domingo, 24 de outubro de 2021

As potências da alma: meios disponíveis para impulsionar a evolução


 

Por Juan Carlos Orozco

Esta reflexão apoia-se no livro “O problema do ser, do destino e da dor”, de Léon Denis, em que as potências da alma, a poderosa rede de forças e energias ocultas em nós, são identificadas pela vontade, pela consciência, pelos pensamentos, pelo livre-arbítrio, pelo amor e pela dor.

Como seres espirituais e inteligentes criados por Deus, trazemos no íntimo da alma os germens de faculdades poderosas e variadas, ou seja, os elementos necessários para impulsionar a nossa evolução espiritual a caminho da perfeição relativa à Humanidade.

Do amor de Deus, poderemos ser amorosos; da bondade divina, poderemos ser bondosos; da misericórdia divina, poderemos ser misericordiosos; da justiça divina, poderemos ser justos; da inteligência divina, poderemos ser criativos; e assim por diante.

Nascemos espiritualmente simples e ignorantes, mas o nosso destino é a evolução rumo à perfeição relativa para a humanidade, cujo modelo e guia é Jesus: o caminho, a verdade e a vida em direção ao Pai.

A vontade é a força interior que impulsiona o ser a realizar algo, a atingir seus fins ou desejos, colocando em movimento as potências internas, orientando-as para um ideal elevado, pois querer é poder.

A persistência e a tenacidade na vontade permitem modificar a nossa natureza, vencer os obstáculos e dominar a matéria, a doença e a morte. É pela vontade que dirigimos os nossos pensamentos para o alvo determinado. É preciso saber se concentrar, colocar o pensamento em sintonia com o divino.

A consciência é o sentimento ou conhecimento que permite ao ser humano vivenciar, experimentar e compreender aspectos de seu mundo interior. É a percepção que o ser humano possui do que é moralmente certo ou errado, em atos e motivos individuais.

A inteligência se desenvolve à medida que o Espírito conhece a si mesmo autodescobrindo e tem consciência de seus atos, dominando as potencialidades da alma e do corpo.

Temos a consciência percebida pelos sentidos corpóreos e a decorrente dos sentidos espirituais, enxergando o imperceptível fisicamente.

A consciência física é o centro da personalidade, que se completa pela consciência espiritual, controlando as vontades; os desejos; as esperanças; os temores; os pensamentos; o livre-arbítrio; o amor e a dor.

Muitas pessoas têm o sentido espiritual, que as torna capaz de perceber os fatos e as verdades de ordem transcendental. Contudo, estas desconhecem a possibilidade de comunicar-se com os seus amigos do espaço por meio da mediunidade.

O livre-arbítrio é a possibilidade de decidir, escolher em função da própria vontade, isenta de qualquer condicionamento, motivo ou causa determinante. É a capacidade de fazer escolhas e tomar decisões. O livre-arbítrio desenvolve-se à medida que o Espírito adquire a consciência de si mesmo. Nas primeiras fases da vida, a liberdade do Espírito é quase nula.

Liberdade e responsabilidade são correlatas, aumentando com a elevação do ser, refletindo a expansão da personalidade e da consciência. Estas capacidades somente podem ser obtidas com educação e preparação prolongada das faculdades humanas.

O pensamento é criador e quem pensa é a alma. O pensamento projeta-se sem cessar no tempo e no espaço.

Todo produto do Espírito reverte para o autor com as suas consequências, podendo acarretar sofrimento ou elevação do ser. Pode-se percorrer caminho de atmosfera brilhante ou turva, povoada pelas criações de seu pensamento.

O pensamento é portador de carga energética que o qualifica positiva e negativamente, interferindo nos relacionamentos humanos conforme as faixas vibratórias que se expandem.

O pensamento de natureza doentia, pessimista e rancorosa tanto prejudica quem o cultiva quanto produz ressonância perniciosa na pessoa contra a qual é dirigido.

O pensamento não atua somente em torno de nós, influenciando os nossos semelhantes para o bem ou para o mal; atua principalmente em nós, pois gera as nossas palavras e ações e, com ele, construímos o edifício grandioso ou miserável de nossa vida presente e futura.

O amor reveste-se de formas infinitas, desde as mais vulgares até as mais sublimes.

O amor divino proporciona à alma, em suas manifestações mais elevadas e puras, a intensidade de radiação que aquece e vivifica tudo em volta de si. É por ele que a alma se sente estreitamente ligada ao Poder divino, foco ardente de toda a vida e todo o amor.

O amor é força inexaurível, renova-se sem cessar e enriquece ao mesmo tempo aquele que dá e quem recebe. É por amor que Deus atua no mundo.

A alma adquirirá a plenitude de seu desenvolvimento quando for capaz de compreender a vida celeste, que é toda amor, e dela participa. O amor divino deve se expandir para os outros, o amor que multiplica, expande, liberta e faz evoluir.

A dor é lei de equilíbrio e educação, pois ela adverte, faz refletir, aprender, ensinar e permite evoluir.

Todos os seres passam pela dor, porquanto os erros do passado recaem sobre nós com todo o seu peso e determinam as condições do nosso destino. O sofrimento é a repercussão das violações cometidas de ordem eterna.

