quarta-feira, 22 de março de 2017

Magnetismo e Hipnotismo



Histórico

No tempo de Ísis (Egito), os sacerdotes caldeus utilizavam os passes para o restabelecimento da saúde humana. No século XV muito se falava na simpatia magnética, designando um sistema análogo nas suas bases essenciais, ao que tinha sido formulado por Paracelso. No século XVII Van Helmont, muito citado na Alta Magia, afirmava ter obtido curas valiosas com a aplicação do ímã e de placas metálicas nos corpos de doentes. Um contemporâneo dele, o jesuíta Hell, que também era físico de renome, obteve efeitos interessantes com a aplicação do ímã não só nos homens, mas também nos animais.

Até por volta do início do século XIX, a medicina era algo totalmente diferente do que conhecemos na atualidade e não havia uma nítida separação entre o médico, o curandeiro e o charlatão. Tal fato fez com que padres e até Reis do século XVI se auto-intitulassem “homens de cura”. A iniciativa dos padres era bem óbvia, uma vez que naquele tempo o conhecimento estava centrado na mão da Igreja Católica. Eram pouquíssimas as pessoas que sabiam ler e os livros, além de raríssimos, eram guardados nos monastérios. Os reis, por sua vez, eram privilegiados, pois detinham o poder financeiro e bélico e tinham acesso à educação e ao conhecimento de livros e tratados antigos que falavam, entre outras coisas, sobre como curar as doenças.

Atribuía-se uma verdadeira revolução na medicina do século XV às obras de Paracelso (1493-1541). Sua teoria magnética, ou Sistema da Simpatia Magnética, defendia que os ímãs, assim como eram capazes de atrair o ferro, também poderiam atrair certas enfermidades e doenças (Prado, 1967). Durantes alguns séculos a aplicação de ímãs no corpo para curar enfermidades foi um dos tratamentos de saúdes mais populares que existiam. E o mais interessante ainda era que não faltavam relatos de cura de doenças, e melhoria dos sintomas após a aplicação da terapia magnética. Alguns padres jesuítas passaram a usar o “poder do ímã” até para realizar exorcismos.

“O ímã cura os fluxos dos olhos, dos ouvidos, do nariz e das articulações externas; por este mesmo método se curam as úlceras, as fístulas, o câncer e os fluxos menstruais. Também contribui para resolver as fraturas e cura a icterícia e a hidropsia, segundo a prática me tem demonstrado com frequência.” - Relato de curandeiros do Séc. XVI.

Foi a partir da posterior constatação, em 1786, de que os ímãs não possuíam qualquer propriedade curativa, que se abriu o caminho para uma nova explicação do porquê de algumas pessoas se diziam curadas. Como resposta, os cientistas descobriram que a sugestão e a imaginação poderiam ser os responsáveis pelas curas. Ou seja, a “mente”, que por muitos anos fora deixada de lado pelos médicos naturalistas, que preferiam buscar explicação na anatomia e na fisiologia, passou a ser a principal suspeita de ser a responsável pelas curas.

Foi, contudo, Franz Anton Mesmer, médico, quem estudou os mistérios científicos até então cuidadosamente guardados em segredo pelos seus predecessores com sendo coisa de magia. Admitia Mesmer que, assim como o ímã, as mãos e os olhos de alguns indivíduos podiam irradiar um fluido especial proveniente do próprio organismo, com influência nos indivíduos e nos próprios animais. As teorias mesmerianas foram combatidas em Viena, motivo por que Mesmer tranferiu residência para Paris em 1778. Em 1779 ele publica a obra Magnetismo Animal, em que expõe a tese defendida até então, ou seja, a existência de um fluido que interpenetrava tudo e que dava às pessoas, propriedades análogas àquelas do ímã. Teve boa aceitação, mas depois caiu em descrédito.

Em 1784, o Marquês de Puységur, discípulo de Mesmer, descobrira Sonambulismo Artificial e em 1787 Pététin descobria a Catalepsia Artificial. Em 1841, Braid descobre o hipnotismo.

Charcot o estuda metodicamente, Liebault o aplica à clínica e Freud o utiliza ao criar a Psicanálise.

O Magnetismo

Em Física: Fluido emanado do ferro magnético e dos ímãs, que tem a propriedade de atrair outros metais e de orientar a agulha magnética em direção Norte-Sul.

Teoria do Magnetismo Animal: Existe no indivíduo uma força latente que pode ser emitida mediante a ação da vontade. Esta força apresenta analogia com a eletricidade e o magnetismo mineral e existe em todos os seres vivos no estado estático e no estado dinâmico, circulando ao longo das fibras nervosas e irradiando para o exterior pelos olhos, pelas pontas dos dedos e pela boca, com maior ou menor intensidade da vontade.

Segundo Michaelus, o mesmerismo foi o arauto do magnetismo para a sociedade com suas vinte e sete proposições em “Memóire sur la découvet du magnétisme animal”, destacando-se: “essas propriedades podem ser transmitidas a outros corpos animados ou inanimados; a moléstia é apenas resultante da falta ou do desequilíbrio na distribuição do magnetismo pelo corpo”; e Rouxel em “Rapports du magnétisme et du Spiritisme” afirmou ser o “magnetismo uma transfusão de vida espiritualizada do organismo do operador para o paciente”.

