sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

O Arauto Pitágoras



Profeta, místico, filósofo, astrônomo e matemático grego nascido em Sámos, na ilha jônia de Sámos, na Anatólia, cidade rival comercial e a cerca de 50 km de Mileto, numa das ilhas do norte do arquipélago do Dodecaneso, próxima às hoje costas turcas, Ásia Menor. Fundador da Escola de Crotona, responsável pela descoberta dos números irracionais, o maior feito teórico dos pitagóricos e do famoso Teorema de Pitágoras: em um triângulo retângulo o quadrado da hipotenusa é a soma dos quadrados dos catetos. Criador da chamada irmandade pitagórica, de natureza essencialmente religiosa, pioneiro do conceito de que a Terra era redonda e que o sol era o centro do universo.

Filho de Mnesarco, um rico comerciante de Sámos, foi contemporâneo de Buda (563-483 a. C.), Confúcio (551-479 a. C.), Lao-Tsé (século VI a. C.) e do Faraó Amasis (570-526 a. C.). Interessado em ciência e filosofia, viajou, ao que parece, pelo Egito, Fenícia, Babilônia, Índia e Pérsia e visitou santuários gregos. Como Tales (624-548 a. C.) e influenciado pela sua escola, embora não se saiba se algum dia se encontraram, estudou geometria no Egito, astronomia na Babilônia e na Índia, adquiriu mais conhecimentos de matemática e astronomia e também muitas ideias religiosas.

Esteve no Egito e na sua volta a terra natal (532 a. C.) por aversão à tirania de Polícrates, tirano em Samos (537-522 a. C.) e, defensor de atitudes idealistas na ciência e na filosofia, deixou a ilha e estabeleceu-se em Crotona (530 a. C.), na Magna Grécia, hoje sul da península Itália, onde fundou uma sociedade comunitária secreta (540 a. C.) voltada para o estudo da Filosofia, das Ciências Naturais e da Matemática, além de vegetariana, cujos membros alimentavam-se a base de feijões-lentilhas e abstenção total de carne. Esta sociedade tinha bases matemáticas e filosóficas e, ao mesmo tempo religiosa, de tendências aristocráticas, onde o estudo da matemática e da filosofia era a base moral para a conduta e onde seus membros eram proibidos de aceitarem pagamentos em caso de partilhar seus conhecimentos com outros e que visava à reforma social e política da região.

Rapidamente, os membros dessa sociedade apaixonaram-se pelos números e pelas formas, passando a vê-los por toda a parte e concluindo que o Universo era regido por uma inteligência superior, essencialmente matemática. Os pitagóricos dedicaram-se à ciência de forma anônima, assinando todos os trabalhos em nome da fraternidade pitagórica ou simplesmente Pitágoras.

Defendia o princípio de que a origem de todas as coisas estava nos números, o atomismo numérico, ou seja, adotava os números como expressão da razão absoluta. Por exemplo, o espaço e o tempo eram pensados como consistindo de pontos e instantes. Na Geometria deram demonstração geral a vários teoremas, em especial ao que veio a ser denominado Teorema de Pitágoras, conhecido, sem prova, séculos antes, por egípcios, chineses e mesopotâmios. Descobriram os números amigos e números perfeitos, sabiam somar progressões aritméticas e conheciam o cubo, o tetraedro e o dodecaedro. Lembrar que o octaedro e o icosaedro foram descobertos dois séculos depois, por Taeateto.

A irmandade foi desfeita por uma conspiração que pôs fim a sua hegemonia em grande parte da Magna Grécia. Alguns discípulos emigraram e o próprio criador foi desterrado para Metaponto, onde morreu.

Na religião, como crença religiosa fundamental, ensinava a transmigração das almas. Pode ser considerado como um reformador religioso que realizou uma modificação fundamental na doutrina órfica, transformando o sentido da via de salvação e no lugar do deus Dioniso colocou a matemática. A ideia de que a Matemática trata de conceitos abstratos, acima da realidade física, a crença em que o mundo físico pode ser estudado através da Matemática e a concepção de Deus como o Grande Arquiteto do Universo são legados pitagóricos que sobrevivem até hoje. Além dos feito teóricos dos pitagóricos, o seu mérito máximo consistiu em haverem provocado uma verdadeira epidemia de interesse pela Matemática, que contagiou a maioria das cidades-estados da Grécia de então.

O Pensamento Filosófico de Pitágoras:

“Honra em primeiro lugar os deuses imortais, como manda a lei.
A seguir, reverencia o juramento que fizeste.
Depois os heróis ilustres, cheios de bondade e luz.
Homenageia, então, os espíritos terrestres e manifesta por eles o devido respeito.
Honra em seguida a teus pais, e a todos os membros da tua família.
Entre os outros, escolhe como amigo o mais sábio e virtuoso.
Aproveita seus discursos suaves, e aprende com os atos dele que são úteis e virtuosos.
Mas não afasta teu amigo por um pequeno erro,
Porque o poder é limitado pela necessidade.
Leva bem a sério o seguinte: Deves enfrentar e vencer as paixões:
Primeiro a gula, depois a preguiça, a luxúria, e a raiva.
Não faz junto com outros, nem sozinho, o que te dá vergonha.
E, sobretudo, respeita a ti mesmo.
Pratica a justiça com teus atos e com tuas palavras.
E estabelece o hábito de nunca agir impensadamente.
Mas lembra sempre um fato, o de que a morte virá a todos;
E que as coisas boas do mundo são incertas, e assim como podem ser conquistadas, podem ser perdidas.
Suporta com paciência e sem murmúrio a tua parte, seja qual for,
Dos sofrimentos que o destino determinado pelos deuses lança sobre os seres humanos.
Mas esforça-te por aliviar a tua dor no que for possível.
E lembra que o destino não manda muitas desgraças aos bons.
O que as pessoas pensam e dizem varia muito; agora é algo bom, em seguida é algo mau.
Portanto, não aceita cegamente o que ouves, nem o rejeita de modo precipitado.
Mas se forem ditas falsidades, retrocede suavemente e arma-te de paciência.
Cumpre fielmente, em todas as ocasiões, o que te digo agora:
Não deixa que ninguém, com palavras ou atos,
Te leve a fazer ou dizer o que não é melhor para ti.
Pensa e delibera antes de agir, para que não cometas ações tolas,
Porque é próprio de um homem miserável agir e falar impensadamente.
Mas faze aquilo que não te trará aflições mais tarde, e que não te causará arrependimento.
Não faze nada que sejas incapaz de entender.
Porém, aprende o que for necessário saber; deste modo, tua vida será feliz.
Não esquece de modo algum a saúde do corpo,
Mas dá a ele alimento com moderação, o exercício necessário e também repouso à tua mente.
O que quero dizer com a palavra moderação é que os extremos devem ser evitados. Acostuma-te a uma vida decente e pura, sem luxúria.”

