quarta-feira, 2 de abril de 2025

Especial do Mês

 

Neste mês especial, o Manancial de Luz dedica suas publicações a celebrar o legado iluminado do médium espírita mineiro Francisco Cândido Xavier, carinhosamente conhecido como Chico Xavier. Intitulada "Páginas de Chico", a nossa série homenageia não apenas o aniversário de nascimento deste inesquecível médium, mas também a grandeza de sua contribuição para a disseminação do amor, da fé e da paz espiritual.

Ao longo de sua jornada terrena, Chico Xavier nos presenteou com mensagens psicografadas de imensa beleza e profundidade, capazes de consolar corações e renovar esperanças. Por meio dessas páginas luminosas, milhares encontraram conforto nas palavras que ele trouxe, vindas de planos espirituais superiores.

Durante este mês, traremos em nossas postagens algumas dessas mensagens tocantes, sempre buscando refletir a sabedoria e a serenidade que ele transmitia. Este é o nosso convite para que você, leitor, mergulhe conosco no universo de Chico Xavier e permita que suas palavras continuem iluminando caminhos.

Que as Páginas de Chico sejam um lembrete de que, mesmo diante das adversidades, o amor e a espiritualidade são forças transformadoras. Acompanhe nossas publicações e sinta-se à vontade para compartilhar sua conexão pessoal com essa figura tão especial.

segunda-feira, 31 de março de 2025

Segundo advento do Cristo

 


Por Eurípedes Kühl

Um segundo advento do Cristo pode perfeitamente ocorrer, como ele próprio o afirmou categoricamente

A propósito do segundo advento do Cristo, Allan Kardec, em “A Gênese”[1], destaca inicialmente dois trechos do Evangelho:

1º - Em Mateus, cap. XVI, vv. 24 a 28:

Disse então Jesus a seus discípulos: Se algum quiser vir nas minhas pegadas, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me; - porquanto, aquele que quiser salvar a vida a perderá e aquele que perder a vida por amor de mim a encontrará de novo. (...) – Pois o Filho do homem deve vir na glória de seu Pai, com seus anjos, e então dará a cada um segundo suas obras. Digo-vos, em verdade, que alguns daqueles que aqui se encontram não sofrerão a morte, sem que tenham visto vir o Filho do homem no seu reino.

2º - Em Marcos, cap. XIV, vv. 61 e 62:

(...) O sumo sacerdote ainda o interrompeu e lhe disse: Sois vós o Cristo, o filho de Deus abençoado para sempre?

Jesus lhe respondeu: Eu sou, e vereis um dia o Filho do homem sentado à direita da majestade de Deus, vindo sobre as nuvens do céu.

Desses dois trechos Kardec considera:

Jesus anuncia o seu segundo advento, mas não diz que voltará à Terra com corpo carnal, nem que personificará o Consolador. Apresenta-se como tendo de vir em Espírito, na glória de seu Pai, a julgar o mérito e o demérito e dar a cada um segundo as suas obras, quando os tempos forem chegados.

Considerando que nos alvores do terceiro milênio muitos são os cristãos que estabelecem interpretação equivocada de alguns trechos evangélicos, e em particular dos acima transcritos, com humildade e prudência apresento reflexões encontradas no Espiritismo, que talvez venham a dissipar quaisquer névoas sobre o seu entendimento.

Jesus jamais nos deixou, nem nos deixaria

Os trechos citados formam um grande painel, cuja síntese espírita, sempre concorde com Kardec, pode ser a seguinte:

a. A vida imortal é a do Espírito — a física, efêmera. Convém, pois, que cuidemos da primeira, com desprendimento da segunda (a material);

b. Jesus vir com anjos para dar reconhecimento (méritos) subentende a aplicação, pelo Plano Espiritual, da Lei Divina de Justiça, que terá repercussão na Terra, onde atualmente vivem os bons junto com os maus; tal aplicação terá por objetivo separá-los, de forma que:

- os bons (por seus créditos de virtudes) receberão passaporte para permanecerem na Terra, então regenerada (planeta de regeneração é aquele onde o bem supera o mal);

- os maus terão emigrado compulsoriamente para mundos mais atrasados do que este, onde levarão progresso, ao tempo que se redimirão;

c. Uma segunda vinda de Jesus nos remete inicialmente a três reflexões:

1ª - um segundo advento do Cristo pode perfeitamente ocorrer. Ele o afirmou categoricamente. Assim, o que impediria tal ocorrência?