O Hipnotismo

Deriva de Hipnose, palavra introduzida por James Braid em 1843. Provém da palavra grega hypnos, que na mitologia helênica significa Deus do sono, chamado Sommus pelos romanos. O termo não é feliz, uma vez que dá a errônea impressão de ser a hipnose igual ao sono. Hypnos quer dizer sono, mas os estados hipnóticos não são obrigatoriamente tranquilos e semelhantes ao sono. Braid, após propor o termo hipnose, observou que a mesma distinguia-se de um estado de sono, porém o termo já havia se consagrado. O hipnotismo são os vários processos, pelos quais uma pessoa dotada de grande força de vontade exerce sua influência sobre outras pessoas de ânimo mais débil, numa espécie de êxtase (ou transe).

Nasceu com Braid o primeiro esboço da neurofisiologia da hipnose. Na realidade, há indícios do uso da hipnose desde tempos muito remotos, onde eram utilizadas induções hipnóticas nas várias civilizações, encontrando-se a mesma fenomenologia em muitas partes do mundo. Os hebreus, os astecas, os índios americanos chippewas e os araucanos do sul do Chile sabiam induzir o “sono mágico” e outras formas de transes grupais e individuais. Podiam produzir analgesia, gravar sugestões pós-hipnóticas e curar dores físicas ou psicossomáticas. Chiron induzia o estado de transe em seu grande discípulo Esculápio. O “sono mágico” era usado tanto nos Templos do Sono egípcios, como individualmente por sibilas e oráculos. Andrade Faria, relata que num baixo relevo encontrado num sarcófago de Tebas, nota-se um sacerdote em pleno ato de indução hipnótica de um paciente. Os egípcios, os caldeus e os hindus realizavam induções através de rituais mágico-religiosos há milênios.

A Era Científica da hipnose começou com o alemão Franz Friedrich Anton Mesmer, que em 1775, diplomou-se em medicina onde apresentou sua tese de formatura “De planetarium influxu”, inspirada em idéias filosóficas e teosóficas do século XVI e XVII, como por exemplo as de Paracelso. Defendia em sua tese que corpos celestes influenciavam na cura de doenças. Existiria um fluido ou energia universal interligando os corpos e os astros, sendo captado e emitido pelo ferro magnético. Aos poucos, Mesmer percebe que o ferro imantado não é necessário, pois parecia que ele mesmo podia emitir essa força magnética curadora recebida dos astros, a qual então ele passa a chamar de “magnetismo humano”, que podia ser transmitido em cadeia para outras pessoas. O sensacionalismo e as perseguições, não permitiram a Mesmer introduzir suas descobertas nas universidades. Mudou-se para Paris onde todavia se repetem os sucessos espetaculares e o insucesso científico. A repercussão das curas alcançada por Mesmer, leva o Rei da França, Luís XVI, a nomear uma comissão da Sociedade Real de Medicina e outra da Academia de Ciências para analisar métodos tão pouco ortodoxos. Foram convidados os maiores expoentes da cultura científica francesa, entre os quais Lavoisier, Benjamin Franklin, Jussieu e Guillotin. Apenas Jussieu não considera as curas maravilhosas como resultados da sugestão.

Podemos afirmar que a hipnose pode ser vista como “antes de Mesmer” e “depois de Mesmer”, embora o termo hipnose só tenha surgido com James Braid.

James Braid, com bases no mesmerismo, apresentando um quadro fisiológico, apresentou o hipnotismo moderno, definindo-o como: “o estado particular do sistema nervoso, determinado por manobras artificiais, tendendo, pela paralisia dos centros nervosos a destruir o equilíbrio nervoso”, entretanto, Charles Richet, ao descrever o seu método, afirmou: “o hipnotismo tratava-se de projetar o fluido magnético no corpo do paciente”.

O Hipnotismo moderno admite que o paciente fica hipnotizado por auto-sugestão e concentração mental, não havendo fluido algum. Os cientistas não aceitaram o termo magnetismo; preferiram o hipnotismo. Apenas o hipnotismo é aceito pela ciência. Ficou assim prestigiado o hipnotismo através dos tempos pela ciência oficial e relegado o magnetismo com os seus passes as suas imposições e os seus fluidos para o monturo das teorias condenadas como obra do charlatanismo. (Michaelus, in Magnetismo Espiritual, Ed. FEB, 1967).

* * *

“Há quem diga que o ato de hipnotizar se filia à ciência de atuar sobre o espírito alheio, e, para que a impressão provocada, nesse sentido, se faça duradoura e profunda é imperioso se não desenvolva maior intimidade entre o magnetizador e a pessoa que lhe serve de instrumento, porquanto a faculdade de hipnotizar, para persistir em alguém, reclama dos outros obediência e respeito.

Exteriorizando-se em mais rigoroso regime de ação e reação sobre si mesma, a corrente mental dos assistentes capazes de entrar em sintonia com o toque de indução do hipnotizador passa a absorver-lhe os agentes mentais, predispondo-se a executar-lhe as ordens.

Semelhantes pessoas não precisarão estar absolutamente coladas à região espacial em que se encontra a vontade que as magnetiza. Podem estar até mesmo muito distanciadas, sofrendo-lhe a influência através do rádio, de gravações e da televisão.

Desde que se rendam, profundamente, à sugestão inicial recebida, começam a emitir certo tipo de onda mental com todas as potencialidades criadoras da ideação comum, e ficam habilitadas a plasmar as formas-pensamentos que lhes sejam sugeridas, formas essas que, estruturadas pelos movimentos de ação dos princípios mentais exteriorizados, reagem sobre elas próprias, determinando os efeitos ou alucinações que lhes imprima a vontade a que se submetem.”


