sexta-feira, 19 de julho de 2013

A Caridade Segundo o Apóstolo Paulo


O que é a caridade? Seria darmos esmolas, levarmos comida aos necessitados, comprarmos uma rifa beneficente? Fazer isso nos daria a consciência tranquila do dever cumprido como cristãos?

Paulo, nesta passagem, mostra aos cristãos de Corinto que a caridade é algo muito mais profundo e importante do que apenas darmos o que nos sobra aos carentes. Embora isto também seja um ato caritativo, não resume a grandiosidade desta virtude.

"Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse caridade, seria como o metal que soa ou como o sino que tine".

Este trecho é um alerta a todos os que são oradores, sejam espíritas, católicos, evangélicos, umbandistas, ou qualquer pregador que fale dos ensinos divinos. De nada adianta ser belo na palavra e pobre de ações. O exemplo de mudança íntima, de luta constante contra as imperfeições, deve fazer parte da vida dos que se dedicam a divulgar a mensagem cristã. Conheceremos se a árvore é boa pelos frutos, alertou Jesus. Caso contrário, a palavra será como o sino que tine, ou seja, fará muito barulho e chamará a atenção, mas não modificará os corações e inteligências a que é direcionada.

"E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse caridade, nada seria."

Ter conhecimento espiritual não faz do ser um indivíduo caridoso. É Jesus mesmo que se diz agradecido a Deus, por haver escondido os mistérios divinos dos sábios e os revelado aos simples (Mateus, cap. XI), referindo-se ao sentimento e à fé nos ensinamentos espirituais. A mediunidade e o entendimento das Leis do universo dão sim ao ser maior responsabilidade frente à vida, e de posse disso devem seus detentores modificar suas condutas e buscar a humildade.

A fé também não é sinônimo de caridade, pois sem obras é morta, segundo o apóstolo Tiago, em sua Epístola, cap. II, vers. 17. Com a afirmativa de que por mais fé que tivermos em Deus e em nossas próprias forças nada seremos se não tivermos a caridade, Paulo chama a atenção dos religiosos em geral. Muitos de nós acreditamos que a crença inabalável é porta aberta para ajuda do Alto. Porém, se não nos ajudarmos, praticando aquilo em que cremos através do bom exemplo, qual a vantagem de possuir fé?

“E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse caridade, nada disso me aproveitaria".

Dar esmolas e acabar com a necessidade material do próximo é muito importante. Mas preciso é alertar às pessoas que tudo depende da intenção. Se fizermos a doação material com o objetivo de aparecermos aos outros, ou então para aliviarmos nossa consciência, estaremos nos enganando. Além disso, corremos o risco de ajudar ao necessitado, mas humilhá-lo ao mesmo tempo, com um ar de superioridade que o ferirá.

A doação desinteressada deve brotar da compreensão da Lei de Deus, tornando-nos irmãos de quem ajudamos e tendo como único fim o amparo e alívio do sofredor.
Ainda neste trecho, Paulo instrui de que nada adianta nos auto flagelarmos, com o intuito de mostrarmos para quem nos vê que somos crentes em Deus. Mais importante que castigar o corpo, com privações e sofrimentos, é sufocar as más tendências, verdadeiras mães de nossas desgraças.

"A caridade é sofredora, é benigna; a caridade não é invejosa; não trata com leviandade; não se ensoberbece".

O apóstolo mostra que a verdadeira caridade traz a resignação, que é o entendimento das dificuldades da vida como obstáculos a serem vencidos, objetivando o progresso espiritual. Alia a bondade para com todos, independente do momento, pois a vingança e o ódio corroem o sentimento e turbam os sentidos racionais, enquanto o perdão enobrece o ser. Diz ainda que a prudência deve fazer parte de quem busca a caridade, pois ser leviano traz consequências inesperadas, e o orgulho do homem pode contribuir para o afastamento de Deus.

"Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal. Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade".

Em um mundo onde o que mais vale é a satisfação pessoal, mesmo em detrimento da paz alheia, a caridade busca decência e fraternidade. Com certeza, esta dor do próximo será revertida em desespero, rancor, violência, que mais cedo ou mais tarde, acabará voltando-se contra nós mesmos.

Irritar-se é a melhor forma de perdermos a razão, por isso a paciência e a sensatez fazem parte da caridade, levando o homem a pensar antes de agir. Assim, devemos lembrar ao assistente que a justiça irá se fazer mais presente em nossa sociedade, libertando os seres das mentiras e intrigas que envolvem interesses pessoais. É a verdade prevalecendo, e só ela pode nos libertar da ignorância, disse Jesus.

"Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta".

