terça-feira, 30 de abril de 2013

Música Espírita: Cândido Chico

A Música “Cândido Chico”, composta em homenagem ao centenário de Chico Xavier, tendo em sua letra a autoria de Claudio Marins e Alessandra Castro, encerra com esse vídeo o mês do nosso especial “Páginas de Chico”.


segunda-feira, 29 de abril de 2013

Chico Xavier na Revista Época

Chico Xavier - O Senhor dos Espíritos


O mineiro que dizia se comunicar com os mortos é o único brasileiro que se tornou figura central de uma crença religiosa

Enquanto sua mão escrevia um dos poemas de seu livro de estreia, Parnaso de Além-Túmulo, publicado em 1932, Chico Xavier dizia que começou a sentir uma forte coceira no olho esquerdo - "como se fossem grãos de areia", descreveria mais tarde. Esfregava a vista, mas não adiantava. Ele mal conseguia distinguir os versos, ainda frescos, que estariam sendo ditados pelo espírito de Casimiro de Abreu. Eram os primeiros sintomas da catarata, ainda sem cura pela cirurgia. Até o fim de seus dias, Chico usaria diariamente um colírio à base de cortisona. O olho direito sofria de um estrabismo divergente pronunciado. Ao longo das décadas, Chico Xavier mudou bastante de aparência. Assumiu os cabelos crespos de sua origem mulata, ficou calvo, usou peruca, adotou boinas, foi obeso, definhou com a pele grudada nos ossos. Mas seus olhos, esbranquiçados e quase sem função, permaneceram como marca registrada.

Mesmo com a visão diminuída pelo cristalino escurecido, Chico dizia ver coisas que as pessoas comuns não conseguem. Dizia conversar com os mortos. Várias religiões falam na vida após a morte. Mas somente o espiritismo se propõe a fazer a ponte com o além. Chico foi o único brasileiro a se tornar o personagem central de uma crença. Os espíritas o consideram tão importante quanto o fundador da religião, o pedagogo Hippolyte Léon Denizard Rivail, conhecido como Allan Kardec. Kardec não dizia falar com os espíritos. Ele transcreveu e sistematizou mensagens que teriam sido recebidas por outros médiuns. O resultado está em O Livro dos Espíritos, a base da doutrina, publicado em 1857. Na votação para o Maior Brasileiro da História realizada por ÉPOCA na internet, Chico Xavier obteve 9.966 votos, ou 36% do total. Ficou em primeiro lugar. Depois do livro de Kardec, as obras de Chico são as mais importantes para o espiritismo. As mensagens que teriam sido recebidas por ele foram publicadas em 409 obras, com tiragem de mais de 25 milhões de exemplares. O único autor nacional a vender mais no Brasil é Paulo Coelho. O espírito Emmanuel, tido como seu principal mentor, teria estabelecido a missão de Chico Xavier: escrever livros, formar leitores e espalhar os fundamentos da doutrina. Nas palavras de Emmanuel, "o livro é a chuva que fertiliza lavouras imensas, alcançando milhares de almas".

Francisco de Paula Cândido, chamado assim em homenagem a São Francisco de Paula, nasceu em 1910 em Pedro Leopoldo, a 35 quilômetros de Belo Horizonte, Minas Gerais. Filho de pais analfabetos, foi considerado louco por dizer na sala de aula textos supostamente soprados por seres de outro mundo. Em certa ocasião, foi desafiado a escrever na lousa uma frase dita pelos espíritos a partir de uma palavra: areia. Os colegas estavam às gargalhadas quando escreveu: "Meus filhos, ninguém escarneça da criação. O grão de areia é quase nada, mas parece uma estrela pequenina refletindo o sol de Deus".

Para espantar o diabo que, diziam, se apossava de seu corpo, ele afirmava que chegou a ter de carregar uma pedra de 15 quilos na cabeça e rezar mil vezes a ave-maria, penitências impostas pelo pároco local. O pai teria, segundo relatos, pensado muitas vezes em interná-lo no hospício de Barbacena. A mãe morreu quando ele tinha 5 anos, e Chico foi criado pela madrinha, Maria Rita, que, segundo relatos, costumava surrá-lo com vara de marmelo e enterrar garfos em sua barriga. Aos 17 anos, ele diz ter começado a colocar no papel as mensagens dos mortos. Para os habitantes da pequena cidade, aquele rapaz tinha um comportamento bastante estranho. Só gostava de rezar, não ligava para futebol, não saía com meninas. Tornou-se espírita e adotou o sobrenome Xavier, do pai, com o qual não havia sido batizado.

Um dia - segundo sua biografia, As Vidas de Chico Xavier, que já vendeu mais de 300 mil exemplares - um amigo de seu pai o convidou para dar uma volta. Sem que Chico Xavier percebesse, foram a um bordel. Muitas prostitutas participavam então de programas de caridade organizados pelo jovem médium. Imediatamente, diz a biografia, todas reconheceram Chico e se puseram a rezar. O prostíbulo se transformou em um centro espírita improvisado. Chico Xavier teria mantido o celibato por toda a vida. Certa vez, quando tinha 32 anos, foi visto de braços dados com uma mulher. Era, diz sua biografia, uma de suas irmãs. "Devo me dedicar à família espírita, à família universal. Não posso ficar preso a uma mulher", costumava dizer.



