sábado, 17 de agosto de 2013

O “Homem Biônico” na Expectativa Espírita


Recentemente o Museu da Ciência de Londres exibiu um protótipo de “homem biônico”, construído com órgãos e membros artificiais, provindos de várias partes do mundo. Richard Walker, perito em robótica, afiança que diversas próteses empregadas no “homem biônico” passaram por avaliações clínicas e são empregadas na vida real, a fim de aperfeiçoar a vida de deficientes físicos. John Maguire, repórter da BBC, descreve que é possível ouvir as palpitações cardíacas do “homem biônico” e ver seus órgãos funcionando.

Em Barcelona, há três anos, Neil Harbisson criou a Fundação Ciborgue, a fim de auxiliar pessoas a lidar com a incorporação de dispositivos tecnológicos (próteses) no corpo físico. Harbisson crê não haver nada mais humano do que usar tecnologia como parte do corpo. Há dez anos, ele próprio, que só enxerga o mundo em branco e preto, tem usado um "olho eletrônico" (semelhante a uma antena) acoplado à sua cabeça, interligado a um programa de computador que identifica e descreve as cores para o cérebro.

O renomado físico britânico Stephen Hawking foi diagnosticado, em 1963, com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) ou “doença de Charcot”, moléstia degenerativa que paralisa os músculos do corpo. Na década de 1980, foi capaz de usar pequenos movimentos do polegar para mover um cursor de computador de modo a escrever frases. Sua condição piorou mais tarde e teve de mudar para um sistema que detecta o movimento em sua bochecha direita, através de um sensor infravermelho instalado em seus óculos, que mede, por sua vez, mudanças na luz.

Em 2011, Hawking permitiu que analisassem seu cérebro empregando um dispositivo chamado iBrain, desenvolvido pela Neurovigil, com sede no Vale do Silício (EUA). Posteriormente, a Intel anunciou que havia começado a trabalhar na criação de um novo sistema de comunicação para Hawking, depois de um pedido do físico ao cofundador da empresa, Gordon Moore. A fabricante de chips desenvolveu um novo software de reconhecimento facial 3D para acelerar a velocidade com que Hawking pode escrever.
Imaginemos um braço ou uma perna biônicos que possam ser conectados inteiramente no sistema nervoso do homem. Isso poderá admitir que o cérebro domine o funcionamento de dispositivos tecnológicos e que seu portador receba impressões detectados por ele, como o calor de uma chama ou a compressão de um aperto de mão. Em verdade, controlar um cursor na tela de um computador usando apenas a mente e as descargas elétricas do cérebro não é nenhuma notícia inédita. Há muitos usos para essa tecnologia, incluindo o desenvolvimento de técnicas para restaurar a comunicação de pacientes que perderam a fala devido a danos cerebrais ou às suas cordas vocais. Os pesquisadores já utilizam os chamados implantes neurais para que pacientes possam "falar" diretamente com o computador.

As interfaces cérebro-computador normalmente usam implantes colocados no córtex motor - os pacientes movem o cursor pensando em mover um braço ou uma perna, por exemplo. Os chips neurais são implantados na superfície do cérebro de pessoas com epilepsia para rastrear a fonte dos disparos neuronais que causam as crises. Se estivéssemos na década de 1960, estaríamos assombrados com a tecnologia atual. Jazeríamos assustados seguramente ante o avanço científico dentro do qual a vida terrestre vai velozmente marchando para um futuro promissor.

"Tudo se deve fazer para chegar à perfeição e o próprio homem é um instrumento de que Deus se serve para atingir Seus fins. Sendo a perfeição a meta para que tende a Natureza, favorecer essa perfeição é corresponder às vistas de Deus.” (3) É evidente que a ciência coeva realiza façanhas surpreendentes em todas as esferas da matéria; contudo, urge que os nossos sentimentos permaneçam plugados com as leis do amor que o Cristo nos deixou. Os legítimos aspectos da evolução científica não serão exclusivamente o de uma automatização da realidade social, porém, principalmente, o de uma sociedade mais fraterna, pacata, em que o bem prepondere e em que todos tenham a probabilidade de desfrutar da tecnologia.

A Doutrina dos Espíritos vem cooperar na deteriorização do materialismo e no aprimoramento moral do homem, seja comprovando a vida espiritual, seja fornecendo conteúdo revolucionário para a instauração de uma sociedade reconstruída nos alicerces do amor ante os novos tempos que já se iniciam.

Agradeçamos as benesses que Deus outorga para aconchego e desenvolvimento material da sociedade, entretanto não negligenciemos a edificação moral, pois somente com esforço e disciplina moral obteremos sustentáculo psicológico e espiritual para resistirmos às requisições desta Nova Era que já bate palmas no portão do Planeta.

Desse modo, é imperioso solidarizar-nos e respeitar-nos uns aos outros, sem o que o avanço tecnológico e a comodidade terrena consistam em matriz de enfado e delito moral, e a conquista científica se erga em esplêndido castelo em que seguiremos padecendo sob o guante da dor e à míngua de amor. Avaliemos a ética com que será feita a escavação científica, as benfeitorias que possam trazer para o homem hoje ou no futuro.


Jorge Hessen

Publicado em Artigos Espíritas/ agosto de 2013.


Referências:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/videos_e_fotos/2013/07/130723_ciborgue_rp.shtml acesso em 10/08/13
O iBrain é um sistema que se assemelha a um fone de ouvido e registra as ondas cerebrais por meio de leituras de eletroencefalograma (EEG) a partir da atividade elétrica do couro cabeludo do usuário.
Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Perg. 692, RJ: Ed. FEB. 2001

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Atuação conjunta pelo Movimento Espírita


Antonio Cesar Perri de Carvalho, presidente da FEB, de forma interina desde maio de 2012 e efetivo a partir de março de 2013, foi entrevistado por Jorge Hessen para mídia eletrônica. Numa síntese, transcrevemos algumas questões relacionadas com o Movimento Espírita.

