quarta-feira, 24 de maio de 2023

Livro dos Espíritos, um presente de Deus!


 

166 anos de Luz

Por Francisco Rebouças

O Livro dos Espíritos desperta em cada um nós, que dele nos beneficiamos diariamente, as mais efusivas homenagens pela passagem de mais uma data de aniversário de seu abençoado lançamento em 18 de abril de 1857, fato este que veio nos proporcionar inestimável contribuição para a nossa imprescindível e inadiável renovação ética e moral.

Importante recordar que a primeira edição de O Livro dos Espíritos foi lançada em 1857 com apenas 501 questões formuladas por Kardec e respondidas pelos Imortais da Vida Maior. Somente em março de 1860 a 2ª e definitiva versão era publicada, contendo agora 1.019 questões. Como podemos ver mais que duplicava o número de perguntas da edição anterior, além de notas, explicativas do codificador, abrangendo questões científicas, filosóficas e religiosas.

“Por sua natureza, a revelação espírita tem duplo caráter: participa ao mesmo tempo da revelação divina e da revelação científica”. (1)

Encontramos nele, referências a diversos ramos do saber, com conteúdo científico muito mais ampliado que o conhecido da época do seu lançamento, em relação à evolução do reino mineral, vegetal, animal e hominal, trazendo ainda importantes e desconhecidas revelações sobre o espírito, iniciando dessa forma uma nova versão para a compreensão da evolução biológica e espiritual dos seres humanos, fadados à felicidade e a perfeição.

    Por que é que os anatomistas, os fisiologistas e, em geral, os que aprofundam a ciência da Natureza, são, com tanta frequência, levados ao materialismo?

“O fisiologista refere tudo ao que vê. Orgulho dos homens, que julgam saber tudo e não admitem haja coisa alguma que lhes esteja acima do entendimento. A própria ciência que cultivam os enche de presunção. Pensam que a Natureza nada lhes pode conservar oculto.” (2)

Com o advento de lançamento do livro dos Espíritos, tornou-se possível entender que somos seres em constate processo de evolução e aprendizado, em marcha ascendente como nos resumiram os Espíritos do “átomo ao arcanjo”, através das sucessivas encarnações. Faz-se oportuno ressaltar ainda que O Livro dos Espíritos foi um marco na difusão da reencarnação no Ocidente.

Mas há um capítulo que merece nossa mais dedicada atenção, pelo assunto que trata, e que gostaríamos de destacar dentre todos os outros, também importantes contidos nessa incomparável obra, justamente o que trata das Leis Morais que nos esclarecem sobre a verdadeira finalidade de nossa existência como filhos de Deus, irmãos em caminhada evolutiva, conforme abaixo destacamos.

Que definição se pode dar da moral?

“A moral é a regra de bem proceder, isto é, de distinguir o bem do mal. Funda-se na observância da lei de Deus. O homem procede bem quando tudo faz pelo bem de todos, porque então cumpre a lei de Deus.”

Como se pode distinguir o bem do mal?

“O bem é tudo o que é conforme à lei de Deus; o mal, tudo o que lhe é contrário.

Assim, fazer o bem é proceder de acordo com a lei de Deus. Fazer o mal é infringi-la.”

Tem meios o homem de distinguir por si mesmo o que é bem do que é mal?

“Sim, quando crê em Deus e o quer saber. Deus lhe deu inteligência para distinguir um do outro.”

Estando sujeito ao erro, não pode o homem enganar-se na apreciação do bem e do mal e crer que pratica o bem quando em realidade pratica o mal?

“Jesus disse: vede o que queríeis que vos fizessem ou não vos fizessem. Tudo se resume nisso. Não vos enganareis.”

A regra do bem e do mal, que se poderia chamar de reciprocidade ou de solidariedade, é inaplicável ao proceder pessoal do homem para consigo mesmo. Achará ele, na lei natural, a regra desse proceder e um guia seguro?

