segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Psicografia e Ciência


Psicografia, o que ocorre no cérebro?



Entrevista por Victor Rebelo

Em entrevista exclusiva, *Dr. Júlio Peres fala sobre sua mais recente pesquisa científica, que demonstra que áreas ligadas à criatividade e planejamento são muito pouco ativadas durante a atividade mediúnica.

A seguir, acompanhe a entrevista exclusiva sobre seu mais recente estudo científico, envolvendo a mediunidade.

Doutor, qual foi o objetivo da pesquisa?

Dr. Júlio Peres - Verificar as possíveis mudanças no fluxo sanguíneo cerebral durante a psicografia, em comparação com a escrita de um texto original (sem transe mediúnico) sobre um tema similar ao que o médium tem o hábito de psicografar.

Quais foram as instituições e os grupos que desenvolveram essa pesquisa?

Pesquisadores do Instituto de Psiquiatria-IPq-do HCFMUSP, Universidade Federal de Juiz de Fora, Universidade Pensilvânia e Universidade Thomas Jefferson estiveram envolvidos no estudo.

Que método foi utilizado? Vocês usaram que tipo de equipamento?

Utilizamos o método de neuroimagem funcional SPECT (Single Photon Emission Computed Tomography) ou Tomografia Computadorizada de Emissão de Fóton Único.

Em entrevista à rádio CBN, o senhor afirmou que foi constatado que as áreas do cérebro responsáveis pela criatividade tiveram menor atividade durante a psicografia, no entanto, a complexidade dos textos psicografados era superior à dos escritos em estado de vigília. O senhor poderia falar mais sobre isso, para nossos leitores, por favor?

As amostras de escrita produzidas foram analisadas e verificou-se que os textos psicografados foram mais complexos que os conteúdos produzidos no estado normal de vigília. Os conteúdos gerados durante as psicografias envolveram princípios éticos/espirituais e a importância da união entre ciência e espiritualidade.

Em particular, os médiuns mais experientes apresentaram escores significativamente mais elevados de complexidade, o que normalmente exigiria mais atividade nos lobos frontais e temporais, e este não foi o caso. As áreas relacionadas ao planejamento mostraram menor atividade. Em outras palavras, durante a psicografia, os cérebros ativaram menos as áreas relacionadas ao planejamento e à criatividade, embora tenham sido produzidos textos mais complexos do que aqueles escritos sem "interferência espiritual".

A despeito deste achado ter sido inesperado para corrente central da Ciência, o mesmo é compatível com a hipótese que os médiuns afirmam: a de que o texto escrito por eles pode ser de autoria do espírito comunicante, portanto, de outra inteligência.

Quem fez e como foi feita a comparação? Quais os critérios adotados?

Foi avaliada a complexidade da estrutura narrativa das psicografias em relação à escrita, controle no que diz respeito, por exemplo, à utilização de sujeito, verbo, predicado, capacidade de produção de texto legível e compreensível.

Ainda na entrevista à CBN, o senhor afirmou que o texto que eles escreveram era semelhante ao tipo de texto que eles estão habituados a psicografar... isso seria um "pareamento de tarefas". Explique melhor, por favor.

Sim. A condição alvo e a condição controle foram pareadas de maneira que a subtração entre as duas condições resultou no diferencial mediunidade, objeto de nosso estudo.

Cientificamente falando, dá para se chegar a que conclusão?

Várias hipóteses foram consideradas. Uma delas é que como a atividade do lobo frontal diminui, as áreas do cérebro relacionadas à criatividade estão mais desinibidas (o que ocorre com o uso de álcool ou de drogas). De uma maneira semelhante, o desempenho na meditação e na improvisação musical estão associados com níveis mais baixos de atividade cerebral, que pode favorecer o relaxamento e a criatividade respectivamente. Porém, é importante notar que o consumo de álcool/drogas, a meditação e a improvisação musical são estados bastante peculiares e distintos da psicografia, portanto, não comparáveis diretamente com a expressão literária mediúnica. Os médiuns referem que "a autoria dos textos psicografados foi dos espíritos comunicantes e não pode ser atribuída a seus próprios cérebros", sendo assim esta hipótese plausível.

O presente estudo é a primeira investigação mundial sobre mediunidade com metodologia de neuroimagem. Devemos ter tranquilidade numa fase embrionária de pesquisa neste campo. Embora o motivo exato dos presentes resultados não seja conclusivo neste momento, esta primeira avaliação neurocientífica fornece dados interessantes sobre estados dissociativos mediúnicos alinhados à compreensão da mente e sua relação com o cérebro, e estes achados merecem futuras investigações, tanto em termos de replicação quanto de hipóteses explicativas.

Para os espíritas, esse resultado seria uma evidência da interferência de um espírito...

Não posso tirar conclusões pelos espíritas ou qualquer grupo, cético ou religioso. Meu objetivo como investigador é conduzir estudos com rigor científico, apresentar os resultados e possíveis discussões relacionadas aos achados para que a compreensão sobre o tema possa realmente avançar sem preconceitos.

Como foi feita a escolha dos médiuns? Quantos participaram?

Entre mais de 170 entrevistas, foram selecionados dez médiuns brasileiros com 15 a 47 anos de experiência mediúnica e aproximadamente 18 psicografias por mês, destros e com plena saúde mental.

Este estudo específico que vocês realizaram é o primeiro. Existem outros estudos nessa área que possam colaborar para que a Ciência chegue a uma conclusão? Quais?