Jorge Hessen: Quais os grandes desafios vistos para o Movimento Espírita brasileiro?

Antonio Cesar Perri de Carvalho: Estamos vivendo vários desafios. A ideia de difundir o Espiritismo, na sua pureza, é um grande desafio, pois, conforme as várias orientações de Allan Kardec, sempre haveria alguma tendência natural de se valorizar pessoas, de se personalizar, e com isso, o que assistimos é que há uma diferença entre a proposta de Kardec e algumas práticas. Por exemplo, na Apresentação de O evangelho segundo o espiritismo, Allan Kardec esclarece que, a pedido da maioria dos médiuns, não os nomeou junto às mensagens, colocando apenas o nome dos Espíritos, a cidade e a data. Para o Codificador era mais importante o conteúdo das mensagens do que o nome do médium. Infelizmente, notamos que hoje em dia muitas pessoas, antes de ler o texto, querem saber primeiro quem é o médium, ou seja, inverte-se a situação.

Urge buscar, acima de tudo, a coerência doutrinária e maior compatibilidade com a base da Codificação em vez de ficarmos exaltando ou levantando fileiras em torno de médiuns A, B, C ou D, ou seja, temos que somar, independentemente de quem seja o médium, desde que a mensagem tenha coerência e esteja fundamentada nas obras de Kardec: esse é o grande desafio.

Jorge Hessen: Os princípios institucionalizados da Unificação inibem o ideário da união espontânea entre os espíritas?

Antonio Cesar Perri de Carvalho: A rigor, não. Em 1949, foi definido através do Pacto Áureo um itinerário de ação, dando origem ao CFN – Conselho Federativo Nacional –, que é composto pelas Entidades Federativas Estaduais com base na obra de Allan Kardec.Hoje em dia, dentro do contexto da ideia de união e de unificação, podemos perfeitamente estabelecer propostas de união e de parceria entre várias instituições, somando esforços; portanto não há necessidade, desde que haja propósitos comuns, de ficarmos na dependência de conceitos antigos de controles. Essa é a ideia.

Jorge Hessen: O modelo federativo foi idealizado por mentes superiores, não temos dúvidas. O crescimento do Espiritismo gera distorções e perda na qualidade da mensagem e da prática espírita – é fato – fenômeno sociologicamente explicável. Boa parte dos dirigentes de casas espíritas nem sempre valorizam as ações dos órgãos de Unificação, atribuindo-lhes caráter meramente administrativo, burocrático, com pouco sentido prático. Considerando a sua larga experiência doutrinária, como fundador de mocidade espírita, conselheiro e presidente da União Municipal Espírita de Araçatuba, membro fundador de Centro Espírita, diretor e presidente da USE-SP (União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo) e, por fim, presidente da Federação Espírita Brasileira, quais as ações que pretende desenvolver para aproximar a FEB das casas espíritas?

Antonio Cesar Perri de Carvalho: Vou me reportar à minha primeira experiência. Quando era muito jovem, assumi a presidência da União Municipal Espírita de Araçatuba (Umea) – órgão da USE-São Paulo. Naquele momento, lutei contra essas dificuldades, porque o Movimento de Unificação era recente, tinha apenas 20 anos (pós-Pacto Áureo). Nessas condições, havia certa confusão entre as lideranças espíritas, sobretudo de qual seria a função do órgão unificador.

Alguns tinham receio de que seria um órgão controlador ou fiscalizador. Por outro lado, havia muitas pessoas (jovens) no Movimento de Unificação que também pensavam assim, o que gerava muitos conflitos. As reuniões eram simplesmente administrativas; então, quando assumimos a presidência da Umea, dentro desse contexto, tornamos as reuniões minimamente administrativas e preponderantemente voltadas para diálogos, para as propostas de ação, juntando esforços, de tal modo que conseguimos descentralizar, fazendo as reuniões em rodízios pelos centros espíritas da cidade. Aproveitamos as experiências para que elas se tornassem coletivas.

Essa a ideia que, guardadas as devidas dimensões, ainda seguimos, embora atualmente exista uma abrangência gigantesca e um grau de complexidade muito maior, mas mantivemos essa postura para tornar mais dinâmicas as reuniões do CFN. Por exemplo, conseguimos suprimir a leitura de relatórios, e hoje as Federativas encaminham um relatório por meio de formulário eletrônico, que é transferido para DVD e distribuído. Desse modo, utilizamos a reunião para discutir planos de ação e, assim, avaliarmos situações que merecem ser debatidas para o desenvolvimento espírita. Entendemos que esse seja o melhor caminho.

Jorge Hessen: Proliferam no mercado editorial e nos meios de comunicação, em especial a Internet, obras ditas espíritas, de valor duvidoso, quando não atentatórias aos postulados doutrinários. Como a FEB, Casa Mater do Espiritismo, encara essa realidade e como pretende atuar no bom combate?

