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sábado, 15 de agosto de 2026

Ágape




Os gregos antigos eram muito sofisticados ao falar sobre o amor.

Segundo eles, era impossível utilizar uma única palavra para definir tudo aquilo que a nossa cultura chama, unicamente, amor.

Para eles, havia seis formas de amor, cada qual com suas características.

O primeiro tipo, o amor Eros, era nomeado assim por conta do deus grego da fertilidade, representando a ideia de paixão.

Eros era o amor capaz de dominar e eximir o ser de sua racionalidade. Envolvia uma falta de controle, que assustava os gregos.

A segunda variedade, o Philia, era relativo à amizade, à fidelidade entre companheiros unidos por laços fraternos.

Essa forma de amor era muito mais valorizada do que a primeira.

O Ludus, terceira forma, guardava relação com a diversão, com a afeição, com as boas companhias e com o prazer de se estar ao lado de quem se quer bem.

O amor Àgape, quarto tipo, era a mais radical das formas. Foi traduzido mais tarde para o latim como Caritas, do qual se originou o termo caridade.

Ágape representava o amor abnegado, desinteressado. Aquele que se estende ao próximo, a fim de transformá-lo em um irmão.

Essa é a forma de amor ensinada na maioria das tradições religiosas.

No cristianismo, representa o amor divino que deve ser cultivado e estendido aos nossos semelhantes, seguindo o ensinamento de Jesus: Amai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a vós mesmos.

Ainda, o amor Pragma, o amor maduro, resultado de profundo entendimento, consideração, respeito e admiração, que se desenvolve entre casais de longo matrimônio e entre pessoas que convivem muitos anos.

Passadas as ilusões, deixam se levar pela alegria da convivência.  É o júbilo de saber que o outro ali está, em todos os momentos e circunstâncias, por mais difíceis e dolorosas que elas sejam.

Finalmente, a última forma, o amor Philautia ou autoamor. Não se trata de narcisismo, mas sim de uma maneira muito mais elevada de amor.

Os gregos entendiam que, quanto mais a criatura se ama, mais amor tem a oferecer.

        *   *   *

De que forma entendemos o amor? O que ele representa para nós? Como damos, recebemos e vivenciamos o amor?

Entregamo-nos aos preceitos de Jesus, buscando o autoamor, o amor ao próximo, o amor familiar e fraternal, o amor abnegado?

Ou ainda nos perdemos nas teias de Eros, das ilusões e paixões, dos interesses?

Qual a nossa verdadeira compreensão do que é o amor?

Importante se faz a reflexão a respeito. Importante que analisemos nossas ações, nossos sentimentos, a fim de bem avaliarmos de que espécie é o amor que nos move.

O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta, dizia o Apóstolo Paulo.

Pensemos nisso! Pensemos sobre o amor. Busquemos o amor que se oferece, que é fiel, que vive a alegria de ver o outro feliz.

Vivenciemos o amor, em suas nuances mais sublimes, sempre, diária e constantemente.

Redação do Momento Espírita, com base na obra
 How should we live, de Roman Krznaric,
 ed. BlueBridge.
Em 27.9.2016.

Escute o áudio deste texto: https://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=4906&let=&stat=0

sábado, 23 de maio de 2026

A lei da humanidade

 


A citação de O Evangelho Segundo o Espiritismo nos convida a refletir sobre o destino moral da humanidade à luz da Doutrina Espírita. Quando Jesus apresenta a lei de amor e caridade como caminho verdadeiro, o Espiritismo esclarece que ela não representa apenas um ideal religioso, mas uma lei divina destinada a conduzir o progresso espiritual dos homens.

O egoísmo é apontado pela Doutrina como a raiz da maioria dos males humanos, pois leva o indivíduo a pensar apenas em si mesmo, esquecendo-se de que todos somos irmãos e espíritos em evolução. Enquanto predominarem o orgulho, a ambição e a violência, os mais frágeis continuarão sofrendo injustiças e humilhações. Porém, à medida que o ser humano compreende sua natureza espiritual e a necessidade da vivência do amor ao próximo, passa a desenvolver sentimentos de fraternidade, compaixão e respeito.