Pelo espírito André Luiz, Psicografia Francisco Cândido Xavier, Do livro 'Mecanismos da Mediunidade'.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Condições necessárias para Magnetizar


Condições ideais para ser um bom magnetizador


A ação de emitir radiações magnéticas é comum a todos os corpos. Os minerais, os vegetais e os animais emitem radiações de todas as espécies em graus diferentes.

As relações magnéticas que, entre os corpos inorgânicos, minerais e vegetais, se exercem de uma maneira uniforme, porém incompletas são insensivelmente modificadas e aperfeiçoadas no reino animal, pelo poder de volição, que é o apanágio dos corpos organizados: a vontade impera sobre os movimentos voluntários, e o princípio ativo os executa.

O homem, pela superioridade do seu poder de volição, é mais apto do que o animal, para regularizar, condensar e projetar as suas radiações magnéticas.

Há um magnetismo mineral, um magnetismo vegetal, um magnetismo animal, porém é preciso distinguir cuidadosamente o do homem dos demais; porque o magnetismo humano resulta não somente das propriedades do corpo, mas também das faculdades da alma. O magnetismo reduzindo-se a uma simples comunicação de movimento de um indivíduo para outro, acontece que há tantos gêneros como indivíduos, possuindo cada um a maneira de radiações que lhe é própria.

Magnetizar, sendo uma faculdade natural comum a cada indivíduo, segue-se que qualquer é apto para magnetizar, fora de toda a consideração de sexo, de idade e de temperamento.

Só pode haver neste ponto graduações resultantes do grau de aptidões de cada qual para exercer esta faculdade. Estes graus de aptidão decorrem de certas condições. Para magnetizar bem, torna-se necessário saúde, calma, vontade, benevolência, fé e saber.

O melhor magnetizador é aquele que possui um bom temperamento, um caráter ao mesmo tempo firme e tranqüilo, o gérmen de paixões vivas sem ser subjugado por elas, uma vontade forte sem entusiasmo, a atividade reunida à paciência, a faculdade de concentrar sua atenção sem esforços, e que magnetizando se ocupe unicamente do que faz. (Deleuze)

Saúde

A origem e a causa dos fenômenos magnéticos sendo a irradiação vital, não é duvidoso que se o operador não estiver em uma disposição de saúde e de força convenientes, se estiver fatigado, esgotado por um excesso qualquer, anêmico ou doentio, não produzirá, apesar de toda a boa vontade de que estiver possuído, senão fracas emissões radiantes, e por conseguinte, resultados quase nulos.

A primeira das condições é, pois, ter um bom temperamento e uma boa saúde.

Entretanto, não se creia que o poder magnético caminhe a par da força muscular; um homem solidamente constituído, de envergadura hercúlea, é muitas vezes menos apto para a produção dos efeitos magnéticos, do que um homem de aparência mais delicada, porém dotado de uma constituição física especial: provém isso de que o sistema nervoso representa aqui um grande papel para condensar no interior e projetar no exterior; e essa faculdade de condensação e emissão não apresenta nenhuma relatividade com o vigor corporal, que não poderia supri-la.

Alimentação

O regime favorece consideravelmente esta faculdade radiante: cumpre ser sóbrio, habituar-se a restringir as suas necessidades e a comer pouco; quanto mais se desenvolve a função digestiva e mais trabalho se lhe dá, tanto maior é a restrição da potência nêurica condensante e radiante, estando esta em proporção inversa das funções vegetativas.

É um preconceito acreditar-se que uma alimentação rica e forçada entretém melhor a saúde; o abuso dos alimentos detém, pelo contrário, todo o funcionamento vital: “Qui nimis alitur, non satis alitur”, aquele que come muito, não se nutre bastante.

Para desenvolver as faculdades magnéticas, o regime vegetariano, aplicado sem exagero e sem prevenção exclusiva, é incontestavelmente o melhor; faz-se preciso comer pouca carne, suprimir por completo o uso do álcool e beber muita água pura.

Calma

A calma é uma das qualidades mais essenciais para magnetizar. Sem calma não há ponderação, nem equilíbrio, e por conseguinte não pode haver poder irradiante e regularidade de transmissão.

Só a calma torna-nos atentos, perseverantes, confiantes e dá essa virtude preciosa que se chama paciência.

Se se desconfia de si, se se duvida, se se está hesitante, se se age molemente e sem perseverança, se há falta de ordem e de confiança, se não se observa, ou se observa mal o seu doente, se em vez de se agir no interesse dele, se diverte em provocar certos efeitos no intuito de satisfazer uma curiosidade frívola ou disfarçar a impaciência que se experimenta, arrisca-se a fazer pouco benefício; porque uma atenção acurada, e uma confiança perseverante são os verdadeiros agentes de toda a ação magnética, e onde estes preciosos elementos chegam a faltar, todos os esforços neutralizam-se.

Se a calma é a qualidade quotidiana, mais útil àquele que quer magnetizar, esta qualidade torna-se inteiramente indispensável nos casos em que a natureza, produzindo crises, exige do operador todo o sangue frio de que é suscetível para auxiliar o doente a sair vitoriosamente dessas situações difíceis.

A curiosidade, que ordinariamente é um grande defeito, torna-se um vício radical no magnetizador; um curioso jamais deixa em repouso o doente no qual não obtivera efeitos que o distraiam do aborrecimento experimentado em magnetizar. Assim, as pessoas curiosas, instáveis, versáteis, irregulares nos seus sentimentos e nos seus modos, não conseguem nenhum êxito curador. (Aubin Gauthier)

Vontade

A vontade atua de uma maneira poderosa no ato de magnetizar; é necessário, pois, desenvolver muita vontade quando se magnetiza.