Antonio Cesar Perri de Carvalho: A FEB vive um problema, digamos, muito complexo, pois há obras bastante duvidosas e muito divulgadas no meio espírita. Se de um lado a FEB apontar os deslizes doutrinários, vão dizer que a Instituição vai passar ideias do Index Librorum Prohibitorum. Até mesmo na Internet surgem informações afirmando que a FEB fez essa proibição, o que não é verdade. Então, o procedimento que adotamos é o seguinte: evitamos, como Instituição, fazer críticas a qualquer obra, mas sugerimos a leitura das boas obras já consagradas, razão pela qual estamos difundindo cada vez mais a ideia de quão necessária é a leitura das obras de Kardec. Recentemente, foi aprovada a inserção de uma antiga campanha da USE “Comece pelo Começo”, ou seja, comece pelas obras de Kardec. Nós vamos introduzi-la também na FEB, junto a vários cursos, inclusive o Esde. Optamos por esse caminho para fazer a divulgação da Doutrina Espírita.

Jorge Hessen: Numa sociedade mercadológica/ mercantil em que eventos espíritas pagos em geral se apresentam em números cada vez maiores, qual deve ser a postura da FEB?

Antonio Cesar Perri de Carvalho: Estamos ultimamente bastante preocupados com isso, inclusive decidimos, por exemplo, que o 4º Congresso Espírita Brasileiro não seja realizado em Brasília, porque o custo da realização de um Congresso Brasileiro em Brasília é muito alto.

Realizaremos quatro congressos simultâneos e, pela estimativa que temos, quatro eventos terão um dispêndio financeiro menor comparado a um só realizado em Brasília; então a questão aí é clara: temos que pensar na simplificação, excluir qualquer ostentação e aplicar os recursos ao mínimo necessário.

Qual o cenário atual? Infelizmente, ainda não temos uma maneira adequada de angariar recursos ou forma de investimento de quem participa; porém, o que almejamos é minimizar os gastos. O procedimento que vamos adotar no 4o Congresso Espírita Brasileiro seguirá os moldes de uma experiência vivida em São Paulo, considerando os atuais congressos espíritas paulistas.

O inscrito, quando paga a taxa de participação, está simultaneamente comprando um “vale-livros”.

Dessa forma, com o valor do vale, ele vai retirar na livraria do Congresso aquele valor em livros. Então, ficará por conta das editoras trabalhar também com um custo baixo para que as pessoas se beneficiem com o Congresso e com a obra, levando ainda um livro ou mais de um livro.

Jorge Hessen: Com o advento dos tablet’s, PDA’s, leitores digitais e o grandioso espaço que a Internet propicia – vislumbrando um futuro próximo em que as novas gerações deixarão o papel de lado –, não seria oportuno a FEB estabelecer um programa permanente de disponibilização de novos livros e obras espíritas para download, a preços módicos, em seu site, instituindo até mesmo uma nova fonte de renda?

Antonio Cesar Perri de Carvalho: Começamos no segundo semestre de 2012 a disponibilizar para download livre, na Internet, as antigas apostilas da FEB e as obras da Codificação. O que está sendo estudado pela FEB Editora hoje é disponibilizar para download, por um preço acessível e com um selo de garantia da FEB, os demais livros.

O que está ocorrendo? Há uma constatação de que quase todos os livros espíritas que estão disponíveis na Internet para downloads não são autorizados. Já verificamos também livros da FEB disponíveis para download com várias incorreções: incompletos, parágrafos e capítulos suprimidos, ou seja, a pessoa que acessa essas obras está sujeita a ser enganada. Desta forma, o único caminho hoje, e não adianta discutirmos, é disponibilizá-los para download com preço acessível e o selo febiano de garantia.

Jorge Hessen: Será que livros gratuitos na Internet gerariam impacto financeiro, em se tratando de uma prática comum atualmente? Será que os livros virtuais não dariam maior visibilidade ao Portal da FEB, ou seja, não tornaria o site uma robusta ferramenta de divulgação da Nova Luz para o mundo?

Antonio Cesar Perri de Carvalho: Considerando os livros virtuais, bem como as assinaturas de revistas, a FEB já disponibiliza a assinatura digital de Reformador. A pessoa interessada pode escolher entre a assinatura digital e a assinatura digital e impressa. No caso dos livros, é o caminho do futuro, e pelas tendências do mercado, isso não inviabiliza a impressão. Fica às vezes muito complicado termos um livro, por exemplo, para ser lido ou acessado pelo tablet. Dificilmente o livro está completo, inteiro e disponível o tempo todo para o leitor, além de ficar cara a impressão doméstica. É muito comum as pessoas se utilizarem do livro digital para pesquisa rápida, mas, ainda querem saborear o livro impresso também, por isso creio que é um mercado novo no Brasil, enquanto nos EUA ele é muito desenvolvido. Entendo que a vida virtual é o presente e o futuro, e que nós temos que passar por uma transição.

Jorge Hessen: Suas palavras finais.

Antonio Cesar Perri de Carvalho: As nossas palavras finais são de sugestão aos espíritas para que aproveitemos o momento que estamos vivendo, que é o período, segundo Emmanuel, de aferição de valores, bastante delicado e sensível, pois todos temos compromissos individuais e coletivos; e com relação ao Movimento Espírita, é muito importante lembrar que o nosso trabalho deve ser respaldado na união, na concórdia e na benevolência recíproca. Isso é que deve animar a nossa atuação conjunta no Movimento Espírita e no relacionamento com a própria sociedade.


Entrevista e Imagem (foto) de Antonio Cesar Perri de Carvalho da Revista Reformador, Agosto de 2013

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Setenta anos do Livro Renúncia

Neste ano, “Renúncia” - romance mediúnico publicado originalmente em 1943, escrito pelo espírito Emmanuel, por intermédio da psicografia de Francisco Cândido Xavier - completa 70 anos. Trata-se, conforme qualificou o autor espiritual, de “[...] um livro de sentimento, para quem aprecie a experiência humana através do coração”.

