sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Imagem e Mensagem: Mediunidade nossa de todos os Dias

Para encerrar o mês em homenagem ao sesquicentenário de "O Livro dos Médiuns" reservamos essa mensagem, da redação do "Momento Espírita", que fala da mediunidade através dos tempos e nos faz refletir um pouco mais sobre esse dom natural presente em todos nós.


quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O Livro dos Médiuns em seus 150 anos

*Por Vinícius Lousada

Lançada em janeiro de 1861, essa obra, que integra o chamado Pentateuco Kardequiano, continua sendo fundamental aos que – médiuns e dirigentes – atuam na área da mediunidade.


Na atualidade, não há compêndio de Espiritismo experimental mais oportuno que O Livro dos Médiuns ou Guia dos médiuns e dos evocadores de autoria do mestre Allan Kardec. Vinda a lume nos dias iniciais de janeiro de 1861 e editada pelo Sr. Didier, essa obra, segundo o Codificador[1], consistia no complemento de O Livro dos Espíritos, com o seu caráter científico. Mais tarde, Kardec vai considerá-la no rol das obras fundamentais do Espiritismo.

Ao seu tempo, podia ser adquirida na Livraria do Sr. Didier, tanto quanto no escritório da Revista Espírita, situado na passagem Saint-Anne, em Paris, em grande volume in-18, de 500 páginas. Em poucos meses do mesmo ano o livro teve uma segunda edição, com nova formatação e inteiramente revisada pelos Espíritos, com numerosas observações valorosas de sua lavra, de tal forma que as palavras de Kardec manifestam que a obra era tanto deles quanto de seu autor[2].

Fico a imaginar a emoção, em 1861, de médiuns e dirigentes de grupos espíritas sérios ao encontrarem na produção kardequiana orientação segura para o desenvolvimento e direcionamento feliz da mediunidade, a serviço de uma compreensão mais profunda do mundo invisível porque iluminada pelos saberes produzidos na colaboração interexistencial entre o mestre lionês e os Espíritos Superiores, por sua vez comandados pelo Espírito de Verdade.

Um guia seguro para lidar com a mediunidade

Não se trata somente de mais um livro; é uma obra indispensável no campo de estudos e meditações em torno da mediunidade para que o seu exercício se torne serviço ao semelhante, seja pela constatação veraz da imortalidade da alma e a identificação de nossa natureza espiritual, seja pelo diálogo criativo e moralizante com os sempre vivos, e ainda pelo esclarecimento que se pode dar aos sofredores desencarnados, cuja infelicidade a que se atrelaram aguarda a terapêutica do Evangelho de Jesus no verbo fraterno dos reencarnados, sob os auspícios dos Benfeitores Espirituais.

Esse trabalho levado a bom termo por Allan Kardec é resultado de uma longa pesquisa experimental com Espíritos e médiuns, onde o cientista, ao estabelecer um método de experimentação em consonância com o objeto pesquisado – o mundo dos Espíritos e a filosofia ensinada pelos Imortais –, considera seus informadores espirituais não como reveladores predestinados, mas como parceiros de estudos, cada qual contribuindo relativamente ao seu patamar evolutivo.

Em O Livro dos Médiuns o Codificador exitosamente esclarece tudo que era referente às manifestações espíritas físicas e intelectuais, em seu contexto histórico, de acordo com os Espíritos Superiores, a fim de desenvolver uma teoria espírita explicativa dos fenômenos mais variados, produzidos pelos habitantes do Mais Além, como também das condições de sua reprodução e controle metodológico.

No anúncio que faz da obra na Revue Spirite destaca que “sobretudo a matéria relativa ao desenvolvimento e ao exercício da mediunidade mereceu de nossa parte uma atenção toda especial”. [3]

Desse modo, já nessa consideração do autor somos convidados a levar em conta que podemos, sobretudo os Espíritas, recolher em seu conteúdo um norte para o desenvolvimento seguro da mediunidade (no sentido kardequiano, um processo educativo do médium) e para o uso saudável dessa predisposição orgânica, natural e radicada no Espírito em sua capacidade comunicativa, quando manifesta de forma ostensiva.

O leitor estudioso dessa obra nela encontra condições de compreender a fenomenologia que cerca a mediunidade de que possa ser portador, os recursos teóricos para lidar com sucesso na vereda da convivência lúcida com os Espíritos e para o enfrentamento adequado de seus desafios e obstáculos que, ao serem encarados sem o devido conhecimento, geram decepções e tristes resultados, como a obsessão ou o uso imoral da mediunidade.

