quarta-feira, 11 de julho de 2018

Envelhecer é conquistar o saber pelas Experiências Diárias


Por Jorge Hessen

Não são raras as pessoas que têm aversão ao envelhecimento. Arriscam tudo para camuflarem a idade, seja através de cirurgias rejuvenescedoras (plásticas), seja injetando toxina botulínica (botox) e/ou demais artifícios. Cientistas de Cambridge dizem que até mesmo chocolate pode virar remédio “antivelhice”. (1) Segundo Pedro Paulo Monteiro, mestre em Gerontologia e autor dos livros "O Tempo Não Tem Idade" e "A Beleza do Corpo na Dinâmica do Envelhecer", a dificuldade em aceitar o envelhecimento é mais comum em mulheres. Segundo ele, o sexo feminino valorizara "enormemente" a estética. "Algumas mulheres têm medo de envelhecer, por que acreditam que ficarão feias, isoladas e sem atrativos. Isso não é verdade, pois existem várias pessoas que só começaram a ser felizes na velhice." (2)

Para muitas pessoas o envelhecer é uma tormenta avassaladora. Diante do espelho, entram em pânico notando a arruína da estética, músculos decaindo, pele afrouxando, enrugando a testa, enfraquecendo a psicomotricidade, submergindo o semblante, pesando as pálpebras e os olhos afundando nas tristezas do que veem.

Cremos que a decrepitude deveria ser encarada como venturosa pelo que contém de gratificante, mormente por causa das longas refregas das buscas e das realizações. Envelhecer é uma arte e uma ciência, se buscarmos rejuvenescer nossa alma. Há idosos que conquistaram a longevidade de forma sadia e feliz, contudo muitos estão largados nos asilos da vida, amargando suas enfermidades no isolamento. Há os que aceitam sua decrepitude sem rezingar e sem exigir nada dos outros; todavia igualmente indiferentes não oferecem nada a ninguém.

O tempo é inexorável e abençoado transformador de destinos. Muitas vezes não abrangemos os mistérios do tempo que se dissipa célere na vida terrena. Alguns envelhecem, e quase nada realizam nas instâncias do bem incondicional. Há, porém, aqueles que concretizam em si a vigorosa fé cristã, exercitando inteiramente o amor ao próximo. Abraham Lincoln dizia que não são os anos em sua vida que importam, mas a vida em seus anos. O pensador Alexis Carrel proferia frase semelhante, dizendo que o importante não é acrescentar anos à sua vida, mas vida aos seus anos. O médico alemão Harry Benjamin endossou as ideias de Lincoln e Carrel pronunciando: "não queira acrescentar dias à sua vida, mas vida aos seus dias.". Baseado nesses adágios, evocamos alguns personagens históricos que acrescentaram vidas a cada aniversário.

Os anos não passaram em vão na vida de David Livingstone, escritor de inesquecíveis contos literários que o projetaram no Século XIX ao lado de deuses da literatura mundial, a exemplo de Victor Hugo. David entoou os doces cânticos da Mensagem de Jesus para os nativos sul-africanos. Renunciou aos apelos da fama, abandonou a Escócia, sua terra natal, e juntou-se àquelas almas sofredoras, nascidas na mais dura dificuldade material na África.

Os anos não passaram em vão nos projetos de vida de Florence Nightingale, a ilustre "Dama da Lâmpada"; ela que vestiu a túnica da abnegação, afastando-se do convívio do esplendor inglês, a fim de adotar, voluntariamente, a penosa empreitada de socorrer as vítimas da Guerra da Criméia, no século XIX.

Os anos não passaram em vão nos projetos de vida de Jean Henrique Dunant, que inspirado nas virtudes da fundadora da primeira escola de enfermagem da Terra, escreveu o livro “Un Souvenir de Solferino”, publicado em 1862, em que sugeria a criação de grupos nacionais de ajuda para apoiar os feridos em situações de guerra, e propôs a criação de uma organização internacional que permitisse melhorar as condições de vida e prestar auxílio às vítimas da guerra. Em 1863, Dunant fundou a Cruz Vermelha Internacional, reconhecida, no ano seguinte, pela Convenção de Genebra.

