quinta-feira, 27 de março de 2025

Planeta jovem


 

Por Nilton Moreira

A Terra, muito embora tenha sido formada há bilhões de anos, conforme consta nos livros de maior credibilidade, é relativamente um planeta que podemos classificar como jovem!

No começo, quando o Criador disse “haja a luz”, tratava-se de um corpo incandescente que viajou pelo espaço milhares e milhares de anos, até que certo ponto começou a se solidificar nas camadas mais externas.

Embora a superfície da Terra nos primeiros tempos tenha-se solidificado, até hoje mantém o orbe em seu núcleo a consistência da origem, em que a matéria é líquida e efervescente, pastosa, cujo conteúdo por vezes tem necessidade de emergir do núcleo, e o faz através das mais diversas erupções vulcânicas existentes nos mais diversos cantos do mundo.

O procedimento das erupções se assemelha às nossas panelas de pressão, que em certo momento necessitam expandir gazes pela válvula, que se assemelha aos vulcões.

Mas, de acordo com a categoria de mundos e que é mencionada pelo Mestre Jesus, quando disse existirem várias moradas na Casa do Pai, sendo a casa o Universo e as moradas os mundos que são habitados pelas espécies peculiares a cada local, a Terra ocupa a segunda categoria na escala, isto é, um planeta de provas e expiações.

Provas sim, porque temos que enfrentar problemas que são específicos deste mundo, como a maldade, as moléstias e a pouca evolução moral, já que ainda conservamos o orgulho, a inveja, preconceito, e tantos outros adjetivos negativos.

Expiações, porque a Terra é um grande presídio, pois não temos como sair dela antes de cumprirmos as penas que geramos ao longo das existências, passadas ou presente.

Tudo na Terra está em modificação. Quando o livro A Gênese se fala em sinais dos tempos podemos constatar que existe uma realidade no que diz respeito a transformações. A Terra não está inerte em sua vida desde que foi criada. Assim como seu núcleo se movimenta, expandindo o magma, a superfície também se transforma, tanto geograficamente, como politicamente e moralmente, o que faz com que acontecimentos de várias ordens aconteçam.

Certamente é na dor que vamos sentindo a necessidade de modificações, e isso faz parte da evolução. A cada acontecimento que gera tristeza, insegurança, inquietude, vamo-nos questionando quanto ao motivo disso tudo e chegamos à conclusão de que temos que evoluir na direção do Pai, para assim possibilitarmos a evolução do planeta e não sermos um entrave ao progresso.

terça-feira, 25 de março de 2025

Onde você estiver

 


Por Waldenir A. Cuin

“Bem-aventurados os misericordiosos, eles alcançarão misericórdia”.  Jesus (Mateus, 5:7.)

Onde você estiver, seja um digno representante da Providência Divina na distribuição de ações e procedimentos que possam servir de alavanca e estimulo aos que caminham ao seu lado.

Onde você estiver, verifique a possibilidade de concatenar uma conversação saudável, no desejo sincero de melhorar o ambiente em que se encontra.

Onde você estiver, seja, mesmo que de improviso, a paz que estanca a revolta e devolve a tranquilidade onde minutos antes se vivenciava a intriga e o conflito.

Onde você estiver; promova a felicidade dos irmãos que respiram sob o pesado clima do desespero, e que retêm no coração as vibrações negativas da tristeza que gerarão mais tarde as doenças que dizimam vidas e aniquilam a esperança.

Onde você estiver, procure, dentro do possível, cultivar sentimentos tão nobres que possam originar a alegria, destruindo a melancolia inoportuna e deletéria.

Onde você estiver, no contexto de suas possibilidades, improvise o trabalho, pois toda ocupação útil se caracteriza como labor e mente ocupada estará sempre contra a intromissão de ideias negativas e infelizes.

Onde você estiver, seja um polo disseminador de otimismo, grassando o alento entre aqueles que se movimentam no círculo de suas influências.

Onde você estiver, posicione-se na condição do portador da boa palavra, utilizando a voz como suave ferramenta de divulgação dos valores edificantes da vida.

Onde você estiver, use de paciência para contagiar os que o observam, pois podemos dar exemplo de calma que acalma os outros ou demonstrações de agressividade que tornam os outros também agressivos.

Onde você estiver, nunca se esqueça de aplaudir as boas ações e os gestos que coadunam com os princípios de boa índole que servem de base para o crescimento moral das criaturas.