Fontes:

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

O Arauto Platão


Platão nasceu em uma família aristocrata de Atenas. Filho de Ariston e de Perictione, Platão pertencia a uma família tradicional de Atenas e estava ligado, pelo lado materno, a figuras importantes do mundo político. Sua mãe descendia de Sólon, o grande legislador, era irmã de Cármides e prima de Crítias.

Além disso, num segundo casamento, sua mãe Perictone casa-se com Pirilampo, personagem de destaque da época de Péricles. O pai de Platão era descendente do rei Codro, o último rei de Atenas.

O local de nascimento de Platão é incerto. A grande maioria dos autores defende que o seu nascimento terá ocorrido em Atenas, mas poderá ter sido na ilha de Égina, como defendeu Diógenes Laércio, havendo ainda quem o considere tebano.

A possibilidade de ter nascido na ilha de Égina é reforçada pelo fato de seu pai, Ariston, ter liderado a colonização desta ilha pelos atenienses em 432/1 a.C.

Embora se saiba pouco sobre a infância de Platão, pensa-se que, pertencendo a uma família aristocrática, a sua educação seguiu os moldes educacionais gregos que então vigoravam seguramente preenchida com as atividades físicas e musicais que eram apanágio da antiga Paideia.

Desde jovem, Platão tinha ambições políticas, mas logo se decepcionou com a liderança política de Atenas. Platão se tornou discípulo de Sócrates, seguindo sua filosofia e aderindo ao método por ele utilizado: a busca da verdade através de perguntas, respostas e mais perguntas.

Platão encontrou Sócrates pessoalmente quando tinha vinte anos (e Sócrates sessenta e três). Após este encontro, e durante os oito anos seguintes, foi um fiel seguidor de Sócrates, assistindo às discussões em que Sócrates constantemente se envolvia, às acusação de que foi alvo e à sua condenação à morte.

Seu professor, Sócrates, não escreveu seus ensinamentos. Platão, como discípulo de Sócrates, escreveu muito dos ensinamentos que lemos dele. Porém, nos diálogos, Platão faz do personagem Sócrates porta-voz de seus próprios pensamentos, de modo que é difícil estabelecer quais são os ideais de Platão e quais são os de Sócrates.

Platão testemunhou o julgamento e a condenação de Sócrates, tendo sido acusado de corromper a mente dos jovens e não acreditar nos deuses. Após a execução de Sócrates, revoltado com a democracia Ateniense e talvez preocupado com sua própria segurança, e desiludido com a democracia ateniense, Platão abandona Atenas durante doze anos. Refugiou-se em Mégara com alguns amigos, num círculo de estudos em torno de Euclides, discípulo socrático e o pai da geometria, e aí permaneceu cerca de três anos. Foi para a Sicília e para o Egito, onde passou aproximadamente dez anos viajando.

Em 387, com seu regresso a Atenas, Platão fundou uma Academia, uma instituição tida como a primeira universidade da Europa. A Academia oferecia um currículo de matérias tais como astronomia, biologia, ciências políticas e filosofia. Aristóteles foi o aluno mais famoso da Academia. A Academia de Platão se manteve em funcionamento por mais de novecentos anos.

Em 367 Platão retornou a Sicília tentando influenciar a política local com seus ideais, mas logo voltou a Academia em Atenas onde passou o resto de sua vida, com exceção de algumas viagens, onde ensinava e escrevia. Platão faleceu em 347 a .C., com oitenta anos de idade.

A sua obra conta com 28 diálogos (alguns historiadores dizem que foram 30) basicamente centrados em Sócrates, onde procura definir noções como a mentira (Hípias menor), o dever (Críton), a natureza humana (Alcibíades), a sabedoria (Cármides), a coragem (Laques), a amizade (Lísis), a piedade (Eutífron) e a retórica (Górgias, Protágoras).

Entre 387 e 361 AC, escreveu Menexeno, Ménon (sobre a virtude), Eutidemo (sobre a erística), Crátilo (sobre a justeza dos nomes), O banquete (sobre o amor), Fédon, a república (sobre a justiça), Fedro, Teeteto (sobre a ciência) e Parmênides. Os diálogos da maturidade são O sofista (sobre o ser), O político, Timeu (sobre a natureza), Crítias (sobre Atlântida), Filebo (sobre o prazer) e As leis. O filósofo também deixou algumas cartas.

Escrevendo em grego foi o criador do platonismo, doutrina caracterizada principalmente pela teoria das idéias e dos números e pela preocupação com os temas éticos, com base no conhecimento das verdades essenciais que determinam a realidade visando toda meditação filosófica ao conhecimento do Bem, conhecimento este que supunha suficiente para a implantação da justiça entre os estados e entre os homens.

Seu pensamento foi absorvido pelo cristianismo primitivo, dominando a filosofia cristã antiga e medieval, e, junto com seu mestre e amigo Sócrates e o discípulo Aristóteles, lançou os alicerces sobre os quais se assentaria as bases de toda a filosofia ocidental.


Fontes:

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

A Música e o Espírito: Adagio – Secret Garden

Um destaque para o “Secret Garden” e mais uma das suas “new ages” marcantes.

Dessa vez em uma magistral performance ao vivo com a canção “Adagio”, que está no álbum “Songs from a Secret Garden”, lançado em 1996.



terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Sócrates e o Espiritismo


Sócrates e Platão, precursores da ideia cristã e do Espiritismo


Do fato de haver Jesus conhecido a seita dos essênios, fora errôneo concluir-se que a sua doutrina hauriu-a ele na dessa seita e que, se houvera vivido noutro meio, teria professado outros princípios. As grandes ideias jamais irrompem de súbito. As que assentam sobre a verdade sempre têm precursores que lhes preparam parcialmente os caminhos. Depois, em chegando o tempo, envia Deus um homem com a missão de resumir, coordenar e completar os elementos esparsos, de reuni-los em corpo de doutrina. Desse modo, não surgindo bruscamente, a ideia, ao aparecer, encontra espíritos dispostos a aceitá-la. Tal o que se deu com a ideia cristã, que foi pressentida muitos séculos antes de Jesus e dos essênios, tendo por principais precursores Sócrates e Platão.

Sócrates, como o Cristo, nada escreveu, ou, pelo menos, nenhum escrito deixou. Como o Cristo, teve a morte dos criminosos, vítima do fanatismo, por haver atacado as crenças que encontrara e colocado a virtude real acima da hipocrisia e do simulacro das formas; por haver, numa palavra, combatido os preconceitos religiosos. Do mesmo modo que Jesus, a quem os fariseus acusavam de estar corrompendo o povo com os ensinamentos que lhe ministrava, também ele foi acusado, pelos fariseus do seu tempo, visto que sempre os houve em todas as épocas, por proclamar o dogma da unidade de Deus, da imortalidade da alma e da vida futura. Assim como a doutrina de Jesus só a conhecemos pelo que escreveram seus discípulos, da de Sócrates só temos conhecimento pelos escritos de seu discípulo Platão. Julgamos conveniente resumir aqui os pontos de maior relevo, para mostrar a concordância deles com os princípios do Cristianismo.