Os anos não passaram em vão nos projetos de vida daquela que foi considerada uma das dez mulheres mais importantes dos Estados Unidos, no século XX. Referimo-nos a Hellen Keller, que teve de sobra coragem e determinação robusta para vencer suas limitações físicas, pois era surda, muda e cega de nascença. Contudo, um dia Keller conseguiu falar e soltou o verbo como ninguém. O vigor moral fez dela uma singular mulher, com grande projeção no cenário do mundo. Seu verbo infundia ao Homem a necessária reflexão sobre o quanto somos potencialmente ilimitados quando amamos o próximo.

Certa ocasião, o jornalista Harold Gibson disse: - "Por onde Miss Eartha andava, os famintos, os aflitos e os desamparados, de todas as idades, sentiam a sua presença compassiva e animadora.". Referia-se a Eartha Mary Magdalene White, uma verdadeira lenda no norte da Flórida, Estados Unidos. Os anos não passaram em vão nos projetos de vida de Magdalene White. Ela fundou uma Instituição de amparo ao negro americano. Desencarnou em 1974, com 95 anos de idade, deixando um segredo para vivermos a grande mensagem: - “Façam todo o bem que puderem, de todos os modos, em todos os lugares, para todas as pessoas, enquanto puderem.".

Eis aqui elencados alguns personagens reais da História que souberam envelhecer acrescentando vida aos anos de experiência física. Neste contexto, o idoso, ou a velhice, é a fase da vida em que se atinge a sabedoria, adquirida pela experiência cotidiana, mais do que pelo conhecimento. Conhecimento e sabedoria são distintos. O velho não é só sábio, mas é o sábio por excelência. Como tal deve ser reverenciado por toda a sociedade. O envelhecimento é a conquista da sabedoria pelas vivências cotidianas. Em verdade, cada instante que vivemos, cada minuto que se esvai, nos báratros do dia-a-dia, construímos o nosso destino e escrevemos com letras douradas, nas páginas da vida, os anos de experiência nos carreiros do amor que devotamos ao próximo.

Referência:


(1) Portal Super Abril 24/07/13
(2) Portal mulher.uol.com.br/comportamento/noticias 2012/04/03/

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Gratidão



Por Aguinaldo de Paula Vasconcelos

Quando Jesus curou dez leprosos e só um voltou para agradecer, Ele questionou ao que voltara: onde estariam os outros?

Será que Jesus estava fazendo questão do agradecimento daquele que veio para agradecê-Lo? Logicamente que não. A verdade é que Ele queria nos mostrar a importância da gratidão.

Da mesma forma que entre dez, só um voltou para render o reconhecimento e a gratidão a Jesus, a proporção da humanidade que agradece é de dez por cento, enquanto que os outros noventa são indiferentes ou reclamam por lhes faltar aquilo a que eles se julgam merecedores, alegando a injustiça e a desatenção de Deus. Porém, sabemos que Deus, na sua misericórdia irrestrita, nos dá muito além do que merecemos.

Basta analisar que, ao nascermos, somos presenteados com a oportunidade da reencarnação e de uma família que nos recebe, hipotecando solidariedade à nossa existência. A partir daí, iniciamos nova experiência, num corpo saudável, na grande maioria das vezes, e os órgãos dos sentidos, que nos colocam em relação ao meio externo com muita segurança. Tantas oportunidades nos são dadas para elaborarmos nosso progresso espiritual, através do intelecto e dos sentimentos. Os bancos escolares, com todas as limitações que lhe são próprias, nos convidam ao início de uma jornada letiva, melhorando nosso intelecto. Quando os pais são cristãos, nos levam a um templo religioso, a fim de aprendermos os ensinamentos de Jesus, que constituem o grande roteiro libertador de nossos espíritos.

Não podemos nos esquecer do trabalho cotidiano, o qual nos leva ao aprimoramento constante do intelecto. No relacionamento com as pessoas, passamos a exercitar todo o nosso potencial, com possibilidade de aumentar nossos sentimentos bons e minimizar os maus pendores. Deus nos atende e assiste de várias maneiras.