Tudo tem sua hora. Saber esperar é próprio da caridade. Quando o ser amplia sua visão além da vida material, vê no horizonte a luz necessária para manter-se animado e vivo. Busca na sabedoria cristã o esclarecimento para suas dúvidas, deixando de lado o desespero. É o caminho do equilíbrio proporcionado pela caridade.

"Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e a caridade. Mas a maior destas é a caridade" (Paulo, I Coríntios, cap. XIII, vers. 1 ao 13).

Mudança íntima, humildade, obras, exemplo, doação desinteressada, resignação, bondade, perdão, prudência, decência, razão, tranquilidade, sabedoria, justiça, amor ao próximo como a si mesmo. Com tudo isso, o apóstolo Paulo nos diz o que é a verdadeira caridade: um conjunto de atributos morais e intelectuais, que fará do Espírito ser dono de seu próprio destino.

A fé e a esperança, indispensáveis para uma existência sensata e confiante, são assessoras da caridade, que será o sentimento principal a ser buscado pelo homem de bem, libertando de seu egoísmo e encaminhando-o para o Reino de Deus.


Grupo Espírita Apóstolo Paulo (texto adaptado de roteiro para palestra)

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Caridade



Caridade é, sobretudo, amizade.
Para o faminto é o prato de sopa.
Para o triste é a palavra consoladora.
Para o mau é a paciência com que nos compete ajuda-lo.
Para o desesperado é o auxilio do coração.
Para o ignorante é o ensino despretensioso.
Para o ingrato é o esquecimento.
Para o enfermo é a visita pessoal.
Para o estudante é o concurso do aprendizado.
Para a criança é a proteção construtiva.
Para o velho é o braço irmão.
Para o inimigo é o silencio.
Para o amigo é o estimulo.
Para o transviado é o entendimento.
Para o orgulhoso é a humildade.
Para o colérico é a calma.
Para o preguiçoso é o trabalho sem imposição.
Para o impulsivo é a serenidade.
Para o leviano é a tolerância.
Para o maledicente - é o comentário bondoso.
Para o deserdado da Terra - é a expressão de carinho.
Caridade é amor, em manifestação incessante e crescente.
É o sol de mil faces, brilhando para todos,
é o gênio de mil mãos, ajudando, indistintamente,
na obra do bem, onde quer que se encontre,
entre justos e injustos, bons e maus, felizes e infelizes,
porque, onde estiver o Espírito do Senhor,
aí se derrama a claridade constante dela,
a beneficio do mundo inteiro.


Emmanuel
Francisco Cândido Xavier. Da obra: Viajor, ditada pelo Espírito Emmanuel.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Aprendizado do Amor



Reclamamos muito e nada ou pouco fazemos para mudar a nós mesmos. Ansiamos por reformar os demais. Queixamo-nos uns dos outros e nos agredimos, mental ou verbalmente.

É mais do que tempo de nos movermos para o Amor, ainda que lentamente.
E, quando o fizermos, conquistaremos “(...) a paz de Deus, que excede todo o entendimento, (...).” – Paulo, Fp 4:7.

Aprenderemos a exercitar a caridade, conforme nos lecionam os Espíritos, na questão 886, de O Livro dos Espíritos:

“886. Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, tal como Jesus a entendia?
Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas.”

E só o faremos exercitando a compaixão, nas variadas circunstâncias da vida.
Assim, a pouco e pouco, esse belo sentimento implantar-se-á em nosso íntimo.
Construamos obras externas – necessárias e úteis, sim, se nelas cultivarmos o amor incondicional –, mas priorizemos a transformação interior, eis que só ela nos conduzirá ao progresso real, que nos harmonizará com as Leis de Deus.

Esta a construção definitiva e, portanto, a mais importante.

A fé sem obras é morta; mas estas, sem o Amor, são vazias, dispensáveis e inúteis.

Movidos pela compaixão, seremos mais produtivos, afáveis, fraternos; e cultivaremos, ao mesmo tempo, outras virtudes preciosas: a amizade, a indulgência, a paciência, a solidariedade, a aceitação do outro como ele é. Cresceremos todos, juntos, construindo, a pouco e pouco, a felicidade perene.
Dificuldades e crises oferecem-nos oportunidades de crescer para o amor. São estes os momentos mais preciosos de nossas vidas.

Se as superarmos, com fraternidade, seremos promovidos, na escala espiritual. Ou não, se as desperdiçarmos.

É o que nos exemplifica o Espírito André Luiz, em Nosso Lar, quando de seu retorno à família, no lar terreno, ao socorrer o padrasto de seus filhos. Sua generosidade elevou-o à condição de “Cidadão de Nosso Lar”. Ao vencer a si mesmo, foi promovido espiritualmente.