Aos que considerarem esse paralelo uma profanação e pretendam que não pode haver paridade entre a doutrina de um pagão e a do Cristo, diremos que não era pagã a de Sócrates, pois que objetivava combater o paganismo; que a de Jesus, mais completa e mais depurada do que aquela, nada tem que perder com a comparação; que a grandeza da missão divina do Cristo não pode ser diminuída; que, ao demais, trata-se de um fato da História, que a ninguém será possível apagar. O homem há chegado a um ponto em que a luz emerge por si mesma de sob o alqueire. Ele se acha maduro bastante para encará-la de frente; tanto pior para os que não ousem abrir os olhos. Chegou o tempo de se considerarem as coisas de modo amplo e elevado, não mais do ponto de vista mesquinho e acanhado dos interesses de seitas e de castas.

Além disso, estas citações provarão que, se Sócrates e Platão pressentiram a ideia cristã, em seus escritos também se nos deparam os princípios fundamentais do Espiritismo.


Trecho extraído da introdução de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Allan Kardec.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

O Arauto Sócrates



Sócrates - (470-399 a.C). A biografia de Sócrates é contada por Xenofonte e Platão principalmente nos livros “Apologia de Sócrates” e “Ditos e Feitos Memoráveis de Sócrates”, do primeiro e “Apologia de Sócrates e Fédon”, do segundo. Era Ateniense, filho de uma parteira chamada Fenarete, e de um escultor, chamado Sofronisco. Recebeu uma educação tradicional e desde a juventude interessou-se pela filosofia. Conhecia o pensamento anterior e contemporâneo dos filósofos gregos e interessava-se pela conversa em locais públicos. Fazia muitas andanças conversando nas praças e mercados. Participou do movimento de renovação da cultura e foi um educador popular. Nunca trabalhou e só pensava no presente. Muitas vezes, só comia quando seus discípulos o convidavam para suas mesas. Foi casado com Xantipa, mas não parava em casa. Teve três filhos. Participou, como soldado, de incursões militares como as de Potidéia, Delos e Anfipólis. Recebeu reconhecimento por alguns feitos de bravura, como quando salvou Xenofonte (ou segundo outras fontes Alcibíades), tombado, com seu próprio corpo.

De inicio, interessava-se pelos ensinamentos dos filósofos da natureza, como Anaxágoras, mas depois revoltou-se contra eles, pois eles haviam sido filósofos físicos, que procuravam respostas nas causas exteriores e gerais da natureza. Achava que existe algo mais digno para se estudar, existe a psyche, ou a mente do homem. Por isso, sondou a alma humana , em questões como a da facilidade de justiça dos atenienses, porque esses lidam com tanta facilidade com a vida e a morte, honra, patriotismo, moralidade. Em que se baseiam? E o que entendem por eles próprios? Assim descobriu que o homem é sua alma, e não o corpo, pois o que manipula o corpo é a alma. Foi contra os sofistas, por achar que a verdade é apenas uma, e condenavam seu relativismo.

Sócrates usava nas suas conversas com os cidadãos um método chamado maiêutica, que consiste em forçar o interlocutor a desenvolver seu pensamento sobre uma questão que ele pensa conhecer, e po-lo em contradição. Tem uma frase famosa "Só sei que nada sei". Já a frase "Conhece-te a ti mesmo", apesar de muitas vezes a ele atribuída, era um dos pilares da sabedoria grega, sendo por isso inscrita no pórtico do Oráculo de Delfos. O verdadeiro filósofo sabe que sabe muito pouco, e ele se autodenominava assim. A palavra filosofia significa amizade ao saber. As etapas do saber seriam: ignorar sua ignorância, conhecer sua ignorância, ignorar seu saber e conhecer seu saber. As opiniões não são verdades, pois não resistem ao diálogo crítico. Conversar com Sócrates podia ser expor-se ao ridículo, e ser apanhado numa complexa linha de pensamento exposta através de palavras, ficar totalmente envolvido. No diálogo Teeteto de Platão, compara sua atividade à de uma parteira (como sua mãe), que embora não desse a luz a um bebê, ajudava no parto.

Achava que a principal tarefa da existência humana era aperfeiçoar seu espírito. Acreditava ouvir uma voz interior, de natureza divina (um daimon), que lhe contava a verdade, e para ele só existia um deus. Era capaz de ficar horas imerso em si mesmo, em profundos momentos de reflexão. Não foi por acaso que a Pítia, do oráculo de Delfos, o proclamou como o homem mais sábio de Atenas quando o amigo de juventude de Sócrates, Querefonte, foi interrogá-la. Sócrates foi convidado para o Senado dos quinhentos, e manifestou sua convicção de liberdade combatendo as medidas que considerava injustas. A democracia estava se implantando em Atenas, e Sócrates respondia qual era o melhor Estado, como poderia se salvá-lo. Os homens mais sábios deviam governá-lo, pois eles podem controlar melhor seus impulsos violentos e antissociais. Assim, nos afastaríamos do comportamento de um animal.

O Estado não confiava na habilidade e reverenciava mais o número do que o conhecimento. Portanto, Sócrates era aristocrático, pois há inteligência que baste para se resolver os assuntos do Estado.

A reação do partido democrático de Atenas não poderia ser outra. Em um júri de cinquenta pessoas, foi acusado, condenado por negar os deuses do Estado e por "perverter a juventude de Atenas". Muitos jovens seguiam Sócrates, e tornavam-se seus discípulos. Anito, um líder democrático tinha um filho discípulo de Sócrates, que ria dos deuses do pai, voltava-se contra eles. Sócrates foi considerado, aos setenta anos, líder espiritual do partido revoltoso. Foi condenado a morte, e devia tomar cicuta (um veneno). Podia ter fugido da prisão, ou pedido clemência, ou ter saído de Atenas, mas não quis. Assim, se tornou o primeiro mártir da filosofia. Não deixou nenhuma obra escrita.

Ele ensinava que a boa conduta era aquela controlada pelo espírito e que as virtudes consistiam na predominância da razão sobre os sentimentos. Introduziu a ideia de definir os termos, pois, "antes de se começar a falar, era preciso saber sobre o que é que se estava falando."

Para Sócrates, a virtude supõe o conhecimento racional do bem. Para fazer o bem, basta, portanto, conhecê-lo.

Todos os homens procuram a felicidade, quer dizer, o bem, e o vício não passa de ignorância, pois ninguém pode fazer o mal voluntariamente.


