quarta-feira, 13 de março de 2013

A Mediunidade

Uma exposição do Dr. Alberto Almeida ao programa Transição, da TV Mundo Maior, abordando o tema Mediunidade à Luz do Espiritismo.



Alberto Ribeiro de Almeida nasceu em Belém (PA). É médico clínico geral e homeopata. Terapeuta com especialização em Terapia Regressiva a Vivências Passadas, Psicologia Transpessoal, Dinâmica de Grupos e Terapia Familiar Sistêmica. Espírita de berço envolveu-se no Movimento Espírita ainda muito jovem. Colabora com a União Espírita Paraense. Diretor da Associação Médico-Espírita do Pará (AME-PA). Como conferencista, é um dos mais requisitados e cativantes palestrantes espíritas do Brasil da atualidade.

Abordagens:

- O que é Terapia Transpessoal?
- O que é Mediunidade?
- Todas as Pessoas podem ser Médiuns?
- A Mediunidade pode causar Problemas nas Pessoas?
- A Mediunidade é coisa do Demônio?
- A Mediunidade pode ser Utilizada como meio de Vida?
- A Mediunidade nas Crianças
- A Mediunidade nos Animais
- Os Estudos Científicos sobre a Mediunidade

segunda-feira, 11 de março de 2013

A Pluralidade das Existências


Objetivos da Reencarnação:


Deus impõe aos Espíritos a reencarnação com o objetivo de fazê-los chegar à perfeição, passando por todas as vicissitudes da existência corporal. Visa ainda outro fim a reencarnação: o de por o Espírito em condições de suportar a parte que lhe toca na obra da criação. Para executá-la é que, em cada mundo, toma o Espírito um instrumento, de harmonia com a matéria essencial desse mundo, a fim de aí cumprir, daquele ponto de vista, as ordens de Deus. É assim que concorrendo para a obra geral, ele próprio se adianta.

Todos são criados simples e ignorantes (no sentido de que ignora, de que não tem conhecimento) e se instruem nas lutas e tribulações da vida corporal. No início, não possuem o conhecimento do bem ou do mal. São dotados do gérmen da inteligência e, com o tempo, adquirem consciência de si mesmos. Sua constituição é abstrata e o modo como foram criados ainda não foi revelado totalmente pelos Espíritos Superiores. Deus, que é justo, não podia fazer felizes a uns, sem fadigas e trabalhos, consequentemente sem mérito.

Daí concluir-se que, os seres considerados eleitos, anjos, arcanjos, querubins e serafins são a representação das almas que já atingiram, pelo seu esforço, graus de elevação espiritual, passando, como não poderia deixar de ser, pelos mesmos estágios inferiores da escala evolutiva.

O atrasado possui inclinações para o mal, inteligência limitada; regozija-se com a violência, compraz-se na vida viciosa. Quando deixa o corpo, os sentimentos o acompanham; com a evolução, ele se vai modificando. As lutas do mundo, os sofrimentos através das existências, é que lhe vão aprimorando a alma.

Como nos ensina Mário Cavalcanti de Melo e Carlos Imbassay, no seu Livro "Reencarnação e suas Provas", a Terra é como escola e um hospital. Vê-se o aluno ir progredindo à proporção que muda de classe, a sua cultura é função do tempo e do estudo; quando o corpo se debilita vai a um hospital, onde o médico lhe cura e restitui as forças.

O Espírito aporta aqui como selvagem ou bárbaro, e continua a sua peregrinação, curando-se no Hospital Planetário, com a terapêutica do sofrimento, ilustrando-se com as lições que recebe de existência em existência, até que, fica livre das vidas materiais e entra para o "Nirvana" dos budistas ou para as regiões de paz; a felicidade consiste nessa tranquilidade dos justos; não a podemos perceber nem vislumbrar, porque nunca a possuímos, envoltos nos turbilhões, no nevoeiro, nas paixões violentas desse mundo onde nos encontramos atolados.

Os Espíritos que desde o princípio seguem o caminho do bem nem por isso são Espíritos perfeitos. Não tem, é certo, maus pendores, mas precisam adquirir a experiência e os conhecimentos indispensáveis para alcançar a perfeição. Podemos compará-los a crianças que, seja qual for a bondade de seus instintos naturais, necessitam se desenvolver e esclarecer e que não passam, sem transição, da infância para a fase adulta.

Depende dos Espíritos o progredirem mais ou menos rapidamente em busca da perfeição, conforme o desejo que têm de alcançá-la e a submissão que testemunham à vontade de Deus. Os Espíritos não podem se conservar eternamente nas ordens inferiores; mudam de ordem mais rápida ou demoradamente, porém não podem degenerar. À medida que alcançam, compreendem o que os distancia da perfeição. O espírito ao concluir uma prova fica com a ciência que daí lhe veio e não a esquece. Pode permanecer estacionário durante algum tempo, porém não pode degenerar.

Uma só existência corporal é insuficiente para o espírito adquirir todo o bem que lhe falta e eliminar o mal que lhe sobra.

A evolução do Espírito se dá progressivamente, pois ela está intimamente ligada à experiência. Através de lutas expiatórias e provas, o Espírito caminha em busca da própria iluminação e aperfeiçoamento. Ao iniciar sua jornada encarnatória nos primeiros estágios evolutivos, o Espírito sofre todo tipo de influências, boas e ruins. Como é ignorante, suas tendências o levam a vivenciar experiências no campo do erro. Nem todos os Espíritos passam pelo caminho do mal, mas obrigatoriamente passam pelo da ignorância.

O Criador concede ao Espírito a liberdade de ceder ou resistir às más influências. Trata-se do "livre arbítrio". Essa liberdade de agir como bem entende, desenvolve-se à medida em que ele adquire a consciência de si mesmo. Isso faz com que ele tenha o mérito de suas próprias ações.

"Se o homem tivesse sido criado perfeito, seria levado fatalmente ao bem; ora, em virtude de seu livre arbítrio, ele não é fatalmente levado nem ao bem nem ao mal. Deus quis que ele fosse submetido à lei do progresso e que esse progresso fosse o fruto do seu próprio trabalho, a fim de que tivesse o mérito desse trabalho, do mesmo modo que carrega a responsabilidade do mal que é feito por sua vontade". (Allan Kardec – A Gênese, cap. III, item 9).