A obra, em termos essenciais, volta-se à divulgação de aspectos da mensagem rediviva da Boa Nova, consubstanciados em sublimes gestos transcorridos em uma época distanciada dos primeiros séculos do Cristianismo: entre 1662 e o início do Setecentos.

Em “Renúncia” é contada a história de Alcíone, um espírito missionário reencarnado na Terra, fiel a Jesus, que soube aclimatar a flor do Evangelho ao contexto em que viveu. Acerca da personagem, destacou Emmanuel: “Sua vida não representava um feixe de atos comuns, mas um testemunho permanente de sacrifícios santificantes. Sua conduta, na alegria e na dor, na felicidade e no obstáculo, era um ensinamento generoso, em todas as circunstâncias. Creio que ela nunca satisfez a um desejo próprio, mas nunca foi encontrada em desatenção aos desígnios de Deus. Jamais a vi preocupada com a felicidade pessoal; entretanto, interessava-se com ardor pela paz e pelo bem de todos. queria sempre revelar as ideias nobres de quantos a rodeavam, a fim de os ver amados, otimistas e felizes”.

Sob essa perspectiva, a existência de Alcíone se configura em roteiro de ação e conduta, permeado por exemplificações de como os fundamentos do Evangelho podem ganhar vida - deixando de ser “letra morta” - quando assimilados, em termos práticos, às vivências cotidianas das pessoas.

Pode-se dizer, por conseguinte, que a trajetória da personagem de “Renúncia” se deu, em termos essenciais, no testemunho de algumas das máximas proferidas por Jesus, durante o Sermão do Monte: “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados! Bem-aventurados os humildes, porque herdarão a Terra! Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor à justiça, porque deles é o Reino dos Céus!...”

Esclarece-se que as bem-aventuranças, assim como as demais lições manifestas na Boa Nova, trabalham a questão da harmonização do sentimento, presente no íntimo das criaturas, conforme o diapasão da Lei de Amor - que é a força que rege e equilibra o Universo. Sob esse viés, a história narrada em “Renúncia” se apresenta permeada por ensinamentos em torno de temas como a “esperança”, o “otimismo”, a “confiança” na Providência Divina e a “dedicação” ao próximo.

Tais atitudes - possíveis de serem apreendidas, sobretudo, dos gestos sublimes de Alcíone - aparecem detalhadas no romance de modo a servir de roteiro e fonte de inspiração para melhor conduzirmos, em termos morais (práticos), as nossas vidas.

Por isso, em conformidade com as palavras de Jesus supracitadas - repetidas a Alcíone por Antênio, seu mentor, quando ela regressava ao plano espiritual - sugere-se que a personagem de “Renúncia” se configura em modelo de resignação, humildade e amor à justiça divina.

Nesse sentido, assim como os demais romances assinados por Emmanuel - “Há dois mil anos”, “Cinquenta anos depois”, “Paulo e Estevão” e “Ave, Cristo!” - a obra em questão se volta à divulgação de exemplos de vida pautados pelas lições e pelos princípios do Evangelho.

Portanto, a história de dedicação e amor renunciado de Alcíone se direciona, sobretudo, a nos servir de estímulo ao desenvolvimento de determinados padrões de sentimento (inspirados nas lições e nos ensinamentos da Boa Nova) a se manifestarem, dinamicamente, nas nossas ações e condutas cotidianas.


Flavio Rey de Carvalho

Folha da Região, Araçatuba-SP, 26.06.2013


Flávio Rey de Carvalho integra equipe do Nepe-FEB (Núcleo de Estudo e Pesquisa do Evangelho, da Federação Espírita Brasileira). Ele descreve esta Face Espírita para publicação exclusiva na Folha.

domingo, 11 de agosto de 2013

No dia dos Pais


A nobreza da vida consiste no viver, na maneira de viver, naquilo porque devemos viver.

Assim ensinou Jesus e assim você o faz pai...

Ama, procura e se ocupa somente do bem.

Tem o verdadeiro sentido da vida. Em torno de você brilha Jesus.

Você fala de amor e eu me abrigo em seu coração.

E vou crescendo em graça, no conhecimento da verdade.

Essa energia que vem de você semeia o meu caminho, inspira os meus sonhos, conforta os obstáculos.

Mais do que palavras é exemplo de virtude e fé.

Hoje dia dos pais, paro para te olhar, seu rosto, seu sorriso, seus olhos.

Quanta grandeza e esplendor.

Um dia Jesus revelou Deus ao homem. Me levou a Deus e, assim, em sua infinita bondade me ofereceu tudo, dando-me você pai.

No canto alegre das orações onde há esperança para quem nele acredita, o coloco você meu pai...

Feliz Dia dos Pais!

Tenha as bênçãos do Senhor!


Uma mensagem do Momento Espírita.


Desejo a todos os pais , muitas felicidades e paz por esse dia!

Carlos Pereira

sábado, 10 de agosto de 2013

O Materialismo e as Bases do Edifício Social


Sem causas no ontem e sem consequências para o amanhã, como enxergar justiça no materialismo?

Quanto mais predomina o materialismo em uma sociedade, mais ela se apresentará como descumpridora dos deveres sociais que têm por base os três princípios: fraternidade, igualdade e liberdade.

Estes princípios, quando integralmente aplicados, dão sustentabilidade à ordem social e ao progresso da humanidade.

Faremos uma avaliação seguindo a ordem de importância para a realização da felicidade social através destes três conceitos: fraternidade, igualdade e liberdade.

A fraternidade é a síntese dos deveres dos homens uns para com os outros; é a concretização do ensinamento de Jesus: “proceder para com os outros como queríamos que os outros procedessem para conosco”.

