terça-feira, 9 de março de 2010

A Música e o Espírito: Anytime, Anywhere – Sarah Brightman

Uma versão, para o clássico Adágio em Sol menor, de Albinoni, na voz da inglesa Sarah Brightman, uma das maiores e mais premiadas sopranos de todo o mundo. Na canção, podemos observar a versatilidade da interprete que constantemente faz alternâncias em sua voz, passando do clássico ao pop com muita leveza e facilidade, consagrando Anytime, Anywhere como um dos seus mais belos hits. Assista e confira aqui, nesse vídeo gravado ao vivo em Hong Kong, no ano de 1988.


segunda-feira, 8 de março de 2010

Extra : Lançamento do Filme Chico Xavier

Em homenagem ao centenário de nascimento do médium mineiro Francisco Cândido Xavier, que acontecerá no próximo dia 02 de abril, será lançado em aproximadamente 300 salas de cinemas em todo país o filme “Chico Xavier”.

O Filme, baseado no best-seller “As Vidas de Chico Xavier”, do escritor Marcel Souto Maior, mostra a trajetória de vida do mais importante médium brasileiro e tem a competente direção de Daniel Filho e atuação de Nelson Xavier como protagonista, que, além de ter uma impressionante semelhança física com o médium, é também um dos grandes nomes do cinema e da televisão brasileira.


O elenco tem também a presença de nomes como o de Tony Ramos, Christiane Torloni, Ângelo Antonio, Letícia Sabatella, Giullia Gam, Giovanna Antotnelli, entre outros, e a película está cotada para ser um dos maiores lançamentos do cinema nacional nesse ano, deixando a todos, inclusive a nós, espíritas, ansiosos para prestigiarmos a esse importante acontecimento.


Assista aqui ao trailer do filme :





Assita aqui ao trailer do site oficial filme.

Mais informações, visite ao site oficial do filme.

domingo, 7 de março de 2010

Mensagem da Semana


Ouvir a Mensagem

Trabalho e Vida


A luta é a essência da vida. Em toda parte há atividade, movimento, preparo, libertação... É sobretudo, sacrifício imposto pelo trabalho evolutivo a que todas as criaturas se submetem no rumo das esferas superiores.

Nas mínimas dependências da natureza vê-la-emos a expressar-se em ásperas disciplinas afim de que se formem caminhos de justa libertação.

Aqui e ali surpreendemos imposição de santificante renúncia a semente sozinha no solo, desfazendo-se aparentemente na morte para garantia do pão.

A argila torturada no forno para erguer-se em utilidade.

A árvore abatida a fim de resguardar o conforto doméstico.

A pedra condicionada a golpes de picareta de modo a sustentar a residência do homem.

O mineral conduzido ao calor de alta tensão levantando-se com o necessário proveito para o conforto das criaturas.

A máquina em obediência constante para estender o progresso.

O agente químico em prolongada submissão para fazer-se remédio.

A eletricidade cativa implementos que lhe controlam impulsos a fim de alentar novas formas de engrandecimento da terra e anotamos em tudo que realmente auxilia na sublimação da humanidade a bendita pressão da luta para que o mundo se eleve aos mais altos cimos da alegria e da educação, colunas vivas daquele reino de Deus a basear-se no espírito consoante a edificação de Jesus.

Saibamos pois, de nossa parte, aceitar a luta que nos compete, abraçando-a por benfeitora de cada hora, honrando a confiança divina de vez que muito acima das tarefas preceituadas pelas leis da criação aos elementos mais simples, guardamos conosco o privilégio de conscientemente servir.


Batuíra

Do livro Mais Luz, de Francisco Cândido Xavier

sábado, 6 de março de 2010

Dicas do Manancial












LIVRO: BATUÍRA - VERDADE E LUZ
AUTOR: EDUARDO CARVALHO MONTEIRO
EDITORA: LUMEN ESPIRITA
GÊNERO: BIOGRAFIA


Sinopse do livro:

Biografia de Antonio Gonçalves da Silva, o Batuíra, um dos pioneiros do Espiritismo em São Paulo no início do século e fundador da Rua Espírita, no tradicional bairro paulistano do Cambuci.




















MÙSICA: CD BEAUTIFUL PIANO VOL.2 – ONLY YOU


Dezoito canções romanticas interpretadas em piano, algumas conhecidas por terem sido temas de filmes famosos estão reunidas nesse belíssimo CD.
Destaques para Up Where We Belong, tema do filme “A Força do Destino” gravada por Joe Cocker; Memory, Hello e The Sound of Silence.





















FILME: A REENCARNAÇÃO DE PETER PROUD
DIREÇÃO: J. LEE THOMPSON
ANO DE PRODUÇÂO: 1975


Sinopse do Filme:

Peter Proud é um professor universitário que, ao ser atormentado por pesadelos, começa a investigar os possíveis motivos e origens de tais sonhos.

Proud desconfia que as imagens que ele vê são de sua vida passada e, com o apoio de sua namorada, o professor viaja a Massachusetts para encontrar pessoas que o ajudem a encontrar as respostas que procura. Na viagem, o protagonista conhece uma mãe e uma filha que lhe são familiares e, estranhamente, as duas mulheres também o reconhecem. Essa história é narrada no livro A Reencarnação de Peter Proud, de Max Ehrlich.

Para quem conhece o livro, essa é uma excelente oportunidade de assistir a adaptação produzida para o cinema, nos anos 70.

O DVD pode ser encontrado para venda em sites especializados. Encontrei-o disponível em Filmes Raros.

Fonte sinopse: Revista Sexto Sentido

sexta-feira, 5 de março de 2010


Edifício Divino


“... todo o edifício se ergue em santuário sagrado, no Senhor, e vós, também, nele sois co-edificados para serdes uma habitação de Deus, no Espírito.” (Efésios, 2:21 e 22)


O prédio de uma sociedade espírita não deverá fugir aos padrões usuais das construções de alvenaria existentes na comunidade.

Sua arquitetura poderá acompanhar as linhas tradicionais, ou atender aos aspectos modernos, segundo o gosto e preferência de seus associados, observados, porém, em qualquer caso, os aspectos de nobreza e sobriedade.

Entretanto, toda e qualquer instituição cristã deverá se apresentar sem ostentações arquitetônicas desnecessárias, resguardando a simplicidade, quer dizer, o bom gosto somado à discrição, à harmonia e à segurança.

