sábado, 29 de abril de 2017

Efemérides: O Evangelho segundo o Espiritismo


“Uma homenagem a publicação inaugural de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, por Allan Kardec, em Paris, a 29 de abril de 1864.”

O Código Divino


“[…] importa observar que os Evangelhos são o roteiro das almas, e é com a visão espiritual que devem ser lidos; pois, constituindo a cátedra de Jesus, o discípulo que deles se aproximar com a intenção sincera de aprender encontra, sob todos os símbolos da letra, a palavra persuasiva e doce, simples e enérgica, da inspiração do seu Mestre imortal.”1

Sem sombra de dúvida foi com essa superior visão espiritual, com essa certeza e sentimento, que Allan Kardec compõe o magnífico livro da Codificação, o terceiro, O evangelho segundo o espiritismo, lançado em Paris, em abril de 1864. Tudo nos leva a crer que ele conhecia profundamente o legado de luz que o Cristo deixou para a Humanidade, pois que em tão pouco tempo esse cabedal de conhecimento emerge, intuitivamente, sob a assessoria da falange do Espírito de Verdade que dele se acerca para que o Consolador se instale, definitivamente, na Terra.

Na Introdução I de O evangelho segundo o espiritismo,2 o Codificador ressalta, de imediato, que as matérias que constituem os Evangelhos podem ser divididas em cinco partes: “os atos comuns da vida do Cristo; os milagres; as predições; as palavras que foram tomadas pela Igreja para fundamento de seus dogmas; e o ensino moral”.

As quatro primeiras têm sido o foco de inúmeras controvérsias; a última, porém, conservou–se, constantemente, inatacável. Na sequência, leitor (a) amigo (a), é possível notar que o pensamento de Kardec se eleva e entra na visão espiritual, para falar sobre a “cátedra de Jesus”, como a seguir:

[…] Diante desse código divino, a própria incredulidade se curva. É terreno onde todos os cultos podem reunir-se, estandarte sob o qual podem todos colocar-se, quaisquer que sejam suas crenças porquanto jamais ele constituiu matéria das disputas religiosas, que sempre e por toda a parte se originaram das questões dogmáticas. […] (Grifo nosso.)

Logo adiante o mestre lionês enfatiza com muita clareza, com vista aos seres humanos e suas realizações, que o código expressa:

[…] uma regra de proceder que abrange todas as circunstâncias da vida privada e da vida pública, o princípio básico de todas as relações sociais que se fundam na mais rigorosa justiça. É, acima de tudo, o roteiro infalível para a felicidade vindoura, o levantamento de uma ponta do véu que nos oculta a vida futura. Essa é a parte que será objeto exclusivo dessa obra.

Isto nos leva a visualizar o conjunto de O evangelho segundo o espiritismo, imaginando os instantes iniciais quando Kardec, compondo a obra, se apresta a selecionar as passagens que seriam as mais propícias, aduzindo os seus comentários e trazendo como complemento da maior importância as Instruções dos Espíritos. Ele afirma que foi classificando metodicamente os ensinos do Mestre, de acordo com as lições que melhor se complementavam, tanto quanto possível.

“A Doutrina Espírita enseja uma abertura mental extraordinária, revelando a nossa condição de Espíritos imortais e nossa pátria de origem, o Mundo Espiritual, de onde viemos e para onde retornaremos.”

Este magistral trabalho de Allan Kardec abre um horizonte infinito de realizações para cada ser humano, pois resultou no notável “código de moral universal, sem distinção de culto”. Vale lembrar, por oportuno, que a palavra código significa coleção de regras e preceitos; coleção de leis. Diante disso, é interessante observarmos que o Código Divino, constitui uma regra de proceder, que abrange e permeia:

• todas as circunstâncias da vida privada e pública – de cada indivíduo, significando a imprescindívelvivência;
• princípio básico de todas as relações sociais que se fundam na mais rigorosa justiça – Justiça Divina, equânime, igual para todos;
• roteiro infalível para a felicidade vindoura – esses preceitos, se cumpridos, preparam uma vida de maior equilíbrio e paz, felicitando cada criatura;
• o levantamento de uma ponta do véu que nos oculta a vida futura. A Doutrina Espírita enseja uma abertura mental extraordinária, revelando a nossa condição de Espíritos imortais e nossa pátria e origem, o Mundo Espiritual, de onde viemos e para onde retornaremos.

Para termos uma noção um pouco mais precisa da grandiosa e superior programação espiritual do advento do Consolador, da Terceira Revelação de Deus à Humanidade, alguns aspectos devem ser considerados.

Segundo a Doutrina Espírita esclarece, três são as Revelações Divinas, perfeitamente encadeadas, mas cada uma em seu tempo apropriado, ensejando o progresso intelecto-moral e espiritual das criaturas.

Primeira Revelação: a Justiça – personificada em Moisés, médium poderoso que possibilitou um espetacular fenômeno de escrita direta (pneumatografia) quando Espíritos escreveram diretamente na pedra (uma espécie de raio laser?), o Decálogo, conjunto de regras e leis que ensinavam o que NÃO FAZER.

Segunda Revelação: o Amor – lei esta ensinada e exemplificada por Jesus, que veio, digamos, pessoalmente, lecionar COMO FAZER. O próprio Mestre preparou o futuro, antevendo que as criaturas estariam ainda distantes da vivência de seu Evangelho, fazendo, então, a promessa de enviar o Consolador, o Espírito de Verdade. Conforme em João, 14: 15 a 17 e 26.