Talvez a maior dádiva Divina seja a reencarnação, nos dando tantas oportunidades quantas necessárias sejam para adquirirmos a perfeição e desfrutarmos do reino que Ele preparou para todos nós. Outra benesse grandiosa foi à vinda de Jesus de alta esfera espiritual para a terra, nos mostrando como devemos viver e agir, visando adentrar-nos ao reino de justiça, de verdade e de amor prometido por Ele. Depois de tudo isto e mais tantas outras maneiras com que Deus nos agracia, só nos resta agradecê-Lo, não reclamando jamais. O sentimento de gratidão é indubitavelmente um dos maiores entre os demais. Quem agradece está mais próximo da felicidade e de uma vida mais plena. A educação é o resultado de hábitos adquiridos; portanto, sejamos bastante educados, agradecendo sempre, nunca reclamando, reconhecendo os préstimos recebidos por Deus e por nossos semelhantes, em todos os momentos da vida.

sábado, 7 de julho de 2018

Imediata Necessidade


Por Orson Peter Carrara

As dificuldades, de todas as ordens, enfrentadas atualmente pela humanidade tem sua origem basicamente num único detalhe: o desconhecimento ou a ausência da noção dos objetivos de viver. Detalhe presente na esmagadora maioria dos habitantes do planeta.

Há uma necessidade imperiosa de que todos saibam o que são, de onde vêm, para onde vão, porque estão no planeta, como e porque devem agir desta ou daquela forma.

A concepção atual vigente, sobre o mundo e a vida, é a causa principal dos grandes problemas sociais e morais que tanto infelicitam a vida na Terra. A noção de que não somos este corpo físico, mas estamos nele, e de que a vida principal é a do espírito, altera completamente a visão de mundo e proporciona conduta mais equilibrada e feliz.

Sem conhecimento do objetivo da existência não há fortaleza para enfrentamento dos embates existenciais, nem solidariedade, nem motivação ou comprometimento pelo bem coletivo. Este desconhecimento é gerador do egoísmo que destrói vidas e do orgulho que distancia pessoas. Porém, entendendo os objetivos da vida humana, que outros não são senão o desenvolvimento moral e intelectual do espírito que estagia no planeta justamente para o aprendizado que lhe fará evoluir, as ligações humanas ou o relacionamento entre as criaturas adquirem outro enfoque. Aí seremos capazes de ver em cada pessoa um irmão de caminhada, alguém como nós, também necessitado de atenção, de carinho, de estímulos para o próprio desenvolvimento, e limitado como todo mundo o é.

Caem por terra quaisquer razões de tolo orgulho ou vaidade descabida. Ficam sem razão as atitudes violentas, precipitadas, de desprezo e mesmo de desespero. Ora, estando conscientes de que nos encontramos num estágio de aprendizado, todos no mesmo barco, onde os interesses são os mesmos, por que os atritos, as violências e as atitudes egoístas?

Há mesmo, ao contrário, enorme motivação para o estudo, a pesquisa, o crescimento moral e intelectual e principalmente para a adoção da solidariedade e da compreensão nos relacionamentos. Surgem as atitudes de respeito, tolerância e compreensão, uns para com os outros. A fé se fortifica, porque embasada no raciocínio, e desaparecem as aflições causadas pela dúvida dessa grande realidade: somos criaturas imortais cumprindo estágio de aprendizado. Nada mais que isso. É o que ensina o Espiritismo. Convidamos o leitor a conhecer mais sobre o assunto.

quinta-feira, 5 de julho de 2018

A Característica Evangélico-cristã do Espiritismo


Por Rogério Coelho

O Evangelho é diretriz e medicamento para as angústias do coração
"Nunca, quanto ocorrem nestes dias, a vivência da mensagem evangélica se faz tão necessária.” - Joanna de Ângelis

Segundo o nobre mentor Vianna de Carvalho[1], ainda reponta, hoje, nos arraiais dos honestos investigadores da sobrevivência do Espírito, certa ojeriza pelo ensino evangélico, asseverando - indóceis e invigilantes - que é desnecessária a vivência do Evangelho para a felicidade do homem. Porque os seus conceitos remanesçam fixados às informações religiosas ortodoxas, não se tendo permitido maior estudo e reflexão nos ensinos morais profundos da Boa-Nova, sob a angulação luminescente do Espiritismo, afirmam que o comportamento evangélico é pieguista, dando origem a personalidades fracas, dúbias...

Muito fácil, no entanto, a posição agressiva, reacionária, acrimoniosa. A resistência pacífica e branda à perseverança nos ideais superiores sem alarde nem explosões de estoicismo exterior é muito exigente, impondo maior dose de coragem e de abnegação moral do que pode parecer. A Doutrina Espírita - por isso mesmo - pode ser considerada como a Renascença do Cristianismo Primitivo, trazendo de volta a emulação corajosa dos "discípulos", a estesia sacrificial que caracterizou os lídimos servidores das horas primeiras, produzindo-lhes nas almas uma imediata transformação para melhor.