Entretanto não se acredite, como pretendem alguns, que a vontade faça tudo, substitua tudo, e não necessite de nenhum outro auxiliar; se assim fora, não se deveria preocupar com processos: bastaria fazer um tratado acerca da vontade e seus usos: mas assim não acontece, e só devemos considerar a vontade como agente interno encarregado de regular, dirigir e sustentar nossa ação.

Benevolência

Todos, indistintamente, podem produzir efeitos magnéticos; porém, para curar, é necessário possuir um fundo inesgotável de caridade e de benevolência, é preciso amar ao seu semelhante.

O homem bom, caridoso, benévolo, será certamente mais calmo, mais atencioso, mais perseverante, mais animado do amor do bem e, por conseguinte, mais desejoso de atingir o seu fim, que o indiferente; há, pois, muitas probabilidades de que produza efeitos salutares.

Se a benevolência não é absolutamente necessária para agir, é indispensável para ser útil (Aubin Gauthier).

Se, há um século, Mesmer se contentasse em anunciar aos sábios da Europa que uma vontade firme e benevolente era o remédio soberano que se precisava contrapor exclusivamente a todas as nossas moléstias, a extrema simplicidade de um tal asserto tê-lo-ia coberto de ridículo, e o magnetismo talvez tivesse morrido ao nascer; mas o homem inteligente, que acabara de encontrar esta verdade imensa, pensou imediatamente nos meios de torná-la aceita. Foram os esforços de Mesmer para cativar os espíritos pelo mistério e o desconhecido, e certos processos que empregou nesse intuito, que forneceram aos seus adversários um motivo para atacar a sua maneira de agir. (Dr. Tesle)

Fé

Será preciso ter a fé para magnetizar?

A fé não é precisamente uma condição indispensável para agir. A incredulidade não impede a produção de efeitos magnéticos; entretanto, sem uma confiança absoluta nos meios que se emprega e no fim que se procura atingir, a vontade flutua e a atenção paralisa-se; ao incrédulo falta-lhe perseverança e paciência, não possui esse fogo sagrado que triunfa dos obstáculos e das dificuldades, não tem esse precioso elemento do bom êxito, a confiança, que é a única que pode dar a fé fortificada pela experiência.

Pode-se, pois, magnetizar sem ter a fé, porém ela torna-se necessária para fazer o bem, para restituir a saúde àquele que a perdeu.

A falta de confiança dá a timidez; teme-se um efeito magnético em vez de desejá-lo; se ele se apresenta, recebe-se-o com inquietação; os efeitos imprevistos enchem de pasmo ou impelem-no a imprudências e exageros que se não dariam se se tivesse por guias a reflexão, o critério e a experiência (Aubin Gauthier)

Saber

O magnetismo, considerado debaixo do ponto de vista do exercício de uma faculdade natural, está ao alcance de todos; e para fazer bem ao seu semelhante, basta possuir um coração simples e benévolo; se se considerar o espiritismo sob o ponto de vista dos altos problemas de fisiologia e de psicologia que ele pode resolver, não é bastante um bom coração, é necessário uma grande inteligência e saber.

Tomemos um meio termo entre estes dois extremos e digamos que, para praticar o magnetismo curador com bom êxito, convém reunir às qualidades que acabamos de enumerar alguns conhecimentos de anatomia e de fisiologia e o estudo das melhores obras que têm tratado do magnetismo.

Finalmente, antes de procurar tratar de um doente, cumpre fazer um exame de si próprio e refletir maduramente: considerando o objeto que se propõe, que é curar, como um verdadeiro sacerdócio, é necessário tomar a resolução de imprimir a todos os seus atos o mais correto procedimento, as mais puras intenções, uma inteira discrição, uma dedicação absoluta e só empreender o tratamento quando se está certo de levá-lo a bom termo nas condições exigidas.


Retirado do livro ‘Magnetismo Curador’ - Alphonse Bué

sábado, 18 de março de 2017

Magnetismo: Pensamento e Cura


Pensamento


Conceito de pensamento:


Fluxo de idéias, símbolos e associações.

Atividades mentais variadas, tais como raciocinar, resolver problemas e formar conceitos.

É a manifestação da Alma (mente).

Elementos do pensamento: raciocínio, memória,, imaginação, vontade e sentimento. Estes elementos consistem em agrupar e coordenar imagens, em lhes apreender as conexões constituídas, a fim de as retocar e agrupar em novas correlações mais ou menos originais ou completas, segundo a maior ou menor potência intelectual do indivíduo junto com a capacidade de percepção e comparação, promove a associação de idéias.

Mecanismo do pensamento:


O pensamento não é apenas algo subjetivo, é também matéria imponderável a se manifestar como energia: MATÉRIA MENTAL.

O pensamento sendo matéria, é formado por partículas, as quais chamaremos de partículas ou corpúsculos mentais, a se expressarem como ONDAS e FORMAS MENTAIS.

"Onde há pensamentos, há correntes mentais e onde há correntes mentais existe associação.

E toda associação é interdependência e influenciação recíproca" (André Luiz -'Domínios da Mediunidade).

Formas mentais ou de pensamentos são imagens que criamos em nossa tela mental.

Toda imagem gera associação de idéias.

Temos imagens visuais, auditivas, táteis, olfativas, gustativas, etc.

As ondas e imagens mentais criam um campo eletromagnético em tomo da individualidade, também chamado de aura ou halo vital, que exprime a natureza intima de cada ser.

