alguns nos tornamos pais e mães. Outros, sem filhos da própria carne, albergamos na alma sobrinhos, afilhados, ou apenas conhecidos, que educamos para a vida.

E é justamente, no devotamento a essas criaturas, que nos são confiadas por Deus, que aprimoramos nossos sentimentos, que cultivamos amor e respeito, que exercitamos a renúncia, a paciência, a colaboração.

Afinal, é para aqueles que temos sob nossos cuidados que estão direcionadas as nossas primeiras preocupações.

Identificamos a confiança de Deus em nós ao nos possibilitar desenvolver tarefas, servindo-nos da nossa inteligência.

Por contar conosco, com nosso espírito de responsabilidade, é que Ele nos permite empreender atividades que poderão influenciar muitas pessoas para o caminho do progresso.

Por confiar em nós, Seus filhos, nos delega a tarefa de nos tornarmos auxiliares na melhoria do planeta.

Também por isso nos concede o livre-arbítrio.

Graças a essa opção de escolha, elegemos nosso caminho e vamos nos sentindo felizes, à medida que colhemos os frutos da nossa boa semeadura.

É porque Deus tem a certeza de que podemos exercitar o discernimento, que nos permite o desenvolvimento de competências, de habilidades, com as quais podemos melhorar, instruir e elevar a nossa e a vida de nossos irmãos.

Deus confia em nós, em cada um de nós, tenhamos certeza disso.

Toda possibilidade da criatura, na edificação do bem, é concessão do Criador.

Dessa forma, como o Pai tem tanta confiança em nós, de igual forma tenhamos confiança nEle.

Tenhamos a certeza da Sua presença em nossas vidas. Saibamos reconhecer as infinitas bênçãos que Ele nos concede.

E nos sintamos gratos por podermos colaborar na Sua divina obra.

Não somos criadores da vida, mas somos honrados com a chance de sermos co-criadores com Ele.

Não somos os que podem atuar sobre o sol, a chuva e os ventos, mas podemos ser os que auxiliam no cultivo das mudas e no crescimento das lavouras.

Não somos os que podem determinar a manutenção da saúde das criaturas, mas podemos ser os que contribuem para lhes manter o bem-estar físico e emocional.

Não podemos definir a permanência dos seres humanos por mais anos, neste planeta, o que somente compete ao Ser Supremo.

Mas, podemos, como seres diligentes, contribuir para a redução da desnutrição, da fome dos nossos irmãos e lhes estender a mão, dizendo: Prossigamos.

Filhos de Deus. Detentores da Sua confiança. Vivamos e sirvamos ao bem.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 11, do
 livro Coragem, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de
Francisco Cândido Xavier, ed. CEC.
Em 1º.12.2021.

Escute o áudio deste texto: https://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=6614&let=C&stat=0

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Bagagem espiritual

 



Não é novidade a genialidade que algumas crianças demonstram, em tenra idade.

Lembramos de Mozart iniciando a composição de sua primeira sinfonia aos oito anos de idade, enquanto já encantava a nobreza com execuções primorosas ao piano, desde os cinco anos.

O grande violinista Paganini era aplaudido em um concerto, em Gênova, aos nove anos.

Victor Hugo era conhecido como a criança sublime, tendo recebido um prêmio em Tolosa, pelos seus versos, aos treze anos.

Em anos mais recentes, tem proliferado o número de gênios nas artes, nas ciências, nas letras.

Nascem em nossos lares. Estão ao nosso lado.

A família da brasileira Laura Regis Buchele transferiu residência para a Flórida, quando ela contava seis anos de idade.

Houve, inicialmente, uma preocupação com a adaptação na nova escola e com o idioma.

No entanto, Laura logo chamou a atenção dos professores, pela rapidez do seu aprendizado.

Submetida a um teste de QI, que durou quatro horas, registrou cento e trinta e nove pontos.

Logo depois, começou a participar de campeonatos na escola. Aos nove anos, foi admitida como membro da Mensa Internacional, a maior, mais antiga e mais famosa sociedade de alto QI do mundo.

Relatam seus familiares que ela sempre foi precoce.

Com dois anos conhecia o alfabeto e lia pequenas páginas.

Lê todos os dias, devorando uma média de dois livros semanais.

