quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

O Espiritismo é Ciência

 


Por Angélica dos Santos Simone

O Espiritismo apresenta-se como uma das ferramentas, dentre várias, para se compreender as dinâmicas da natureza espiritual que está diretamente relacionada com as dinâmicas da natureza material. Ele não é a primeira nem será a última teoria, que se transformou em método de análise, compilada com o objetivo de explicar determinados fenômenos, que estão além da compreensão dos cientistas materialistas.

Falamos no Espiritismo enquanto ciência. Mas por que ele foi considerado pelo próprio codificador como uma ciência? Apoiemos a nossa reflexão na definição de Allan Kardec para o que seja o Espiritismo, na obra intitulada “O que é o Espiritismo”:

“O Espiritismo é ao mesmo tempo uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, ele consiste nas relações que se podem estabelecer com os Espíritos; como filosofia, ele compreende todas as consequências morais que decorrem dessas relações”.  (KARDEC, 2007, p.12 [grifo nosso].)

Em nenhum momento Kardec cita o Espiritismo como uma religião, ele considera a ocupação de esclarecer os problemas morais da humanidade para a Filosofia, que cumpre esta tarefa há mais de seis mil anos. (1) Novamente na mesma obra, ele ressalta o caráter científico da doutrina espírita:

“O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, da origem e da destinação dos Espíritos, e das suas relações com o mundo corporal”. (KARDEC, 2007, p.12 [grifo nosso].)

O Espiritismo foi compilado segundo um método científico, qual seja o cumprimento de algumas etapas, as quais respeitarão o rigor científico, utilizado por cientistas de todas as áreas do conhecimento. São elas:

Coleta de dados: nesta primeira etapa, Kardec iniciou o processo a partir da observação do fenômeno das mesas girantes, realizando levantamento de onde ocorria este fenômeno e estabelecendo contato com os médiuns envolvidos, que lhe ofereciam as suas experiências.

Registro e armazenamento: Kardec, durante a atividade de observação e levantamento de dados, registrava a sua percepção dos fenômenos, ao mesmo tempo em que surgiam dúvidas, as quais posteriormente seriam esclarecidas pelos Espíritos envolvidos no projeto de codificação.

Processamento: podemos inferir que esta foi a fase mais longa e exaustiva para o codificador e sua equipe, pois é a fase em que mais exige da capacidade de concentração do cientista. Qualquer deslize pode ser fatal para a compreensão de sua teoria (mesmo com tanta precisão, as gerações posteriores ainda interpretam de maneira distorcida). Nesta etapa, o processamento dos dados, a sua organização em uma sequência lógica, o esclarecimento das dúvidas surgidas com a reflexão e com os testes, a inserção de novos itens e a extinção de informações desnecessárias, a adoção da linguagem a ser utilizada para que a proposta seja transmitida da maneira mais didática possível são as exigências do método científico seguido à risca pelo codificador.

Ao se respeitar tais etapas, aquele que não possui amor pelo que faz, cede no aparecimento da primeira dificuldade. O objetivo de Kardec, como um verdadeiro cientista, foi o de construir a teoria sobre um alicerce firme, ao mesmo tempo em que deveria ser flexível para que o futuro consiga dar conta de suas renovações, acompanhando a evolução do conhecimento humano. Uma teoria construída sobre os rigores do método é passível de sofrer lapidações com o passar do tempo, sem que seja anulada por completo, sempre mantendo a sua essência. Uma teoria verdadeira sempre será atual, independente do período histórico onde foi construída, ela contemplará a humanidade e será moldada de acordo com cada diversidade de interpretação, sem que para isso tenha que perder o seu núcleo.

Na fase de processamento dos dados, Kardec e os Espíritos organizaram as perguntas e as respostas na forma de setores, respeitando o aprofundamento crescente da teoria. Podemos observar que os livros básicos: dos médiuns, dos Espíritos e o Evangelho, cada um destes segue uma sequência que parte do pensamento simples, com poucas variáveis e de fácil interpretação até o mais complexo, com mais elementos a serem explorados e compreendidos e um conteúdo que exige mais conhecimento de outras fontes por parte do leitor, para que ele não caia no erro das interpretações simplórias. Como um exímio cientista e educador, preocupado em corresponder ao processo cognitivo dos leitores, principalmente os iniciantes, Kardec utilizou toda a sua capacidade natural de transmissão do conhecimento, da maneira mais didática possível, para que esta proposta não ficasse limitada a apenas uma elite intelectual.