O Espiritismo reacende nas almas a empatia da fé, fortalecendo - realmente - o homem para enfrentar as vicissitudes, em decorrência do seu ensino vivo da Imortalidade, resultando o comportamento moral e a experiência filosófica da criatura então, interiormente, iluminada.

A dor, que sobrenada nas caudais da miséria como nas expressões da abundância econômica, tem sido um desafio ainda não enfrentado, para o vigoroso combate ao comando do amor, da fé e da razão. Ao Espiritismo está reservado esse cometimento que já se inicia...

Não obstante transcorridos quase vinte séculos, as lições incomparáveis do Cristo prosseguem com atualidade comovedora. A história do pensamento experimentou várias tentativas nos diversos campos do conhecimento, ora adicionando ou não experiências, à medida que desprezava conceitos que se esvaziavam de conteúdo, superava escolas de realizações sem estrutura legítima, caldeando informações e elaborando princípios válidos por uns tempos, noutros desconsiderados, enquanto a palavra-roteiro do Messias Divino continua hoje imperiosa e oportuna quanto o fora no momento em que enunciada.

Esse valioso conteúdo permanece inalterado, diretriz e medicamento para as angústias do coração e as incertezas, intranquilidade da mente...

Os pesquisadores da ciência e os filósofos negadores, embora tentando substitutivos para o Espiritualismo, alegando a imperiosa urgência em destruir a esperança na Imortalidade da alma, esbarram, por mais cépticos, nas claridades meridianas e consoladoras do Além-Túmulo, bem como da sempre nova mensagem cristã, insuperável, oportuna.

Continua o nobre Mentor[2]: "todas as religiões estabeleceram os seus postulados em dogmas de fé inamovíveis. Allan Kardec, porém, traduzindo o pensamento do Cristo, fundamentou a Religião Espírita nos códigos da razão insculpidos na consciência individual do homem; todos os pensadores se preocuparam em solucionar a problemática do homem, criando escolas de conhecimento e engendrando sistemas que objetivam combater-se uns aos outros. Allan Kardec, todavia, refundiu os conceitos idealistas de Sócrates e Platão, erguendo um monumento granítico em linhas morais, apoiado nos alicerces dos fatos; todos os pesquisadores da Ciência partiram da premissa na busca infatigável da demonstração. Allan Kardec, sem embargo, mergulhou no oceano infinito dos fatos, deles extraindo a grandiosa constelação de luzes e experimentações que constitui a Ciência Espírita; todos os religiosos sempre afirmaram a Imortalidade da alma, sem terem como prová-la. Allan Kardec, entretanto, partindo da observação, comprovou a imortalidade pelos métodos vigentes de demonstração, elucidando as leis que regem o intercâmbio entre o mundo físico e o mundo espiritual.

A reencarnação sempre esteve presente nas experiências e informações extrafísicas dos séculos como chave da incógnita dos sofrimentos humanos. Allan Kardec, contudo, conseguiu, às expensas do Mundo Espiritual que o assistia, extrair os fundamentos éticos relevantes para a felicidade do homem, nos conceitos reencarnacionistas, estribando, no Evangelho, a rota de segurança, única, aliás, propiciatória para colimar-se as metas evolutivas.

Todos os tratados de Filosofia têm sido apresentados em linguagem complexa, somente compreensível pelos especialistas e estudiosos... Allan Kardec, porém, conseguiu debater e estudar os pontos capitais do pensamento universal em linguagem simples, compatível com a mente do povo, sem esquecer as inteligências brilhantes, a todos franqueando devassar os umbrais da Imortalidade à luz da Codificação.

Todos os militantes das religiões e das filosofias procuraram definir Deus ou negá-lO. Allan Kardec, a exemplo de Jesus, apresentou o Criador, na Criação, e a Divindade manifesta nos Seus atributos de grandeza e magnitude, sem insistir em definir o Indefinível".

O Espiritismo materializou na Terra a promessa de Jesus sobre "O Consolador" que viria mais tarde, a Seu pedido, ensinar-nos “todas as coisas, lembrar as que Ele ensinara e ficar conosco para sempre".

