A obsessão, segundo a Doutrina Espírita, consiste na influência persistente de um Espírito sobre outro, em graus variados, podendo alcançar desde simples sugestões mentais até processos de profunda subjugação. Sua superação exige um tratamento que considere não apenas o aspecto espiritual, mas também a transformação moral daquele que sofre a influência e do Espírito obsessor.
Nesse contexto, a prece ocupa lugar de destaque como recurso terapêutico. Quando realizada com sinceridade, fé e perseverança, ela eleva o padrão vibratório daquele que ora, favorecendo sua sintonia com os Benfeitores Espirituais. A prece fortalece a vontade, inspira serenidade, renova as forças íntimas e cria um ambiente psíquico menos propício à ação dos Espíritos perturbadores. Ao mesmo tempo, representa um apelo de amor e misericórdia em favor do obsessor, que também necessita de esclarecimento, amparo e oportunidades de renovação.
O passe magnético, por sua vez, constitui importante auxílio no restabelecimento do equilíbrio espiritual. Por meio da transmissão de fluidos salutares, enriquecidos pela assistência dos Espíritos superiores, o passe contribui para a harmonização do perispírito e do organismo físico, auxiliando na recomposição das energias desgastadas pelo processo obsessivo. Contudo, o passe não opera milagres nem elimina, por si só, as causas da obsessão. Seus efeitos são tanto mais duradouros quanto maior for o esforço do assistido em modificar seus pensamentos, sentimentos e atitudes.
A doutrinação ou esclarecimento do Espírito obsessor também desempenha papel fundamental. Com respeito, caridade e esclarecimento evangélico, busca-se despertar sua consciência para as consequências do ódio, da vingança e do apego, convidando-o ao perdão e ao recomeço. O verdadeiro trabalho de desobsessão não visa combater o obsessor, mas socorrer um irmão igualmente necessitado, promovendo sua libertação moral.
Entretanto, a libertação definitiva da obsessão depende, acima de tudo, da reforma íntima do obsidiado. É indispensável cultivar pensamentos elevados, vigiar as próprias emoções, desenvolver o perdão, a humildade e a paciência, além de combater as imperfeições que favorecem a sintonia com Espíritos infelizes. A vivência dos ensinamentos de Jesus, por meio da prática constante do bem, constitui o mais seguro caminho para romper os vínculos de afinidade que sustentam o processo obsessivo.
A caridade, em todas as suas formas, representa poderoso instrumento de renovação espiritual. Quem aprende a servir ao próximo, a perdoar as ofensas, a exercitar a compreensão e a semear o amor transforma sua própria atmosfera psíquica, tornando-se cada vez mais inacessível às influências inferiores. Simultaneamente, oferece ao Espírito obsessor um exemplo vivo da força transformadora do Evangelho.
Assim, a prece, o passe magnético e o esclarecimento fraterno do obsessor formam um conjunto terapêutico de grande valor na assistência aos processos obsessivos. Todavia, esses recursos somente alcançam sua plena eficácia quando acompanhados da sincera disposição de renovação moral. A verdadeira cura da obsessão não consiste apenas no afastamento do Espírito perseguidor, mas na transformação de ambos os envolvidos, que, reconciliados com as leis divinas, encontram no amor, no perdão e na prática do bem o caminho para sua libertação espiritual.
Carlos Pereira


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