Resultado final: todo trabalho científico só é válido se ele consegue, depois de tantos percalços, responder ao primeiro questionamento que surgiu na mente do pesquisador, pois, do contrário, ele se transforma em divagações. Conseguimos ver que Kardec foi feliz em seu trabalho, pois apesar da abordagem ter permeado uma extensa área do fenômeno espiritual, ele não perdeu o foco. Com a finalização de seu trabalho, Allan Kardec, que ainda será bibliografia básica de todas as ciências, alcançou a totalidade do conhecimento nesta fase da evolução do homem terrestre.

Aqueles que estudam a sua obra, com outros olhos que não os do egoísmo, conseguem perceber que a proposta do Espiritismo é de apoiar tanto as ciências, quanto as religiões, no esclarecimento dos eventos onde causa e consequência se entremeiam em Espírito e Matéria. Como ditado acima, Kardec descobriu, durante os seus estudos, que o método científico, quando livre de pré-conceitos, é capaz de alcançar um universo jamais imaginado pelo cientista materialista.

O Espiritismo, através do método científico, compreendeu que as relações entre os Espíritos são permeadas pela conduta moral, aquela já ensinada por Jesus Cristo, e não pelas religiões.

O Espiritismo veio para fazer parte tanto das sociedades orientais quanto ocidentais, para todas as etnias, crenças e pensamentos. Ele veio para unir e não para ser mais uma religião que divide e se apropria de sua patente.

(1) Nota da Redação: Para a maioria dos espíritas, excetuados os adeptos do chamado Espiritismo laico, o Espiritismo é também religião, pois a própria obra kardequiana o define como tal de forma inequívoca.  Em seu discurso “O Espiritismo é uma religião?”, publicado na Revue Spirite de dezembro de 1868, Allan Kardec perguntou: “O Espiritismo é uma religião?” E, em seguida, respondeu: “Ora, sim, sem dúvida, senhores”.  Mais adiante indagou: “Por que, então, declaramos que o Espiritismo não é uma religião?” E ele mesmo esclareceu: “Porque não há uma palavra para exprimir duas ideias diferentes, e que, na opinião geral, a palavra religião é inseparável da de culto; desperta exclusivamente uma ideia de forma, que o Espiritismo não tem”. Trata-se, pois, de uma religião não hierarquizada, sem pastores nem sacerdotes, sem cultos nem rituais, mas com um objetivo definido, que é religar a criatura ao Criador.

Bibliografia:

LIBAULT, André. Os quatro níveis da pesquisa geográfica. In: Métodos em questão. Instituto de Geografia da Universidade de São Paulo. São Paulo, 1971.

KARDEC, Allan. O que é o Espiritismo. São Paulo: IDE, 2007.

O Livro dos Espíritos. São Paulo: FEESP, 2007.

O Livro dos Médiuns. São Paulo: IDE, 2005.

O Evangelho segundo o Espiritismo. Rio de Janeiro: FEB, 2004.

A autora é natural de São Paulo, Bacharel e Licenciatura em Geografia pela Universidade Estadual Paulista - UNESP, é professora de francês, massoterapeuta oriental e pintora. Atualmente realiza mestrado na área de Geografia Física pela Universidade de São Paulo - USP, pesquisando a percepção da paisagem em imigrantes.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Especial do Mês

 


O Manancial de Luz inicia o ano com o seu primeiro especial, “Espiritismo e Ciência”. Nele traremos uma coletânea de textos, artigos e mensagens enfocando o aspecto científico da doutrina espírita, bem como também textos, mensagens e vídeos com temas relacionados à ciência sendo abordados sob a ótica espírita.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

Férias no Manancial de Luz

 


Modo férias em “on”


Prezados leitores,

Hoje começa o nosso período de férias. Durante esse mês no Manancial de Luz não haverá atualizações. Retornaremos normalmente em fevereiro com as nossas postagens. Desejo mais uma vez a todos vocês um novo ano repleto de sucesso e novas conquistas. Muita paz, saúde e prosperidade para todos!

Um abraço fraterno!

Carlos Pereira – Manancial de Luz

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Feliz 2021!