Deus é soberanamente justo e bom, concede ao Espírito tantas encarnações quantas necessárias para atingir seu objetivo - a perfeição.

Em cada nova existência, entra o Espírito com o conhecimento adquirido nas anteriores, as aptidões, conhecimentos intuitivos e moralidade. Cada existência é assim um passo avante no caminho do progresso.

A pluralidade das existências, cujo princípio o Cristo estabeleceu no Evangelho, é uma das mais importantes leis reveladas pelo Espiritismo, pois lhe demonstra a realidade e a necessidade para o progresso. Com esta lei o homem explica todas as aparentes anomalias da vida humana; as diferenças de posição social; as mortes prematuras que, sem a reencarnação, tornariam inúteis à alma as existências breves; a desigualdade de aptidões intelectuais e morais, pelo conhecimento que o Espírito aprendeu e progrediu, e traz nascendo, o que adquiriu em suas existências anteriores...

Com a reencarnação, desaparecem os preconceitos, pois o mesmo Espírito pode tornar a nascer rico ou pobre, capitalista ou proletário, chefe ou subordinado, livre ou escravo, homem ou mulher. De todos os argumentos invocados contra a injustiça da servidão e da escravidão, contra a sujeição da mulher à lei do mais forte, nenhum há que prime, em lógica, ao fato material da reencarnação. Se, pois, a reencarnação se funda numa lei da natureza o princípio da fraternidade universal, também funda na mesma lei o da igualdade dos direitos sociais e, por conseguinte, o da liberdade...

"Sem a preexistência da alma, a doutrina do pecado original não seria somente inconciliável com a justiça de Deus, que tornaria todos os homens responsáveis pela falta de um só, seria também um contrassenso. Com a preexistência o homem traz, ao renascer, o gérmen de suas imperfeições, dos defeitos que não corrigiu e que se traduzem pelos instintos naturais e pelos pendores para tal ou tal vício. É esse o seu verdadeiro pecado original, cujas consequências naturalmente sofre a pena de suas próprias faltas, e não as de outros, e com a diferença, ao mesmo tempo consoladora e animadora, de que cada existência lhe oferece os meios de se redimir pela reparação e de progredir, quer despojando-se de alguma imperfeição, quer adquirindo novos conhecimentos e assim, até que, suficientemente purificado, não necessite mais da vida corporal e possa viver exclusivamente a vida espiritual, eterna e bem aventurada.

A reencarnação é um processo de aperfeiçoamento espiritual. A volta do espírito a vida corporal tem um objetivo, não é "ação do acaso", nem "capricho dos céus". Não há experiência reencarnatória sem motivo, ensina o espiritismo.

Allan Kardec na questão 196 do Livro dos Espíritos nos faz um resumo dos objetivos da reencarnação.

Questão 196 – "Não podendo os Espíritos aperfeiçoar-se, a não ser por meio das tribulações da existência corpórea, segue-se que a vida material seja uma espécie de crisol ou de depurador, por onde têm que passar todos os seres do mundo espírita para alcançarem a perfeição?

R. Sim é exatamente isso. Eles se melhoram nessas provas, evitando o mal e praticando o bem; porém, somente ao cabo de mais ou menos longo tempo, conforme os esforços que empreguem; somente após muitas encarnações ou depurações sucessivas, atingem a finalidade para que tendem."

A obrigação que tem o Espírito encarnado de prover o alimento ao corpo, a sua segurança, o seu bem estar, o força a empregar suas faculdades em investigações, a exercitá-las e desenvolvê-las. Útil, portanto, ao seu adiantamento é a união com a matéria.

Daí o constituir uma necessidade a encarnação. Além disso, pelo trabalho inteligente que ele executa em seu proveito, sobre a matéria, auxilia a transformação e o progresso material do globo que lhe serve de habitação.

O pensamento reencarnacionista está inscrito na máxima: Nascer, morrer, renascer ainda, e progredir sempre, tal é a lei.

União da Alma com o Corpo


Há no homem, pois três coisas:

1º - O corpo ou ser material, análogo aos animais e animado pelo mesmo princípio vital;

2º - A alma ou ser imaterial - Espírito encarnado ao corpo;

3º - Laço ou perispírito que prende o espírito ao corpo, uma espécie de envoltório semi material.

"Quando o espírito tem de encarnar num corpo humano em vias de formação, um laço fluídico, que mais não é do que uma expansão do seu perispírito, a liga do gérmen que o atrai por uma força irresistível, desde o momento da concepção. À medida que o gérmen se desenvolve o laço se encurta. Sob a influência do princípio vito-material do gérmen, o perispírito que possui certas propriedades da matéria, se une, molécula a molécula, ao corpo em formação, donde o poder dizer-se que o Espírito, por intermédio do seu perispírito, se enraíza de certa maneira, neste gérmen, como uma planta na terra. Quando o gérmen chega ao seu pleno desenvolvimento, completa é a união, nasce então o ser para a vida exterior".

"À medida que o espírito se purifica, o corpo que o reveste se aproxima igualmente da natureza espírita. Torna-se-lhe menos densa a matéria, deixa de rastejar penosamente pela superfície do solo, menos grosseiros se lhe fazem as necessidades físicas, não mais sendo preciso que os seres vivos se destruam mutuamente para se nutrirem. O Espírito se acha mais livre e tem, das coisas longínquas, percepções que desconhecemos".

"A finalidade da alma é o desenvolvimento de todas as faculdades a ela inerentes. Para consegui-lo, ela é obrigada a encarnar grande número de vezes, na terra, a fim de acendrar suas faculdades morais e intelectuais , enquanto aprende a governar a matéria. É mediante uma evolução ininterrupta, a partir das formas de vida mais rudimentares, até à condição humana, que o princípio pensante conquista, lentamente, a sua individualidade. Chegado a esse estágio, cumpre-lhe fazer eclodir a sua espiritualidade, dominando os instintos remanescentes da sua passagem pelas formas inferiores, a fim de elevar-se, na série das transformações, para destinos sempre mais altos".


Os Fundamentos da Justiça na Reencarnação - Necessidade da Reencarnação


A Reencarnação é a mais excelente demonstração da Justiça Divina, em relação aos infratores das Leis, na trajetória humana, facultando-lhes a oportunidade de ressarcirem numa os erros cometidos nas existências transatas.