Fontes: 

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Mensagem da Semana


Ouça a Mensagem

*Voz de Chico Xavier


Louvor e Súplicas



Deus de eterna bondade!

Em prece de louvor entrego-Te minh’alma!

Sê bendito, meu Pai, por todos os recursos, ferramentas, processos e medidas os quais Te utilizastes, a fim de que eu perceba que tudo devo a Ti.

Agradeço-Te, pois, o tesouro da vida, a presença do amor, a constância do tempo, o sustento da fé, o calor da esperança que me acena o porvir.

O santo privilégio de servir, o pensamento reto que me faz discernir o que é mal e o que é bem na clara obrigação de nunca desprezar ou de ferir alguém.

Agradeço-Te ainda a visão das estrelas a esmaltarem de glória o lar celeste, as flores do caminho, os braços que me amparam, os gestos de carinho dos corações queridos que me destes.

Por tudo Te agradeço e quando Te aprouver despojar-me dos bens com que me exaltas, ensina-me Senhor a devolver tudo que me emprestaste, mas por piedade oh Pai!, deixa-me em tudo por apoio e dever, a benção de aceitar e o dom de compreender.


Maria Dolores

Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

O Confucionismo


Conhecido pelos chineses como Junchaio (ensinamentos dos sábios), o Confucionismo tem como princípio básico à busca do Caminho (Tao), que garante o equilíbrio entre as vontades da terra e as do céu.

Tendo em vista que o Confucionismo trata primariamente de condutas morais e de ordem social, esta religião é frequentemente categorizada como um sistema ético e não como uma religião. Em sua visão de reforma, Confúcio advogava justiça para todos como o fundamento da vida em um mundo ideal, onde os princípios humanos, cortesia, piedade filial, e virtudes da benevolência, retidão, lealdade e a integridade de caráter deviam prevalecer. Porém, deve-se atentar às perspectivas do povo chinês na época de Confúcio, e observar as influências que ele trouxe, as quais não se limitam a uma esfera ética.

No Confucionismo não existe igrejas, clero, ou credo. Entretanto, a religião influencia as formas de pensamento, educação e governo do povo chinês.


Princípios da Doutrina Confucionista

As doutrinas confucionistas podem ser resumidas em seis palavras-chaves:

1. Jen - humanitarismo, cortesia, bondade, benevolência. É a norma da reciprocidade, ou seja, "não faça aos outros o que você não gostaria que lhe fizessem." Esta é a virtude mais elevada do Confucionismo. Segundo ensinam, se o homem colocá-la em prática, ele poderá viver em paz e em harmonia com as outras pessoas (Anacletos 15:24). Porém, desde o princípio da humanidade, o gênero humano nunca foi por si próprio, ou pelo seu esforço, capaz de estabelecer esta paz ou harmonia. O exemplo vê na história antiga e contemporânea: Egito, Babilônia, Grécia, Roma, I & II Guerras Mundiais, Bósnia, Ruanda, Iraque, e a lista não teria fim.

2. Chun-tzu - homem superior, virilidade. Segundo Confúcio, o homem para ser perfeito deve ter humildade, magnanimidade, sinceridade, diligência e amabilidade. Somente assim, ele poderá transformar a sociedade em um estado de paz. Porém, a realidade do ser humano é outra. O homem natural é egoísta, soberbo e mal contra seu próximo. Isso podemos contemplar com os nossos olhos dia-a-dia, sem mencionar as injustiças e atrocidades contra os direitos humanos no Holocausto e na Praça Tiananmem em Beijing.

3. Cheng-ming - Retificação dos nomes. Este conceito ensina que para uma sociedade estar em ordem, cada cidadão deveria ter um título designativo ou um papel, e afirmar-se neste papel no esquema da vida. O rei, atuando como rei, o pai como pai, o filho como filho, o servo como servo. (Anacletos, 12:11; 13:3)

4. Te - poder, autoridade. Confúcio ensinava que a virtude do poder, e não a força física era necessária para dirigir qualquer sociedade. Todo governante, segundo ele, deveria ter esta autoridade para inspirar seus súditos à obediência. Este conceito perdeu-se durante o tempo de Confúcio, dado à predominância das guerras e sobrepujança das dinastias entre si.

5. Li - padrão de conduta exemplar, propriedade, reverência. Este conceito é tratado no Livro das Cerimônias (Li Ching), um dos Cinco Clássicos. Segundo Confúcio, cada governante deveria ser benevolente, proporcionar um bom padrão de vida para o povo e promover a educação moral e os ritos. Sem esta conduta, o homem não saberia oferecer a adoração correta aos espíritos do universo, não saberia estabelecer a diferença entre o rei e o súdito, não saberia a relação moral entre os sexos, e não saberia distinguir os diferentes graus de relacionamento na família (Li Ching, 27). Como exemplo perfeito de benevolência, ele exaltava o legendário Imperador Yao e seu sucessor, o Imperador Shun, os quais foram renomeados e constituíram, como diziam, "uma idade de ouro da antiguidade".

6. Wen - artes nobres, que inclui: música, poesia e a arte em geral. Confúcio tinha uma grande estima pela arte vinda do período da Dinastia Chou, e considerava a música como a chave da harmonia universal. Ele acreditava que toda expressão artística era símbolo da virtude e que deveria ser manifesta na sociedade. "Aqueles que rejeitam a arte, rejeitam as virtudes do homem e do céu" (Anacletos, 17:11, 3:3). Para Confúcio, a música era um reflexo do homem superior e espelhava seu caráter verdadeiro.

Segundo a doutrina de Confúcio, o ser humano é composto por quatro dimensões:

1 - O eu
2 - A comunidade
3 - A natureza
4 - O céu (fonte da auto-realização definitiva)


As cinco virtudes essenciais do homem são:

1 - O amor ao próximo
2 - A justiça
3 - O cumprimento das regras adequadas de conduta
4 - A autoconsciência da vontade do "Céu"
5 - A sabedoria e sinceridade desinteressadas

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

O Arauto Confúcio


Considerado um dos mais importantes filósofos chineses, Confúcio (551-479 a.C.) nasceu onde hoje fica a província Xantung, no nordeste da China. Seu pai morreu quando ele tinha apenas três anos de idade e, por isso, ele e sua mãe chegaram até a passar algumas dificuldades. Ele foi professor e estudou história e arqueologia e chegou a visitar Lao Tzu, quando este trabalhava nos arquivos da corte na província de Honan. Embora influenciado por Lao Tzu e pelo Taoísmo, K’ung Fu-Tzu decidiu seguir um caminho alternativo. A sua filosofia não está tão preocupada com a vida após a morte, como os hinduístas ou taoistas, por exemplo, e sim mais voltada às relações harmoniosas entre as pessoas, os membros da família ou mesmo na sociedade.

