quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Dentro de nós

Pelo dia de Francisco de Assis


Um pouco sobre esse grande Espírito que se fez pequeno entre nós para nos ensinar sobre a fé, a esperança e a caridade.

Francisco, “Il Poverello” de Assis e as Virtudes


“Il Poverello” praticou em todos os momentos o Evangelho do Mestre, dando de comer aos famintos, saciando os que tinham sede, hospedando os forasteiros, vestindo os nus, visitando os doentes e os presos (Mateus 25: 36). Vivenciou o amor em plenitude, obedecendo ao maior mandamento: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”, sabendo que toda a lei e os profetas estão contidos nesse mandamento (Mateus 22: 36-40).

Francisco, dentre as três virtudes: a fé, a esperança e a caridade, ressaltou a caridade como a mais excelente, ratificando o ensino de Paulo (1ª Carta aos Coríntios, 13: 13). Ninguém como ele, realmente testificou que “fora da caridade não há salvação” (“OESE”, nº15: 8). Na Parábola do Bom Samaritano, o Mestre, colocou de lado, na salvação, até o sacerdócio, citando um homem sem religiosidade, como afortunado, porque, humilde e caridoso, auxiliou o homem largado no caminho. Mesmo sem ser religioso, foi outorgado por Jesus como salvo, merecendo a denominação de verdadeiro cristão, porque pela ação da vontade fez o bem.

O “Santo de Assis”, de acordo com o Sermão do Monte (Mateus 5: 1-12), como pobre em espírito, tornou-se possuidor do Reino dos Céus; consolou os aflitos de todos os matizes; manso por excelência, com capacidade ampla de herdar a Terra; satisfeito por ter fome e sede de justiça; feliz por ser misericordioso, puro de coração e promovedor da paz. Todos os insultos recebidos, as calúnias arremessadas e as perseguições sofridas, por causa do trabalho com o Mestre, faziam dele um autêntico cristão, merecendo a devida recompensa na dimensão espiritual.

Algumas fontes mediúnicas fazem menção de ter sido Francisco, em pretérita reencarnação, o apóstolo João Evangelista.

Américo Domingos Nunes Filho

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Especial do Mês


Mahatma Gandhi (1869 – 1948) foi uma das grandes personalidades pacifistas da humanidade. Nasceu em Porbandar, Índia, no dia 2 de outubro de 1869, época em que a nação era uma colônia britânica. Seu nome verdadeiro era Mohandas Karamchand.

Participou ativamente na luta contra o domínio Inglês na Índia ganhando destaque pelo seu projeto de não violência. Ficou popularmente conhecido por seus pensamentos e filosofia, usando sempre como manifesto jejuns, marchas e boicotes a impostos e consumos de produtos originários da Inglaterra na tão sonhada conquista pela independência.

No ano de 1947, por fim, Gandhi liberta a Índia do império inglês. “Um longo jejum foi sua arma de resistência pacífica à dominação do império britânico. O fato comoveu o mundo e obrigou os ingleses a dar a independência aos hindus”, lembra a monja Sundari Shakti.

Em janeiro de 1948, Gandhi foi morto por um rebelde hindu por pregar a tolerância religiosa.

No mês de outubro, com o especial “Gandhi em Pensamentos”, o Manancial de Luz homenageia ao Mahatma Gandhi pela sua trajetória em favor da paz, com postagens de frases e pensamentos de sua autoria.

sábado, 30 de setembro de 2017

A Importância da Literatura Espírita



Por Cristina Nunes

Desde o seu nascimento o Espiritismo se via destinado a florescer como o lótus. O marco monumental da obra de Allan Kardec, representado pelo precioso legado dos cinco livros basilares da Codificação, nos quais a Espiritualidade no transmite os seus informes sobre a continuidade inexorável da vida, prossegue, incólume, norteando todo o movimento espírita brasileiro.

Assim sendo, era previsível o desdobramento do trabalho conjunto de magníficas implicações entre as dimensões invisíveis e materiais terrenas, de vez que a essência da mensagem espírita é atual a qualquer tempo e inerente ao encadeamento das vidas sucessivas a que todos estamos sujeitos, nos jungindo às Leis evolutivas de Causa e Efeito e de aprimoramento rumo às estâncias da vida mais depuradas do Universo. Isto é ponto comum a toda a humanidade imersa em jornadas milenares na materialidade com a finalidade de aprender, não importando aí crenças ou descrenças individuais.

Nesta conjuntura, indispensável que as revelações solidárias da Espiritualidade acerca dos detalhes desta realidade maior prosseguissem, dando continuidade ao seu maravilhoso curso informativo e esclarecedor, com a contribuição progressiva de novos trabalhadores na seara da literatura espírita. Com efeito, vivemos tempos memoráveis nos quais, em vários idiomas, contamos com vasta contribuição de inumeráveis autores tanto de obras de cunho doutrinário quanto de romances mediúnicos ou fictícios, cujo conteúdo lídimo nos remete a novos cenários e a informes mais esmiuçados do que constituí o prosseguimento da vida nas paragens para além dos cenários materiais.

Na área dos romances, tivemos como exemplo notório os livros do Conde de Rochester transmitidos à médium russa Wera Krijanowskaia trezentos anos após a morte dele em 1680, relatando, em cenários autênticos e ricos em detalhes dos séculos passados, peripécias várias das reencarnações de um mesmo grupo de espíritos no rumo gradativo do seu aprendizado espiritual. Mais tarde, Chico Xavier, o maior médium brasileiro, deu continuidade a esta linha literária nos presenteando com as obras de Emmanuel, seu mentor desencarnado que também nos ofereceu notícias da evolução de alguns espíritos durante as suas reencarnações nos palcos da antiguidade romana. De modo que, junto com os trabalhos de teor doutrinário imprescindíveis ao entendimento devido dos aspectos morais e científicos da evolução espiritual humana, os romances comparecem como estilo de literatura indispensável aos perfis que melhor assimilam estas grandes verdades por intermédio daquela técnica outrora muito empregada por Jesus, na célebre utilização das parábolas ricas de significação destiladas às almas nos relatos de histórias e de dramas do cotidiano, cujos personagens bem podemos ser todos nós.

