quinta-feira, 9 de abril de 2020

Paz e Amor

Onde encontres a discórdia, considera que o Senhor te convidou para a sementeira da paz.

Se o ódio aparece onde estejas, lembra-te de que o Céu te chamou para o cultivo do amor.

Criatura humana, entre criaturas humanas, não fales, porém, de paz e amor qual se já residisses no plano dos anjos.

Para cumprir a tarefa que te cabe, é necessário consigas atingir o coração dos semelhantes. E se acenderes a luz da humildade no óleo da paciência, Deus te mostrará o caminho.

Emmanuel, psicografia de Chico Xavier.

terça-feira, 7 de abril de 2020

A Serviço da Dimensão Espiritual


Por Aylton Guido Coimbra Paiva

O lar da família Xavier era marcado pelas dores da pobreza e de diferentes dificuldades, mas uma delas merece destaque.

Uma das irmãs de Francisco Cândido Xavier foi acometida de grave desequilíbrio emocional e inicialmente foi tratada pelos recursos tradicionais da Medicina. No entanto, a melhora era muito pequena.

Pessoas amigas, vendo o sofrimento da família, acharam que o problema poderia ser de natureza espiritual e recomendaram que se procurasse esse tipo de ajuda espiritual.

A família, profitente de religião que não aceitava tais ideias, relutou em buscar a ajuda. Contudo, quando a dor bate em nossa porta, sabemos que é preciso atingir o mais rápido possível a solução.

Assim, resolveram tentar também esse caminho. Foram procurar o casal Carmen e Hermínio Perácio.

Ambos tinham bom conhecimento da Doutrina Espírita, adquirido através de estudos das obras: O Livro dos Espíritos, O Evangelho segundo o Espiritismo e O Livro dos Médiuns. Todos organizados por Allan Kardec.

Algumas orientações foram trazidas por Maria João de Deus, a mãe de Chico, que lhes deu, também, pela mediunidade da senhora Carmen, detalhes que só Chico e familiares sabiam.

Passado algum tempo, a irmã de Chico Xavier ficou totalmente curada, retornando à normalidade da sua vida. Decorrente desse contato e da cura da irmã, Chico começou a frequentar as reuniões espíritas com o casal Perácio.

Em uma das reuniões, dona Carmen, pela mediunidade da vidência espiritual, vê como se fosse uma cachoeira de livros que desciam sobre a cabeça de Chico. Em seguida, a senhora Carmen, também médium psicógrafa, sob orientação espiritual, pede a Chico que pegue lápis e papel.

Sem saber o que estava acontecendo, Chico Xavier escreve, ou melhor, psicografa dezessete páginas, que vêm assinadas simplesmente: “Amigo Espiritual”.

Mais uma vez, o jovenzinho surpreendia a todos pela velocidade que escrevia e pela profundidade do assunto tratado. De novo, ele esclarece que não pensou em nada daquilo que estava escrito e que alguém usara a sua mão para escrever.

Como relata o próprio Francisco Xavier, em agosto do ano 1931, a contragosto, pois não desejava envolver-se com nomes tão respeitáveis da literatura luso-brasileira, começou a receber uma série de poesias com os nomes de Guerra Junqueiro, João de Deus, Castro Alves, Olavo Bilac, Cruz e Souza e de outros desconhecidos como: Marta, A.G., Um Desconhecido.

Era lançado, então, em 1932, pela editora da Federação Espírita Brasileira, o livro “Parnaso de Além-Túmulo”, com poemas atribuídos a vários poetas mortos.

Nessa obra, pela pena mediúnica, Castro Alves diz: “Há mistérios peregrinos/ No mistério dos destinos/ Que nos mandam renascer:/ Da luz do Criador nascemos,/ Múltiplas vidas vivemos,/ Para à mesma luz volver”.

À época, o impacto desse livro foi muito grande. De novo a polêmica envolve Chico, agora com os intelectuais... até da Academia Brasileira de Letras: é cópia, é pastiche, é falsificação, é verdadeiro... Chico permanece sereno.

- Eu apenas escrevo. Não sou o autor.

E assim permaneceria firme e tranquilo, até os momentos finais do seu corpo físico, tendo psicografado mais de 400 livros e doado a renda para as obras de assistência, promoção social e educação.

Sua tarefa estava cumprida: exaltação do amor e da imortalidade.

domingo, 5 de abril de 2020

Caridade

Caridade é, sobretudo, amizade.
Para o faminto - é o prato de sopa.
Para o triste - é a palavra consoladora.
Para o mau - é a paciência com que nos compete auxiliá-lo.
Para o desesperado - é o auxílio do coração.
Para o ignorante - é o ensino despretensioso.
Para o ingrato - é o esquecimento.
Para o enfermo - é a visita pessoal.
Para o estudante - é o concurso no aprendizado.
Para a criança - é a proteção construtiva.
Para o velho - é o braço irmão.
Para o inimigo - é o silêncio.
Para o amigo - é o estímulo.
Para o transviado - é o entendimento.
Para o orgulhoso - é a humildade.
Para o colérico - é a calma.
Para o preguiçoso - é o trabalho.
Para o impulsivo - é a serenidade.
Para o leviano - é a tolerância.
Para o deserdado da Terra - é a expressão de carinho.
Caridade é amor, em manifestação incessante e crescente.
É o sol de mil faces, brilhando para todos, e o gênio de mil mãos, amparando, indistintamente, na obra do bem, onde quer que se encontre, entre justos e injustos, bons e maus, felizes e infelizes.
Porque, onde estiver o Espírito do Senhor aí se derrama a claridade constante dela, a benefício do mundo inteiro.

Chico Xavier - por Emmanuel

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Chico Xavier 1910 – 2002 - Biografia Resumida


O maior e mais prolífico médium psicógrafo do mundo em todas as épocas, Francisco Cândido Xavier nasceu em Pedro Leopoldo, modesta cidade de Minas Gerais, em 2 de abril de 1910, desencarnando no dia 30 de junho de 2002, filho de João Cândido Xavier e a mãe Maria João de Deus, que tiveram nove filhos: Maria Cândida, Luíza, Carmozina, José Cândido, Maria de Lurdes, Francisco Cândido, Raymundo, Maria da Conceição e Geralda. Sua mãe desencarnou em 1915 e, em 1960, seu pai.

Naquela época, o município mineiro de Pedro Leopoldo era uma cidade pequena, tranquila, de tradição bandeirante, sem atrações, vida pacata e comércio rudimentar, tendo apenas a agricultura como a base mais importante de subsistência.