2ª - Mas, para os não cristãos, Jesus não seria o “Cristo” (Ungido de Deus, o Messias), o qual nem sequer teria vindo uma primeira vez. Assim, no atual patamar religioso terreno, uma eventual volta de Jesus, como da primeira vez, pelo menos para muitos, provavelmente não o fará ser considerado o Messias. Como vemos, aqui há um embate de credos...

3ª - Para a maioria dos cristãos (espíritas, em particular), Jesus não retornará porque... jamais nos deixou, ou deixaria. Apoiam-se na afirmação do próprio Cristo: “Eis que estarei com vocês todos os dias, até o fim do mundo” (Mateus 28:20).

O tema “volta de Jesus” deve ser tratado com prudência

De minha parte, excluindo a 2ª reflexão, as 1ª e 3ª conciliam-se e tanto uma quanto a outra são viáveis. Ademais, essa questão da “volta de Jesus” deve ser encarada com muita prudência. Para começar, três dias após a crucificação Ele esteve com os Apóstolos, a partir da Estrada de Emaús (Lucas, cap. 24).

Além das considerações de Kardec, que sintetizei acima, colhi as de outros quatro espíritas, todas bem econômicas, demonstrando que o tema não se presta a grandes dissertações...

Ei-las:

1ª - Em “Sessões Práticas e Doutrinárias do Espiritismo”, de Aurélio A. Valente, cap. IX, p. 204 e 205, Ed. 1937, FEB, RJ/RJ:

“Jesus descerá em toda a sua glória, dirigindo a falange dos Espíritos eleitos do Senhor. De acordo com as escrituras, Ele veio entre os hebreus restabelecer o reino de Deus, mas não foi reconhecido porque eles esperavam o reinado dos homens”.

2ª - Em “Allan Kardec”, de Zêus Wantuil e Francisco Thiesen, Vol. III, p. 85, 2ª Ed., 1982, FEB, RJ/RJ:

“(...) a vinda de Jesus, anunciada no Evangelho, processar-se-á, no porvir, quando necessária, no tempo certo, que não sabemos avaliar”.

3ª - Em “Jesus – nem Deus, nem homem”, de Guillon Ribeiro, p. 14, 3ª Ed., 1990, FEB, RJ/RJ:

“Esse segundo advento (de Jesus) se dará quando o mesmo Jesus, como Espírito da Verdade, vier em todo o seu fulgor espírita ao planeta terreno purificado e transformado, na qualidade de seu soberano, visível para as criaturas também purificadas e transformadas, mostrar a verdade sem véu”.

O Juízo Final simboliza a regeneração planetária

4ª - Em “Quando voltar a primavera”, de Amélia Rodrigues, psicografia de Divaldo P. Franco, p. 13, 6ª Ed., 1997, LEAL, Salvador/BA:

“Jesus prossegue sendo a eterna Primavera por que todos anelamos. Esperar a Sua volta é a ambição que devemos, no momento, acalentar, preparando a Terra desde então para esse momento de vida, beleza e abundância...”.

Dentro do tema, Kardec, ainda em “A Gênese”, registra[2]:

Ora, quando o Filho do homem vier em sua majestade, acompanhado de todos os anjos, assentar-se-á no trono de sua glória; e, reunidas à sua frente todas as nações, ele separará uns dos outros, como um pastor separa dos bodes as ovelhas, e colocará à sua direita as ovelhas e à sua esquerda os bodes. (Mateus, cap. XXV, vers. de 31 a 33).

Inúmeras são as reflexões de incontáveis autores espíritas sobre o Juízo Final, máxime sobre essa afirmação evangélica que preconiza a separação de bodes para um lado e ovelhas para outro: em análise objetiva, tais palavras expressam o reconhecimento dos méritos de cada Espírito terreno, encarnado ou desencarnado — aos bons, a Terra regenerada, e aos maus, expurgo daqui, com passaporte e emigração compulsória para mundos primitivos ou mesmo de “provas e expiações”, que os há aos milhões, no Universo.

Destarte, para mim e creio que para os demais espíritas, o “Juízo Final” simboliza a regeneração planetária, pelo que nem “Final”, nem coletivo, mas sim, individual, nem tal julgamento acontecerá num exato momento para todos: na opinião de vários Espíritos, Kardec inclusive[3], ele (Juízo Final) já começou há tempos e nisso, aliás, como desde sempre, quem define com infalível acerto as coisas é a consciência de cada um, ditando-lhe seu destino. 