Junto às novas vertentes descobridoras de terrenos ainda pouco explorados, quais as pertencentes à área da ufologia sob a ótica espírita, esta vasta e fecunda atividade é o campo de semeadura promissora e eficiente, que conta sempre com novos e antigos amigos, colaboradores e simpatizantes. É a nossa proposta de contribuição para a real efetivação de um mundo melhor, onde indivíduos conscientes de sua grande responsabilidade perante a eternidade da vida, e consequentemente mais felizes e espiritualmente fortalecidos, compartilharão em plenitude a autêntica fraternidade, bem como uma visão mais sábia e mais harmônica da vida.



quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Vivência Existencial


Por Fernanda Leite Bião

Ao renascermos, somos pequeninos e desajeitados. Sem o auxílio do outro, ficamos à mercê da provável extinção das forças físicas.

Embora Espíritos milenares, renascemos em condição de aprendizes de todo tipo de condição humana, dentro de um momento histórico, em torno de uma rede social, nossa família de base, e vinculada a nós pelas experiências anteriores.

O que sei ao voltar a um corpinho de matéria densa como o organismo terreno?

Começamos uma nova caminhada, diante de desafios e incertezas, expectativas e esperanças, tendências e probabilidades, velhos e novos aprendizados, de acordo com nossas potencialidades, possibilidades, necessidades e força de vontade.

No campo dos sentimentos, somos ainda sementinhas.

Os primeiros toques, dos pais e cuidadores, além de transmitirem uma energia muito gostosa e sutil, vêm carregados de gestos, de toques e olhares, que serão as nossas primeiras diretrizes, na condição de encarnados, as primeiras lições da alma de volta ao estágio terreno.

Você já reparou como são atentos os olhinhos das crianças, que nada perdem, nada deixam passar em branco, querendo tudo aprender? O sorriso expressando alegria, lágrimas, que podem ser de dor, cansaço ou teimosia. Carinha feia pode ser um não. Carinha feliz, barriga cheia.

Existem tantas possibilidades de aprender a sentir, a se manifestar.

Daí a importância de sermos mais do que reprodutores de crenças, valores e atos. Temos de ensinar, educar nossos semelhantes.

É possível mudar a si mesmo. Um condicionamento adquirido pode ser modificado por um novo aprendizado, desde que haja motivação para tanto.

Motivação: ação que me motiva. Qual é a sua?

Repare que estamos falando de autoconhecimento, da relação com o outro, de dar e receber, da manifestação de existir. Conhecer a si mesmo, sendo-aí-no-mundo-com-o-outro. Coexistir, para autodescobrir.

Lembremos da máxima de nosso querido Mestre Jesus: “Ama ao próximo como a ti mesmo e a Deus sobre todas as coisas”.

Ama, amar – ação de desenvolvimento do amor. Não está pronto nem acabado, não existe fórmula perfeita ou única, é um verbo que transmite o movimento constante da habilidade de amar.

O amor pode ter várias formas de se expressar, mas o verbo fala de uma ação que envolve sempre um ou mais sujeitos. Nós, eu, você, eles, todos, quem sabe? Próximo, posso ser eu, pode ser você, pode ser a natureza. Todos e qualquer um pode ser o seu próximo. Jesus não nomeou nada nem ninguém em especial.

Amar o próximo – movimento de transcender ao outro, de se abrir ao outro, de sentir o outro e de possibilitar o outro a nos sentir.

O outro é um mundo à parte de você e, ao mesmo tempo, em diálogo com você. Mesmo que o outro conviva ao seu lado, é alguém diferente, alguém que, muitas vezes, interpretou e interpreta sons, gestos e sentimentos de forma diferente da sua, mas que está em movimento, tanto quanto você.

É preciso compreender. Compreender toda a energia que pulsa vida, que poderemos nomear Deus, Criador, Senhor, Amor.

Compreender que tudo e todos estão revestidos dessa energia-possibilidade que só conhecemos por meio da convivência.

Viver – relacionar-se com o mundo, mundo que é sentido, para conhecer. Conhecimento de si, conhecimento do outro. Momento de diálogo, que traz o germe do aprendizado de habilidades necessárias para evoluir.

Nomes variados atribuímos ao montante de sentimentos, emoções, pensamentos e energias que precisamos combinar para organizar nossa vida como seres.

Importante se reconhecer em tudo isso.

Mais que olhar só para fora, aprenda a olhar, também, para dentro de si.

A comunhão do ser está na possibilidade de diálogo entre o velho e o novo, entre o hoje e o amanhã, entre o que sei do amor e o que vou aprender com o amor e sobre amar.

A comunhão do ser consigo mesmo atravessa a relação tríade eu-tu-eterno. Você-próximo-Deus.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Espiritualidade na Vida Diária


Por: Adriana Aguiar Brotti

Seja qual for a religião que venhamos a seguir o fato é que o seu estudo doutrinário e a frequência em seus templos por si só não nos garantem a experiência em Deus.

Falar e ouvir a palavra de Deus dissociada da ação não nos aproxima Dele. Portanto a pergunta que devemos fazer a nós mesmos é: Como está a nossa vida? Quais são os sentimentos que carregamos em nossos corações? Como temos experimentado a presença de Deus em nossas vidas?