“Quando comeis em excesso, verificais que isso vos faz mal. Pois bem, é Deus quem vos dá a medida daquilo de que necessitais. Quando excedeis dessa medida, sois punidos. Em tudo é assim. A lei natural traça para o homem o limite das suas necessidades.

Se ele ultrapassa esse limite, é punido pelo sofrimento. Se atendesse sempre à voz que lhe diz – basta, evitaria a maior parte dos males, cuja culpa lança à Natureza.” ³

Não podemos em hipótese alguma esquecer que o Espiritismo é o Consolador Prometido por Jesus há 2023 anos atrás, e por isso mesmo, só pode ser entendido em conformidade com a ciência, pois o próprio codificador foi quem nos assegurou:

“Um último caráter da revelação espírita, a ressaltar das condições mesmas em que ela se produz, é que, apoiando-se em fatos, tem que ser, e não pode deixar de ser, essencialmente progressiva, como todas as ciências de observação. Pela sua substância, alia-se à Ciência que, sendo a exposição das leis da Natureza, com relação a certa ordem de fatos, não pode ser contrária às leis de Deus, autor daquelas leis. As descobertas que a Ciência realiza, longe de o rebaixarem, glorificam a Deus; unicamente destroem o que os homens edificaram sobre as falsas ideias que formaram de Deus.

O Espiritismo, pois, não estabelece como princípio absoluto senão o que se acha evidentemente demonstrado, ou o que ressalta logicamente da observação. Entendendo com todos os ramos da economia social, aos quais dá o apoio das suas próprias descobertas, assimilará sempre todas as doutrinas progressivas, de qualquer ordem que sejam, desde que hajam assumido o estado de verdades práticas e abandonado o domínio da utopia, sem o que ele se suicidaria. Deixando de ser o que é, mentiria à sua origem e ao seu fim providencial. Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará”. (4)

Resta-nos agradecer a Deus nosso Pai Misericordioso, justo e bom, por esse divino presente, que Jesus e seus prepostos entre os quais Allan Kardec, trouxeram-nos, em seu nome, para que nos sirva de roteiro de luz e felicidades, a nos guiar e projetar para frente e para o alto, levando-nos à conquista da vitória sobre nós mesmos, impulsionando-nos em direção ao estado de Espíritos Puros e relativamente perfeitos.

Referências:

(1) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, FEB. 76ª edição;

(2) Kardec, Allan. A Gênese, FEB. 36ª edição, cap. I item 13;

(3) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, FEB. 76ª edição; e

(4) Kardec, Allan. A Gênese, FEB. 36ª edição, cap. I, item 55.

segunda-feira, 22 de maio de 2023

Mecanismos da Obsessão


 

Por Leonardo Marmo Moreira

As terapias desobsessivas são inúmeras, mas são todas fundamentadas no mesmo princípio de elevação espiritual dos Espíritos envolvidos no processo em questão. Independentemente do tipo de relação pessoal dos seres envolvidos em quaisquer tipos de inter-relacionamento pessoal, tais interações podem apresentar diferentes mecanismos de manifestação dependendo de vários aspectos associados ao contato do indivíduo com seu irmão.

A troca respeitosa de ideias; a comunhão de propósitos, ideais e sentimentos; ou o debate acalorado de propostas antagônicas são exemplos das inumeráveis espécies de relações travadas pelos indivíduos. À luz da Doutrina Espírita, todos esses processos podem estar vinculados a complexos processos de interações espirituais e perispirituais, com as inevitáveis consequências no corpo físico.

André Luiz intitula um dos mais belos capítulos da obra “Nosso Lar” de “Amor, Alimento das Almas” (Capítulo 18), demonstrando que laços de afeto fomentam uma mútua sustentação psíquico-emocional entre os seres participantes dessa relação. Faz-nos lembrar da célebre frase bíblica “Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que provém da boca de Deus”, uma vez que denota que o bem-estar do sistema Espírito-Perispírito é fundamental para a saúde global do indivíduo.