*

Ao contrário, com o desamor, a irritação, a indiferença, banimos o diálogo, o afeto, a simpatia e nos agredimos uns aos outros.

“Sede indulgentes, meus amigos, porquanto a indulgência atrai, acalma, ergue, ao passo que o rigor desanima, afasta e irrita.” – José, Espírito protetor.1

Imitemos o Bom Samaritano, com aqueles que os céus nos enviam, necessitados ou feridos, à margem do caminho evolutivo; ou com os demais, de diversas condições, carentes de oportunidades, para que também cresçam e deem sua cota de amor à obra do Cristo.

Aqueles que hoje seguem conosco, enfermos, problemáticos, serão curados pela ação silenciosa, plena de misericórdia, de nosso amado Mestre! Transformados, agirão também na divulgação da mensagem cristã, nesta ou em futuras encarnações!

Dois significativos exemplos dessa natureza nos são oferecidos no livro Paulo e Estêvão.

Em primeiro lugar, o deste último, após ser socorrido na Casa do Caminho, aonde chegou enfermo, débil. Amparado e esclarecido na humilde e abençoada escola de almas, tornou-se ali dedicado trabalhador, até o momento final de sua existência, no doloroso martírio, em Jerusalém.

O segundo exemplo é o do próprio Saulo, ao encontrar e compreender Jesus! A partir daí, serviu e amou – numa das mais belas transformações porque passou um ser humano, com renúncias e o esquecimento de si mesmo, a ponto de afirmar, quase ao fim daquela existência, que “(...) já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim (...)”.2 – Paulo, Gl, 2:20. Também ele, em Roma, foi submetido ao martírio, havendo sido degolado!

Libertado do corpo, foi recebido por Jesus – ladeado por Estêvão e Abigail – que lhe afirma:

“(...) Vem, agora, a meus braços, pois é da vontade de meu Pai que os verdugos e os mártires se reúnam, para sempre, no meu reino!...”3

Ainda em Paulo e Estêvão, lemos que Pedro, em momentos difíceis, pensou em se afastar de Jerusalém, vencido, derrotado. Numa noite, enquanto orava, sentiu que alguém se aproximava suavemente:

“Era o Mestre! (...) Fitou-me grave e terno e falou:
– Pedro, atende aos ‘filhos do Calvário’, antes de pensar nos teus caprichos!”3

Todos pagaram elevado preço para o aprendizado do amor. A nós não nos pede tanto o Divino Mestre!

Aprendamos também a atender aos ‘filhos do Calvário’, à nossa volta, familiares, ou não!


Gebaldo José de Sousa


Referências:
1. KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 2. reimp. Rio de Janeiro, FEB, 2011. Cap. 10, it. 16.
2. BÍBLIA SAGRADA. Trad. João Ferreira de Almeida. Brasília: Sociedade Bíblica do Brasil, 1969.
3. XAVIER, Francisco C. Paulo e Estêvão. Pelo Espírito Emmanuel. 23.ed. Rio de Janeiro: FEB, 1987. Pt 2, Cap. 10, p. 553 e 390, respectivamente.

sábado, 13 de julho de 2013

Do Píncaro ao Lodo



Caridade – o clarão de uma palavra boa,
No calor da esperança a quem se desconsola,
A ternura no lar, a sacrossanta escola
Do perdão que suprime a injúria que atraiçoa.

Caridade – a oração que ilumina e abençoa,
O poder da afeição que a lágrima acrisola,
Fraternidade e luz renascentes da esmola
Da prática do bem, de pessoa a pessoa!...

Caridade – o sorriso, a paz, o teto e a mesa
Tudo o que purifica e exalta a Natureza
Nas fontes da bondade a que a vida recorre...

Caridade é servir desde o píncaro ao lodo,
Caminhar com Jesus e esquecer-se de todo
Para estender no mundo o amor que nunca morre.


Auta de Souza

Do livro Auta de Souza, ditado pelo Espírito de Auta de Souza por intermédio de Francisco Cândido Xavier.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Essência da Perfeição


Como distinguir a perfeição? Qual sua verdadeira essência? Onde ela se estrutura?

É fácil responder. Ela está na caridade. A caridade em toda sua extensão e abrangência, claro que não restrita na esmola ou na doação de coisas materiais. Mas, sim, a caridade, especialmente, dos relacionamentos. A caridade implica a prática de todas as outras virtudes.