A linha que ele imprimiu à religião espírita, aproximando-a do catolicismo, também favoreceu o aumento do número de adeptos. "Chico Xavier popularizou, por meio de seus livros, a ideia da purificação da alma pelo sofrimento em sucessivas reencarnações, dentro dos preceitos do cristianismo", diz o jornalista Marcelo Souto Maior, autor da biografia As Vidas de Chico Xavier. "Ele construiu um modelo próprio de espiritismo, um modelo católico, baseado na abnegação, no voto de pobreza e nas atividades filantrópicas", afirma a antropóloga Sandra Jacqueline Stoll, da Universidade Federal do Paraná, autora de uma tese de doutorado sobre Chico Xavier, publicada em livro com o título Espiritismo à Brasileira. É fácil compreender a assimilação desse modelo por uma sociedade em que 74% das pessoas se declaram católicas. Para facilitar, o espiritismo é um raro tipo de crença religiosa que não exige exclusividade. Pode ser sobreposta a outra. Alguém pode se considerar a um só tempo espírita e católico.

Marcelo Souto Maior diz também que a popularidade do religioso se deve a uma busca de respostas da sociedade moderna. "Chico Xavier mostrou que é possível viver sem as necessidades que inventamos. Isso fez com que as classes urbanas, individualistas e consumistas, repensassem seu papel. Ele indicou um novo caminho. Para muita gente, deu outro sentido à vida", diz.

As peregrinações até o centro espírita de Uberaba duraram até a morte do religioso. Chico Xavier estava bastante debilitado nos últimos anos de vida. Sofria de angina, uma deficiência de oxigenação no coração, e tomava diariamente um coquetel de vasodilatadores e analgésicos. Quase não conseguia andar - tinha uma campainha ao lado da cama para casos de emergência - e precisava da ajuda de seu enfermeiro, Sidnei, para atividades corriqueiras, como fazer a barba. Devido à falta de visão, ele não pôde assistir à final da Copa do Mundo de 2002, na manhã de 30 de junho. Mesmo assim, quis saber o resultado. Ficou contente ao saber da vitória brasileira. Naquela mesma noite, aos 92 anos, Chico Xavier morreu.

Desde a morte de Chico Xavier, surgiram muitas mensagens atribuídas a ele. Nenhuma foi confirmada. Ele teria deixado um código para identificar a veracidade de uma possível comunicação do além com três pessoas de confiança: seu filho adotivo, a amiga Kátia Maria e o médico e amigo Eurípedes Tahan Vieira. Uma das supostas mensagens de Chico Xavier teria sido recebida por Carlos Bacceli, médium de Uberaba. O espírito do médico Inácio Ferreira, ex-diretor clínico do hospital psiquiátrico de Uberaba, teria revelado a ele que Chico Xavier seria a reencarnação do próprio Allan Kardec, vindo ao mundo para pôr em prática a religião teorizada na vida anterior. A maioria dos espíritas refuta essa teoria, principalmente pela diferença de personalidades. Seria, no entanto, um desfecho surpreendente para a trajetória de um personagem indiscutivelmente fascinante - acredite-se ou não em sua faculdade de falar com o além.


Ivan Padilla
Trechos e imagens extraídos da reportagem da Revista Época

domingo, 28 de abril de 2013

Página de "A Religião dos Espíritos"



O Caminho da Paz



Dos grandes flagelos do mundo antigo, salientavam-se dez que rebaixavam a vida humana:

A barbárie, que perpetuava os desregramentos do instinto.

A fome, que atormentava o grupo tribal.

A peste, que dizimava populações.

O primitivismo, que irmanava o engenho do homem e a habilidade do castor.

A ignorância, que alentava as trevas do espírito.

O insulamento, que favorecia as ilusões do feudalismo.

A ociosidade, que categorizava o trabalho à conta de humilhação e penitência.

O cativeiro, que vendia homens livres nos mercados da escravidão.

A imundície, que relegava a residência terrestre ao nível dos brutos.

A guerra, que suprime a paz e justifica a crueldade e o crime entre as criaturas.

*

Veio a política e, instituindo vários sistemas de governo, anulou a barbárie.

Apareceu o comércio e, multiplicando as vias de transporte, dissipou a fome.

Surgiu a ciência, e exterminou a peste.

Eclodiu a indústria, e desfez o primitivismo.

Brilhou a imprensa, e proscreveu-se a ignorância.

Criaram-se o telégrafo sem fio e a navegação aérea, e acabou-se o insulamento.

Progrediram os princípios morais, e o trabalho fulgiu como estrela na dignidade humana, desacreditando a ociosidade.

Cresceu a educação espiritual, e aboliu-se o cativeiro.

Agigantou-se a higiene, e removeu-se a imundície.

Mas nem a política, nem o comércio, nem a ciência, nem a indústria, nem a imprensa, nem a aproximação entre os povos, nem a exaltação do trabalho, nem a evolução do direito individual e nem a higiene conseguem resolver o problema da paz, porquanto a guerra – monstro de mil faces que começa no egoísmo de cada um, que se corporifica na discórdia do lar e se prolonga na intolerância da fé, na vaidade da inteligência e no orgulho das raças, alimentando-se de sangue e lágrimas, violência e desespero, ódio e rapina, tão cruel entre as nações supercivilizadas do século 20, quanto já o era na corte obscurantista de Ramsés 2º – somente desaparecerá quando o Evangelho de Jesus iluminar o coração humano, fazendo que os habitantes da Terra se amem como irmãos.

É por isso que a Doutrina Espírita no-lo revela, atualmente, sob a luz da Verdade, fiel ao próprio Cristo que nos advertiu, convincente: – “Conhecereis a Verdade e a Verdade vos fará livres.”


Emmanuel
Do livro Religião dos Espíritos, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel.

sábado, 27 de abril de 2013

Religião dos Espíritos



Leitor amigo:

Temos aqui um livro diferente.
Nem literatura, nem artifício.
Nem propaganda, nem exegese.