 


Caríssimos irmãos e leitores,

Atravessamos um ano difícil marcado por uma crise mundial sanitária de grande proporção assinalando reflexos importantes nas áreas sócio econômica e ambiental do nosso planeta com a pandemia da Covid-19. Nós e de um modo muito específico os espíritas, sabemos que tudo isso são mecanismos naturais e divinos que nos ensina e impulsiona a evolução material e espiritual do orbe. São notáveis os avanços velozes que foram gerados nas áreas de saúde, educação e tecnologia, bem como também é visível o quanto aprendemos a olhar mais para dentro de nós mesmos e para os que estão caminhando ao nosso lado. Foi um ano de perdas, mas sobretudo de conquistas, foi o ano da resiliência.

Estamos chegando a um novo ano cheios de esperança. Que 2021 chegue fortemente regido pela égide das palavras superação e renovação. Que a esperança possa nos levar a acreditar cada vez mais de que somos capazes de nos superar e de transformar o mundo através da paz e do amor.

Um Feliz Ano Novo com as bênçãos de Deus e de Jesus, o Nosso Mestre!

São os votos do Manancial de Luz, por Carlos Pereira.

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

A Fé e a Caridade

 


Por Adriana Barreiros 

Fé, diferente de crença, expressa o sentimento do homem em relação à razão da vida, às relações entre os homens e seu Criador. Ter fé é identificar dentro de nós algo maior que nós mesmos e nosso mundo, responsável por tudo que há ao nosso redor e por nós inclusive. É reconhecer-se criatura e confiar no Criador. 

Sem ela, a vida perde seu sentido mais amplo, o altruísmo, a caridade, o desejo do progresso e do bem-estar alheios se esvaem, cedendo lugar às satisfações imediatistas, aos prazeres efêmeros, ao egoísmo e ao materialismo. 

O espírito protetor que nos trouxe esta mensagem, item 13 do capítulo XI do Evangelho Segundo o Espiritismo, nos diz que sem a fé não seria possível haver a verdadeira caridade. Esta só pode ser exercida pela “abnegação, pelo sacrifício constante de todo o interesse egoísta…” 

As pessoas sem religião, sem este vínculo com o Criador, não compreendem que somos todos irmãos e necessitados uns dos outros para vencer as tribulações da vida. Se não reconhece a Deus, não vê muito além de suas próprias necessidades, podendo até ter impulsos de generosidade, porém, não a ponto de ser abnegado ou resignado. 

Se nos ocupamos somente de nossa felicidade, onde o espaço para a caridade? Atropelamos as necessidades alheias para satisfazer as nossas próprias, não fazemos concessões em prol do outro e, muitas vezes, pagamos o preço da desarmonia entre os que estão ao nosso redor. 

A prática do bem, para a pessoa que tem fé, está acima da materialidade e suas ofertas tentadoras. Precisamos lutar contra o egoísmo, promovendo o bem ao próximo, abafando o orgulho, olhando para o outro e vendo nele um irmão e não alguém inferior. 

Me recordo de uma canção dos anos idos de não sei quando, uma canção americana chamada “he ain’t heavy, he’s my brother”. Esta música é belíssima em letra e melodia e fala de uma pessoa que carrega a outra, por uma longa estrada, com muitas curvas, com muitas dificuldades e ao ser questionado se o homem que ele carregava não era pesado, ele responde: ele não é pesado, ele é meu irmão! 

Estes atos que praticamos para o bem do próximo, exigindo de nós o sacrifício e a entrega, são a demonstração da fé viva em nós. 

Quando indagados a respeito das dificuldades do homem dominar suas más inclinações, os Espíritos superiores responderam a Allan Kardec, que sempre se pode conseguir a libertação quando a pessoa tem em si uma vontade firme e poderosa. Vontade é fé. 

A fé pode e deve ser multiplicada, pois é uma alavanca que pode nos ajudar em muitas realizações. Muitos desses que buscam os centros espíritas para pedirem ajuda, estão doentes da fé. A fé pode ser desenvolvida por vários fatores. E quem quiser ser forte em termos espirituais, com naturais consequências na vida material, deve procurar desenvolver essa potencialidade que dormita em nosso coração. 

Alguns procedimentos podem ser tomados para que a fé seja fortalecida. O primeiro deles, é ter paciência. Sim, pois a fé não se conquista do dia para a noite, ela vem como resultado de outras providências igualmente morosas para o Espírito. O estudo deve ajudar aquele que deseja desenvolver sua fé a compreender os mecanismos inteligentes da vida. 