Claro! A caridade é amor, é tolerância, é paciência, é humildade, é resignação ativa, é perdão! O amor – ou caridade – compreende, aceita, auxilia, acolhe!
Basta lembrar a famosa Epístola de Paulo sobre a caridade. Basta lembrar os ensinos de Jesus ou mesmo a caridade de Deus para conosco, em todos os sentidos.

A caridade não acusa e, mais, estende as mãos do auxílio. Atua no dever de amparar, vai ao encontro das misérias, inclusive das ocultas. Ela é solidária, ela confia, ela usa a fé e a esperança. A caridade jamais marginaliza, não tem preconceitos, não despreza, nem humilha. Ela, a caridade, é mãe de todas as virtudes, porque sempre se coloca no lugar do outro, pensa sempre na dificuldade alheia. A caridade não tem remorso, nem arrependimento, nem guarda culpas, porque suas ações são sempre no sentido da bondade, da solidariedade, da fraternidade.

E há um detalhe encantador: quando estamos em dúvida sobre qualquer questão de relacionamentos ou decisões a tomar, basta consultá-la. Ela responderá com critério e justiça, bondade e acolhimento, dará o norte para a ação.

A caridade não é omissa, ela age sempre no bem.

A caridade é virtude excelente, imprescindível. É a âncora que salva dos precipícios ou dos desastres morais. Notem os amigos que à sombra dessa excelente virtude viveremos em paz na Terra, porque nos respeitaremos e nos auxiliaremos mutuamente, e no Céu também porque estaremos em harmonia com a própria consciência. Lembrando que céu e inferno são meros estados de consciência, ou seja, estaremos no céu da serenidade, da harmonia, da paz de consciência ou no inferno do arrependimento, da culpa, do remorso...

A caridade salva, isto é, preserva dos desastres e quedas morais, porque ela é exatamente preventiva das misérias morais e sociais. A caridade sempre socorre, estende a mão, observa, avalia se os próprios gestos não trarão prejuízos e por aí afora. Vejamos, pois, a extensão da palavra e da própria virtude em si. Ela é doce, benfazeja, tranquila, perene e serena.

Por isso Allan Kardec proclamou: Fora da caridade não há salvação. E estabeleceu como instrumentos de ação o tripé: Trabalho, Solidariedade, Tolerância.

Orson Peter Carrara

terça-feira, 9 de julho de 2013

A Fé: Mãe da Esperança e da Caridade


Para ser proveitosa, a fé tem de ser ativa; não deve entorpecer-se. Mãe de todas as virtudes que conduzem a Deus, cumpre-lhe velar atentamente pelo desenvolvimento dos filhos que gerou.

A esperança e a caridade são corolários da fé e formam com esta uma trindade inseparável. Não é a fé que faculta a esperança na realização das promessas do Senhor? Se não tiverdes fé, que esperareis? Não é a fé que dá o amor? Se não tendes fé, qual será o vosso reconhecimento e, portanto, o vosso amor?

Inspiração divina, a fé desperta todos os instintos nobres que encaminham o homem para o bem. É a base da regeneração. Preciso é, pois, que essa base seja forte e durável, porquanto, se a mais ligeira dúvida a abalar que será do edifício que sobre ela construirdes? Levantai, conseguintemente, esse edifício sobre alicerces inamovíveis. Seja mais forte a vossa fé do que os sofismas e as zombarias dos incrédulos, visto que a fé que não afronta o ridículo dos homens não é fé verdadeira.

A fé sincera é empolgante e contagiosa; comunica-se aos que não na tinham, ou, mesmo, não desejariam tê-la. Encontra palavras persuasivas que vão à alma, ao passo que a fé aparente usa de palavras sonoras que deixam frio e indiferente quem as escuta. Pregai pelo exemplo da vossa fé, para a incutirdes nos homens. Pregai pelo exemplo das vossas obras para lhes demonstrardes o merecimento da fé. Pregai pela vossa esperança firme, para lhes dardes a ver a confiança que fortifica e põe a criatura em condições de enfrentar todas as vicissitudes da vida.

Tende, pois, a fé, com o que ela contém de belo e de bom, com a sua pureza, com a sua racionalidade. Não admitais a fé sem comprovação, cega filha da cegueira. Amai a Deus, mas sabendo porque o amais; crede nas suas promessas, mas sabendo porque acreditais nelas; segui os nossos conselhos, mas compenetrados do um que vos apontamos e dos meios que vos trazemos para o atingirdes. Crede e esperai sem desfalecimento: os milagres são obras da fé. — José, Espírito protetor. (Bordéus, 1862.)


Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XIX, item 11.

domingo, 7 de julho de 2013

Caridade, a grande Virtude


Toda moral ensinada por Jesus, se resume em duas simples palavras: Caridade e Humildade, isto é, nas duas maiores virtudes em que devemos concentrar todas as nossas forças em desenvolvê-las, se pretendemos erradicar de nosso espírito o egoísmo que até hoje nos mantém presos às teias da ignorância.

Em tudo que ensinou, chamou-nos a atenção apontando essas duas virtudes como sendo as que poderão nos conduzir de encontro à eterna e verdadeira felicidade. Falou-nos ele: “Bem-aventurados os pobres de espírito, isto é os simples, os humildes, porque deles é o reino dos céus; e continuou a nos ensinar; bem-aventurados os que têm puro o coração; bem-aventurados os que são brandos e pacíficos; bem-aventurados os que são misericordiosos; amai o vosso próximo como a vós mesmos; fazei aos outros o que gostaria que vos fizessem; amai os vossos inimigos; perdoai as ofensas, se quiserdes ser perdoados; praticai o bem sem ostentação; julgai-vos a vós mesmos, antes de julgardes os outros; não saiba a vossa mão esquerda o que dê a vossa mão direita”. Em todas estas passagens de seus ditos se pode tirar o ensinamento maior resumindo em caridade e humildade, eis o que não cessa de recomendar e exemplificar em todas as suas ações. Em tudo que pregou em sua passagem pelo nosso planeta, não cansou de combater o orgulho e o egoísmo que são sem dúvida as duas grandes chagas a corroer a humanidade.

O Mestre maior de todos nós não se limitou apenas a recomendar a caridade, põe-na como condição absoluta para a conquista da felicidade futura, assegurando-nos que as ações empreendidas pelos caridosos com certeza lhes assegurarão uma melhor posição no futuro quando a justiça divina nos chamar para a prestação de contas, como nos ensinou também em outra oportunidade “a cada um segundo as suas obras”.

Na Parábola do Bom Samaritano, considerado herético, mas que naquele momento pratica o amor ao próximo, Jesus coloca-o acima do ortodoxo que falta com a caridade. Não considera, portanto, a caridade apenas como uma das condições para a salvação, mas designa como condição única. Se outras houvesse que a substituíssem ele as teria ensinado. Desde que coloca a caridade em primeiro lugar, é que ela implicitamente abrange todas as outras: a humildade, a brandura, a benevolência, a indulgência, a justiça, etc., e também porque significa a negação absoluta do orgulho e do egoísmo naquele que a pratica.

O Espiritismo sendo o Cristianismo Redivivo, ou seja o cristianismo na sua pureza inicial, vem reafirmar os ensinos do seu criador com a máxima: “Fora da caridade não há salvação”, máxima essa que consagra o princípio da igualdade perante Deus, e da liberdade de consciência, deixando a todos a escolha da maneira como queiram seguir adorando o Pai Celestial, não pregando que fora do espiritismo não há salvação, pois bem sabe que o Cristo não fundou nenhuma religião, por isso mesmo respeita a liberdade de crença de todos os seus irmãos em humanidade, pois em qualquer corrente religiosa a que pertença o homem, terá aí mesmo a oportunidade de seguir os ensinamentos de Jesus.

Dediquemo-nos portanto meus irmãos à prática da caridade ensinada no evangelho de Jesus, pois ela nos ajudará não só a evitar a prática do mal, mas também nos impulsionará em direção ao trabalho no bem, e para a prática do bem uma só condição se faz indispensável: a nossa vontade, pois para a prática do mal basta apenas a inércia e a despreocupação, agradeçamos pois a Deus nosso Pai, por nos permitir encontrar em nossa estrada evolutiva a bênção de gozar da luz do Espiritismo.

Não significa achar que só os espíritas serão salvos; é que ajudando-nos a melhor compreensão dos ensinos do Cristo, ele nos faz, se seguirmos seus ensinos, melhores cristãos, confirmando por nossas ações que verdadeiros espíritas e verdadeiros cristãos são uma só e a mesma coisa, pois todos quantos praticam a caridade são discípulos de Jesus, não importando para tanto, que pertençam a esta ou àquela seita religiosa.


Francisco Rebouças

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Caridade, a Meta


Guarda, na mente, que a caridade em teus atos deve ser a luz que vence a sombra.

Enquanto não compreendas que a caridade é sempre a bênção maior para quem a realiza, ligando o benfeitor ao necessitado, estarás na fase primária da virtude por excelência.

Poderás repartir moedas, a mãos-cheias; todavia, se não mantiveres o sentimento da amizade em relação ao carente, não terás logrado alcançar a essência da caridade.

Repartirás tecidos e agasalhos com os desnudos; no entanto, se lhes não ofertares compreensão e afabilidade, permanecerás na filantropia.