Simples comentário em torno da substância religiosa de “O Livro dos Espíritos”, em cujo texto fixou Allan Kardec a definição da Nova Luz.

Desde muito, aspirávamos a realizá-lo, e isso, com a permissão do Senhor, nos foi possível, no curso das 91 sessões públicas para estudo da Doutrina Espírita, a que comparecemos, junto de nossos companheiros uberabenses, no transcurso de 1959, na sede da Comunhão Espírita Cristã, nesta Cidade.

Em cada reunião, o texto para exame foi escolhido pelos nossos irmãos encarnados e, depois de apontamentos verbais entre eles, tecemos as modestas anotações aqui expostas, nem sempre nos restringindo, diante de circunstâncias especiais e imprevistas, ao tema em estudo.

Algumas foram publicadas em “Reformador”, revista da nossa venerável “Federação Espírita Brasileira”, e algumas outras nos jornais “A Flama Espírita” e “Lavoura e Comércio”, folhas da cidade de Uberaba.

Reunindo, porém, a totalidade de nossas humildes apreciações, neste volume, fizemos pessoalmente integral revisão de todas elas, assinalando-as com a ordem cronológica em que foram grafadas e na pauta das perguntas e respostas que “O Livro dos Espíritos” nos apresentava.

Não temos, pois, outro objetivo que não seja demonstrar a nossa necessidade de estudo metódico da obra de Kardec, não só para lhe penetrarmos a essência redentora, como também para que lhe estendamos a grandeza em novas facetas do pensamento, na convicção de que outros companheiros de tarefa comparecerão à liça, suprindo-nos as deficiências naturais, com estudos mais altos dos temas renovadores trazidos ao mundo pelo apóstolo de Lião. E aguardando por essas contribuições, na sementeira da fé viva, cremos poder afirmar, com o título deste volume, que o primeiro livro da Codificação Kardequiana é manancial tão rico de valores morais para o caminho humano que bem pode ser considerado não apenas como revelação da Esfera Superior, mas igualmente como primeiro marco da Religião dos Espíritos, em bases de sabedoria e amor, a refletir o Evangelho, sob a inspiração de Nosso Senhor Jesus Cristo.



Emmanuel
Uberaba, 29 de janeiro de 1960.

Do livro Religião dos Espíritos, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Imagem e Mensagem: Chico Xavier- Uma Lição de Vida

O amor que suplanta até mesmo as dificuldades físicas revela-se não só nas palavras desse grande mestre, mas também na serenidade que a sua alma irradia nas imagens mostrada nesse vídeo, em uma entrevista concedida no ano de 1989.



quinta-feira, 25 de abril de 2013

Página de "Nosso Lar"


Noções de Lar



Desejando colher valores educativos que fluíam naturalmente da palestra da senhora Laura, perguntei, curioso:

- Desempenhando tantos deveres, a senhora ainda tem atribuições fora de casa?

- Sim; vivemos numa cidade de transição; no entanto, as finalidades da colônia residem no trabalho e no aprendizado. As almas femininas, aqui, assumem numerosas obrigações, preparando-se para voltar ao planeta ou para ascender a esferas mais altas.

- Mas a organização doméstica, em "Nosso Lar", é idêntica à da Terra?

A interlocutora esboçou uma face muito significativa e acrescentou:

- O lar terrestre é que, de há muito, se esforça por copiar nosso instituto doméstico; mas os cônjuges por lá, com raras exceções, estão ainda a mondar o terreno dos sentimentos, invadido pelas ervas amargosas da vaidade pessoal, e povoado de monstros do ciúme e do egoísmo. Quando regressei do planeta, pela última vez, trazia, como é natural, profundas ilusões. Coincidiu, porém, que, na minha crise de orgulho ferido, fui levada a ouvir um grande instrutor, no Ministério do Esclarecimento.

Desde esse dia, nova corrente de ideias me penetrou o espírito.

- Não poderia dizer-me algo das lições recebidas? - indaguei com interesse.

- O orientador, muito versado em matemática - prosseguiu ela -, fez-nos sentir que o lar é como se fora um ângulo reto nas linhas do plano da evolução divina. A reta vertical é o sentimento feminino, envolvido nas inspirações criadoras da vida. A reta horizontal é o sentimento masculino, em marcha de realizações no campo do progresso comum. O lar é o sagrado vértice onde o homem e a mulher se encontram para o entendimento indispensável. É templo, onde as criaturas devem unir-se espiritual antes que corporalmente. Há na Terra, agora, grande número de estudiosos das questões sociais, que aventam várias medidas e clamam pela regeneração da vida doméstica. Alguns chegam a asseverar que a instituição da família humana está ameaçada. Importa considerar, entretanto, que, a rigor, o lar é conquista sublime que os homens vão realizando vagarosamente. Onde, nas esferas do globo, o verdadeiro instituto doméstico, baseado na harmonia justa, com os direitos e deveres legitimamente partilhados? Na maioria, os casais terrestres passam as horas sagradas do dia vivendo a indiferença ou o egoísmo feroz. Quando o marido permanece calmo, a mulher parece desesperada; quando a esposa se cala, humilde, o companheiro tiraniza.

Nem a consorte se decide a animar o esposo, na linha horizontal de seus trabalhos temporais, nem o marido se resolve a segui-la no voo divino de ternura e sentimento, rumo aos planos superiores da Criação. Dissimulam em sociedade e, na vida íntima, um faz viagens mentais de longa distância, quando o outro comenta o serviço que lhe seja peculiar.