Por outro lado, na formação do dirigente e/ou do “doutrinador” (evocador, como Kardec designava o responsável por dialogar com os Espíritos nas reuniões espíritas), a obra é igualmente de sumo valor para que levemos com retidão os diálogos sempre instrutivos que se podem obter com os desencarnados, sendo possível apresentar-lhes questões em prol do esclarecimento moral e intelectual de todos nós, para o que nos orienta Kardec [4].

Enfim, o espiritista convicto encontra nesse livro subsídio para entender melhor o Espiritismo em sua complexidade, na medida em que a obra revela aspectos essenciais do caráter experimental da Doutrina dos Espíritos, não raramente desconsiderados.

Em prol da Moral e da Filosofia Espírita

Com o advento de O Livro dos Espíritos o Espiritismo abandonava seu período de curiosidade, caracterizado pela especulação nem sempre séria, em nível de entretimento em que eram colocados os fenômenos espíritas por muita gente na Europa do século XIX, e adentrava o período de observação ou filosófico no qual “O Espiritismo é aprofundado e se depura, tendendo à unidade de doutrina e constituindo-se em Ciência”. [5]

Kardec via o Espiritismo como uma Ciência Moral [6] e, ao escrever O Livro dos Médiuns, deixa um legado inolvidável, prevendo de antemão as críticas ciumentas ou personalistas que queriam fazer valer sistemas particulares para a condução das lides mediúnicas, ou ainda, na explicação exclusivista destas, sem a chancela do ensino coletivo dos Espíritos.

Além disso, o cientista do invisível dá uma razão de ser grave à fenomenologia mediúnica para que se recolham com os Espíritos ensinamentos sérios e úteis à nossa felicidade na vida espiritual, evitando-se o desvio do fim providencial da mediunidade nas práticas espíritas.

Respondendo aos seus críticos que talvez supusessem desnecessária a severidade dos princípios e conselhos obtidos nessa obra, sem querer fundar escola, mas propagar o direcionamento dado pelos Espíritos Superiores à mediunidade no Espiritismo, Kardec coloca na fachada principal dessa proposta o seu caráter moral e filosófico, sobretudo em prol dos que se percebem necessitados das esperanças e consolações que podem haurir na Doutrina e nos resultados da atividade mediúnica sob a orientação maior de Jesus.

Neste ano de comemorações do sesquicentenário de O Livro dos Médiuns procuremos estudar com profunda gratidão, no plano individual e coletivo, esse livro essencial no campo da mediunidade com Jesus e Kardec.

Estudando Kardec

“Nós mesmos pudemos constatar, em nossas excursões, a influência salutar que esta obra exerceu sobre a direção dos estudos espíritas práticos; assim, as decepções e mistificações são muito menos numerosas do que outrora, porque ela ensinou os meios de frustrar as artimanhas dos Espíritos enganadores.” [7]


*Vinícius Lousada é pedagogo, palestrante e escritor espírita.


[1] KARDEC, Allan. Revista Espírita: jornal de estudos psicológicos. Ano IV. Rio de Janeiro:
Federação Espírita Brasileira, 2006, pág. 22.
[2] Idem, pág. 518.
[3] Idem.
[4] KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. 71. ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2003, Cap. XXVI.
[5] KARDEC, Allan. Revista Espírita: jornal de estudos psicológicos. Ano I. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2005, pág. 369.
[6] LOUSADA, Vinícius. Em busca da sabedoria. Porto Alegre: Editora Francisco Spinelli, 2010, p. 104.
[7] KARDEC, Allan. Revista Espírita: jornal de estudos psicológicos. Ano IV. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2006, pág. 517.


Fonte: O Consolador, ano 4, nr.193, janeiro de 2011
Imagem: Foto de Vinícius Lousada (Minuano Online)

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Música Espírita: Médiuns

O Poema canção " Médiuns", de autoria de Gladston e Tim, interpretada ao vivo nas vozes de Tim e Vanessa.



terça-feira, 27 de setembro de 2011

Ciência e Mediunidade


Comprovar cientificamente a mediunidade é objetivo do psiquiatra Sérgio Felipe Oliveira, professor de medicina e espiritualidade da Faculdade de Medicina da USP e membro da Associação Médica-Espírita de São Paulo. Com exames de tomografia, ele analisou a glândula pineal (uma parte do cérebro do tamanho de um feijão) de cerca de mil pessoas. "Os testes mostraram que aqueles com facilidade para manifestar a psicografia e a psicofonia apresentam uma quantidade maior do mineral cristal de apatita na pineal".

Ele também atende, no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, casos de pacientes de doenças como dores crônicas e epilepsia que receberam todos os tipos de tratamento, não tiveram melhora e relatam experiências ligadas à mediunidade.