Nas relações infelizes, processo semelhante ocorre, o qual leva a uma vinculação mento-emocional provocada por sentimentos mesquinhos. Na obra “Instruções Psicofônicas”, o Mentor Espiritual Calderaro (conhecido por ser um dos Guias Espirituais de André Luiz no livro “No Mundo Maior”) explica que a educação dos pensamentos é extremamente difícil quando os sentimentos (que seriam os alicerces dos pensamentos) não são igualmente modificados para melhor.

 No processo obsessivo, a interação de caráter moral negativo entre um obsessor desencarnado e um obsidiado encarnado abrange não apenas ideias, mas igualmente quadros emocionais. Desta forma, esta simbiose espiritual profunda pode adquirir alta gravidade pelo condicionamento do ser obsidiado a manter determinados hábitos mentais, orais e físicos, uma vez que permuta de sensações, telas mentais e fixações negativas são mantidas de forma contínua, inclusive durante as horas de sono do ser encarnado (muitas vezes com maior intensidade durante essa situação). Como a grande maioria dos seres obsidiados ignora o seu problema e, principalmente, a forma de eliminá-los, essa enfermidade espiritual tende a crescer lenta e gradualmente com o passar do tempo, uma vez que a maioria das criaturas humanas, infelizmente, não cogita sinceramente de uma melhora em seu comportamento moral. De fato, mesmo indivíduos minimamente informados sobre a vida espiritual e sobre o processo obsessivo, como nós espíritas, frequentemente negligenciam princípios básicos de conduta ético-moral e de vigilância espiritual, deixando-nos conduzir por inteligências do mundo espiritual inferior. Obviamente, para criaturas totalmente inermes de recursos de proteção espiritual, esse quadro ganha contornos de maior periculosidade.

Assim sendo, a obsessão não abrange apenas uma transmissão simples de pensamentos negativos que são assimilados minimamente pelo encarnado, mas toda uma carga de emoções e impressões muito intensas associadas a essas ideias inoculadas pelo obsessor. Esse complexo pensamento-emoção-sentimento, quando de caráter moral negativo, proporciona via perispírito (interação fluídica) profundo quadro patológico do sistema Espírito-Perispírito-Corpo Físico. Entretanto, o obsessor desencarnado não está imune a este quadro, pois, à exceção da ausência do corpo físico, essa intensa vinculação pode gerar no ser espiritual sintomas muito semelhantes àqueles observados no ser encarnado.

Logo, a interação fluídica correlacionada a essa troca mento-emocional pode propiciar uma profunda simbiose espiritual, gerando paulatinamente um natural acoplamento perispírito-a-perispírito entre obsessor e obsidiado. Daí, muitos obsidiados chegam a ficar literalmente mediunizados pelos respectivos obsessores, mesmo quando em condições de normalidade espiritual não sejam médiuns ostensivos. Nesses casos, após o tratamento desobsessivo, normalmente as ocorrências mediúnicas tendem a cessar, independentemente do indivíduo passar a frequentar assiduamente o centro espírita ou não. Por outro lado, se o processo obsessivo não for interrompido ou, pelo menos, atenuado, por medidas preventivas do ponto de vista espiritual por parte do obsidiado, a acentuação da parasitose espiritual pode chegar a verdadeiros quadros de subjugação e/ou possessão.

Neste contexto, a terapêutica espírita, compreendendo as Leis Naturais da Vida Espiritual, enfatiza a necessidade de elevação moral do enfermo, justamente porque a elevação de valores elimina a área de interesse comum e, portanto, de simbiose espiritual entre encarnado e desencarnado. Ademais, a mudança de focos mental e emocional geralmente proporciona certo alívio ao obsidiado, que, após certo intervalo de tempo de instalação da obsessão, passa a ser “obsessor de si mesmo” (auto-obsessão), pois não consegue ou não quer mudar o objeto de suas preocupações existenciais, mesmo na ausência do obsessor.  Essa pequena “quebra” em seu estado de monoideia é fundamental para que sua vibração mude, através de mais elevada sintonia, gerando novas trocas fluídicas com seres em patamar mais elevado de interesses.