Afirma o ínclito Mestre Lionês[3]: "o Espiritismo é a ciência nova que vem revelar aos homens, por meio de provas irrecusáveis, a existência e a natureza do mundo espiritual e as suas relações com o mundo corpóreo. Ele no-lo mostra, não mais como coisa sobrenatural, porém, ao contrário, como uma das forças vivas e sem cessar atuantes da Natureza, como a fonte de uma imensidade de fenômenos até hoje incompreendidos e, por isso, relegados para o domínio do fantástico e do maravilhoso. É a essas relações que o Cristo alude em muitas circunstâncias e daí vem que muito do que Ele disse permaneceu ininteligível ou falsamente interpretado. O Espiritismo é a chave com o auxílio da qual tudo se explica de modo fácil.

A lei do Antigo Testamento teve em Moisés a sua personificação; a do Novo Testamento tem-na no Cristo. O Espiritismo é a terceira revelação da Lei de Deus, mas não tem a personificá-la nenhuma individualidade, porque é fruto do ensino dado, não por um homem, sim pelos Espíritos, que são as vozes do Céu, em todos os pontos da Terra, com o concurso de uma multidão inumerável de intermediários. É, de certa maneira, um ser coletivo, formado pelo conjunto dos seres do mundo espiritual, cada um dos quais traz o tributo de suas luzes aos homens, para lhes tornar conhecido esse mundo e a sorte que os espera.

Assim como o Cristo disse: ‘não vim destruir a lei, porém cumpri-la’, também o Espiritismo diz: ‘Não venho destruir a lei cristã, mas dar-lhe execução’. Nada ensina em contrário ao que ensinou o Cristo, mas desenvolve, completa e explica, em termos claros e para toda gente, o que foi dito apenas em termos alegóricos".

Como podemos pensar em separar o Espiritismo do Evangelho de Jesus?! Seria incoerência... As palavras de Jesus não passarão e o Espiritismo, limpando-as das cinzas dos dogmas ancilosados, emancipando-as dos prejuízos acrescentados pelos interesses subalternos dos homens dá a sua mensagem de Luz e Vida, religando o homem ao Criador, fazendo-o identificar-se com a sua natureza cósmica, eterna...

Por tudo isso, estamos com Hermínio C. Miranda quando afirma parafraseando o Apóstolo dos Gentios[4]: “(...) dos três aspectos do Espiritismo: Ciência, Filosofia e Religião, o mais excelente de todos é o aspecto religioso”.

A Ciência e a Filosofia Espíritas nos conduzem com segurança pelos meandros dos conhecimentos científicos terrestres, a Religião Espírita permite-nos alçar voos transcendentais rumo aos cimos gloriosos da Espiritualidade, manancial inesgotável e imarcescível da Luz Divina.


[1] - FRANCO, Divaldo. Sementes de Vida Eterna. 2. ed. Salvador: LEAL, 1989, pp. 9-15.
[2] - Idem, ibidem, cap. I.
[3] - KARDEC, Allan. O Evangelho seg. o Espiritismo. 125. ed. Rio: FEB, 2006, cap. I, itens 5 a 7.
[4] MIRANDA, Hermínio C. O Apóstolo dos Gentios. Volume I – prefácio.

terça-feira, 3 de julho de 2018

O Acerto do Tempo pela Reencarnação


Por Hugo Alvarenga Novaes

É intrínseco aos Espíritos Puros, fazerem o certo; nós, que pertencemos ao conjunto daqueles menos adiantados, ou seja, da categoria dos que são da classe de Expiações e Provas, ainda demoraremos muito a alcançar a perfeição.

Bem, essa questão depende do ponto de vista de cada pessoa. De nós, seres humanos comuns, com uma visão limitadíssima, a qual temos, podemos enxergar as coisas como se estas fossem muito demoradas, podendo tardar séculos ou até mesmo milênios.

Da parte de um Puro Espírito, esse mesmo tempo pode não representar maiores jornadas, mesmo que o período temporal seja igual para os dois indivíduos.

É certo que, para este último, parece dar-se a impressão de que os minutos correm mais rápido.

Caros leitores, vejamos as palavras daquele a quem o Sublime Pegureiro designou de Cefas, na sua segunda epístola:

“Mas vós, amados, não ignoreis uma coisa: que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia” (2 Pedro 3,8).