Se a mulher fala nos filhinhos, o marido excursiona através dos negócios; se o companheiro examina qualquer dificuldade do trabalho, que lhe diz respeito, a mente da esposa volta ao gabinete da modista. É claro que, em tais circunstâncias, o ângulo divino não está devidamente traçado. Duas linhas divergentes tentam, em vão, formar o vértice sublime, a fim de construírem um degrau na escada grandiosa da vida eterna.

Esses conceitos calavam-me fundo e, sumamente impressionado, observei:

- Senhora Laura, essas definições suscitam um mundo de pensamentos novos. Ah! Se conhecêssemos tudo isso lá na Terra!...

- Questão de experiência, meu amigo - replicou a nobre matrona -, o homem e a mulher aprenderão no sofrimento e na luta. Por enquanto, raros conhecem que o lar é instituição essencialmente divina e que se deve viver, dentro de suas portas, com todo o coração e com toda a alma.

Enquanto as criaturas vulgares atravessam a florida região do noivado, procuram-se mobilizando os máximos recursos do espírito, e daí o dizer-se que todos os seres são belos quando estão verdadeiramente amando. O assunto mais trivial assume singular encanto nas palestras mais fúteis. O homem e a mulher comparecem aí, na integração de suas forças sublimes. Mas logo que recebem a bênção nupcial, a maioria atravessa os véus do desejo, e cai nos braços dos velhos monstros que tiranizam corações. Não há concessões recíprocas. Não há tolerância e, por vezes, nem mesmo fraternidade. E apaga-se a beleza luminosa do amor, quando os cônjuges perdem a camaradagem e o gosto de conversar. Daí em diante, os mais educados respeitam-se; os mais rudes mal se suportam. Não se entendem.

Perguntas e respostas são formuladas em vocábulos breves. Por mais que se unam os corpos, vivem as mentes separadas, operando em rumos opostos.

- Tudo isso é a pura verdade! - aduzi comovido.

- Que fazer, porém, meu amigo? - replicou a bondosa senhora - na fase atual evolutiva do planeta, existem na esfera carnal raríssimas uniões de almas gêmeas, reduzidos matrimônios de almas irmãs ou afins, e esmagadora porcentagem de ligações de resgate. O maior número de casais humanos é constituído de verdadeiros forçados, sob algemas.

Procurando retomar o fio das considerações sugeridas por minha pergunta inicial, continuou a genitora de Lísias:

- As almas femininas não podem permanecer inativas aqui. É preciso aprender a ser mãe, esposa, missionária, irmã. A tarefa da mulher, no lar, não pode circunscrever-se a umas tantas lágrimas de piedade ociosa e a muitos anos de servidão. É claro que o movimento coevo do feminismo desesperado constituí abominável ação contra as verdadeiras atribuições do espírito feminino. A mulher não pode ir ao duelo com os homens, através de escritórios e gabinetes, onde se reserva atividade justa ao espírito masculino. Nossa colônia, porém, ensina que existem nobres serviços de extensão do lar, para as mulheres. A enfermagem, o ensino, a indústria do fio, a informação, os serviços de paciência, representam atividades assaz expressivas. O homem deve aprender a carrear para o ambiente doméstico a riqueza de suas experiências, e a mulher precisa conduzir a doçura do lar para os labores ásperos do homem. Dentro de casa, a inspiração; fora dela, a atividade. Uma não viverá sem a outra. Como sustentar-se o rio sem a fonte, e como espalhar-se a água da fonte sem o leito do rio?

Não pude deixar de sorrir, ouvindo a interrogação. A mãe de Lísias, depois de longo intervalo, continuou:

- Quando o Ministério do Auxílio me confia crianças ao lar, minhas horas de serviço são contadas em dobro, o que lhe pode dar ideia da importância do serviço maternal no plano terreno. Entretanto, quando isso não acontece, tenho meus deveres diuturnos nos trabalhos de enfermagem, com a semana de quarenta e oito horas de tarefa. Todos trabalham em nossa casa. A não ser minha neta convalescente, não temos qualquer pessoa da família em zonas de repouso. Oito horas de atividade no interesse coletivo, diariamente, é programa fácil a todos. Sentir-me-ia envergonhada se não o executasse também.

Interrompeu-se a interlocutora por alguns momentos, enquanto me perdia em vastas considerações...


Do livro Nosso Lar, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito André Luiz.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Nosso Lar



Nosso Lar é um dos livros psicografados pelo médium brasileiro Chico Xavier, que compõem uma coleção intitulada A Vida no Mundo Espiritual, atribuída ao espírito André Luiz. No movimento espírita brasileiro essa coleção é também conhecida como Série Nosso Lar.

Clássico da literatura espírita brasileira, Nosso lar é um romance que versa sobre os primeiros anos do médico André Luiz após sua morte, numa "colônia espiritual", espécie de cidade onde se reúnem espíritos para aprender e trabalhar entre uma encarnação e outra. O romance levanta questões acerca do sentido do trabalho justo e dignificante e da Lei de Causa e Efeito a que todos os espíritos, segundo o espiritismo, estariam submetidos.

A novelista Ivani Ribeiro teve o livro Nosso lar entre suas bases para escrever a novela A viagem, que até agora teve produzidas duas versões, ambas com sucesso e impulsionando a venda de literatura relacionada ao tema.

Nosso Lar obteve o primeiro lugar entre os dez melhores livros espíritas publicados no século XX, segundo pesquisa realizada em 1999 pela "Candeia Organização Espírita de Difusão e Cultura"1 ).