Em uma sociedade onde se viva fraternalmente não haverá privilégios, todos se tratarão como irmãos. O lema característico do egoísmo, “cada qual por si”, cederá lugar ao “todos por todos”, e o dever do forte será proteger o fraco, jamais explorá-lo.

A igualdade é consequência da fraternidade e tem como maior inimigo o orgulho, responsável pela atitude pretensiosa de merecer privilégios e exceções. O orgulho poderá até suportar a igualdade social, mas, na primeira oportunidade a destruirá. É realmente uma das chagas da sociedade e oporá obstáculo à verdadeira igualdade.

A liberdade é filha da fraternidade e da igualdade. Em uma sociedade onde os homens vivem como irmãos, são valorizadas a cidadania e a igualdade de direitos, indispensáveis à justiça social, não causarão dano uns aos outros e a liberdade jamais se transformará em anarquia, pois, ninguém abusará dela em prejuízo dos seus semelhantes.

Disse Allan Kardec que estes três princípios são solidários entre si e se prestam mútuo apoio; sem a reunião deles o edifício social não estaria completo. A fraternidade não pode ser praticada em toda a sua pureza, com exclusão dos outros dois, pois, sem a igualdade e a liberdade, não há verdadeira fraternidade. A liberdade sem a fraternidade é rédea solta a todas as más paixões, que desde então ficam sem freio; com a fraternidade o homem nem um mau uso faz da sua liberdade: é a ordem; sem a fraternidade, usa da liberdade para dar curso a todas as suas torpezas: é a anarquia, a licença. Por isso é que as nações mais livres se veem obrigadas a criar restrições à liberdade. A igualdade sem a fraternidade conduz aos mesmos resultados, visto que a igualdade reclama a liberdade; sob o pretexto de igualdade, o pequeno rebaixa o grande, para lhe tomar o lugar, e se torna tirano por sua vez; tudo se reduz a um deslocamento de despotismo.

Conhecida a imensa importância da observância destes princípios em uma sociedade, a que conclusão chegaríamos se fosse essa sociedade regida pelo materialismo?

Antes de qualquer resposta precisamos tecer breve comentário a respeito da doutrina materialista. Ela é uma doutrina filosófica que surgiu na Grécia, no século VI a.C., através de alguns filósofos que refutavam as argumentações religiosas; aderiram à ideia de que o conhecimento resulta da observação da natureza, seguida do raciocínio de que a única substância que existe é a matéria; tudo tem sua origem nela. Afirma também que tudo o que acontece na natureza tem uma causa simples e única – o acaso. A inteligência é resultado de complexas operações cerebrais e o homem nada era antes e nada será depois da vida corporal.

Nesta linha de pensamento do materialismo, percebe-se que inexiste o ontem e o amanhã, e que tudo tem origem na matéria como resultado do acaso; busca apenas soluções imediatas para os complexos problemas que exigem tempo e paciência. Não vê lógica em sacrificar o repouso ou o bem-estar por causa dos outros.

Nesse modelo de sociedade, onde não há o mínimo de disposição entre seus componentes ao sacrifício de uns pelos outros, a prática da fraternidade torna-se impossível. E esta impossibilidade também torna impossível os outros dois princípios: igualdade e liberdade.

Ora, como estes três princípios constituem a base do edifício social, sem eles teremos uma sociedade frágil, onde predominarão a injustiça, o despotismo e anarquia.

Dessa forma conclui-se que o materialismo, por desvalorizar estes princípios, estimula a injustiça e a desordem social, pondo em risco a sustentabilidade da sociedade.


– KARDEC, A. Obras Póstumas. FEB, 17ª. ed., pag. 233-237.


F. Altamir da Cunha, Jornal O Clarim Julho 2013

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

A Casa Espírita e o Livro


Não é possível imaginar a difusão do Espiritismo no planeta sem o emprego do livro.

O livro é uma das mais revolucionárias invenções do homem. As bibliotecas da Antiguidade Oriental estavam repletas de textos gravados em tabuinhas de barro cozido com as impressões cuneiformes inventadas pelos sumérios, habitantes da Mesopotâmia, no século IV a. C. Eram os primeiros livros.

Depois, o pergaminho e o papiro substituíram os tijolos de barro. Com a invenção do papel, aproximadamente um século antes de Cristo, pelo chinês Cai Lun e, depois, da imprensa, por Johannes Gutenberg, por volta de 1439, os livros passaram a ser impressos mecanicamente, em grande quantidade, tornando possível transmitir fatos, registrar acontecimentos, descobertas, tratados, códigos ou apenas entretenimento.

Atualmente, o livro é considerado um material de consumo, uma mercadoria cultural, instrumento indispensável na difusão de ideias e transmissão de conceitos, entre outras funções que ele desempenha. Não podemos imaginar a difusão do Cristianismo sem os Evangelhos e, muito menos, a implantação do Espiritismo na Terra sem O Livro dos Espíritos e as demais obras literárias dele consequentes. Temos hoje livros de conteúdo vários, tais como os livros: jurídico, filosófico, científico, técnico, de autoajuda e assim por diante. Todos eles são úteis a cada um de nós, segundo os interesses que nos movem, mas é oportuno lembrar o que nos ensina o Espírito Emmanuel:

“Cada livro edificante é porta libertadora.

“O livro espírita, entretanto, emancipa a alma, nos fundamentos da vida.”

E a Casa espírita, o que é e que importância tem para nós?

Na visão dos luminares do plano invisível, ela é uma casa de oração, educandário e hospital. No entendimento dos órgãos orientadores do Movimento Espírita, a Casa espírita é a célula máter para prática e divulgação da Mensagem Consoladora.