Falando isso, deixou claro que a percepção do tempo para os superiores é muito mais veloz.

Tomemos como exemplo, ou como base, um jovem com 5 anos de idade e um senhor sexagenário com os seus sessenta e alguma coisa. Perguntemos a ambos se 30 anos está longe ou perto? O primeiro, em uma forma de dizer, falará que essa distância é inatingível, de tão distante que está para ele. O segundo, igualmente de forma alegórica, dirá que nem tanto assim, pois parece que foi ontem mesmo de tão perto. Viram, leitores? Embora o tempo seja igual para as duas pessoas, a percepção delas para ambas em relação aos anos, que ainda serão ou que já foram vividos é completamente diferente.

Mas não estamos aqui para falar do “tempo”, mas sim do “acerto”.

Tranquilamente podemos dizer que a meta de cada um de nós, filhos do Pai Altíssimo, “já que Ele não faz acepção de pessoas” (Romanos 2:11), é evoluir até nos tornarmos Espíritos Puros.

Jesus estava certo quando nos disse: “... Vós sois deuses!” (João 10:34), querendo assim dizer que o germe da perfeição já estava em nós, e, através da reencarnação, nós chegaríamos a ela e estaríamos com o Pai Maior.

Deus nos criou simples e ignorantes[1] e, quanto mais praticarmos o bem, fizermos boas ações, obviamente, galgaremos o patamar da “classe seguinte de Espíritos”, até alcançar a nossa meta que é atingir a perfeição relativa, pois, a perfeição absoluta somente Deus a possui.

Apeguemo-nos à expressão “classe seguinte de Espíritos”. Ela está intimamente ligada à reencarnação. O que seria do Espírito se não fosse a palingenesia?

Se não fosse a reencarnação, Deus não seria justo e bom como é. Pois seria inadmissível nascerem crianças já doentes, com aleijões etc., enquanto outras, nascem totalmente saudáveis.

Outra coisa: seria injusto uns virem a este mundo completamente desprovidos de recursos materiais e reencarnarem em um meio com todos os tipos de dificuldades, enquanto outros já nascessem numa total opulência; afinal de contas, eles teriam uma menor chance de falir em suas provas. Não seria isso uma injustiça, ainda mais vindo de um ser que tudo sabe e tem pleno conhecimento do futuro?

Não irei me alongar, pois são muitas as diferenças que permeiam uns e outros. Agradeçamos ao Supremo Criador pelo advento da reencarnação.

Destarte, tendo o Magnânimo Criador em sua infinita sabedoria criado a reencarnação, é como falei alhures, galgaremos o patamar da “classe seguinte de Espíritos”, e sendo que o mesmo nunca regride, no máximo estaciona, na maioria das vezes evoluciona, mesmo estando na primeira classe dos Espíritos, seremos próximos ao Criador Supremo.


[1] O Livro dos Espíritos, q. 115.

domingo, 1 de julho de 2018

Especial do Mês

Artigos com temas atuais e doutrinários escritos por uma variedade de médiuns, oradores ou profitentes espíritas, compõem as postagens do especial “Artigos Espíritas” nesse mês, no Manancial de Luz.

sexta-feira, 29 de junho de 2018

A Solidariedade


Enquanto disponhas de recursos, cultiva a solidariedade.

És um ser social e necessitas da convivência com o teu próximo, a fim de colimares as metas para as quais renasceste.

A solidariedade é um dos instrumentos mais valiosos para o êxito do tentame.

Torna-te útil, sê gentil, esparze a bondade e, em compensação, jamais te encontrarás a sós.

Joanna de Ângelis

Psicografia de Divaldo Franco

quarta-feira, 27 de junho de 2018

A Ciência de Bem Viver


A dor aflige, mas passa.

A carência aturde, porém um dia se preenche.

A debilidade orgânica deprime, todavia, liberta da paixão.

O silêncio que entristece, leva à meditação que felicita.

A submissão aflige, entretanto engrandece e enrija o caráter.

O fracasso espezinha, ao mesmo tempo ensina o homem a conquistar-se.

Todas as situações no mundo sensorial passam, mudam de posição e de forma. A essência da realidade, porém, permanece sempre a mesma.

Nada é definitivo na aparência.

Apenas o que tem valor intrínseco é duradouro.