Terceira Revelação: o Espiritismo – não tem a personificá-la nenhuma individualidade, sendo fruto do ensino dos Espíritos, que são as vozes do Céu, que esclarecem o PORQUÊ FAZER.

Esta abertura de O evangelho segundo o espiritismo é realmente grandiosa e nós ainda não conseguimos aquilatar a sua importância e profundo significado. A sensação que invade os que estão lendo e se deixam mergulhar nesse oceano de pensamentos que a Doutrina Espírita suscita é a de constatarmos que ela está na vanguarda dos tempos, que antecipa o futuro da Humanidade, enquanto simultaneamente o prepara.

Com muita razão, André Luiz, em seu livro No mundo maior,[1] registra a palavra do sábio instrutor Calderaro, que em brilhantes considerações lega-nos essa obra admirável, ao afirmar, a certa altura de uma de suas notáveis lições o seguinte:

[…] o homem, para auxiliar o presente, é obrigado a viver no futuro da raça. A vanguarda impõe-lhe a soledade e a incompreensão por vezes dolorosas […] Ninguém pode ensinar caminhos que não haja percorrido. […]

Todos os grandes vultos da história humana viveram no futuro, enquanto o anunciavam; muitos não foram compreendidos de imediato, mas somente décadas após deixarem o corpo físico.

O Espiritismo descortina “as veredas do Senhor”, numa visão cósmica e infinita, que nossa precária condição apenas imagina. É o que Kardec denomina de “Ciência do Infinito”.[1]

Concluindo o tema, meditemos nas palavras do Codificador:

[…] O Espiritismo se nos depara por toda a parte na Antiguidade e nas diferentes épocas da Humanidade. Por toda a parte se lhe descobrem os vestígios: nos escritos, nas crenças e nos monumentos. Essa a razão por que, ao mesmo tempo que rasga horizontes novos para o futuro, projeta luz não menos viva sobre os mistérios do passado.



REFERÊNCIAS:
1 XAVIER, Francisco C. O consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 29. ed. 4. imp. Brasília: FEB, 2016. q. 321.
2 KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Trad. Guillon Ribeiro. 131. ed. 6. imp. (Edição Histórica). Brasília: FEB, 2015. Introdução I – Objetivo desta obra.
3 XAVIER, Francisco C. No mundo maior. Pelo Espírito André Luiz. 28. ed. 5. imp. Brasília: FEB, 2016. cap. 9 – Mediunidade, p. 124.
4 KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 4. ed. 3. imp. Brasília: FEB, 2016. Introdução XIII, p. 38 e q. 466.
5 ____. O Evangelho segundo o Espiritismo. Trad. Guillon Ribeiro. 131. ed. 6.imp. (Edição Histórica). Brasília: FEB, 2015. Introdução I – Objetivo desta obra, p. 19.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Síntese Espírita


O Espiritismo é uma Doutrina que se caracteriza por três aspectos fundamentais: o religioso, o filosófico e o científico.

É, portanto, simultaneamente, Religião, Filosofia e Ciência.

Oferece, assim, ao ser humano, tudo quanto precisa no sentido de aperfeiçoar-se. Moral. Espiritual. Intelectualmente.

O aspecto religioso, o mais aceito e difundido no Brasil, baseia-se na moral cristã, consubstanciada no Evangelho, que é estudado, com muito amor, carinho e respeito.

Seus princípios constituem, sem dúvida, a preocupação maior do espírita, no dia-a-dia da existência.

Pelo afeiçoamento ao aspecto religioso, ou evangélico - o que acontece, mesmo, por impulso natural -, procura praticar a caridade, através da cooperação no campo da Assistência Social, criando, ou ajudando, instituições beneficentes, com vistas ao amparo à criança, ao adolescente e à velhice.

A feição religiosa é essencial no processo de melhoria interior.

O aspecto evangélico é, assim, o que mais de perto fala à sensibilidade da gente brasileira, sempre inclinada à bondade, por autêntica expressão de amor.

O aspecto filosófico, de extrema beleza e encantamento, fundamenta-se na milenária indagação do homem: De onde viemos o que estamos fazendo na Terra, para onde iremos depois da morte, ou desencarnação?...

Aborda, por conseguinte, velho tema dos compêndios filosóficos: “o problema do ser, do destino e da dor”, que inspirou Léon Denis a escrever portentoso livro com esse título.

A filosofia espírita projeta luz, com inigualável abundância, sobre as causas do sofrimento humano.

O estudo da reencarnação contribui para dar ao homem unia visão mais lógica, mais racional, mais perfeita de Deus e de Seus atributos: Amor, Sabedoria e Justiça.

A Lei de Causa e Efeito, segundo a qual colhe o homem o que semeia, é claramente explicado pela palingenesia.

As diversidades morais, intelectuais e físicas, que tanto perturbam o não-espírita, levando-o a estranhas conjecturas, encontram na lei de Causa e Efeito, a que os orientais dão os nomes de Carma, roda dos nascimentos, lúcida explicação.

A Filosofia Espírita, ao nível de compreensão de qualquer pessoa, por mais humilde, sob o ponto de vista da cultura, é, segundo definição de Léon Denis, um dos mais insignes discípulos de Allan Kardec, a Doutrina "que luariza de esperanças a noite de nossas vidas”.

