terça-feira, 9 de abril de 2019

Ter Bom Ânimo e Vencer a Si mesmo


Por Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo

A vida é construída de muitas peças e cada uma vai aperfeiçoando o mosaico do nosso crescimento como ser espiritual. Muitas vezes queremos vencer o mundo, ter sucesso, ter poder, ter fama, ter juventude, e só muito mais tarde chegaremos a saber que nada disso ou tudo isso não constitui a verdadeira felicidade.

Precisamos aprender a ser médicos e heróis de nós mesmos. Vencer aquilo que existe de ultrapassado e acumulado, de ignorância e soberba em nós.

Portanto, devemos tomar muito cuidado com aquilo que desejamos, pois o que almejamos pode se realizar e depois não saberemos o que fazer com aquilo ou não iremos querer mais, e aí não podemos simplesmente largar, como uma roupa usada ou um sapato velho.

Se a perfeição de tudo e para todos começa na nossa melhoria, é preciso dar o primeiro passo tendo sobriedade em nossos desejos e interesses – deles nascem todos os nossos pensamentos, palavras e ações.

Ter fé é uma das boas ferramentas para ter ânimo e alegria no cumprimento das leis divinas. Cultivar a oração é outro recurso para nos manter em equilíbrio e com coragem, ligando-nos ao nosso Criador.

O apóstolo Paulo dizia: “Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os seus corações e as suas mentes em Cristo Jesus” (Filipenses, 4:6-7).

Aqui temos provas e dificuldades, e o próprio Cristo também as teve e disse: “Eis que chega a hora, e já se aproxima, em que vós sereis dispersos cada um para sua parte, e me deixareis só; mas não estou só, porque o Pai está comigo. Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo” (João, 16:32-33).

Entendamos que paz e bom ânimo não é ausência de problemas e aflições, mas, apesar deles, ter e manter um contato com Deus, e a consciência de que somos dependentes desse Poder Maior que nós. Como disse Jesus: “Não estou só, porque o Pai está comigo”.

Uma maneira de estar sem ansiedade é viver cada momento como sendo oportunidade para compreender e perdoar as pessoas, porque até aquelas que nos amam têm momentos de conflitos e podem nos ferir sem desejar.

Sem aprender a desculpar os erros alheios e reconhecer que ainda somos imperfeitos, também sujeitos a equívocos, estaremos condenando nos outros aquilo que ainda vive em nós.

O ânimo é um agente ativador do ser, e o pensamento positivo produz bom ânimo. Se para alguns, o pensamento positivo nasce naturalmente; para outros, precisa ser desenvolvido e aperfeiçoado. Mudando nossos pensamentos estaremos mudando nosso mundo.

Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo é editor das editoras EME e Nova Consciência.

domingo, 7 de abril de 2019

As Tragédias se avolumam na Pátria do Evangelho


Por Anselmo Ferreira Vasconcelos

Temos de reconhecer, independentemente do nosso credo, que algo muito tenebroso assola presentemente esta pátria. Acordarmos para o enfrentamento de mais uma jornada na matéria e ouvirmos – quase sempre - alguma notícia negativa ou no mínimo embaraçosa para nós brasileiros. Infelizmente, tem sido assim nos últimos tempos. Chamamos a atenção mundial, cada vez mais, por protagonizarmos coisas macabras e sinistras. Para nós, que aqui vivemos, significa tempos difíceis e dolorosos em termos individuais e coletivos. É também muito raro alguma família passar incólume aos males e dificuldades que assombram o país. O certo é que estamos vivendo um grave momento.

Muitos dos males que nos golpeiam dolorosamente advêm – não há como negar – do fato de que somos muito comprometidos perante as leis de Deus. Ao que tudo indica, o Pai alocou para essa parte do planeta almas excessivamente desalinhadas com os objetivos celestiais, isto é, fazer o bem, buscar a coisa certa, agir com ética e cidadania etc. Cogitamos que talvez seja por isso que os escândalos e tragédias estão presentes, praticamente, em todos os setores da sociedade. Nem os clamorosos erros recentes parecem comover certos personagens da vida pública.