A lei dos renascimentos explica e completa o princípio da imortalidade. A evolução do ser indica um plano e um fim. Esse fim, é a perfeição, não pode realizar-se em uma existência só, por mais longa que seja. Devemos ver na pluralidade das existências da alma, a condição necessária de sua educação e de seus progressos. É a custa dos próprios esforços, de suas lutas, de seus sofrimentos, que ela se redime de seu estado de ignorância e de inferioridade e se eleva, de degrau a degrau, na Terra primeiramente, e, depois, através de inumeráveis estâncias do céu estrelado.

A reencarnação, afirmada pelas vozes de além-túmulo é a única forma racional pela qual se pode admitir a reparação de faltas cometidas e a evolução gradual dos seres. Sem ela, não se vê sanção moral satisfatória e completa; não há possibilidade de conceber a existência de um Ser que governe o Universo com justiça.

Porque para uns a fortuna, a felicidade constante e para outros a miséria, a desgraça inevitável? Para estes a força, a saúde, a beleza; para aqueles a fraqueza, a doença, a fealdade? Porque a inteligência, a gênio, aqui; e, acolá, a imbecilidade? Como se encontram tantas qualidades morais admiráveis, a para outros tantos vícios e defeitos? Porque há raças tão diversas? Umas inferiores a tal ponto que parece confinar com a animalidade, e outras favorecidas com todos os dons que lhes asseguram a supremacia? E as enfermidades inatas, a cegueira, a idiotia, as deformidades, todos os infortúnios que enchem os Hospitais, os albergues noturnos, as Casas de Correção? A hereditariedade não explica tudo; na maior parte dos casos, essas aflições não podem ser consideradas como um resultado de causas atuais. Sucede o mesmo com os favores da sorte. Muitíssimas vezes, os justos parecem esmagados pelo peso da prova, ao passo que os egoístas e os maus prosperam!

Cada um leva para a outra vida e traz, ao nascer, a semente do passado. Essa semente há de espalhar os seus frutos, conforme a natureza, ou para nossa felicidade ou para nossa desgraça, na nova vida que começa é até sobre as seguintes; uma só existência não basta para desfazer as consequências más de nossas vidas passadas. Ao mesmo tempo, os nossos atos cotidianos, ponte de nossos efeitos, vem juntar-se às causas antigas, atenuando-as ou agravando-as, e formam com elas um encadeamento de bens ou males que, no seu conjunto, urdirão a teia do nosso destino.

O homem constrói o seu próprio futuro.

Reencarnação nem sempre é sucesso expiatório, como nem toda luta no campo físico expressa punição.

Suor na oficina é excesso à competência.

Esforços na escola é aquisição de cultura.

À vista disso, não te habitues a medir as dores alheias pelo critério de expiação, porque, quase sempre, almas heroicas que suportam o fogo constante das grandes dores morais, no sacrifício do lar ou nas lutas do povo, apenas obedecem aos impulsos do bem excelso, afim de que a negação do homem seja bafejada pela esperança em Deus.

O aspecto moral da reencarnação deve merecer sempre uma consideração muito lúcida, justamente porque esse aspecto se reflete na vida familiar, nas relações profissionais, na vida social, enfim. Quem deve, seja onde for, terá que pagar cedo ou tarde. É a Lei. A noção de uma única existência não nos daria uma visão real de justiça no tempo e no espaço. A reencarnação não é portanto, simples questão de crença, mas um princípio lógico, assim nós o entendemos, pois abre à inteligência inquiridora, uma perspectiva de justiça muito mais ampla, através de existências diversas.

Todos os Espíritos tendem para a perfeição e Deus lhes faculta os meios de alcançá-la, proporcionando-lhes as provações da vida corporal. Sua justiça, porém, lhes concede realizar, em novas existências, o que não puderam fazer ou concluir numa primeira prova.

Não obraria Deus com igualdade, nem de acordo com a sua bondade, se condenasse para sempre os que talvez haja encontrado, oriundos do próprio meio onde foram colocados e alheios à vontade que os animava, obstáculos ao seu melhoramento.

A doutrina da reencarnação, isto é, a que consiste em admitir para o espírita muitas existências sucessivas, é a única que corresponde a ideia que formamos da justiça de Deus para com os homens que se acham em condição moral inferior; a única que pode explicar o futuro e firmar as nossas esperanças, pois nos oferece os meios de resgatarmos nossos erros por novas provações. A razão a indica e os Espíritos a ensinam.

O homem, que tem consciência da sua inferioridade, tem consoladora esperança na doutrina da reencarnação. Se crê na justiça de Deus, não pode contar que venha a achar-se, para sempre, em pé de igualdade com os que mais fizeram do que ele.

O que reanima o homem e lhe dá coragem é a ideia de que aquela inferioridade não o deserda eternamente do supremo bem e que, mediante novos esforços, vai conquistá-lo. Quantos no final de sua existência reclamam de ter uma experiência que já não pode mais tirar proveito. Entretanto, esta experiência tardia não fica perdida; o Espírito a utilizará em nova existência.



Fonte: Curso de Introdução à Doutrina Espírita

sábado, 9 de março de 2013

A Comunicabilidade dos Espíritos


A Comunicabilidade dos Espíritos com os encarnados não é um fato recente, mas antiquíssimo, com a única diferença que no passado era apanágio dos chamados iniciados e na atualidade, com o advento do Espiritismo, tornou-se fenômeno generalizado a todas as camadas sociais.

A possibilidade dos Espíritos se comunicarem é uma questão muito bem estabelecida, resultante de observações e experiências rigorosamente realizadas por eminentes pesquisadores.

Os Espíritas não têm dúvidas a este respeito; porém, determinados companheiros que abraçam correntes religiosas diferentes da Doutrina Espírita, procuram criticá-la chamando a atenção, entre outras coisas, sobre a proibição mosaica de evocar os mortos.