A chegada da indústria pesada, do aço, fábricas de cimento e outras, causou uma grande transformação no município, ocasionando o desenvolvimento e o aumento populacional. Em consequência, a vida pacata passou a não fazer mais parte do cenário de Pedro Leopoldo. O município ficou conhecido nacionalmente a partir da década de 30, quando chegaram às grandes cidades as primeiras notícias da fama de Chico Xavier.

Em 1915, Dona Maria João de Deus, percebendo a gravidade de sua enfermidade e pressentindo o desencarne próximo, entregou seus filhos a pessoas amigas, para cuidarem de sua educação. Diante de tais circunstâncias, Chico foi entregue a sua madrinha, Dona Rita de Cássia, mais conhecida como Ritinha.

Percebendo a separação de sua família, o menino Chico perguntou a sua mãe o porquê daquilo estar acontecendo, sem compreender a gravidade da situação e, muito inocentemente, chegou a pensar que a mãe não os amava mais. Dona Maria, conseguindo superar as emoções, disse-lhe que se preparava para sair da casa em tratamento de saúde e que voltaria em breve para cuidar de todos. Resignado com a situação, aceitou as palavras finais de sua mãe, que veio a desencarnar no dia seguinte, 29 de setembro.


A Vida com sua Madrinha Dona Ritinha


Dona Ritinha levada por suas constantes crises nervosas, castigava Chico com surras que chegaram a acontecer até três vezes ao dia. A vida do menino era cheia de desilusão e provações, o que poderia tê-lo feito um ser revoltado e infeliz; contudo, isso não ocorreu por força da riqueza espiritual que possuía.

Desde os 4 anos de idade o menino Chico teve a sua vida assinalada por singulares manifestações. Seu pai chegou, inclusive, a crer que o seu verdadeiro filho havia sido trocado por outro. Aquele seu filho era estranho!

De formação católica, o garoto orava com extrema devoção, conforme lhe ensinara sua querida mãezinha, Dona Maria João de Deus, que o deixaria órfão aos 5 anos.

Dentro de grandes conflitos e extremas dificuldades, o menino ia crescendo, sempre puro e bom, incapaz de uma palavra obscena, de um gesto de desobediência. As "sombras" amigas, porém, não o deixavam...

Na escola, sentia a presença desses amigos auxiliando-o nas tarefas habituais. Chico sempre reconheceu que os seus primeiros anos o marcaram profundamente; ele nunca os esqueceu.

Um belo dia, Chico dirigiu-se à madrinha, muito feliz, dizendo que havia conversado com a mãe desencarnada, o que foi suficiente para receber uma surra extra. Essa conversa com sua mãe foi a primeira experiência de Chico no campo da mediunidade. No entanto, ele continuava a ter visões e conversas com sua mãe, o que sempre narrava à madrinha. Dona Ritinha decidiu então conversar a respeito com o pároco do local, o qual recomendou a Chico que rezasse mil Ave-Marias com uma pedra de 15 kg em cima da cabeça durante a procissão. Não bastasse isso, Chico foi atingido por algumas garfadas, o que algum tempo depois se transformou numa hérnia estrangulada, que o acompanhou até o final da vida.

Em suas visões, a mãe o aconselhava a ter paciência. Explicava-lhe que não podia levá-lo para junto de si e procurava ajudá-lo a superar os maus tratos da madrinha. Outro fato lamentável ocorreu quando Dona Ritinha soube que a única maneira de curar a ferida infeccionada de seu outro filho adotivo, o sobrinho Moacir, era Chico lamber a ferida durante três semanas seguidas, em completo jejum.

Incumbido dessa tarefa, Chico foi desesperado até o quintal, onde evocou o socorro de sua mãe; tendo recebido dela palavras que naquele momento lhe confortaram. E quando iniciou a penitência, percebeu com surpresa que sua mãe colocava um pozinho sobre a ferida. E assim, pouco depois a perna de Moacir estava curada.

Apesar de tantos maus tratos, até hoje nunca se ouviu uma só palavra atribuída a Chico Xavier queixando-se de sua madrinha. Ao contrário, ele diz que o temperamento de sua madrinha Rita era benévolo.

A necessidade de trabalhar desde cedo para auxiliar nas despesas domésticas foi, em sua vida, conforme ele mesmo o diz, uma bênção indefinível. A doença também viera precocemente fazer-lhe companhia: primeiro o problema nos pulmões, quando trabalhava na tecelagem; depois os olhos; e finalmente mais tarde a angina, que lhe fez companhia até seus derradeiros instantes de vida física.

Novo Casamento de seu Pai


A convivência de Chico com sua madrinha Dona Ritinha durou dois anos, pois, em 1917, seu pai casou-se pela segunda vez com Dona Cidália Batista, cuja união fez a família Xavier crescer com o nascimento de mais seis filhos: André Luís, Lucília, Neusa, Cidália, Doralice e João Cândido. Além disso, pelas bênçãos de Deus, Dona Cidália fez questão de reunir todos os filhos de João Cândido. Desse modo, Chico mudou-se para junto deles, para uma convivência de compreensão e carinho por dez anos, entre pai, mãe e quinze filhos!

Primeiro Fato Inexplicável


Os Espíritos continuavam a aparecerem e enviar mensagens por Chico, mas ele receava ser rotulado de louco se comentasse com alguém as conversas que mantinha com "almas do outro mundo”; embora percebesse o que se passava à sua volva e à sua revelia, não sabia explicar como os fenômenos se davam, inclusive no período de quatro únicos anos de instrução primária que recebeu.

Conta o próprio Chico que, em 1922, no primeiro centenário da Independência do Brasil, todos os alunos tiveram que apresentar uma dissertação sobre a data, e momentos antes de começar a dissertação Chico viu um homem ao seu lado ditando o que deveria escrever. Assustado, foi falar com a professora que o aconselhou a escrever o que ouvira, tranquilizando-o: "Ninguém lhe disse nada. O que você ouviu veio de sua própria cabeça". Esse trabalho rendeu ao garoto Chico a sua primeira Menção Honrosa.


Dificuldades no Estudo Doutrinário


Era grande a dificuldade que o nosso Chico tinha para conciliar os ensinos Católicos, que lhe foram impostos, com as manifestações mediúnicas só explicadas pelo espiritismo. Contudo, resolveu se dedicar a ler sobre a Doutrina Espírita aos dezessete anos, justamente quando veio a perder sua segunda mãe Dona Cidália, que desencarnou no dia 19 de abril de 1931; resolvendo seu pai não mais se casar, até sua desencarnação ocorrida em 6 de setembro de 1960, na cidade de Pedro Leopoldo aos 92 anos de idade.