Seguindo carreira como filósofo da corte, K’ung exortou os governantes chineses a ”governarem pela virtude interior” para ganhar o respeito de seus súditos e dar um exemplo para que as pessoas pudessem seguir. O Sábio chinês não aprovava a tirania e acreditava que o Estado existe para benefício do povo, e não o contrário. Como escritor, K’ung compilou poemas, estórias e lendas e as reuniu numa série de livros que ainda hoje sobrevivem como clássicos da literatura chinesa. Entre eles estão o Livro dos Poemas, o Livro da História, o Livro das Etiquetas e o Livro das Mutações (o I Ching).

Confúcio: um dos mais influentes sábios chineses. Hoje, sua filosofia é seguida por cinco milhões de pessoas. (Suposto retrato do filósofo Kongfuzi ou Confúcio, na versão latinizada do nome chinês).

Depois de sua morte, seus escritos continuaram a ser lidos e influenciaram muita gente. Ele acabou sendo descoberto pelos europeus, que publicaram seus trabalhos sob o nome latinizado de Confúcio.

O Confucionismo é hoje uma religião praticada por cinco milhões de pessoas, a maioria delas na Ásia. Ocupa o sexto lugar entre as fés mais seguidas no mundo, embora seja mais um sistema ético do que uma religião. Os princípios do Confucionismo incluem, entre outros, o respeito em relação à família e à sociedade, a fidelidade aos dirigentes e deferência aos superiores, a justiça moral e social e virtude suprema de altruísmo e benevolência.


Fonte: Biografia UOL Educação

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Atualidades Espíritas


O Espírita perante o Sofrimento


Por Miguel Vives


Sabemos que a Terra é lugar de expiação e dor, como sabemos que a dor purifica e eleva. A dor é um dos meios pelos quais progredimos mais rapidamente. Como, pois, devemos encarar as dores e os sofrimentos físicos da vida? Com calma, resignação, e até com alegria, lembrando sempre que a dor é o caminho mais rápido para a nossa ascensão às mais altas regiões, e o meio mais seguro de afastar-nos das veleidades humanas.

Temos visto espíritas que souberam sofrer com resignação e alegria. Embora nos momentos de paroxismo da dor estivessem quietos e sérios, e às vezes cansados, o que é muito natural, uma vez passados esses momentos estavam relativamente tranquilos e alegres. E quando a doença lhes dava tréguas, mostravam-se expansivos e dispostos a exaltar a Justiça de Deus. Foram poucos os que vimos. Mas os que desencarnaram, e dos quais pudemos saber posteriormente, mostravam-se sempre num estado muito feliz no mundo espiritual, satisfeitos por haverem sabido sofrer com serenidade as dores da existência material.

Vimos outros espíritas que, embora aparentassem resignação, também choravam e lamentavam seus muitos sofrimentos. Entendo que esses espíritas não andavam bem, e não estavam livres de cair. Porque a tristeza engendra o mau humor, que pode dar lugar à murmuração contra o destino. E quando chegamos à murmuração, estamos a um passo da revolta. Um espírita nesse estado revela atraso moral e desconhecimento da lei divina. Que diríamos de um comerciante que reclamasse de ter muitos negócios a realizar, ganhando muito dinheiro? Diríamos que era um mau comerciante, incapaz de aproveitar as boas oportunidades. Assim são os espíritas que, diante das dores da vida, se entristecem ou se atribulam, e às vezes se revoltam.

O espírita deve encarar a existência material como um curso de provas de toda espécie: físicas e morais, que servem para levá-lo a um verdadeiro progresso. Nunca deve confundir essa existência com a verdadeira vida, mas encará-la como um período de estudos e provas, em que se prepara com vistas a esta última, que se encontra na erraticidade. Cada dia que passamos na carne corresponde a milhares de anos que iremos viver no Espaço. Que significam, pois, estes pequenos períodos que chamamos de vida material, diante da vida espiritual que nos aguarda? Se a lei nos obriga a sofrer, porque nada na Criação escapa à Justiça, devemos fazê-lo com a maior serenidade. Pois sabemos que isso constitui para nós um grande bem, e que chegamos à hora de provar se o Espiritismo mergulhou em nosso interior ou se permanece apenas superficial. Se é superficial, não podemos chamar-nos espíritas. Se estiver arraigado no mais fundo de nossa alma, saberemos encarar as provas e dores da existência como necessárias, e honraremos a doutrina que professamos.

Nenhum espírita deve duvidar que no Reino de Deus não se entra de surpresa, nem se atinge a felicidade senão depois da purificação. Assim é que as comodidades, as alegrias mundanas, os gozos da Terra, não são os caminhos indicados para alcançarmos a felicidade no espaço. Também não deve duvidar que, quanto mais próximo se acha da sua felicidade espiritual, mais submetido será a todas as provas terrenas. Basta recordar a vida dos mártires, dos justos, dos humildes e dos bons, e compará-la com a maneira de viver dos grandes do mundo, dos opulentos, dos potentados, para ver que enquanto os primeiros tem os olhos voltados para o futuro, os segundos não veem mais do que as delícias mundanas. Disso nos dá uma excelente prova o Senhor e Mestre, em seus mandamentos e em seus atos:

Bem-aventurados os que sofrem, porque deles é o Reino dos Céus.
Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados.
Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus.

Estas são as palavras do Senhor. Confiemos n’Ele. Sigamos seu exemplo. Todo espírita submetido a grandes dores mantenha-se forte, cheio de calma, de amor ao Pai, de resignação e de submissão à Justiça Divina. E se às vezes a tentação o envolver, que se defenda com a prece, com o amor pelos que sofreram antes dele, não esquecendo jamais que por trás da dor suportada com alegria e calma virá a felicidade na vida eterna.


Do livro “O Tesouro dos Espíritas, Guia Prático para a Vida Espírita”, de Miguel Vives.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

O Budismo e o Espiritismo


O Budismo no Mundo

Com mais de 400 milhões de adeptos no mundo, o Budismo, hoje, se divide em várias correntes. Três figuram entre as mais populares. Theravada é a forma mais ortodoxa do Budismo. Defende a ideia de uma vida monástica e austera para conduzir à iluminação. Essa tradição, mais popular no sudeste asiático e no Sirilanka, se reporta à figura de Siddhartha como único detentor da verdade. Seus adeptos procuram reproduzir, de maneira idêntica, a jornada espiritual de Buda até sua iluminação.

O Budismo Mahayana é uma dissidência da Theravada. Nessa linha, a iluminação pode ser alcançada por todos que se propuserem. As únicas exigências são ter um desenvolvimento adequado (vide Nobre Caminho Óctuplo) e praticar a compaixão e o amor aos semelhantes. Essa é a corrente mais popular do Budismo, principalmente em países como China, Japão e Coréia.

Já a corrente Vajrayana, conhecida também como Budismo Tibetano, é uma derivação do Mahayana. É a mais mística de todas. Possui adeptos no Tibet, Nepal e Butão.