Novos estudos estão em nossa agenda. O próximo envolverá neuroimagem de médiuns pictógrafos. Estamos selecionando 20 voluntários médiuns pictógrafos (médiuns pintores) para um novo estudo com neuroimagem em meados de 2013. Solicito que os médiuns com consistente experiência nesta área entrem em contato comigo pelo e-mail contato@julioperes.com.br (Assunto: Estudo Mediunidade Pictográfica) para que eu possa entrevistá-los.

Esse tipo de estudo pode trazer quais contribuições à psiquiatria e psicologia?

Os "ingredientes dinâmicos" que constituem a personalidade-e fazem de uma pessoa um ser único -não foram até agora encontrados pela Ciência. A natureza humana é um relevante e essencial objeto de estudo para todos os profissionais que trabalham no campo da cura da dor psíquica em sua miríade de expressões.

A compreensão da etiologia do sofrimento humano será, esperançosamente em um futuro próximo, alinhada a uma terapia eficaz. Considero que mais pesquisas devem abordar critérios de distinção entre as expressões dissociativas saudáveis e patológicas no âmbito da mediunidade.

O estudo "Neuroimagem durante o estado de transe: uma contribuição ao estudo da dissociação" foi publicado recentemente pela PLOS ONE, prestigioso periódico científico de acesso público gratuito. Procure na seção de artigos do site: www.plosone.org.

Dr. Júlio Peres é psicólogo clínico com 22 anos de experiência em consultório particular, especializado em distúrbios como ansiedade, fobia, síndrome do pânico, trauma e estresse pós-traumático e depressão.

Variedade de médiuns escreventes (psicógrafos)

"191. 1*- Segundo o modo de execução:
Médiuns escreventes ou psicógrafos: os que têm a faculdade de escrever por si mesmos sob a influência dos Espíritos.
Médiuns escreventes mecânicos: aqueles cuja mão recebe um impulso involuntário e que nenhuma consciência têm do que escrevem. Muito raros. (N* 179).
Médiuns semimecânicos: aqueles cuja mão se move involuntariamente, mas que têm, instantaneamente, consciência das palavras ou das frases, à medida que escrevem.
São os mais comuns. (N*181.)
Médiuns intuitivos: aqueles com quem os Espíritos se comunicam pelo pensamento e cuja mão é conduzida voluntariamente.
Diferem dos médiuns inspirados em que estes últimos não precisam escrever, ao passo que o médium intuitivo escreve o pensamento que lhe é sugerido instantaneamente e provocado. (N*180.)
São muito comuns, mas também muito sujeitos a erro, por não poderem, muitas vezes, discernir o que provém dos Espíritos do que deles próprios emana.[...]"
Trecho do cap.XVI de O Livro dos Médiuns. Allan Kardec

*Doutor Júlio Peres é psicólogo clínico e Doutor em Neurociências e Comportamento pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. Fez Pós-doutorado no Center for Spirituality and the Mind, University of Pennsylvania e na Radiologia Clínica-Diagnóstico de Imagem pela UNIFESP.

sábado, 19 de agosto de 2017

A Mediunidade em nós

Como saber se sou médium? Muitas pessoas questionam sobre esse assunto, pois a mediunidade é um tema que gera dúvidas e polêmicas. Inerente ao espírito, ela permite que todos sejamos médiuns, mas nem todos podemos ver ou se comunicar com os espíritos da mesma forma pois, para algumas pessoas, ela é mais aflorada. Mas como podemos desenvolver a mediunidade? Por que geralmente as crianças têm essa capacidade mais desenvolvida que os adultos? O estudo da doutrina espírita auxilia a aflorar essa capacidade? Veja o que a expositora espírita Celina Sobral fala sobre o assunto.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

O Impulso das Crises na Transformação Social



Por Eliana Haddad

A vida de Nancy Puhlmann Di Girolamo sempre esteve ligada à Instituição Beneficente Nosso Lar, dedicada às pessoas portadoras de deficiências, fundada em São Paulo, em 1946, por sua mãe, Maria Augusta Ferreira Puhlmann. Escritora, articulista, Nancy publicou vários livros enfocando pessoas com deficiências, enfatizando a importância do desenvolvimento das potencialidades humanas.

Enfermeira pela Universidade Federal de São Paulo com especialização em neuropediatria e socióloga pela Escola de Sociologia e Política da Universidade de São Paulo, Nancy tem mestrado em antropologia cultural e é pós-graduada em reorganização neurológica na Filadélfia (EUA).

Aos 91 anos, Nancy recebeu com muita alegria o Correio Fraterno em sua residência para esta entrevista. Atenta à modernidade, simples e fiel ao seu raciocínio rápido, Nancy analisou a história e o papel do espiritismo nas transformações sociais, compartilhando ainda com satisfação suas ricas experiências em tempos de longevidade.

O que está ocorrendo com a nossa sociedade e qual o papel do espiritismo neste momento?

A sociedade está em crise, mas as crises sempre existiram. Elas são necessárias, porque fazem parte do processo sociológico do progresso. Percebo também que a doutrina espírita entrou na fase sociológica, tendo dado mais ênfase antes à psicologia e à medicina, no sentido espírita. Toda literatura espírita é sociológica porque o espiritismo é um ensino do destino e dos objetivos do espírito e suas relações com o mundo corpóreo, com o mundo social. Kardec, quando coloca na terceira parte do O Livro dos espíritos as leis morais, ele entra no social, mas como uma atitude comportamental interior que se expande sempre através das relações com o próximo.

Em sua opinião, o espiritismo já conseguiu cumprir com esse objetivo no aspecto social?