Na lei mosaica está escrito: “(...) Não vos virareis para os adivinhadores e encantadores, não os busqueis, contaminando-vos com eles: eu sou o Senhor vosso Deus. (...)” (07) “(...) Quando, pois algum homem ou mulher em si tiver um espírito adivinho, ou for encantador, certamente morrerão; com pedras se apedrejarão; o seu sangue é sobre eles.” (08)

“(...) Não achará entre ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro, nem encantador de encantamentos, nem quem consulte um espírito adivinhante, nem mágico, nem quem consulte os mortos; pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao Senhor, e por estas abominações o Senhor teu Deus as lança fora de diante dele. (...)” (06)

“Se a lei de Moisés deve ser tão rigorosamente observada neste ponto, força é que o seja igualmente em todos os outros. Por que seria ela boa no tocante às evocações e má em outras de suas partes? (...) Desde que se reconhece que a lei mosaica não está mais de acordo com a nossa época e costumes em dados casos, a mesma razão procede para a proibição de que tratamos.

Demais, é preciso entender os motivos que justificavam essa proibição e que hoje se anularam completamente. O legislador hebreu queria que o seu povo abandonasse todos os costumes adquiridos no Egito, onde as evocações estavam em uso e facilitavam abusos (...).” (01)

A proibição de Moisés foi mais para conter um comércio grosseiro e prejudicial com os desencarnados. Os Israelitas necessitavam de uma ação mais disciplinadora porque, além do mais “(...) a evocação dos mortos não se originava nos sentimentos de respeito, afeição ou piedade para com eles, sendo antes um recurso para adivinhações, tal como nos augúrios e presságios explorados pelo charlatanismo e pela superstição. (...)”

Naquela época, aliada à prática pura e simples de evocar os mortos, havia um verdadeiro comércio com os adivinhadores “(...) associadas às praticas da magia e do sortilégio, acompanhadas até de sacrifícios humanos. (...)” (02) A proibição, tinha, pois, razão de ser.

Nos dias atuais, o ser humano adquiriu novas conquistas, o progresso se fez pelo predomínio da razão e, a prática de intercâmbio espiritual ou mediúnica, defendida pelo Espiritismo, tem outras finalidades: moralizadora, consoladora e religiosa.

“(...) A verdade é que o Espiritismo condena tudo que motivou a interdição de Moisés; (...)” (02) os espíritas não fazem sacrifícios humanos, não interrogam astros, adivinhos e magos para informarem-se de alguma coisa, não usam medalha, talismã, fórmulas sacramentais ou cabalísticas para atrair ou afastar Espíritos.

O Espírita sincero sabe que “(...) O futuro é vedado ao homem por princípio, e só em casos raríssimos e excepcionais é que Deus faculta a sua revelação. Se o homem conhecesse o futuro, por certo que negligenciaria o presente e não agiria com a mesma liberdade. (...)” (04)

A evocação dos Espíritos exercida na prática espírita tem o fito de receber conselhos dos Espíritos superiores, de moralizar aqueles voltados para o mal e continuar com as relações de amizades e amor entre entes queridos que partilharam, ou não, a vivência reencarnatória.

Pelas orientações instrutivas e altamente moralizadoras fornecidas pelos benfeitores espirituais, pelo valioso aprendizado oferecido pelos desencarnados sofredores, conclui-se que a prática mediúnica, é um fator de progresso humano pelos benefícios que acarreta.

“(...) Sem dúvida, poderoso instrumento pode converter-se em lamentável fator de perturbação, tendo em vista o nível espiritual e moral daquele que se encontra investido de tal recurso.

Não é uma faculdade portadora de requisitos morais. A moralização do Médium libera-o da influência dos Espíritos inferiores e perversos, que se sentem, então, impossibilitados de maior predomínio por faltarem os vínculos para a necessária sintonia. (...)” (09) “Repelir as comunicações de além-túmulo é repudiar o meio mais poderoso de instruir-se, já pela iniciação nos conhecimentos da vida futura, já pelos exemplos que tais comunicações nos fornecem. A experiência nos ensina, além disso, o bem que podemos fazer, desviando do mal os Espíritos imperfeitos, ajudando os que sofrem a desprenderem-se da matéria e a se aperfeiçoarem. Interdizer as comunicações é, portanto, privar as almas sofredoras da assistência que lhes podemos e devemos dispensar. (...)”. (03)


MEDIUNIDADE E SERVIÇO AO PRÓXIMO

Aspiras ao desenvolvimento da mediunidade para mais fácil intercâmbio com o Plano Espiritual. Isso é perfeitamente possível; entretanto, é preciso lhe abraces as manifestações, compreendendo que ela te pede amor e dedicação aos semelhantes para que se transforme num apostolado de bênçãos.

Reconhecerás que não reténs com ela um distrito de entretenimento ou vantagens pessoais e sim um templo-oficina, através do qual os benfeitores desencarnados se aproximam dos homens, tão diretamente quanto lhes é possível, apontando-lhes rumo certo ou lenindo-lhes os sofrimentos, tanto quanto lhe utilizarás os recursos para socorrer desencarnados, que esperam ansiosamente quem lhes estenda uma luz ao coração desorientado.

Receberás com ela não apenas a missão consoladora de reerguer os tristes, mas também a tarefa espinhosa de suportar, corajosamente, a incompreensão daqueles que se comprazem sob a névoa do materialismo, muita vez interessados em estabelecer a dúvida e a negação para obterem, usando o nome da filosofia e da ciência, livre trânsito nas áreas de experiência física, em que a fé opõe uma barreira aos abusos de ordem moral.

Nunca lhe ostentarás a força com atitudes menos dignas, que te colocariam na dependência do mal, e, ainda mesmo quando ela te propicie meios com os quais te podes sobrepor aos perseguidores e adversários, tratá-los-ás com o amor que não foge à verdade e com a verdade que não desdenha o equilíbrio admitindo que não te assiste o direito de te antepores à justiça da vida.

Terás a mediunidade por flama de amor e serviço, abençoando e auxiliando onde estejas, em nome da Excelsa Providência, que te fez semelhante concessão por empréstimo. E nos dias em que esse ministério de luz te pese demasiado nos ombros, volta-te para o Cristo — o Divino Instrumento de Deus na Terra — e perceberás, feliz, que o coração crucificado por devotamento ao bem de todos, conquanto pareça vencido, carrega em triunfo a consciência tranquila do vencedor. (*)

* XAVIER, Francisco Cândido. Examinando a Mediunidade. In: Encontro Marcado. Pelo Espírito Emmanuel. 7. ed. Rio de Janeiro - FEB, 1991 págs. 93-94.