A feição científica motiva, no Brasil, menor número de apreciadores, embora sua presença seja quase imperiosa em todos os estudos espíritas.

Na Europa, as experimentações de natureza científica são objeto de fundamental importância dos espíritas, que as colocam em termos de prioridade.

Em nosso País, embora estudemos com amor e respeito esse aspecto, enaltecendo-lhe a grandeza e imprescindibilidade, nossa preocupação maior cinge-se aos dois aspectos já fixados: o religioso e o filosófico. É um problema congénito.

Falam mais de perto ao coração, ao sentimento.

E o brasileiro - quem não sabe disso? - é muito coração, muito sensibilidade.

O lado científico da Doutrina é estudado mais por necessidade de ilustração doutrinária, tendo em vista o enriquecimento, ou, pelo menos, o aprimoramento das possibilidades expositivas - orais ou escritas.

Valorizar o tríplice aspecto do Espiritismo constitui inalienável dever de todos nós, que empunhamos a bandeira desfraldada por Allan Kardec, o eminente sábio lionês.

Estimar, no entanto, um ou outro aspecto, é problema pessoal, relacionado, naturalmente, com a formação e os ascendentes espirituais de cada um.

José Martins Peralva

terça-feira, 25 de abril de 2017

O Livro-Base


"Com muita propriedade, afirmou Alan Kardec que os Espíritos elevados se ligam de preferência aos que procuram instruir-se." EMMANUEL

«O Livro dos Médiuns» constitui a base do aprendizado espírita, no que toca, especificamente, ao problema mediúnico.

Evidentemente, a Espiritualidade Superior, com Emmanuel e André Luiz de modo especial, tem realizado, em nossos dias, notável trabalho de desenvolvimento de tudo quanto nele foi apresentado, por tratado experimental, assim como companheiros encarnados têm dado sua cota de participação em torno do palpitante tema «mediunidade».

Todavia, a exemplo do que acontece com os demais livros da Codificação Kardequiana, especialmente os que formam o «Pentateuco-Luz», «O Livro dos Médiuns» é obra indispensável nas instituições espíritas e junto aos irmãos encarregados de tarefas expositivas.

É, também, livro que não deve faltar à biblioteca do espírita.

Passam anos e gerações, mas «O Livro dos Médiuns» permanece sólido em sua estrutura granítica, podendo receber, é claro, através de livros psicografados por médiuns como Francisco Cândido Xavier, complementos à obra de Allan Kardec, maravilhosos subsídios que o opulentam cada vez mais.

*

Não devemos omitir-nos na palavra de incentivo ao estudo de «O Livro dos Médiuns», certos de que os Espíritos elevados apreciam os companheiros estudiosos.

*

A obra kardequiana fortalece-se, consolida-se, engrandece-se continuamente, especialmente pelo que, em termos de mediunidade, dizem os Espíritos na atualidade, notadamente André Luiz.

*

Mediunidade, médiuns e fenómenos mediúnicos continuarão sendo, no curso do tempo, fonte para o estudo e a aplicação de quantos possam sentir, no intercâmbio entre o mundo físico e o espiritual, a grandeza de Deus e a misericórdia de Jesus.

*

Dignifiquemos, pois, o notável livro, a ele consagrando, com amor e veneração, não somente o mais profundo respeito, mas, também, a nossa atenção no sentido de estudá-lo e difundi-lo, compreendê-lo e fazê-lo presente nas tarefas específicas da mediunidade com o Senhor.


Do livro Mediunidade e Evolução, de José Martins Peralva

domingo, 23 de abril de 2017

Fotos: Martins Peralva e a UEM (União Espírita Mineira)

Fotos históricas de Martins Peralva na UEM (União Espírita Mineira)



Horvânio e Ana Carmela Aluotto Aleixo, Neném Aluotto, Antônio Roberto Fontana, José Alves Neto, Roberto Lúcio Vieira de Souza e Martins Peralva com Chico Xavier na UEM



Martins Peralva abraça Chico Xavier na cerimônia do título de cidadão honorário de Belo Horizonte.


Martins Peralva, Maria Philomena Aluotto Berutto e Francisco Cândido Xavier quando este recebeu o título de cidadão honorário de Belo Horizonte.


Martins Peralva, Maria Philomena e Chico Xavier na UEM.


Martins Peralva, Maria Philomena (Da. Nenem), Antônio Roberto Fontana, Chico.


Maria Philomena (Da. Nenem), Chico e Martins Peralva.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Passes


O socorro, através de passes, aos que sofrem do corpo e da alma, é instituição de alcance fraternal que remonta aos mais recuados tempos.

O Novo Testamento, para referir-nos apenas ao movimento evangélico, é valioso repositório de fatos nos quais Jesus e os apóstolos aparecem dispensando, pela imposição das mãos ou pelo influxo da palavra, recursos magnéticos curadores.

Nos tempos atuais tem cabido ao Espiritismo, na sua feição de Consolador Prometido, conservar e difundir largamente essa modalidade de socorro espiritual, embora as crônicas registrem semelhante atividade no seio da própria Igreja, através de virtuosos sacerdotes.

Os centros espíritas convertem-se, assim, numa espécie de refúgio para aqueles que não encontram na terapêutica da Terra o almejado lenitivo para os seus males físicos e mentais.