Ela tudo aprende com facilidade. Foi participar de aulas de música, e apenas ouvindo, tudo assimilava.

Manifestou vontade de aprender o idioma francês, e rapidamente conseguiu.

Cálculos mentais são feitos por ela como se fossem brincadeira.

Dizem seus professores que sua precocidade na leitura, matemática e língua inglesa é avançada para sua idade.

Afirmam que, ao chegar no ensino médio, ela poderá pular algumas etapas, dado o avanço que registra em seus testes.

*   *   *

Fatos semelhantes a este, nos fazem indagar o porquê desses pequenos gênios.

Embora se possa pensar em muitas hipóteses, como a hereditariedade, por exemplo, essa possibilidade não responde a todos os casos.

Isso porque alguns desses gênios têm pais quase iletrados, ou que desconhecem as ciências ou as artes em que os filhos se sobressaem.

A resposta mais plausível é se reconhecer a realidade da reencarnação, o retorno do Espírito para um novo corpo.

O corpo é novo mas o Espírito é milenar. Tendo vivido muitas experiências e conquistado uma extraordinária bagagem de conhecimentos, agora, os relembra, facilmente.

Então, algumas crianças apresentam habilidades para aprender idiomas, ou compor músicas, ou enveredar pelos caminhos da ciência.

Tudo como se fosse uma continuidade de algo já vivido, já experienciado.

E como nos encontramos em um mundo em transição, caminhando para mundo de regeneração, natural que um número maior desses gênios se manifeste entre nós.

Eles vêm para impulsionar o progresso da ciência, para embelezar o mundo com sua arte, para ensinar o bom, o belo, o ético.

Seres diferentes. Estão conosco. Merecem nossa atenção e nossos cuidados para que não se percam no emaranhado das nossas vaidades.

Redação do Momento Espírita, com fato
extraído do site www.sonoticiaboa.com.br
Em 19.6.2021.

Escute o áudio deste texto: https://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=6522&let=B&stat=0


segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Benefícios da oração



 Uma eficiente maneira de conseguir a ligação entre a criatura e o Pai Criador, é a oração ungida de sentimentos nobres.

A emissão da onda mental dirigida a Deus, com vigor e humildade, vence os espaços infinitos, alcançando o seu destino.

Não são as palavras que vestem o pensamento, por vezes até desnecessárias, que significam algo. O sentimento de amor que as acompanha é o detalhe de relevância.

Mais importante do que as formas e as fórmulas convencionais, são a intenção, o conteúdo intrínseco de que se constitui a prece.

Não será, portanto, pelo muito orar, repetindo palavras de contínuo, mas pelo orar bem, que a prece propicia benefícios inimagináveis.

A criatura que ora é favorecida com recursos desconhecidos e poderosos.

Pensa-se, quase sempre, que a função da prece é de peditório, tendo em vista as tantas necessidades reais e imaginárias dos seres humanos.

Em razão desse conceito equivocado, ora-se, apenas, quando as dores e as dificuldades ameaçam.

Ou quando o indivíduo se sente destituído de recursos para os enfrentamentos inevitáveis do cotidiano.

Certamente que se deve orar nas situações penosas e aflitivas. No entanto, não somente nessas conjunturas.

A prece nos deve servir para as mais diferentes circunstâncias experimentadas durante a vida, e depois dela...

A prece não irá resolver os dilemas, os problemas, os desesperos.

Revestida, porém, de sentimento, produz uma real ligação entre o filho que ora e o Pai Celeste.

De imediato, resultará em bem-estar, inspiração para encontrar soluções, reforço de energia.

Tudo isso contribuirá para o equacionamento da dificuldade e do desafio evolutivo.

A prece é a linguagem que faculta a comunhão mental com o sumo bem, em contínuo fluxo de amor.

É um telefonema especial que se dá para ouvir a voz amorosa do Pai de todos nós.

É através dela que recebemos os recados da Espiritualidade Maior, interessada em nosso contínuo progresso, em nosso bem.

Orando, é possível esquecer os fatores desgastantes do dia a dia, em razão da sintonia com as faixas vibratórias mais elevadas.

À medida que o pensamento e a emoção canalizam a aspiração do amor, da saúde e da paz, na direção da verdade, alcançam a sintonia imediata com as forças da vida.