Apesar do Budismo ter a sua origem na Índia, hoje, praticamente não se encontram mais seguidores de Siddhartha no país. Durante o reinado do Rei Asoka (274-237 a.C), budista convertido, deu-se inicio a um longo e pacífico convívio entre os seguidores de Buda e do Hinduísmo. O século XIII, porém, pode ser apontado como o fim do Budismo na Índia em decorrência da invasão muçulmana.

A Relação com a Doutrina Espírita

Tanto o Hinduísmo quanto o Budismo acreditam no ciclo reencarnatório como aprimoramento do espírito através da lei do carma apontada como a causa de nossos destinos. Buda acreditava que todos os homens podem atingir a sua iluminação independente de sua origem, o que contrariava os preceitos políticos e sociais da Índia, onde a sociedade era dividida, rigidamente em castas. No livro Plenitude, de Joanna de Angelis, psicografado pelo médium Divaldo Pereira Franco, a escritora faz uma interpretação espírita dos ensinamentos de Buda. Traça de maneira objetiva paralelos entre a visão oriental e o espiritismo.

Segundo o escritor e indólogo, Heinrich Zimmer (1890-1943), “o Buda em nenhum momento se refere à interferências metafísicas ou conclusões predefinidas, pois o seu método era estritamente psicológico”. Ainda na visão de Zimmer, reconhecido como um dos maiores estudiosos das filosofias indianas, o Budismo é uma terapêutica antes de uma religião. Um processo de cura espiritual para quem tiver determinação para segui-lo. Prova disso são os conceitos que moldam o caminho para a iluminação, prescrito por Siddhartha conhecido como as “Quatro Nobres Verdades”.

O Nobre Caminho Óctuplo

1- Compreensão correta: A pessoa deve ter um total entendimento das Quatro Verdades.
2- Pensamento correto: A pessoa deve se guiar através da boa vontade, renunciando aos prazeres mundanos.
3- Atitude correta: A pessoa nunca deve mentir ou se aproveitar de alguém.
4- Comportamento correto: A pessoa não deve se destruir ou prejudicar nenhum ser vivo.
5- Modo de vida correto: O modo de vida não deve trazer prejuízo a nada ou a ninguém.
6- Esforço correto: A pessoa deve refletir sempre antes de tomar uma decisão. Praticar ações nobres.
7- Desígnio correto: A pessoa deve observar, buscando sempre elevar o pensamento.
8- Meditação correta: Buscar a Paz interior através da meditação.

As Quatros Verdades do Budismo

1ª- A dor: O nascimento, a idade, a morte e os desejos, por si só, já implicam no sofrimento.

2ª- A origem de toda dor é o desejo: As pessoas buscam a felicidade efêmera sendo condenadas ao eterno ciclo reencarnatório.

3ª- Fim do sofrimento: A única maneira de cessar o sofrimento é acabar com o desejo.

4ª- A quarta verdade: Prega que a superação da dor só pode ser alcançada através de oito passos, conhecidos como “O Nobre Caminho Óctuplo”.


Fernando Savaglia

Do texto “O Caminho do Buda”, de autoria de Fernando Savaglia.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O Arauto Gauttama


O Príncipe

Siddhartha Gauttama nasceu em Lumbini, ao norte da Índia (hoje essa região pertence ao Nepal), no ano de 563 a.C. Ao nascer, o filho do rei Shudodhana foi apontado por sábios da região como um futuro homem santo. O jovem príncipe, herdeiro de grande fortuna, foi então protegido por seu pai, que tentava isolá-lo das mazelas da vida do lado de fora de seu palácio, tentando assim evitar o cumprimento da profecia.

Casado com Yashodora e pai do pequeno Rahula, Siddhartha, apesar do luxo e riqueza em que vivia, padecia de um enorme vazio em sua alma. Aos 29 anos de idade, contrariando seu pai, se aventurou a um passeio fora do palácio. Ao sair se deparou com um mundo inexistente para ele dentro dos muros da fortaleza em que vivia. A visão de um homem velho acaba por aumentar a angústia do príncipe. Indagando seu criado sobre a condição do ancião, obteve a resposta de que todos os homens iriam passar pela velhice. Ao ver um doente, perguntou ao mesmo criado o porquê do sofrimento daquele ser. A resposta foi a mesma da primeira pergunta, todos, em algum momento da vida, seriam vítimas de doenças. Quando vislumbrou um cadáver, entendeu que todos também passariam pela experiência da morte, provocando mais sofrimento nos entes queridos. Segundo os Upanishads, a última parte dos Vedas, (escrituras sagradas na qual se baseia o Hinduísmo), o homem estaria fadado ao samsara, eterno ciclo de morte e renascimento, a não ser que conseguisse renunciar às ações e ao mundo das ilusões externas atingindo assim a moksa, estado na qual a consciência se liberta das seguidas reencarnações.

Impressionado com a aparente serenidade de um Sadhu (iogues que seguem um caminho de austeridade, jejum e meditação para atingir a iluminação e assim quebrar o samsara), Siddhartha resolve assumir a condição de asceta, buscando as respostas que, segundo algumas interpretações do hinduísmo, eram destinadas apenas à aqueles que se iniciavam na prática da renúncia dos bens materiais e laços afetivos.

A Iluminação

Durante seis anos, como asceta experimentou todos os tipos de privações, chegando a ingerir como refeição um único grão de arroz por dia. Ao refletir sobre a ideia que a dor e a negação são a fonte da libertação, chegou à conclusão que era a mente quem comandava o corpo. O controle dela era a chave da iluminação e não o simples domínio do corpo. Voltou a se alimentar e passou a reprovar a ideia de que a mortificação do corpo o levaria aos seus objetivos.

Um dia, já com 35 anos, ele se sentou embaixo de uma figueira (esse local é hoje conhecido como Bodh Gaya, “o local da iluminação”), para meditar, determinado a não sair dali até atingir a iluminação. Assediado por Kama-Mara (deus indiano que representa o desejo e a morte) e seus filhos, Confusão, Alegria, Orgulho, Luxúria, Delícia e Futilidade, Siddhartha mantém-se impassível diante da tentativa de ser desviado de sua busca da realidade divina.

No Ocidente, a mitologia do famoso embate entre Siddhartha e Kama-Mara pode ser interpretada como a liberação dos medos e fantasias inerentes de todo ser humano. Apesar das investidas dos deuses, ele entra em êxtase divino e consegue acessar todas suas encarnações até aquela existência. Em seguida, é assolado por um profundo sentimento de compaixão para com todos os seres vivos que estão presos no ciclo de morte e renascimento.

Ainda naquela noite, atinge o oitavo estágio da meditação e torna-se um Buda (palavra em sânscrito que significa iluminado ou desperto). A partir daí, passou a pregar seus ensinamentos. Foram mais de 45 anos, até a sua morte em 483 a.C.