A espiritualidade em sua essência consiste em saber justamente como viver. Ou seja, como viver com consciência e adotando atitudes positivas em relação a nós mesmos, aos outros e a toda manifestação divina.

Note que, mesmo tendo muito conhecimento doutrinário, muitas pessoas permanecem estagnadas espiritualmente, isso porque não se esforçam para colocar em prática o que estudam e não raras as vezes, cobram essa prática de todos aqueles que estão à sua volta.

Além de todo o conhecimento que podemos adquirir por meio das religiões é preciso verdadeiramente querer abraçar ao projeto divino de nossa própria evolução.

Sabemos que são considerados Bem-aventurados os mansos e pacíficos, por exemplo, mas porque dentro do nosso próprio lar não exercitamos a paciência e a doçura? Se Jesus nos ensinou a perdoar, porque nos deixamos envolver pelo orgulho por anos e anos, deixando de nos relacionar com alguém?

Queremos que Deus nos agrade, nos dê bênçãos, mas, o que estamos oferecendo a Ele? O sacrifício mais agradável a Deus é justamente nos conciliarmos com aqueles que entendemos ser nossos inimigos.

Há uma passagem interessante na Bíblia, em Coríntios que diz, ainda que nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo se renova de dia em dia. Da mesma forma, Chico Xavier também nos alertou que embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode recomeçar agora e fazer um novo fim. Isso tudo significa que não importa o passado e a idade de cada um de nós, se temos dez, trinta, quarenta ou setenta anos. Qualquer tempo é tempo para despertarmos e nos voltarmos para Deus, por meio da prática dos ensinamentos de nosso Mestre Jesus. Daí o entendimento de que quem está em Cristo, nova criatura se torna e tudo se faz novo.

Portanto, toda vez que nos dirigirmos a um templo religioso, nosso propósito deve ser o de recarregarmos a nossa energia, de expandirmos a nossa consciência e, ao deixar esse templo, nosso propósito deve ser o de estreitarmos nossos laços mais sagrados, que são os laços que nos unem ao Pai, por meio de nossos pensamentos, palavras e ações.

Quando buscamos o nosso próprio aperfeiçoamento moral, nos aproximamos de Deus e, consequentemente criamos um estado de bem-estar em nós.

Busquemos esse bem-estar qualificando nossos pensamentos, exercitando a paciência, ofertando presentes e serviços espirituais, perdoando e alimentando nossa fé, a cada instante de nossas vidas.

Luz e Paz a todos!

domingo, 24 de setembro de 2017

Efemérides Espíritas: Herculano Pires


Jesus, o Existente


Por Cláudio Bueno da Silva

Li recentemente um livro da professora e escritora Heloísa Pires, chamado Herculano Pires, o homem no mundo ¹. Nele a autora fala da trajetória de trabalho e luta de seu pai, Herculano, desde jovem, sempre às voltas com as dificuldades naturais da vida e sua tranquila capacidade de superá-las. Fala também da intimidade do grande pensador, do seu amor pelos animais, plantas e livros, do bom humor constante, além do seu brilhantismo intelectual e força moral.

Nas duas partes finais (das três partes do livro), Heloísa aborda temas existenciais segundo a ótica espírita, com respaldo no pensamento doutrinário de Herculano Pires.

Um destes temas traz “Jesus, o existente”, um texto simples que reúne objetivamente informações verdadeiras sobre a vida e a missão de Jesus, que fazem recordar a quem já as conhecia, e esclarecer a quem nunca se preocupou em sabê-las.

Heloísa Pires traça com singeleza o caráter superior de Jesus e põe em relevo sua preocupação prioritária com “os necessitados de todos os matizes”. Realça a natureza do Mestre, humana enquanto encarnado, divina em relação à sua pureza e elevação da sua missão, bem diversa da caracterização mística e sobrenatural que as religiões cristãs criaram para ele. Enfim, um Jesus que existiu, bem distante de qualquer possibilidade de enquadrá-lo na categoria de mito.

Pelo interesse e reflexão que pode trazer a muitos, divido o texto com os leitores:

Na época em que Jesus veio à Terra, o ‘tora’, escrito sobre tábuas de pedras, era a lei. A vinda de Jesus foi o acontecimento mais notável da história (...).

O profeta hebreu falava sobre a vinda do Messias e sua morte, cercado pela incompreensão na Terra. Mas disse que os interesses de Jeová prosperariam após a sua morte.

Jesus nasceu entre os hebreus, o povo mais adiantado da época, espiritualmente falando. A mostrar a importância da família, teve a cerca-lo indivíduos de moral irrepreensível. Seus pais, Maria e José, eram pobres, simples, mas dignos. Seu nome era um nome comum, alteração de Josué. Nasceu em Nazaré, mas deturparam a estória para enquadrar Jesus nas lendas da época. Jesus foi o primogênito, mas depois vieram os irmãos; nenhum o seguiu. (...)

Nazaré era uma deliciosa cidade, o clima era ameno, as mulheres formosas. (...)

A educação de Jesus foi a da época. (...) O Nazareno não se preocupou em obter nenhum título. Colocou-se sempre acima da tradição e da época. Era isento de egoísmo, de ambição, de todos os defeitos próprios dos mundos de provas e expiações. Foi um revolucionário, mas sua arma foi o Amor. Um amor como jamais fora visto na Terra, um amor que perdoava, compreendia. Estendeu seu afeto aos pecadores, aos necessitados de todos os matizes. Não era um Deus, era um Espírito mais adiantado que veio à Terra para mostrar onde devemos chegar, como agir em cada circunstância. Dizia que era filho de Deus e o filho do homem. Um irmão mais velho que descobriu, antes, o caminho que facilitava a subida da montanha e veio mostrá-lo aos irmãos menores. Disse sempre que faríamos o que ele fez e muito mais. Foi o maior psicólogo, o maior filósofo de todos os tempos; mas não ficou só na teoria, exemplificou tudo o que ensinou.