Quem, espontaneamente, se abstém dos sentidos e das exterioridades, sem mágoa nem frustração, encontrou a ciência de bem viver.

Joanna de Ângelis

Psicografia de Divaldo Franco

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Vida Espiritual


Examina quanto tempo diariamente dedicas à tua vida espiritual.

Trabalhas, veste-te, distrai-te, alimenta-te, dormes e reservas breves minutos ao espírito encarnado, mediante uma rápida oração, uma pequena leitura, ou ouves uma palestra, às vezes nenhuma destas concessões lhe facultas.

O homem não é somente o corpo-mente. Antes de tudo é o ser espiritual, que conduz os implementos corpo-mente e exige atendimento espiritual para bem executar as tarefas que lhe dizem respeito.

O corpo necessita de cuidados para viver, mas, a alma, também.

Joanna de Ângelis

Psicografia de Divaldo Franco

sábado, 23 de junho de 2018

A Tua Palavra

“Seja tua palavra de gentileza e de esperança em qualquer situação. Entretece comentários respeitosos e educa os que comportem as palavras, gerando otimismo e fraternidade a todo momento.”

Joanna de Ângelis

Psicografia de Divaldo Franco

quinta-feira, 21 de junho de 2018

A Mansidão e a Piedade


“(...) Mansidão e piedade em qualquer circunstância, sempre.

A mansidão coloca-te interiormente indene à agressividade dos que se comprazem no mal e a piedade envolve-os em vibrações de amor.

A mansidão faz-te compreender que necessitas de crescimento espiritual e, por enquanto, a dor ainda se torna instrumento educativo. A piedade evita que mágoas ou sequelas de aborrecimento tisnem os teus ideais de enobrecimento.

A mansidão acalma; a piedade socorre.

Com mansidão seguirás a trilha da humildade e com a piedade prosseguirás retribuindo com o bem a todo e qualquer mal.

A mansidão identifica o cristão e a piedade fala das suas conquistas interiores.

"Bem-aventurados os mansos e pacificadores - ensinou Jesus - porque eles herdarão a Terra"...

Joanna de Ângelis

Psicografia de Divaldo Franco

terça-feira, 19 de junho de 2018

O Evangelho


“O Evangelho é clima de paz em permanente efusão de esperança.

O mundo é só oportunidade.

O que ora não colimes, lobrigarás depois.

O que hoje escasseie, amanhã abundará.

Despoja-te das dispensáveis indumentárias da ambição terrena.

A jornada pela Terra objetiva aprendizagem, renovação.

Tornarás à vida verdadeira concluído o curso. E volverás com o resultado das experiências felizes ou desditosas que acumulares enquanto no curso da oportunidade.

Não te agastes em face dos problemas naturais, que sejam decorrentes da tua filiação ao Evangelho.

Sábio é o homem que discerne melhor, fazendo opções elevadas: trocando o transitório de agora pelo permanente de sempre.”

Joanna de Ângelis

Psicografia de Divaldo Franco

domingo, 17 de junho de 2018

O Conhecimento


“O conhecimento liberta, mas a ação correta dignifica. O conhecimento dá confiança. A experiência resulta da prática daquilo que se sabe. Rejubila-te pelo que sabes e aplicas na vivência diária, da tua própria transformação moral edificante e abençoada.”

Joanna de Ângelis

Divaldo Franco

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Os Pensamentos


“Irriga o teu organismo com pensamentos saudáveis.

A ação da mente sobre a emoção, o corpo e toda a aparelhagem fisiológica é incontestável.

Grande número de enfermidades se deve à ociosidade mental, ao desânimo, à revolta, às ideias autodestrutivas.

Canaliza o teu modo de pensar para as questões agradáveis, salutares, otimistas, e viverás sob o seu reflexo, desfrutando do bem-estar que se irradiará a outros mimetizando e produzindo paz.”

Joanna de Ângelis

Psicografia de Divaldo Franco

quarta-feira, 13 de junho de 2018

A Tolerância

“(...) Por toda parte surge a oportunidade de ser vivenciada a lição da tolerância para com os limites e os problemas do próximo.

Apesar disso, convém ter-se em mente que a tolerância é sempre melhor para quem a exerce, por propiciar autoburilamento e disciplina no programa da própria evolução.”

Joanna de Ângelis

Psicografia de Divaldo Franco
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