sexta-feira, 20 de abril de 2018

Filosofando “O Livro dos Espíritos”

Programa Filosofando, da TV Mundo Maior, que foi ao ar em março de 2017 em comemoração aos 160 anos de lançamento de “O Livro dos Espíritos”.


quarta-feira, 18 de abril de 2018

Efemérides Espíritas: 161 anos de O Livro dos Espíritos


Originalmente publicado em 1857, O Livro dos Espíritos marca o nascimento da Doutrina Espírita e inicia o conjunto de cinco publicações que formariam a Codificação Espírita organizada por Allan Kardec. Considerado o Consolador Prometido por Jesus Cristo, o Espiritismo apresenta um novo caminho e a crença de que a vida continua após a morte. Texto fundamental para conhecer e estudar a Doutrina Espírita, O livro dos espíritos traz 1.019 perguntas, sobre diversos temas, feitas por Kardec com as respectivas respostas dos companheiros espirituais, permitindo que possamos conhecer e entender inúmeras ações que nos acompanham diariamente.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

O Livro dos Espíritos



Por Divaldo Franco

“No dia 18 de abril de 1857, foi publicado em Paris, pela Editora Dentu, na Galeria d”Orleans, no Palais Royale, O Livro dos Espíritos, de autoria de Allan Kardec, obra que deveria assinalar um novo período na cultura da civilização.

Constituído por perguntas apresentadas aos espíritos pelo emérito Prof. Rivail, que mais tarde adotou o pseudônimo de Allan Kardec, em homenagem a uma reencarnação que tivera no século I a.C. nas Gálias e as respectivas respostas dos mesmos.

Inúmeros comentários nele são feitos pelo ínclito Codificador que deu a doutrina de que a obra se constitui o nome de Espiritismo, definindo-o “como uma ciência que estuda a origem, a natureza, o destino dos espíritos e as relações que existem com o mundo material”, e composto por 1019 questões sobre história, antropologia, filosofia, psicologia, ética e moral, religião, defluentes das pesquisas em torno da imortalidade da alma.

Produzindo uma grande celeuma na época, o extraordinário livro que abarca ímpar proposta de filosofia comportamental e moral cristã restaura os ensinamentos de Jesus, atualizando-os à luz da ciência e das conquistas modernas do pensamento.

Utilizando criteriosa metodologia de investimento de investigação da mediunidade – foram consultados centenas de médiuns de diferentes países –, o Codificador, conforme se tornou conhecido, confirmou a promessa de Jesus, quando anunciara que enviaria o Consolador para restabelecer a verdade dos seus ensinamentos e novas informações que, no seu tempo, a sociedade não tinha como entender.

Hoje o Espiritismo espalha-se pelo mundo, especialmente pelo Brasil, com a finalidade de confirmar a sobrevivência do Espírito à consumpção física, explicando, através da reencarnação, a Justiça Divina e abrindo largos horizontes de esperança e plenitude para todos.”

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Como foi Codificado O Livro dos Espíritos

Um resumo em vídeo da história da codificação espírita a partir do lançamento de “O Livro dos Espíritos”, por Allan Kardec.

terça-feira, 10 de abril de 2018

Sobre a Estrutura Didática de O Livro dos Espíritos


Por Centro Espírita Celeiro de Luz

“Este livro é o repositório de seus ensinos (dos Espíritos). (… ) Só a ordem e a distribuição metódica das matérias, assim como as notas e a forma de algumas partes da redação constituem obra daquele que recebeu a missão de os publicar ”
Allan Kardec(1)

Introdução

As expressões “ordem” e “distribuição metódica” que sublinhamos no texto em epígrafe são por demais sugestivas. O codificador da Doutrina Espírita, judiciosamente caracterizado como “o bom senso encamado”,(2) certamente teve a preocupação de apresentar a obra fundamental da Codificação Espírita dentro de uma sistemática que fosse, ao mesmo tempo, filosófica, lógica e didaticamente muito bem estruturada.

Fornecer subsídios para uma análise cuidadosa da Tábua das Matérias, isto é, do índice de O Livro dos Espíritos (L.E.), com o objetivo de explicitar uma lógica subjacente à ordem e à distribuição metódica das matérias, constitui o propósito principal deste nosso trabalho.

Apresentaremos nossa análise de O Livro dos Espíritos em duas etapas.

Na primeira etapa, daremos uma visão da estrutura geral da obra, levando em consideração a sua divisão em quatro partes (ou livros). Isto é, apresentaremos argumentos que justificam essa divisão em quatro partes.

De fato, foi provavelmente essa divisão que deu origem ao Pentateuco Espírita. As outras quatro obras fundamentais nasceram como um desenvolvimento de cada uma das partes de O Livro dos Espíritos.

Na segunda etapa, discutiremos cada uma das quatro partes, procurando mostrar de que forma se pode visualizar uma estrutura interna subjacente a cada uma delas. A partir dessa estrutura interna pode-se justificar a ordem proposta por Kardec para os capítulos constituintes da obra. Considere, por exemplo, a segunda parte “Do Mundo Espírita ou Mundo dos Espíritos”. Como justificar a ordem apresentada para os seus onze capítulos?