Acho que sim, pelo sentido real das propostas e ideações ultimamente desenvolvidas. Houve com Chico Xavier uma grande expansão do social na divulgação das ideias espíritas, baseadas na obra estruturada de Kardec. E isso está ocorrendo também com o trabalho de Divaldo no mundo.

A senhora está falando de expoentes. Mas e o espírita de maneira geral, está conseguindo enxergar o papel do espiritismo ou ainda está voltado para si mesmo?

Prioritariamente, sim, ainda. Todo ser humano faz parte de uma história que o obriga a olhar para si mesmo num processo normal de conhecimento. E isso vai permanecer por muito tempo, é um problema de evolução. Na realidade, é na vida social que exercitamos nossos papéis. É no intercâmbio mesmo que o progresso se dá, na lei de sociedade.

Como a senhora vê a bandeira do espiritismo "Fora da caridade não há salvação" na sociedade hoje?

Acho que apesar da insistência de Kardec, de fazer inclusive uma pergunta específica sobre isso aos espíritos, ainda não se compreendeu muito bem o que seja isso. Kardec obteve a resposta clara e definitiva de que a ideia de caridade retrata o pensamento de Jesus: "Benevolência para com todos, indulgência com as faltas alheias e perdão das ofensas". São três atitudes interiores do ser. Dar é sempre um desprendimento, com valor ou não, mas a caridade não acaba aí. Apenas começa assim e depois esse sentimento vai se desenvolvendo em outros aspectos no relacionamento humano. Caridade é uma atitude sempre nova como agente transformador das relações de uma maneira geral.

Que análise podemos fazer, nesse sentido, do momento atual?

Estamos numa fase de mudanças tremendas. Mas é preciso compreender que esse processo já vem se realizando há mais tempo. Quando os espíritos anunciaram "os tempos são chegados" não se referiam a um exato momento de 1857, como uma transformação que surgisse de um dia para outro, mas assinalavam as circunstâncias que começavam a se fazer presentes e favoráveis às mudanças necessárias e inevitáveis. Quando as mudanças sociais são rápidas, provocam uma crise que exige muita reflexão, pois nem sempre há maturidade suficiente da sociedade para assimilá-las. É preciso comandar, dirigir e administrar a mudança para não sermos engolidos por ela. A lei social humana é lei de progresso.

Mas também podemos atrasar o progresso.

Sim, claro. Isso é exatamente o que Kardec obteve de resposta dos espíritos. Não se pode entravar o progresso, mas pode-se atrasá-lo, sim. Não é que possamos paralisá-lo definitivamente, porque ele é uma força de lei, supremamente superior ao estacionamento e à inércia. Por isso está também presente mesmo quando dizemos que o que vale mesmo é o aqui e agora, que se deve se concentrar somente no presente. O maior perigo é que a inércia pode trazer é o pessimismo.

É o que acontece hoje com a humanidade diante de tantos conflitos?

A situação econômica e política mundial, no Oriente e no Ocidente, está conflitante, confusa. Podemos ter um pensamento pessimista porque aparentemente parece que tudo está perdido. Como se quiséssemos permanecer numa zona de conforto, de acomodação. Ora, a realidade não é essa. Aliás, aí entra o pensamento da doutrina espírita. A sociedade está submetida à lei maior, a lei do progresso, e os conflitos atuais não são um retrocesso, um risco iminente, mas uma maneira de se processar o avanço. Lembro que no meu tempo de estudante de sociologia, a gente estudava o mesmo processo: conflito, competição, interação e miscigenação. Hoje, ultrapassamos essas fases que são repetitivas e entramos na fase da inclusão. Hoje nós incluímos tudo. Incluímos preconceitos que eram rechaçados e que hoje estão em moda. Damos realce, exageramos o seu valor. Isso também não é correto, porque toda oposição reforça o oponente.

E qual seria então, sociologicamente, o próximo passo desse sistema que estamos vivendo?

Falar sobre o próximo passo é o mesmo que indagar sobre qual será nosso futuro. E isso a doutrina espírita mostra ser único. Só há um caminho: o progresso intelecto-moral. Lembrando-se sempre, porém, de que não é pelo desenvolvimento intelectual que o moral se desenvolve. Na questão da inclusão, quando as oportunidades são mais amplas, ela é uma bênção, porque se num primeiro momento ela chega confundindo, miscigenando tudo, na sequência virá a organização. Precisamos refletir e perceber que a lei divina está acima de ideias pessoais, grupais, institucionais. Querendo ou não, estamos progredindo e é reforçando-se o bem que se enfrenta o oponente. É como ensinou Jesus na parábola do joio e do trigo. Eles crescem juntos e somente quando estão bem grandes é que se consegue separá-los. Para curar a sociedade é preciso também sanear a forma de pensar, ter noção de que o pensamento e a mente são nossos grandes colaboradores, se soubermos direcioná-los adequadamente. Nesse sentido, devemos nos trabalhar interiormente na procura do bem. É preciso achar o bem. E se procurar, acha.

E teremos condições de fazer essa separação naturalmente no estágio evolutivo em que nos encontramos?

Sim. Não digo nós, referindo-me à população presente no globo hoje. Mas a população que virá, pelo próprio processo da reencarnação, que poderemos ser nós mesmos. Nossa responsabilidade continua. Não há ruptura. Oxalá, possamos estar encarnados, participando ativamente dessa transformação. Ela não vem de graça, mas está aguardando pelas nossas atitudes, coletivamente, porque sozinhos somos poucos, não iremos conseguir. Por isso há uma lei divina, que é da sociedade. É juntos que precisamos fazer isso.

Com tanta violência, conflitos, a primeira impressão é a de que o bem está distante, que estamos retrocedendo...