Desenhos minuciosos do mapa da cidade "Nosso Lar" assim como a arquitetura das edificações, ministérios e casas, foram criados pela médium Heigorina Cunha através de suas observações realizadas durante supostos desdobramentos (saídas do corpo) em março de 1979, conduzidas e orientadas pelo espírito Lucius. Estes desenhos serviram de inspiração para criar o visual arquitetônico da cidade que se vê na adaptação cinematográfica da obra, o filme Nosso Lar. Seus desenhos foram esclarecidos e confirmados por Chico Xavier de que se tratava realmente da cidade "Nosso Lar". A obra de Chico Xavier, também ganhou versão para o teatro, com direção de Gabriel Veiga Catellani.

Fonte: Wikipédia

terça-feira, 23 de abril de 2013

Chico Xavier por Eurípedes Higino

Uma entrevista com o filho adotivo de Chico Xavier, Eurípedes Higino, concedida ao programa DNA, exibida em 6 de abril de 2010, na Band Triangulo (MG).


segunda-feira, 22 de abril de 2013

Dia Mundial da Terra



Um belíssimo poema de amor ao nosso planeta, em homenagem ao 22/04, dia mundial da terra.


Amor ao Planeta Terra...



Amar a Deus sobre todas as coisas,
e amar também, a sua Criação:
Amar a nossa moradia, o nosso planeta Terra!
Amar o Sol, tão necessário à vida!
Este Sol que todas as manhãs te sorri, aquece teu corpo,
e que também testemunha a tua existência.

Amar a Deus sobre todas as coisas,
e amar também, cuidando com muito carinho,
de nossa natureza verde e bela.
Amar as árvores tão necessárias à vida!
Amar o doce aroma de florestas, numa manhã de abril,
Amar esta natureza que hoje clama por esperanças, nunca tardias.

Amar a Deus sobre todas as coisas,
e amar também, cuidando com muito carinho,
dos nossos rios, da nossa água, tão necessária à vida!
Amar a água que desenha no leito dos rios, as páginas do nosso destino.
Água antes alegre e abundante, agora triste, caminha poluída,
passando por baixo da ponte, rumo às terras do sem-fim.

Amar a Deus sobre todas as coisas,
e amar também, cuidando com muito carinho,
do nosso ar, tão necessário à vida!
Amar o ar, que nos foi dado gratuitamente, e em abundância,
e nada nos cobra por respirá-lo.
Esse ar que nos faz suspirar, ao avistar longínquas estrelas.

Amar a Deus sobre todas as coisas,
e depois, amar de paixão, as estrelas... enquanto for possível vê-las,
estrelas que bordam de luz, os mais escuros de teus céus.
Estrelas que brilham na imensidão, enchem de paz teu coração,
e calam as inquietações de tua alma.

Amar a Deus sobre todas as coisas,
e amar também, cuidando com muito carinho, do nosso solo.
que seja limpa e fértil, a terra de onde tiras o teu sustento.
Amar o chão que sustenta os teus passos, e te abre novos caminhos.
Amar as areias das praias, onde os poetas esculpem poemas,
e os apaixonados desenham corações.

Amar a Deus sobre todas as coisas,
e amar o teu próximo como a ti mesmo!
Está escrito nas linhas sinuosas do tempo, que ainda há tempo,
de plantar uma semente para o amanhã.
Não é tarde, para que declares com amor,
o teu Amor a Deus, e ao Planeta Terra!

Autoria: Lisiê Silva

domingo, 21 de abril de 2013

Página de “À Luz da Oração”


Oração Nossa


Senhor, ensina-nos:
a orar sem esquecer o trabalho;
a dar sem olhar a quem;
a servir sem perguntar até quando;
a sofrer sem magoar seja a quem for;
a progredir sem perder a simplicidade;
a semear o bem sem pensar nos resultados;
a desculpar sem condições;
a marchar para a frente sem contar os obstáculos;
a ver sem malícia;
a escutar sem corromper os assuntos;
a falar sem ferir;
a compreender o próximo sem exigir entendimento;
a respeitar os semelhantes sem reclamar consideração;
a dar o melhor de nós, além da execução do próprio
dever, sem cobrar taxas de reconhecimento;
Senhor fortalece em nós a paciência para com as dificuldades dos outros,
assim como precisamos da paciência dos outros para com as nossas dificuldades;
Ajuda-nos, sobretudo, a reconhecer que a nossa felicidade mais alta será invariavelmente,
aquela de cumprir-Te os desígnios onde e como queiras, hoje, agora e sempre.

Emmanuel

Do livro “À Luz da Oração” de Francisco Cândido Xavier, por Espíritos diversos.

sábado, 20 de abril de 2013

À Luz da Oração




Na bibliografia relacionada à prece é mais conhecido o trabalho do Rhys Davis, que recolheu textos de budismo arcaico, a compilação de Zimmern e de Gressmann para a religião assírio-babilônia, a espécie de breviário de Neumann, limitado à prece dos monges da Índia e de diversas tentativas de se recolherem às preces cristãs.

Como não poderia deixar de acontecer, essa preocupação se fez sentir no espírito de Allan Kardec, que nos ofereceu o legado famoso de suas preces, cujas edições não conhecem limite.

Mas esta é a primeira vez que se tenta reunir preces psicografadas, e, o que é melhor, devidas à atividade mediúnica deste que é reconhecido como o mais famoso psicógrafo do mundo: Francisco Cândido Xavier.

Para quem tenha dúvidas quanto ao caráter religioso do Espiritismo, este é também um livro para afastar vacilações, já que a prece é o fenômeno central da vida religiosa. No dizer de Deissmann "a prece caracteriza uma religião, uma época religiosa, um homem religioso, de maneira mais eficaz que a mitologia, a legenda, o dogma, a moral ou a teologia".