"Assim é que o halo vital ou aura de cada criatura permanece tecido de correntes atômicas sutis dos pensamentos que lhe são próprios ou habituais dentro de normas que correspondem à lei dos "quanta de energia" e aos princípios da mecânica ondulatória, que lhes imprimem cor e freqüência peculiares."

"Essas forças, em constantes movimentos sincrônicos ou estado de agitação pelos impulsos de vontade, estabelecem para cada pessoa uma onda mental própria.' (André Luiz - Mecanismo da Mediunidade)


Intensidade e freqüência do pensamento:


"Quando freqüentemente repetida, a sensação adquire vivacidade excepcional, de modo a persistir por vezes longamente, depois de extinta a causa geradora" (Bozzano em Pensamento e Vontade).

"Essa corrente de partículas mentais se exterioriza de cada espírito com qualidade de indução mental, tanto maior quanto mais amplos se lhe evidenciam as faculdades de concentração e o teor de persistência no rumo dos objetos que demande." (André Luiz -Mecanismo da Mediunidade).

"Compreendemos assim que matéria mental é instrumento sutil da vontade, atuando nas formações da matéria física, gerando as motivações de prazer ou desgosto, alegria ou dor, otimismo ou desespero, que reduzem efetivamente a abstração, por representarem turbilhões de força em que a alma cria os seus próprios estados de mentação indutiva.

Cura pelo pensamento:


Existem razões para se admitir que no campo da atomologia deve centrar-se a causa e a cura das doenças e que o pensamento tem o duplo poder de deslocar ou de reajustar os elétrons em suas órbitas.

O pensamento, sendo uma forma de energia emitida pela alma, quando impregnado de emoções negativas (medo, ódio, inveja, maldade) pode causar o deslocamento dos elétrons de suas órbitas atômicas, causando o sofrimento, doença, fracasso.

Já o pensamento reto, positivo, sob a motivação da vontade e da determinação, através do querer, da prece e da fé, centrado na ação curativa, procede o reajustamento dos elétrons no alinhamento de maior potencial de suas ôrbitas atômicas, promovendo a saúde, o bem-estar, o sucesso, a cura quântica.

- A energia causadora de ambos os processos é a mesma. O que diferencia o pensamento negativo do positivo é a informação associada ao mesmo. Quando imantado por emoções negativas, desencadeia a desarmonia energética na estrutura das células e conseqüente ejeção dos elétrons das órbitas dos átomos que as constituem.

E quando o pensamento está impregnado de emoções positivas, produz a harmonização do sistema energético das células, e conseqüente recondução do seu estado mental.

Na atuação do pensamento para cura há participação do fluído magnético, disponível através dos seres humanos ou dos espíritos, com a diferença que os espíritos podem efetuar a cura diretamente ou através de um médium.

"Todas as curas desse gênero são variedades do magnetismo e só diferem pela intensidade e pela rapidez de ação." (Allan Kardec - A Gênese).

"O fluído magnético constitui por si emanação controlada de força mental sob a alavanca da vontade."(André Luiz - Evolução Em Dois Mundos).

E como a vontade acompanha sempre os pensamentos positivos, é natural que os mesmos estejam sempre impregnados de fluído magnético em abundância, proporcionando a realização das curas.

O ser humano pode atuar na matéria física do seu próprio corpo, ou de outrem, através do fluído magnético que constitui a emanação de sua força mental que atua sob o impulso da vontade.

O pensamento é forma de energia utilizada pelo ser humano para obter a harmonia e o equilíbrio das células do organismo.

O poder de curar pelo pensamento depende da sua força de atuação energética, da vontade, da evolução espiritual e do interesse daquele que se propõe a realizar a cura, sendo tanto mais eficaz quanto maiores forem os quanta de energia utilizada para tal fim.

Pode-se deduzir que o magnetismo, humano ou espiritual, é responsável por diferentes modalidades de cura, compreendendo-se que o poder de cura é variável de pessoas para pessoas e é decorrente do fluído magnético emanado pelo pensamento, sob a ação da vontade.

As curas espirituais, consideradas como milagres, podem ser concebidas à luz da Ciência Quântica, que são realizados pela força do pensamento que é um atributo da mente.


Ação da prece - Transmissão do pensamento:


O Espiritismo nos faz compreender a ação da prece, ao explicar a forma de transmissão do pensamento. Devemos imaginar todos os seres, encarnados e desencarnados, mergulhados no fluido universal que preenche o espaço, assim como na terra estamos envoltos pela atmosfera. Esse fluído é impulsionado pela vontade, pois é o veículo do pensamento, como o ar é o veículo do som.

A energia da corrente está na razão direta da energia do pensamento e da vontade.

Pela prece, o homem atrai o concurso dos Bons Espíritos que inspiram os bons pensamentos.

Pode o homem pedir aos Bons Espíritos força para resistir aos maus pensamentos.

Para nos atenderem nisso, não é o mal que eles afastam de nós, mas é a nós que eles afastam do pensamento que nos pode causar o mal.

A prece só tem valor pelo pensamento que a informa. Para que a prece toque o coração é necessário que cada palavra revele uma idéia.

A mente humana é responsável por todo o comando do complexo orgânico. O corpo físico trabalha por indução de variadas forças.

Quando despertamos o poder da mente na direção do bem, solidarizando-nos com as leis naturais que nos governam, limpamos a casa e favorecemos as forças exteriores a nos ajudar.

"Todos esses males vêm de dentro e contaminam o homem." O próprio homem pode se curar através da prece, pelo toque das mão e pelo grande poder da mente.