Não temos a intenção – e, na verdade, nem podemos tê-la – de passar a ideia de que a estrutura que estamos propondo para a obra O Livro dos Espíritos seja aquela pensada por Kardec. Pretendemos tão somente desenvolver conceitos formados na Codificação Kardequiana, na esperança de fornecer contribuições para o estudo da estrutura lógica da monumental obra O Livro dos Espíritos.

Cabe manter sempre presente a assertiva de Kardec:

“O homem que julga infalível a sua razão está bem perto do erro.” (3)

A ESTRUTURA DE O LIVRO DOS ESPÍRITOS

“Como meio de elaboração, o Espiritismo procede exatamente da mesma forma que as ciências positivas, aplicando o método experimental. Fatos novos se apresentam, que não podem ser explicados pelas leis conhecidas: ele os observa, compara, analisa, e, remontando dos efeitos às causas, chega à conclusão, depois, deduz-lhes as consequências e busca as aplicações úteis. ” – Allan Kardec (4)

Não é nosso propósito discutir o método científico utilizado por Allan Kardec. A “Excelência metodológica do Espiritismo” – a tese de que o Espiritismo ajusta-se perfeitamente aos critérios modernos para a caracterização de uma ciência – foi criteriosamente explorada por Chibeni, em vários artigos publicados na revista Reformador. (5)

As quatro fases, que sublinhamos no texto de Kardec, acima, sobre o meio de elaboração do Espiritismo, podem ser utilizadas para abstrairmos uma forma didática de apresentação de uma doutrina de caráter científico. Deve ficar claro, desde agora, que não estaremos propondo um método científico de elaboração do Espiritismo. Estaremos apenas sugerindo uma forma didaticamente adequada, para a apresentação (ou exposição) da Doutrina Espírita.

A primeira fase, Fatos Novos se apresentam, sugere que, primeiramente, deve ser definido ou escolhido o objeto a ser estudado. Escolhe-se o universo ou o domínio a ser examinado. Delimita-se o campo de atuação da ciência em estudo.

A segunda fase, Observação, Comparação e Análise, sugere que se deve, a partir da escolha anteriormente realizada, apresentar uma análise detalhada do universo ou do domínio a ser estudado. Nessa análise, todos os conceitos fundamentais são explicitados, tendo em vista a formulação das leis.

A terceira fase, Formulação das Leis, sugere que leis reguladoras do universo em exame devem ser formuladas levando-se em conta a análise apresentada na segunda fase. Desta forma, todos os conceitos necessários para uma melhor compreensão das leis formuladas já foram apresentados na segunda fase.

A quarta fase, Dedução das consequências e busca de aplicações úteis, sugere o que se pode obter da aplicação das leis formuladas sobre os indivíduos do domínio.

Podemos agora formular a seguinte estrutura didática geral para O Livro dos Espíritos:

A 1a. Fase correspondente à parte primeira “Das Causas Primárias”.

Deus e dois elementos gerais do universo, matéria e Espírito, constituem a trindade universal.

Sobre a Divindade vale ressaltar: “Deus existe; disso não podeis duvidar e é o essencial. Crede-me, não vades além. Não vos percais num labirinto donde não lograríeis sair.
Isso não vos tornaria melhores, antes um pouco mais orgulhosos, pois que acreditaríeis saber, quando na realidade nada saberíeis… ” (O Livro dos Espíritos, p. 14).

Por isso mesmo, Deus não deve, e não pode ser o objeto principal de estudo o Espiritismo. (6)

A matéria, por sua vez, é o objeto de estudo das ciências ordinárias. Resta ao Espiritismo estudar, do ponto de vista moral, o segundo e mais importante elemento geral do universo: o Espírito.

“Assim como a ciência propriamente dita tem por objeto o estudo das leis do princípio material, o objeto especial do Espiritismo é o conhecimento das leis do princípio espiritual”. (A Gênese, Cap. I, item 16)

Definido o objeto, deve-se examiná-lo detalhadamente. O que será feito na 2a. parte.

A 2a. Fase corresponde à parte segunda “Do Mundo Espírita ou Mundo dos Espíritos”.

Os conceitos fundamentais acerca do princípio inteligente – Espírito – são examinados: a origem e natureza dos Espíritos, sua forma e ubiquidade; o períspirito; as diferentes ordens de Espíritos; a progressão dos Espíritos; a encarnação e reencarnação dos Espíritos; a vida espírita; a emancipação da alma; a intervenção dos Espíritos no mundo corporal etc.

Com isso, todos os conceitos necessários à compreensão das leis que regulam a vida moral do Espírito foram analisados. A descrição pormenorizada das Leis Morais é apresentada na 3ª parte.

A 3a. fase corresponde à parte terceira “Das Leis Morais”

“As leis divinas, que é que compreendem no seu âmbito? Concernem a alguma outra coisa, que não somente ao procedimento moral. Todas as da Natureza são leis divinas, pois que Deus é o autor de tudo. O sábio estuda as leis da matéria, o homem de bem estuda e pratica as da alma “. ( O Livro dos Espíritos, perg. 617)

As leis morais regulam a conduta dos Espíritos. As leis físicas regulam o mundo material. Através da mediunidade, pode-se verificar a ação da lei moral na vida de um Espírito. Através da experimentação, em laboratório, testa-se uma lei física. Em ambos os casos, a experimentação (pela mediunidade ou no laboratório) permite dizer que a lei proposta não é pura especulação filosófica.