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FONTES DE CONSULTA

01 - KARDEC, Allan. Da Proibição de Evocar os Mortos. In: - . O Céu e o Inferno. Trad. De Manoel Justiniano Quintão, 30ª ed. Rio de Janeiro, FEB, 1992. item 3, pág 156.
02 - Item 4, págs. 157-159.
03 - Item 15. pág. 165.
04 - Intervenção dos Demônios nas Modernas Manifestações. In: . O Céu e o Inferno. Trad.
de Manoel Justiniano Quintão. 30ª ed.. Rio de Janeiro, FEB, 1992. Item 10, pág. 143.
05 - O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 75. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. Introdução, item 6, p.25.
06 - VELHO TESTAMENTO. In: A Bíblia Sagrada. Trad. Por João Ferreira de Almeida. 42 Ed. Rio de Janeiro: Sociedade Bíblica Brasileira, 1980. Deuteronômio, 18:10 - 12 págs 205- 206.
07 - VELHO TESTAMENTO. In: A Bíblia Sagrada. Trad. Por João Ferreira de Almeida. 42 Ed. Rio de Janeiro: Sociedade Bíblica Brasileira, 1980.Levítico, 19:31, pág. 126.
08 - Levítico, 20:27. Pág. 127.
09 - FRANCO, Divaldo Pereira. Mediunidade. In: _ . Estudos Espíritas . Pelo Espírito Joanna de Ângelis. 6ª ed. Rio de Janeiro, FEB, 1995. pág. 138.


Fonte: ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita

quinta-feira, 7 de março de 2013

A Alma e a Imortalidade


Tudo acaba com a morte ou existe algo que sobrevive à decomposição do corpo físico? Se existe, para onde vai? Qual o seu destino? Para responder a essas questões, dividimos este estudo em três tópicos, que são: a alma, a morte e a vida futura.

CONCEITOS

Alma – Do latim anima, semelhante à palavra grega anemos (vento) significa ser imaterial e individual que em nós reside e sobrevive ao corpo. Para o Espiritismo, a alma é um Espírito encarnado, sendo o corpo o seu envoltório.

Imortalidade - Sob a forma negativa (prefixo negativo – i), o termo exprime a noção essencialmente positiva, de vida-sem-fim, daquilo que não é submetido à morte. Excetuando-se o seu uso metafórico, a imortalidade é antes de tudo uma hipótese metafísica – de origem religiosa –, que concerne à alma, sustentada pelo conjunto da filosofia espiritualista desde a antiguidade.

Não se sabe exatamente quando entrou no espírito do homem a idéia de sobrevivência depois da morte. No período paleolítico (2.500.000 a.C a 12.000 a.C.) não há prova de sua existência. Somente a partir do período neolítico (12.000 a.C. a 4.000 a.C.) é que se encontram vestígios, principalmente pelos ornamentos, armas e alimentos deixados perto dos mortos.

No antigo Egito, a convicção da existência de uma vida futura era categórica, principalmente para os que eram embalsamados. Na índia, desenvolveu-se a doutrina da metempsicose, a possibilidade da alma voltar num corpo de animal. O Budismo ofereceu socorro com sua esperança no Nirvana. Na Pérsia, o mazdeísmo proclamou, desde 3.º século a.C., a doutrina da ressurreição. A concepção da ressurreição apresenta-se pela primeira vez, na literatura judaica, no livro de Daniel, escrito cerca de 165 a.C.

Os argumentos de Sócrates e de Platão, tão difundidos no âmbito da filosofia, não foram os primeiros; apenas mostraram a tendência crítica de dar base racional a uma idéia admitida por muitos.

Grande parte do êxito do cristianismo foi sem dúvida a crença na vida futura, que oferecia salvação a todos os homens, independentemente de cor, sexo ou posição social.
Na época do Renascimento e do desenvolvimento das ciências naturais, começaram a exprimir-se dúvida quanto à idéia da imortalidade da alma.

Hoje convivemos com essas duas crenças: de um lado o materialismo que nega a existência da alma após a morte e do outro o espiritualismo que a corrobora. (Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira)

ALMA PARA OS MATERIALISTAS

"Segundo uns, a alma é o princípio da vida orgânica material; não tem existência própria e se extingue com a vida: é o puro materialismo. Neste sentido, e por comparação, dizem de um instrumento quebrado, que não produz mais som, que ele não tem alma. De acordo com esta opinião, a alma seria um efeito e não uma causa". (Kardec, 1995, p. 16)

A ALMA PARA OS PANTEÍSTAS

"Outros pensam que a alma é o princípio da inteligência, agente universal de que cada ser absorve uma porção. Segundo estes, não haveria em todo o Universo senão uma única alma, distribuindo fagulhas para os diversos seres inteligentes durante a vida; após a morte, cada fagulha volta à fonte comum, confundindo-se no todo, como os córregos e os rios retornam ao mar de onde saíram". (Kardec, 1995, p. 16)

A ALMA PARA OS ESPIRITUALISTAS

"Segundo outros, enfim, a alma é um ser moral, distinto, independente da matéria e que conserva a sua individualidade após a morte. Esta concepção é incontestavelmente a mais comum, porque sob um nome ou outro a idéia desse ser que sobrevive ao corpo se encontra em estado de crença instintiva, e independente de qualquer ensinamento, entre todos os povos, qualquer que seja o seu grau de civilização. Essa doutrina, para qual a alma é causa e não efeito, é dos espiritualistas". (Kardec, 1995, p. 16)

Haveria necessidade de três palavras diferentes para expressar cada uma das idéias. Assim, Allan Kardec acha que o mais lógico é tomá-la na sua significação mais vulgar, e por isso chamamos alma ao ser imaterial e individual que existe em nós e sobrevive ao corpo.