Uma pesquisa de especialistas da USP e da Universidade Federal de Juiz de Fora, publicada em maio no periódicoThe Journal of Nervous and Mental Disease, comparou médiuns brasileiros com pacientes americanos de transtorno de múltiplas personalidades (caracterizado por alucinações e comportamento duplo).Eles concluíram que os médiuns apresentam prevalências inferiores de distúrbios mentais, do uso de antipsicóticos e melhor interação social.

Pesquisas da Universidade de Montreal, no Canadá, e da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, comprovaram que, durante a oração de freiras e monges católicos, a área do cérebro relacionada à orientação corporal é quase toda desativada, o que justificaria a sensação de desligamento do corpo. Os testes usaram imagens de ressonâncias magnéticas e tomografias feitas no momento do transe.

Mediunidade: um atributo biológico

Mediunidade é uma função natural, existente em todas as religiões. E isso deve acontecer através do campo magnético, sem dúvida. Se a espiritualidade interfere, é pelo campo eletromagnético, que depois é convertido, pela pineal, em estímulos eletroneuroquímicos. Não existe controvérsia entre ciência e espiritualidade, porque a ciência não nega a vida após a morte. Não nega a mediunidade. Não nega a existência do espírito. Também não há uma prova final de que tudo isto existe. Não existe oposição entre o espiritual e o científico. Você pode abordar o espiritual com metodologia científica, e o espiritismo sempre vai optar pela ciência. Essa é uma condição precípua do pensamento espírita. Os cientistas materialistas que disserem "esta é minha opinião pessoal", estarão sendo coerentes. Mas se disserem que a opção materialista é a opinião da ciência, estarão subvertendo aquilo que é a ciência.

A American Medical Association, do Ministério da Saúde dos EUA, possui vários trabalhos publicados sobre mediunidade e a glândula pineal. O Hospital das Clínicas sempre teve tradição de pesquisas na área da espiritualidade e espiritismo. Isso não é muito divulgado pela imprensa, mas existe um grupo de psiquiatras lá defendendo teses sobre isso. Há dois tipos de experiências sendo realizadas: a pesquisa das estruturas do cérebro, responsáveis pela integração espírito/corpo; e outra, que é a pesquisa clínica, das pessoas em transe mediúnico. São testes de hormônios, eletroencefalogramas, tomografias, ressonância magnética, mapeamento cerebral, entre outros. A coleta de hormônios, por exemplo, pode ser feita enquanto o paciente está em estado de transe. E os resultados apresentam alterações significativas.

Chico psicografou centenas de cartas consoladoras dirigidas a familiares saudosos, enviadas pelos parentes domiciliados no mais além. Muitas delas, revelando nomes totalmente desconhecidos pelo médium, foram grafadas com a mesma letra dos falecidos. A prova cientifica disso está apresentada no livro "A Psicografia à Luz da Grafoscopia", de autoria de Carlos Augusto Per Andréa, professor da disciplina de "Identificação Datiloscópica e Grafotécnica" da Universidade Estadual de Londrina, no Paraná.

Divaldo e Chico manifestaram também o fenômeno da Xenoglossia (conhecimento inato de idiomas não aprendidos nesta vida), psicografando textos em alemão, francês, italiano.


Fonte: Revista Isto É Médiuns, Setembro de 2008.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Gotas de Luz


Escala Espírita: Progressão dos Espíritos


Progressão dos Espíritos

Os Espíritos são criados simples e ignorantes, isto é, sem ciência e sem conhecimento do bem e do mal, porém perfectíveis e com igual aptidão para tudo adquirirem e tudo conhecerem, com o tempo. A princípio eles se encontram numa espécie de infância, carentes de vontade própria e sem a consciência perfeita de sua existência.

A medida que o Espírito se distancia do ponto de partida, desenvolvem-se-lhe as idéias, como na criança, e com as idéias o livre-arbítrio, isto é, a liberdade de fazer ou não fazer, que é um dos atributos essenciais do Espírito.

O objetivo final de todos consiste em alcançar a perfeição de que é suscetível a criatura. O resultado dessa perfeição está no gozo da suprema felicidade.

Com este objetivo, os Espíritos revestem transitoriamente um corpo material. A vida espiritual é a vida normal do Espírito: é eterna; a vida corporal é transitória e passageira: não é mais do que um instante na eternidade.

O aperfeiçoamento do Espírito é fruto do seu próprio labor, ele avança na razão de sua maior ou menor atividade ou da boa vontade em adquirir as qualidades que lhe faltam.