André Luiz não esqueceu de, no seu livro, preparar interessante capítulo, a que denominou «Serviço de passes», no qual se nos deparam oportunos e sábios esclarecimentos quanto à conduta do passista e daquele que procura beneficiar-se com o socorro magnético.

Neste capítulo, referir-nos-emos ao trabalho do médium passista, ou seja, aos requisitos indispensáveis aos que neste setor colaboram.

Existem dois tipos de passes, assim discriminados:

a.) — Passe ministrado com os recursos magnéticos do próprio médium;
b) — Passe ministrado com recursos magnéticos hauridos, no momento, do Plano Divino.

Convém lembrarmos que, em qualquer dessas modalidades, o passe procede sempre de Deus.

Esta certeza deve contribuir para que o médium seja uma criatura humilde, cultivando sempre a ideia de que é um simples intermediário do Supremo Poder, não lhe sendo lícito, portanto, atribuir a si mesmo qualquer mérito no trabalho.

Qualquer expressão de vaidade, além de constituir insensatez, significará começo de queda.

Além da humildade, deve o passista cultivar as seguintes qualidades:

a) — Boa vontade e fé;
b) — Prece e mente pura;
c) — Elevação de sentimentos e amor.

«Àquele que mais tem, mais lhe será dado», afirmou Jesus.

Nas palavras do Senhor encontramos valioso estímulo a todos os continuadores de sua obra, inclusive aos que viriam depois, à conquista dos bens divinos, a se expressarem pela multiplicação dos recursos de ajudar e servir em seu nome.

As qualidades ora enumeradas constituem fatores positivos para o médium passista.

A prece, especialmente, representa elemento indispensável para que a alma do passista estabeleça comunhão direta com as forças do Bem, favorecendo, assim, a canalização, através da mente, dos recursos magnéticos das esferas elevadas.

«A oração é prodigioso banho de forças, tal a vigorosa corrente mental que atrai.»

Por ela, consegue o passista duas coisas importantes e que asseguram o êxito de sua tarefa:

a) — “Expulsar do próprio mundo interior os sombrios pensamentos remanescentes da atividade comum, durante o dia de lutas materiais;

b) — Sorver do plano espiritual as substâncias renovadoras» de que se repleta, (a fim de conseguir operar com eficiência, a favor do próximo».

Através dessa preparação em que (se limpa», para, limpo, melhor servir, consegue o médium, simultaneamente, ajudar e ser ajudado.

Receber e dar ao mesmo tempo.

Quanto mais se renova para o Bem, quanto mais se moraliza e se engrandece, espiritualizando-se, maiores possibilidades de servir adquire o companheiro que serve ao Espiritismo Cristão no setor de passes.

A renovação mental é como se fosse um processo de desobstrução de um canal comum, a fim de que, por ele, fluam incessantemente as águas.

A nossa mente é um canal.

Mente purificada é canal desobstruído. Mencionados os fatores positivos, é mister enumeremos, agora, os negativos.

Relacionemos, assim, aqueles que reduzem as possibilidades do seareiro invigilante.

Especifiquemos as qualidades que lhe não permitem dar quanto e como devia.

Ei-las, em síntese:

a) — Mágoas excessivas e paixões;
b) — Alimentos inadequados e alcoólicos;
o) — Desequilíbrio nervoso e inquietude.

Sendo o passista, naturalmente, um medianeiro da Espiritualidade Superior, deve cuidar da sua saúde física e mental.

Alimentação excessiva favorece a vampirização da criatura por entidades infelizes, o mesmo ocorrendo com os alcoólicos em demasia.

O equilíbrio do sistema nervoso e a ausência de paixões obsidentes propiciam um estado receptivo favorável à transmissão do passe.

Não podemos esquecer que o passe é “transfusão de energias psicofísicas”.

E o veículo dessa transfusão deve, sem dúvida, ser bem cuidado.

Aconselha Emmanuel que «a higiene, a temperança, a medicina preventiva e a disciplina jamais deverão ser esquecidas».

Adverte, ainda, que «tudo na vida é afinidade e comunhão sob as leis magnéticas que lhe presidem os fenômenos.

«Doentes afinam-se com doentes.»

«O médium receberá sempre de acordo com as atitudes que adotar perante a vida. »

Naturalmente nenhum de nós, nem passista algum, terá a pretensão de obter, nos serviços a que se consagra, os sublimes resultados alcançados por Jesus, em todos os lances do seu apostolado de luz, e pelos apóstolos em numerosas ocasiões; entretanto, educar-nos mentalmente e curar-nos fisicamente, a fim de melhor podermos servir ao próximo, afiguram-se-nos impositivos a que nós não devemos subtrair.

O médium precisa «afeiçoar-se à instrução, ao conhecimento, ao preparo e à melhoria de si mesmo, a fim de filtrar para a vida e para os homens o que signifique luz e paz».

Não devemos concluir o presente capítulo, dedicado de coração aos passistas do nosso abençoado movimento espiritista, sem que lembremos outros requisitos não menos importantes para os que operam no setor de passes em instituições.

São os seguintes:

a) — Horário
b) — Confiança
c) — Harmonia interior
d) — Respeito.

O problema da pontualidade é fundamental em qualquer atividade humana, mormente se essa atividade se relaciona e se desenvolve em função e na dependência da Esfera Espiritual.

Nem um minuto a mais, nem a menos, para início dos trabalhos.