As consequências, para o Espírito, do cumprimento ou não das Leis Morais são analisadas na 4a. Parte.

A 4a. Fase corresponde à parte quarta “Das Esperanças e Consolações”

Do cumprimento ou não das leis decorrem, necessariamente, as penas e gozos terrestres ou as penas e gozos futuros.

“Todas as nossas ações estão submetidas às leis de Deus. Nenhuma há, por mais insignificante que nos pareça, que não possa ser uma violação daquelas leis. Se sofrermos as consequências dessa violação, só nos devemos queixar de nós mesmos, que desse modo nos fazemos os causadores da nossa felicidade, ou da nossa infelicidade futura. ” (O Livro dos Espíritos, perg. 964).

Cada uma das partes de O Livro dos Espíritos deu origem às outras quatro obras fundamentais:

Parte primeira “Das causas primárias” – A Gênese, os Milagres e as Predições segundo o Espiritismo (1868).

Parte segunda “Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos” – O Livro dos Médiuns (1861).

Parte terceira “Das Leis Morais” – O Evangelho Segundo o Espiritismo (1864/1865).

Parte quarta “Das esperanças e consolações” – O Céu e o Inferno ou a Justiça Divina Segundo o Espiritismo (1865).

A ESTRUTURA DIDÁTICA DE CADA UMA DAS PARTES DE O LIVRO DOS ESPÍRITOS

A estrutura didática da 1a. parte “Das Causas Primárias”

Deus, “a causa primária de todas as coisas”, dá origem aos dois elementos gerais do universo: Espírito (“princípio inteligente do universo”) e matéria (“agente, intermediário com o auxílio do qual e sobre o qual atua o Espírito”).

Da ação do Espírito sobre a matéria, segundo a lei divina, surge a criação.

Dentre todas as criações destaca-se a criação dos seres vivos, cuja vida é um efeito devido à ação de um agente (princípio vital) sobre a matéria”. “Esse agente, sem a matéria, não é vida, do mesmo modo que a matéria não pode viver sem esse agente.” (O Livro dos Espíritos, pergs.1, 22, 23 e 63).

Parte Primeira:

Das Causas Primárias

1° Capítulo: De Deus
2° Capítulo: Dos Elementos Gerais do Universo
3° Capítulo: Da Criação
4° Capítulo: Do Princípio Vital

A Estrutura da 2a. Parte: “Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos”

Os Espíritos constituem o “mundo dos Espíritos ou das inteligências incorpóreas”. O mundo corporal e o mundo dos Espíritos “são independentes; contudo, é incessante a correlação entre ambos, porquanto um sobre o outro incessantemente reagem” (O Livro dos Espíritos, perg. 86). Sendo o Espírito o elemento inteligente comum aos dois mundos, corporal e espiritual, ele pode ser encontrado em 6 (seis) estados ou situações possíveis, com respeito a esses dois mundos:

1° – Em trânsito do mundo espiritual para o corporal, isto é, em processo de
encarnação;
2° – Em trânsito do mundo corporal para o espiritual, ou seja, em processo de
desencarnação;
3° – Vivendo no mundo espiritual como Espírito;
4° – Vivendo no mundo corporal como Espírito encarnado (ou alma);
5° – Estando no mundo corporal e ao mesmo tempo interferindo no mundo
espiritual;
6°- Estando no mundo espiritual e ao mesmo tempo interferindo no mundo
corporal.

O Espírito é o elemento inteligente que atua nos dois lados da vida (corporal e espiritual), portanto, ele deve ser estudado em primeiro lugar. O primeiro capítulo intitula-se “Dos Espíritos”.

O 1° estado descrito acima é estudado no capítulo II “Da encarnação dos Espíritos”.

O 2° estado é analisado no capítulo III “Da volta do Espírito, extinta a vida corpórea, à vida espiritual”.

Esses dois processos, encarnar e desencarnar, dão origem às diversas vidas do Espírito.

Essas diversas vidas são examinadas no capítulo IV “Da pluralidade das existências”.

Como a lei da Pluralidade das Existências constituiu um dos princípios mais importantes da Codificação Espírita, cabe estabelecer as bases seguras de sua fundamentação, o que será feito no capítulo V “Considerações sobre a pluralidade das existências”.

O 3º estado, a vida do Espírito no mundo espiritual, é estudado no capítulo VI “Da vida espírita”.

O 4º estado, a vida do Espírito no mundo corporal, é analisado no capítulo VII “Da volta do Espírito à vida corporal”.

O 5° estado, vivendo no corpo e interferindo no mundo espiritual, constitui o capítulo VIII “da emancipação da Alma”.

O 6° estado, vivendo no mundo espiritual e interferindo no mundo corporal, constitui o capítulo IX “Da intervenção dos Espíritos no mundo corporal”.

Os seis estados possíveis – encamar, desencarnar, viver no mundo corporal, viver no mundo espiritual, estar no corpo e, ao mesmo tempo, atuar no mundo espiritual, viver no mundo espiritual e, ao mesmo tempo, interferir no mundo corporal – dão origem às missões e ocupações dos Espíritos, apresentadas no capítulo X. “Das ocupações e missões dos Espíritos”.