Não realizou milagres, disse que viera para cumprir a lei; e a cumpriu, mesmo as leis biológicas do planeta, quando de seu nascimento. Foi filho de Maria e José e não do Espírito Santo. Se o corpo de Jesus era igual ao de todos nós, se nascera fruto do amor de um casal maravilhoso, onde estava a superioridade de Jesus? Isso é bem explicado em “A gênese”, de Allan Kardec, no capítulo sobre milagres e profecias de Jesus. A superioridade do Nazareno era consequência de seu Espírito superevoluído, que produziu um perispírito superior.

Portanto, era o perispírito de Jesus que ocasionava a diferença. Formado, por lei de afinidade, das partículas mais puras dos fluidos espirituais da Terra, possuía no mais alto desenvolvimento as propriedades do perispírito. Em Jesus a expansão, irradiação, flexibilidade do perispírito haviam atingido o desenvolvimento pleno, o que lhe permitia realizar fatos normais considerados milagres.

Em outros dois capítulos de “A Gênese” entendemos melhor o paranormal Jesus de Nazaré: “Formação do perispírito” e “Ação dos Espíritos sobre os fluidos espirituais”. Entendemos porque aqueles que se aproximavam de Jesus, pensando que iriam sarar, conseguiam a cura.

Jesus criava, através de emissões mentais que provam a sua superioridade espiritual, um campo eletromagnético que induzia os indivíduos ao fortalecimento interior.

Quando os seus discípulos disseram que não podiam curar um lunático, ele afirmou:

– Não puderam curá-lo por causa de sua pouca fé. Se tiverdes fé do tamanho de um grão de mostarda nada vos será impossível.

Jesus explicou a importância do pensamento positivo e a necessidade da utilização de nossas forças interiores.

Jesus veio nos conscientizar da necessidade de melhorarmos o nosso padrão vibratório para conseguir saúde, paz, vitórias na horizontal e na vertical.

‘Podeis fazer o que eu faço e muito mais’.

¹ Herculano Pires, o homem no mundo, Heloísa Pires, Edições FEESP, São Paulo, 199

Artigo em homenagem a passagem da data de nascimento de José Herculano Pires, em 25 de setembro de 1914, na cidade de Avaré, São Paulo. Herculano Pires, como era conhecido, foi um jornalista, filósofo, educador, escritor e tradutor brasileiro que se destacou como um dos mais ativos divulgadores do espiritismo no país.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Já raiou um Novo Dia. É Primavera!


A primavera muda a feição da paisagem, colorindo-a, deixando transparecer ideia de renovação, de renascimento.

É presumível por todos nós o que ela anuncia: relva verdejante, árvores frondosas, flores e frutos.

Se olharmos uma árvore com mais detida atenção, veremos que seu caule sustenta os galhos, as folhas, flores e frutos, quando é o caso. E ao mesmo tempo é sustentado pelas suas raízes que, com adequada capilaridade, se conjuga ao solo, num amálgama de sustentação e vida.

No entanto, a essência da vida para a árvore não está nas raízes apenas, mas na seiva recolhida do solo fértil, o qual se vitaliza e se revitaliza graças às forças e elementos da natureza, quais o Sol, a chuva, os resíduos…

Por analogia, nos vemos como uma árvore.

O caule somos nós, indivíduos.

Os galhos são nossas ações multidirecionadas.

As folhas e frutos, o resultado de nossas ações, dirigidas ao nosso entorno, ao próximo, à sociedade.

As raízes são nossas crenças, nossos valores, nossos princípios, que dão sustentação e orientação para nosso pensar, nosso existir, para nossas ações e, por conseguinte, para nossos resultados.

No entanto, a robustez do caule, a frondosidade que os galhos sustentem e a excelência dos benefícios que a árvore da vida pode gerar, estão diretamente dependentes da qualidade da seiva que colhamos da mãe natureza.

Conforme lemos no Bhagavad Gita, o homem é feito de sua crença. E o que ele acredita, ele é.

Logo, em nossa metáfora, podemos afirmar que nossa fé, nossas crenças necessitam de constante e selecionado alimento: a seiva especial, que as forças que dão vida disponibilizam. Quais sejam: os bons pensamentos, as boas práticas de vida, os novos e superiores conhecimentos, o exercício do amor, a valorização do tempo, a relação harmoniosa com o próximo, os laços afetivos com a família, o enriquecimento de amizades, a relação consciente com Deus.

Mesmo em solos difíceis e áridos, há vida.

Na simples semente está o gigante carvalho. Bem como numa simples semente, encontramos o início de uma grande floresta, a qual, por sua vez, cumprirá seu papel na natureza, dando apoio e sustentação a um diversificado sistema de vida, que interage entre si e se autossustenta.

Somos nós ramo verde, fadados aos melhores e mais úteis resultados perante a vida.

Foi o Pai Excelso que semeou as sementes da vida, para que, também sementes que fomos, nos integremos na vida eterna.

As sementes, enquanto germinam, lutam para romper as resistências do solo, a fim de, atendendo seu finalismo natural, como ramo tenro, buscarem a luz que o Sol dadivosamente derrama sobre a Terra e os seres.

E o Sol de Primeira Grandeza raiou para todos nós há mais de dois mil anos.

Sua mensagem e Seus feitos são qual Sol Nascente que jamais se põe.

Para a vida sofrida da Humanidade, em marcha de progresso e redenção espiritual, a Sublime Esperança está sempre a Leste e ninguém segura a aurora do dia. O raio do Sol gentilmente conduz pelas suas mãos a sombra da noite, levando-a para outras paragens, a fim de que a luz prepondere, iluminando os caminhos das nossas mais profícuas realizações diárias.