Segundo o Espiritismo, a verdadeira caridade não se resume à ajuda material; ela também se manifesta nas palavras, na compreensão, no perdão e no cuidado para não ferir ninguém. Quando essa lei estiver gravada no coração da humanidade, as relações humanas serão transformadas, porque ninguém desejará explorar ou dominar o outro. O forte usará sua força para proteger, e não para oprimir.

A mensagem também revela esperança no progresso moral coletivo. A humanidade atravessa etapas de aprendizado e, embora ainda existam muitas imperfeições, caminha lentamente para um mundo mais justo e fraterno. Cada pessoa que pratica a caridade sincera contribui para a construção desse futuro anunciado por Jesus e explicado pela Doutrina Espírita.

Carlos Pereira 

terça-feira, 19 de maio de 2026

Sobre a ofensa

 


A citação de O Evangelho Segundo o Espiritismo  revela um dos pilares centrais da doutrina espírita: a transformação moral do ser humano por meio do amor, da caridade e do domínio das próprias imperfeições. Os bons Espíritos nos ensinam que as palavras não são simples sons ou manifestações passageiras; elas refletem o estado íntimo do espírito. Assim, a ofensa verbal demonstra a presença de sentimentos inferiores ainda existentes no indivíduo, como orgulho, egoísmo, intolerância e agressividade.

Segundo os princípios espíritas, o ser humano é um espírito imortal em processo contínuo de evolução. Cada experiência na vida corporal constitui oportunidade de aprendizado moral. Nesse contexto, a maneira como nos dirigimos ao próximo possui profundo valor espiritual, porque toda relação humana deve ser orientada pela lei divina de amor e caridade. Quando a criatura utiliza palavras ofensivas, ela rompe momentaneamente com essa lei, criando desarmonia tanto em si mesma quanto ao redor.

A doutrina espírita ensina ainda que os pensamentos e palavras possuem vibrações que influenciam o ambiente espiritual. A agressividade verbal alimenta sentimentos de mágoa, ressentimento e animosidade, atraindo influências espirituais inferiores e dificultando a paz interior. Em contrapartida, a benevolência, a indulgência e o perdão elevam espiritualmente o indivíduo, fortalecendo os laços de fraternidade entre as pessoas.

Outro aspecto importante dessa passagem é a ideia de benevolência recíproca. O Espiritismo não propõe apenas evitar a ofensa, mas cultivar ativamente a compreensão e a caridade moral. Kardec explica que a verdadeira caridade não se resume à ajuda material; ela também se manifesta na forma de falar, de compreender as limitações alheias e de agir com respeito diante das imperfeições do próximo. Muitas vezes, uma palavra gentil pode consolar e reerguer alguém, enquanto uma ofensa pode causar dores profundas e duradouras.

Desse modo, a citação convida o espírita ao exercício constante da vigilância moral. Antes de falar, é necessário refletir se nossas palavras promovem união ou separação, paz ou discórdia. A reforma íntima, tão valorizada pela doutrina kardecista, começa justamente no controle das atitudes diárias, inclusive da linguagem. Falar com amor e caridade é um sinal de progresso espiritual e um passo importante na construção de uma humanidade mais fraterna e harmoniosa.

Por Carlos Pereira

domingo, 17 de maio de 2026

Evolução moral e espiritual do homem

 


A citação presente em O Evangelho Segundo o Espiritismo revela, o processo de evolução moral e espiritual do ser humano. Allan Kardec nos ensina através da espiritualidade maior que o Espírito não nasce perfeito; ele percorre uma longa caminhada de aprendizado através das múltiplas existências, desenvolvendo gradativamente suas faculdades intelectuais e morais.

Quando o texto afirma que “em sua origem, o homem só tem instintos”, compreendemos que, nas fases primitivas da evolução, o Espírito age impulsionado pelas necessidades básicas de sobrevivência. Os instintos são mecanismos naturais, comuns também aos animais, e representam os primeiros passos da experiência espiritual.

Mais adiante, ao dizer que o homem “mais avançado e corrompido, só tem sensações”, o ensinamento alerta para o perigo do apego excessivo à matéria. Nessa condição, o ser humano já possui inteligência desenvolvida, porém ainda se deixa dominar pelos prazeres materiais, pelo egoísmo e pelas paixões inferiores. É o momento em que o conhecimento intelectual não foi ainda acompanhado pelo progresso moral.