A grande questão é: a crise, a dificuldade, é um empecilho ou um avanço? Toda dificuldade é um avanço, porque todo erro é uma experiência já realizada e aí está o aprendizado. Se não errássemos, não conheceríamos. Estamos numa época catártica, colocando para o exterior aquilo que está nos incomodando por dentro. É sempre um momento importante, muitas vezes dolorido, mas o que vai nos fazer crescer, tirando-nos do conforto e nos impulsionando à ação.

Qual seria o papel do espiritismo nessa transição?

Primeiro, é preciso que ele seja muito bem conhecido como doutrina kardeciana, de bom senso. Quanto mais se lê, mais se descobre, mais se admira o pensamento de Kardec, a pesquisa que ele fez, a doutrina como ele organizou. Ela é um farol na escuridão a se projetar para nos auxiliar, inclusive na busca do lado positivo. Acreditando e não desanimando. Tudo é uma questão de sintonia.

O que a senhora proporia para a divulgação da doutrina atualmente? Estamos conseguindo acender essa luz, levar essa mensagem?

Tenho a impressão de que, no sentido sociológico, o grupamento espírita iniciou a unificação de ideias, não no sentido institucional, orgânico, mas de pontos de vista, de forma a centrar e valorizar a base, a obra de Kardec. Mas não podemos esquecer que o Cristo transcende na obra de Kardec. Há uma filiação fidedigna de Kardec para com o cristianismo, o que quer dizer que, se nos centrarmos nesse aspecto, encontraremos inúmeras modalidades de seguir o exemplo do espírito mais elevado que esteve entre nós e alavancar o nosso progresso na contextualização do seu evangelho. Através de perguntas e respostas, Kardec leva-nos a deduzir o que é preciso ser feito. Antes disso, o cristianismo estava devaneando, podemos dizer, estava disperso, avariado, ortodoxo, fundamentalista, tendencioso. Agora, por exemplo, sentimos uma mudança muito grande no sistema sociológico-religioso. Vemos que as religiões estão se abrindo.

E sobre a experiência do avançar da idade? Como aproveitar melhor tal condição?

O envelhecimento não é absolutamente o final de tudo, como se faz parecer, como se você fosse perdendo tudo da vida – a vista, o ouvido, o movimento, as células do corpo que já não se renovam tanto, embora os neuropeptídios estejam aí acenando para mudanças, através das pesquisas da neurociência. O envelhecimento nos traz a ponderação que fez falta a vida inteira. Faço hoje com muita alegria retrocessos da vida e vejo quantas coisas fiz por personalismo. O envelhecimento traz uma oportunidade maravilhosa de se fazer uma revisão, sem artifícios, sem o selo do 'faz de conta'. Você começa realmente a se descobrir e a achar graça de si mesmo. Estou à procura de mim mesmo. E me pergunto sempre: quem sou eu agora? Isso é uma bênção, compensador. O tempo é precioso e envelhecer pode não ser tão assustador. Querendo ou não a longevidade veio pra ficar. Não temos que ter medo do envelhecimento. É a vida.

Publicado no jornal Correio Fraterno, edição 462 - março/abril 2015

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Vida em outros Planetas

A visão espírita sobre a vida em outros mundos no programa, A Vida em Foco, com Dineu de Paula.

domingo, 13 de agosto de 2017

Especial Dia dos Pais

Senhor, Tu que és Pai de todos nós peço que abençoe aquele homem que enviaste para desempenhar o papel de meu Pai aqui na terra, através dele pude ver várias vezes tua face paterna, teu amor e compaixão.

Peço a ti Senhor, multiplicai seus dias em nosso meio para que eu possa sentir sua bendita presença nos momentos felizes e difíceis da vida.

Senhor acompanha meu Pai em todo riso e em toda lágrima, nos momentos do trabalho, do lazer e da oração, durante o dia e durante a noite e no sono tranquilo permita que ele experimente seu Amor divino.

Meu bom senhor, eu peço que tua benção se faça presente na vida de meu Pai hoje e todo o sempre, assim, quando eu estiver ao lado deste teu emissário sentirei tua presença e imensa misericórdia.

Amém,
Luis Alves

Prezados leitores,

Que o amor de Deus, O Pai maior, seja como bênçãos de luz para todos os pais.

Com muito carinho desejo-lhes:

Um Feliz Dia dos Pais!

São os votos de,
Carlos Pereira – Manancial de Luz

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Células-tronco


Marlene Rossi Severino Nobre, presidente da Associação Médico-Espírita do Brasil, numa entrevista à revista Reformador analisa a polêmica sobre o emprego de células-tronco e oferece esclarecimentos espíritas:

Reformador: Como avalia as pesquisas com células-tronco?