Quase sempre integramos de forma unilateral uma sociedade espírita, visualizando-a externamente com suas construções físicas – auditório, salas, corredores, escritórios e demais acomodações -, não dando a devida importância a suas construções invisíveis.
Na maioria das vezes, não registramos claramente a influência benéfica que assimilamos, automática e inconscientemente, no contato com a mensagem inarticulada que paira sobre suas dependências.

O amor dirigido às pessoas, o hábito saudável e cotidiano da prece, a tarefa do intercâmbio espiritual socorrista, a divulgação da Boa Nova, o serviço do passe e a relação de fraternidade ali desenvolvida impregnam as paredes físicas de substâncias curativas, além de aumentarem as possibilidades de uso de recursos tecnológicos utilizados pela Espiritualidade Maior em benefício dos freqüentadores.

Somos atingidos sem interrupção por forças energéticas extremamente fortes e positivas, oriundas do nosso intercâmbio com a invisibilidade na Casa Espírita.

Portanto, o Centro Espírita eleva-se e ultrapassa os limites físicos, demonstrando assim sua transcendência, pois atinge as instâncias superiores do amor e do conhecimento.

Educandário de Luz – favorece o raciocínio lógico aliado ao bom senso, bem como o enobrecimento da intelectualidade, proporcionando às mentes o conhecimento superior.

Oficina da Caridade – fornece agasalho, roupas, farnéis, remédios, alimentando e protegendo os que vivem na penúria e na nudez.

Farmácia da Alma – promove a cura aos doentes do corpo, mas estabelece, acima de tudo, as metas para não mais adoecerem, revigorando-os com os ensinamentos espirituais.

Biblioteca Abençoada – proporciona ambiente adequado e tranqüilo à leitura, à pesquisa e à análise, com livros e periódicos que regeneram e esclarecem para a Eternidade.

Estalagem Fraterna – acolhe e socorre os cansados e desnutridos, dando-lhes guarida perante as lutas expiatórias e as dores provacionais que enfrentam.

O Grupo Espírita nos dá suporte para discernirmos e para aprendermos a viver melhor, além de nos reerguer da estagnação e da cegueira interior rumo aos planos superiores da Vida Maior.

A firme determinação diante dos postulados espíritas nos proporciona serenidade íntima para que possamos triunfar sobre as sombras que nos envolve há séculos.

As luzes espargidas por esse Templo de Amor nos favorecem a redenção de nossas almas, bem como a emancipação espiritual que tanto almejamos.

Paulo de Tarso – escrevendo numa época de superficialidade, quando os templos eram monumentos luxuosos e enormes – oferece a receita substancial aos aprendizes do Evangelho. Podemos concretizar nossas necessidades de conforto e beleza. Isso é bom e natural. Todavia, necessitamos, além disso, de algo muito mais importante: “co-edificar em nós mesmos a habitação de Deus, no Espírito.”

Reconhecendo em nós próprios a “morada divina”, também identificaremos nas estruturas íntimas de uma Casa de Jesus, tal como se qualifica um Centro Espírita, o Cristianismo restaurado, entre as verdades sem máculas onde reina o Amor que salva, educa e transporta as almas da Terra para os Céus Infinitos.


Batuíra

Do livro “Conviver e Melhorar”, de Francisco do Espírito Santo Neto.

quinta-feira, 4 de março de 2010


Sobre a Fé


“A fé inabalável é aquela que enfrenta a razão face a face, em toda a Humanidade”.

Sabeis, meus filhos, que ninguém pode prescrever fé para outro alguém.

Ela nasce do conhecimento da Verdade e se a buscarmos com racionalidade e lógica, sempre a encontraremos por mais obscuros e difíceis sejam os nossos caminhos.

Jesus apontou-nos um caminho para o encontro do reino dos Céus – o do amor.

Nós cremos em Jesus e sabemos que Ele nos ensinou a vivência de amor, como a maior e mais preciosa lição de crescimento espiritual para as nossas vidas.

Sem amor, o homem utiliza o conhecimento, a inteligência, a ciência e até a arte para usurpar, para dominar, para escravizar e destruir.

Como anda a vossa fé?

O que sabeis sobre ser preciso fazer e como agir para conseguir harmonia e paz, felicidade e alegria para as vossas almas?

Sabeis que é preciso que aprendais a amar. Amar a Deus acima de tudo e ao próximo como a vós mesmos. A vós mesmos, corrigindo as vossas imperfeições, tais como: o egoísmo e o orgulho, os ciúmes e a inveja, as críticas e a maledicência, o ódio e a vaidade, a dureza dos vossos sentimentos, a desonestidade e a deslealdade, a avareza, vícios que mancham as vossas almas e vos impedem o progresso moral.

Sabeis que é preciso agir, sempre, com doçura e com gentileza, com bondade e com pureza de sentimentos, com misericórdia, sendo resignados e abnegados diante das vossas dores, das vossas tarefas e do relacionamento com os vossos semelhantes.

O respeito às propriedades alheias, o devotamento aos vossos pais, o amor presente em cada atitude de educação para os vossos filhos, o afeto sincero para com irmãos e amigos e a condescendência, o entendimento e a compreensão com relação aos erros alheios são valores imprescindíveis.

Se assim agirdes, provareis que já conheceis a Verdade e que sabeis o quanto importa que vos transformeis para melhor.

A esperança será a vossa companheira, o consolo vos ajudará a prosseguir, o amor será a alavanca que removerá os obstáculos do caminho.

E a vossa fé em Deus e em vós mesmos, calcada no conhecimento, na racionalidade e na lógica, será o alicerce com que construireis, hoje, o futuro melhor do amanhã.


Batuíra.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Agenda de Eventos Espíritas

Esses são alguns dos principais eventos espíritas que acontecerão durante o mês de março em nosso país:

São Paulo

São Paulo – O Centro de Estudos Espíritas José Herculano Pires (Rua Alicante, 389, Bairro da Penha) realizará no próximo sábado, 6 de março, às 20h, uma palestra sobre o tema “O filósofo Herculano”, com Alisson Leandro Mascaro. O evento é uma realização da CEPA Brasil, Centro de Pesquisa e Documentação Espírita e CCC José Herculano Pires.