Fernando Savaglia

Trecho do texto “O Caminho do Buda”, de autoria de Fernando Savaglia.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Dicas do Manancial


Essas são as nossas indicações de leitura, música e filme do mês:


LIVRO: JESUS E GANDHI
AUTOR: JOSÉ CARLOS LEAL
















Sinopse do livro:

Gandhi, um hindu, conseguiu chegar mais perto dos ensinamentos de Jesus do que boa parte dos cristãos. Não se trata de algo fácil, pois a conquista do reino exige de cada um de nós mudanças significativas no sentido do bem. Esta obra apresenta fatos relevantes da vida de Gandhi e de Jesus Cristo, comparando suas ideias e práticas. Esse livro mostra ao leitor como é possível seguir Jesus mesmo no século XXI.




MÚSICA: ACREDITAR NO BEM – JACKSON E ALANA (MÚSICA ESPÍRITA)


















Doze canções que exaltam a fé e a força do bem em nossas vidas reunidas num trabalho do compositor, Jackson Pereira e belissimamente interpretadas em dueto com a sua parceira e irmã, Alana Pereira.

Os meus destaques vão para a canção título do álbum, “Acreditar no Bem”, além das faixas: “É só Querer”, "Luz da Minha Vida”, “Faça o Bem, serás Feliz”, “Jesus Cristo Salvador” e "Seja então Feliz". O CD pode ser adquirido em sites específicos como o Vitrine Espírita, clique aqui e confira.




FILME: QUEM SOMOS NÓS?
TÍTULO ORIGINAL: (WHAT THE BLEEP DO WE KNOW?)
LANÇAMENTO: 2004 (EUA)
DIREÇÃO: WILLIAM ARNTZ, BETSY CHASSE, MARK VICENTE.

















Um filme documentário que nos convida a reflexão profunda sobre o que é a realidade abordando questionamentos como “De onde viemos?”, “Por que estamos aqui?”, “Para onde Vamos?...

Sinopse:

Amanda (Marlee Matlin) está numa fantástica experiência ao estilo "Alice no País das Maravilhas" enquanto seu monótono cotidiano começa a se desmanchar. Esta situação revela o incerto mundo escondido por trás daquilo que se costuma considerar realidade. Amanda mergulha num turbilhão de ocorrências caóticas que revelam um profundo e oculto conhecimento do real. Ela entra em crise e questiona o sentido da existência humana.

Não deixe de conferir !

O filme foi lançado em DVD pela PlayArte.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Mensagem da Semana


Ouça a Mensagem

O Maior Mandamento


"Ama a Deus, com toda a tua alma, com todo o teu coração e com todo o teu entendimento! — eis o maior mandamento", proclamou o Senhor.

Entretanto, perguntarás, como amarei a Deus que se encontra longe de mim?

Cala, porém, as tuas indagações e recorda que, se os pais e as mães do mundo vibram na experiência dos filhos, se o artista está invisível em suas obras, também Deus permanece em suas criaturas.

Lembra que, se deves esperar por Deus onde te encontras, Deus igualmente espera por ti em todos os ângulos do caminho.

Ele é o Todo em que nos movemos e existimos.

Escuta a Lei Sublime do Bem e vê-Lo-ás sofrendo no irmão enfermo, esperando por tuas mãos; necessitado, no coração ignorante que te pede um raio de luz; aflito, na criancinha sem lar que te estende os braços súplices, rogando abrigo e consolação; ansioso, no companheiro agonizante que te implora a bênção de uma prece que o acalente para a viagem enorme; inquieto, no coração das mães que te pedem proteção para os filhinhos infelizes e expectante, nas páginas vivas da Natureza, aguardando a tua piedade para as árvores despejadas, para as fontes poluídas, para as aves sem ninho ou para os animais desamparados e doentes.

Amemos ao próximo com toda a alma e com todo o coração e estaremos amando ao Senhor com as forças mais nobres de nossa vida.

Compreende e auxilia sempre...

Serve e passa...

Quem se faz útil, auxilia a construção do Reino Divino na Terra e quem realmente ama a Deus, sacrifica-se pelo próximo, fazendo a vida aperfeiçoar-se e brilhar.


Emmanuel


Do livro Alma e Luz, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Os Dez Mandamentos e o Espiritismo


Muitas pessoas dentro do movimento espírita não dão o devido valor às Escrituras Sagradas (Bíblia). Isso porque apegam-se mais à letra do que ao espírito dos ensinos, como faziam os antigos religiosos, e como fazem muitos que professam outras religiões contemporâneas.

Porém, esta atitude preconceituosa contraria o que diz Allan Kardec, que deixa claro, no primeiro capítulo de "O Evangelho Segundo o Espiritismo", a importância do Velho e do Novo Testamento Bíblicos para que a Doutrina Espírita pudesse nos ser revelada.

"Não penseis que vim revogar a Lei ou os profetas: não vim revogar, vim para cumprir" (Mateus, V: 17 e 18)

Nesta passagem, Jesus deixa claro também que seus ensinamentos estariam baseados nos 10 Mandamentos da Lei de Deus, que foram trazidos ao homem por Moisés.

As leis trazidas por Moisés tinham dois aspectos: o humano e o divino.

O aspecto humano eram as leis feitas por ele para comandar cerca de 600 mil pessoas libertadas da escravidão e que seriam guiadas pelo deserto à chamada "terra prometida". Por isso, foi necessária a instituição de penas severas, pois o povo há 3700 anos era bem rebelde. Foi assim que foi instituída a Pena de Talião (olho por olho, dente por dente), visando controlar os ímpetos dos que quisessem dificultar o convívio entre mais de meio milhão de homens.

Já o aspecto divino são os Dez Mandamentos, que nada mais são do que o resumo da moral divina, e Moisés foi o escolhido para começar, aos poucos, a implantar esta ideia no seio do povo hebreu e Jesus, na passagem citada, reafirma a importância destes mandamentos, afirmando que veio para cumpri-los.

"Encontramos nesta Lei o princípio dos deveres para com Deus e para com o próximo, que constitui a base da Doutrina de Jesus Cristo" (Allan Kardec, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo 1).

Já Allan Kardec inclui os Dez Mandamentos e o Evangelho de Jesus como as duas primeiras grandes revelações feitas ao homem. Jesus e Moisés foram os maiores médiuns de que temos notícias, com seus efeitos físicos e curas sobre os quais a Doutrina hoje nos esclarece, através da compreensão dos fluidos, suas modificações e o poder da fé na administração dos mesmos.