E a mesma árvore do período invernoso, cujas paisagens eram de um certo desencanto, e seus galhos desnudos, sem folhas, lhe davam ar de ocaso, como se a vida ali estivesse a se extinguir, ressurge com a alva do tempo novo que traz novamente, no momento previsto, a primavera da ressurreição da esperança.

Somos nós os que, uma vez conhecendo Jesus, o Cristo de Deus, saímos do frio da indiferença e dos padecimentos d’alma, para o calor radiante que Ele, o Sol da Vida, conduz em nascente gloriosa aos nossos corações.

Ele veio para reflorir os caminhos, para reverdecer a verdade e recolorir a vida com luzes naturais, inconfundíveis.

É Jesus de volta, agora pelas letras do Espiritismo, cartilha que aprendemos a ler.

Mas não está somente nos escritos deixados pelo grande Allan Kardec, pois Ele também está em qualquer hoste religiosa conducente a Deus.

E ainda não somente aí sob o abrigo das Religiões, pois Ele está em todos os recantos de nosso ainda sofrido planeta, onde haja um coração que sofre e clama.

Ele veio não para fundar religiões, mas para nos ensinar a viver com religiosidade, a qual religa a Deus.

Ele veio para que, com Ele, tenhamos vida, e vida em abundância.

Ele é a Excelente Seiva que alimenta e vitaliza a grande árvore da vida.

Tudo passou. Agora é tempo de esperança.

Cada dia nasce de novo alvorecer.

Saia para se expor e deixar-se iluminar, acalorar e revitalizar pelo Celeste Sol das Almas.

Já raiou um novo dia!

Faça desse dia o início de sua permanente primavera existencial.


Editorial Jornal Mundo Espírita, setembro/2016.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Sentimento e Moralidade precedem à Intelectualidade


Por Jorge Hessen

Será que há uma tarefa especializada da inteligência no orbe terrestre? Emmanuel ilustra que “assim como numerosos Espíritos recebem a provação da fortuna, do poder transitório e da autoridade, há os que recebem a incumbência sagrada, em lutas expiatórias ou em missões santificantes, de desenvolverem a boa tarefa da inteligência em proveito real da coletividade. Todavia, assim como o dinheiro e a posição de realce são ambientes de luta, onde todo êxito espiritual se torna mais porfiado e difícil, o destaque intelectual, muitas vezes, obscurece no mundo a visão do Espírito encarnado, conduzindo-o à vaidade injustificável, onde as intenções mais puras ficam aniquiladas. [1]

Há aqueles que possuem o chamado QI elevado, que entretanto desconhecem os cruciais problemas sociais. James Flynn, professor da Universidade de Otago, Nova Zelândia, pesquisador no campo de investigações sobre a inteligência, afirma que os resultados médios em testes de inteligência vêm aumentando em todas as raças humanas. Todavia, em que pese o enorme potencial intelectual, muitos “inteligentes” não têm noção da história complexa do mundo que os cerca. Em seu mais novo livro, Does Your Family Make You Smart?, Flynn discute as maneiras como o pensamento humano mudou ao longo dos tempos, incluindo um aumento misterioso no quociente de inteligência (QI).

Alguns pesquisadores argumentam que “aumento misterioso no quociente de inteligência” reflete a completa educação atual sob a crescente dependência da linguagem e inteligência tecnológica. Tempos atrás, lembram, nossos bisavós padeceram com máquinas de escrever, e nossos pais com o primeiro videocassete, mas as crianças atuais aprendem a usar com extrema facilidade um tablet ou um smartphone ainda em tenra idade. Com isso, a atual geração talvez pense de forma rápida e abstrata, o que pode resultar em aumentos médios de percentuais no QI, mas esse aumento não significa perspectiva de melhora social.

Nesse debate, cientistas se apresentam convictos de que, independentemente dos antecedentes familiares, as pessoas têm o poder de cuidar do próprio desenvolvimento intelectual e moral, pois os estudos mostram que circunstâncias tecnológicas atuais influenciam o QI no presente mais do que a tradicional e histórica experiência educativa da família. Dizem! Porém, James Flynn não concorda com isso. Seguimos o pensamento de Flynn, pois cremos que a família é o fator principal para o desenvolvimento da moralidade e da inteligência.

“Temos no instituto familiar uma organização de origem divina, em cujo seio encontramos os instrumentos necessários ao nosso próprio aprimoramento para a edificação do Mundo Melhor”. [2] Destacando aqui que “de todos os institutos sociais e educacionais existentes na Terra, a família é o mais importante, do ponto de vista dos alicerces morais que regem a vida”. [3] Porquanto, no sagrado instituto da família há a base mais elevada para os métodos de educação, das noções religiosas, com a exemplificação dos mais altos deveres da vida.

Considerando que o colégio familiar tem suas origens sagradas na esfera espiritual, preponderam nesse instituto divino os elos do amor, fundidos nas experiências de outras eras. Obviamente os valores intelectivos representam a soma de muitas experiências, em várias vidas do Espírito, no plano material. Uma pessoa de QI elevado significa um imenso acervo de lutas planetárias. Atingida essa posição, se o homem guarda consigo uma expressão idêntica de progresso espiritual, pelo sentimento, então estará apto a elevar-se a novas esferas do Infinito, para a conquista de sua perfeição. [4]

Lamentavelmente, a inteligência humana sem desenvolvimento moral e sentimental tem sido arma letal, porque nesse desequilíbrio do sentimento e da razão é que repousa atualmente a dolorosa realidade do mundo de guerras. O grande erro das criaturas humanas foi valorizar historicamente apenas o intelecto, olvidando os valores legítimos da moralidade e do coração nos caminhos da vida.