Guarulhos – O Centro Espírita Estudo e Meditação (Rua Jabuticabeiras, 148, Bairro Gopóuva) realizará a IV Semana Espírita CEEM – 50 anos do Centro Espírita Estudo e Meditação no período de 1 a 6 de março, às 20h. A programação prevista é esta:

01/03 Palestra com Paula Zamp – Musical: Paula Zamp
02/03 Palestra com José Maria Medeiros – Musical: Portal do Som
03/03 Palestra com Vansan – Musical: Vansan
04/03 Palestra com José Carlos de Luca – Musical: Andera Bien
05/03 Palestra com Heloísa Pires – Musical: Gerson Gonçalves
06/03 Palestra com Milton Felipeli – Musical: Vozes Eternas
06/03 Palestra com Toninho de Itaquera – Musical : Thiago Correia

– Plínio B. Penteado Junior estará no dia 7 de março, domingo, às 19h, no Centro Espírita Cairbar Schutel (Rua Antonieta Aguirre de Moraes Barros, 360, Vila Augusta) para tratar do tema “A conquista da paz interior!”. Contato: 6236-2935 ou 8189-1974.

Mirandópolis – A oradora e médium espírita Aparecida Talhari (Cidinha) estará no dia 4 de março na União Espírita Bezerra de Menezes para apresentar uma palestra musicada. A médium reside na cidade de Aparecida D’Oeste onde está vinculada à União Espírita João Batista.

São José dos Campos – O Grupo Espírita Anjo Ismael (Rua Scorpius, 1610, Jardim Satélite) abriu inscrições para o Curso de Filosofia Espírita que será iniciado no dia 16 de março. A duração do curso é de 2 anos (96 aulas) e as aulas serão ministradas às terças-feiras, das 15h às 17h. O programa proposto é: Filosofia tradicional, História e principais filósofos, Temas de filosofia, Filosofia espírita, Doutrinas religiosas, Doutrina Espírita. Haverá a opção de fazer o curso por e-mail. Informações pelos telefones 3916-3132 (Mauro) e 3018-5024 (Nadir) ou pelo site www.anjoismael.org.

Sorocaba
– O 6º Encontro para Divulgação do Espiritismo – Educação: o amor é o caminho – será realizado nos dias 6 e 7 de março, na Associação Atlética Banco do Brasil (Rua Laura Maiello Kook, 907, Bairro Ipanema das Pedras). O evento contará com a participação de Adenáuer Novaes, Francisco do Espírito Santo Neto, José Medrado, Orson Peter Carrara, Paula Zamp, Plínio Oliveira. Os ingressos custam R$10,00 e estão à venda na AABB, Centro Espírita Batuíra, Livraria Mundo Maior, Centro Espírita Flammarion e Casa do Caminho. Informações pelo telefone (15)3012-9081.

Pernambuco

Recife – No próximo sábado, 6 de março, das 14h às 18h, na sede do CEFET (Avenida Prof. Lula Freire, 500, Cidade Universitária) será realizado o seminário “Espiritualidade e os processos de alienação na atualidade”, coordenado por Spencer Junior. O momento de arte ficará a cargo do Coral Espírita Luz e Caridade. Os ingressos custam R$10,00 e podem ser adquiridos na Banca Espírita, na Livraria Renascer, na FEP ou no Lar Ceci Costa. O evento é uma realização do Centro Espírita Luz, Esperança e Caridade – Celec. Informações pelos telefones (81)3271-1054 ou 9654-8892.

– No próximo sábado, 6 de março, das 14h às 18h, na sede do CEFET (Avenida Prof. Lula Freire, 500, Cidade Universitária) será realizado o seminário “Espiritualidade e os processos de alienação na atualidade”, coordenado por Spencer Junior. O momento de arte ficará a cargo do Coral Espírita Luz e Caridade. Os ingressos custam R$10,00 e podem ser adquiridos na Banca Espírita, na Livraria Renascer, na FEP ou no Lar Ceci Costa. O evento é uma realização do Centro Espírita Luz, Esperança e Caridade – Celec. Informações pelos telefones (81)3271-1054 ou 9654-8892.

– O seminário “Mediunidade: um mandato de amor. O exemplo de Chico Xavier”, coordenado por Adriana Moura, será realizado no próximo sábado, 6 de março, das 14h às 18h, na sede do Núcleo Espírita Auta de Souza (Rua Itambé, 575, Ipsep). O momento de arte ficará a cargo do Grupo Renovarte. Os ingressos custam R$5,00 + 1kg de alimento não-perecível. Informações pelo telefone (81)3339-4917.

Rio de Janeiro

Rio de Janeiro – A Cruzada Espírita Paulo de Tarso, Instituição de Amparo à Criança Carente – Mantenedora do Lar Maria de Nazaré (Rua Idumé, 82, Brás de Pina) – promove o V Ciclo de Palestras da ADE-RJ – Associação de Divulgadores Espíritas do Rio de Janeiro. O terceiro encontro deste ano será no dia 7 de março, domingo, das 10h às 12h, com coordenação de Sergio F. Aleixo, que desenvolverá o tema “Não separeis o que Deus juntou”. Após a palestra, será realizado um almoço fraterno em benefício do Lar Maria de Nazaré. Informações pelo telefone (21) 3137-0425.

Minas Gerais


Pedro Leopoldo – O filme sobre Chico Xavier, dirigido pelo cineasta Daniel Filho, estreará em Pedro Leopoldo (MG), com sessão especial no dia 13 de março. Em setembro será lançado o filme Nosso Lar, adaptação do livro de mesmo nome psicografado por Chico Xavier em 1944, editado pela FEB. O romance é contado sob o ponto de vista do Espírito André Luiz, que, como um repórter, transmite suas impressões sobre o mundo espiritual. Veja o trailer do filme no site www.100anoschicoxavier.com.br



Fonte: O Consolador

terça-feira, 2 de março de 2010

Sempre Lembrados : Batuíra


Seu nome de origem era Antônio Gonçalves da Silva, nascido a 19 de março de 1839, em Portugal, na Freguesia de Águas Santas, hoje integrada no Conselho da Maia, e desencarnado em São Paulo, no dia 22 de janeiro de 1909.

Completada a sua instrução primária, veio para o Brasil, com apenas onze anos de idade, aportando no Rio de Janeiro, a 3 de janeiro de 1850.

Mais tarde, fixou residência na Capital bandeirante, dedicando-se à venda de jornais. Naquela época, São Paulo era uma cidade de 30 mil habitantes. Ele entregava os jornais de casa em casa, conquistando nessa profissão a simpatia e a amizade dos seus fregueses. Muito ativo, correndo daqui para acolá, a gente da rua o apelidava "O BATUÍRA" (nome que o povo dava à narceja, ave pernalta, muito ligeira, de vôo rápido, que freqüenta os charcos, à volta dos lagos).