Marlene: Depende de que tipo de células-tronco estamos falando. Primeiramente é preciso lembrar que as células-tronco são indiferenciadas, quer dizer, em princípio, são capazes de gerar qualquer outra célula. Há dois tipos: a célula-tronco embrionária (CTE), retirada de embriões no início do seu desenvolvimento; e a célula-tronco adulta (CTA), obtida do cordão umbilical, da medula óssea ou de outros tecidos do corpo. As CTEs estão presentes no embrião do 5º ao 15º dia de vida. Para serem empregadas em pesquisa, há necessidade, portanto, de se destruir o embrião. A proposta que está sendo discutida, aqui no Brasil, é a da utilização em pesquisa dos embriões excedentes nas clínicas de reprodução assistida. A Associação Médico Espírita é contra a liberação dessas pesquisas com CTE, uma vez que, até o momento, não se pode ter certeza, se existe ou não Espírito ligado ao embrião. E isto porque a questão 344 de O Livro dos Espíritos afirma, com clareza, que a ligação do Espírito com a matéria se dá na concepção, isto é, no momento em que o gameta masculino se une ao feminino. Kardec afirma em A Gênese (cap. XI) que a ligação do Espírito com o embrião se dá de forma irresistível. Somos a favor das pesquisas, mas com células-tronco adultas, as que já existem nos tecidos do corpo, porque a aplicação delas evita a destruição de embriões, não causa rejeição, e são as únicas que têm demonstrado eficácia terapêutica, até o momento. O Brasil é um dos pioneiros no emprego das CTAs. Destacam-se os trabalhos já publicados pelo Dr. Hans Dohmman e o biólogo Radovan Borojevic, do Hospital Pró-Cardíaco, no Rio de Janeiro, e o Dr. Ricardo Ribeiro dos Santos, na Bahia, tratando de casos graves de insuficiência cardíaca com bons resultados.

Reformador: Alguns pesquisadores afirmam que, após três anos de congelamento, os embriões ficam inviáveis. Isso é verdade?

Marlene: Não, isso, em alguns casos, não é verdade. Basta ver casos concretos, como o que ocorreu com o menino do interior paulista, Vinícius Dorte, de 6 meses. Antes que ele fosse parar no útero da mãe, passou oito anos congelado num tanque de nitrogênio líquido (Folha de São Paulo, 9/3/2008). O mesmo 7 aconteceu com a menina Laina Beasley, norte-americana, nascida em 2005, e congelada por 13 anos. E há outros casos mais. É claro que o Espírito não está congelado, sua ligação com o embrião é tão-somente magnética. E se esses embriões tivessem sido enviados à pesquisa? Não se teria configurado o aborto? Como responderia, por exemplo, o pesquisador espírita, perante o plano espiritual, se impedisse a reencarnação desses Espíritos? Como dissemos, o embrião congelado pode ter e pode não ter Espírito ligado. Cabe a nós desenvolver e efetuar mais pesquisas.


Reformador: As células-tronco embrionárias são as únicas que têm possibilidade de dar origem a todo e qualquer tipo de célula do nosso corpo?

Marlene: Teoricamente, sim. Hoje, no entanto, já se sabe que a versatilidade da célula-tronco adulta é enorme. Na verdade, a Medicina só tem obtido bons resultados com o emprego delas. Inclusive, conseguiu-se ir além, produzir as próprias CTEs a partir de células adultas. Duas equipes conseguiram esse feito a partir de fibro-blastos (células dos músculos). Uma delas, da Universidade de Wiscosin-Madison, dos Estados Unidos, conduzida por James Thomson; a outra, da Universidade de Kyoto, no Japão, chefiada por Shynia Yamanaka. Além disso, é preciso não esquecer que as CTEs são muito instáveis, difíceis de ser cultivadas em laboratório. Quando implantadas em animais de experimentação, têm dado um alto índice de rejeição e de câncer. Uma pessoa que viesse a ser tratada com células-tronco embrionárias teria de tomar imunodepressores pelo resto da vida para evitar rejeição. Com o uso da CTA, isso não ocorre por ser retirada do próprio paciente.

Reformador: E a esperança que tem sido dada a tantos doentes? Afinal, não foram eles que influíram na votação dos deputados, pensando numa cura futura?

Marlene: Tão cedo não se obterá resultado algum. Segundo Robert Winston, um dos principais especialistas em Bioética, do Reino Unido, em recente entrevista ao jornal inglês The Guardian, a população desconhece as dificuldades que estão por trás das pesquisas com a CTE. Ele também lamentou o fato de os defensores dessas pesquisas gerarem falsas esperanças e exagerarem na campanha utilizada para a sua aprovação.

Reformador: Qual a questão bioética que mais choca no caso das pesquisas com CTEs?

Marlene: A destruição de embriões humanos para pesquisas. Em uma terapia com CTE é preciso sacrificar cerca de 300 a 400 mil embriões. Além disso, o cultivo in vitro das CTEs necessita da presença de finíssimas camadas de tecidos retiradas dos fetos vivos de qualquer estágio, chamadas Feeder layers e que são “produzidas” no Exterior e vendidas no mercado. Tudo isto implica dilemas éticos graves.

Reformador: Se houver a liberação do emprego de células-tronco embrionárias para pesquisa e tratamento, qual será o papel dos espíritas e do Movimento Espírita?

Marlene: Só nos resta acatar a decisão do Supremo Tribunal Federal. O fato, porém, de ser legal não torna o procedimento moralmente aceito. Cada pesquisador deverá agir de acordo com a sua própria consciência. Cremos, no entanto, que a liberação dessas pesquisas vai expor os pontos frágeis das células que não estão sob o comando do modelo organizador biológico. Tudo indica que a célula-tronco embrionária é selvagem, indócil, porque não tem perispírito acoplado. Assim, embora antiético, quem sabe, esse procedimento, ao se tornar legal, permita chegar à conclusão de que existe algo extrafísico no material genético? Tudo é possível.”

(Reformador, maio de 2008)
*As pesquisas com as CTE’s em nosso país foram liberadas pelo STF em 29/05/2008.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Hiperatividade

Qual a visão espírita para o tema hiperatividade? Como a doutrina explica o seu alto índice entre crianças e jovens nos dias atuais?

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Evangelização Infanto Juvenil


Entrevista com o médium e orador espírita Divaldo Pereira Franco – Texto extraído do Livro “Seara de Luz”

1 – Qual a importância da evangelização espírita infanto-juvenil na formação da sociedade do Terceiro Milênio?

