Em um mundo ainda repleto de tantas dores e de tantas injustiças, é comum escutar as pessoas se queixarem de tudo e de todos.
É habitual encontrar pessoas sisudas, nas ruas, que nem sequer se dignam responder a um cumprimento, ou a olhar os outros nos olhos.
Parecem estar sempre mal-humoradas e infelizes com a rotina, com a vida que levam.
São pessoas que não percebem a beleza do céu, a suavidade do vento a tocar-lhes a pele, a melodia do riso de uma criança.
Seus olhos parecem estar impossibilitados de notar as cores e as belezas do mundo.
Seus ouvidos captam apenas lamúrias e queixumes.
Seus corações só guardam mágoas e arrependimentos.
Passam os dias, os anos, a vida inteira sem aproveitar o que de bom lhes é, diária e continuamente, ofertado por Deus, pela natureza e pelos seres que os cercam.
São pessoas sem alegria, que transformam a própria existência em um tormento repleto de desprazer e melancolia.
Perdem a oportunidade abençoada de ser úteis e de crescer como seres humanos.
Adoecem em virtude da amargura que cultivaram por toda a vida em suas almas.
Ferem com seu azedume corações caros que, muitas vezes, cansados de maus tratos e de desconsiderações, afastam-se em busca de consolo e de carinho.
São pessoas amargas que infelicitam a própria vida com essa atitude equivocada.
É necessário, apesar das dores que cobrem boa parte das criaturas, que saibamos cultivar a alegria.
Ser alegre não é rir às gargalhadas, à toa e a todo momento.
Também não é fazer bobices, desperdiçando tempo ou desrespeitando os outros.
Ser alegre, verdadeiramente, é sorrir diante da oportunidade de crescer como Espírito, por mais dolorosa que a prova possa parecer.
É exultar quando se percebe que as dificuldades do cotidiano nos possibilitarão alcançar enobrecimento interior.
É ter a certeza de que o verdadeiro bem-estar independe das coisas de fora, mas que nasce, sim, na fonte cantante e abençoada do solo do coração e da consciência tranquila.
Ser alegre é reconhecer a presença Divina em cada recanto da natureza, no olhar dos seres amados, no silêncio da noite e na beleza de cada amanhecer.
Ser alegre é saber que, por mais forte que sejam as tempestades de agora, mais cedo ou mais tarde o sol voltará a brilhar, secando nossas lágrimas e convidando-nos ao recomeço.
Ser verdadeiramente alegre é não se entregar às dores que parecem querer consumir nossas almas e dilacerar nossos sonhos.
É confiar na bondade infinita do Pai, que nos ama incondicionalmente e que jamais nos abandonará.
* * *
Jesus disse aos apóstolos que a felicidade não é deste mundo.
Por certo, os bens do mundo são muito passageiros para nos garantir eterna ventura.
Isso, no entanto, não significa que tenhamos que viver mergulhados na insatisfação e na amargura.
Compete-nos procurar sempre, de modo consciente e correto, os melhores caminhos, as decisões mais acertadas.
Assim, apesar dos inevitáveis dissabores e dos eventuais sofrimentos, haverá sempre, em nossos corações, motivos suficientes para sermos pessoas verdadeiramente alegres.


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