Batuíra desempenhou uma série de atividades que não cabe registrar nesta concisa biografia, entretanto, podemos afirmar que defendeu calorosamente a idéia da abolição da escravatura no Brasil, quer seja abrigando escravos em sua casa e conseguindo- lhes a carta de alforria, ou fundando um jornalzinho a fim de colaborar na campanha encetada pelos grandes abolicionistas Luiz Gama, José do Patrocínio, Raul Pompéia, Paulo Ney, Antônio Bento, Rui Barbosa e tantos outros grandes paladinos das idéias liberais.

Homem de costumes simples, alimentando- se apenas de hortaliças, legumes e frutas, plantava no quintal de sua casa tudo aquilo de que necessitava para o seu sustento. Com as economias, adquiriu os então desvalorizados terrenos do Lavapés, em S. Paulo, edificando ali boa casa de residência e, ao lado dela, uma rua particular com pequenas casas que alugava a pessoas necessitadas. O tempo contribuiu para que tudo ali se valorizasse, propiciando a Batuíra apreciáveis recursos financeiros. A rua particular deveria ser mais tarde a Rua Espírita, que ainda lá está.

Tomando conhecimento das altamente consoladoras verdades do Espiritismo, integrou- se resolutamente nessa causa, procurando pautar seus atos nos moldes dos preceitos evangélicos. Identificou- se de tal maneira com os postulados espíritas e evangélicos que, ao contrário do "moço rico" da narrativa evangélica, como que procurando dar uma demonstração eloqüente da sua comunhão com os preceitos legados por Jesus Cristo, desprendeu- se de tudo quanto tinha e pôs- se a seguir as suas pegadas. Distribuiu o seu tesouro na Terra, para entrar de posse daquele outro tesouro do Céu.

Tornou- se um dos pioneiros do Espiritismo no Brasil. Fundou o "Grupo Espírita Verdade e Luz", onde, no dia 6 de abril de 1890, diante de enorme assembléia, dava início a uma série de explanações sobre "O Evangelho Segundo o Espiritismo".

Nessa oportunidade deixara de circular a única publicação espírita da época, intitulada "Espiritualismo Experimental" redigida desde setembro de 1886, por Santos Cruz Junior. Sentindo a lacuna deixada por essa interrupção, Batuíra adquiriu uma pequena tipografia, a que denominou "Tipografia Espírita", iniciando a 20 de maio de 1890, a publicação de um quinzenário de quatro páginas com o nome "Verdade e Luz", posteriormente transformado em revista e do qual foi o diretor- responsável até a data de sua desencarnação. A tiragem desse periódico era das mais elevadas, pois de 2 ou 3 mil exemplares, conseguiu chegar até 15 mil, quantidade fabulosa naquela época, quando nem os jornais diários ultrapassavam a casa dos 3 mil exemplares. Nessa tarefa gloriosa e ingente Batuíra despendeu sua velhice. Era de vê-lo, trôpego, de grandes óculos, debruçado nos cavaletes da pequena tipografia, catando, com os dedos trêmulos, letras no fundo dos caixotins.

Para a manutenção dessa publicação, Batuíra despendeu somas respeitáveis, já que as assinaturas somavam quantia irrisória. Por volta de 1902 foi levado a vender uma série de casas situadas na Rua Espírita e na Rua dos Lavapés, a fim de equilibrar suas finanças.

Não era apenas esse periódico que pesava nas finanças de Batuíra. Espírito animado de grande bondade, coração aberto a todas as desventuras, dividia também com os necessitados o fruto de suas economias. Na sua casa a caridade se manifestava em tudo: jamais o socorro foi negado a alguém, jamais uma pessoa saiu dali sem ser devidamente amparada, havendo mesmo muitas afirmativas de que "um bando de aleijados vivia com ele". Quem ali chegasse, tinha cama, mesa e um cobertor.

De suas primeiras núpcias com dona Brandina Maria de Jesus, teve um filho, Joaquim Gonçalves Batuíra que veio a se casar com dona Flora Augusta Gonçalves Batuíra. Das segundas núpcias teve outro filho que desencarnou aos doze anos. Mas, apesar disso, Batuíra era pai de quase toda gente. Exemplo disso foi o Zeca, que Batuíra recebeu com poucos meses e criou como seu filho adotivo, o qual se tornou continuador da sua obra na instituição beneficente que ele fundara.

Eis alguns traços da personalidade de Batuíra pela pena do festejado escritor Afonso Schmidt: "Em 1873, por ocasião da terrível epidemia de varíola que assolou a capital da Província, ele serviu de médico, de enfermeiro, de pai para os flagelados, deu-lhes não apenas o remédio e os desvelos, mas também o pão, o teto e o agasalho. Daí a popularidade de sua figura. Era baixo, entroncado e usava longas barbas que lhe cobriam o peito amplo. Com o tempo essa barba se fez branca e os amigos diziam que ele era tão bom, que se parecia com o imperador".

Batuíra era tão popular que foi citado em obras como: "História e Tradições da Cidade de São Paulo", de Ernani Silva Bueno; "A Academia de São Paulo - Tradições e Reminiscências - Estudantes, Estudantões e Estudantadas", de Almeida Nogueira; "A Cidade de São Paulo em 1900", de Alfredo Moreira Pinto. Escreveram ainda sobre ele J. B. Chagas, Afonso Schmidt, Paulo Alves Godoy e Zeus Wantuil.

Batuíra criou grupos espíritas em São Paulo, Minas Gerais, e Estado do Rio, proferiu conferências espíritas por toda parte, criou a Livraria e Editora Espírita, onde se fez impressor e tipógrafo.

Referindo-se ao seu desencarne, Afonso Schmidt escreveu: "Batuíra faleceu a 22 de Janeiro de 1909. São Paulo inteiro comove-se com o seu desaparecimento. Que idade tinha? Nem ele mesmo sabia. Mas o seu nome ficou por aí, como um clarão de bondade, de doçura, de delicadeza ao céu, dessas que se vão fazendo cada vez mais raras num mundo velho, sem porteira..."

Figura bastante popular em S. Paulo, Batuíra tornou-se querido de todos, tendo vários órgãos da imprensa leiga registrado a sua desencarnação e apologiado a sua figura exponencial de homem caridoso e dedicado aos sofredores.



Fontes: Grupo Espírita Batuíra - Rua Caiubí, 1306, Perdizes, São Paulo, SP
Espiritismogi.com.br

segunda-feira, 1 de março de 2010

Homenageado do Mês



Antonio Gonçalves da Silva “Batuíra”


Ele foi um dos pioneiros do Espiritismo no Brasil. Português, nascido a 19 de março de 1839, homem simples e caridoso, tornou-se um caloroso defensor do abolicionismo. Fundou em São Paulo, no ano de 1890, o “Grupo Espírita Verdade e Luz”, onde mais tarde, tendo adquirido uma pequena tipografia a que chamou de “Tipografia Espírita”, passou a publicar um quinzenário de quatro páginas com o nome “Verdade e Luz”.