Chico prosseguiu em seus estudos doutrinários apesar de o padre Sebastião, que era o conselheiro da família e o mesmo que lhe receitou as mil Ave-Marias como penitência para acabar com as "assombrações", deixar bem claro que a igreja Católica não aprovava o Espiritismo.

Início da Mediunidade


Decidido, Chico aprofunda seus conhecimentos pesquisando Allan Kardec e se dedicando cada vez mais ao desenvolvimento mediúnico. No dia 7 de maio de 1927 participa de sua primeira reunião espírita.

Parceria com Emmanuel


O trabalho de psicografia de Chico Xavier foi iniciado em 8 de julho de 1927, em Pedro Leopoldo. Contando 17 anos de idade, recebeu as primeiras páginas mediúnicas.

Naquela noite dessa memorável data, os Espíritos deram início a um dos trabalhos mais belos de toda a história da humanidade. Foram dezessete folhas de papel preenchidas, celeremente, versando sobre os deveres do espírita-cristão.

Até o ano de 1931, Chico psicografou muitas poesias e mensagens, várias das quais foram publicadas, à revelia do médium, em jornais e revistas de todo o Brasil.

Nesse mesmo ano, tem a oportunidade de ver, pela primeira vez, o Espírito do nobre Benfeitor Emmanuel, seu inseparável mentor espiritual até o último dia de sua estada entre nós.

O conhecido Benfeitor Emmanuel, ao se apresentar ao médium, falou-lhe do trabalho que a espiritualidade tinha pré-estabelecido para eles, e se o Chico aceitasse a missão que era de divulgar o espiritismo, ele precisaria seguir três requisitos fundamentais, sem os quais o trabalho não lograria êxito.

Então lhe fez a seguinte pergunta: − Está você realmente disposto a trabalhar na mediunidade com Jesus?

− Sim, se os bons Espíritos não me abandonarem... − respondeu o médium.

− Não será você desamparado − disse-lhe Emmanuel − mas para isso é preciso que você trabalhe, estude e se esforce no bem.

− E o senhor acha que eu estou em condições de aceitar o compromisso? − tornou o Chico.
− Perfeitamente, desde que você procure respeitar os três pontos básicos para o Serviço...
Porque o protetor se calasse, o rapaz perguntou: − Qual é o primeiro?

A resposta veio firme: − Disciplina.
− E o segundo? − Disciplina.
− E o terceiro? − Disciplina.


Orientação de Emmanuel ao Médium


A segunda mais importante orientação de Emmanuel para o médium é assim relembrada por Chico: Lembro-me de que num dos primeiros contatos comigo, ele me preveniu que pretendia trabalhar ao meu lado, por longo tempo, mas que eu deveria, acima de tudo, procurar os ensinamentos de Jesus e as lições de Allan Kardec e, disse mais, que, se um dia, ele, Emmanuel, algo me aconselhasse que não estivesse de acordo com as palavras de Jesus e de Kardec, que eu devia permanecer com Jesus e Kardec, procurando esquecê-lo.


Mudança para Uberaba


Em 5 de janeiro de 1959, Chico mudou-se para Uberaba, sob a orientação dos Benfeitores Espirituais, iniciando, nessa mesma data, as atividades mediúnicas, em reunião pública da Comunhão Espírita Cristã. Começando daí em diante a famosa peregrinação que procedia aos sábados, saindo da "Comunhão Espírita Cristã" para visitar pessoalmente alguns lares carentes, levando-lhes a alegria de sua presença amiga, acompanhado por grande número de pessoas também dispostas a esse tipo de trabalho, sob a luz das estrelas e de um lampião que seguia à frente, iluminando as escuras ruas da periferia, ele ia contando fatos de grande beleza espiritual.

A cidade de Uberaba, desse modo, transformou-se num polo de atração de inúmeros visitantes das mais variadas regiões do Brasil, e até mesmo do exterior, que para lá se dirigiam com o objetivo de conhecer o médium. As cidades de Pedro Leopoldo e Uberaba estão no coração de Chico em igual plano, como ele sempre disse. Seu amor pelas duas cidades é assim justificado por ele: "Pedro Leopoldo é meu berço e Uberaba é minha bênção".


Produção Literária


No ano de 1932, saiu, publicado pela FEB, o seu primeiro livro, o até hoje famoso e discutido Parnaso de Além-Túmulo; sua produção, então, não teve mais fim, enquanto o médium esteve entre nós. Foi autor de 412 obras, várias delas traduzidas e publicadas em espanhol, esperanto, francês, inglês, japonês, grego etc.

Portador de uma moral ilibada, de uma humildade impressionante e de uma simplicidade incontestável, Chico Xavier jamais auferiu vantagens, de qualquer espécie, ou se apropriou de qualquer privilégio advindo da sua incomparável mediunidade.

Sua vida privada e pública tem sido objeto de toda especulação possível, na informação falada, escrita e televisionada; acusações e críticas ferinas foram por ele suportadas com o exemplo do verdadeiro espírita.

Viajou com o médium Waldo Vieira aos Estados Unidos e à Europa, onde visitaram a Inglaterra, a França, a Itália, a Espanha e Portugal, sempre a serviço da Doutrina Espírita.

Homenagens que Recebeu


Chico Xavier é hoje uma figura de projeção nacional e internacional, suas entrevistas despertam a atenção de milhares de pessoas, mesmo alheias ao Espiritismo; em todas as oportunidades em que esteve em programas de TV, respondendo a perguntas das mais diversas, pautou suas respostas pelos postulados espíritas. Foi homenageado com o título de Cidadão Honorário de várias cidades: São José do Rio Preto, São Bernardo do Campo, Franca, Campinas, Santos, Catanduva, em São Paulo; Uberlândia, Araguari e Belo Horizonte, em Minas Gerais; Campos, no Estado do Rio de Janeiro etc.

Foi eleito o “Mineiro do Século”, superando até mesmo personagens de destaque na história do Brasil e do mundo, como Santos Dumont, o pai da aviação. Além disso, a grande prova do reconhecimento popular pelo seu trabalho foi a forte campanha realizada para que recebesse o prêmio Nobel da Paz em 1981. Nesse encalço, aproximadamente dez milhões de brasileiros endossaram a campanha, assinando manifestos e cartas.


A Morte de Chico Xavier


Chico voltou à pátria espiritual na noite de 30 de junho de 2002, da maneira que sempre dissera que gostaria de morrer: em dia de alegria para o povo brasileiro. Foi atendido em seu propósito, visto que exatamente nessa data o Brasil conquistava a Copa do Mundo de Futebol pela quinta vez, num domingo inesquecível. Tinha 92 anos de idade, estava com vários problemas de saúde e teve uma parada cardíaca; Chico completaria 75 anos de atividade mediúnica no dia 8 de julho de 2002.