Onde você estiver, seja fiel aos ensinamentos evangélicos, procurando dentro do máximo possível deixar nítido seu desejo de vivenciá-los na prática para o seu bem-estar e o dos outros.

Onde você estiver, se preciso permaneça em silêncio mesmo ante o vozerio de quem ataca, pois aquele que sai vitorioso, numa contenda verbal, no futuro, via de regra, volta para se desculpar.

Onde você estiver, faça o possível para que as pessoas não sofram, mas se elas preferirem o sofrimento deixe-as seguir, pois a vida, sábia como é, tem mecanismos próprios para socorrê-las no tempo certo.

Onde você estiver, distribua muito amor, mesmo entre o fogaréu do ódio, pois dentro das Leis de Deus o mal nunca superou o bem.

Onde você estiver, agindo assim, será sempre bem-aventurado, pois já conta com a misericórdia, e todo aquele que é bom, segundo as Leis de Deus, receberá ainda mais bondade e viverá, incontestavelmente, na paz e na felicidade.

domingo, 23 de março de 2025

Guerras, melhor não tê-las

 


Por Cláudio Bueno da Silva

O nível de insensatez e delírio do homem contemporâneo é tal que me  arrisco a dizer que ele se equilibra perigosa e levianamente no fio de navalha que delimita dois campos de atitude: ou cai em si e reorganiza sua consciência, ou desmorona, arrastado pelos seus vícios.

Onda avassaladora de um materialismo cada vez mais sofisticado sequestra milhões de seres para as fileiras da loucura coletiva que deforma caracteres, apequena os sentimentos e lesa a razão.

Vivemos momentos de profunda desconfiança nas relações humanas, altamente prejudicial para a construção de um mundo justo e pacífico desejável. 

Se os homens encarnados tivessem o dom de ler pensamentos e vasculhar a alma uns dos outros, não conseguiriam viver em sociedade, tamanhas são as antipatias e inimizades ocultas. Suas relações na Terra seriam tão frágeis, instáveis e perigosas, que prefeririam talvez que algum fator generalizado pusesse fim em tudo, para se recomeçar do zero.

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A guerra, que já foi no passado do homem um estado normal, pela predominância da força, ainda o é para muitos deles em que prevalece a natureza animal sobre a espiritual. Apesar de saber que as guerras costumam sanear as almas das suas sujeiras mais grossas, causa horror pensar nelas empestando os ares, dilacerando os seres.

As guerras são sempre espetáculos tristes e muito dolorosos. Nelas o homem mostra a sua índole mais abjeta. Nelas o homem perde a condição humana e assume a de um bicho inferior. Depois de fabricá-las, depois do morticínio, da carnificina, do genocídio, ele volta a sorrir e – espantoso! – se propõe a defender e assinar acordos de paz.

Mas não nos iludamos, esse riso disfarçado, esse esgar, não consegue esconder que ele enlouqueceu e que precisará de séculos ou mais para reequilibrar o Espírito, e quem sabe um dia reencarnar por aqui para dignificar a vida.

Apesar da angústia dos tempos atuais, os sensíveis, os inteligentes e bem-intencionados não veem na esperança apenas uma palavra e somam a ela, nas atitudes, várias outras: confiança, determinação, perseverança, além da empatia e da tolerância.

Isso os faz ter a certeza de que o materialismo e a descrença podem ser vencidos, e de forma tal que não caia uma gota de sangue sequer.


sexta-feira, 21 de março de 2025

Virtudes são conquistas do Espírito

 


Por Juan Carlos Orozco

Essa reflexão tem por base os esclarecimentos do Espírito Emmanuel, no livro O Consolador, psicografia de Francisco Cândido Xavier, na resposta à pergunta 253: “A virtude é concessão de Deus, ou é aquisição da criatura?”

Emmanuel ensina: “A dor, a luta e a experiência constituem uma oportunidade sagrada concedida por Deus às suas criaturas, em todos os tempos; todavia, a virtude é sempre sublime e imorredoura aquisição do Espírito nas estradas da vida, incorporada eternamente aos seus valores, conquistados pelo trabalho no esforço próprio.”

Com poucas palavras, Emmanuel esclarece em duas etapas: Deus concede sagrada oportunidade de aprendizado pela dor, pela luta e pela experiência; e virtude é aquisição do Espírito, conquistado mediante trabalho e esforço próprio, incorporando-a aos seus valores celestiais.