Referências bibliográficas:

[1] Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, pergunta 208, RJ: Ed FEB, 2000
[2] Xavier, Francisco Cândido. Espírito de Emmanuel.
[3] Idem.
[4] Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, pergunta 42, RJ: Ed FEB, 2000

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

A Velocidade do Tempo e das Escolhas


Por Doris Madeira Gandres

Tem sido muito comum e generalizado o comentário: “meu Deus, como o tempo está passando rápido”; “nossa, já é Natal novamente”; “céus, meu dia não rende mais, não tenho mais tempo pra nada” – e assim por diante. Ouvem-se tais afirmações de pessoas de todas as idades, vivendo nas mais diversas situações, atuando nos mais diversos meios ou simplesmente já em fase de afastamento do que se chama “vida ativa”, isto é, os aposentados; e também daqueles que ainda estão no início de sua nova fase reencarnatória.

Todos que ouvimos notícias, lemos jornais e revistas, assistimos a noticiários, acessamos a internet, temos tido a oportunidade de ler, ver ou ouvir a respeito da “Ressonância Schurmann”, teoria já em estudo por vários cientistas e que demonstra a aceleração da pulsação do Universo, em geral – o que significa, em termos de avaliação desses cientistas, que o tempo, como o conhecemos aqui em nosso planeta, está passando mais rápido; que o dia antes correspondendo, de acordo com o ritmo de pulsação existente até pouco tempo, a 24 horas, hoje se restringe a 16 horas...

Isso nos parece de difícil compreensão, visto que poucos de nós temos o conhecimento necessário de Física e de Física Quântica que possa nos auxiliar a entender essa teoria, praticamente comprovada. Contudo, o que podemos constatar é que efetivamente o tempo parece estar passando muito mais rápido para todo o mundo que conhecemos – todos reclamam dessa “sensação” (ou não será sensação?), sem que se possa definir por que sentimos esse efeito.

A verdade é que se verifica uma “aceleração” na ocorrência dos fatos do nosso entorno e no mundo; é certo também que a mídia hoje é muito mais atuante e invasiva, gerando a impressão de uma proximidade maior entre criaturas e situações de todas as partes do mundo. Isso cria ainda uma monumental carga de informações que nos obriga a trabalhar num processo de assimilação e, quando necessário, de utilização, também muito mais rápida dessas informações.

No início do mês de outubro, dia 02 exatamente, estive em um congresso sobre mediunidade nos dias atuais, em que um companheiro de ideal, André Trigueiro, chamou a atenção para o efeito do excesso de energia consumida sem retorno real para o crescimento espiritual, quando levantou o problema da dispersão da atenção e do foco, originada pelo uso abusivo dos meios de comunicação e entretenimento hoje ao nosso alcance, inclusive ressaltando uma questão digna da maior reflexão de nossa parte: “maior dispersão: armadilha espiritual” – o que pode ser resultado de processo obsessivo ou mesmo anímico.

Citou ainda a advertência de Muniz Sodré, professor doutor titular da Escola de Comunicação da UFRJ: “A multiplicidade dos fatos informativos não resulta no aperfeiçoamento do cidadão”. Nós, espíritas, só podemos concordar com essa afirmativa – não é a teoria que nos promove a elevação espiritual, mas sim o bom uso dessa teoria, se ela for boa, logicamente! Não basta conhecermos de cor toda a Codificação Espírita, em que fulgura a moral do Cristo na vivência das Leis Divinas, se não nos dispusermos, mesmo com dificuldades e percalços, a lutar o “bom combate” ao qual se referia Paulo de Tarso, ou seja, a “envidar todos os esforços para vencer as nossas más inclinações e nos melhorarmos”.

Não se trata obviamente de fechar os olhos e os ouvidos para não tomar conhecimento dos fatos e dados que o progresso científico-cultural nos proporciona, mas de qualificar e não de quantificar as nossas escolhas; de fazer um melhor planejamento das nossas atribuições e compromissos e melhor adequá-los às nossas possibilidades e condições de bem atendê-los; de fazer uso inteligente dessas possibilidades e condições, no sentido de proporcionar oportunidades de crescimento intelectual e moral e, promover assim, a nosso favor e a favor dos que caminham conosco, um avanço mais tranquilo e seguro na estrada evolutiva.

Sabemos que as etapas reencarnatórias são transitórias, que as existências físicas são experiências necessárias à conquista de atributos imperecíveis para o bom relacionamento de criaturas nos dois planos da vida, criaturas imortais e com a eternidade ao seu dispor; assim, cabe-nos a responsabilidade de estabelecer estratégias de procedimentos benéficos, gerindo, da melhor forma possível, as novas situações que o avanço tecnológico, científico e intelectual nos oferece.

Cada vez mais se faz necessário encontrar tempo, apesar do “pouco tempo”, para o autoexame, a autoanálise, o tão conhecido “conhece-te a ti mesmo” – e isso é fruto de reflexão, de meditação, de avaliação criteriosa e sincera de nós mesmos em todos os aspectos; cada vez mais, faz-se necessário “o amar a si mesmo”, tal como o Mestre Jesus nos recomendou: não com egoísmo e orgulho, mas com respeito e carinho para com os “deuses” que somos, “capazes de fazer tudo o que Ele fez e muito mais”, não permitindo que excessos ou carências de qualquer tipo possam retardar indefinidamente a nossa ascensão.

sábado, 16 de setembro de 2017

A Consciência



Por Temi Mary Faccio Simionato

A mente é uma faculdade do espírito e não do cérebro, e é formada pelo pensamento, sentimento e vontade.