Seu nome era Antonio Gonçalves de Silva, entretanto, devido à rapidez e agilidade com que caminhava, fora apelidado de “o Batuíra”, ave pernalta e ligeira que vivia nas margens do Rio Tamanduateí, em São Paulo.

Faremos durante esse mês, uma homenagem a Batuíra. Aqui mostraremos um pouco da sua vida dedicada aos menos favorecidos e do seu trabalho junto a Doutrina Espírita.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Mensagem da Semana


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Quando Sofreres


Quando sofreres, pensa no indefinível poder de renovação que flui dos vencidos!...

Os gritos dos déspotas da antiguidade que pompeavam irrisório triunfo desapareceram, encaminhados pela morte à piedade da cinza para se lhes apagasse a memória, mas a justiça tomou as lágrimas de quantos lhes caíram sob os carros sanguinolentos para gravar as leis que enobrecem a Humanidade.

Os sarcasmos dos que traficavam com a vida dos semelhantes foram abafados na estreiteza do túmulo, mas o pranto dos escravos, que cambaleavam aos rebenques do cativeiro, lavou os olhos das nações conscientes, para que contemplassem o clarão inextinguível da liberdade.

Quando sofreres por alguém ou por alguma causa nobre, medita naquele que a Sabedoria Divina enviou à Terra, para o engrandecimento de todos.

A Eterna Bondade fê-lo nascer, sob cânticos angélicos ao fulgor de uma estrela, e consentiu que se lhe negasse um berço entre os homens.

Situou-lhe a divina embaixada, entre aqueles que detinham no mundo as mais elevadas noções religiosas e não impediu lhe ignorassem a presença.

Dotou-o de carismas sublimes com que reerguesse os paralíticos e iluminasse os cegos e deu-lhe a estrada por moradia.

Colocou-lhe a ciência do Universo na palavra simples, mas não lhe deu qualquer cenáculo de pedra aos ensinos, conquanto providenciasse para que os deserdados e os enfermos, os cansados e os infelizes lhe integrassem a assembléia de ouvintes na largueza do campo.

Revestiu-lhe a influência pessoal com todos os atributos do bem e deixou que o mal lhe alcançasse o círculo dos amigos mais íntimos.

E quando lhe tapizaram o caminho com palmas de vitória, no intuito de lhe entregarem o cetro da autoridade, permitiu que a sombra envolvesse aqueles que mais o admiravam e, quase defronte a eminência do Moriah, em cujo tope se erguia o templo de Salomão, como sendo o mais suntuoso dos monumentos levantados na Terra, em louvor do Deus único, não obstou se lhe desse um monte desolado para a morte num lenho entre malfeitores, a fim de que ele formasse entre os milhões de aflitos e incompreendidos de todos os tempos!...

Quando sofreres para que haja bondade e verdade, felicidade e concórdia, pensa em Cristo e compreenderás que ninguém consegue realmente auxiliar a ninguém sem amor e sem dor.




Do livro “Opinião Espírita”, de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, pelos Espíritos Emmanuel e André Luiz

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Leon Denis, uma Alma Incansável


Encerramos nossas homenagens ao escritor, filósofo e fiel “Apóstolo do Espiritismo”, Leon Denis, com esse artigo publicado na Revista Cristã de Espiritismo que relata ,dentre outros fatos, os seus últimos trabalhos e instantes da sua vida dedicada à Doutrina Espírita.


Uma Alma Incansável


Mantinha volumosa correspondência e jamais se aborrecia. Amava a juventude, possuía a alegria da alma. Era inimigo da tristeza. O mal físico, para ele, devia ser bem menor do que a angústia que experimentava pelo fato de não mais poder manejar a pena. Secretárias ocasionais substituíam-no nesse ofício. No entanto, a grande dificuldade para Denis consistia em rever e corrigir as novas edições dos seus livros e dos seus escritos. Graças, porém, ao seu espírito de ordem e à sua incomparável memória, superava todos esses contratempos, sem molestar ou importunar os amigos.

Depois da morte da sua genitora, uma empregada cuidava da sua pequena habitação. Ele só exigia uma coisa: o absoluto respeito às suas numerosas notas manuscritas, as quais ele arrumava com meticulosa precaução. E foi justamente por causa dessa sua velha mania que a duquesa de Pomar o denominara "o homem dos pequenos papéis".

Em 1911, após despender não pequeno esforço no preparo da nova edição de O Problema do Ser, do destino e da Dor, ficou gravemente doente com uma pneumonia. Foi o tratamento a tempo do seu médico que, num curto espaço de tempo, o colocou de novo em pé. Contudo uma grande e profunda dor lhe estava reservada: veio a Guerra de 1914-18 e o seu espírito condoía-se ao ver partir para a frente de batalha a maioria dos seus amigos.


Léon Denis e a Primeira Guerra Mundial


Léon padecia, então, de uma doença intestinal e estava parcialmente cego. Pela incorporação, os seus amigos do espaço e, entre eles, um espírito eminente comunicavam-lhe, de tempos em tempos, as suas opiniões sobre essa terrível guerra, considerada nos seus dois aspectos: o visível e o oculto.

A guerra a qual se referem aqui é a Primeira Grande Guerra Mundial, ocorrida em 1914 . Estas comunicações levaram-no a escrever um certo número de artigos, publicados na Revue Spirite, na Revue Suisse des Sciences Psychiques e no Echo Fid, onde transparece, dentro da lei de causa e efeito, o seu grande amor pela terra onde nasceu. Quando a guerra se aproximava do fim, a Revue Spirite passou a publicar, em todos os seus números, artigos de Léon Denis.


Léon aprende braile

Após a Primeira Guerra Mundial, aprendeu braile, o que lhe permitiu fixar no papel os elementos de capítulos ou artigos que lhe vinham ao espírito, pois, nesta época da sua vida, estava, por assim dizer, quase cego.

Em 1915, iniciava ele uma nova série de artigos, repassados de poesia profunda e serena, sobre a voz das coisas, preconizando o retorno à natureza. Nesta época, um forte vento soprava contra a Codificação Kardequiana. O fenomenismo metapsiquista espalhava aos quatro ventos a doutrina do filósofo puro. Heuzé fazia muito barulho através do L’ Opinion, com as suas entrevistas e comentários tendenciosos. Afirmava prematuramente que, à medida que a metapsíquica fosse avançando, o Espiritismo iria, a par e passo, perdendo terreno. A sua profecia, no entanto, ainda não se realizou. Aliás, como tantas outras que profetizaram o fim do Espiritismo.