Na função de educandário da alma, ensina as diretrizes da vida feliz, acenando com os triunfos e a proposta de autoelevação, norteando-se por um programa de educação, cujo conteúdo são as verdades do Evangelho do Mestre Jesus, clarificadas pela luz do Espiritismo.

Como hospital, recebe enfermos de toda procedência, sem lhe inquirir a doença nem exigir apresentação de carteira de saúde com os antecedentes da moléstia.

Na condição de templo, escuta os soluços da inquietude e atende o pranto das ansiedades, nascidos nos recessos da alma. Para tanto, desenvolve atividades que têm no seu bojo o propósito de ouvir, esclarecer, consolar e amparar a todos que a procuram, atuando com metodologia própria e objetivos definidos, sempre se valendo do livro espírita, estando à frente: O Livro dos Espíritos, O Evangelho segundo o Espiritismo e O Livro dos Médiuns.

Qualquer que seja a atividade dentro da instituição espírita, o livro surge como instrumento essencial à sua implementação. A palestra pública, a evangelização infanto-juvenil, as reuniões mediúnicas, o Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita, o atendimento fraterno, a fluidoterapia, a divulgação e outras atividades, não prescindem do apoio do livro espírita para fundamentar suas ações. Sem dúvida, livros de conteúdo distinto estarão presentes, contribuindo na metodologia da evangelização; no aprimoramento da palavra para servir no aconselhamento e na divulgação; na organização ambiental e administrativa da instituição etc.

Não se pode negar: o bom livro é imprescindível em nossas vidas!

Logo, uma Casa espírita sem o livro espírita e seu perseverante e meticuloso estudo, não estará edificada na rocha, mas sim, na areia. Não suportará a chuva das dificuldades impostas pelas relações humanas mal trabalhadas, nem as torrentes da incompreensão dos que ainda não entenderam o objetivo da doutrina Espírita, sejam eles encarnados ou desencarnados, e, muito menos se manterá firme à frente dos ventos que sopram ideias modernistas que tentam descaracterizar o âmago do Espiritismo, com meias verdades. A rocha é Jesus, é Kardec!
E como a Casa espírita pode valorizar o livro espírita e fazer dele o seu arrimo em suas atividades?

1. Na palestra pública: Orientar o palestrante para que informe aos ouvintes as principais obras espíritas que lhe serviram de base para o seu desempenho. Melhor resultado se obterá se elas forem divulgadas junto com o anúncio das palestras, em quadro específico.

2. No estudo sistematizado da doutrina espírita – ESDE: Colocar à disposição os livros básicos do Espiritismo para consulta dos participantes, levando em conta que muitos deles não têm condição de adquiri-los para organizar sua biblioteca particular.

3. No atendimento fraterno: Praticar a biblioterapia1, indicando aos que comparecem ao diálogo a leitura de livros como coadjuvantes na busca de si mesmo, do autoconhecimento, favorecendo a reforma íntima: o livro espírita encoraja, esclarece, revela e conduz o homem a Deus, em qualquer situação, e não tem contraindicação. Na falta de um conceito espírita para este método de tratamento, valemo-nos do ensinamento do Espírito Philomeno de Miranda:

“[...] é através da leitura evangélica que o Espírito se irriga de esperança e se renova, abrindo verdadeiras clareiras e brechas na psicosfera densa que elabora e de que se nutre, a fim de que penetrem outras energias benéficas que o predisporão para o bem, de intervalo a intervalo, até que logrem modificar a paisagem interior, animando-se a investimentos maiores.”2

A biblioterapia, cujos resultados são bastante profícuos, há que ser adotada com alguns critérios para não invalidar os resultados esperados. São eles:

a) Adequar a indicação do livro ao grau de perturbação do paciente, ouvindo as considerações deste. Sabemos que há irmãos vitimados pela obsessão que confessam não encontrar disposição para ler, sendo vencidos por incoercível sono.

b) Esclarecer o paciente o porquê da possível dificuldade que terá para fazer a leitura indicada. Uma solução é pedir que alguém faça a leitura para ele ouvir.

c) Orientar o paciente quanto ao modo de fazer a leitura indicada para o melhor aproveitamento. Que leia pequenos trechos e, em seguida, reflita sobre o que leu, interrogando se aquele conteúdo tem relação com ele e com suas dificuldades.

d) Sublinhar a importância da participação efetiva do paciente no seu tratamento.

1. Na evangelização. Durante as reuniões com o grupo de pais, não somente enfatizar a missão deles e pedir-lhes apoio para a evangelização de seus filhos, mas, também, divulgar e incentivar a leitura de livros que lhes despertem a responsabilidade da reeducação dos seus filhos ou fortaleçam-lhes o ânimo e o entendimento nesse ministério. Quanto possível, levar em consideração o nível socioeconômico dos pais, e fazer a doação daqueles livros.

2. Na livraria. Colocar à venda livros que já foram consagrados como sendo verdadeiramente espíritas. Para tanto, leva-se em conta o autor espiritual e o médium, quando se tratar de obra mediúnica. De autores novos, o conteúdo deverá estar alinhado com a Codificação. O mesmo serve para os títulos escritos por autores encarnados. Se a Casa exige que suas atividades sejam embasadas nas obras genuinamente espíritas, por que não ser coerente com a venda de livros? Dois pesos, duas medidas?