Só nos resta agradecê-lo por tudo que fez em benefício de toda a humanidade e dizer do fundo dos nossos corações saudosos:

"Muito obrigado, amigo Chico".

Biografia Resumida do portal O Consolador

quarta-feira, 1 de abril de 2020

Especial do Mes

Nesse mês, o blog Manancial de Luz homenageia a Chico Xavier (02/04/1910 – 30/06/2002), pela passagem do seu nascimento com o especial “Chico Xavier, um Homem chamado Amor”. Nele, divulgaremos uma seleção de algumas de suas mensagens e textos que contam sua tragetória e falam um pouco mais desse importante expoente espírita que se tornou um dos maiores e mais admirados médiuns psicógrafos de todos os tempos.

segunda-feira, 30 de março de 2020

Coronavírus: Como lavar as mãos

Você sabia que uma simples lavagem de mãos pode ser alternativa eficaz na prevenção de infecções graves? De acordo com orientações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o ato de lavar as mãos corretamente impede o risco de transmissões cruzadas de microorganismos, entre eles, o coronavírus (Covid-19).

“A lavagem das mãos deve acontecer de acordo com as superfícies com que a pessoa entra em contato, ser feita com água e sabão e durar pelo menos 1 minuto”, orienta Pedro Pinheiro Bessa, médico do Hospital São José de Doenças Infecciosas. Para o álcool 70% em gel ou solução, a orientação é friccionar as mãos pelo menos por 20 segundos.

O ator Luciano Amaral postou um vídeo em seu instagram ressaltando uma das medidas importantes de prevenção à pandemia do coronavírus e demonstra a maneira correta de lavar as mãos. O legal é que ele, aos poucos, vai se transformando no personagem mais marcante de sua carreira, “Pedro”, do Castelo Rá-Tim-Bum, dos anos 90. Destaque também para a trilha sonora com a música Lavar as Mãos, de Arnaldo Antunes.

sábado, 28 de março de 2020

Especial: Coronavirus – saiba como ajudar



Prezados visitantes,

O Coronavírus é uma família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus foi descoberto em 31/12/19 após casos registrados na China. Provoca a doença chamada de coronavírus (COVID-19). Os primeiros coronavírus humanos foram isolados pela primeira vez em 1937. No entanto, foi em 1965 que o vírus foi descrito como coronavírus, em decorrência do perfil na microscopia, parecendo uma coroa. Atualmente ela tornou-se uma pandemia e vem ceifando a vida de milhares de pessoas no nosso planeta.

Com base em dados atuais, no Brasil o Ministério da Saúde já confirmou 92 mortes por coronavírus (Covid-19), e 3.417 pessoas contaminadas ―a taxa de letalidade do vírus Sars-Cov-2 no território brasileiro é de 2,7%.

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse que o sistema de saúde do Brasil entrará em colapso no fim de abril, por conta da proliferação do coronavírus. “O colapso é quando você tem o dinheiro, o plano de saúde, a ordem judicial, mas não tem onde entrar para se tratar”, explicou ele, durante videoconferência ao lado do presidente Jair Bolsonaro e de empresários. Além de todo esse cenário, existe também a população mais pobre que com pouca informação, vive em ambientes superlotados e sem condições de seguir recomendações como comprar álcool em gel, estocar comida ou trabalhar de casa; esses com certeza leitores, serão as principais vítimas do novo coronavírus no Brasil.

Pensando nisso, fiz um apanhado nas redes sociais de alguns dos endereços oficiais de doações para compartilhar com vocês. Vamos juntos nessa corrente para vencermos essa pandemia que atualmente vem assolando o nosso planeta.

FUNDO EMERGENCIAL PARA A SAÚDE - CORONAVÍRUS BRASIL

DOE E APOIE A SAÚDE PÚBLICA AGORA

Superar a pandemia depende de um compromisso de toda sociedade!

Criado por um grupo de lideranças da sociedade civil comprometida com o investimento social, o FUNDO tem dois objetivos principais: mobilizar a comunidade filantrópica/sociedade brasileira a doar para o fortalecimento do sistema público de Saúde do Brasil e criar um canal rápido, fácil e confiável para fazer com que os recursos financeiros cheguem a hospitais públicos e instituições de ciência e tecnologia que estão na linha de frente do combate ao Coronavírus.

Acesse aqui para doar.

Cufa arrecada recursos para ajudar favelas


Em outra frente, a Central Única de Favelas (Cufa), organização que atua em favelas de todo o país, organizou uma vaquinha online para angariar recursos, que serão utilizados em programas de prevenção e mitigação da epidemia nas localidades em que ela atua.

Com mais de três décadas de atuação, essa é a primeira vez que a Cufa pede doações. “A situação é muito séria. Muitos moradores de favela ainda não caíram na real e não estão cumprindo a quarentena como deveriam”, afirma Claudia Rafael, coordenadora da Cufa de Paraisópolis, em São Paulo. “Estamos colocando toda a nossa força na conscientização deles, para que juntos a gente possa vencer mais essa luta”.

As favelas brasileiras concentram cerca de 15 milhões de moradores. ““O Coronavírus está preocupando toda a sociedade e a favela não está imune a ele”, diz Celso Athayde, um dos fundadores de entidade. A Cufa também está realizando uma pesquisa sobre o impacto do coronavírus nessas comunidades, em parceria com o Data Favela, empresa de pesquisas que faz parte da Favela Holding, grupo de empresas com atuação em favelas criado por Athayde. “Nosso objetivo é indicar soluções para que estes territórios sofram o menos possível”, afirma.


Saiba como doar


Para contribuir com o Fundo Emergencial de Saúde – Coronavírus Brasil, é preciso acessar o site https://www.bsocial.com.br/causa/fundo-emergencial-para-a-saude-coronavirus-brasil.

No endereço a Cufa disponibiliza duas formas de doação, diretamente ou por meio de uma plataforma de financiamento coletivo.

Recebimento de doações/ Bahia


Pessoas interessadas em fazer doações para ações sociais para pessoas em situação de rua e vulnerabilidade social em Salvador em meio à crise do novo coronavírus podem realizar a ação através da conta corrente do Fundo Municipal de Assistência Social (FMAS), criado pela Secretaria de Promoção Social e Combate à Pobreza (Sempre). A intenção da gestão municipal é reforçar e ampliar as ações voltadas às pessoas em situação de rua.

As doações em dinheiro podem ser feitas no Banco do Brasil (operação 001), na agência 3832-6 e conta-corrente 930254-9. A conta está nominada como FMAS/Doações, que possui o CNPJ 14.999.107/0001-08.