Em defesa do Espiritismo

Após a vigorosa resposta de Jean Meyer na Revue Spirite, Léon Denis, por sua vez, entrou na discussão, na qualidade de presidente de honra da União Espírita Francesa, numa carta endereçada ao "Matin", na qual estabelecia, com admirável nitidez, a diferença entre Espiritismo e Metapsiquismo. A partir desse momento, Léon Denis teve que exercer grande atividade jornalística para responder às críticas e ataques de altos membros da Igreja Católica, saindo-se, como era de esperar, de maneira brilhante.

Em março de 1927, com 81 anos de idade, terminara o manuscrito que intitulou de O Gênio Céltico e o Mundo Invisível. Neste mesmo mês, a Revue Spirite publicava o seu derradeiro artigo.


Os últimos momentos no corpo físico

Terça-feira, 12 de março de 1927, pelas 13h, respirava Denis com grande dificuldade. A pneumonia atacava-o novamente. A vida parecia abandoná-lo, mas o seu estado de lucidez era perfeito. As suas últimas palavras, pronunciadas com extraordinária calma, apesar de muita dificuldade, foram dirigidas à sua empregada Georgette: "É preciso terminar, resumir e... concluir".

Fazia alusão ao prefácio da nova edição biográfica de Kardec. Neste preciso momento, faltaram-lhe completamente as forças para que pudesse articular outras palavras. Às 21h, o seu espírito alou-se. O seu semblante parecia ainda em êxtase.

As cerimônias fúnebres realizaram-se no dia 16 de abril. A seu pedido, o enterro foi modesto e sem o ofício de qualquer Igreja confessional. Está sepultado no cemitério de La Salle, em Tours.



Pelo portal IRC-Espiritismo.

Publicado na Revista Cristã de Espiritismo, edição 09.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010


As Lições da Guerra


Os terríveis combates entre as nações e as raças, além das convulsões que sacodem o mundo, produzem os mais sérios problemas e, em presença desse grande drama, mil questões se apresentam à mente humana ansiosa, havendo momentos em que a dúvida, a inquietação e o pessimismo dominam os espíritos mais fortes e decididos.

O progresso será uma vã ilusão? A civilização ficará submersa no mar das paixões brutais? Os esforços dos séculos em prol da justiça, da fraternidade e da paz social serão inúteis? As concepções da arte e do gênio do homem, os frutos do pesado e imenso trabalho de milhões de cérebros e de braços irão desaparecer arrasados pela tormenta?

Esse abismo de desgraças é analisado calmamente pelo pensador espiritualista e do caos dos acontecimentos ele extrai a principal lei que rege o Universo.

Acima de tudo, lembra-se de que nosso mundo é um planeta inferior, um laboratório onde desabrocham as almas ainda inexperientes com seus anseios confusos e suas paixões desordenadas.

O profundo sentido da vida aparece, para o pensador espírita, com as duras necessidades que a ela são inerentes; é o início das qualidades e energias que existem em todos os seres.

A fim de que as energias que existem desconhecidas e silenciosas nas profundezas da alma apareçam na superfície, há necessidade de aflições, angústias e lágrimas, porque não existe grandeza sem sofrimento, nem progresso sem provação.

Se o homem na Terra se desvencilhasse das vicissitudes da sorte e ficasse privado das grandes lições do sofrimento, poderia fortalecer o caráter, desenvolver a experiência ou valorizar as riquezas ocultas de sua alma?

No mundo, sendo o mal uma fatalidade, não existirá responsabilidade para os maus?

Seria um erro funesto aceitá-lo, porque o homem, em sua ignorância e cegueira, semeia o mal, cujas conseqüências caem pesadamente sobre ele, assim como sobre todos os que se associam às suas más ações. É isso que o momento atual comprova.

Dois poderosos imperadores, um protestante e outro católico, desencadearam a guerra com todos os seus horrores; fazia meio século que vinham preparando, calculando e combinando tudo para obter uma vitória esmagadora.

Os poderes espirituais, porém, interferiram no conflito, inspirando às nações em perigo uma heróica resistência e nelas fazendo surgir os tesouros do heroísmo que estavam acumulados nas almas célticas e latinas, desde anteriores existências.

Vejam como se inverteu a situação após seis meses de lutas. Os alemães faziam uma guerra de conquista, no início da campanha; hoje estão reduzidos a combater em defesa própria.
Nos momentos de amargura e de incerteza sempre surge um homem providencial. Neste caso, e para a França, esse homem é o general Joffre, que possui as qualidades exigidas pela grave situação do momento!

Ele soube conter no Marne a enorme avalanche alemã e agora, como comandante sábio e competente, poupando seus soldados, prepara, prudentemente, os meios de expulsar o inimigo para além das fronteiras.

Acima do confuso tumulto das batalhas, além dos clarões terríveis da carnificina e do incêndio, vislumbra-se uma aurora e um grandioso ideal começa a se esboçar; pressente-se a obra de moralização que dimana do sofrimento.

Acima da labareda das paixões terrenas, sente-se a presença de um tribunal invisível que espera o final do conflito para reivindicar os direitos da eterna justiça.

Nossos soldados sentem tais coisas de modo vago, têm a intuição de que sua causa é augusta e sagrada, e tal impressão vai, pouco a pouco, propagando-se por todo o país. Aí se explica por que a inteligência se tornou mais digna e os sentimentos ficaram mais graves e profundos.

A borrasca espantou as futilidades e as leviandades, com tudo quanto era pueril e mundano em que nossa geração gostava de se ocupar, deixando permanecer o que havia em nós de mais sólido e melhor.

Ainda subsistem, sem dúvida, muitos resquícios de imoralidade, corrupção e decadência e, por vezes, perguntamos se tamanha lição não foi bastante para corrigir nossos vícios. Em compensação, quantas existências fantasiosas, estéreis ou desordenadas ficaram mais simples, puras e fecundas.

A vida pública e a privada, sob certos aspectos, estão sofrendo uma radical transformação. Essa purificação dos costumes e do caráter traz consigo a das letras francesas, a do jornalismo, enfim, a do pensamento sob todas as formas em que se expresse, parecendo que estamos livres, por muito tempo, dessa psicologia mórbida, dessa pornografia chula, venenos da alma que nos faziam ser considerados, pelo estrangeiro, como nação decadente.