A ação da dor é um bem para quem sabe compreender, mas somente podem compreender aqueles que sentiram os seus poderosos efeitos.

Quanto mais a alma se eleva, cresce e se faz bela, tanto mais a dor se espiritualiza e se torna sutil. Quanto mais o ser humano se aperfeiçoa, tanto mais admiráveis se tornam nele os frutos da dor.

Por trás da dor, há alguém invisível que lhe dirige a ação e a regula segundo as necessidades de cada um. A dor é apenas meio de que usa o Poder Infinito para chamar cada um a si e, ao mesmo tempo, tornar-nos mais rapidamente acessíveis à felicidade espiritual, única duradoura.

Assim, trazemos os germens da divindade, como seres espirituais e inteligentes, obras do Criador. É na vida íntima, no desabrochar de nossas potências, faculdades e virtudes, que está o manancial para alavancar a nossa evolução.

Bibliografia:

BÍBLIA SAGRADA.

DENIS, Léon. O problema do ser, do destino e da dor. 32ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2017.

 

sexta-feira, 22 de outubro de 2021

A espiritualidade do ser

 


Por Martha Triandafelides Capelotto

A religiosidade é uma conquista que ultrapassa a adoção de uma religião. (Joanna de Ângelis)

Com bastante frequência temos ouvido falar sobre a importância de mantermos o nosso estado de espírito em harmonia para que tenhamos mais saúde e bem-estar físico.

Carl Jung, estudando a intimidade psicológica humana, concluiu que o homem possui uma função religiosa natural, e que sua saúde, estabilidade psíquica e a manifestação adequada de seus instintos dependem dos sentimentos de espiritualidade. Essa conclusão, não somente realizada por Jung, tem sido pouco valorizada pelas pessoas. Embora a maioria de nós acreditemos na Espiritualidade, ou melhor dizendo, na existência de um mundo que se projeta além deste que conhecemos, ainda sentimos dificuldades para sintonizar com algo invisível.

Sabemos, também, que desde os tempos mais primitivos, é comum expressar sentimentos de espiritualidade por meio da religião e de seus símbolos materiais. Para algumas pessoas, a espiritualidade é a conexão com a natureza e o cosmo, para outras ela se expressa pela música, pelas artes, meditação etc.

Desse modo, qualquer que seja a forma de se expressar a espiritualidade, que é inata no ser constituído de corpo e espírito, resultará como um recurso fabuloso para o equilíbrio biopsíquico, lembrando um pensamento filosófico grego: “Mens Sana in corpore sano”.

Importa mencionar que a Neurociência, estudando as diversas áreas do cérebro humano, revela que a meditação e a prece influem positivamente nas áreas responsáveis pela emoção, repercutindo, assim, imediatamente, nos órgãos vitais e nos centros emocionais do ser. Por outro lado, por mais que a ciência avance, ela não tem conseguido expulsar Deus dos mistérios do cérebro humano. A busca pela origem do pensamento, que ainda não se revelou para a ciência, indica que ele, o pensamento, se encontra fora do corpo, para o que alguns cientistas se inclinam.

A propósito, cito uma conclusão do psiquiatra norte-americano, Andrew Newberg, que assim declara: “Em vez de partir do princípio de que a consciência emana do mundo material, como faz a maioria dos cientistas, precisamos considerar a visão alternativa proposta por muitas tradições espirituais, segundo a qual, a consciência é considerada um componente fundamental da realidade – tão ou mais fundamental que o espaço, o tempo e a matéria”.

Assim, podemos identificar nessa conclusão, uma similaridade com a Doutrina Espírita, que, além de reconhecer a continuidade da vida após a morte, ainda oferece métodos seguros e não menos legítimos para a constatação da comunicabilidade dos Espíritos com o mundo material. São inteligências que espontaneamente revelam aos médiuns, evidentemente, aqueles dotados de seriedade, as suas identidades.

Esse fato demonstra que o patrimônio do pensamento e da memória não se perde com a morte.

Não se pode negar a existência da alma somente porque nenhuma delas se deixou aprisionar nos laboratórios para se submeter ao exame metodológico da ciência.

A busca da Espiritualidade, muitas vezes delineada por um roteiro proposto por alguma religião, é importante que estejam presentes, além da emoção, a luz da razão e da lógica, para que seja possível reconhecer, de maneira crítica, a existência de Deus e da imortalidade da alma, sem os fanatismos religiosos que descaracterizam os sentimentos da espiritualidade, zombam da fé alheia e escravizam consciências infantis.

Desse modo, a espiritualização deve ser entendida como um permanente processo de conscientização da vida, da individualidade humana e sua destinação superior e, como bem nos ensina, mais uma vez, Joanna de Ângelis, no livro “Encontro com a paz e a saúde”, “A iluminação interior, porque dilui toda sombra da ignorância no imo do espírito, trabalha pela vitória sobre o medo em todas as suas expressões – da morte, da vida, do insucesso, das doenças, do erro, da velhice, da miséria – ocorrendo, ora de chofre, ora lentamente”.

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