A prefeitura informa que os recursos da conta do FMAS darão suporte aos trabalhos socioassistenciais para pessoas em situação de rua e vulnerabilidade social em Salvador. As doações em dinheiro serão destinadas para compra de materiais e para custeio de serviços relacionados a procedimentos para o combate ao Covid-19.

Doações a saúde:


Foi publicado edital para recebimento de doações de pessoas físicas ou jurídicas que tenham interesse em doar bens e valores pecuniários para a Administração Pública Estadual. As doações visam à prevenção, controle e contenção de riscos, danos e agravos à saúde pública provocada pela pandemia da Doença Infecciosa Viral COVID-19, que resultou na declaração de Situação de Emergência em todo o território baiano. Pode participar da Manifestação de Interesse qualquer pessoa física ou jurídica, nacional ou estrangeira, observando os termos do edital. As manifestações deverão ser apresentadas por meio eletrônico, através do e-mail doacoes@saude.ba.gov.br, mediante o envio de documentos.

Acesse aqui o edital

quinta-feira, 26 de março de 2020

Quem é o Espírito de Verdade?

Encontramos na Codificação Espírita diversas mensagens atribuídas ao Espírito de Verdade, e sabemos que Ele é o mentor responsável pela vinda da veneranda Doutrina Espírita e atuou diretamente no período da Codificação, inspirando Allan Kardec e dirigindo espiritualmente sua tarefa. Há, no meio espírita, basicamente, três posicionamentos sobre quem seria o Espírito de Verdade: a que seria o próprio Cristo; a que seria João Batista ou a que seria um grupo de Espíritos elevados atuando sob a égide do Cristo. Assista a uma reflexão sobre o tema no programa Caminhando com Jesus, com Jack Darsa.

terça-feira, 24 de março de 2020

Kardec, sempre


Por Simone M. de Almeida Prado

Assim como todas as ciências têm suas bases, pontos de partida sem os quais qualquer conhecimento sucumbe por carência de fundamentação, a ciência espírita tem suas bases sedimentadas a codificação feita por Allan Kardec. A observação e a experimentação, aliadas aos métodos dedutivo e indutivo, perpassados pelo crivo indispensável da razão, foram os instrumentos consagrados pelo codificador para sustentar o grandioso edifício da Doutrina Espírita.

Como o próprio nome diz, a Doutrina é dos Espíritos. Kardec, orientado pelos Espíritos Superiores, reuniu magistralmente os ensinamentos dos Espíritos, conjugando ciência, filosofia e religião, conferindo força e autoridade à Doutrina. Daí concluirmos que não há Espiritismo sem as obras codificadas por Kardec. E isso está claro como água cristalina, ao menos para os que compreenderam as obras básicas.

Todavia, muito se proclama que Kardec vivia em outros tempos, que usou a terminologia e os conceitos de sua época, por isso seu trabalho, no todo ou em parte, jaz ultrapassado. De tão equivocada e pretensiosa alegação, surgem ideias cada vez mais audaciosas. Todas, portanto, nascidas da incompreensão do Espiritismo, o grande desconhecido, como dizia J. Herculano Pires. Ao sabor de levianas interpretações, as bases sofrem sérios abalos e rupturas. Um erro abre espaço a erros ainda maiores e assim, pouco a pouco, caminha-se para a extinção completa dos ensinamentos principais. Não há conhecimento real que encontre suporte confiável partindo de premissas distantes da razão, que o bom senso recomenda.

E bom senso pede coerência com os preceitos contidos na codificação, a fim de evitar que misticismos e engodos, que tanto dificultam a marcha do progresso, sufoquem a boa semente, como foi feito com o Cristianismo em outros tempos. Nem mesmo a caridade, que no Espiritismo encontra seu verdadeiro significado à luz das palavras do Cristo, autoriza a cumplicidade com o erro, com os desvios em nome dessa virtude.

Não há dúvidas de que o Espiritismo, tendo sua natureza progressiva, evoluirá. No entanto, é indispensável compreender que essa evolução não dispensa as bases traçadas pelos Espíritos Superiores e codificadas por Allan Kardec. Aceitar práticas e "novas revelações" estranhas e incoerentes com os ensinamentos espíritas equivale a negligenciar todo o trabalho arquitetado minuciosamente nos Planos Superiores.

A Terceira Revelação restaura os ensinamentos puros de Jesus, comprometidos com a Verdade plena e destinados a libertar as consciências das trevas da ilusão. Toda e qualquer revelação nova, portanto, será acrescentada pela Espiritualidade Maior, no devido tempo, de forma a jamais desdizer o que fora demonstrado sob a supervisão do Governador do planeta, nosso Mestre Jesus. Por isso o trabalho de Kardec nunca será ultrapassado, pois dele a Espiritualidade se serviu para relembrar os ensinamentos cristãos na sua mais fiel interpretação.

domingo, 22 de março de 2020

A Razão de Ser do Espiritismo


Quando o obscurantismo da fé dominava as mentes, levando-as ao fanatismo desestruturador da dignidade e do comportamento; quando a cultura, enlouquecida pelas suas conquistas no campo da ciência de laboratório, proclamava a desnecessidade de qualquer preocupação com Deus e com a alma, face à fragilidade com que se apresentavam no proscênio do mundo; quando a filosofia divagava pelas múltiplas escolas do pensamento, cada qual mais arrebatadora e irresponsável, inculcando-se como portadora da verdade que liberta o ser humano de todos os atavismos e limitações; quando a arte rompia as ligações com o clássico, o romântico e a beleza convencional, para expressar-se em formulações modernistas, impressionistas, abstracionistas, traduzindo, ora a angústia da sua geração remanescente dos atavismos e limitações do passado, ora a ansiedade por diferentes paradigmas de afirmação da realidade; quando se tornavam necessários diversos comportamentos sociais e políticos para amenizar a desgraça moral e econômica que avassalava a Humanidade; quando a religião perdia o controle sobre as consciências e tentava rearticular-se para prosseguir com os métodos medievais ultramontanos e insuportáveis; quando as luzes e as sombras se alternavam na civilização, surgiu o Espiritismo com a sua razão de ser para promover o homem e a mulher, a vida e a imortalidade, o amor e o bem a níveis dantes jamais alcançados.

Realizando uma revolução silenciosa como poucas jamais ocorridas na História, tornou-se poderosa alavanca para o soerguimento do ser humano, retirando-o do caos do materialismo a que se arrojara ou fora atirado sem a menor consideração, para que adquirisse a dignidade ética e cultural, fundamentada na identificação dos valores morais, indispensável para a identificação dos objetivos essenciais e insuperáveis da paz interna e da consciência de si mesmo durante o trânsito corporal.