MORTE - EXPERIÊNCIA UNIVERSAL

A morte é uma experiência universal. Todo o ser humano nasce, cresce, luta, sonha, traça planos, constrói para o futuro para, finalmente, ceder à morte. Para muitos é uma hora de tristeza, de melancolia; para outros, é como um alívio pelo cumprimento dos pesados deveres de sua existência. As diversas culturas e religiões dão suas contribuições para a compreensão do tema. O Dr. Frank Mahoney, professor de Antropologia da Universidade do Havaí, por exemplo, mostrou a diferença entre a cultura americana e a da sociedade Micronésia, a dos Trukeses. Enquanto os americanos negam a morte e o envelhecimento; os habitantes das ilhas Truk (Pacífico) ratificam-na. Em termos religiosos, o Hinduismo afirma que a alma ou essência espiritual (atman) do indivíduo é eterna: o Budismo, que a vida depois da morte é um problema sobre o qual nada pode ser dito; o Catolicismo, que a vida depois da morte está inserida na crença de um Céu, de um Inferno e de um Purgatório.

O TEMOR DA MORTE

Allan Kardec, no livro O Céu e o Inferno, trata exaustivamente do problema da morte. Diz-nos que o temor da morte decorre da noção insuficiente da vida futura, embora denote também a necessidade de viver e o receio da destruição total. Segundo o seu ponto de vista, o espírita não teme a morte, porque a vida deixa de ser uma hipótese para ser realidade. Ou seja, continuamos individualizados e sujeitos ao progresso, mesmo na ausência da vestimenta física.

VIDA FUTURA

Baseando-nos nas concepções de alma dada por Allan Kardec, podemos esperar as seguintes perspectivas para a vida futura:

O NADA

O Niilismo - do lat. nihil, nada, fruto da doutrina materialista - significa ausência de toda a crença. Como a matéria é a única fonte do ser, a morte é considerada o fim de tudo. Os adeptos do materialismo incentivam o gozo dos bens materiais, dizendo que quanto mais usufruirmos deles, mais felizes seremos. Como se vê, a conseqüência do niilismo é a corrida em busca do dinheiro, da projeção social e do bem-estar material.

ABSORÇÃO NO TODO

O Panteísmo – do grego pan, o todo, e Theos, Deus – significa absorção no todo. De acordo com essa doutrina, o Espírito, ao encarnar, é extraído do todo universal; individualiza-se em cada ser durante a vida e volta, por efeito da morte, à massa comum. As conseqüências morais dessa doutrina são semelhantes às do materialismo, pois ir para o todo, sem individualidade e sem consciência de si, é como não existir.


CÉU E INFERNO

O Dogmatismo Religioso afirma que a alma, independente da matéria, é criada por ocasião do nascimento do ser; sobrevive e conserva a individualidade após a morte. A sua sorte já está determinada: os que morreram em "pecado" irão para o fogo eterno; os justos, para o céu, gozar as delícias do paraíso. Essa visão deixa sem respostas uma série de anomalias que acompanham a humanidade, como, por exemplo, os aleijões e a idiotia.

PROGRESSO ININTERRUPTO DO ESPÍRITO

Para o Espiritismo, a vida espiritual é a vida normal; a vida corpórea é uma fase temporária em que o Espírito se reveste de um envoltório material e de que se despe por ocasião da morte. O Espiritismo mostra-nos que o Espírito, independente da matéria, foi criado simples e ignorante. Todos partiram do mesmo ponto, sujeitos à lei do progresso. Aqueles que praticam o bem evoluem mais rapidamente e fazem parte da legião dos "anjos", dos "arcanjos" e dos "querubins". Os que praticam o mal recebem novas oportunidades de melhoria, através das inúmeras encarnações. Importa salientar que uma vez no mundo dos Espíritos, eles continuam com sua individualidade, sujeita a um ininterrupto progresso.

CONCLUSÃO

A imortalidade da alma é um fato concreto. Cabe-nos, assim, com o auxílio das explicações racionais e convincentes do Espiritismo, pautar a nossa vida segundo os ensinamentos morais deixados por Jesus.


Sérgio Biagi Gregório


BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 8. ed. São Paulo: Feesp, 1995.
KARDEC, A. Obras Póstumas. 15. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1975.
GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA. Lisboa/Rio de Janeiro: Editorial Enciclopédia, [s.d. p.]

terça-feira, 5 de março de 2013

Falando de Jesus


Ao longo do tempo, a figura extraordinária de Jesus tem suscitado as mais diversificadas elaborações de temas. Perto de 65 mil livros já foram escritos sobre ele, sem contar as reportagens, poemas, artigos, pesquisas etc. E percebemos que o tema é inesgotável.

A época que Jesus escolheu para vir à Terra era realmente difícil. Os povos se digladiavam em guerras que pareciam intermináveis e o povo de Israel, que iria lhe receber, encontrava-se sob dominação romana. As notícias a respeito de sua chegada não são tão conhecidas pelas pessoas como deveriam ser, muitos acreditam que somente o Velho Testamento traz as profecias sobre isso. Porém, na realidade, à medida em que velhos povos vão sendo retirados do ostracismo do passado, descobre-se que já se falava de um ser especial que viria e os velhos templos traziam referências ao fato.

Todos o reconheceram. Quando dizemos todos, não nos referimos aos homens em si, porque estes não o identificaram, mas falamos daqueles que tiveram oportunidade de encontrá-lo, pessoas pertencentes a várias camadas sociais que, inspiradas pelo mundo espiritual ou pela personalidade notável de Jesus, reconheceram-no imediatamente. Não tiveram dúvida alguma a respeito do filho de Deus.

Jesus deixou um código de respeito a Deus e às criaturas de uma forma geral. Suas palavras ressoam com força e vigor na alma de muitos, mas, ainda assim, vários de seus ensinamentos profundos permanecem quase inatingíveis pela maioria das pessoas, talvez porque não parem para analisá-los.

Ao estudarmos a assertiva de que “os mansos herdarão a Terra”, isso pareceria uma coisa inadmissível, já que vemos a violência se multiplicar e os violentos parecerem vitoriosos, além de lembrarmos de homens poderosos do passado, que dominaram territórios, subjugaram e escravizaram povos, mas se perderam nas páginas da história, como Átila, Alarico, Alexandre e Júlio César. Só que isso não é a expressão da verdade.

Pensemos, por exemplo, em um Francisco de Assis, imortal em sua mansuetude, pureza e bondade, bem como reconhecido em todos os quadrantes de nosso planeta, para depois ouvirmos Jesus falando que “os mansos herdarão a Terra”. Ou seja, ao lembrarmos de figuras extraordinárias no campo do bem, que tiveram, como únicas posses, um coração gentil e um cérebro voltado para a construção do amor na Terra, observamos que as palavras de Jesus continuam atuais.