O Evangelho não ensina somente a pensar, como também selecionar os pensamentos, para que esses possam ser falados e escritos. Essa é a melhor ciência da vida: Comunicar com a inteligência disciplinada pelo bom censo.

Podemos concluir que devemos procurar sempre elevar nosso pensamento à Deus, ao Alto, mantendo boas vibrações, não abrindo brechas e levando nossa vida equilibrada e harmoniosa. Sabendo selecionar o pensamento, Ter vontade, elevação espiritual, concentração, fé, nos desviaremos do mal, promovendo bem-estar, positividade, otimismo e luz para nossas vidas.


Marcia S.

BIBLIOGRAFIA
O Evangelho Segundo Espiritismo - Allan Kardec
O Livro dos Espíritos - Allan Kardec
Rosa Cristo- João Nunes Maia pelo espírito de Miramez
Pensamentos - Pietro Ubaldi
Trabalho do Grupo de Estudos - AMERGS

terça-feira, 14 de março de 2017

O Passe Magnético e a Ciência


USP e Unifesp confirmam eficácia do “Passe Magnético” com a imposição das mãos!


Por Ciro Francisco Amantéa

Franz Anton Mesmer, ou Mesmer como é mais conhecido, nasceu em 23 de maio de 1734 na pequena aldeia de Iznang, Alemanha. Formou-se em Medicina e, como cientista, pesquisou o fenômeno da “imposição das mãos”, na transmissão de uma energia que revelou-se fortalecedora das pessoas que a recebiam, comprovando assim a existência de uma força que ficou conhecida como magnética, por dar ao corpo propriedades análogas ás do imã.

Segundo o referido médico, tal força magnética pode ser utilizada com finalidade terapêutica, como acontece na transmissão do “passe magnético” usado na prática espírita. Muitas foram as críticas e muitos também os adeptos da teoria chamada de ‘Magnetismo Animal’ ou ‘Mesmerismo’, que, na realidade, preparava o caminho para a Doutrina Espírita, que viria logo a seguir para o mundo graças as investigações de outro extraordinário homem de ciências, o Allan Kardec, cujas investigações comprovaram uma relação forte e sequencial entre Magnetismo e Espiritismo.

As pesquisas de Allan Kardec a partir de 1855 na França, que o levaram a codificar o Espiritismo, comprovaram porém que, além do passe magnético, produzido pelo próprio médium utilizando recursos do seu próprio organismo, ele, médium, pode também receber o reforço das energias provenientes de entidades espirituais ou espíritos presentes ao ato, e, cuja ação reforça o poder terapêutico do ‘passe’.

Este agora é o chamado “passe espiritual” ou “mediúnico”, onde o médium é intermediário de energias mais sutis que, provenientes dos espíritos designados para aquela casa espírita, unem-se aos recursos magnéticos dos próprios médiuns, aumentando a potência do ‘passe’.

Este passe espiritual, onde, podemos assim dizer, se aliam mundo espiritual com o mundo físico, é o que normalmente acontece nos Centros Espíritas onde, nas salas especiais para os passes, ou seja, salas reservadas para tal objetivo, a “equipe espiritual” da Casa Espírita, auxilia os médiuns para a produção dos efeitos desejados, que são os de transmitir energias novas ou ‘tratamento espiritual’ a todos aqueles que dele necessitam.

Vejamos os fatos importantes, que nos levaram a abordar tal assunto, sem nos esquecer que o próprio Cristo utilizou, e muito, a imposição das suas mãos, para realizar as curas com as quais ajudava tantos necessitados e deficientes. Até há pouco tempo os mais céticos viam nisso tudo apenas crendice, fé ou até mito religioso.

Nesse exato momento porém estão acontecendo pesquisas nas duas principais universidades brasileiras, que são a Universidade de São Paulo e a Universidade Federal de São Paulo, USP e UNIFESP portanto, pesquisas que comprovam a existência de uma energia liberada pelas mãos e que tem o poder de curar e pode até prevenir doenças, como o câncer.

Agora meus prezados amigos, é a ciência que está esclarecendo.

Afirmamos isto tendo em vista o estudo de doutorado do pesquisador Ricardo Monezi, da Universidade Federal de São Paulo. A pesquisa comprovou que, por meio da imposição de mãos, é possível aliviar o estresse, a tensão e os demais sintomas relacionados a ansiedade e a depressão.

De 2000 a 2003, esse mesmo pesquisador investigou na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) realizou tese de Mestrado nessa faculdade sobre emissão de energia pela imposição das mãos. Observou na ocasião um notável ganho potencial das células de defesa nos organismos dos animais usados na pesquisa, em comparação com aquelas onde se alojam os tumores.

Atualmente, a tese de doutoramento sobre os efeitos da imposição das mãos realizada com seres humanos, mais especificamente em idosos com queixas de estresse, Ricardo Monezi realizou na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), constatando, após mais de 10 anos de pesquisa, o elevado potencial terapêutico desse tipo de intervenção, que não é apenas curativa, mas, sobretudo, preventiva.

Monezi já concluiu que os 44 idosos que receberam o tratamento por algum tempo apresentaram uma redução significativa nos níveis de estresse, ansiedade e depressão, entre outras melhorias relacionadas a qualidade de vida.

“A energia liberada pelas mãos pode modificar aspectos fisiológicos, psicológicos, sociais e espirituais de seres vivos”, afirma o ilustre pesquisador. Comprovou também que os efeitos do método não dependem exclusivamente da fé ou efeitos emocionais.

“Os próximos anos”, diz ainda o cientista, “serão surpreendentes para essa investigação”.