Esta ação constante do princípio inteligente nos dois lados da vida, corporal e espiritual, vem demonstrar que “tudo em a Natureza se encadeia por elos que ainda não podeis aprender”. “Se observa a série dos seres, descobre-se que eles formam uma cadeia sem solução de continuidade, desde a matéria bruta até o homem mais inteligente”. (O Livro dos Espíritos, perg. 604 e item XVII da Introdução, respectivamente).

Para estabelecer que esta cadeia – resultado da ação recíproca dos dois mundos, corporal e espiritual (ou dos dois princípios, Espírito e matéria) – se estende, no mundo corporal, para além dos seres humanos, Kardec apresenta o décimo primeiro e último capítulo da Segunda parte: “Dos três reinos.”

“Já não dissemos que tudo em a Natureza se encadeia e tende para a unidade?

Nesses seres, cuja totalidade estais longe de conhecer, é que o princípio inteligente se elabora, se individualiza pouco a pouco e se ensaia para a vida, conforme acabamos de dizer. É, de certo modo, um trabalho preparatório, como o da germinação, por efeito do qual o princípio inteligente sofre uma transformação e se torna Espírito”. (O Livro dos Espíritos, perg. 607)

A Estrutura da 3a. Parte: “Das Leis Morais”

Nesta parte são apresentadas as respostas para as três indagações:

a) O que é Lei Moral?
b) Quais são as Leis Morais?
c) Como praticar as Leis Morais?

No capítulo 1 “Da Lei Divina ou Natural” a primeira indagação acima encontra a sua resposta: : Entre as leis divinas, umas regulam o movimento e as relações da matéria bruta: as leis físicas, cujo estudo pertence ao domínio da ciência.

As outras dizem respeito especialmente ao homem considerado em si mesmo e nas
suas relações com Deus e com seus semelhantes. Contém as regras da vida do corpo, bem como as da vida da alma: são as leis morais.” (O Livro dos Espíritos, perg. 617)

A resposta para a segunda pergunta “Quais são as Leis Morais?” pode ser encontrada na parte sublinhada acima: as leis morais devem estabelecer todos os deveres do homem para com Deus, para consigo mesmo e para com o seu próximo.

As Leis Morais estabelecem todos os deveres do homem:

1° – para com Deus;
2° – para consigo mesmo; e
3° – para com o próximo.

Os deveres do homem, na sua relação com Deus, são estabelecidos nas duas primeiras leis morais: Adoração (cap. II) e Trabalho (Cap. III). Através da adoração (“elevação do pensamento a Deus”) e do trabalho (“toda ocupação útil”) o homem aproxima-se de Deus. Da adoração, de certa forma, decorre o trabalho, já que “Deus, modelo de amor e caridade, nunca esteve inativo”. (O Livro dos Espíritos, perg. 649, 675 e 21, respectivamente).

Os deveres do homem para consigo mesmo são estabelecidos nas três leis seguintes: Reprodução, Conservação e Destruição (capítulos IV, V e VI, respectivamente).

Pela reprodução o homem dá origem à vida corporal na Terra. Deve ser o seu primeiro dever para consigo mesmo (ou para com a espécie): garantir a existência do mundo corporal. Depois, deve manter a própria vida, pela sua conservação. Da conservação decorre, em certo sentido, a destruição: “Para se alimentarem os seres vivos reciprocamente se destroem…” (O Livro dos Espíritos, perg. 728a)

Os deveres do homem com o seu próximo são estabelecidos nas leis:

Sociedade (cap. VII), Progresso (cap. VIII), Igualdade (cap.IX) e Liberdade (cap. X).

Da vida em sociedade (onde, e só onde, a fraternidade pode estabelecer-se) decorre o progresso, e este tem por fim a igualdade e a liberdade, consequências naturais do progresso social alcançado. “Considerada do ponto de vista da sua importância para a realização da felicidade social, a fraternidade está na primeira linha: é a base. Sem ela, não poderiam existir a igualdade, nem a liberdade séria. A igualdade decorre da fraternidade e a liberdade é consequência das duas outras”. (7)

As nove leis morais estabelecidas por Kardec – Adoração, Trabalho, Reprodução, Conservação, Destruição, Sociedade, Progresso, Igualdade e Liberdade –resumem todos os deveres do homem para com Deus, para consigo mesmo e para com o seu próximo.

A décima e última lei moral “Da lei de justiça, de amor e de caridade” (cap. XI) resume todas as outras. Deus (justiça), por amor, criou o homem e este, para bem viver com o seu próximo, deve praticar a caridade.

“Essa divisão da lei de Deus em dez partes é a de Moisés e de natureza a abranger todas as circunstâncias da vida, o que é essencial. Podes, pois, adotá-la, sem que por isso, tenha qualquer coisa de absoluta, como não o tem nenhum dos outros sistemas de classificação, que todos dependem do prisma pelo qual se considere o que quer seja. A última lei é a mais importante, por ser a que faculta ao homem adiantar-se mais na vida espiritual, visto que resume todas as outras“. (O Livro dos Espíritos, perg. 648).

A resposta para a terceira indagação, “Como praticar as leis morais?”, é apresentada no décimo segundo e último capítulo: “Da perfeição moral”. Neste capítulo encontramos um dos mais belos estudos sobre a personalidade humana.