No tratamento espírita, faz-se inestimável o impacto fluídico positivo através dos passes, da água fluidificada ou mesmo do “choque anímico” promovido pela “incorporação” do obsessor em médiuns psicofônicos em reuniões de desobsessão para fins de doutrinação. Esses recursos aliviam a carga emocional que as fixações deletérias duradouras provocam no ser obsidiado, que, viciado nesses hábitos íntimos, tem muita dificuldade de sair desse patamar vibratório com suas próprias forças. Allan Kardec chega a dizer que sem a interferência magnética de terceiros é muito improvável que um ser submetido a uma subjugação consiga se libertar desse estado espiritual. Esse alívio temporário constitui um verdadeiro “Acréscimo da Misericórdia Divina”, facilitando uma abertura de “visão espiritual” ao ser necessitado. Portanto, é um momento fundamental de decisão de melhoria espiritual por parte do enfermo que realmente quer se curar. De qualquer maneira, sem essa aquisição de uma postura espiritual mais elevada, gradualmente o processo obsessivo tende a se restabelecer, retornando facilmente a ocorrer os sintomas físicos e mentais no obsidiado que não buscou a sua reforma moral.

sábado, 20 de maio de 2023

Querida Amazônia: uma carta de amor à floresta

 

 

Por Camila Garcia

 

A mata, o rio, a chuva, a imensidão sem fim

O mais rico ecossistema do mundo tem nome: Amazônia

Lar de mais de 40 mil espécies de plantas

De quase 20% de toda a biodiversidade do planeta

Terra que dá abrigo há 2,5 mil espécies de árvores e 400 mamíferos

Solo contemplativo e profético

Cheio de paradigmas, rituais, crenças

De mais de 300 nações indígenas e 15 mil tipos de sementes

Majestosa, selvagem, exuberante

De povos nativos de sentido comunitário

Relações humanas impregnadas pela natureza circundante

Simples, comum, sobreviventes

Terra de fecundações

De estilos de vida e cosmovisões variadas

Território multifacetado, diverso, cultural e ambiental

De caboclos e ancestrais amazonenses

Vivendo a memória de seu ouro borracha

Aldeias, pescadores, caçadores

Cultivadores de terras sujeitas à inundações

Agricultores, afrodescendentes e ribeirinhos

Diferentes grupos, que no mesmo solo, desenvolvem formas peculiares de sabedoria

Só a poesia é capaz de narrar a beleza do “pulmão verde do mundo”

A maior floresta tropical do planeta e ainda assim tão pouco conhecida

Por sua beleza e complexidade inesgotável

A Amazônia brasileira é um espelho daquilo que somos

Uma entidade viva, rica, diversa e poderosa

Natureza que ensina, cura e alimenta

Que protege, une e transforma

E que é preciso conhecer pra preservar

Ah, querida Amazônia

Quão relevante e necessária é ter você de pé

Dando vida e ressuscitando todas as coisas

Leve, forte e madura como uma chuva de mormaço

Anunciando a brisa leve e o frescor de um arco-irís

Ah, floresta

Selva de superlativos

Estar em ti é uma experiência singular

Teu sol abrasador e seus frutos

Teu gosto, cristalino como suas águas

Minha, tua, nossa

Amazônia brasileira

Terra que aprendi a amar primeiro nos livros

Torna-me breve, insignificante, ordinária

Diante da sua força aniquiladora

Quem sou eu, senão um pingo na sua vastidão

Sigo grata, honrada e feliz, por fazer parte da tua gigantesca obra.

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