sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

O Arauto Moisés


"À fase mágica da Humanidade sucedeu a fase religiosa. A primeira das grandes religiões monoteístas foi a judaica.

Cativos no Egipto, os Hebreus encontraram em Moisés não só um líder religioso mas também político. Foi Moisés quem conduziu aquele povo cativo na direção da liberdade e da Terra Prometida.

Quando Moisés subiu ao Monte Sinai e recebeu os Dez mandamentos, recebeu os fundamentos da Lei Divina, a pedra basilar do reto proceder que conduz à Felicidade e à salvação.

Os Dez Mandamentos foram uma novidade na época, pelo que representaram de Justiça, em tempos de trevas da lei do mais forte.

Hoje, com muitos direitos, liberdades e garantias estabelecidos, pelo menos no mundo livre, os Dez mandamentos parecem-nos arcaicos. Mas se nos interrogarmos com sinceridade, veremos que ainda são pouco postos em prática.

A ideia de um Deus Único e Justo foi uma Revelação adequada à compreensão dos povos daquela época. Antes de vir a este mundo, Moisés traçou o roteiro da sua encarnação sobre a Terra, e cumpriu a sua missão.

Em oposição à ideia ancestral de deuses castigadores e caprichosos, eivados dos defeitos humanos, a ideia de um Deus omnipotente foi alavanca para o progresso moral da Humanidade."


A vida de Moisés desenrolou-se no Oriente Próximo, ao longo do século XIII a.C. De ascendência hebraica, acabou sendo criado por uma princesa egípcia, recebendo educação sacerdotal. Contudo, jamais perdeu o vínculo com a sua origem étnica.

Os hebreus, divididos em várias tribos, estavam nessa época na condição de escravos no Egito, que formava, por sua vez, um imenso e poderoso império. Ao expandir seus domínios, os egípcios submetiam os povos que encontravam, impondo-lhes, conforme o caso, a escravidão ou o pagamento de tributos.

Os hebreus eram empregados como mão de obra na construção de palácios e templos, achando-se sob dura opressão. Ao presenciar um feitor egípcio maltratando um escravo hebreu, Moisés interveio em seu favor, mas acabou matando o feitor. Como o assassinato era um crime grave, Moisés fugiu para o deserto, em direção à Madiã, onde foi acolhido por uma família hebraica de pastores.

No seio dessa família, Moisés encontrou uma esposa e passou a cuidar de um rebanho de ovelhas, também se tornando um pastor. É, pois, justamente nessa fase da sua vida que se intensificaram as manifestações espirituais.


Moisés e seu primeiro contato com Iavé

Moisés apascentava as ovelhas do seu sogro, nas proximidades do Monte Horeb, quando teve uma forte experiência espiritual, que mudaria para sempre os rumos da sua existência.

Visualizou uma sarça completamente em chamas, mas que não a consumiam. Do meio da sarça ardente emergiu um ser espiritual que passou a se comunicar com ele: “Moisés, Moisés! Eu vi a aflição de meu povo que está no Egito, e ouvi os seus clamores por causa dos seus opressores. Sim; eu conheci os seus sofrimentos .[…] Vai, eu te envio ao Faraó para tirar do Egito os israelitas, meu povo .”
A entidade espiritual que apareceu a Moisés identificou-se como sendo Iavé, responsável tanto por ele como também pelos demais hebreus. A partir desse primeiro contato, Moisés e Iavé formaram um circuito mediúnico ininterrupto, marcado pelos mais singulares fenômenos.

Cumpre destacar que Iavé é considerado aqui como o Espírito-Guia de Moisés e do povo hebreu, não como Deus.

Moisés atende aos comandos de Iavé e liberta, sob a sua influenciação espiritual, o povo hebreu da escravidão egípcia, iniciando uma longa marcha pelo deserto na direção de uma nova terra, a Terra de Canaã.


A Mediunidade de Moisés

Moisés, pela análise que se pode fazer das narrativas bíblicas, era um poderoso médium de efeitos físicos. A seguinte citação evidencia um típico fenômeno de materialização:
“O Senhor ia adiante deles, de dia numa coluna de nuvens para os guiar pelo caminho, e de noite numa coluna de fogo para os alumiar; de sorte que podiam marchar de dia e de noite .”