Após examinar em profundidade o homem (as virtudes e vícios, as paixões, o egoísmo e os caracteres do homem de bem), apresenta o conhecimento de si mesmo como a “chave do progresso individual”. “Examinai o que pudestes ter obrado contra Deus, depois contra vosso próximo e, finalmente, contra vós mesmos. As respostas vos darão, ou o descanso para a vossa consciência, ou a indicação de um mal que precise ser curado”. (O Livro dos Espíritos, perg. 919, 919a.

A Estrutura da 4a. parte: “Das esperanças e consolações”

Considerando que a ação dos Espíritos ocorre nos dois lados da vida, mundo corporal e mundo espiritual, as consequências do cumprimento ou não das leis morais devem ser, também, estabelecidas nesses dois mundos.

No capítulo 1, “Das penas e gozos terrenos“, são apresentadas as consequências, para o Espírito, do cumprimento ou não das leis morais, no mundo corporal.

No segundo capítulo, “Das penas e gozos futuros“, são examinadas as consequências do cumprimento ou não das leis morais, no mundo espiritual.

(1) KARDEC, A. “Prolegômenos”. In: O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 58a ed., Rio de Janeiro: FEB, 1983, p.49.
(2) KARDEC, A. “Discurso pronunciado junto ao túmulo de Allan Kardec, por Camille Flamarion”. In: Obras Póstumas. Tradução de Guillon Ribeiro. 16a ed., Rio de Janeiro: FEB, 1977, p. 24.
(3) KARDEC, A. “Introdução ao estudo da doutrina espírita”. In: O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 58a edição. Rio de Janeiro: FEB, 1983, p.30.
(4) KARDEC, A. “Caráter da revelação espírita”. In: A Gênese Os Milagres e as Predições segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 2a. edição. Rio de Janeiro: FEB, 1979. p.20.
(5) CHIBENI, S. S. “A excelência metodológica do Espiritismo” In: Reformador. Novembro de 1988, pp.328″33, e dezembro de 1988,pp, 373″8.
(6) “Pode o homem compreender a natureza íntima de Deus? – Não, falta-lhe para isso o sentido.” (O Livro dos Espíritos, perg.10). “Não é dado ao homem sondar a natureza íntima de Deus. Para compreendê-lo, ainda nos falta o sentido próprio, que só se adquire por meio da completa depuração do Espirito”. (A Gênese, cap. II, item 11)
(7) KARDEC, A. “Liberdade, igualdade e fraternidade”, 3° parágrafo In: Obras Póstumas.

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Programa Conceitos: O Livro dos Espíritos

Programa Conceitos, da TVCEI, traz nessa edição a visão de divulgadores atuantes do Espiritismo para “O Livro dos Espíritos”.

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Lançamento e História de O Livro dos Espíritos

O livro originalmente intitulado "Religião dos Espíritos” fora prudentemente modificado pelo Codificador para O Livro dos Espíritos, primeiramente porque ele temia que a censura implicasse com o primeiro nome e também para que o leitor identificasse na obra um livro escrito pelos Espíritos.

O livro veio a público em 18 de abril de 1857, lançado no Palais Royal, em Paris, na forma de perguntas e respostas, originalmente compreendendo 501 itens. Foi fruto dos estudos de Kardec sobre os fenômenos das mesas girantes, difundidos por toda a Europa em meados do século XIX, e que, segundo muitos pesquisadores da época, possuíam origem mediúnica. Foi o primeiro de uma série de cinco livros editados pelo pedagogo sobre o mesmo tema.

Na noite do dia 18 de abril de 1857 em que foi lançado "O Livro dos Espíritos", madame Rivail (Amélie-Gabrielle de Lacombe Boudet Rivail) – Gaby na intimidade – já se houvera recolhido aos aposentos do casal. Kardec, entretanto, foi para o escritório de sua residência e sentou-se à escrivaninha de carvalho, sob a luz bruxuleante de uma vela. Pegou seu caderno de memórias e anotou, conforme o relato de Canuto Abreu: “Mais de cem exemplares de "O Livro dos Espíritos" já se foram neste primeiro dia, doados ou vendidos. Cada volume será um grão de vida nova lançado ao coração de um homem velho. Se algumas sementes caírem em corações maduros haverá, por certo, gloriosas ressurreições. Mil e duzentas sementes da Verdade serão lançadas no terreno da opinião. Se uma só frondejar, nosso esforço não terá sido em vão."

E conclui o codificador, segundo a confiável informação histórica do confrade paulista: “O Livro de hoje não é senão a primeira página da religião do futuro. À medida que o meio e o desenvolvimento da Idéia Nova o permitam. Operar-se-á lentamente lutando com adversidades poderosas, pisada aqui, adulterada acolá, esmagada num ponto, ressuscitada noutro, criticada por muitos, defendida por poucos, atraiçoada dentro de seus próprios muros pelos fracos a serviço das Trevas”.

As médiuns que serviram a esse trabalho foram inicialmente as jovens Caroline e Julie Boudin (respectivamente, com 16 e 14 anos), às quais mais tarde se juntou Celine Japhet (com 18 anos) e Ermance Dufaux (14 anos).