Quando Jesus diz que “é o caminho, a verdade e a vida”, o que fica para nós é que seus convites estão mais atuais do que nunca. Diante de tanta violência, tanto orgulho e personalismo, temos de pensar no gentil chamado que Ele nos fez, pedindo que “amemos uns aos outros como eu vos amei” .


Jesus deixou um código de respeito a Deus e às criaturas de uma forma geral. Suas palavras ressoam com força e vigor na alma de muitos, mas, ainda assim, vários de seus ensinamentos profundos permanecem quase inatingíveis pela maioria das pessoas.

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- Jesus é um espírito que já era perfeito antes da fundação do mundo. Não seria um modelo muito distante da nossa realidade para tentarmos alcançar ?

Não, não é tão distante assim. Segundo Emmanuel, a Terra realmente foi organizada por Jesus e por um grupo de Espíritos afins. A lei de amor aqui estabelecida é dele e toda a Terra está envolta nela, respiramos isso em todas as nossas reencarnações.

- Por que as religiões tradicionais insistem em transformar Jesus em Deus se ele nunca disse sê-lo, mas sempre que era o “mensageiro”, o “filho”, o “enviado”?

Exatamente para mantê-lo distante. As pessoas o glorificam, idolatram e ficam temerosas de segui-lo.

Porém, o Espiritismo apresenta o Jesus real, o amigo, o condutor, o pastor amado. E nós somos as suas ovelhas.

- Mas há a necessidade de ser perfeito par a poder ter participado da formação do sistema?

- Segundo O LIVRO DOS ESPÍRITOS, o Espírito perfeito não está mais sujeito à reencarnação e nem há condições par a tal. Será que isso não é mais uma tentativa de endeusar Jesus?

É uma questão de semântica, podemos utilizar a palavra que a gente quiser, Espírito puro, perfeito. Na Terra, os Espíritos que estão sujeitos à reencarnação são os errantes, ou seja, todos nós. Temos necessidade desse retorno, mas isso não quer dizer que apenas nós reencarnamos na Terra. Os missionários reencarnam na Terra por amor e não são mais espíritos errantes. São nomes como Siddhartha Gautama, o Buda, Krishna, Confúcio, Gandhi, entre outros, que, assim como Jesus, também não estavam sujeitos à reencarnação, mas vieram mesmo assim.

- Humilde como todo bom espírito deve ser, Jesus poderia ter dito a frase “eu sou o caminho, a verdade e a vida” na primeira pessoa? Não teria ele dito isso sobre o Pai que o enviou e, posteriormente, a frase ter sido alterada pela insistência em se dizer que Jesus é Deus?

Não existe nenhum tipo de vaidade nessa frase, porque Jesus realmente é o caminho, toda a sua vida foi um roteiro de como deveríamos proceder, o mapa que ele deixou na Terra. Então, é ele o caminho e todos eles levam a algum lugar, que, no caso, é Deus. Assim, fica bem demonstrado que Jesus não é Deus, porque se ele é o caminho, então, o objetivo é outro.

- Se tomarmos como base a hipótese ou o fato de que Jesus era perfeito na época que voltou à carne, por que temos uma pequena variedade de comportamentos nele, como os “vendilhões do templo”, que revela uma certa fúria, ou o “por que me abandonaste” dito a Deus na cruz, mostrando alguma fraqueza, ao mesmo tempo em que apresentava uma mansuetude no geral?

A respeito da perfeição dele na época da construção da Terra, não é uma hipótese, porque se Jesus trabalhou na organização da vida terrena, já possuía os valores relativos ao nosso entendimento. Quanto à questão dos vendilhões do templo, não podemos levar ao pé da letra o que está escrito. Recordando o fato de que Jesus falava em aramaico, uma língua muito pobre em vocábulos, e que o que temos hoje representa uma síntese, feita por São Jerônimo, de todos os escritos que foram recolhidos sobre ele, então não podemos falar em fúria.

Sobre a fraqueza, na verdade, Jesus recitava um salmo de Davi naquele momento, era a hora da prece. Portanto, não existe variedade de comportamento nele, Jesus era austero sem subjugar as pessoas, era respeitado e amado, como são as grandes almas voltadas para o bem.

Temos relatos sobre a infância de Jesus até por volta dos 12 anos de idade e, em seguida, encontramos um período não esclarecido de sua vida, que vai até próximo dos 30 anos.


- Existem relatos escritos sobre estes “anos desaparecidos”? O que ele ter ia feito nesse período?

O evangelho realmente só se refere a Jesus na infância e em sua última aparição, aos 12 anos, no templo de Jerusalém. Depois, ele reaparece como homem feito. Todos os relatos que são feitos do período do desaparecimento são hipotéticos.

O que sabemos a respeito é o que os Espíritos nos dizem, isto é, que Jesus levou uma vida normal.

- Há alguma informação no sentido de que Jesus voltar á a encarnar, como afirmam outras religiões?

Não há nenhuma notícia de que Jesus voltará a encarnar, mas ele prometeu que prepararia um lugar para todos e que era o caminho que conduziria para esse local.

- Que conclusão podemos tirar do fato de Jesus ter ressuscitado depois de três dias?

Trabalhando na organização do planeta, Jesus conhecia as leis que o regem.

Se hoje nós temos médiuns que se desmaterializam e voltam a se materializar, equivalendo a dizer que há uma desagregação molecular, ou também fenômenos de transporte, com a matéria transpondo-se através de matéria, sem que haja ainda uma explicação de nossa ciência para isso, Jesus podia manipular a matéria conforme a sua vontade. Aliás, foi o que aconteceu em Nazaré. Ele estava sendo pressionado pela multidão para um precipício, então simplesmente desapareceu e ressurgiu junto aos discípulos, que estavam atrás dela. Sem contar quando caminhou sobre as águas, no fenômeno de levitação. E se Jesus podia curar cegos, aleijados e leprosos ou expulsar Espíritos, poderia fazer o que quisesse com seu próprio corpo.

- Jesus precisou contar com o apoio de Espíritos desencarnados durante o tempo em que esteve aqui na Terra?

Ele é o Senhor dos Espíritos, então, todos nós o servimos. Vendo dessa forma, ele precisa da gente, não é? Portanto, cada vez que você é convocado para ser atencioso com alguém, ser gentil com seus pais e irmãos, alimentar um faminto ou atender um enfermo, você está a serviço de Jesus.