Atenderás aos enfermos com medicação valiosa; entretanto, se não adicionares ao gesto a gentileza fraternal, estarás apenas desincumbindo-te de um mister de pequena monta.

Ofertarás o pão aos esfaimados; contudo, se os não ergueres com palavras de bondade, não alcançaste o sentido real da caridade.

Distribuirás haveres e coisas com os desafortunados do caminho; não obstante, sem o calor do teu envolvimento emocional em relação a eles, não atingiste o fulcro da virtude superior.

A caridade é algo maior do que o simples ato de dar.

Certamente, a doação de qualquer natureza sempre beneficia aquele que lhe sofre a falta. Todavia, para que a caridade seja alcançada, é necessário que o amor se faça presente, qual combustível que permite o brilho da fé, na ação beneficente.

A caridade material preenche os espaços abertos pela miséria socioeconômica, visíveis em toda parte.

Além deles, há todo um universo de necessidades em outros indivíduos que renteiam contigo e esperam pela luz libertadora do teu gesto.

A indulgência, em relação aos ingratos e agressivos;

a compaixão, diante dos presunçosos e perversos;

a tolerância, em favor dos ofensores;

a humildade, quando desafiado ao duelo da insensatez;

a piedade, dirigida ao opressor e déspota;

a oração intercessória, pelo adversário;

a paciência enobrecida, face às provocações e à irritabilidade dos outros;

a educação, que rompe as algemas da estupidez e da maldade que se agasalham nas furnas da ignorância gerando a delinquência e a loucura...

A caridade moral é desafio para toda hora, no lar, na rua, no trabalho.

Exercendo-a, recorda também da caridade em relação a ti mesmo.
Jesus, convivendo com os homens, lecionou exemplificando todas as modalidades da caridade, permanecendo até hoje como o protótipo mais perfeito que se conhece, tornando-a a luz do gesto, que vence a sombra do mal, através da ação do amor.

Caridade, pois, eis a meta.


* * *

Franco, Divaldo Pereira. Da obra: Vigilância.
Ditado pelo Espírito Joanna de Angelis.
1a edição. Salvador, BA: LEAL, 1987.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

A Caridade segundo “O Evangelho Segundo o Espiritismo”


A Caridade Material e a Caridade Moral


9 – “Amemo-nos uns aos outros e façamos aos outros o que quereríamos que nos fosse feito”. Toda a religião, toda a moral, se encerram nestes dois preceitos. Se eles fossem seguidos no mundo, todos seriam perfeitos. Não haveria ódios, nem ressentimentos. Direi mais ainda: não haveria pobreza, porque, do supérfluo da mesa de cada rico, quantos pobres seriam alimentados! E assim não mais se veriam, nos bairros sombrios em que vivi, na minha última encarnação, pobres mulheres arrastando consigo miseráveis crianças necessitadas de tudo.

Ricos! Pensai um pouco em tudo isso. Ajudai o mais possível aos infelizes; daí, para que Deus vos retribua um dia o bem que houverdes feito: para encontrardes, ao sair de vosso invólucro terrestre, um cortejo de Espíritos reconhecidos, que vos receberão no limitar de um mundo mais feliz.

Se pudésseis saber a alegria que provei, ao encontrar no além aqueles a quem beneficiei, na minha última vida terrena!

Amai, pois, ao vosso próximo; amai-o como a vós mesmos, pois já sabeis, agora, que o desgraçado que repelis talvez seja um irmão, um pai, um amigo que afastais para longe. E então, qual não será o vosso desespero, ao reconhecê-lo depois no Mundo dos Espíritos!

Quero que compreendais bem o que deve ser a caridade moral, que todos podem praticar, que materialmente nada custa, e que não obstante é a mais difícil de se por em prática.

A caridade moral consiste em vos suportardes uns aos outros, o que menos fazeis nesse mundo inferior, em que estais momentaneamente encarnados. Há um grande mérito, acreditai, em saber calar para que outro mais tolo possa falar: isso é também uma forma de caridade. Saber fazer-se de surdo, quando uma palavra irônica escapa de uma boca habituada a caçoar; não ver o sorriso desdenhoso com que vos recebem pessoas que, muitas vezes erradamente, se julgam superiores a vós, quando na vida espírita, a única verdadeira, está às vezes muito abaixo: eis um merecimento que não é de humildade, mas de caridade, pois não se incomodar com as faltas alheias é caridade moral.