Após o primeiro esboço, o método das perguntas e respostas foi submetido à comparação com as comunicações obtidas por outros médiuns franceses, num total de "mais de dez", nas palavras de Kardec, cujos textos psicografados contribuíram para a estruturação do texto.

Segundo Canuto de Abreu, a segunda edição francesa foi lançada em 18 de março de 1860, tendo o Livro dos Espíritos, naquela reimpressão, sido revisto quase "como trabalho novo, embora os princípios não hajam sofrido nenhuma alteração, salvo pequeníssimo número de exceções, que são antes complementos e esclarecimentos que verdadeiras modificações". Para esta revisão, Kardec manteve contato com grupos espíritas de cerca de 15 países da Europa e das Américas. Nesta segunda edição é que aparecem 1018 perguntas e respostas, sendo que algumas edições atuais trazem 1019 perguntas, acréscimo devido ao Codificador não ter numerado a pergunta imediatamente após a 1010, aquela que seria a 1011. Assim sendo, o livro teria, na prática, 1019 e não, 1018 perguntas.

Em setembro de 1861 o Sr. Lachâtre encomendou, de Barcelona, 300 volumes de obras espíritas, dentre as quais O Livro dos Espíritos. Ao chegarem, os livros foram apreendidos pelo bispo local, num episódio que ficou conhecido como Auto de fé de Barcelona. A sentença foi executada a 9 de outubro, data que marca a intolerância religiosa, reagindo contra a divulgação da Doutrina Espírita.

A 1º de maio de 1864 a Igreja Católica incluiu a obra no "Index Librorum Prohibitorum" - o catálogo das obras cuja leitura é vedada aos seus fiéis.

No Brasil, porém, esse livro demorou a chegar. Os que tinham acesso às obras de Allan Kardec eram geralmente intelectuais que conheciam o idioma francês, os quais percebiam a necessidade urgente de se traduzirem as obras de Kardec para o português, de modo que o Espiritismo pudesse chegar ao conhecimento e estudo por parte de todos, sem distinções.

É ao Dr. Travassos que o Brasil deve a primeira tradução das obras de Kardec. Foi ele, em 1875, sob o pseudônimo de Fortúnio, a fazer a primeira tradução para o português de O Livro dos Espíritos, a partir da 20a edição francesa. A publicação foi feita pela primeira editora no Brasil a publicar as obras básicas de Allan Kardec: a B. L. Garnier, fundada em 1844, no Rio de Janeiro, por Baptiste-Louis Garnier, um jovem empreendedor de 21 anos, recém-chegado da França.

Foi justamente pelas mãos do Dr. Travassos que um exemplar de O Livro dos Espíritos, em português, chegou às mãos do Dr. Adolfo Bezerra de Menezes, também médico e seu amigo pessoal. E foi este livro que atraiu o ilustre médico e político para a Doutrina Espírita.

Estava reservada a Bezerra de Menezes uma tarefa missionária em relação ao Espiritismo: conciliar as divergências existentes na época e consolidar a Doutrina Espírita no território brasileiro. Sua tarefa se confirmou ao assumir, em agosto de 1895, a presidência da Federação Espírita Brasileira (fundada em 1884).

Nessa mesma época, a Livraria Espírita, em Paris, de propriedade da Sra. Amélie Gabrielle Boudet (1795-1883), viúva de Allan Kardec, entra em liquidação por absoluta falta de recursos financeiros. Não havia interessados em manter a tarefa de divulgação espírita na Europa. Na França, a tarefa espírita chegava ao fim, com a desencarnação da viúva de Kardec e o fechamento definitivo da Livraria.

Foi assim que, em 15 de novembro de 1897, o Sr. Leymarie concede, gratuitamente, à Federação Espírita Brasileira, os direitos de publicação, em português, das obras de Kardec, com o compromisso de manter fidelidade aos originais.

Hoje, O Livro dos Espíritos é de domínio público, não incidem mais direitos autorais do autor sobre a obra, podendo, portanto, ser reproduzida e editada livremente por qualquer pessoa ou instituição. A obra pode ser copiada sem a autorização do autor, editor ou de quem os representem.

Fonte: Letra Espírita

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Especial do Mês

Há 161 anos, no dia 18 de abril de 1857, o educador francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, conhecido pelo pseudônimo de Allan Kardec trouxe a público a primeira edição do marco inaugural da doutrina espírita, “O Livro dos Espíritos”. Nesse mês, com o especial "O Livro dos Espíritos, História e Fragmentos", o Manancial de Luz presta uma homenagem ao aniversário de lançamento do livro, trazendo em suas postagens artigos, vídeos e fragmentos extraídos da obra, que se divide em quatro partes no formato de perguntas e respostas, tendo atualmente em seu conteúdo um total de 1018 questões.