A coluna de nuvem e de fogo, que precedia a marcha dos hebreus, guiando-os pelo deserto, provavelmente constituía um agregado de material ectoplásmico, emanado diretamente de Moisés e de outros médiuns, que talvez nem tivessem consciência disto.

É oportuno destacar que a partir desta coluna de nuvem ou de fogo o Espírito Iavé tornava-se visível para o povo, ditando os seus comandos para o mesmo. Iavé fala para Moisés:
“Eis que me vou aproximar de ti na obscuridade de uma nuvem, a fim de que o povo ouça quando eu te falar, e para que também confie em ti para sempre .”

É, conforme a citação, frequentemente através de uma nuvem que Iavé consegue se comunicar com os hebreus. A citação, ainda, deixa claro o mecanismo mediúnico: o Espírito Iavé, antes de comunicar-se com seu povo, precisa aproximar-se do seu médium, Moisés, afinando-se com ele. A nuvem, através da qual Iavé fala ou se materializa, caracteriza a substância ectoplásmica que quando dispensada em grande quantidade pelo medianeiro configura uma verdadeira nuvem de aparência leitosa que servirá de interface para a manifestação espiritual.


Um Colegiado de Médiuns

“Iavé disse a Moisés: 'Sobe para o Senhor, com Aarão, Nadab e Abiú e setenta anciãos de Israel, e prostrai-vos à distância. Só Moisés se aproximará do Senhor, e não os outros, e o povo não subirá com ele '.”

Moisés fez como Iavé ordenara. Aarão, Nadab, Abiú e os setenta anciãos formavam um grupo mediúnico que funcionavam como suporte para as relações espirituais entre Moisés e Iavé. Era esse grupo mediúnico que doava os recursos necessários para formar a coluna de nuvens, através da qual Iavé se comunicava.

“Iavé disse a Moisés: 'Sobe para mim no monte. Ficarás ali para que eu te dê as tábuas de pedra, a lei e as ordenações que escrevi para sua instrução '.”

Iavé ordena a Moisés que suba o monte, que era o Monte Sinai, onde se manifestaria e lhe entregaria um conjunto de orientações que os hebreus deveriam seguir, incluindo a Tábua dos Dez Mandamentos.


No Monte Sinai

Iavé e Moisés mantêm um diálogo memorável. A culminância do mesmo é a entrega dos Dez Mandamentos. É um dos acontecimentos mais importantes da História, pois o seu alcance transcendeu o tempo e o lugar em que ocorreram, estendendo uma influência sobre grande parte da humanidade, influência esta que é muito difícil de ser precisada, devido as suas proporções.

“Tendo o Senhor acabado de falar a Moisés sobre o Monte Sinai, entregou-lhe as duas tábuas do testemunho, tábuas de pedras, escritas com o dedo de Iavé '.”

O recebimento dos Dez Mandamentos é, sem contradita, um evento mediúnico. É do Mundo Espiritual que parte o mais elevado código de moral e ética daquela época, que serviu de embasamento para quase todos os outros que vieram depois. É com a própria mão que Iavé grafa os caracteres sublimes na rocha, compondo as Tábuas da Lei. Esse fenômeno é conhecido dentro da terminologia espírita como pneumatografia ou escrita direta, em que o ser espiritual que se comunica escreve sobre um papel, uma lousa, uma parede, ou uma pedra, como foi o caso de Moisés, de forma direta sobre a superfície por ele elegida, sem utilizar-se da mão do médium para isto.

Toda a trajetória de Moisés na condução do povo hebreu pelo deserto, rumo a Terra Prometida, Canaã, é assinalada pelas relações mediúnicas que mantém com o seu Espírito Guia, Iavé. Quem lê e examina as narrativas bíblicas através do viés oferecido pelo Espiritismo, compreende isto muito bem.


Fontes: Moisés e Jesus – Paradigmas para o Intercâmbio Espiritual, por Carlos G. Steigleder; Moisés: A Primeira Revelação, Blog de Espiritismo.

2 comentários:

Mari disse...

Nunca tinha pesquisado sobre a vida de Moisés, e a importância da sua missão...Lindo!
Tenha um ótimo final de semana!
Beijos
Mari

Carlos Pereira disse...

Grato Mari!
Tudo de bom pra você também.

Abraços fraternos!

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