Logo depois, no Collège de France, proclamando ser Jesus um homem incomparável, no seu memorável discurso, o acadêmico e imortal Ernesto Renan confirmava, a seu turno, embora sem qualquer contato com a Doutrina nascente, a humanidade do Rabi galileu, rompendo a tradição dogmática do Homem Deus ou do ancestral Deus feito homem.

Sob a ação do escopro inexorável das informações de além-túmulo, o decantado repouso ou punição eterna, o arbitrário julgamento mais punitivo que justiceiro, cediam lugar à consciência da vida exuberante que prossegue morte afora impondo a cada qual a responsabilidade pela conduta mantida durante a trajetória encerrada.

As narrações da sobrevivência tocadas pela legitimidade dos fatos, fundamentadas na lógica da indestrutibilidade do ser espiritual, davam colorido diferente às paisagens da Eternidade, diluindo as fantasias e mitos que as adornaram por diversos milênios.

Permitiu que o ser humano se redescobrisse como Espírito imortal que é, preexistente ao berço e sobrevivente ao túmulo, facultando-lhe compreender a finalidade existencial, que é imergir no oceano do inconsciente, onde dormem os atos pretéritos e as construções que projetam diretrizes para o momento e o futuro, a fim de diluir as volumosas barreiras de sombra e de crueldade a que se entregou e que lhe obnubila a compreensão da sua realidade, emergindo em triunfo, para que lobrigue a imarcescível luz da verdade que o há de conduzir pelos infinitos roteiros do porvir.

Intoxicado pelos vapores da organização fisiológica, mergulhado em sombras que lhe impedem o discernimento, vagando pelos dédalos intérminos da busca da realidade, somente ao preço da fé raciocinada e lógica, portadora dos instrumentos que se derivam dos fatos constatados, o homem e a mulher podem avançar com destemor pelas trilhas dos sofrimentos inevitáveis, que são inerentes à sua condição de humanidade, vislumbrando níveis mais nobres que devem ser conquistados.

O Espiritismo traçou novos programas para a compreensão da vida e a mais eficaz maneira de enfrentá-la, desafiando o materialismo no seu reduto e os materialistas no seu cepticismo, oferecendo-lhes mais seguras propostas de comportamento para a felicidade ante as vicissitudes do processo existencial.

Não se compadecendo da presunção dos vazios de sentimento e soberbos de conhecimentos em ebulição de ideias, demonstrou a sua força arrastando desesperados que foram confortados, violentos que se acalmaram, alucinados que recuperaram a razão, delinquentes que volveram ao culto do dever, perversos que se transformaram, ateus que fizeram as pazes com Deus, ingratos que se reabilitaram perante os seus benfeitores, miseráveis morais que se enriqueceram de esperança e de alegria de viver, construindo juntos o mundo de bem-estar por todos anelado.

O Espiritismo trouxe a perfeita mensagem da justiça divina, por enquanto mal traduzida pela consciência humana, contribuindo para a transformação da sociedade, mas sem a revolução sangrenta das paixões em predomínio, que sempre impõe uma classe poderosa sobre as outras que são debilitadas à medida que vão sendo extorquidos os seus parcos recursos até a exaustão das suas forças, quando novas revoluções do mesmo gênero explodem, produzindo desgraça e ódios que nunca terminam...

Trabalhando a transformação moral do indivíduo, propõe-lhe o comportamento solidário e fraternal, a aplicação da justiça corretiva e reeducativa quando delinqui, conscientizando-o de que as suas ações serão também os seus juízes e que não fugirá de si mesmo onde quer que vá.

Todo esse contributo moral foi retirado do Evangelho de Jesus, especialmente do Seu Sermão da montanha, no qual reformulou os valores humanos até então aceitos, demonstrando que forte não é o vencedor de fora, mas aquele que vence a si mesmo, e poderoso, no seu sentido profundo, não é aquele que mata corpos, mas não é capaz de evitar a própria morte.

Revolucionando o pensamento ético e abrindo espaço para novo comportamento filosófico, a Sua palavra vibrante e a Sua vivência inigualável, colocaram as pedras básicas para o Espiritismo no futuro alicerçar, conforme ocorreu, os seus postulados morais através da ética do amor sob qualquer ponto de vista considerado.

Nos acampamentos de lutas que se estabeleciam no Século XIX, quando a ciência e a razão enfrentavam a fé cega e a prepotência das Academias e dos seus membros fascinados como Narciso por si mesmo, o Espiritismo surgiu como débil claridade na noite das ambições perturbadoras e lentamente se afirmou como amanhecer de um novo dia para a Humanidade já cansada de aberrações de conduta como fugas da realidade e sonhos de poder transitório, transformados em pesadelos de guerras infames, cujas sequelas ainda se demoram trucidando vidas e dilacerando sentimentos.

A razão de ser do Espiritismo encontra-se na sua estrutura doutrinária, diversificada nos seus aspectos de investigação científica ao lado das demais correntes da ciência, do comportamento filosófico com a sua escola otimista e realista para o enfrentamento do ser consigo mesmo e da vivência ético-moral-religiosa que se estrutura em Deus, na imortalidade, na justiça divina, na oração, na ação do bem e sobretudo do amor, única psicoterapia preventiva-curativa à disposição da Humanidade atual e do futuro.

Victor Hugo

Psicografia de Divaldo Pereira Franco, no dia 7 de junho de 2001, em Paris, França.

sexta-feira, 20 de março de 2020

A História do Espiritismo – Allan Kardec

A história do espiritismo é uma dramatização em áudio produzida pelo médium e escritor espirita, Jorge Rizzini. Nela podemos conhecer um pouco mais sobre os fatos e pesquisas realizadas por Allan Kardec que culminaram na codificação da doutrina dos espíritos.

quarta-feira, 18 de março de 2020

Entrevista com Marcelo Gulão Pimentel

“O historiador, espírita ou não, deve ter compromisso com a verdade”

Autor da Dissertação de Mestrado intitulada: “O Método de Allan Kardec para Investigação dos Fenômenos Mediúnicos”, o confrade fala-nos sobre o objeto de sua pesquisa. Marcelo Gulão Pimentel (foto) nasceu na cidade de Magé (RJ) e reside atualmente em Juiz de Fora-MG. É membro do NUPES-Humanas, grupo de estudos do Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde (NUPES) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) dedicado a História e Filosofia das Pesquisas em Espiritualidade. Professor de História e coordenador das disciplinas Sociologia e Filosofia do Colégio Naval (RJ), é autor da Dissertação de Mestrado intitulada: “O Método de Allan Kardec para Investigação dos Fenômenos Mediúnicos (1854-1869)”.