DIVALDO: De máxima relevância, por ser a infância de hoje o elemento social que constituirá a nova humanidade programada para o início do Terceiro Milênio. Na alvorada do próximo século, os jovens da atualidade serão chamados a exercer tarefa e a atender os compromissos cujos resultados dependerão da sua formação. Sendo a Doutrina Espírita a mais excelente mensagem de todos os tempos – porque restauradora do pensamento de Jesus Cristo, de forma compatível com as conquistas do conhecimento moderno – é óbvio ser a preparação das mentes infanto-juvenis, à luz da evangelização espírita, a melhor programação para uma sociedade feliz e mais cristã. Considerando-se ainda que Entidades Venerandas retornam para apressar o reino de Deus enquanto outros Espíritos mais infelizes, retidos em regiões de dor, igualmente são trazidos à experiência da reencarnação iluminativa, é justo estejamos preocupados em socorrer estes últimos com a mensagem libertadora e em auxiliar aqueloutros que virão abrir novos caminhos para o bem e a Verdade.

2 – Como se efetua o apoio do Plano Espiritual Superior ao movimento de evangelização espírita infanto-juvenil?

DIVALDO: Sob a inspiração constante e a assistência espiritual aos trabalhadores do relevante mister, os Amigos da Vida Maior trazem ideias que se convertem em programas e técnicas e se transformam em experiências vitoriosas tão logo aplicadas, melhor atendendo às necessidades do movimento de evangelização espírita infanto-juvenil; distendem recursos terapêuticos durante as reuniões específicas, socorrendo e amparando os que trazem marcas mais vigorosas do passado próximo, em forma de limitação, enfermidade ou alienação por obsessão, e despertam os infantes e jovens para melhor compreenderem a necessidade de crescimento para Deus. Muitos Espíritos Nobres já estão reencarnados realizando esse cometimento na condição de evangelizadores e preparadores da juventude.

3 – Como os Espíritos Superiores estão vendo a atuação dos companheiros encarnados com responsabilidade nas tarefas de evangelização espírita infanto-juvenil?

DIVALDO: De forma positiva e muito confortadora, considerando-se os resultados palpáveis, não apenas no Brasil como em diversos países americanos onde têm chegado a sadia orientação e a oportuna ação cristã. Através dos dedicados trabalhadores encarnados, logram aqueles Condutores Espirituais atender à tarefa da espiritualização da criatura humana, com vistas ao futuro melhor de todos nós.

4 – Como os espíritos conceituam, no conjunto das atividades da instituição espírita, a tarefa de evangelização infanto-juvenil?

DIVALDO: Têm-nos informado os Benfeitores Espirituais, entre eles Bezerra de Menezes, Joanna de Ângelis e Amélia Rodrigues, que esse labor necessário é o sêmen fecundante do Bem no organismo da criatura humana, produzindo frutos de sabedoria e de paz. A casa espírita, através das suas diversas atividades doutrinárias, mediúnicas, educacionais e assistenciais compromete-se a ensinar e a viver a doutrina codificada por Allan Kardec, tarefas essas grandiosas e de valor incontestável. No setor doutrinário-educacional, a obra se agiganta quando dirigida às gerações novas, ainda não comprometidas emocionalmente com os problemas da atualidade e receptivas às orientações superiores. A divulgação do Espiritismo sob todas as formas é o grande desafio para os espíritas e suas instituições, neste momento grave da humanidade. A evangelização infanto-juvenil é uma das primeiras atividades a serem encetadas como base para a construção moral do Mundo Novo.

5 – Existem condições mínimas para se desempenhar a tarefa da evangelização? Quais seriam?

DIVALDO: Não pretendemos estabelecer regras de comportamento doutrinário, muito bem já apresentadas no corpo da Doutrina Espírita e em particular nas excelentes páginas “O homem de bem” e a seguir “Os bons espíritas”, no capítulo XVII de O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec. Não obstante, quem deseje desempenhar a tarefa de evangelização infanto-juvenil, deve possuir conhecimento do Espiritismo e boa moral, como embasamentos para essa empreitada. Como requisito igualmente primordial, deve ter conhecimentos de Pedagogia, Psicologia Infantil e Metodologia sem deixar à margem o alimento do amor, indispensável em todo cometimento de valorização do homem. Aliás, a programação para a preparação de evangelizador infanto-juvenil tem tido a preocupação de oferecer esses elementos básicos nos encontros e cursos ministrados periodicamente em diversas regiões do país, sob a orientação da FEB.

6 – Que papel cabe aos espíritas não envolvidos diretamente na evangelização infanto-juvenil, para o crescimento e maior êxito dessa tarefa?

DIVALDO: O de divulgar esse trabalho importante, estimulando os pais a encaminharem, o quanto antes, os seus filhos à preparação e orientação evangélico-espírita, de modo a contribuírem efetivamente para os resultados almejados. Da mesma forma, exemplificar, levando os filhos às aulas de evangelização e mantendo no lar a vivência espírita, ainda é a melhor metodologia para influenciar e conduzir sentimentos.

7 – Que orientação os Amigos Espirituais dariam aos pais espíritas em relação ao encaminhamento dos filhos à escola de evangelização dos centros espíritas?