A experiência encarnatória segue orientada por um plano traçado por Deus em torno do próprio Espírito. Entender que a vida flui naturalmente e que não adianta violentá-la, desejando alguém ser uma coisa que não pode ser. 

Agir com moderação, quando avançar, dando tempo para que as pedras do grande jogo a que se está incluído possam ser movidas convenientemente. Outra providência indispensável é a oração. Com ela, protegemo-nos da influência dos maus Espíritos e abrimos nosso coração para a inspiração dos anjos e dos nossos guardiães invisíveis. 

Sem orarmos diariamente, em particular, a vida toma um aspecto sombrio. Torna-se semelhante a um vidro embaçado pelo vapor, que nos tira a clara visão de tudo. Orando, desligamo-nos um pouco das coisas materiais e nos voltamos para nossa própria natureza: a espiritual. 

A prece é uma experiência pessoal, que precisa se desenvolver na intimidade do ser. 

A humildade é amiga da fé. O orgulhoso, o soberbo, aquele que pensa em si ou em sua glória não pode estar imbuído da verdadeira fé. 

Sempre que nossas preocupações estiverem voltadas para nossa personalidade, estamos no caminho contrário ao de amar ao próximo como a nós mesmos, conforme assevera Jesus. Simplicidade no viver. 

Paulo de Tarso, ao referir-se ao conjunto de valores do coração, denominando-o “caridade”, assim se expressa: “A caridade tudo sofre, tudo espera, tudo crê. Não folga com a injustiça, mas folga com a Verdade”. Como se vê, é um estado especial, particular daquele que crê em Deus, na Vida Eterna e na Promessa de Jesus. 

A fé, quando desenvolvida, pode ser um grande instrumento da prática do Bem. Com ela, podemos estender as mãos abençoando os que sofrem, doentes, obsedados, perdidos. 

Busquemos a fé verdadeira, e ela nos levará ao exercício inevitável da caridade. 

Centro Espírita Léon Denis

domingo, 27 de dezembro de 2020

O Amor de Deus


O amor Divino se expressa em todo o Universo. 

Sua presença está na leve brisa que acaricia as pétalas de uma flor, e nos vendavais que agitam ondas imensas nos oceanos. 

Está no tênue sussurro da criança e também nas estrondosas explosões solares. 

Está presente na luz singela do vaga-lume, que quebra a escuridão das noites silenciosas do sertão, e nas estrelas de primeira grandeza, engastadas na imensidão dos espaços siderais. 

O amor Divino está na florzinha singela, que espalha aroma em pequenos canteiros, e nas miríades de mundos que enfeitam galáxias nos jardins dos céus... 

Os passarinhos que saltitam nos prados, cantam nos ramos e alimentam seus filhotes, dão mostras do amor de Deus. 

As ondas agitadas que arrebentam nas praias, tanto quanto o filete de água cristalina que canta por entre as rochas, falam do amor de Deus. 

A fera que ruge na selva e os astros que giram na amplidão enaltecem o amor Divino, enquanto falam dessa cadeia que une os seres e as coisas no Universo infinito. 

No andar pesado do elefante e no voo leve e gracioso do beija-flor, expressa-se o amor de Deus. 

Da ferocidade da leoa em busca do alimento à dedicação do pinguim chocando os ovos, percebe-se o amor Divino. 

Da leviandade do chupim, que bota seus ovos em ninho alheio, à operosidade e engenharia do joão-de-barro, notamos a presença do amor de Deus. 

Nos insetos nocivos tanto quanto no exemplo de trabalho comunitário das abelhas, cupins e formigas, percebemos o amor Divino. 

No instinto de sobrevivência de homens, animais e plantas está presente o amor de Deus. 

Na minúscula semente que traz no íntimo o código genético de sua espécie, está contemplado o amor do Criador. 

A destreza instintiva do pássaro tecelão, a graciosidade da borboleta, a habilidade inconteste dos reflorestadores alados, falam do amor de Deus. 

A criança que sorri, inocente e feliz no regaço materno, e a que chora triste, sem rumo e sem lar, são a presença do Criador no mundo, com acenos de esperança. 

O homem sábio, que emprega seus conhecimentos nos serviços do bem e aquele que se enobrece no trabalho rude da lavoura apresentam o amor de Deus, elevando a vida. 