Quem ousaria servir-se da pena para recair em semelhantes erros? Os escritores e os romancistas do futuro terão assuntos bem diversos, graves e elevados para suas obras.

Por certo não perdemos de vista o lamentável desfile das desgraças produzidas pela guerra: as horríveis hecatombes, a aniquilação das vidas, o saque e a destruição das cidades, os estupros, os incêndios, os velhos, as mulheres e as crianças espoliadas, mortas ou mutiladas, a fuga dos rebanhos humanos abandonando seus lares devastados, afinal, o espetáculo do sofrimento humano no que existe de mais intenso e pungente.

Qualquer espírita sabe que a morte é apenas uma aparência: a alma, ao desprender-se do seu envoltório material, adquire maior força, maior percepção das coisas e o ser se encontra mais vivo no Além.

O pensamento se purifica pela dor, nenhum sofrimento se perde e nenhuma provação deixa de ter sua compensação. Os que morreram pela pátria recolhem os frutos do seu sacrifício e o sofrimento dos que sobreviveram transmite aos seus perispíritos ondas de luz e sementes de futuras felicidades.

A questão do progresso se resolve facilmente, porque só ele é real e permanente, sendo simultâneo em seus dois aspectos, o material e o moral.

O progresso meramente material é, com muita freqüência, apenas uma arma colocada a serviço das más paixões.

Aos bárbaros da atualidade a ciência forneceu formidáveis recursos de destruição: máquinas variadas, violentos explosivos, pastilhas incendiárias, dispositivos para o lançamento de líquidos inflamáveis, gases asfixiantes ou corrosivos, etc.

A navegação aérea e submarina aumentou de muito o poder do fogo, todavia todos os progressos da ciência tornam o homem infeliz, enquanto ele permanece mau. E tal situação se prolongará enquanto a educação popular for falseada e o homem seguir ignorando as verdadeiras leis do ser e do destino, assim como o princípio das responsabilidades com suas conseqüências nas vidas sucessivas.

Sob esse aspecto, o fracasso das religiões e da ciência é completo: a guerra atual o comprova, fartamente.

Com relação ao progresso moral, ele é lento e quase imperceptível na Terra, graças à população do globo que cresce incessantemente com elementos provindos de mundos inferiores.
Só os espíritos que conseguiram certo grau de progresso na Terra evoluem com proveito para grupos melhores. Eis por que varia pouco o nível geral, permanecendo raras e ocultas as qualidades morais dos indivíduos.

Os golpes da adversidade ainda serão, durante muito tempo, meios necessários para impelir o homem a se desprender do círculo estreito onde se encerra, obrigando-o a elevar mais alto seu pensamento.

Ainda precisará escalar, muitas vezes, a íngreme ladeira do calvário através de espinhos e pedras pontiagudas. Todavia, do escabroso pico, ele divisará o brilho do grande foco de sabedoria, de verdade e de amor que ilumina e fortalece o Universo.

Tudo, na ordem espiritual, se resume em duas palavras: reparação e elevação!

As calamidades são o cortejo inevitável das humanidades atrasadas e a guerra é a pior de todas. Sem elas o homem pouco desenvolvido perderia o seu tempo com as inutilidades da jornada ou se entregaria ao bem-estar e à preguiça.

É preciso o guante da necessidade e a noção do perigo para obrigá-lo a movimentar suas forças adormecidas, desenvolver-lhe a inteligência e apurar-lhe a razão.

Tudo que é destinado à vida e ao crescimento se prepara na dor. É necessário padecer para dar à luz, eis a colaboração da mulher. Cumpre padecer para criar, eis a participação do gênio.

Nos momentos supremos de sua história é que as qualidades varonis de uma raça se apresentam com maior brilho. Se a guerra desaparecesse, com ela desapareceriam muitos males e muitos horrores; mas não é a guerra também geradora do heroísmo, do espírito de sacrifício, do desprezo pelo sofrimento e pela morte? São estas coisas que fazem a grandeza do homem, as que o colocam acima do irracional.

O homem, espírito imortal, é um centro de vida e de atividade que, de todas as vicissitudes, todas as provações, mesmo as mais cruéis, deve conseguir outros processos pelos quais se expandam cada vez mais as energias existentes em nosso íntimo.

As grandes emoções nos fazem esquecer as preocupações corriqueiras (muitas vezes frívolas) da vida, abrindo em nós uma passagem para as influências do Espaço.

No entrechoque dos acontecimentos, a bruma formada por nossos anseios, pensamentos e inquietações de cada dia se esvai e a grande lei, o supremo objetivo da existência se revela, por um instante, aos nossos olhos.
Nos mundos mais adiantados, nas humanidades superiores à nossa, os flagelos não têm mais razão de ser, não existindo a guerra, porque a sabedoria do espírito elimina todos os conflitos.

Os habitantes dos mundos felizes, iluminados pelas verdades eternas, com a aquisição dos poderes da inteligência e do coração, não têm mais necessidade desses terríveis estímulos para despertar e cultivar os recursos ocultos da alma.

Na grande escalada do progresso, as causas do sofrimento se atenuam à medida que o espírito progride, porque se tornam cada vez menos necessárias para uma ascensão que se realiza livremente, na paz e na luz.

A grande escola das criaturas e dos povos é o sofrimento. quando eles se afastam do caminho reto e descambam para a sensualidade e para a decomposição moral, a dor, com seu aguilhão, recoloca-os no verdadeiro caminho.

É necessário que o homem sofra para desenvolver a sensibilidade e a vida, sendo esta uma lei grave, séria e de proveitosas conseqüências.

É preciso sofrer para sentir e amar, crescer e elevar-se. Só o sofrimento domina os furores da paixão, desperta em nós as meditações profundas e revela às almas o que há de melhor, mais belo e mais nobre no Universo: a piedade, a caridade e a bondade!
Do seu banho de sangue e de lágrimas, a França sairá rejuvenescida e mais bela, irradiando eterna glória, para prosseguir a missão que sua História lhe impõe.


Leon Denis


*Do livro o Mundo Invisível e a Guerra, trecho do cap III, a partir de comunicações recebidas de seus amigos espirituais.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Música Espírita : Filhos do Amor – Sábado de Sol

Esse é um videoclipe que editei para a música “Filhos do Amor”, do grupo espírita Sábado de Sol. Como o próprio título já diz, a letra da canção nos coloca como filhos legítimos do criador e nos receita o amor como o remédio para vencer as nossas mazelas.