DIVALDO: Informa-me Joanna de Ângelis que, na condição de pais e orientadores, nos compete a preocupação de oferecer o bom alimento aos filhos e aos nossos educandos; favorecê-los com o melhor círculo de amigos; vesti-los de forma decente e agradável; encaminhá-los aos bons professores, dentro da nossa renda; proporcionar-lhes o mais eficiente médico e os mais eficazes medicamentos quando estejam enfermos; conceder-lhes meios para a manutenção da vida; guiá-los na profissão escolhida. É natural, também, tenhamos a preocupação de atendê-los com a diretriz segura para uma vida e um porvir espiritual dignos. E esta rota é a Doutrina Espírita. Devemos, portanto, conduzi-los às escolas de evangelização dos centros espíritas, ou, do contrário, não estaremos cumprindo com as nossas obrigações.

8 – Quais recursos poderiam ser, ainda, acionados para expandir a tarefa de evangelização infanto-juvenil?

DIVALDO: Maior e mais constante intercâmbio entre evangelizadores e pais, a fim de conscientizá-los de suas responsabilidades, pois ambos estão interessados na formação moral e espiritual da criança e do jovem. Seria também muito válido que os resultados da evangelização infanto-juvenil fossem mais divulgados nos centros espíritas e se insistisse em difundir que o bem à infância se transforma em bênção para o adulto.

9 – Como vê o papel da evangelização infanto-juvenil na expansão do movimento espírita?

DIVALDO: Muito importante. Graças ao trabalho preparatório, há anos aplicado à criança e ao jovem nos núcleos de evangelização espírita, encontramos hoje uma floração abençoada de trabalhadores devotados. Esse ministério da preparação do homem de amanhã facultará ao Brasil tornar-se realmente “O coração do mundo e a Pátria do Evangelho” conforme a feliz ideação do Espírito Humberto de Campos, por intermédio de Francisco Cândido Xavier, traduzindo o programa do Mundo Maior para a nação brasileira.

10 – Pode o Brasil oferecer colaboração a outros países na área da evangelização infanto-juvenil?

DIVALDO: Sim, conforme já vem ocorrendo, desde quando foram adotadas providências para a participação da América Latina no cometimento dessa evangelização, publicando-se o material didático em castelhano e distribuindo-o gratuitamente por diversos países. Isso ocorreu recentemente, em Cartagena, na Colômbia, por ocasião do Congresso Espírita Pan-Americano. Terminado aquele conclave, a FEB ministrou um curso de preparação de evangelizadores com resultados muito felizes, como me foi possível constatar há pouco naquela cidade.

sábado, 5 de agosto de 2017

Enfermidades

O médico e divulgador espírita, Dr. Marcelo Garcia, esclarece sobre a visão espírita da origem das enfermidades numa entrevista ao programa, A Vida em Foco. O programa também traz em sua pauta os temas, finalidades das comunicações espíritas e a importância de Jerusalém nos textos bíblicos.



quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Reencarnação


Por Sérgio Biagi Gregório

1) Qual o conceito de reencarnação? É possível separar encarnação de reencarnação?

Reencarnação (re + encarnação) significa voltar a entrar na carne. A reencarnação é a volta do Espírito à vida corpórea, mas em outro corpo especialmente formado para ele e que nada tem de comum com o antigo. Pode-se falar também que é a doutrina da pluralidade e da unidade das existências corpóreas, isto é, do nascimento ou renascimento de Espíritos tanto na esfera terrena como na de outros planetas.

A diferença entre encarnação e reencarnação, caso fosse necessária, seria esta: a encarnação é ato de o Espírito tomar a carne; a reencarnação, a doutrina do fato.

Rigorosamente, a encarnação seria a primeira encarnação do Espírito; a reencarnação, a segunda. E, pelo fato da partícula Re haver perdido a sua força reduplicativa, significaria os demais nascimentos. (Paula, 1976)

Observação: Allan Kardec emprega os termos encarnação e reencarnação como sinônimos.

2) As plantas reencarnam? E os animais?

Reencarnação é a volta do Espírito em um novo corpo. As plantas não têm consciência de si, elas não pensam, não têm mais do que a vida orgânica. Elas não têm um Espírito, por conseguinte, não há razão para empregarmos o termo reencarnação quando nos referirmos a elas.

Os animais, ao contrário, possuem um princípio espiritual, que tem individualidade e sobrevive ao corpo. Mesmo não tendo consciência de si, podemos usar o termo reencarnação, pois essa individualidade, em atendimento à lei de evolução, pode tomar outros corpos.

Pergunta 597. Pois se os animais têm uma inteligência que lhes dá certa liberdade de ação, há neles um princípio independente da matéria?
— Sim, e que sobrevive ao corpo.
Pergunta 597A. Esse princípio é uma alma semelhante à do homem?
— É também uma alma, se o quiserdes; isso depende do sentido em que se tome a palavra; mas é inferior à do homem. Há, entre a alma dos animais e a do homem tanta distância quanto entre a alma do homem e Deus. (Kardec, 1995)

3) Podemos reencarnar em outros mundos? O que acontece com o perispírito?

Sim. Baseando-nos na teoria da pluralidade das existências e dos mundos habitados, o Espírito pode reencarnar em qualquer um desses mundos. Emigrando da Terra, o Espírito deixa aí o seu invólucro fluídico (perispírito) e forma outro apropriado ao mundo onde vai habitar.

Pergunta 187. A substância do perispírito é a mesma em todos os globos?
— Não; é mais eterizada em uns do que em outros. Ao passar de um para outro mundo, o Espírito se reveste da matéria própria de cada um, com mais rapidez que o relâmpago. (Kardec, 1995)

4) Qual o limite da encarnação?

O limite da encarnação é a perfeição do Espírito. Enquanto não o conseguir, fará tantas encarnações quantas forem necessárias, pois a benevolência de Deus é infinita. Importa-nos aproveitar bem esta encarnação.