Recordemos que os supervisores de centros e de grupos mediúnicos não esperam, indefinidamente, que, com a nossa clássica displicência, resolvamos iniciar as tarefas.

Se insistimos na indisciplina, eles passarão adiante à procura de núcleos e companheiros que tenham em melhor apreço a noção de responsabilidade...

O passista que não confia no Alto limita, também, a sua capacidade receptiva.

Fecha as portas da «casa mental», obstando o acesso dos recursos magnéticos.

Secundando a confiança, o fator harmonia interior, se apresenta também imprescindível a um excelente processo de filtragem dos fluidos salutares.

E, por fim, o respeito ante a tarefa assistencial que se realiza através do passe.

Respeito ao Pai Celestial, aos instrutores espirituais e àqueles que lhe buscam o concurso.

Pontualidade, confiança, harmonia interior e respeito são, evidentemente, virtudes ou qualidades de que não pode prescindir o médium passista.


Do livro Estudando a Mediunidade, de José Martins Peralva

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Livros que Iluminam - Estudando a Mediunidade

Programa “Livros que Iluminam”, da FEBtv, debate o livro “Estudando a Mediunidade”, de José Martins Peralva, com Fabiane Duarte, trabalhadora na área do Estudo da Mediunidade da FEB.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

160 anos de O Livro dos Espíritos


Em 18 de abril de 2017, o Movimento Espírita celebra os 160 anos de publicação de O Livro dos Espíritos.

O livro foi o primeiro codificado por Allan Kardec, em 1857, sendo ele de perguntas e respostas. São 1019 perguntas que os Espíritos Superiores e responsáveis pela codificação responderam ao missionário de Lyon.

A maneira pela qual o livro fora escrito era também inteiramente nova. O Prof. Rivail fizera as perguntas que eram respondidas pelos Espíritos, sob a direção do Espírito de Verdade, através das cestinhas-de-bico. Psicografia indireta. Os médiuns, duas meninas, Caroline Baudin, de 16 anos, e Julie Baudin, de 14, colocavam as mãos nas bordas da cesta e o lápis (o bico) escrevia numa lousa. Pelo mesmo processo, o livro foi revisado pelo Espírito de Verdade, através de outra menina, a Srtª Japhet. Outros médiuns foram posteriormente consultados e Kardec informa, em Obras Póstumas: “Foi dessa maneira que mais de dez médiuns prestaram concurso a esse trabalho”.

Este livro é, portanto, o resultado de um trabalho coletivo e conjugado entre o Céu e a Terra. O Prof. Rivail não o publicou com o seu nome ilustre de pedagogo e cientista, mas com o nome obscuro de Allan Kardec, que havia tido entre os druidas, na encarnação em que se preparava ativamente para a missão espírita. O nome obscuro suplantou o nome ilustre, pois representava, na Terra, a Falange do Consolador. Esta falange se constituía dos Espíritos Reveladores, sob a orientação do Espírito de Verdade e dos pioneiros encarnados, com Allan Kardec à frente.

A 16 de março de 1860, foi publicada a segunda edição deste livro, inteiramente revisto, reestruturado e aumentado por Kardec, sob orientação do Espírito de Verdade, que, desde a elaboração da primeira edição, já o avisara de que nem tudo podia ser feito naquela. Assim, a primeira edição foi o primeiro impacto da Doutrina Espírita no mundo, preparando ambiente para a segunda que a completaria. Toda a Doutrina está contida neste livro, de forma sintética, e foi posteriormente desenvolvida nos demais volumes da Codificação.

Kardec estruturou o livro em 4 partes:

1ª – Das Causas Primárias.
2ª – Do Mundo Espírita ou Mundo dos Espíritos.
3ª – Das Leis Morais.
4ª – Das Esperanças e Consolações.

Cada parte serviu de base para a elaboração das demais obras (Livro dos Médiuns – 1861, O Evangelho Segundo o Espiritismo – 1864, O Céu e o Inferno – 1865 e A Gênese – 1868), que somadas ao Livro dos Espíritos, formam o Pentateuco Espírita.

Vale mencionar que após a publicação de O Livro dos Espíritos, Kardec realizou várias viagens com a finalidade de divulgar a doutrina espírita. Essas viagens estão documentadas na obra “Viagem Espírita em 1862”, a qual recomendo a leitura.

Portanto, nós Espíritas precisamos ainda nos aprofundar nesta obra basilar que é O Livro dos Espíritos, no sentido de compreendermos o ensinamento trazido a cada pergunta e resposta e realizarmos uma reflexão, avaliando de que forma podemos aplicar este ensinamento na nossa vida.


Que os 160 anos de O Livros dos Espíritas sejam marcados para que nós possamos estudar e praticar esta linda obra trazida pelos Espíritos à Allan Kardec.

Ricardo Gembarowski

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Peralva e o Movimento Espírita Mineiro


Entrevista de Geraldo Lemos Neto, editor do livro póstumo de José Martins Peralva “Evangelho Puro, Puro Evangelho”, concedida ao blog “O Espiritismo Comentado” que relata um pouco da trajetória do escritor e eminente trabalhador espírita junto ao movimento espírita mineiro.

EC: Qual foi a trajetória de Peralva no movimento espírita mineiro?