Os Dez Mandamentos e a Atualidade – Uma Visão Espírita


Amar a Deus sobre todas as coisas x Materialismo

Somos levados a desprezar as coisas religiosas em benefício dos prazeres terrenos. O amor a Deus passou a ser visto como piegas e muitos de nós estamos somente interessados em buscar o que impressiona os olhos, e não o que faz bem ao espírito. Amar a Deus não significa ficar glorificando-O o dia todo, mas sim praticar seus ensinos, fazendo ao próximo o que desejamos para nós mesmos.

Não usar o nome de Deus em vão x Comércio Religioso

Assistimos vez por outra, hoje em dia, cenas deprimentes em que falsos religiosos comercializam os céus. Há promessas de quem der mais dinheiro, ou comprar artefatos supostamente sagrados, conseguirá o Reino de Deus.

Há pessoas que abusam da boa fé alheia, distorcendo inclusive o que está escrito na Bíblia, enganando os ignorantes. É importante analisarmos o que nos é prometido, em nome de Deus, pois não há dinheiro ou promessas vãs que nos tragam a paz, mas sim nossa mudança sincera e a busca da caridade.

Guardar um dia para a religião x Ociosidade

Quantos de nós deixamos de frequentar a casa religiosa, seja de qual religião for, por preguiça? Temos desculpas mil, como: o capítulo da novela, o jogo de futebol com os amigos, a festa a qual fomos convidados, o cansaço do dia etc. Porém, quando passamos por dificuldades, lá vamos nós, correndo à casa religiosa, pedindo ao dirigente, pastor ou padre que resolvam nossos problemas!

Precisamos ter uma frequência regular à religião para que nossa vida mental esteja sempre equilibrada e quando vierem os problemas, estejamos fortalecidos para enfrentá-los. Não precisamos ter o dia todo voltado para atos religiosos. O importante é que semanalmente entremos em contato com os ensinos cristãos, que nos renovarão os ânimos e nos darão maior fé no futuro.

Honrar pai e mãe x Desagregação familiar

Os nossos jovens hoje dão pouco valor à família, isso muitas vezes acontece porque os pais dão maus exemplos, sendo desatentos com a implantação no seio do lar de atos que possam unir os familiares.

O diálogo sempre será importante, por pior que seja o assunto. Pais e filhos precisam ter uma convivência nem muito disciplinadora, nem muito liberal, mas que encontrem o equilíbrio, onde deveres e direitos convivam em harmonia.

Não matar x Vingança

Matar não é só tirar a vida, mas sim ter o sentimento de vingança dentro do coração. Quantos de nós temos uma vida triste devido à mágoa que povoa nosso coração?

O perdão deve fazer parte da vida do cristão, principalmente do espírita que sabe que com o fim da vida material o Espírito permanece e o ódio é levado para o além, trazendo aos envolvidos dores e remorsos.

A pena de morte é um ato de extrema brutalidade, quem a acata acaba, no mínimo, comparando-se ao infrator. Que a justiça do homem seja severa e educativa, mas que não traga para si o direito de tirar a vida alheia, que só a Deus é permitido.

Não fornicar x Prazer irresponsável

O interesse pelo sexo faz o homem muitas vezes perder a razão. Os Mandamentos não condenam o prazer que o sexo proporciona, mas alerta para os desequilíbrios que a irresponsabilidade sexual pode nos trazer.

Não furtar x Levar vantagem em tudo

O roubo também existe quando lesamos indiretamente o próximo, levando vantagens onde outro terá perdas. No mundo capitalista em que vivemos, dizer que o que negocia conosco precisa levar vantagem é o mesmo que dizer que somos tolos. Porém, o tolo aos olhos do homem podem ser os escolhidos aos olhos de Deus. Lembre que tudo o que fazemos de bom ou ruim, voltará para nós mesmos. É a Lei de Ação e Reação de que nos fala a Doutrina.

Portanto, que todos que são comerciantes, ou que de alguma forma podem trazer prejuízos financeiros ou morais ao próximo, que se guiem pela justiça. Na Lei de Deus, o ditado popular onde "bom negócio é quando todas as partes ganham" também é válido.

Não dizer falso testemunho x Língua venenosa

Mentir é um hábito inerente da imperfeição humana. Temos um gosto especial para aumentar o que contamos a respeito do próximo, principalmente se for algo que o denigra. É a tal da fofoca. Um grande sábio da antiguidade, o filósofo Sócrates, disse que: "Somos donos das palavras que omitimos e escravos das que proferimos".

Lembre-se que não devemos fazer ao outro o que não gostaríamos que nos fizessem, portanto se estivermos envolvidos em uma calúnia, da qual nós sejamos a vítima, não nos sentiríamos bem. Por que, então, fazer isso à outra pessoa?

Não desejar a companheira (o) do Próximo x Adultério

Novamente o sexo em questão. As paixões que presenciamos, que vêm destruir famílias, são estimuladas inclusive pelo que vimos em novelas, filmes e programas de TV, onde muitas vezes deixar a família em busca da "felicidade" é visto com naturalidade.

O que acontece é que a mídia, em toda a sua história, aproveita-se dos desejos humanos para angariar audiência. E quando vemos nossos desejos secretos, que estávamos controlando serem apoiados, sentimo-nos incentivados e acabamos por praticá-los. Esse é um dos motivos que fazem o adultério aumentar em nossa sociedade.

Todos nós temos o direito de buscar satisfações, mas nossos direitos terminam quando atingimos ao próximo, ou seja, quando nossos atos trazem angústia e decepção.

Não cobiçar as coisas alheias x Inveja e ambição desmedidas

Desejar melhoras materiais, conforto e lazer não é condenável. O que se deve evitar é a inveja de quem já conquistou estas facilidades. Todos nós podemos e devemos buscar uma situação material estável, mas que isso não seja motivo de angústia e revolta. A vida não é só constituída de prazeres terrenos, pelo contrário, a matéria não nos traz estabilidade, pois é cercada de bons e maus momentos.

O que precisamos é buscar o equilíbrio espiritual, e com isso, todo o restante nos será acrescentado, como disse Jesus, pois estaremos abertos a novas conquistas, materiais e espirituais, e teremos condições de escolher os melhores caminhos que nos trarão o que almejamos".

"Porque o Reino de Deus não consiste em palavras, mas em virtude" (Paulo, I Epístola aos Coríntios, IV: 20)

De nada adiantará dizermos que conhecemos os Dez Mandamentos, o Evangelho de Jesus e a Doutrina Espírita se não colocarmos em prática o que aprendemos com estas três revelações que Deus nos enviou. Como disse o apóstolo Paulo, palavras de nada adiantam se não forem calcadas em virtudes, ou seja, a prática das mesmas. Jesus aguarda que nós, de nossa parte, procuremos dar o primeiro passo em busca da melhoria íntima, para que então ele também possa agir em nossas vidas e nos trazer a paz que tanto procuramos.


Fonte: Roteiro da Palestra “A Lei e seus Mandamentos”, do Grupo Espírita Apóstolo Paulo.
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