Jesus nunca foi unanimidade na Terra

Àqueles que tenham anestesiada a consciência, a infalibilidade das Leis Divinas, em particular a de Justiça, aplica-se automaticamente, no dizer magnânimo de Jesus, que repito: a cada um, segundo suas obras.

Mas, ainda refletindo sobre uma eventual volta de Jesus, há uma penosa realidade (pelo menos nos tempos de hoje) para os cristãos: Ele não é nem nunca foi unanimidade terrena.

Senão, vejamos:

- à época de Jesus na Terra, a população mundial, segundo estimativa de alguns demógrafos, oscilava de 170 a 250 milhões de habitantes; fico na média;

- somente uma minoria, durante séculos adiante, aceitou-O como o Mestre dos mestres;

- até hoje, não aceitar o Cristo como o Messias, de forma alguma exclui alguém de proceder fraternalmente, de “ser do bem”. Não! Ser bom jamais foi apanágio apenas dos seguidores de qualquer credo ou religião, ou mesmo de eventuais ateus. Obviamente que seguir os ensinamentos de Jesus é a melhor de todas as maneiras possíveis para o Espírito evoluir;

- no livro “Roteiro”, cap. 9 “O grande educandário”, Ed. de 1952, da FEB, RJ/RJ, pela psicografia de F.C.Xavier, o Espírito Emmanuel informava que para os dois bilhões de Espíritos então encarnados havia vinte bilhões desencarnados (2:20);

- no “Anuário Espírita de 1964”, Ed. do I.D.E., Araras/SP, em entrevista e pela psicografia de F.C.Xavier, o Espírito André Luiz informava que para os três bilhões de Espíritos encarnados havia “para mais de vinte bilhões desencarnados” (3:21);

- assim, na primeira citação (de Emmanuel), tem-se que para um encarnado havia dez desencarnados (1:10), e na segunda (de André Luiz), a proporção era de um para sete (1:7).

Atualmente (2015), mais de sete bilhões de pessoas habitam a Terra[4].

Entre os desencarnados, quantos serão cristãos?

O expressivo aumento de habitantes da Terra, do tempo de Jesus entre nós ao século XX, parece sinalizar que o planeta Terra é destino de grande número de Espíritos alienígenas — essa é apenas uma conjetura, que como tal, não passa de opinião pessoal...

— Quantos desencarnados ao tempo de Jesus e atualmente?

Imaginar qual o número de desencarnados ao tempo de Jesus (± 210 milhões de encarnados) é número que fica difícil de ajuizar, para não dizer impossível. Atualmente, da minha parte não tenho notícia de que tenha havido informação “atualizando” as de Emmanuel e André Luiz, já citadas.

— E, dos desencarnados, hoje, quantos seriam cristãos?

Resposta igualmente difícil, absolutamente inviável.

Opino que saber o número de desencarnados cristãos, nestas reflexões, seria um dado complementar, apenas para estimar se alguns Espíritos não tiveram ainda algum contato com Jesus, desde que o Mestre esteve entre nós, há cerca de dois mil anos. Com essa resposta, poderia aventar para quantos um eventual retorno de Jesus seria repetição para uns e primeira vez, para outros.

Reflito também na pungente realidade atual: segundo o “Almanaque ABRIL-Sociedade” de 2015, Editora Abril, SP/SP, p. 142, em 2014 havia cerca de dois bilhões e quatrocentos milhões de cristãos no mundo. Ora, dedutivamente, quatro bilhões e seiscentos milhões de encarnados não O têm como referencial de Messias, Cristo ou “Salvador” (7 – 2,4 = 4,6).

Triste Humanidade...

Imagino que só quando houver merecimento terreno ocorrerá um novo estágio de Jesus entre nós. Então, esse eventual quanto abençoado advento, com os fantásticos meios de divulgação já existentes, com certeza catalisará a atenção mundial, incentivando sublime e expressiva melhoria moral da Humanidade, com isso arrimando a regeneração deste planeta!

[1] “A Gênese”, de Allan Kardec, Cap. XVII,  nº 43 e 44, p. 389 da 35ª Ed., 1992, FEB, Rio/RJ

[2] “A Gênese”, de Allan Kardec, cap. XVII, “Juízo final”, nº 62, p. 397 da 35ª Ed., 1992, FEB, Rio/RJ

[3] “A Gênese”, de Allan Kardec, cap. XVIII, “São chegados os tempos”, 35ªEd., 1992, FEB, Rio/RJ.