Entretanto, quando o Espírito se torna “instruído e depurado”, surgem os verdadeiros sentimentos. Aqui, a Doutrina Espírita mostra que a evolução não consiste apenas em adquirir conhecimentos, mas principalmente em transformar o coração. O sentimento elevado nasce da purificação interior, do exercício da caridade, da humildade e da fraternidade.

O trecho culmina afirmando que “o ponto delicado do sentimento é o amor”. Não se trata do amor limitado pelo egoísmo humano ou pelos interesses pessoais, mas do amor em sua expressão mais pura e universal. Esse “sol interior” simboliza a luz divina presente em cada Espírito, capaz de iluminar todas as virtudes e aproximar a criatura de Deus. Para o Espiritismo, o amor é a lei maior da vida, ensinada e exemplificada por Jesus. É através dele que o Espírito alcança sua verdadeira felicidade e evolução.

Assim, essa passagem nos convida à reflexão sobre nossa própria caminhada espiritual. Todos começamos pelos instintos, atravessamos as experiências das sensações e somos chamados, pela educação do Espírito, a desenvolver sentimentos elevados até atingir o amor pleno, que representa a síntese da perfeição moral segundo o evangelho.

Por Carlos Pereira 

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

O Mandamento do Amor

 


No silêncio da alma, uma voz resplandece, É Jesus que chama, é o Cristo que aquece. “Amar é viver”, sussurra o coração, Mandamento divino, eterna canção. 

O amor é brilho que nunca se apaga, É luz que consola, é bálsamo que afaga. Na Doutrina Espírita, é ponte e clarão, Que une os mundos, que guia a razão. 

Amar é servir, é doar-se sem fim, É ver no irmão o reflexo de mim. É perdoar, é estender a mão, É semear paz na seara do chão. 

O amor é lei santa, é força que eleva, É sol que ilumina, é fé que renova. Na escola da vida, é lição maior, É o verbo de Deus, é o bem que é farol. 

E quando o Espírito, liberto, ascender, Será pelo amor que irá florescer. Pois quem ama cumpre o divino querer, E encontra em Jesus o caminho do ser. 

Glauco

Por Carlos Pereira

terça-feira, 29 de julho de 2025

Serenar - Junior Vidal

Em meio às tempestades da alma e aos ventos que moldam o espírito, surge “Serenar”, uma canção profundamente tocante de Junior Vidal, que convida ao reencontro com o silêncio interior e à reconstrução do ser. Composta e interpretada por Vidal, essa obra faz parte do álbum Famílias e ganha vida no videoclipe assinado por Ito Albuquerque. 

A letra é um verdadeiro chamado à transformação: fala da ferrugem que consome o velho “eu”, da dor que purifica, e da beleza que nasce quando nos permitimos amar, servir, esperar e perdoar. São degraus que elevam a alma, como escadas erguidas ao céu. 

Este vídeo não é apenas uma expressão artística — é um convite à reflexão, à entrega e ao autoamor. Que ao assistir, você possa serenar o coração e encontrar paz na jornada.


 Acompanhe a letra da canção

Serenar (Junior Vidal)

 

Sente cada gota de suor que sai do teu calor,

Segue em toda luta, tudo passa, conquista o auto amor.

O apego… Egoísmo que tem sede, já fez o seu clamor.

Ama… Todo céu que se renova será feito só de amor.

 

Ama… Deixa fluir o que Ele forjou.

Ama… Que o sofrimento perde o seu ardor.

Ama… A tua escolha que renova a cor.

Ama… Pois quem ama muito, granjeia mais amor.

 

Espera a primavera que prepara todo fruto, toda flor.

Trabalha o melhor que há em ti, jardineiro servidor.

Perdoa o espinho da jornada que se fez em desamor.

Ama a colheita preparada no banquete do senhor.

 

Refrão

Cada movimento, traz o seu alento,

No vazio onde estou… Cheio de mim.

Serenar o momento, partilhar o nosso tempo…

Que não é só meu, no tempo de Deus.

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