GLN : Peralva transferiu residência de Aracajú a Belo Horizonte em 1949 sendo recebido de braços abertos por Virgílio Pedro de Almeida e Chico Xavier em Pedro Leopoldo. Inicialmente se juntou a Chico Xavier, Neném Aluotto, Arnaldo Rocha e Zeca Machado num grupo de estudos e reuniões mediúnicas chamado Nina Arueira. No mesmo período passou a participar de reuniões de estudo do Evangelho e da Mediunidade no Centro Espírita Célia Xavier. Quanto podia visitava o médium Chico Xavier em suas reuniões costumeiras no Centro Espírita Luiz Gonzaga de Pedro Leopoldo, de quem se tornou profundo admirador e amigo pessoal. Foi a partir daí que passou a visitar a Colônia Santa Isabel, de irmãos hansenianos, onde levava calor humano, assistência espiritual e material. Fundou à essa mesma época a Cantina Espírita Francisco de Assis que distribuía semanalmente mantimentos para famílias carentes previamente cadastradas. Esta atividade cresceu até ser construído um galpão na Vila dos Marmiteiros, onde passou a oferecer suculenta sopa aos mais necessitados. Desapropriados pela prefeitura de Belo Horizonte a atividade foi então transferida à União Espírita Mineira, com a instalação da tarefa assistencial às mães desvalidas aos sábados pela manhã. A Cantina Francisco de Assis era também a responsável pela distribuição natalina de cerca de 1.000 cestas básicas para as famílias carentes. Durante este período escreveu o hino do Colégio O Precursor educandário da UEM.

EC: Qual foi a participação de Peralva na União Espírita Mineira e no movimento em geral?

GLN: Foi membro do Conselho Geral e secretário do Abrigo Jesus, sócio efetivo do Hospital André Luiz e segundo secretário do Centro Espírita Luz, Amor e Caridade, aproveitando ainda as horas vagas para abastecer a imprensa espírita e a leiga com seus artigos evangélico-doutrinários. Participou por 15 anos ininterruptos das atividades do Centro Espírita Célia Xavier para então fixar-se, em 1964, na União Espírita Mineira, onde permaneceu ao longo do tempo exercendo diversos encargos como Primeiro Secretário, Diretor do Departamento de Doutrina e Divulgação, Vice-Presidente e Presidente interino. Lá dirigia as atividades de estudos realizadas aos sábados, e também responsabilizou-se como jornalista e editor chefe do periódico da casa O Espírita Mineiro. Foi também mentor das atividades da Mocidade Espírita O Precursor por largos anos. Aproveitando as suas qualidades de oratória, sempre colaborou com alegria na difusão dos ensinos espíritas pelo interior de Minas Gerais, levando a sua palavra inspirada também a outros estados. Foi o secretário executivo do Conselho Federativo Espírita de Minas Gerais - COFEMG - e representante da União Espírita Mineira junto ao Conselho Federativo Nacional da Federação Espírita Brasileira. Escreveu artigos espíritas para a Revista O Reformador da FEB, bem manteve uma coluna quinzenal no jornal O Estado de Minas. Pela FEB lançou os livros Estudando o Evangelho; Estudando a Mediunidade; Mediunidade e Evolução; e O Pensamento de Emmanuel. Pela União Espírita Mineira lançou o livro Mensageiros do Bem, que estuda o livro de André Luiz/ Chico Xavier Os Mensageiros; e agora postumamente está lançando pelo Vinha de Luz o livro Evangelho Puro, Puro Evangelho.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Prece


"E, através da oração, a Bênção Divina te fará perceber onde guardas também contigo a brecha triste do lado fraco." Emmanuel

Rezar é um ato natural.

Todas as sociedades, mesmo as primitivas, adoram, louvam, pedem e agradecem a Deus segundo seu entendimento e suas práticas.

*

A prece sem obras é morta em si mesma, adverte o Apóstolo, o que nos leva a entender que devemos transsubstancializar as energias hauridas na oração em recursos de auxílio aos nossos semelhantes.

*

A prece, no momento em que nos recolhemos, à noite, para o refazimento orgânico, além de significar oportunidade para agradecermos as bênçãos recebidas no transcurso do dia, prepara, também, o Espírito para ingressar, pelo sono, no Mundo Espiritual.

Pela manhã, agradeçamos a Deus os benefícios recebidos durante a emancipação da alma, mas roguemos, simultaneamente, compreensão e forças para o novo dia de luta.

Peçamos, sobretudo, coragem e disposição para que façamos o melhor, no novo dia, em harmonia com o que temos recebido de Jesus, por seu Evangelho, de Allan Kardec, pela Codificação Espírita, e dos mentores espirituais pelo muito que nos dão através do sono e pelas vias mediúnicas.

Não será demais repetir: O pão é o alimento do corpo e a prece é o alimento da Alma.

A oração pelos enfermos, conforme lembra Emmanuel, é verdadeira bênção de fortalecimento e reconforto, paz e equilíbrio.

Do livro Mediunidade e Evolução, de José Martins Peralva.

domingo, 9 de abril de 2017

In Memoriam: Chico Xavier


Francisco Cândido Xavier, conhecido por Chico Xavier, nasceu em 2 de abril de 1910. O médium psicografou mais de 400 obras. Esse intenso trabalho foi interrompido apenas em 2002, ano de sua desencarnação, e resultou em um acervo de diversos gêneros de literatura, tais como poemas e poesias, contos e crônicas, romances, obras de caráter científico, filosófico e religioso. De personalidade bondosa, o querido Chico se dedicou ao auxílio aos mais necessitados; o trabalho em benefício do próximo possibilitou ao médium a indicação, por mais de 10 milhões de pessoas, ao Prêmio Nobel da Paz de 1981. No ano de 2012, Francisco Cândido Xavier foi eleito “O maior brasileiro de todos os tempos”, em evento realizado pelo Sistema Brasileiro de Televisão (SBT).