Ora, este livro é um vasto panorama em que os Espíritos oram. E sendo o Espiritismo a religião dos Espíritos, aqui se encontram os elementos mais válidos para caracterizá-lo, mesmo porque neste contexto não se encontram, obviamente, preces litúrgicas, porém alitúrgicas e pessoais, conservando, em ritmos sugestivos e vários, o diálogo eterno entre o homem e Deus, entre a mente fixada em seu espaço e em seu tempo e as energias cósmicas.

Reunimos textos de poetas e escritores famosos já desencarnados, com Humberto de Campos, Ruy e João de Deus, mas, igualmente a contribuição de ignoradas Entidades, tais Aparecida e Aniceto, em expressões desde as mais singelas às mais complexas pelo sentido religioso, de sorte que, lendo estas páginas, nos sentiremos como que suspensos nos fios de um mistério infinito em meio ao qual as vozes que se erguem identificam-se por toda parte reconhecemos essa substância central do fato religioso, isto é, a forma pela qual a prece encontra sua expressão na latente confiança em uma intervenção providencial.

Um duplo valor, documentário e poético, justifica esta antologia, um itinerário formoso e inesperado entre almas imobilizadas no instante mesmo em que estabelecem seu colóquio com Deus.

"A prece - escreveu Heiler - é o coração, o ponto central da religião e não é nos dogmas, nas instituições, nos ritos, nas ideias morais que podemos descobrir a substância da vida religiosa, mas nesse conjunto de reações individuais da alma religiosa em face do cosmos, sentimento do infinito do espaço e do tempo, da ordem e da harmonia do cosmos, do reconhecimento ao mesmo tempo pleno de terror e de maravilha do caráter limitado da criatura".

A caracterização e análise de tais sensações, de seu valor emocional, da aparição de elementos éticos e normativos, de elementos de devoção e de elementos racionais na consciência religiosa, a definição consequente de relações entre emotividade e racionalidade moral, tais são os elementos que podemos encontrar aqui.

A prece abre um circuito emocional entre os dois termos fundamentais da experiência religiosa, Deus e o homem e, por tal motivo, julgamos preferível a organização dos capítulos entre "Meditações" de Emmanuel, contendo valores de movimento, de posição e de orientação da prece.

Esse esforço se concretiza com o apêndice em que os Espíritos exprimem forças positivas, determinadas, prestes a se efetivarem, oferecendo elementos para a observação e o estudo constante em regras de comportamento, propondo a concordância entre a intenção e a ação.

Foi puramente ocasional que as preces reunidas nesta "Antologia" se distingam pelo caráter verbal e poético.

Comentando o poder comunicativo da palavra, de que a prece se serve, já Di Nola dizia, concordando com os Evangelhos que os logos, verbum, é energia oculta de onde o mundo tira sua forma harmônica, constituindo, ao mesmo tempo, imploração que persuade e se insinua, injunção indiscutível, pranto aflitivo, exuberância de um grito de alegria e glória.

Uma pesquisa linguística, ainda que limitada, nos leva à uma confirmação da função da prece, pois que prece é pedido nas palavras prex, precor, da raiz indo-européia perek (pedir), representativa do conceito de pedir com palavras para obter, comum no sânscrito prât (prece), no úmbrio persuinu alemão fraga (pedido), no irlandês arco (eu oro). Outras vezes representa-se o conceito de prece supplicatio correspondente ao grego proschineo, que vem da raiz pel (dobrar), evidente na palavra supplice -subplico, do grego ichesia que, segundo a conjectura etimológica mais provável, vem do radical seich (estender a mão).

A prece espírita é pessoal, individual, alitúrgica. É evidente que a relação homem-Deus está toda inteira contida na intimidade da alma individual, é uma predisposição, uma inclinação do espírito a solicitar, a glorificar, a se abandonar, é, no dizer de Agostinho, a sede que só encontra alívio na paz da fonte divina.

Assim sendo, considerar a prece nesse estado de intimidade, tal como a inexprimível. As experiências contidas neste livro auxiliam, porém, a compreender como é possível passar de uma forma preliminar de prece elaborada à prece pessoal propriamente dita, emocional e mental. A própria necessidade vital de se extravasar, de se manifestar, leva o indivíduo a dar expressão ao seu impulso interior, na tentativa de defini-lo.

O apêndice deste livro, no qual abnegadas Entidades assinam estudos diversos sobre a prece, leva-nos a concebê-la como uma pura condição espiritual do exercício, de atos de pacificação e passividade numa sucessão gradual de aperfeiçoamento e de conquistas interiores.

No que concerne aos Espíritos que assinam as diferentes páginas, interessa-nos sobretudo a compreensão do processo de formação de uma consciência inteiramente livre e marcada pelos caracteres de personalidades altamente religiosas. De sorte que, como contexto, esta obra concerne particularmente à psicologia religiosa, à história de grandes consciências que se sublimaram e passam a exercer decisiva influência no desenvolvimento do movimento espírita, que deve levar de volta ao Cristianismo à sua verdadeira perspectiva. O estudo de cada uma das preces aqui contidas, sob os recursos de compreensão oferecidos pelo Espiritismo, esclarece todos os mecanismos psicológicos nos quais ela tem sua origem, no quadro de experiências nitidamente espirituais e que promove o impulso à prece como uma manifestação puramente interior.