Virtudes adquirimos, principalmente, pelas provações e pelos aprendizados em pluralidade de existências, nas quais a dor, a luta e a experiência constituem oportunidades concedidas por Deus para o Espírito desenvolver atributos morais em seu processo evolutivo, acumulando-os como bens de progresso.

Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, na Introdução, a respeito da virtude ser graça de Deus ou conquista do Espírito, destaca-se: “O Espiritismo é mais explícito, dizendo que aquele que possui a virtude a adquiriu por seus esforços, em existências sucessivas, despojando-se pouco a pouco de suas imperfeições. A graça é a força que Deus faculta ao homem de boa vontade para se expungir do mal e praticar o bem.”

Nesse contexto, a graça de Deus é dada pela oportunidade de evoluir mediante provas para se livrar do mal e praticar o bem, cuja virtude é aquisição do Espírito, em existências sucessivas, para a bagagem da vida eterna, afastando as suas imperfeições.

Em O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, na Questão 893, a resposta ensina: “Toda virtude tem seu mérito próprio, porque todas indicam progresso na senda do bem. Há virtude sempre que há resistência voluntária ao arrastamento dos maus pendores. A sublimidade da virtude, porém, está no sacrifício do interesse pessoal, pelo bem do próximo, sem pensamento oculto. A mais meritória é a que assenta na mais desinteressada caridade.”

A ação de transformação moral do Espírito é com trabalho, esforço, perseverança e vigilância permanentes, a fim de corrigir o rumo no caminho do bem. Isso porque não há como melhorar moralmente sem sacrifícios ou renúncias.

As provações e as consequentes lições educativas, em pluralidade de existências, favorecem o desenvolvimento da capacidade de discernir entre o bem e o mal, para o Espírito fazer escolhas mais acertadas, pelo uso do livre-arbítrio, com a consciente adesão da vontade para libertar a alma e purificar o coração.

Essa educação do Espírito faz surgir os germes das virtudes, operadas no íntimo do ser, que auxiliam a reprimir os vícios, tornando-o melhor em decorrência da transformação moral.

Nesse sentido, León Denis, no livro O problema do ser, do destino e da dor, capítulo IX - Evolução e finalidade da alma, ensina: “Pouco a pouco a alma se eleva e, conforme vai subindo, nela se vai acumulando uma soma sempre crescente de saber e virtude; sente-se mais estreitamente ligada aos seus semelhantes; comunica mais intimamente com o seu meio social e planetário. Elevando-se cada vez mais, não tarda a ligar-se por laços pujantes às sociedades do espaço e depois ao Ser universal. Assim, a vida do ser consciente é uma vida de solidariedade e liberdade. Livre dentro dos limites que lhe assinalam as leis eternas, faz-se o arquiteto do seu destino. O seu adiantamento é obra sua.”

Ao conquistar virtudes, o Espírito Emmanuel, no livro Pensamento e vida, Capítulo 4 - Instrução, esclarece: “Pelo amor, que, acima de tudo, é serviço ao semelhante, a criatura se ilumina e aformoseia por dentro, emitindo em favor dos outros, o reflexo de suas virtudes; e pela sabedoria, que começa na aquisição do conhecimento, recolhe a influência dos vanguardeiros do progresso, que lhes comunicam os reflexos da própria grandeza, impelindo-a ao Alto. Através do amor valorizamo-nos para a vida. Através da sabedoria somos pela vida valorizados.”

Assim, a aquisição de virtudes é conquista do Espírito diante da graça divina pelas oportunidades concedidas de progresso mediante provações necessárias para a sua evolução moral e espiritual, cujos reflexos de suas virtudes praticadas para com os seus semelhantes, mediante obras edificantes, demonstram o seu grau de elevação.

Bibliografia:

BÍBLIA SAGRADA.

DENIS, Léon. O problema do ser, do destino e da dor. 32ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2017.

EMMANUEL (Espírito); (psicografado por) Francisco Cândido Xavier. O Consolador. 29ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.

EMMANUEL (Espírito); (psicografado por) Francisco Cândido Xavier. Pensamento e vida. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2013.

KARDEC, Allan; tradução de Guillon Ribeiro. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Da 3ª Edição francesa. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.

KARDEC, Allan; tradução de Guillon Ribeiro. O Livro dos Espíritos. 1ª Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.

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