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Livros de José Martins Peralva

José Martins Peralva deixou cinco importantes obras espíritas de cunho evangélico-doutrinário:


Estudando a Mediunidade (FEB)




Obra baseada no livro Nos domínios da mediunidade do Espírito André Luiz, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier. Nela o autor desenvolve o tema mediunidade em 46 capítulos, repletos de gráficos e ilustrações, que facilitam a sua compreensão e dirimem dúvidas de espíritas e estudiosos da comunicação entre o plano físico e o extrafísico. Mesmo que o leitor não se categorize como médium atuante, ser-lhe-á muito útil estudar peculiaridades do fenômeno que a todos nos envolve, pois todos somos potencialmente partícipes mais ou menos conscientes do intercâmbio espiritual com os habitantes do outro lado da vida. Aborda temas como: mediunidade com e sem Jesus, problemas mentais, incorporação, obsessões, vampirismo, clarividência e clariaudiência, sonhos e desencarnação. Três temas de grande interesse para os que iniciam na atividade mediúnica são também esclarecidos e constituem preciosa orientação, contribuindo para a tranquilidade e segurança do profitente da Doutrina Espírita: proteção aos médiuns, desenvolvimento mediúnico e animismo.


Estudando o Evangelho (FEB)




Estudo substancial sobre a necessidade da vivência dos ensinos evangélicos nos atuais momentos da vida humana, assinalados pelas importantes modificações por que passa a sociedade planetária. Conceitos e frases do Novo Testamento recebem comentários e interpretações à luz da Doutrina Espírita, adquirindo beleza e ação multiplicada. Em 58 capítulos, são desenvolvidos temas como: mocidade e trabalho; reencarnação e Evangelho; livre-arbítrio e perdão. Não há quem não retire ensinamentos confortadores e edificantes das lições que o autor nos oferece visando, sobretudo, a transformá-los em diretrizes para as nossas almas.


O Pensamento de Emmanuel (FEB)




Evidencia a identidade existente entre a mensagem de Jesus, a Codificação de Allan Kardec e as mensagens transmitidas por Emmanuel, constatando, em 40 capítulos, a harmonia que ressalta de suas assertivas. O autor destaca que o objetivo de O pensamento de Emmanuel é o de oferecer ao leitor temas de O livro dos espíritos, interpretando-os conforme a inspiração e amparo dos amigos espirituais, nele incluindo assuntos estudados por Emmanuel no 103º livro mediúnico de Chico Xavier Vida e sexo.


Mediunidade e Evolução (FEB)




O autor, reconhecida autoridade no tema mediunidade, nos oferece esta obra com um profundo desejo de colaboração evangélico-doutrinária junto aos que possuem, velados ou ostensivos, os tesouros mediúnicos. Atingindo plenamente a intenção de colaborar com os que trabalham na condição de médiuns entre os dois planos de vida, Martins Peralva analisa a faculdade mediúnica sob vários ângulos, enaltecendo-a nos seus objetivos superiores e apontando os inconvenientes que devem ser evitados. Demonstra que a mediunidade com Jesus conduzirá o homem pelas vias da evolução, libertando-o da condição de homem velho para que surja o homem espiritualmente novo.

Mensageiros do Bem (UEM)




Estudo da obra "Os Mensageiros", de André Luiz, psicografada por Chico Xavier.

José Martins Peralva enfoca a essência doutrinária e evangélica do segundo livro da série André Luiz, tecendo comentários em estilo claro, simples e acessível.

Apresentação de Maria Philomena Aluotto Berutto e explicações do autor. Prefácio de Emmanuel. Segundo o autor, o livro tem dupla finalidade: colaborar na divulgação do Evangelho de Jesus e da Doutrina Espírita e evidenciar a identificação dos conceitos da literatura de André Luiz.


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Deixou também uma coletânea com os principais artigos publicados em jornais e outros veículos de comunicação, organizada por Geraldo Lemos Neto e Basílio Silveira Peralva (seu filho).


Evangelho Puro, Puro Evangelho - Na Direção do Infinito


quarta-feira, 5 de abril de 2017

Reencarnação e Espiritismo


Necessário vos é nascer de novo.

Não foram os espíritas que inventaram a Reencarnação — palavra que grafamos com inicial maiúscula, em homenagem de nossa Alma agradecida à lei sábia e misericordiosa que projetou luz sobre o até então incompreendido problema do Ser, do Destino e da Dor.

O ensino reencarnacionista vem de muito longe, de povos antigos e remotíssimas doutrinas.

Ao Espiritismo couberam, apenas, a honra e a glória de estudá-lo, sistematizando-o, para convertê-lo, afinal, num dos principais, senão no principal fundamento de sua granítica estrutura doutrinária.

Grandes vultos do passado, no campo da Religião, da Filosofia e da Ciência, aceitaram e difundiram a Reencarnação.

Orígines (nascido em 185 e falecido em 254), considerado por São Jerônimo como a maior autoridade da Igreja de Roma, afirma, no livro “Dos Princípios”, em abono da tese básica do Espiritismo: “As causas das variedades de condições humanas são devidas às existências anteriores.