[4] Segundo estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU), publicadas em 2014 na mídia internacional, a população mundial atingiu a marca de 7 bilhões de pessoas em Outubro/2011.

sábado, 29 de março de 2025

Sois deuses


 

Por Maria de Lurdes Duarte

“Conhece-te a ti mesmo”, assim ensinava Sócrates (470 a.C.-399 a.C.). Alguns séculos depois, Jesus afirmava “Vós sois deuses” (João 10:34) e ainda “Conhecereis a verdade e ela vos libertará” (João 8:32). No século XIX, a uma pergunta de Kardec sobre a necessidade da reencarnação, os Espíritos respondem, “Todos são criados simples e ignorantes e se instruem através das lutas e tribulações da vida corporal (…)”.

Vale a pena atentarmos nestas afirmações que, se bem entendidas, têm grandes implicações no modo como encaramos a nossa própria essência e nos dispomos a crescer aos mais diversos níveis: espiritual, emocional, moral, social, intelectual.

Somos obra divina. O Pai, em sua imensa sabedoria e misericórdia, desde sempre tem estado em criação constante. Cada um de nós é uma das suas obras. Não fomos criados perfeitos, sábios, moralizados. Não fomos criados nem bons nem maus. Isso contraria a crença de alguns de que Deus nos criou bons e, em contacto com a Terra, degeneramos. Uma espécie de anjos caídos. Essa ideia contraria absolutamente o princípio de que Deus, para ser Deus, tem de ter bondade, misericórdia, sabedoria, presciência… e todas as outras perfeições que lhe conhecemos e as que nem imaginamos, todas elas no grau mais absoluto, sob pena de que um outro as poderia vir a ter em maior grau. Com que finalidade criaria Deus seres perfeitos e os colocaria em situações que os fariam andar para trás, perdendo tudo o que lhes tinha dado no momento da criação? Onde estaria a perfeição da obra divina? Podemos até questionar: Onde estaria a perfeição do Criador?

Pelo contrário, a ideia de que somos uma obra original, simples, ignorante, com todo as potencialidades para evoluir, crescer de forma quase ilimitada, chegar, como fruto do nosso trabalho incessante, à perfeição que nos é dado necessário alcançar, essa sim, parece-nos uma ideia que nada repugna à razão.

Mas, apesar de simples e ignorantes, não partimos do zero absoluto no momento em que fomos criados. Somos como a pequena semente que muito pouco se parece com a árvore que lhe deu vida, mas traz em si tudo o que precisa para vir a ser uma árvore portentosa, cheia de vida e vigor. Cada pequena semente, de acordo com a espécie de que provém, tem em si os germes daquilo que virá a ser, quando chegar a hora da germinação, e crescer até se transformar numa obra perfeita de acordo com a sua natureza, se lhe for permitido desenvolver-se envolta nas condições que lhe são necessárias.

Nós somos a semente do anjo em que nos tornaremos. Temos em nós os germes da sabedoria, da bondade, do belo, do bom, e de todas as virtudes que poderemos desenvolver, ao longo das reencarnações sucessivas em mundos materiais e do que poderemos aprender durante as estadias intermédias na erraticidade. Algumas destas virtudes, por enquanto nem antevemos quais poderão ser. São inerentes a estados evolutivos que ainda não são os nossos, mas dos quais, por vezes, temos tímidos vislumbres, que poderemos considerar como apelos do Alto a chamar-nos para novos rumos, para que não estacionemos numa felicidade enganadora, mas confortável.

Quando Jesus reafirma o que já anteriormente podíamos encontrar no antigo testamento (Salmo 82:6) “Sois deuses”, refere-se às potencialidades da alma que, quando desenvolvidas devidamente, nos farão empreender feitos e conquistas de uma sublimidade que nem suspeitaríamos nos estados menos avançados da escalada evolutiva. Estes feitos e conquistas a que nos referimos não são de cariz material, não são as conquistas da riqueza, nem as conquistas sobre povos. Não são os feitos do heroísmo que nos leva à luta exterior contra pessoas, países, povos. Mas não são feitos menos heroicos, antes pelo contrário. São a conquista do bem e da sabedoria, conseguida nas lutas interiores que empreendemos contra os vícios, as más tendências, os maus instintos, a ignorância, o egoísmo.