Por outro lado revela aqui que a prece não pode assumir caráter estático e tradicional se quiser manter seu poder natural de sugestão. Neste sentido é lícito considerar que a Prece Dominical, proposta por Jesus, é uma eficácia inicial, determinando, no exercício da prece, condições de emoção e contacto com os níveis superiores da realidade, com a finalidade, entretanto, de que, de tal esforço, resulte a centelha inicial da prece pessoal e, conforme o próprio Cristo propõe, individual.

Enquanto as liturgias oficiais entram em decadência, o Espiritismo esforça-se, por um novo caminho, a motivar a predisposição religiosa natural do espírito humano. Eis o que nos levou a realizar esta "Antologia" na qual o leitor poderá, através de fácil leitura, estabelecer relação com a carga emotiva de inteligências realmente voltadas para uma "religação" e dispostas, conforme a passagem de Paulo, o Apóstolo, a vivificar a letra pelo espírito.

Eis que porque nestas páginas agita-se a labareda, em mais puro estado, da grande religião do Consolador Prometido, elaborada na divina ambição de fazer com que se comunique o Eu e o Outro, o Sujeito e o Objeto, o Ser Humano e o Ser Cósmico.

Emmanuel

Prefácio do livro À Luz da Oração, de Francisco Cândido Xavier, por Espíritos diversos.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Gotas de Luz


Ideias Inatas



Ao Espírito encarnado resta-lhe uma vaga lembrança das percepções e dos conhecimentos que adquiriu nas existências anteriores. É o que chamamos ideias inatas. (LE – 218) (1)

O Espírito sobrevive, mas preexiste ao corpo; não é um ser novo; quando nasce, traz as ideias, as qualidades e as imperfeições que possuía; assim se explicam as ideias, as aptidões e as tendências inatas. O pensamento é, pois, preexistente e sobrevivente ao organismo. (RE – março de 1867, Da Homeopatia nas Doenças Morais.) (2)

A teoria das ideias inatas não é quimérica, pois os conhecimentos adquiridos em cada existência não se perdem; o Espírito, liberto da matéria, sempre se recorda. Durante a encarnação pode esquecê-los em parte, momentaneamente, mas a intuição que lhe fica ajuda o seu adiantamento. Sem isso, ele sempre teria de recomeçar. A cada nova existência, o Espírito toma como ponto de partida aquele em que se achava na precedente. (LE – 218a)

Nem sempre há uma grande conexão entre duas existências sucessivas, como podemos imaginar, porque as posições são quase sempre muito diferentes, e no intervalo de ambas o Espírito pôde progredir. (LE – 218a)

Pode acontecer de o homem conservar, em sua nova existência, os traços do caráter moral das existências anteriores, mas ao melhorar-se ele se modifica. Sua posição social também pode não ser a mesma. Se de senhor ele se torna escravo, suas inclinações serão muito diferentes e teremos dificuldades para reconhecê-lo. O Espírito sendo o mesmo, nas diversas encarnações, suas manifestações podem ter, de uma para outra, certas semelhanças. Estas, entretanto, serão modificadas pelos costumes da nova posição, até que um aperfeiçoamento notável venha a mudar completamente o seu caráter, pois de orgulhoso e mau pode tornar- se humilde e humano, desde que se haja arrependido. (LE – 216)

Segundo os indivíduos, há faculdades, aptidões, tendências que se manifestam desde o próprio início da vida, outras se revelam em épocas mais tardias, e produzem as mudanças de caráter e de disposições que se notam em certas pessoas. Neste último caso, geralmente, não são disposições novas, mas aptidões preexistentes que dormitam até que uma circunstância venha estimular e despertar. Pode-se estar certo de que as disposições viciosas que se manifestam às vezes subitamente e tardiamente, tinham seu germe preexistente nas imperfeições do Espírito, porque este, caminhando sempre para o progresso, se for essencialmente bom, não pode se tornar mau, ao passo que, se for mau pode se tornar bom. (RE – março de 1867, Da Homeopatia nas Doenças Morais.)

A cada nova existência o Espírito tem mais inteligência e pode melhor distinguir o bem e o mal. Quando o Espírito entra na sua vida de origem, o mundo espírita, toda a sua vida passada se desenrola diante dele; vê as faltas cometidas e que são causa do seu sofrimento, bem como aquilo que poderia tê-lo impedido de cometê-las; compreende a justiça da posição que lhe é dada e procura então a (re)encarnação necessária para reparar a que acaba de escoar-se. Procura provas semelhantes àquelas por que passou, ou as lutas que acredita apropriadas ao seu adiantamento. Contudo, o Espírito encarnado, se não tem, durante a vida corpórea, uma lembrança precisa daquilo que foi, e do que fez de bem ou de mal em suas existências anteriores, tem, entretanto, a sua intuição. Suas tendências instintivas são uma reminiscência do seu passado, às quais a sua consciência, que representa o desejo por ele concebido de não mais cometer as mesmas faltas. A consciência que é onde está escrita a lei de Deus, o adverte que deve resistir de não cometer as mesmas faltas do passado, isto se dá segundo o grau de perfeição a que tenha chegado e conforme a sua capacidade de conservar a lembrança intuitiva. (LE, Livro 2, cap. VII, da q. 392 em diante e Livro 3, cap. I, da q. 620 em diante.