São, ainda, do eminente e consagrado teólogo as seguintes palavras: “A maneira por que cada um de nós põe os pés na Terra, quando aqui aportamos, é a consequência fatal de como agiu anteriormente no Universo.”

Ainda de Orígines: “Elevando-se pouco a pouco, os Espíritos chegaram a este mundo e à ciência dele. Daí subirão a melhor mundo e chegarão a um estado tal que nada mais terão de ajuntar.”

Crisna, no Bhagavad-Guitá (o Evangelho da Índia), predica, com absoluta e inegável clareza: “Eu e vós tivemos vários nascimentos. Os meus, só são conhecidos de mim; vós não conheceis os vossos.”

Os Vedas, milhares de anos antes de Jesus-Cristo, difundiam, largamente, a ideia reencarnacionista.

Buda aceitava e pregava a Reencarnação.

Os sacerdotes egípcios ensinavam que “as almas inferiores e más ficam presas à Terra por múltiplos renascimentos, e que as almas virtuosas sobem, voando para as esferas superiores, onde recobram a vista das coisas divinas”.

Na Grécia, berço admirável de legítimos condores do Pensamento e da Cultura, encontramos Sócrates, Platão e Pitágoras como fervorosos paladinos das vidas sucessivas.

Sócrates ensinava que “as almas, depois de haverem estado no Hades o tempo necessário, são reconduzidas a esta vida em múltiplos e longos períodos”.

O ensino pitagórico era, como é notório, essencialmente reencarnacionista, dele advindo, por falsa interpretação de mentes pouco evoluídas, a errônea teoria da metempsicose.

Entre os romanos, Virgílio e Ovídio disseminavam os princípios reencarnacionistas.

Ovídio chegava a dizer: “quando minha alma for pura, irá habitar os astros que povoam o firmamento”, admitindo, assim, semelhantemente aos espíritas, a sucessividade das vidas em outros planetas.

São Jerônimo afirmava, por sua vez, “que a transmigração das almas fazia parte dos ensinos revelados a um certo número de iniciados”.

Deixemos, contudo, esses consagrados vultos, cuja opinião, embora respeitável e acatada, empalidece ante a opinião da figura máxima da Humanidade — Nosso Senhor Jesus-Cristo.

O Sublime Embaixador pregou a Reencarnação. Algumas vezes, de forma velada; outras, com objetividade e clareza.

Falando a respeito de Elias, o profeta falecido alguns séculos antes, diz o Mestre: — “Elias já veio e não o conhecestes”, compreendendo então os discípulos que se referia a João Batista (Elias reencarnado).

No famoso diálogo com Nicodemos, afirma que ninguém alcançará o Reino de Deus “se não nascer de novo.

Nascer da água e do Espírito — o que completa a intenção, o pensamento reencarnacionista de Jesus.

Em outra oportunidade, externando por meio de simples alegoria sobre a Lei de Causa e Efeito — ou Carma —, sentencia: — “Ninguém sairá da Terra sem que pague até o último ceitil”, isto é: até a completa remissão das faltas.

Como Se vê, o Espiritismo não criou, não inventou a Reencarnação.

Aceitando-a como herança de eminentes filósofos e de respeitáveis doutrinas, de Jesus e de Seus discípulos, e confirmada, a seu tempo, pelos Espíritos do Senhor, o Espiritismo promoveu o seu estudo, a sua difusão, a sua exegese.

Ela é, contudo, antiquíssima, conhecida e professada antes do Cristo, na época do Cristo e em nossos dias.

Há mais de um século o Espiritismo apresenta-a por único meio de crermos num Pai Justo e Bom, que dá a cada um “segundo as suas obras” e como elemento explicativo da promessa de Jesus, de que “nenhuma de suas ovelhas se perderia”.

A Reencarnação é a chave, a fórmula filosófica que explica, sem fugir ao bom-senso nem à lógica, as conhecidas desigualdades humanas — sociais, econômicas, raciais, físicas, morais e intelectuais.

Sem o esclarecimento palingenésico, tais diversidades deixariam um doloroso “ponto de interrogação” em nossa consciência, no que diz respeito à Justiça Divina.

Sem as suas claridades, seria a Justiça de Deus bem inferior à dos homens.

Teríamos um Deus parcial, injusto, caprichoso, cruel, impiedoso mesmo.

Um Deus que beneficiaria a uns e infelicitaria à maioria.

Com a Reencarnação, temos Justiça Incorruptível, equânime, refletindo a ilimitada Bondade do Criador.

Um Deus que perdoa sem tirar ao culpado a glória da remissão de seus próprios erros.

Um Deus que perdoa, concedendo ao culpado tantas oportunidades quantas ele necessite para reparar os males que praticou.

Com a Palingenesia, temos um Deus que se apresenta, no Altar de nossa consciência e no Templo do nosso coração, como Pai Misericordioso e Justo, um Pai carinhoso e Magnânimo, que oferece a todos os Seus filhos os mesmos ensejos de redenção, através das vidas sucessivas — neste e noutros mundos, mundos que são as “outras moradas” a que se refere Jesus no Evangelho.

Tantas vidas quantas forem necessárias, porque o essencial e o justo é que “nenhuma das ovelhas se perca”...


Do livro Estudando o Evangelho, de José Martins Peralva
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