Chega a ser desdenhosa a atitude dessas pessoas diante da vida humana e da natureza. A tragédia de Brumadinho, por exemplo, é fruto da mais absoluta servidão aos interesses de César. Não sobra nem sequer respeito a Deus e aos semelhantes. Parece que atingimos um novo patamar de irracionalidade ao desconsiderarmos perigos iminentes ou experiências malsucedidas. Nada toca, assim deduz-se, o coração desses indivíduos frios e calculistas. Desse modo, a indagação de Jesus permanece bem refletir o dilema dos tempos atuais: “E o que tens ajuntado para quem será?” (Lucas, 12:20).

Longe de compreender a posição de destaque e o poder temporal como concessões provisórias e passageiras, o indivíduo divorciado do Evangelho – a bússola moral mais perfeita cedida à humanidade – continua arregimentando o que não poderá carregar além-túmulo. Refletindo sobre essa realidade, o Espírito Emmanuel observa, no livro Caminho, Verdade e Vida (psicografia de Francisco Cândido Xavier): “Por trás do sepulcro, ponto de chegada de todos os que saíram do berço, a verdade aguarda o homem e interroga: - Que trouxeste?”

Como poucos se dão conta desse momento delicado, responde o mentor: “Examinada, porém, a bagagem, verifica-se, quase sempre, que as vitórias são derrotas fragorosas. Não constituem valores da alma, nem trazem o selo dos bens eternos”. Em outras palavras, percebem que as vitórias obtidas no corpo perecível não passaram de vitórias de Pirro. Diante dos seus olhares aflitos, provavelmente quadros dantescos se desdobram, no qual eles tiveram papel preponderante.

Voltando à terrível tragédia de Brumadinho, o jornalista Roberto Pompeu de Toledo, com muita propriedade escreveu: “[...] Hoje, Brasil afora e além, é identificado com a lama, e se fosse só a lama seria pouco, pois sob a lama há os corpos. As imagens do exato momento em que a barragem se rompeu vão ficar para a antologia universal das imagens de terror como a dos aviões a destruir as torres gêmeas. Numa, avançando de lado, a lama é a língua de um réptil gigante a buscar humanos como se fossem insetos: noutra vista de frente, é monstro a expelir vômito de sujeira, veneno e morte. O Brasil não tinha terremoto nem tsunami. A Vale encarregou-se de, numa tacada, corrigir a dupla falha”.

Tenho apenas uma correção a fazer ao brilhante comentário acima: a tragédia foi produzida por gente abrigada sob o manto da referida corporação. Empresas não tomam decisões por si mesmas. Elas precisam de pessoas para fazê-lo por elas. Desse modo, as pessoas que dirigem esse gigante do minério mundial subestimaram – como aconteceu igualmente no episódio anterior de Mariana – todos os perigos subjacentes ao seu negócio, que, por sinal, não são poucos. Nesse caso, nem sequer tiveram o bom senso de proteger os seus próprios funcionários, que tinham o seu refeitório adjacente à montanha de resíduos de ferro. Nenhum relatório de potencial dano ou risco foi suficiente para a tomada de uma ação minimamente preventiva. Ou seja, essa tragédia é vergonhosa por qualquer ângulo que se avalie. Ela depõe contra a inteligência e o senso de empatia.

É claro que a omissão de órgãos públicos, a complacência de políticos e a ganância de executivos têm peso considerável na dimensão dessa tragédia. Lamentavelmente, o que resta é a certeza de que a vida humana e o meio ambiente ainda têm pouco valor para muitas organizações humanas e os seus executivos nesse dealbar de novo milênio.

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Já sabemos amar?


Por Cláudio Bueno da Silva

“Amar o próximo como a si mesmo” é, talvez, o mais completo dos ensinos de Jesus. Até porque esse pensamento é a síntese do dever moral do homem aplicado à Vida, e traduz amor e obediência a Deus, antes de tudo.

Diz-se que ninguém ama o outro se não amar a si próprio. Mas já aprendemos a amar a nós mesmos? Que amor é esse se agredimos e desgastamos o corpo com vícios e excessos? Se não nos reconhecemos como Espíritos imortais, e por isso somos indiferentes a valores importantes? Se elegemos a matéria como guia do nosso destino, ignorando a nossa essência?