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Leon Denis na Intimidade


Suas Distrações: a Leitura, as Viagens, a Música


Léon Denis em sua Infância apreciava, dissemos antes, extremamente o estudo da geografia. Em imaginação ele transpunha os mares, franqueava os montes e se evadia assim dos círculos estreitos em que vivia: O gosto pelas viagens, inato nele, orientava-o para este e, pode-se presumir que a ocupação que ele escolheu mais tarde proporcionou-lhe ao mesmo tempo a independência e uma bela e sadia distração. Realizando, por afazeres comerciais, longas viagens pela França e pelo estrangeiro, ele realizava o sonho de ver outras terras, outros homens, outros costumes. Mas era como um verdadeiro peregrino, mochila às costas, cajado ferrado na mão, que Léon Denis preferia viajar. Ele amava tomar estes grandes banhos de ar e que vivificam o corpo e a alma de todos aqueles que sabem apreender as grandezas que a natureza oferece. Ele percorria assim as províncias francesas: o Alvergue, a Savóia, a Daufinéia, a Lorena, e a Bretanha. Ele visitou a Kabília, a Tunísia; a Sardenha, a Córsega e a Itália.

A excursão que o Mestre fez à Tunísia, foi publicada sob a forma de uma pequena brochura em 1880, sob o título A Tunísia e a Ilha da Sardenha. Poucas pessoas conhecem atualmente estas maravilhosas páginas de literatura descritiva. Léon Denis via como um poeta; sua pena igualava o pincel de um pintor. A pitoresca descrição de sua viagem tem um belo colorido. O viajante nos faz compartilhar de múltiplas impressões. Nos descreve Tunis, sua vida desbordante de atividade, os tipos estranhos e tão diversos que aí se acotovelavam, mulheres mouras, artífices, mercadores, soldados.

Em uma idade bastante avançada, Léon Denis soube criar para si uma salutar distração aprendendo á tocar piano. Ele executava por si mesmo, com muita correção, velhas árias de ópera. O Mestre aproveitava o mais das vezes o momento em que eu estava ocupada em copiar um grande artigo para se entregar a esta distração. Era-me agradável ouvi-lo executar a Romanza de Flotow:

Seule rose fralche èclose, comment peux-tu fleurir. Quando Phiver froid et morose sans pitlé va te fletir.

O filósofo era um grande amador da música; durante suas permanências em Paris ele freqüentava os concertos Collone e Lamoureux. A música facilitava grandemente a preparação de suas conferências. Ele nos disse que nunca tinha falado em Lyon sem ter ido, na véspera, passar a noite no Grande Teatro daquela cidade. Enquanto se desenrolavam as harmonias musicais, ele repassava interiormente os principais períodos de seu discurso.

Nos derradeiros anos de sua vida, uma leitura em Braille, um trecho de música não eram as únicas distrações do Mestre. Ele tinha em torno de si seus gatos que não o deixavam nunca e aos quais ele prodigalizava um grande afeto. Amava falar, acariciá-los, fazê-los brincar. Georgette, a fiel empregada do Mestre, havia introduzido sub-repticiamente uma pequena gata que uma pessoa que freqüentava a casa lhe havia dado. Ela mantinha-a em sua cozinha, mas Léon Denis a achou tão esperta, tão pequenina que a adotou. Foi batizada por Bibiche. Ela não deixava nossa mesa de trabalho, divertia-se com os papéis, virava o tinteiro e, sempre desastrada saltava, às vezes, dos ombros do Mestre para sua cabeça. Este pequeno ser cheio de vida e de graça o alegrava. Um filho de Bibiche do qual ele nunca quis se separar atendia pelo nome de Paullot; era um belo angorá branco que se tornava mais e mais majestoso ano após ano. Estes dois animais não deixavam nunca a sala onde passávamos o inverno; um ronronava sobre os joelhos do Mestre, que evitava fazer um único movimento para não perturbá-lo, a outra se enrolava perto do fogo sobre uma almofada. Por vezes eles nos olhavam graves como pequenas esfinges, tão graves que poder-se-ia crer que seguiam nossas leituras.

Georgette tinha cuidado nas horas das refeições em não dar acesso às salas senão a um gato por que; - dizia ela, - o Senhor é de uma fraqueza extraordinária e deixaria cair uma boa parte de seu jantar.

Léon Denis, quando em vida, depois de um quarto de século em perpétuas relações com os seres que povoam o mundo Invisível, tinha uma alegria natural e não perdia jamais a ocasião de dizer uma palavra bondosa, a qual lhe vinha tão depressa que seu interlocutor se surpreendia com o octogenário de aspecto grave, num jogo de espírito tão alegre. O espírito prazenteiro do Mestre fazia-o encontrar espontaneamente o traço agradável responder ao Senhor Hubert Forestier, secretário particular do Sr. Jean Meyer, que lhe dera a conhecer o nascimento de uma filhinha, o Mestre me estendeu o cartão colorido e me perguntou: Que representa ele? - Uma tela de Louis Berould, - disse-lhe eu, - representando o salão quadra do Louvre onde está exposta a Mona Lisa. - Vamos pegá-lo, disse ele. Essas palavras me foram então ditadas: Muito emocionado por vossa bondade, eu vos envio meus melhores votos para vós e para a Senhora Forestier, com minhas felicitações por vossa obra prima que não é uma pintura...

A lembrança desta brincadeira saída da boca do Mestre é destinada a mostrar seu abandono e sua espontaneidade e para ensaiar torná-lo mais vivo. Isso prova que um filósofo octogenário é, muitas vezes, mais jovem de caráter do que um estudante de vinte anos e este era o caso de Léon Denis.

Depois de sua morte, o Sr. S., advogado do tribunal de Reines nos escreveu: Uma coisa que me maravilhava era a juventude do estilo que Léon Denis conservou até o fim. Há pessoas que, aos trinta anos, já são velhas. A riqueza do coração, o sentido profético, a vida profunda, fazem de outros homens eternamente jovens. Vosso Mestre era um destes.


Claire Baumard, do livro “Leon Denis na Intimidade.”


Imagem: Leon Denis e sua mãe Sra.Anne-Lucie Liouville

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Imagem e Mensagem : Divaldo Franco psicografa Leon Denis

Um vídeo documento do bicentenário de Allan Kardec, em 2004, durante o 4º Congresso Espírita Mundial em Paris, França, em que o médium Divaldo Franco psicografa uma mensagem de Leon Denis intitulada “Reconhecimento a Allan Kardec”.



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