3. Na biblioteca, adotar os mesmos critérios da livraria.

Na esperança de que o livro espírita seja soberbamente valorizado e divulgado, encerramos com a rogativa de Emmanuel, muito conhecida de todos nós, no que se refere ao estudo do Espiritismo na Casa espírita, para que ela faça parte da constelação da Doutrina Consoladora:

Sentir Kardec; Estudar Kardec;
Anotar Kardec; Meditar Kardec;
Comentar Kardec; Interpretar Kardec;
Cultivar Kardec; Ensinar Kardec e
Divulgar Kardec...


Waldehir Bezerra de Almeida

Referencias:

1. O dicionário Houaiss diz: “biblioterapia é o emprego de livros e de sua leitura no tratamento de distúrbios nervosos”. Porém este conceito é ampliado e diversificado pelos estudiosos do assunto sendo, no entanto, unânimes em assegurar que a leitura auxilia o doente a verificar que há mais de uma solução para o seu problema; que é um método subsidiário no tratamento de transtornos psíquicos; que a leitura leva a uma introspecção, favorecendo a diminuição do conflito pelo aumento da autoestima, e que encoraja o leitor a encarar sua situação de forma realista, conduzindo-o a uma ação renovadora, ajudando-o a libertar-se dos medos, dos pensamentos obsessivos e de emoções inferiores.

2. Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda.


Fonte: Revista Internacional de Espiritismo, Ed. Agosto de 2013

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Um Mundo mais informado é um Mundo menos Violento


Talvez estejamos ficando melhores porque estamos ficando mais inteligentes, conclui o neurocientista Steven Pinker, professor da Universidade Harvard (EUA), após exaustiva pesquisa sobre a impressionante queda da violência humana nos últimos séculos.

A pesquisa do professor Pinker redundou em uma obra de mais de mil páginas intitulada Os anjos bons da nossa natureza, que, contrapondo-se ao senso comum, mostra que a violência em quase todas as escalas – na família, nos bairros, entre tribos e outras facções armadas e entre nações e Estados importantes – vem sofrendo evidente redução. O século XX não foi um mergulho permanente na perversidade. Ao contrário, a tendência moral duradoura deste século foi um humanismo avesso à violência que se iniciou nos século XVII e XVIII (“das Luzes”). Apesar das duas grandes guerras, as grandes potências mundiais não lutam entre si desde 1945. Um período de paz tão longo entre os Estados mais poderosos não tem precedentes.

Tal constatação não é resultado de uma opinião pessoal, mas de dados estatísticos indiscutíveis. O autor confessa seu assombro diante dos dados: viver na civilização reduz em cinco vezes as chances de uma pessoa ser vítima de violência. O lugar mais seguro na história humana, a Europa Ocidental, desde a virada do século XXI, vem tendo uma taxa de homicídios de um por 100 mil. No século XIV tal taxa era da ordem de 110 homicídios por 100 mil habitantes. A estarrecedora parcela de 26% dos homens aristocratas morria por violência nos séculos XIV e XV. A taxa caiu para a casa de um dígito na virada do século XVIII, e hoje, obviamente, está quase zerada. A Inglaterra do século XX era 95% menos violenta do que do século XIV. Uma cultura da honra – a prontidão para vingar-se – deu lugar a uma cultura da dignidade – a prontidão para controlar as emoções.

No decorrer de pouco mais de um século, práticas cruéis que por milênios haviam sido parte da civilização foram subitamente abolidas, como a execução de bruxos, a tortura oficial de prisioneiros e a perseguição a hereges e estrangeiros. As revoluções por direitos nas últimas décadas mudaram, de forma radical, a forma de ver e se conduzir diante das mulheres e crianças, dos negros, dos animais e dos homossexuais. O fim de grande parte das ditaduras militares ou civis acompanhou essas revoluções liberais. Do mesmo modo que fumar em escritórios e salas de aula passou de coisa comum a proibida e depois a impensável, práticas como a escravidão e o enforcamento público tornam-se tão inimagináveis que nem sequer são assuntos de debate.

O que mudou no ambiente das pessoas que poderia ter desencadeado tal revolução humanitária? Ao analisar as causas do fenômeno, o autor acredita que a mais abrangente mudança nas sensibilidades comuns deixada por essa revolução é a reação ao sofrimento de outros seres vivos. As pessoas de hoje estão longe de ser moralmente imaculadas, mas a maioria não tem vontade alguma de ver um cão e muito menos uma pessoa, morrer queimado.

E o que teria levado a isso? Steven Pinker relaciona várias causas, mas chama a nossa atenção para uma delas: o aumento na produção de livros, o hábito da leitura, o esclarecimento e o incremento das informações, além de um notável aprimoramento do raciocínio abstrato, verificado nos testes de QI, realizados nas últimas décadas.

Afirma o autor citado que a expansão da mente, decorrente de boas leituras deve ter adicionado uma dose de humanitarismo às emoções e crenças das pessoas. Ler é uma tecnologia para mudança de perspectiva. Quando nós temos na cabeça os pensamentos de outra pessoa, observamos o mundo do ponto de vista dessa pessoa, o que nos seduz a pensar e sentir como pessoas muito diferentes de nós mesmos. Revisitem o que deu errado no mundo Islâmico, opina o professor Pinker, pode ter sido a rejeição à imprensa escrita e a resistência à importação de livros e ideias neles contidos.

A difusão de boas ideias resulta em reformas que reduzem a violência por vários caminhos. O mais óbvio é o desmascaramento da ignorância e da superstição. Cita Voltaire quando afirma que aqueles que conseguem fazer você acreditar em absurdos podem fazer você cometer atrocidades. Outro caminho é um incremento dos convites à adoção dos pontos de vista de gente diferente de nós, acelerando o processo de tolerância nas relações humanas.