Até mesmo nas tempestades que destroem nossas flores de ilusão, vemos o convite do Criador para que plantemos em solo firme de felicidade perene. 

O ar que respiramos é dádiva do amor Celeste... 

O amor que trazemos na alma é herança do Criador da vida... 

A esperança que alimentamos é ânfora de luz nutrindo a vida com a chama do amor de Deus. 

Por fim, não há espaço algum no Universo, onde não pulse o amor de Deus. 

*   *   * 

Na inquietude dos delinquentes, o amor Divino se faz atento... 

Na dor dos aflitos, o amor de Deus é afago... 

Na inocência da criança, o amor Divino se mostra... 

Na mansuetude dos sábios, o amor de Deus é quietude. 

Na harmonia do Universo, o amor do Criador repousa... 

No coração de quem ama, o amor de Deus se realiza.

 

Redação do Momento Espírita


 

quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

Um Feliz Natal!

Esse é um Natal diferente, é verdade... Um Natal de quarentena.

Estaremos longe do aconchego dos parentes, amigos e pessoas queridas... dos abraços... mas, com certeza, os nossos corações estarão unidos na paz e alegria para celebrar o nascimento do menino Jesus. Ele chegou para restaurar a fé. E é com essa mesma fé que tudo isso vai passar!

Enquanto isso, abraços e carinho serão enviados e chegarão até nós sob forma de vibrações e pensamentos ou até mesmo através das redes sociais fazendo da fraternidade e o amor as nossas melhores conexões.

Que tenhamos todos um Natal de Paz, Alegria, Fraternidade e Amor com Jesus nascente a cada dia em nossos corações! 

Essa é a mensagem de Natal do Manancial de Luz. 

Por Carlos Pereira.

 


quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Fé Inabalável

 


A fé é o maior tesouro da alma. 

É a grande luz que ilumina nossos destinos, enriquece nossa inteligência e exalta o nosso coração. 

A fé é o emblema da perfeição e a insígnia do poder. 

Por isso, Jesus disse aos Seus discípulos: Se tivésseis fé do tamanho de uma semente de mostarda, diríeis a esta amoreira: transplanta-te para o mar e ela vos obedeceria. 

A fé é um cabedal que valoriza a alma, tal como o ouro no mundo valoriza o homem. 

Na esfera material o homem tem sido considerado pelo que tem. 

Na esfera espiritual cada um vale pela fé que possui. 

Para se possuir legalmente bens materiais, na Terra, é necessário trabalho, raciocínio e esforço. 

Para se adquirir a verdadeira fé também é indispensável o trabalho, o raciocínio, o estudo e o esforço. 

A prosperidade material é produto do trabalho. 

A prosperidade espiritual é uma conquista do Espírito. 

O dinheiro facilita o bem-estar físico. 

A fé, por sua vez, felicita o homem, não só espiritualmente, mas também atinge o seu físico. 

A fé não se compra nos templos de mercadores, nem nas feiras. Não se dá por esmola, nem se adquire por herança. 

A fé adquire-se especialmente pela aquisição de conhecimento. 

Sobre esse assunto, Allan Kardec deixou-nos o seguinte ensinamento: Fé verdadeira é a que pode encarar a razão face a face, em qualquer época da Humanidade. 

Deus tem concedido aos homens as mais variadas bênçãos, menos a fé. 

Por essa razão, vê-se em todas as religiões, pessoas capazes de nos cativar pela bondade, maravilharem-nos por sua paciência, atraírem-nos pela sua caridade. 

Entretanto, facilmente notamos também nelas a ausência da verdadeira fé. 

Por quê? 

Porque a fé não se adquire sem estudo, sem trabalho, sem o exercício do livre-arbítrio. 

Muitos homens ainda encontram-se cegos em face da luz e surdos em relação aos sons. São, ainda, pessoas sem fé. 

Têm o entendimento encoberto pelos véus dos dogmas e dos preconceitos. 

A fé verdadeira é poderosa, mas não se impõe pela força. 

A cada um de nós foi dada a liberdade para buscar a verdade e abandonar o engano. 

A fé é o alimento que sustenta o Espírito. 

É a água pura que dessedenta a alma. 

E assim como o comer e o beber exigem um esforço dirigido da vontade, também a fé não se conquista sem a aplicação de meios adequados a sua obtenção. 