sábado, 31 de março de 2018

Gaston Luce em Pensamentos


A Religião


A religião, é o ser e o vir a ser, e não somente escutar ou aceitar. Ela não exclui nem a ciência, nem o método; ela é eminentemente pragmática. É compreensível, portanto, como o Espiritismo bem compreendido e recebido no seu sentido verdadeiro, se ajusta plenamente às exigências da religião. Uma religião experienciada, não uma religião aprendida, eis que ela ensina, e nós temos visto mesmo pela aprovação de alguns eclesiásticos, que o Cristianismo não é outra coisa. (Gaston Luce, Espiritismo e Renovação)

quinta-feira, 29 de março de 2018

Especial Semana Santa


JESUS, O EDUCADOR DE ALMAS


Por José Passini

A Humanidade, nos dias atuais, tem mais liberdade para buscar o conhecimento, com mais amplitude e profundidade, o que significou, para o mundo, a vinda de Jesus, o Mestre mais perfeito que a Terra conheceu, aquele que baseou seus ensinamentos na pedagogia do exemplo. Não há um só ensinamento dele que tenha ficado sem o seu testemunho pessoal. Jesus foi simples e minucioso no que ensinou verbalmente, e farto na exemplificação. Por isso é que se deve tomá-lo como o Mestre e Guia a ser seguido, e não como um simples intermediador entre o homem e Deus, que teria selado uma pretensa aliança com o Criador, através do oferecimento do seu sangue para a salvação da Humanidade, conforme interpretações equivocadas de teólogos.

O próprio conceito de religião foi modificado a partir dos seus ensinamentos. Com Jesus, aprende-se que religião não é algo mágico a ser levado a efeito no interior dos templos. Não mais aquela ideia de que religião é prática mística, contemplativa, ritualística, cheia de oferendas e fórmulas repetitivas vivenciadas no interior das assim chamadas “Casas de Deus”. Religião, conforme seus ensinamentos e, principalmente seus exemplos, passou a ser, para aquele que lhe entendeu as lições, um novo modo de viver, de se relacionar com o próximo, em todos os ambientes, em todos os momentos. Ensinando que Deus está presente em todo o universo, alargou os limites dos templos, transformando o mundo num templo imenso: “Na casa de meu Pai há muitas moradas” (Jo, 14: 2).

Jesus não foi um Mestre de gestos largos, de atitudes místicas e contemplativas, que vivesse confinado em ambiente religioso, ou em local distante, isolado do convívio diário, longe da vida prática. Nem era um profissional religioso: era um simples carpinteiro, que causou espanto em alguns, diante do que falava e fazia: “... donde lhe vêm estas coisas? E que sabedoria é esta que lhe foi dada? E como se fazem tais maravilhas por suas mãos? Não é este o carpinteiro, filho de Maria, e irmão de Tiago, e de José, e de Judas, e de Simão? E não estão conosco aqui suas irmãs? E escandalizavam-se nele.” (Mc, 6: 2 e 3).

Jesus foi um educador de almas, que sempre enfatizou a necessidade do empenho da criatura no sentido de educar-se, de progredir, conforme ensinou no Sermão do Monte: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens (...).” (Mt, 5: 16). Toda a mensagem religiosa do Mestre fundamenta-se no esforço da criatura no sentido de revelar essa herança divina que todos trazemos. Nada de graças, além da graça da vida. Nada de privilégios: “(...) e então dará a cada um segundo as suas obras.” (Mt, 16: 27).

Sua mensagem é um verdadeiro desafio, no sentido de transcender os limites da lei antiga, que preconizava “olho por olho, dente por dente”: “(...) se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus.” (Mt, 5: 20). “Ouvistes o que foi dito: amarás o teu próximo e aborrecerás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; (...).” (Mt, 5: 42 e 43).

Jesus não desejou discípulos passivos, encantados, deslumbrados. Pelo contrário, sempre buscou tocar o sentimento, juntamente com o apelo para que a criatura raciocinasse, a fim de saber, de compreender porque deveria agir desse ou daquele modo. O Sermão do Monte, que para muitos é apenas um hino ao sentimento, é, também, uma forte mensagem à inteligência, ao raciocínio: “E qual dentre vós é o homem que, pedindo-lhe pão o seu filho, lhe dará uma pedra? E, pedindo-lhe peixe, lhe dará uma serpente? Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus dará bens aos que lhos pedirem?” (Mt, 7: 9 a 11).

A fé raciocinada começou, inquestionavelmente, com Jesus: “Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas?” (Mt, 6: 26). Ao ensinar a criatura a não criar fantasias sobre a fé, mostra a linha divisória entre aquilo que deve ser objeto da preocupação do homem, e o que deve ser entregue a Deus, perguntando: “E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado à sua estatura?” (Mt, 6: 27).

A educação religiosa que Jesus propicia ao homem leva-o a conscientizar-se de que não será através de orações repetidas que estaremos agradando a Deus: “E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que por muito falarem serão ouvidos.” (Mt, 6: 7). Nem através de oferendas ou bajulações: “Portanto, se trouxeres a tua oferta ao altar e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão, e depois vem e apresenta a tua oferta.” (Mt, 5: 23 e 24).

No Seu trabalho educativo do Espírito humano, Jesus mostrou a importância do bom relacionamento com o próximo como caminho para Deus, conforme bem entendeu o Apóstolo João, que registrou: “Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?” (I Jo, 4: 20).