Entrevista com Ana Guimarães, do livro Jesus e o Espiritismo, de Victor Rebelo.

domingo, 3 de março de 2013

Deus


Deus é um princípio fundamental para a Doutrina dos Espíritos. "Não há vida, realidade, inteligência senão pela vontade de Deus" (Leocádio J. Correia, 25/09/82). Deus é a causa primeira de todas as coisas (Allan Kardec).

Para o Espiritismo, o entendimento que os homens tem de Deus não está pronto nem é definitivo, está em constante evolução. O conceito de Deus modifica-se com o tempo, resultado de ampliações sucessivas de um conceito inicial, de abordagens complementares que destacaram aspectos diferentes de Deus não considerados até então, e, também, de visões contraditórias que expuseram as limitações de explicações utilizadas em determinado momento. A compreensão de Deus, alcançada por uma pessoa é a possível em face do seu conhecimento e do conhecimento do seu grupo social.

A tradição judaico-cristã é um exemplo. Moisés alcançou a ideia de um Deus que, não sendo mais voluntarioso, estabelecia um contrato, um conjunto de regras a serem obedecidas pelo seu povo. Amós compreendeu que a relação de Deus com o homem seria, embora severa, justa (Deus de justiça). Oséas afirmou que Deus, na sua severidade, sabia perdoar os erros de seus filhos (Deus de perdão). O Deutero Isaías compreendeu que o Deus de Israel era o mesmo de toda a humanidade (Deus único). E Jesus traduziu em ações que todos são iguais perante Deus, e que o amor é a relação básica entre Deus e suas criaturas (Deus de amor).

A visão histórica mostra que vários conceitos de Deus, aceitos em um determinado período, foram sendo abandonados na medida em que deixaram de atender às expectativas das pessoas e de seus grupos sociais. Deus foi aos poucos deixando de ser um deus entre muitos deuses. Deixou de ser o Deus de um só povo, o que comandava os exércitos e esmagava seus inimigos. Deixou de ser o Deus imprevisível em suas ações, que a todos castigava. Deixou de ser o Deus que provocava medo e controlava a vida das pessoas. Deixou de ser o Deus de uma Igreja, refém de concepções doutrinárias e dogmáticas.

No entendimento do Espiritismo, Deus não se relaciona ao mágico, ao místico, ao divinal, ao sacro, ao infinito, ao absoluto. Deus não é matéria, nem energia. Ele não tem uma forma definida. Deus não está restrito a uma pessoa, por mais evoluída que seja, como Jesus. Deus não está no céu. Ele está nos seres mas não se confunde com eles; está nas coisas mas não se confunde com elas.

Deus não prescreve comportamentos, não determina um conjunto de regras a serem seguidas. Logo, não há desobediência à sua vontade, não há pecado. Deus não vigia, não fiscaliza. Ele não pune, não castiga, não determina ou executa sentenças.

Para o Espiritismo, Deus não aceita oferendas, sacrifícios ou promessas. Não concede graça, dom ou favores. Não intercede, não aceita pedidos, não protege alguém em especial. Deus não atua através de milagres.

Deus não está limitado à humanidade, ao planeta Terra ou à Via Láctea. Deus abrange todas as coisas, todos os seres vivos, inteligentes ou não, encarnados ou desencarnados do Universo. Deus se estende pelo Cosmo e o mantém (o Universo organizado e ordenado) — Deus Cósmico.

Para a Doutrina Espírita, o Universo é estruturado, as coisas não ocorrem ao acaso. Em tudo há causalidade, inteligibilidade, significado, padrão. Deus, para o Espiritismo, é a Inteligência Suprema (Allan Kardec).

O objetivo do ser é a evolução, a ampliação de sua consciência através da aquisição de conhecimentos. Ao construir a sua trajetória de vida, o ser inteligente amplia a sua percepção e compreensão da natureza, das coisas, das pessoas, de si mesmo, do Cosmo, da estruturação inteligente do Universo e, em consequência, o seu entendimento de Deus. Deus torna-se evidente na Harmonia de tudo o que existe. Ao se fazer identidade com o Cosmo, se faz identidade com Deus, pois os seres, as coisas, as relações, a harmonia do Universo representam Deus. Dessa forma, Deus é a totalidade.

A estruturação inteligente do Universo é ampla, plural, variada, abrangendo o número de consciências do universo. O Livre-Arbítrio é parte fundamental do Cosmo e as infinitas possibilidades que surgem de seu exercício estão contidas na estruturação inteligente do Universo.

A compreensão que o ser vai tendo do Cosmo é construída gradativamente e é expressa através de sínteses parciais, limitadas, incompletas. Algumas dessas sínteses parciais foram chamadas de leis de Deus, e muitas vezes entendidas como uma prescrição que deveria ser obedecida de forma rígida, como uma ordem direta de Deus que os homens não deveriam discutir. Com o tempo, no entanto, passou a ser vista como a expressão de uma compreensão, como uma aproximação do entendimento da estrutura inteligente do Universo. As chamadas leis não são prescrições, mas entendimentos. A identidade com Deus não se faz, portanto, pela obediência, mas através de conhecimento, entendimento, sabedoria, consciência.

Todos os seres se relacionam com Deus tal como as criaturas com o Criador. Na medida em que evoluem, ampliam a sua consciência dessa unidade criatura-Criador. Todos os seres criam expressando Deus e nesse sentido pode-se compreender que Deus está presente em todos os seres (Deus onipresente). Pode-se compreender, também, que Deus é consciente através da consciência de todos os seres do universo (Deus onisciente). E, por fim, Deus faz, age, constrói através de suas criaturas. Elas são instrumentos do amor, da justiça, verdade, da evolução. A estruturação inteligente é operada pelas suas criaturas (Deus onipotente)

"Deus é vida, paz, amor, compreensão, inteligência, justiça, caridade suprema, ...onipotência, onipresença, onisciência, verdade universal" (L.J.Correia, 25/09/88).

Deus é a expressão da vida, Deus é a dinâmica da vida. Deus é a unidade que se revela todos os dias quando nos procuramos (Antônio Grimm).


Fonte: SBEE (Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas)
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