A fé é a sabedoria consubstanciada no amor que nos conduz a Deus. 

Esta sim, a fé raciocinada, é a fé que efetivamente há de nos salvar. 

*   *   * 

Não é a repetição automática de palavras decoradas que nos aproximam de Deus. 

Não é a oferta de valores e de bens que nos concederá a paz que tanto almejamos. 

Não serão rituais, nem trajes específicos que garantirão às nossas almas o consolo e a orientação de que necessitamos. 

Deus dispensa fórmulas para estender seus braços amorosos em nossa direção. 

Somente a fé verdadeira, que deve ser conquistada por cada um de nós, individualmente e à custa de esforço e dedicação, é que nos oferecerá tais bênçãos de forma efetiva e permanente. 

Pensemos nisso! 

Redação do Momento Espírita.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Reflexões sobre o Natal….

 


Por José Passini 

A palavra natal, como se sabe, significa nascimento. Assim, pode-se dizer terra natal, significando terra onde nasceu alguém. Emprega-se a palavra também para significar dia do aniversário, do natalício. Entretanto, quando escrita com maiúscula, a palavra significa, para os cristãos, o nascimento de Jesus. Nesse caso, dizemos O Natal, ou o dia de Natal. 

A maioria da Humanidade cristã comemora o Natal sem atentar no que significou, para a Terra, o nascimento de Jesus. A Sua vinda foi anunciada século após século, por vários profetas. O povo hebreu esperava ansiosamente pelo Messias. Esperava-O como se espera um libertador, um guerreiro que, segundo pensava a maioria, viria libertar o povo de Israel do domínio romano. Imaginavam muitos que o Messias seria um homem rico e poderoso, que viria à frente de exércitos, que venceria os romanos, devolvendo-lhes os sofrimentos e as humilhações impostos aos Judeus, anos a fio. 

Contrastando com as expectativas, a vinda de Jesus não se revestiu do luxo e da pompa de um palácio, nem de demonstrações exteriores de poder. Pelo contrário, as primeiras paredes que o abrigaram foram as de um estábulo e o seu berço foi a humilde palha de uma manjedoura. O seu poder manifestou-se na firmeza de Suas convicções, na força da Verdade e na exemplificação profunda do Amor. 

Sabe-se que o Seu nascimento se deu nessas circunstâncias não por estarem Seus pais em condições de penúria. José, conquanto fosse um carpinteiro pobre, tinha com que pagar uma pousada, pois conforme relatam o Evangelho de Lucas (2:7) e Irmão X (Francisco Cândido Xavier, Antologia mediúnica do Natal, ed. FEB, cap. 50), o casal procurou algumas hospedarias, mas a cidade, em vista do recenseamento, estava repleta de viajantes e não havia aposentos disponíveis. Pode parecer que Jesus nasceu em meio humilde por essa condição meramente circunstancial, de não terem Seus pais encontrado vaga em nenhuma hospedaria de Belém. O Seu nascimento num estábulo pode ter sido circunstancial, mas a condição de pobreza já estava programada, visto ter escolhido a família de um carpinteiro. 

Desde o Seu nascimento, Jesus deixou mensagens da mais profunda significação na História humana. Começou por mostrar que o verdadeiro poder não se manifesta de modo visível senão àqueles que têm olhos de ver, pois emana do Espírito imortal e não da matéria transitória. Começando a vida num berço pobre, entre pessoas comuns, demonstrou a força imensa da simplicidade e da humildade. 

Trinta e três anos mais tarde, para a grande massa popular de Jerusalém, naquela sexta-feira de triste memória, Jesus foi um derrotado, vencido ao peso da iniquidade e dos interesses materiais do sacerdócio judaico. Entretanto, como previsto pelo profeta, Sua passagem pela Terra seria a de um vencedor: O seu túmulo passará como o de um malvado e a sua morte como a de um ímpio. Mas, desde o momento em que oferecer a sua vida, verá nascer uma posteridade e os interesses de Deus hão de prosperar em suas mãos. (Emmanuel/Francisco Cândido Xavier, A Caminho da Luz, ed. FEB, cap. 12). E Emmanuel completa, na obra já citada, Começava a era definitiva da maioridade espiritual da Humanidade terrestre, de vez que Jesus, com a sua exemplificação divina, entregaria o código da fraternidade e do amor a todos os corações. 