Como se observa, é mais uma tese espírita comprovada pela ciência.

Temos razões quando dizemos que Kardec foi enviado pelo Cristo, e que portanto, devemos enxergá-lo como seu discípulo.


Fonte: www.jornalperiscopio.com.br, Maio de 2013

domingo, 12 de março de 2017

Magnetismo Humano e Espiritual



O magnetismo produzido pelo fluido do homem é o magnetismo humano; aquele que provém do fluido dos Espíritos é o magnetismo espiritual.

O fluido magnético tem, pois, duas fontes muito distintas: os Espíritos encarnados e os Espíritos desencarnados. Essa diferença de origem produz uma diferença muito grande na qualidade do fluido e em seus efeitos.

O fluido humano é sempre mais ou menos impregnado das impurezas físicas e morais do encarnado; o dos bons Espíritos é necessariamente mais puro e, por isto mesmo, tem propriedades mais ativas que levam a uma cura mais rápida. Mas, passando por intermédio do encarnado, pode-se alterar como uma água límpida passando por um vaso impuro, como todo remédio se altera se permanece em um vaso impróprio, e perde em parte suas propriedades benfazejas. Daí, para todo verdadeiro médium curador, a necessidade absoluta de trabalhar em sua depuração, quer dizer, em sua melhoria moral, segundo este princípio vulgar: limpai o vaso antes de vos servir dele, se quereis ter alguma coisa de bom. Só isto basta para mostrar que o primeiro que chega não poderia ser médium curador, na verdadeira acepção da palavra.

O fluido espiritual é tanto mais depurado e benfazejo quanto o Espírito que o fornece é, ele mesmo, mais puro e mais desligado da matéria. Concebe-se que o dos Espíritos inferiores deve se aproximar do homem e pode ter propriedades malfazejas, se o Espírito for impuro e animado de más intenções.

Pela mesma razão, as qualidades do fluido humano apresenta nuanças infinitas segundo as qualidades físicas e morais do indivíduo; é evidente que o fluido saindo de um corpo malsão pode inocular princípios mórbidos no magnetizado. As qualidades morais do magnetizador, quer dizer, a pureza de intenção e de sentimento, o desejo ardente e desinteressado de aliviar seu semelhante, unido à saúde do corpo, dão ao fluido um poder reparador que pode, em certos indivíduos se aproximar das qualidades do fluido espiritual.

Seria, pois, um erro considerar o magnetizador como uma simples máquina na transmissão fluídica. Nisto como em todas as coisas, o produto está em razão do instrumento e do agente produtor. Por estes motivos, haveria imprudência em se submeter à ação magnética do primeiro desconhecido; abstração feita dos conhecimentos práticos indispensáveis, o fluido do magnetizador é como o leite de uma nutriz: salutar ou insalubre.

O fluido humano sendo menos ativo, exige uma magnetização prolongada e um verdadeiro tratamento, às vezes, muito longo; o magnetizador, dispensando seu próprio fluido, se esgota e se fatiga, porque é de seu próprio elemento vital que ele dá; é porque deve, de tempos em tempos recuperar suas forças. O fluido espiritual, mais poderoso em razão de sua pureza, produz efeitos mais rápidos e, frequentemente, quase instantâneos. Esse fluido não sendo o do magnetizador, disto resulta que a fadiga é quase nula.


Allan Kardec

Fonte: Revista Espírita

sexta-feira, 10 de março de 2017

Passes e Magnetismo

O Programa Transição com o tema “Passes e Magnetismo” faz uma entrevista com o escritor, pesquisador do magnetismo humano, Jacob Melo, autor do clássico “O Passe: seu estudo, suas técnicas, sua prática”.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Magnetismo e Espiritismo, Ciências Irmãs


Magnetismo e Espiritismo: quem os separou?


Por ter crescido num berço espírita e já contando com muitos anos lidando com o Magnetismo fico pensando o porquê de se fazer tantas reservas ao casamento dessas duas ciências!

Como ciências, elas são consorciadas num enlace indissolúvel, sob pena de, em se separando, chegarem ao imobilismo, conforme preconizou Allan Kardec em janeiro de 1869, às vésperas de sua desencarnação (Revista Espírita, janeiro de 1869, página 7, onde se lê: “O magnetismo e o Espiritismo são, com efeito, duas ciências gêmeas, que se completam e se explicam uma pela outra, e das quais aquela das duas que não quer se imobilizar, não pode chegar a seu complemento sem se apoiar sobre a sua congênere; isoladas uma da outra, elas se detêm num impasse; elas são reciprocamente como a física e a química, a anatomia e a fisiologia”. Grifo original). Fica bastante visível a opinião do Codificador, a qual nem sempre tem recebido o respeito devido.

Uma das “lutas” de Allan Kardec foi a de convencer os magnetizadores de sua época acerca da influência dos Espíritos nos fenômenos do magnetismo. A grande maioria dos magnetizadores de então não queria admitir a possibilidade da interveniência de “nenhuma potência estranha”, mesmo quando não tinham, em seus saberes, todos os móveis e motores que explicassem a ação de tão sutil agente, chamado de fluido, potencializado por outro ainda mais sutil: a vontade.

Vermífugos, vomitórios, sangrias e perdas de vitalidade provocadas eram considerados, ainda, como os principais elementos de cura da medicina da ocasião e as terapias naturais já começavam a se fazerem reconhecidas, se não pelas curas totais, pelo menos por apresentarem menores índices de óbitos. Nesse universo, o magnetismo de Mesmer já havia conquistado terreno amplo, mesmo com o Magnetismo ainda tendo que enfrentar parte da sociedade acadêmica e dela sofrer as mais rigorosas perseguições. Todavia, no que se percebe da leitura dos grandes da época, muitos médicos já haviam incorporado à sua prática clínica tanto o Magnetismo como o Sonambulismo, sempre referindo sucesso a tal mister.