Marcelo conversou conosco:

O que o levou a pesquisar o método utilizado por Allan Kardec quando da Codificação da Doutrina Espírita?

Em primeiro lugar, porque Allan Kardec pode ser considerado um dos pioneiros na investigação dos fenômenos mediúnicos, sendo um influente intelectual que indiretamente proveu psicólogos e psicopatologistas com novas abordagens da mente humana, tornando o médium passível a investigações por parte da Psicologia Experimental. Em segundo lugar, porque apesar de Allan Kardec ser o escritor francês mais lido no Brasil, de o Espiritismo ser o terceiro maior grupo religioso do país e de existirem diversos trabalhos acadêmicos sobre o tema, o método de Allan Kardec para elaboração do Espiritismo ainda é pouco conhecido tanto no meio espírita quanto no meio acadêmico.

É possível estabelecer um parâmetro diferenciador entre os estudos empreendidos por Allan Kardec e os textos mediúnicos que a ele chegavam?

Sim. Podemos entender os textos mediúnicos como a matéria-prima de seu trabalho. Mais do que um sistematizador, ou codificador do Espiritismo, Kardec se destacava como pesquisador ativo na busca e análise de informações que compuseram os princípios do Espiritismo. É o que pudemos observar nas primeiras doze edições da Revista Espírita, onde é possível perceber seu método. Os médiuns eram tidos como um meio de acesso direto a dados empíricos a respeito do mundo espiritual, e para se assegurar da credibilidade dos dados coletados, ele procurou ampliar sua base de informações utilizando diversos médiuns, de diferentes contextos geográficos, muitas vezes desconhecidos uns dos outros. No decorrer de sua pesquisa, Kardec contou com um número cada vez maior de correspondentes (no início contava com cerca de treze médiuns, enquanto em 1864 relatava contar com correspondentes de cerca de mil centros espíritas), o que foi de grande importância na obtenção do grande número de relatos mediúnicos diversificados com os quais ele criou, desenvolveu e reformulou os seus princípios acerca do mundo espiritual. Kardec enfatizava a descrição e a interpretação do conteúdo das mensagens obtidas durante o transe mediúnico, comparando semelhanças e diferenças entre elas em busca de informações úteis que pudessem integrar sua teoria. Ele dava uma grande ênfase na análise do conteúdo das informações, sendo menos relevante a autoria das mensagens. Kardec se utilizava de casos históricos acerca dos fenômenos mediúnicos e também de pesquisas de campo, visitando médiuns e locais onde as manifestações espirituais se davam. Através da observação dos fenômenos, Kardec discutiu as principais teorias propostas à época para explicar experiências espirituais e psíquicas, teorias que ainda são debatidas pela psicologia e pela medicina na atualidade.

Como os espíritas acadêmicos podem conciliar sua opção doutrinária com os métodos muitas vezes céticos que encontramos nas Universidades?

Acho importante que os acadêmicos, céticos e espiritualistas saibam diferenciar ciência de seus pressupostos metafísicos. A concepção espiritualista é um pressuposto metafísico, bem como o materialismo. Cabe aos acadêmicos pensar a ciência como um método que sugere a investigação racional com base empírica, livre de dogmas e aberta a todo tipo de investigação ancorada nesses elementos. É certo que há acadêmicos que misturam seus pressupostos metafísicos com a ciência, mas se o pesquisador se propõe a um estudo embasado no rigor científico, ele terá espaço na academia.

Em sua opinião a Codificação necessita revisões periódicas e, nesse caso, como empreendê-las?

Sim. Acredito que todas as obras de grande alcance científico, filosófico e moral necessitam de revisões periódicas para que elas possam oferecer respostas às demandas de nossa sociedade, que está em constante transformação. Para uma revisão do Espiritismo, acredito ser necessário analisar toda a obra de Kardec, principalmente a Revista Espírita. Os princípios que compõem os escritos de Kardec evoluem com o tempo e estão vinculados ao momento histórico do período. Dessa forma, os escritos de Kardec devem ser entendidos em sua unidade.

A Revista Espírita ainda é bastante desconhecida do público que frequenta os Centros Espíritas. Por que isso acontece e quais implementos deveriam ser dados para que ela seja mais estudada?

Acredito que o motivo para o pouco conhecimento da Revista Espírita pelo público que frequenta os Centros Espíritas seja o fato de a tradução dos volumes realizados pela FEB seja de 2004. Penso que a criação de grupos de estudos sistematizados voltados à Revista Espírita poderia contribuir nesse ensejo. (1)

Você esteve na França coletando dados e informações para elaborar seu trabalho de pesquisa. O que mais chamou sua atenção quando lá esteve em se tratando de busca de dados espíritas?

É interessante ressaltar a carência de dados sobre Kardec e o Espiritismo. Mesmo entre os historiadores franceses especializados no século XIX, não há muitas informações. Felizmente, pude contar com a ajuda de pessoas como Charles Kempf, que prestou grande auxílio e orientação nessa busca.

Qual a diferença entre os estudos científicos tradicionais e os estudos científicos empreendidos por Allan Kardec quando da Codificação do Espiritismo?

Penso que as ciências positivas do século XIX (física e química, principalmente) ressaltam a importância do experimento em seus estudos. Segundo Kardec, o Espiritismo não era da alçada da ciência por analisar um objeto (Espíritos) que não estava sujeito a estudos experimentais por se tratarem de seres inteligentes não sujeitos aos caprichos do homem, e, por conseguinte, das experiências de laboratório. Kardec enfatizava que o Espiritismo era uma ciência de observação que requer condições especiais para sua análise. Kardec lançava mão de diversos métodos para investigação dos fenômenos mediúnicos como a análise do conteúdo das mensagens psicografadas, a comparação com outras mensagens de regiões distintas atribuídas ao mesmo Espírito, pesquisas de campo para observação direta dos fenômenos, investigação de fenômenos semelhantes ocorridos na história, análise de interpretações divergentes sobre as manifestações etc. Atualmente, esses aspectos são integrantes da metodologia de diversas disciplinas acadêmicas consideradas ciências, como a História, a Sociologia e a Psicologia.

Fora do meio espírita existem pesquisadores sérios em assuntos tanto dos fenômenos mediúnicos quando nos estudos sobre saúde e espiritualidade. Onde o ponto de convergência entre eles e o Espiritismo?

Pensando no Espiritismo desenvolvido por Kardec, o ponto de convergência entre eles está no objetivo de sua investigação, ou seja, na busca de uma explicação para os fenômenos mediúnicos e suas possíveis implicações.