Existe um terceiro caminho pelo qual a informação pode fecundar o progresso moral: incrementando o progresso tecnológico e a melhoria das condições de vida das pessoas. Sociedades tecnologicamente atrasadas tendem a ser moralmente atrasadas também.

As conclusões de Steve Pinker são admiravelmente coincidentes com o pensamento Kardequiano, embora a distância de mais de 150 anos entre os dois pensadores.

No que se refere à queda dos índices de violência, Kardec provocou os Espíritos, indagando: como é bastante grande a perversidade do homem, não parece que, pelo menos do ponto de vista moral, ele, em vez de avançar, caminha aos recuos?

A resposta dos Espíritos, conforme se lê no item 784 de O Livro dos Espíritos, é essa: – “Enganas-te. Observa bem o conjunto e verás que o homem se adianta, pois que melhor compreende o que é mal, e vai dia a dia reprimindo os abusos”.

No que tange à importância do desenvolvimento tecnológico no desenvolvimento dos caracteres morais, os Espíritos foram igualmente concordantes com o autor que ora visitamos, pois quando Allan Kardec indaga se o progresso moral acompanha sempre o progresso Intelectual, eles respondem:

– “Decorre deste, mas nem sempre o segue imediatamente”. (O Livro dos Espíritos, item 780.)

E acrescentam que pode o progresso intelectual engendrar o progresso moral fazendo compreensíveis o bem e o mal. O homem, desde então, pode escolher. O desenvolvimento do livre-arbítrio acompanha o da inteligência e aumenta a responsabilidade dos atos. (O Livro dos Espíritos, item 781)

Numa bela análise das reformas em processo na Terra, Kardec, no último capítulo do livro A Gênese, revalida o pensamento apresentado pelos Benfeitores em O Livro dos Espíritos, conforme as anotações abaixo:

Moralmente, a Humanidade progride pelo desenvolvimento da inteligência, do senso moral e do abrandamento dos costumes. Ao mesmo tempo que o melhoramento do globo se opera sob a ação das forças materiais, os homens para isso concorrem pelos esforços de sua inteligência. Saneiam as regiões insalubres, tornam mais fáceis as comunicações e mais produtiva a terra.

Depois de se haver, de certo modo, considerado todo o bem-estar material, produto da inteligência, logra-se compreender que o complemento desse bem-estar somente pode achar-se no desenvolvimento moral. Quanto mais se avança, tanto mais se sente o que falta, sem que, entretanto, se possa ainda definir claramente o que seja: é isso efeito do trabalho íntimo que se opera em prol da regeneração. Surgem desejos, aspirações, que são como que o pressentimento de um estado melhor.

Lembra, todavia, o nosso Codificador, que há muito que ser feito, pois falta a essas reformas uma base que permita se desenvolvam, completem e consolidem; falta uma predisposição moral mais generalizada, para fazer que elas frutifiquem e que as massas as acolham.

Refere-se Kardec ao papel da fé raciocinada, da crença fundamentada na razão e em uma espiritualidade que seja elemento de construção de mais fraternidade, entendimento e boa vontade entre os homens:

A destruição do materialismo, que é uma das chagas da sociedade. O Espiritismo pode fazer com que os homens compreendam onde estão seus verdadeiros interesses. Como a vida futura não mais será velada pela dúvida, o homem perceberá melhor que pode garantir seu futuro por meio do presente. Destruindo os preconceitos de seitas, castas e cores, o Espiritismo ensina aos homens a grande solidariedade que os há de unir como irmãos. (O Livro dos Espíritos, item 799.)


Ricardo Baesso de Oliveira


Fonte: O Consolador, Crônicas e Artigos, Ano 7 - N° 323 - 4 de Agosto de 2013

domingo, 4 de agosto de 2013

As Rádios Espíritas

Um dos principais meios de comunicação da atualidade, a radiodifusão associada à rede mundial de computadores tem se tornado um importante veículo para a divulgação da doutrina espírita, permitindo o acesso a uma larga escala de ouvintes em todo o planeta. Com o crescimento constante de rádios dedicadas a esse fim, em setembro de 2010, aconteceu na cidade de Campinas, São Paulo, o 1º Laboratório de Rádio Espírita, evento realizado com a parceria da ADE-SP e ADE-Campinas que contou com a participação de Éder Fávaro, presidente da ADE-SP e radialista da Rádio Boa Nova, Carlos Garcia, escritor e radialista web e Demerval Carinhana Jr, pesquisador do ITA e presidente da ADE-Campinas, apresentando oficinas de montagem de uma rádio web com recursos básicos de operação e ressaltando o valor da tecnologia.

Assista aqui ao vídeo com comentários que mostra momentos do evento:


Divulgamos abaixo uma relação de algumas das rádios webs que fazem a difusão da doutrina espírita na atualidade e os seus respectivos links para acesso.

Rádio Rio de Janeiro


http://www.radioriodejaneiro.am.br/

Rádio Fraternidade


http://www.radiofraternidade.com.br/

Rádio Boa Nova


http://www.radioboanova.com.br/

Rádio Mundo Maior


http://www.radiomundomaior.com.br/

Rádio Espírita


http://www.radioespirita.net/

Web Rádio Espírita Campinas


http://www.radioespirita.org.br/

Rádio Síntese Web


http://www.radiosinteseweb.com.br/

Rádio CEAC


http://www.radioceac.com.br/

Rádio Portal da Luz


http://www.radioportaldaluz.com/

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Especial do Mês


O especial do mês de agosto, “Coletâneas Espíritas”, reúne em nossas postagens artigos, mensagens e informações atuais com temas que estão em destaque nos principais meios de divulgação eletrônica e digital da doutrina espírita.

As nossas atualizações serão realizadas em dias alternados.
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