Essa caridade, entretanto, não deve impedir que se pratique a outra. Pelo contrário: pensai, sobretudo, que não deveis desprezar o vosso semelhante; lembrai-vos de tudo o que vos tenho dito; é necessário lembrar, incessantemente, que o pobre repelido talvez seja um Espírito que vos foi caro, e que momentaneamente se encontra numa posição inferior à vossa. Reencontrei um dos pobres do vosso mundo a quem pude, por felicidade, beneficiar algumas vezes, e ao qual tenho agora de pedir, por minha vez.

Recordai-vos de que Jesus disse que somos todos irmãos, e pensai sempre nisso, antes de repelirdes o leproso ou o mendigo. Adeus! Pensai naqueles que sofrem, e orai.

IRMÃ ROSÁLIA Paris, 1860


****


10 – Meus amigos, tenho ouvido muitos de vós dizerem: Como posso fazer a caridade, se quase sempre não tenho sequer o necessário?

A caridade, meus amigos, se faz de muitas maneiras. Podeis fazê-la em pensamento, em palavras e em ações. Em pensamentos, orando pelos pobres abandonados, que morreram sem terem sequer vivido; uma prece de coração os alivia. Em palavras: dirigindo aos vossos companheiros alguns bons conselhos. Dizei aos homens amargurados pelo desespero e pelas privações, que blasfemam do nome do Altíssimo: “Eu era como vos; eu sofria, sentia-me infeliz, mas acreditei no Espiritismo e, vede agora sou feliz!” Aos anciãos que vos disseram: “É inútil; estou no fim da vida; morrerei como vivi”, respondei: “A justiça de Deus é igual para todos; lembrai-vos dos trabalhadores da última hora!” Às crianças que, já viciadas pelas más companhias, perdem-se nos caminhos do mundo, prestes a sucumbir às suas tentações, dizei: “Deus vos vê, meus caros pequenos!”, e não temais repetir frequentemente essas doces palavras, que acabarão por germinar nas suas jovens inteligências, e em lugar de pequenos vagabundos, fareis delas verdadeiros homens. Essa é também uma forma de caridade.

Muitos de vós dizeis ainda: “Oh! somos tão numerosos na terra, que Deus não pode ver-nos a todos!” Escutai bem isso, meus amigos: quando estais no alto de uma montanha, vosso olhar não abarca os bilhões de grãos de areia que a cobrem? Pois bem: Deus vos vê da mesma maneira; e Ele vos deixa o vosso livre arbítrio, como também deixais esses grãos de areia ao sabor do vento que os dispersas. Com a diferença que Deus, na sua infinita misericórdia, pôs no fundo do vosso coração uma sentinela vigilante, que se chama consciência. Ouvi-a, que ela vos dará bons conselhos. Por vezes, conseguis entorpecê-la, opondo-lhe o espírito do mal, e então ela se cala. Mas ficai seguros de que a pobre relegada se fará ouvir, tão logo a deixardes perceber a sombra do remorso. Ouvi-a, interrogai-a, e frequentemente sereis consolados pelos seus conselhos.

Meus amigos, a cada novo regimento o general entrega uma bandeira. Eu vos dou esta máxima do Cristo: “Amai-vos uns aos outros”. Praticai essa máxima: reunir-vos todos em torno dessa bandeira, e dela recebereis a felicidade e a consolação.


UM ESPÍRITO PROTETOR, Lyon, 1860

De O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap.XIII; 9 e 10, Allan Kardec.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Especial do Mês


O amor de Deus expressa-se em toda sua criação.

Na chuva que irriga o solo e na pequenina semente que rompe a casca e faz brotar a planta, que no tempo certo veste-se de cores, perfumando e ornamentando a natureza com as flores para mais tarde gerar o fruto, que sacia a fome e sustenta a vida de inumeráveis seres.

No encantamento do voo e da melodia dos pássaros e no pouso sutil das borboletas por sobre os jardins.

Nas nascentes que inauguram o ciclo das águas, que mantém a vida no planeta. Em tudo está o amor de Deus. Em toda alma, existe inata o gérmen do amor divinal.

Anunciado como a lei maior pelo Mestre Jesus e traduzido no poema do apóstolo Paulo, na carta aos coríntios, o amor faz da caridade a sua máxima. Com essa virtude que é a vontade de tornar a felicidade possível para nós e para os outros e que nasce no imo do ser ao sentir-se e colocar-se em lugar do próximo, movimentamos o amor de Deus.

No mês de julho há um momento a mais para lembrarmos-nos da caridade: O Decreto - lei nº 5063, de 04.07.1966, assinado, pelo presidente Humberto Castello Branco, instituiu em nosso país o dia 19.07 como o dia da caridade. O Manancial de Luz faz desse momento o especial “Caridade, a Sublime Máxima do Amor”, com mensagens e artigos espíritas que serão postados exclusivamente em dias alternados versando sobre o tema.