Herdeiros de si mesmo, das experiências passadas, evoluímos por etapas, adquirindo novos recursos, corrigindo erros anteriores, somando conquistas.

Jamais retrocedemos nesse processo, mesmo quando aparentemente reencarnamos dentro das paredes da enfermidade limitadora que bloqueiam o corpo, a mente ou a emoção, gerando sofrimentos. A aquisição da consciência é desafio da vida, é o autoconhecimento que merece exame, consideração, trabalho, discernimento, lucidez e livre-arbítrio.

Nós, como Espíritos, voltamos várias vezes, tomando novo corpo de carne sobre a Terra, a fim de tornar a conviver como homem na sociedade e, exatamente como este, somos levados a trocar de roupa muitas vezes.

As qualidades morais, assim como as intelectuais, dependem do Espírito, nunca do corpo. Amor, bondade, ternura, caráter e outras qualidades têm a sua origem na organização espiritual, que iniciou simples e ignorante, mas aprendeu viajando pelos caminhos da imortalidade.

A conscientização da imperfeição humana e da brevidade da vida física nos conduz à humildade, reconhecendo a transitoriedade das condições materiais, a constante impermanência dos cargos, das classes, das posses e de tudo o mais, no que o eu adoecido se apoie para justificar-se senhor.

Joanna de Ângelis nos diz “a mudança de atitude em relação à vida e aos relacionamentos em nosso trabalho de edificação, torna-se o recurso mais produtivo que nos dá equilíbrio e nos liberta das cargas conflitivas”.

Ao nos tornarmos conscientes, podemos viver em harmonia com a nossa própria natureza. Tomaremos conhecimento da origem dos nossos conflitos, possibilitando assim uma expansão constante de nossa consciência. Quando nos propomos a um autoexame honesto, encontramos uma força interior na qual residem todas as possibilidades de renovação.

À medida que o Espírito se aprimora, o corpo torna-se mais etéreo ou menos denso, demonstrando o seu grau de sintonia com a centelha Divina. A realidade espiritual pouco a pouco se revela, conforme a evolução do próprio ser, no seu processo de lapidação de valores e despertamento das leis que, na consciência, dormem ocultos.

Devemos olhar para nossa realidade como ela é, aceitando-nos sem culpa e sem compactuar com nossa inferioridade; também devemos evitar fugir através de justificativas a respeito do nosso passado ou expectativas vazias do futuro. É importante reconhecer que o passado está gerando frutos no presente e que o futuro aponta para novos ideais; isto deve ser feito de forma equilibrada, não nos esquecendo de que o trabalho se faz nesse instante com a realidade atual.

Somos resultado deste estado mental, no qual o pensamento, orientado pela vontade e intensidade dos nossos sentimentos, tem a força de construir ou destruir em todos os momentos da nossa vida.

Estamos sempre sintonizados e criando alguma coisa, seja para o bem ou para o mal.

Uma das atitudes essenciais para o nosso aprimoramento é a ligação mental com Deus; junto com a aceitação de nós mesmos, temos que buscar a unidade com nosso Pai para que nossas forças espirituais possam ser alimentadas e sejamos inspirados na busca do melhor.

Buscando essa ligação íntima, estamos buscando o encontro com a Fonte da Vida que nos sustenta.

Sem o devido cuidado conosco, através do amor por nós enquanto filhos do Amor Maior, não poderemos estabelecer o amor com os demais. Amar a si é buscar o entendimento da nossa realidade, é ter a consciência de nossa condição espiritual e da capacidade da nossa mente.

Experimentemos a alegria e entreguemo-nos a Deus, cantando um hino de louvor.

Permitamos, dessa forma, que Ele nos liberte da opressão da ignorância, facultando-nos a alegria da felicidade.

Portanto, no dia em que assumirmos nossa pequenez frente à Grandeza Divina, aquele eu enganado conseguirá abrir espaço para a presença do eu interior e, então, promoveremos o processo de Cristificação, imortalizada na frase do grande Apóstolo do Cristo “Eu vivo, mas não sou mais eu: O Cristo vive em mim”.

Bibliografia:

Peralva, Martins. O pensamento de Emmanuel. 9ª edição, Rio de Janeiro, 2011, ED FEB. Pág.: 141, 142, 145.
Franco, Divaldo – pelo Espírito de Joanna de Ângelis. Refletindo a Alma. 1ª edição, Salvador, 2011, ED LEAL. Pág.: 68, 73, 76, 88, 194, 195, 206, 212, 213, 275, 276.
Franco, Divaldo. Carta psicografada. 18/11/97. Porto Alegre.
Franco, Divaldo – pelo Espírito Joanna de Ângelis. Momentos de alegria - A Consciência (cap. 5). 4ª edição, Salvador, 2014, ED. LEAL.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Obsessão - O que é, e como tratá-la



Por Marcos Paterra

Na doutrina ouvimos muito o termo “Obsessão”, e por conta disso por vezes rotulamos de obsidiados algumas pessoas com problemas, mas devemos levar atentar de que “obsessão”, segundo Allan Kardec, é o nome para o assédio extra físico que uma pessoa pode vir a sofrer. Para Kardec, estamos sempre rodeados e sendo intuídos por espíritos. Estes, de forma geral, podem ser classificados como “bons”, “maus” ou “neutros”. O termo obsessão é utilizado apenas para a influência do segundo caso, ou seja, dos “maus” espíritos.

“Pululam em torno da Terra os maus Espíritos, em consequência da inferioridade moral de seus habitantes. A ação malfazeja desses Espíritos é parte integrante dos flagelos com que a Humanidade se vê a braços neste mundo. A obsessão, que é um dos eleitos de semelhante ação, como as enfermidades e todas as atribulações da vida, deve, pois, ser considerada como provação ou expiação e aceita com esse caráter.”[1]

Normalmente se atribui o “rotulo” de obsidiado, àqueles que aparentam estar fora de si, os vulgarmente chamados de “loucos”, devemos separar a loucura patológica causada por lesões cerebrais das causadas por obsessões.