Pergunta 186. Há mundos em que o Espírito, deixando de viver num corpo material, só tem por envoltório o perispírito?
— Sim, e esse envoltório torna-se de tal maneira etéreo que para vós é como se não existisse; eis então o estado de Espíritos puros.
Pergunta 186A. Parece resultar daí que não existe uma demarcação precisa entre o estado das últimas encarnações e o do Espírito puro?
— Essa demarcação não existe. A diferença se dilui pouco a pouco e se torna insensível, como a noite se dilui ante as primeiras claridades do dia. (Kardec, 1995)

5) Quais são os objetivos da encarnação dos Espíritos?

1) Expiação — Expiar significa remir, resgatar, pagar. A expiação, em sentido restrito consiste em o homem sofrer aquilo que fez os outros sofrerem, abrangendo sofrimentos físicos e morais, seja na vida corporal, seja na vida espiritual.

2) Prova — Em sentido amplo, cada nova existência corporal é uma prova para o Espírito. A prova, às vezes, confunde-se com a expiação, mas nem todo sofrimento é indício de uma determinada falta. Trata-se frequentemente de simples provas escolhidas pelo espírito para acabar a sua purificação e acelerar o seu adiantamento. Assim, a expiação serve sempre de prova, mas a prova nem sempre é uma expiação.

3) Missão — A missão é uma tarefa a ser cumprida pelo Espírito encarnado. Em sentido particular, cada Espírito desempenha tarefas especiais numa ou noutra encarnação, neste ou naquele mundo. Há, assim, a missão dos pais, dos filhos, dos políticos etc.

4) Cooperação na Obra do Criador — Através do trabalho, os homens colaboram com os demais Espíritos na obra da criação.

5) Ajudar a Desenvolver a Inteligência — a necessidade de progresso impele o Espírito às pesquisas científicas. Com isso a sua inteligência se desenvolve, sua moral se depura. É assim que o homem passa da selvageria à civilização.

6) Há diferença entre reencarnação e palingenesia?

A palavra palin significa "novamente", "outra vez", "de volta". Palingenesia é o suposto regresso à vida, depois da morte real ou aparente. A palingenesia – não é apenas reencarnação –, pois não se aplica somente à vida orgânica. Em O Livro dos Espíritos, há uma constante afirmação de que tudo se encadeia no Universo.

Final da pergunta 540 — "É assim que tudo serve, tudo se encadeia no Universo, desde o átomo primitivo até o Arcanjo, pois ele mesmo começou pelo átomo". (Kardec, 1995)
A reencarnação, por seu turno, refere-se à vida orgânica, principalmente a vida humana.

7) É possível provar a reencarnação de um Espírito? Como?

Sim. O Dr. Ian Stevenson, diretor do Departamento de Psiquiatria e Neurologia da Escola de Medicina da Universidade de Virgínia, nos Estados Unidos da América, catalogou mais de 2.000 casos, principalmente de crianças, que espontaneamente manifestavam as suas recordações. Tomou, contudo, o cuidado de enfatizar que eram "casos sugestivos de reencarnação" e não a reencarnação propriamente dita. Tendo em mãos o relato das recordações, partia para as pesquisas em cartório de registros civis, jornais e pessoas que tinham convido com esse Espírito numa encarnação passada. (Stevenson, 1971)

8) Como interpretar a frase: "Aquele que não nascer de novo não pode ver o reino de Deus"?

Esta frase comporta duas posições:

1.ª) Refere-se à reencarnação, pois quem não nascer de novo (entrar em outro corpo) não pode ver o reino de Deus. Ou seja, há necessidade de várias encarnações para podermos acrisolar o nosso espírito imortal.

2.ª) "Nascer de novo" pode referir-se à mudança comportamental, em que somente adquirindo novos hábitos de conduta, podemos vislumbrar um outro mundo, o mundo espiritual.

9) A partir de quando o cristianismo deixou dar crédito à reencarnação?

Até o Concílio de Nicéia, em 325, quando o imperador Constantino esforçou-se por fazer condenar esta crença, pois tinha muitos pecados na consciência, a reencarnação era norma vigente. São Justino fala, inclusive, que "a alma habita mais de uma vez um corpo humano".

Só em 543, no V Concílio Ecumênico de Constantinopla, sob a pressão do imperador Justiniano, é que o anátema foi lançado pela Igreja, sobre um certo número de proposições de Orígenes acerca da reencarnação: "as almas podiam voltar à Terra por cansaço da contemplação divina ou esfriamento do amor de Deus, e que eram reenviadas para os corpos como castigo". O reencarnar por amor ao próximo não foi excluído. (Crolard, 1979)

10) A reencarnação é um dos princípios fundamentais do Espiritismo? Por quê?

Se Deus não existisse, teríamos de criá-lo. Do mesmo modo, se a reencarnação não existisse, teríamos de inventá-la. Sem a reencarnação, como poderíamos responder às seguintes questões: Por que uns nascem sãos e outros doentes? Por que uns são inteligentes e outros ignorantes? Por que uns são ricos e outros pobres?

Bibliografia Consultada

CROLARD, Jean-Francis. Renascer Após a Morte. Tradução de Antonio Manuel de Almeida Gonçalves. _____: Europa-América, 1979 (?)
KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 8. ed. São Paulo: Feesp, 1995.
PAULA, J. T. Dicionário Enciclopédico Ilustrado de Espiritismo, Metapsíquica e Parapsicologia. 3. ed. São Paulo: Bels, 1976.
STEVENSON, I. 20 Casos Sugestivos de Reencarnação. São Paulo, Difusora Cultural, 1971.
São Paulo, abril de 2008
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