Abraços fraternos!

Carlos Pereira

sábado, 29 de junho de 2013

Imagem e Mensagem

Quando Falar – Momento Espírita


Uma mensagem que reflexiona sobre a palavra como forma de expressão do nosso mundo íntimo.


sexta-feira, 28 de junho de 2013

Um Caso de Vidas Passadas

Um Caso Interessante de Lembranças de Vidas Passadas


Por José Carlos Leal

Ruth Montgomery é uma conhecida escritora americana que se ocupa em divulgar assuntos espiritualistas em seus livros (a maioria publicada no Brasil pela Record) e nos conta um interessante fenômeno de déjà-vu, acontecida com ela própria no Egito moderno.

Conta ela que, em 1952, estava no Egito para fazer uma reportagem sobre o Oriente Médio. Assim que ela chegou foi muito bem recebida pelo Ministério do Exterior egípcio, que colocou um guia local à sua disposição. Ruth ficou hospedada no Cairo, no hotel Semíramis de onde, emocionada, podia ver a Grande Pirâmide de Gizé. Uma sensação agradável de estar em casa tomou conta da jornalista. No dia seguinte, ela saiu com o guia para ver a cidade e fez questão de que ele a levasse até a Grande Pirâmide. Ela teve uma forte vontade de entrar no monumento. O guia concordou. Entraram da pirâmide e o guia, cumprindo o seu papel, aconselhou-a a abaixar a cabeça para poder caminhar pelo escuro corredor estreito. Neste momento, ela se torna cicerone do guia e explica a ele como se chegava à Câmara Real. O guia se admira e pergunta a ela se não estivera ali antes, e ela diz que não, mas que, entretanto, era como se conhecesse tudo ali.

Ruth acha aquilo muito estranho e, meio envergonhada e assustada consigo mesma, não sabia por que havia feito aquelas observações. Até aquele dia não dedicara um minuto de sua vida ao pensamento sobre a reencarnação e, se alguma pessoa lhe falasse que acreditava em uma vida depois desta, ela teria considerado como uma pessoa excêntrica. Por outro lado, caminhando por aqueles corredores, auxiliada apenas pela luz bruxuleante de uma vela, ela podia constatar que todas as informações que dera ao guia eram corretas. Como aquilo era possível? – perguntava Ruth a si mesma. Não havia lido nada de especial sobre as pirâmides e as fotografias que havia visto delas eram do exterior e não poderiam dar uma ideia tão nítida como aquela.

Depois deste primeiro acontecimento, Ruth Montgomery desenvolveu uma estranha relação com o Egito. Quando distante das Terras do Nilo, sentia uma espécie de saudade e de nostalgia. Nesses momentos, sentia-se atraída pelo Egito e, caso pudesse, voltaria lá a fim de se sentir, como costumava dizer, em casa. “O Nilo,” diz ela, “era tão importante e vital para mim como o rio Potomac, onde nasci e passei um quarto da minha vida”.

Ela confessa que possui uma péssima memória visual e se esquece facilmente dos rostos das pessoas que conhece, entretanto, se fosse um rosto egípcio, ela guardava com mais facilidade. Nos templos de Karnac e Luxor, as suas sensações foram tão fortes que teve dificuldade de ir embora. Queria ficar ali para sempre. O Egito parece ter sido a pátria espiritual de Ruth, embora a América seja a sua pátria atual. Como é belo ouvir-se uma experiência desta em que uma repórter americana sente-se como se fosse egípcia. Belo, porque nos aponta para a imortalidade do espírito e nos faz cidadãos não do Brasil, da França ou da Inglaterra, mas cidadãos do mundo. E mais do que isso: do Universo.

Fonte: Correio Espírita

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Brian Weiss – Especial em Espanhol

Uma entrevista completa do Dr. Brian Weiss com legendas em espanhol, sobre a sua vida e os temas que fazem parte da terapia de vidas passadas.


quarta-feira, 26 de junho de 2013

Música Espírita

Do Brasil pro Mundo Inteiro – Cancioneiro Espírita


A música “Do Brasil pro Mundo Inteiro”, do grupo Cancioneiro Espírita faz uma reflexão da razão de estarmos encarnados na nação que é considerada a pátria do evangelho.


domingo, 23 de junho de 2013

Recesso do Manancial


Caros leitores,

Faremos uma breve pausa de recesso em razão dos festejos do São João.
Retornaremos com as nossas atualizações normais a partir de 25.06 (terça-feira).
Desejamos a todos um São João de muita Paz!

Abraços fraternos!
Carlos Pereira
^