“Quem vê um louco vê um obsidiado, tanto que até hoje se tem confundido um com o outro. O mesmo olhar desvairado, a mesma apatia fisionômica, ora a excitação até a fúria, ora a prostração até ao indiferentismo, sempre a incoerência das ideias. Se um tem momentos lúcidos, o outro igualmente os tem; se um pode cair no idiotismo, o outro também.” [2]

O CID 10, item F.44.3 - define estado de transe e possessão como a perda, transitória da identidade com manutenção de consciência do meio ambiente, fazendo a distinção entre os normais, ou seja, os que acontecem por incorporação ou atuação dos espíritos, dos que são patológicos, provocados por doença. Os casos, por exemplo, em que a pessoa entra em transe durante os cultos religiosos e sessões mediúnicas não são considerados doença.

"Não confundamos a loucura patológica com a obsessão; esta não provém de lesão alguma cerebral, mas da subjugação que Espíritos malévolos exercem sobre certos indivíduos, e que, muitas vezes, têm as aparências da loucura propriamente dita.”.[3]

Sobre essa ótica, devemos levar em conta que mesmo os chamados “loucos”, sofreram ou sofrem de obsessões, Bezerra de Menezes comenta:

“Convém, porém, observar que, embora a loucura por obsessão não dependa de lesão cerebral, pode esta lesão vir a dar-se, por causa da obsessão.

Não é causa; mas pode vir a ser efeito.

A ação fluídica do obsessor sobre o cérebro, se não for removida a tempo, dará necessariamente em resultado o sofrimento orgânico daquela víscera, tanto mais profundo, quanto mais tempo estiver sob a influência deletéria daqueles fluidos”
Mais adiante complementa: “[...] a obsessão desprezada determina lesão orgânica do cérebro, donde a coexistência das duas causas da perturbação mental. ”[4]

Muitos podem perguntar o que teriam feito essas pessoas para sofrerem influencias de maus espíritos, e a resposta quem nos dá é J. Herculano Pires:

“Se voltassem os olhos para o passado, veriam que a História da Humanidade é suficiente para justificar todas as formas de obsessão e vampirismo que campeiam no planeta, desde as nações mais bárbaras às mais civilizadas.”[5]

Sobre esse aspecto Divaldo Franco em sua obra “Nos Bastidores da Obsessão” ditado pelo espírito de Manuel Philomeno de Miranda completa:

“As causas da obsessão variam, de acordo com o caráter do Espírito. É, às vezes, uma vingança que este toma de um indivíduo de quem guarda queixas do tempo de outra existência. Muitas vezes, também, não há mais do que desejo de fazer mal: o Espírito, como sofre, entende de fazer que os outros sofram; encontra uma espécie de gozo em os atormentar, em os vexar, e a impaciência que por isso a vítima demonstra mais o exacerba, porque esse é o objetivo que colima, ao passo que a paciência o leva a cansar-se [...]”.[6]

O tratamento das vítimas de obsessão é longo e exige determinação tanto do paciente quanto dos médiuns que o tratam, sobre esse prisma voltamos a nos embasar no livro “ Nos Bastidores da Obsessão”:

“A obsessão, sob qualquer modalidade que se apresente, é enfermidade de longo curso, exigindo terapia especializada de segura aplicação e de resultados que não se fazem sentir apressadamente.

Os tratamentos da obsessão, por conseguinte, são complexos, impondo alta dose de renúncia e abnegação àqueles que se oferecem e se dedicam a tal mister[...]”[7]

Finalizando devemos levar em conta a “ auto obsessão”, onde somos a causa de nosso desiquilíbrio mental.

A auto- obsessão é às viciações milenares que embrutecem o espírito, ora se deixa influenciar por impulsos primários, como a inveja, o egoísmo, a luxúria e o ciúme, ora se entrega a injustificáveis explosões coléricas, motivadas pelo cultivo prolongado da irritabilidade e da impaciência.

“A prece é um meio eficaz para curar a obsessão?

R: A prece é um poderoso socorro para todos os casos, mas sabei que não é suficiente murmurar algumas palavras para obter o que se deseja. Deus assiste aos que agem, e não aos que se limitam a pedir. Cumpre, portanto, que o obsedado faça, de seu lado, o que for necessário para destruir em si mesmo a causa que atrai os maus Espíritos.”[8]


Publicado em janeiro de 2012 pela RIE (Revista Internacional de Espiritismo)



[1] Allan Kardec, “A Gênese”, 14ª edição da FEB, capítulo 14. “Obsessões e Possessões”. ( Nota do Autor espiritual.)
[2] Trecho retirado do Cap. “Obsessão” do livro : “Loucura sob novo prisma” obra de Bezerra de Menezes
[3] Allan Kardec, “O Livro dos Espíritos” .
[4] Trechos retirados do Cap. “Obsessão” do livro : “Loucura sob novo prisma” obra de Bezerra de Menezes.
[5] Trecho retirado do livro “Vampirismo” Cap. VIII- “Autovampirismo” de J. Herculano Pires; Ed. Paidéia, São Paulo/SP.
[6] Trecho retirado do livro “Nos Bastidores da Obsessão” Cap. “Examinando a Obsessão” obra de Divaldo Franco.
[7] Trecho retirado do livro “Nos Bastidores da Obsessão” Cap. “Examinando a Obsessão” obra de Divaldo Franco.
[8] Questão 479 do Livro dos Espíritos- Allan Kardec.
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