Amar a si mesmo será egoísmo? Não, se esse autoamor revelar a gratidão a Deus por ter-nos dado a Vida; não, se esse amor fizer compreender, com inteligência, o valor da saúde física e da saúde moral; não, se esse amor representar o investimento de cada dia da nossa existência no progresso espiritual.

Atendidos esses requisitos, nosso coração terá amor para partilhar. E colocar-se no lugar do outro será um exercício espontâneo que nos fará desenvolver o amor ao próximo, ou seja, vê-lo do mesmo lado nosso: o humano. E apesar de tudo o que nos possa distinguir como pessoas, sabê-lo e aceitá-lo como um irmão querido.

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Embates de outras Vidas



Por Nilton Moreira

Antes de nascermos e ainda quando nos encontramos no Plano Espiritual, praticamente todos os Espíritos procedem ao planejamento da vida que terão aqui na Terra, ou em outro planeta de categoria similar. Disse praticamente todos, pois existem aqueles que ainda estão numa fase de rebeldia e, por isso, são os próprios benfeitores que procedem às diretrizes a serem seguidas após o nascimento.

Mas nem tudo está delineado. Apenas os tópicos importantes é que nos aparecem como metas a serem atingidas, pois do contrário seríamos como máquinas, e não é assim que acontece, pois temos o livre-arbítrio que vai nos possibilitar a oportunidade de seguirmos ou não determinado rumo. Teremos sempre o poder de decidir qual a atitude tomar diante das provas que nos forem apresentadas.

Ainda no período de planejamento temos consciência das vidas anteriores vividas e por isso vamos ajustar nossa futura vinda à carne de acordo com aquilo que fomos anteriormente, procurando sempre vivenciar questões que permitam nosso crescimento dentro dos parâmetros da Lei Divina. Se mal fizemos, teremos de reparar. Se fomos vítimas, temos de possibilitar que outrem faça o reparo em relação a nós, se realizando assim a lei de causa e efeito.

Poderíamos pensar então em não reparar o mal que fizemos, mas isso de nada adiantaria a nossa vinda ao mundo, pois ficaríamos estacionados na evolução. Então escolhemos sempre resgatar dentro de uma intensidade que possamos concretizar. Por isso dizemos que Deus nunca nos dá o fardo maior que podemos carregar.

É lógico que dentro desse resgate estaremos nos reencontrando com outros Espíritos com que tivemos desavenças em vidas pretéritas e é bastante difícil para nós ter este contato, por isso Deus permite que ao nascermos na nova vida nos esqueçamos de tudo, pois, assim, quando nos encontrarmos com desafetos, poderemos sentir algum resíduo de energia negativa, mas, certamente, como não nos lembramos de nada, haverá grande possibilidade de convívio e de revertermos a aversão sentida em aproximação amorosa.

Temos então uma explicação do motivo de existirem muitas aversões familiares, rejeições entre pais, filhos, irmãos. É que certamente em algum momento do passado estivemos em posicionamentos contrários e, quem sabe, até inimigos fomos e agora nos reencontrando sentimos a dificuldade do diálogo, dado ao esquecimento Misericordioso.

Muitas vezes não basta uma vida física para resolver as contendas, são necessárias várias reencarnações para que as diferenças sejam sanadas, pois no cotidiano vemos confrontos bastante sérios, envolvendo violência e muito desamor, e isso deixa marcas que se alongam por várias e várias vidas, até que um dia, como é o desejo do Pai, o amor volte a fazer parte destes seres e acabe eclodindo a evolução efetivamente.

Portanto, ao nos depararmos com situações difíceis de relacionamento, devemos dar tempo ao tempo, evitando confrontos que só agravariam. Recorramos à prece sempre que estivermos em vias de desavenças, pois que certamente ali estão presentes pessoas que tiveram embates em vidas passadas.

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Especial do Mês

Artigos com temas atuais e doutrinários escritos por uma variedade de médiuns, oradores ou profitentes espíritas, compõem as postagens do especial “Artigos Espíritas” nesse mês, no Manancial de Luz.
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