Esta luta exige de nós um constante esforço de reflexão que leve ao autoconhecimento. “Conhece-te a ti mesmo”, preconizava Sócrates, esse grande percursor do Cristianismo, logo também do Espiritismo. Ou seja, conhece-te a ti mesmo, reflete sobre as tuas ações, perscruta os teus desejos e pensamentos mais íntimos. Analisa os teus dons, investiga sobre o que te faz verdadeiramente feliz, descobre como dar pequenos passos de cada vez, mas avança. “Vigia as próprias manifestações”, como diz André Luiz, no pequeno, mas profundo, livrinho Conduta Espírita (1960), da psicografia de Waldo Vieira. Usa nisso toda a força da tua vontade. Ela é a alavanca para as subidas mais íngremes e dolorosas. Por mais difícil que nos parece o caminho, uma vontade firme é a força motriz que não nos deixa desistir ou ficar para trás.

Léon Denis, na sua obra O Problema do ser, do destino e da dor (terceira Parte: As potências da alma), incita-nos da seguinte forma:

Almas humanas que percorreis estas páginas, elevai os vossos pensamentos e resoluções à altura das tarefas que vos tocam. As vias para o Infinito abrem-se, semeadas de maravilhas inexauríveis, diante de vós. A qualquer ponto que o voo vos leve, aí vos aguardam objetos de estudo com mananciais inesgotáveis de alegrias e deslumbramentos de luz e beleza. Por toda a parte e sempre, horizontes inimagináveis suceder-se-ão aos horizontes percorridos. (Léon Denis, 1908)

E, mais adiante, no mesmo capítulo da obra, acrescenta: “A inteligência humana não pode descrever os futuros que pressente, as ascensões que antevê (…). A alma, em suas intuições profundas tem a sensação das coisas infinitas, de que ela participa, e às quais aspira (…). Dia virá em que a alma engrandecida dominará o tempo e o espaço.”

Joanna de Ângelis, na sua obra Dias Gloriosos, da mediunidade de Divaldo Franco, alerta-nos também para a necessidade de empreendermos uma busca constante, focando-se no muito que há ainda para conhecer e evoluir quando empreendermos a nossa vontade no bom aproveitamento das potencialidades que estão latentes em nós: “No que diz respeito às questões espirituais, o imenso campo se desdobra, rico de paisagens que aguardam ser conquistadas, não estando ninguém, no mundo, em condições de estabelecer paradigmas e definições últimas, por lhe escaparem possibilidades para tanto (Joanna de Ângelis, 1998).

A mesma autora espiritual, na obra Jesus e o Evangelho, acrescenta:

A crescente luta do Espírito é direcionada para a perfeição relativa que lhe está destinada. Rompendo, a pouco e pouco, as couraças que lhe obstaculizam alcançar a meta, desvestindo-se dos equipamentos grosseiros, que são heranças das experiências iluminativas por cujo trânsito se movimentou, investe os melhores recursos quando alcança o nível de consciência lúcida para fazer brilhar a sua luz (Joanna de Ângelis, 2000).

Somos deuses destinados a grandes coisas. Quanto mais evoluímos, mais antevemos as venturas que nos estão destinadas. Exatamente como quem percorre uma estrada e quanto mais avança nela, mais perto vê a meta e mais se esforça por chegar, empreendendo nisso todos os esforços, superando-se. Também no campo da evolução espiritual, quanto mais subirmos na escala espírita, mais seremos capazes de antever novos horizontes e mais saberemos empreender nisso toda a nossa vontade, porque saberemos usar as potencias da alma. Conhecimento atrai conhecimento. Evolução atrai evolução. Reafirmamos, com Léon Denis, que a vontade é a maior de todas as potências, porque funciona como esse íman que atrai até nós as forças do bem que nos auxiliarão sempre a atingir as metas a que nos propomos no campo espiritual.

Concluímos esta singela reflexão com a tão bela afirmação do Mestre Jesus: O Reino de Deus está dentro de vós” (Lucas 17:20).

Bibliografia:

Novo Testamento: João 10:23; Lucas 17:20

O Problema do ser, do destino e da dor, Léon Denis.

Dias Gloriosos, pelo Espírito Joanna de Ângelis, pela mediunidade de Divaldo Franco.

Jesus e o Evangelho, pelo Espírito Joanna de Ângelis, pela mediunidade de Divaldo Franco.

Conduta Espírita, pelo Espírito André Luiz, pela mediunidade de Waldo Vieira.

Antigo Testamento, Salmos 82:6.

Maria de Lurdes Duarte reside em Arouca, Portugal, onde mantém o blog "Caminhos da imortalidade", que o leitor pode acessar clicando neste link: Caminhos da imortalidade

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