Por essas palavras do Benfeitor, vemos que a passagem de Jesus pela Terra não foi a de mais um missionário, mas constituiu-se num marco luminoso na História da evolução humana, foi algo de tal significação que chegou a mudar a contagem do tempo, em antes e depois de Cristo. 

Com o Cristo, o próprio conceito humano de religião mudou completamente. Não mais aquela religião mística, contemplativa, ritualística, cheia de oferendas e fórmulas repetitivas no interior dos templos. Religião, conforme Seus ensinamentos e, principalmente Seus exemplos, passou a ser, para aquele que lhe entendeu as lições, um novo modo de viver, de se relacionar com o próximo, em todos os ambientes, em todos os momentos. Ensinando que Deus está presente em todo o Universo, alargou os limites dos templos, transformando o mundo num templo imenso. 

Jesus, com simplicidade e humildade, mudou milenares conceitos religiosos, a começar pela ideia errônea que se tinha a respeito de Deus, substituindo o conceito Deus temor por Deus amor. Repetiu antigos conceitos de fé a respeito da justiça de Deus, mas em frases de luminosa beleza, colocou a misericórdia acima da justiça, apresentando Deus não mais como aquele soberano inflexível, e sim como Pai amoroso e bom. A bondade e a humildade eram tidas como atributos dos fracos, daqueles que não sabiam lutar, sendo, por isso, os humildes desprezados pelos fortes e poderosos. Jesus veio mostrar a força da humildade, pois Ele, a criatura mais humilde e mansa que a Terra conheceu, abalou para sempre os conceitos de força e de poder, deixando lições que sobreviveram e ganharam adeptos com o passar dos séculos, apesar dos esforços daqueles que quiseram sufocá-las. 

Ensinou, consolou, amparou, curou, libertou do mal pobres e ricos, fracos e poderosos, com a mesma naturalidade e solicitude amorosa. Soube contrapor-se ao mal com sinceridade e firmeza, sem arrogância ou revolta, mesmo nos momentos mais difíceis do Seu testemunho. Como diz Emmanuel, na obra já citada, combateu pacificamente todas as violências oficiais do judaísmo, renovando a Lei Antiga com a doutrina do esclarecimento, da tolerância e do perdão. Espalhou as mais claras visões da vida imortal, ensinando às criaturas humanas que existe algo superior às pátrias, às bandeiras, ao sangue e às leis humanas. Viveu essas verdades, enfrentando sereno e calmo a farsa do Seu julgamento, a zombaria, os flagelos, a cruz e a morte. Coroando Sua passagem pela Terra, deixou o marco da Imortalidade gloriosa ao ressurgir no esplendor do Seu corpo espiritual, mostrando aos discípulos a vitória da vida sobre a morte. 

Da palha da manjedoura à ressurreição gloriosa, Sua passagem pela Terra foi um marco luminoso. 

Nasceu sobre a palha simples de um estábulo, mas mudou o próprio calendário terrestre. 

Transformou aparentes derrotas em marcos luminosos para a evolução humana. 

Condutor da evolução humana, não apenas apontou o caminho a ser seguido, mas, como Mestre perfeito, o trilhou, Ele próprio, à frente. 

De Sua origem humilde, elevou-se como um gigante do Bem, cujas palavras amorosas ressoam até hoje. 

É o aniversário desse Missionário Maior, enviado por Deus à Terra, que comemoramos no dia de Natal. Por termos consciência do valor da mensagem que Ele nos deixou, é que devemos, nesta época do ano, meditar sobre como lhe oferecemos essa comemoração. O que temos a oferecer ao Mestre? É de senso comum que as lições bem aproveitadas agradam aos mestres. 

Estaremos demonstrando a Jesus que somos discípulos aplicados? 

Podemos apresentar-lhe algum progresso desde o último Natal? 

Quanto crescemos em tolerância, bondade, paciência, benevolência, caridade? 

Será que essas festas ruidosas, com bebidas, com excesso de comida, de doces, de presentes estariam ao gosto de Jesus, que primou sempre pela sobriedade e pelo equilíbrio? 

Como nos sentiríamos, se o Sublime Aniversariante viesse à nossa mesa participar da festa que, afinal, é em Sua homenagem? Justo festejemos com alegria, com boas refeições, na companhia de familiares e amigos queridos, num clima de tranquilidade e paz.

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