A origem das faculdades extraordinárias dos indivíduos que, sem estudo prévio, parecem ter a intuição de certos conhecimentos, como as línguas, o cálculo, etc., é lembrança do passado, ou seja, do progresso anterior da alma, mas do qual ela mesma não tem consciência. Os corpos mudam, mas o Espírito não muda, embora troque a vestimenta. (LE – 219)

Com a mudança dos corpos, podem perder-se certas faculdades intelectuais, deixando-se de ter, por exemplo, o gosto pelas artes, desde que se tenha desonrado essa faculdade, fazendo mau uso dela. Uma faculdade pode, também, ficar adormecida durante uma existência, porque o Espírito quer exercer outra, que não se relacione com ela. Nesse caso, permanece em estado latente, para reaparecer mais tarde. (LE – 220)

A retrospectiva que um homem pode ter, mesmo no seu estado selvagem, como o sentimento instintivo da existência de Deus, é uma lembrança que ele conserva como Espírito, antes de encarnar, mas o orgulho frequentemente abafa esse sentimento. (LE – 221)

Podem ter até a lembrança de certas crenças relativas à doutrina espírita encontradas em todos os povos. Isso pode se dar, porque, esta doutrina é tão antiga quanto o mundo. É por isso que a encontramos por toda parte, e é esta uma prova da sua veracidade. O Espírito encarnado, conservando a intuição do seu estado de Espírito, tem a consciência instintiva do mundo invisível. Mas quase sempre ela é falseada pelos preconceitos, e a ignorância mistura a ela a superstição. (LE – 221a)

RESUMO:

Tendências inatas são uma espécie de lembrança, percepção e conhecimento que o Espírito encarnado (homem) adquiriu em existências anteriores, mas cuja realidade é combatida por certos homens, desde muito tempo, que pretendem sejam todas adquiridas durante a vida. Se assim fosse, como explicar certas disposições naturais que se revelam muitas vezes desde a mais tenra idade e independentemente de qualquer educação? O Espiritismo lança uma grande luz para esta questão. Sobre estas espécies de tendências a Doutrina Espírita oferece a sua explicação através da pluralidade das existências, assim, os conhecimentos adquiridos pelo Espírito nas existências anteriores se refletem nas existências posteriores através do que denominamos tendências ou ideias inatas. (Ver Allan Kardec in Vocabulário da obra Instruções Práticas sobre as manifestações Espíritas.) Sendo assim, o estado intelectual e moral do Espírito encarnado, quando criança, é o que era antes da sua união com o corpo, ou seja, a alma possui todas as ideias adquiridas anteriormente, porém, em razão da perturbação que acompanha a mudança, suas ideias estão momentaneamente em estado latente. Elas se esclarecem gradualmente, mas só podem se manifestar proporcionalmente ao desenvolvimento dos órgãos do corpo físico. (Ver Allan Kardec in cap. III, item 117, O Homem Durante a Vida Terrestre da obra O Que o Espiritismo.)

Os gênios que se revelam nas classes sociais desprovidas de cultura intelectual, provam que as ideias inatas são independentes do meio onde o homem é educado. O meio e a educação desenvolvem as ideias inatas, mas não a fornecem. O homem de gênio é a encarnação de um Espírito já avançado e que muito progrediu na escala evolutiva. Por isso, a educação pode dar a instrução que lhe falta, mas não pode dar o gênio quando este ainda não existe nele. (Ver Allan Kardec in cap. III, item 119, O Homem Durante a Vida Terrestre da obra O Que o Espiritismo.)


Fonte: A Era do Espírito. Pesquisa: Elio Mollo

(1) LE é abreviatura de O Livro dos Espíritos.
(2) RE é abreviatura da Revista Espírita, Jornal de Estudos Psicológicos, Publicada sob a Direção de Allan Kardec.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Página de "Respostas da Vida"


Se Você Puder



Se você puder, hoje ainda:

- olvide contratempos e mostre um sorriso mais amplo para aqueles que lhe compartilham a vida;

- dê mais um toque de felicidade e beleza em seu recanto doméstico;

- faça a visita, mesmo ligeira, ao doente que você deseja reconfortar;

- escreva, ainda que seja simples bilhete, transmitindo esperança e tranqüilidade em favor de alguém;

- melhore os seus conhecimentos, no setor de trabalho a que esteja empregando o seu tempo;

- estenda algo mais de otimismo e de alegria aos que se encontrem nas suas faixas de convivências;

- procure esquecer - mas esquecer mesmo - tudo o que se lhe faça motivo de tristeza ou aborrecimento;

- leia alguma página edificante e escute música que pacifique o coração;

- dedique alguns minutos à meditação e à prece;

- pratique, pelo menos, uma boa ação sem contar isso a ninguém.

Estas indicações de apoio espiritual, se forem observadas, farão grande bem aos outros, mas especialmente a você mesmo.


André Luiz

Do livro Respostas da Vida, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito André Luiz.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Respostas da Vida



Este livro reúne as respostas aos problemas mais comuns questionados pelo ser humano, especialmente no que se refere à iluminação íntima e o relacionamento com nossos irmãos, relativamente à nossa melhoria espiritual.

A vida responde sempre às nossas indagações.

Estudos e pesquisas são problemas de longo alcance que o Espírito formula, à frente do Universo; invenções e descobertas constituem soluções que a Divina Sabedoria nos fornece pela escola do trabalho.

Muitos companheiros, endereçando inquirições ao nosso amigo André Luiz, inspiraram a ele a formação deste livro que lhe reúne as respostas, especialmente no que se refere à iluminação íntima e relacionamento comum, relativamente à nossa melhoria espiritual.

Entregando, assim, estas páginas aos leitores amigos, com a satisfação de quem usufrui o correio da amizade para trazer-lhes observações e notícias, sugestões e apontamentos de excelente companheiro do Plano Espiritual, rogamos a Jesus nos conduza pelos caminhos da Luz e do Amor, da Renovação e do Progresso que Ele mesmo nos traçou, inspirando-nos e abençoando-nos, tanto hoje quanto sempre.

Emmanuel

Uberaba, 21 de maio de 1975.
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