E pelo que Allan Kardec pronunciou: “O magnetismo preparou o caminho do Espiritismo, e os rápidos progressos desta última doutrina são incontestavelmente devidos à vulgarização das ideias sobre a primeira. Dos fenômenos magnéticos, do sonambulismo e do êxtase às manifestações espíritas há apenas um passo; sua conexão é tal que, por assim dizer, é impossível falar de um sem falar do outro. Se tivermos que ficar fora da Ciência do magnetismo, nosso quadro ficará incompleto e poderemos ser comparados a um professor de Física que se abstivesse de falar da luz” (In Revista Espírita, março 1858, artigo ‘O magnetismo e o Espiritismo’) fica notório que o mestre de Lion abençoava esse enlace e ainda nos advertia do preço que seria ficarmos de fora da Ciência do Magnetismo. E para que não ficassem dúvidas de que ele conhecia e respeitava os grandes mestres do Magnetismo, ele encerrou o referido artigo com este honestíssimo parágrafo: “Devíamos, aos nossos leitores, essa profissão de fé, que terminamos rendendo uma justa homenagem aos homens de convicção que, afrontando o ridículo, os sarcasmos e os dissabores, estão corajosamente devotados à defesa de uma causa toda humanitária. Qualquer que seja a opinião dos contemporâneos sobre a sua conta pessoal, opinião que é sempre, mais ou menos, o reflexo de paixões vivas, a posteridade lhes fará justiça; colocará o nome do barão Du Potet, diretor do Jornal do Magnetismo, do senhor Millet, diretor da União Magnética, ao lado dos seus ilustres predecessores, o marquês de Puységur e o sábio Deleuze. Graças aos seus esforços perseverantes, o Magnetismo, tornado popular, colocou um pé na ciência oficial, onde dele já se fala, em voz baixa. Essa palavra passou para a linguagem usual; ela não espanta mais, e quando alguém se diz magnetizador, não lhe riem mais ao nariz” (grifos originais).

Nosso codificador, portanto, afirma e reafirma a união do Magnetismo com o Espiritismo. Sobrando, portanto, a pergunta título deste artigo: “quem os separou? ”. O mundo, assim como eu, espera uma resposta que explique o que nos levou a esse imobilismo em que nos metemos.

A Bênção do Magnetismo


Embora nem todo mundo perceba isso, uma das maiores bênçãos que as criaturas têm, recebem, absorvem e até distribuem é o magnetismo.

Mesmer (1734-1815) chamou a “energia” vital de Magnetismo Animal. Muitos preferem chamá-lo de magnetismo espiritual, psíquico, humano, sutil… Ao que me parece, o nome não importa muito, desde que saibamos nos beneficiar dessa fonte inesgotável que bem poderia ser simplesmente chamada de Vida, vida orgânica, posto que esta não existe sem a presença daquele.

Inapreensível para muitos e de abordagem pouco confortável para quem ainda se orienta pelo mecanicismo cartesiano como única base viável de provas, as evidências dessa potência jamais podem ser negadas, ainda mesmo quando vigoravam perseguições cruéis e insanas sobre seus estudos e usos.

Força ativa e interativa, nela nos movemos e por ela nos reconhecemos. Enigmas, mistérios e lógicas desconhecidas, enfim, quase tudo tem nessa ciência uma base segura para entendimento sensato e coerente.

Contemporaneamente, com uma maior popularização dos conhecimentos quânticos, aquilo que antes só poderia fazer parte do universo de lunáticos ou do cérebro de privilegiados incompreendidos, o magnetismo vem ampliando horizontes e retomando o espaço que jamais deveria ter perdido.

Na cultura geral sempre foi tomado em apenas uma de suas feições: a cura sutil. Muitas religiões, seitas, credos e filosofias denominam seu emprego como mahikari, jorey, reiki, healing, imposições de mãos…

E foi nesse campo que Allan Kardec mergulhou, de forma segura e clara, e vinculou o Espiritismo ao Magnetismo de uma maneira muito mais ampla e rica do que qualquer outra doutrina. E assim o fez porque seria praticamente impossível se compreender, com segurança e base, a mediunidade em geral, mas especialmente a de efeitos físicos, bem como toda e qualquer terapia com os chamados passes.

Tendo ele sabido da força que desempenha o magnetismo, colocando-o na condição de verdadeira ciência, no seu comentário à questão 555 do Livro dos Espíritos escreveu:

“O Espiritismo e o magnetismo nos dão a chave de uma imensidade de fenômenos sobre os quais a ignorância teceu um sem-número de fábulas, em que os fatos se apresentam exagerados pela imaginação. O conhecimento lúcido dessas duas ciências que, a bem dizer, formam uma única, mostrando a realidade das coisas e suas verdadeiras causas, constitui o melhor preservativo contra as ideias supersticiosas, porque revela o que é possível e o que é impossível, o que está nas leis da Natureza e o que não passa de ridícula crendice”. (grifei)

Com o Espiritismo explicando o incompreensível e o Magnetismo evidenciando toda sua força nas relações e interações energéticas dos seres, muito apropriada fica a sugestão do Mestre lionês. Não há, pois, como não se mergulhar nessa ciência.

Jacob Melo
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