Qual o seu destaque para o método de pesquisa e trabalho de Allan Kardec?

Destaca-se a forma como Kardec aplica o seu método na formulação dos princípios do Espiritismo. É possível acompanhar por meio da Revista Espírita como sua investigação sistemática das mensagens escritas por médiuns distintos, atribuídas a Espíritos de diferentes ordens sociais e estágios morais do estado da alma após a morte, conduziu para o desenvolvimento de sua teoria das sensações dos Espíritos. Por outro lado, também é possível acompanhar como Kardec rejeita, em um primeiro momento, a existência da possessão espiritual, para depois de uma extensa investigação despertada pelo episódio dos possessos de Morzine retificar sua opinião e aceitar a possibilidade de um Espírito se apoderar do corpo de outro.

Você defendeu sua tese dissertação de mestrado na Universidade Federal de Juiz de Fora com foco para o método utilizado por Allan Kardec para a investigação dos fenômenos mediúnicos. A que conclusão chegou com tão relevante estudo?

A primeira constatação desse estudo é a de que Kardec merece ser lembrado como um intelectual francês que desenvolveu pesquisas pioneiras sobre a mediunidade no século XIX.

Utilizando-se de sua vasta erudição, como professor, escritor e membro de diversas sociedades científicas, Kardec realizou uma ampla abordagem da causa dos fenômenos psíquicos surgidos a partir das mesas girantes. Ele propôs uma abordagem empírica e racional para o assunto, até então considerado metafísico, na qual foram produzidas várias discussões pertinentes sobre aspectos epistemológicos e metodológicos de exploração dos fenômenos mediúnicos.

Allan Kardec não parece ter sido apenas um "codificador" das comunicações mediúnicas, um compilador de documentos oriundos de diversas fontes em uma só obra. Em sua metodologia, é marcante a presença da observação empírica. Um aspecto central do trabalho de Kardec foi a busca de “naturalização” da dimensão espiritual, que era tida como parte da natureza, regida por leis naturais passíveis de serem investigadas cientificamente. As comunicações mediúnicas eram interpretadas como evidências empíricas analisadas por meio de métodos qualitativos, em que eram avaliadas a sua utilidade e a replicabilidade das informações a partir do que chamou de controle universal das informações dos Espíritos. Com este método, Kardec elaborou os princípios fundamentais do Espiritismo. Percebe-se também o processo de construção gradual e de reformulação das teorias explicativas com base nas observações empíricas das experiências mediúnicas. Ao reconstruirmos os elementos constituintes do ensaio teórico das sensações dos Espíritos e da possessão, percebemos como Kardec utilizava as informações obtidas nos fenômenos mediúnicos para o desenvolvimento e teste de suas hipóteses. Sem tomar esses depoimentos como verdades absolutas, ele abria a possibilidade de revisão dos seus conceitos, quando novas evidências contrariassem hipóteses já estabelecidas. O caso da possessão é um dos mais ilustrativos exemplos.

Como foi demonstrado, durante os últimos 15 anos de sua vida, em que ele se dedicou ao estudo da mediunidade, Kardec desenvolveu uma investigação sistemática dos fenômenos que se mostra mais sofisticada do que é perceptível à primeira vista em seus livros. Parte substancial dos seus livros são apresentações didáticas da “filosofia espírita”, das conclusões teóricas de seus estudos, bem como seus aspectos racionais.

Tais investigações são relevantes porque preenchem uma importante lacuna na história da psiquiatria, da psicologia, da parapsicologia e das religiões. Existe um campo vasto a ser explorado. Um melhor entendimento pode oferecer novas perspectivas para o conhecimento sobre as relações entre ciência e espiritualidade no século XIX, bem como o resgate de seus aspectos metodológicos pode contribuir para novos estudos no tema por pesquisadores atuais.

Fale-nos um pouco sobre o Programa de Pós-Graduação em Saúde Brasileira da Universidade Federal de Juiz de Fora.

Minha pesquisa foi desenvolvida em um dos núcleos de pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Saúde Brasileira da Universidade Federal de Juiz de Fora. O Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde (NUPES) visa gerar estudos acadêmicos nessa área através de um grupo interdisciplinar que envolve psiquiatras, psicólogos, filósofos, sociólogos e historiadores, que têm por objeto aspectos das relações entre saúde e espiritualidade, entendida como algo referente ao domínio do espírito, à dimensão não material ou extrafísica da existência. Este grupo já produziu diversos trabalhos de alcance internacional que podem ser baixados através do site www.ufjf.br/nupes.

Qual deve ser o papel do historiador espírita?

Prefiro utilizar o termo historiador do Espiritismo, pois um historiador espírita pode não querer estudar sobre o Espiritismo e um historiador do Espiritismo pode não ser espírita, nem precisa ser simpatizante do Espiritismo. Contudo, aquele que deseja estudar o Espiritismo deve ter o compromisso com o rigor científico que uma abordagem histórica deve ter em qualquer trabalho. Ainda que seja espírita, um historiador não deve deixar de abordar um ponto que possa ser interpretado como nocivo ao Espiritismo. O historiador, sendo ele espírita ou não, deve ter compromisso com a verdade que os fatos revelam.

Ciência, Filosofia, Religião. Este tripé de sustentação da Doutrina Espírita às vezes é questionado. Uns querem mais a ciência, outros a religião. O tema é histórico, uma vez que a discussão vem dos primórdios do Espiritismo no Brasil. Qual a sua posição neste assunto?

O Espiritismo é uma religião bem estabelecida no Brasil, com milhões de adeptos que a entendem dessa forma. Acredito que a questão decorre do fato de que os aspectos científicos são, atualmente, pouco estudados.

Muito obrigado e, por favor, deixe-nos suas palavras finais.

Agradeço pelo espaço e fica o convite para que outras pessoas busquem estudar o Espiritismo com mais profundidade. Existe um vasto campo de pesquisa nessa temática que pode ser explorado academicamente em diversas áreas do conhecimento.(2)

Notas:

(1) É importante lembrar que faz 50 anos que a EDICEL publicou a coleção da Revue Spirite traduzida para o idioma português por Júlio Abreu Filho. Com base nessa tradução, publicamos nesta revista nas edições 37 a 208 o estudo metódico e sequencial dos 12 volumes publicados no período de 1858 a 1869. Clicando em http://www.oconsolador.com.br/37/estudandoasobrasdekardec.html o leitor terá acesso ao texto que deu início a esse estudo. (Nota da Redação)

(2) Para contato com Marcelo Gulão Pimentel, eis seu endereço eletrônico: mgulao@yahoo.com.br
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