Tudo isso se transforma em sensação de harmonia e de indizível felicidade.

A prece não evitará os sofrimentos, nem impedirá que experimentemos os testemunhos que nos cabem.

Contudo nos facultará melhor enfrentá-los e superá-los com alegria e gratidão.

A prece pode ser comparada a uma ponte de energia luminosa, ligando a margem do ser ao sublime mundo dos seres superiores...

Aprendamos a transitar por ela com tal naturalidade que, depois de algum tempo, a nossa existência esteja transformada em uma contínua e eficiente oração.

*   *   *

Ora e vibra sempre positivamente.

Age com honestidade e retidão na tua vida.

Desta forma, usa a oração como hábito de te banhares nas sublimes ondas do oceano do Amor Divino.

Guarda a certeza de que, assim agindo, vencerás com galhardia as provas e as expiações do teu roteiro de elevação.

Deus estará contigo.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 27, do
 livro Iluminação Interior, pelo Espírito Joanna de Ângelis,
 psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL.
Em 14.1.2023.

Escute o áudio deste texto: https://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=6826&let=B&stat=0

sábado, 15 de agosto de 2026

Ágape




Os gregos antigos eram muito sofisticados ao falar sobre o amor.

Segundo eles, era impossível utilizar uma única palavra para definir tudo aquilo que a nossa cultura chama, unicamente, amor.

Para eles, havia seis formas de amor, cada qual com suas características.

O primeiro tipo, o amor Eros, era nomeado assim por conta do deus grego da fertilidade, representando a ideia de paixão.

Eros era o amor capaz de dominar e eximir o ser de sua racionalidade. Envolvia uma falta de controle, que assustava os gregos.

A segunda variedade, o Philia, era relativo à amizade, à fidelidade entre companheiros unidos por laços fraternos.

Essa forma de amor era muito mais valorizada do que a primeira.

O Ludus, terceira forma, guardava relação com a diversão, com a afeição, com as boas companhias e com o prazer de se estar ao lado de quem se quer bem.

O amor Àgape, quarto tipo, era a mais radical das formas. Foi traduzido mais tarde para o latim como Caritas, do qual se originou o termo caridade.

Ágape representava o amor abnegado, desinteressado. Aquele que se estende ao próximo, a fim de transformá-lo em um irmão.

Essa é a forma de amor ensinada na maioria das tradições religiosas.

No cristianismo, representa o amor divino que deve ser cultivado e estendido aos nossos semelhantes, seguindo o ensinamento de Jesus: Amai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a vós mesmos.

Ainda, o amor Pragma, o amor maduro, resultado de profundo entendimento, consideração, respeito e admiração, que se desenvolve entre casais de longo matrimônio e entre pessoas que convivem muitos anos.

Passadas as ilusões, deixam se levar pela alegria da convivência.  É o júbilo de saber que o outro ali está, em todos os momentos e circunstâncias, por mais difíceis e dolorosas que elas sejam.

Finalmente, a última forma, o amor Philautia ou autoamor. Não se trata de narcisismo, mas sim de uma maneira muito mais elevada de amor.

Os gregos entendiam que, quanto mais a criatura se ama, mais amor tem a oferecer.

        *   *   *

De que forma entendemos o amor? O que ele representa para nós? Como damos, recebemos e vivenciamos o amor?

Entregamo-nos aos preceitos de Jesus, buscando o autoamor, o amor ao próximo, o amor familiar e fraternal, o amor abnegado?

Ou ainda nos perdemos nas teias de Eros, das ilusões e paixões, dos interesses?

Qual a nossa verdadeira compreensão do que é o amor?

Importante se faz a reflexão a respeito. Importante que analisemos nossas ações, nossos sentimentos, a fim de bem avaliarmos de que espécie é o amor que nos move.

O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta, dizia o Apóstolo Paulo.

Pensemos nisso! Pensemos sobre o amor. Busquemos o amor que se oferece, que é fiel, que vive a alegria de ver o outro feliz.

Vivenciemos o amor, em suas nuances mais sublimes, sempre, diária e constantemente.

Redação do Momento Espírita, com base na obra
 How should we live, de Roman Krznaric,
 ed. BlueBridge.
Em 27.9.2016.

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