Significativo é o diálogo entre o doutor da lei e Jesus, conforme relatado no Evangelho de Lucas (10: 25 a 37): “Mestre, que farei para herdar a vida eterna?” Ali se vê um homem, conhecedor profundo das leis religiosas, a ponto de citá-las de cor, logo que inquirido por Jesus: “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo.” (Deu, 6:5 e Lev. 19: 18). Efetivamente, os judeus sabiam de cor esses dois mandamentos maiores. Entretanto, quando Jesus lhe disse: “Faze isso e viverás”, aquele homem não compreendeu, porque para ele não havia conexão entre o preceito religioso, que lhe enfeitava o campo intelectual, com a vida prática, a ponto de perguntar: “Quem é o meu próximo?” Por saber disso, é que o Mestre contou-lhe a Parábola do Bom Samaritano, mostrando que o samaritano fez sua oferenda a Deus, não diante de um altar, mas através do mais legítimo representante de Deus: o próximo!

Ele próprio deu-se como exemplo no serviço a Deus na pessoa do próximo. Curava sempre, impondo as mãos sobre os doentes, embora não precisasse fazê-lo para curar (vide cura do servo do centurião: Mt, 8: 5 a 13), mas o fez para ensinar, recomendando que se fizesse o mesmo: “... e porão as mãos sobre os enfermos e os curarão.” (Mc, 16: 18). Deixou bem claro, também, a gratuidade da prática religiosa: “... de graça recebestes, de graça dai.” (Mt, 10: 8).

Vê-se, assim, que Jesus trouxe à Terra uma mensagem religiosa sem precedentes. Simples, sem ser superficial; profunda, sem ser complicada.

Uma concepção religiosa libertadora não agrada àqueles que desejam exercer o poder religioso. Estes procuram conservar a religião como algo mágico, místico, extático, complexo a ponto de a ela só terem acesso os doutos e os sábios, pessoas pretensamente especiais, que estariam mais habilitadas a intermediarem as mensagens das criaturas ao Criador. Jesus concedeu carta de alforria à Humanidade, em relação à intermediação sacerdotal, ao informar a criatura humana de que ela tem o direito legítimo e inalienável de se comunicar com seu Criador, diretamente, em qualquer lugar onde se encontre: “Mas tu, quando orares, entra no teu aposento, e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em oculto; e teu Pai, que vê secretamente, te recompensará.” (Mt, 6: 6).

Jesus libertou a criatura humana também da necessidade do comparecimento ao templo, a fim de ali encontrar-se com Deus. O Mestre jamais convidou alguém a orar num templo. Pelo contrário, quando a Samaritana manifestou-se no sentido de adorar a Deus no Templo de Jerusalém, o Mestre desautorizou tal atitude, dizendo-lhe: "Mulher, crê-me que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai. Deus é espírito e importa que os que O adoram O adorem em espírito e em verdade." (Jo, 4: 21 e 24). Para Jesus não havia santuários, lugares especiais. Seus ensinamentos, suas curas, suas orações sempre foram levados a efeito onde quer que ele se encontrasse.

Ele foi crucificado exatamente pela coragem de contrapor-se ao poderio sacerdotal, àquela verdadeira ditadura religiosa. Infelizmente, com o passar dos tempos, o eixo da mensagem cristã foi-se desviando, saindo da área do estudo, da meditação à luz da oração consciente, passando às práticas exteriores.

Essas verdades religiosas simples, que estiveram ao alcance de humildes pescadores, de viúvas e de deserdados, foram, com o passar do tempo, relegadas a segundo plano, tendo sido postos em primeiro lugar o ritual, a solenidade, o manuseio de objetos de culto, a vela, o vinho, a fumaça, os cantochãos, todo um conjunto imenso de práticas exteriores alienantes, buscadas no judaísmo e no paganismo romano, que distanciavam o homem cada vez mais do esforço de auto-aprimoramento preconizado por Jesus.

Os pronunciamentos libertadores de Jesus não foram objeto de estudo pelos teólogos, que criaram as liturgias, os sacramentos, e, pior ainda, a hedionda teoria das penas eternas, desfazendo a imagem do Deus Misericordioso, tão bem delineada pelo Mestre.

A mensagem cristã foi apequenada, podada, enxertada por aqueles que dela se apossaram, construindo uma religião atemorizadora e salvacionista, com base em atitudes místicas e na crença de que seria o sangue de Jesus o remissor dos pecados da Humanidade. Foi enfatizada a adoração extática a Jesus-morto, em detrimento do esforço em seguir Jesus-vivo.

Bibliografia:
A Bíblia Sagrada:
Trad. João Ferreira d’Almeida
Ed. Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira – 1937

terça-feira, 27 de março de 2018

A Música e o Espírito: Autumn Leaves - George Davidson

O piano romântico de George Davidson interpretando a canção em sagração ao outono, “Autumn Leaves”, do compositor húngaro naturalizado francês Joseph Kosma.

domingo, 25 de março de 2018

Mensagem da Semana


Tolerância


As coisas muito grandiosas tomam forma através do silêncio, solitude e tolerância.

Tolerância é a habilidade de acomodar diferentes opiniões e indiferentes atitudes, mantendo o autorrespeito e respeitando os outros.

Para reforçar o hábito da tolerância, procure ter uma mente aberta em relação a tudo.

Procure entender que cada ser humano possui, dentro de si uma bagagem de conceitos, experiências e memórias absolutamente singulares. A tolerância é o poder que valoriza essas histórias pessoais, com respeito e amor.

Onde houver tolerância em uma tarefa ou relacionamento, haverá sucesso.

(Brahma Kumaris)
^