quinta-feira, 25 de julho de 2024

Falando de amor

 


FALANDO DE AMOR 


Em se falando de amor,

Lembra a dura indiferença,

Quando a treva se condensa

Nas forças da negação;

Recorda a porta fechada,

O desprezo, a zombaria

De quem atravessa o dia

Com trancas no coração.

 

Por quem és, alma querida,

Foge à sombra que enregela,

Esparze a luz clara e bela

Que em ti seja paz e amor…

Tão curta é a vida na Terra,

Viajas no mundo apenas,

Semeia os dons que armazenas

E ampara seja a quem for.

 

Olvida mágoas e afrontas,

A quem te fira, perdoa…

Compadece-te e abençoa

Mesmo se alguém te maldiz;

De todas as criaturas,

Aquela que mais condena,

É a que merece mais pena

Por ser a mais infeliz.

 

Há muito pesar no mundo,

Ânsia das horas perdidas,

Solidão de muitas vidas

Que tanta angústia contêm!…

Alma boa que me escutas,

Na fé que jamais se cansa,

Sê a bênção da esperança

E a chama viva do bem!…

 

Maria Dolores

Psicografia de Francisco Cândido Xavier, do livro Seara de Fé, cap. V

 

terça-feira, 23 de julho de 2024

Poema para Deus

 


Um dia, a alma desperta e se encanta com a manhã que se espreguiça no horizonte.

Sente-se como que a pairar acima e além da escala humana.

Então, se recorda ser filha de um Pai amoroso e bom. Recorda de um Criador que a tudo para todos provê.

E plena de gratidão, extravasa em versos sua alma:

Deus, inteligência das inteligências, causa das causas, lei das leis, princípio dos princípios, razão das razões, consciência das consciências.

Bem tinha razão Isaac Newton ao descobrir-se, toda vez que pronunciava Vosso Nome.

Deus, Pai bondoso, eu vos encontro na natureza, Vossa filha e nossa mãe.

Eu vos reconheço, Senhor, na poesia da Criação, no vento que dedilha harmonias na cabeleira das árvores.

Nas cores que se apresentam tão diversificadas em matizes e gradações.

Nas águas que rolam, silentes, em córregos minúsculos, nas cachoeiras que se lançam, ruidosas, de alturas consideráveis, no verdor da grama que atapeta o jardim e as praças.

Reconheço-vos, Pai, na flor dos jardins e pomares, na relva dos vales, no matiz dos campos, na brisa dos prados.

Senhor, eu vos encontro no perfume das campinas, no murmúrio das fontes, no rumorejo das menores ramificações das copas das árvores.

Também vos descubro na música dos bosques, na placidez dos lagos, na altivez dos montes, na amplidão dos oceanos, na majestade do firmamento.

Eu vos vejo, Senhor, na criança que sorri, brinca, pula e distribui alegrias, provocando risos.

Eu vos reconheço, Pai, no ancião que anda lento, que tropeça. Mas, sobretudo, na inteligência que ele revela, resultado de suas experiências bem vividas.

Eu vos descubro no mendigo que implora, na mão que assiste, na mãe que vela, no pai que instrui, no apóstolo que evangeliza.

Deus! Reconheço-vos no amor da esposa, no afeto do filho, na estima da irmã, na misericórdia indulgente.

E vos encontro, Senhor, na fé do que a tem, na esperança dos povos, na caridade dos bons, na inteireza dos íntegros.

Reconheço-vos, Senhor, na inspiração do poeta, na eloquência do orador, na criatividade do artista.

Também vos encontro na sabedoria do filósofo, na intelectualidade do estudioso, nos fogos do gênio!

E estais ainda nas auroras polares, no argênteo da lua, no brilho do sol, na fulgência das estrelas, no fulgor das constelações.

Deus! Reconheço-vos na formação das nebulosas, na origem dos mundos, na gênese dos sóis, no berço das humanidades, na maravilha, no esplendor, no sublime do infinito!

Por fim, entendo, com Jesus, quando ora:

Pai nosso, que estais nos céus...

Ou com os anjos quando cantam: Glória a Deus nas alturas...

Redação do Momento Espírita, com base em poema de Eurípedes Barsanulfo, do livro O homem e a missão, de Corina Novelino.

domingo, 21 de julho de 2024

Louvor e súplica

 

Louvor e súplica

Deus de eterna bondade,

em prece de louvor,

entrego-te minha alma!...

 

Sê bendito, meu Pai,

por todos os recursos,

ferramentas, processos e medidas

dos quais te utilizaste,

a fim de que eu perceba

que tudo devo a Ti...

 

Agradeço-Te ,pois,

o tesouro da vida,

a presença do amor,

a constância do tempo,

o sustento da fé,

o calor da esperança que me acena ao porvir

o santo privilégio de servir,

o pensamento reto que me faz discernir

o que é mal e o que é bem,

na clara obrigação

de nunca desprezar ou de ferir alguém!...

 

Agradeço-Te , ainda,

a visão das estrelas

a esmaltarem de glória o lar celeste,

as flores do caminho,

os braços que me amparam

e os gestos de carinho

dos corações queridos que me deste!...

 

por tudo Te agradeço...

e quando Te aprouver

despojar-me dos bens com que me exaltas,

ensina-me Senhor, a devolver

tudo que me emprestaste...

mas, por piedade, oh! Pai,

deixa-me em tudo,

por apoio e dever,

a bênção de aceitar

e o dom de compreender!...

Maria Dolores

Psicografia de Chico Xavier

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