Não podendo, numa só existência, adquirir todas as qualidades morais e intelectuais, ele chega a essa aquisição por meio de uma série de existências, em cada uma das quais dá alguns passos para frente, na senda do progresso e se liberta de algumas imperfeições.

Para cada nova existência, o Espírito traz o que ganhou em inteligência e em moralidade nas suas existências pretéritas, assim como os germens das imperfeições de que ainda não superou. Não perde jamais uma vitória alcançada: um vício vencido jamais lhe será problema. Tampouco poderá retrogradar, pois os Espíritos não degeneram. Podem permanecer estacionários, mas jamais retrogradam.

Quando o Espírito empregou mal uma existência, isto é, quando nenhum progresso realizou na senda do bem, essa existência lhe resulta sem proveito: ele tem que a recomeçar em condições mais ou menos penosas.

É indeterminado o número de existências; depende da vontade do Espírito reduzir esse número, trabalhando ativamente pelo seu progresso moral.

No intervalo das existências corpóreas, o Espírito vive a vida espiritual, que Kardec chama de erraticidade.

Quando os Espíritos realizam a soma de progresso que o estado do mundo onde estão lhes faculta efetuar, eles o deixam, passando a encarnar noutro mais adiantado, onde entesouram novos conhecimentos. Prosseguem assim, até que nenhuma utilidade mais tenha a encarnação em corpos materiais. Entram, então, a viver exclusivamente a vida espiritual, em que progridem noutro sentido e por outros meios. Galgando o ponto culminante do progresso gozam da felicidade suprema.

Escala Espírita

Allan Kardec [LE-qst 100] vai apresentar uma classificação prática dos diversos Espíritos, de acordo com seu progresso intelecto-moral. Lembra o Codificador que esta classificação não é estanque, existindo inúmeras variações entre uma classe e outra, e que Espírito algum permanecerá eternamente na mesma classe, pois o progresso é uma fatalidade na Lei Divina.

A - Primeira Ordem: Espíritos Puros

Os Espíritos que compõe a primeira ordem percorreram todos os degraus da escala e se despojaram de todas as impurezas da matéria. Tendo alcançado a soma de perfeição de que é suscetível a criatura, não têm mais de sofrer provas e expiações. Não estão mais sujeitos às reencarnações, mas podem, ocasionalmente, reencarnarem como grandes missionários. Gozam de inalterável felicidade e sua superioridade intelectual e moral em relação aos outros Espíritos é absoluta. São os mensageiros de Deus, na direção dos mundos, sistemas planetários e galáxias.

O único Espírito puro a encarnar no nosso orbe foi Jesus.

Esta ordem apresenta uma única classe ( 1ª classe);

B- Segunda Ordem: Espíritos Bons


Observa-se nesses Espíritos, predomínio do Espírito sobre a matéria, desejo do bem; buscam Deus conscientemente, mas ainda terão de passar por provas; uns possuem a ciência, outros a sabedoria e a bondade; os mais adiantados juntam ao seu saber as qualidades morais.

Esta ordem apresenta quatro classes principais:

2ª Classe: Espíritos Superiores: reúnem a ciência, a sabedoria e a bondade; buscam comunicar-se com os que aspiram à verdade; encarnam-se na Terra apenas em missão de progresso e caracterizam o tipo de perfeição a que podemos aspirar neste mundo;

3ª Classe: Espíritos Prudentes: elevadas qualidades morais e capacidade intelectual que lhes permitem analisar com precisão os homens e as coisas;

4ª Classe: Espíritos Sábios: amplitude de conhecimentos aplicados em benefício dos semelhantes; têm mais aptidão para as questões científicas do que para as morais;

5ª Classe: Espíritos Benévolos: seu progresso realizou-se mais no sentido moral do que no intelectual; a bondade é a qualidade dominante.

C- Terceira Ordem: Espíritos Imperfeitos

Predomínio da matéria sobre o Espírito. Propensão ao mal. Têm a intuição de Deus, mas não o buscam através de atos e pensamentos. Apresentam idéias pouco elevadas.

Apresenta cinco classes:

6ª Classe: Espíritos Batedores ou Perturbadores: sua presença manifesta-se por efeitos sensíveis e físicos, como pancadas e deslocamento de corpos sólidos;

7ª Classe: Espíritos Neutros: apegados às coisas do mundo, não são bons o suficiente para praticarem o bem, nem maus o bastante para fazerem o mal;

8ª Classe: Espíritos Pseudo-Sábios: possuem grande conhecimento, mas julgam saber mais do que sabem; sua linguagem tem caráter sério, misturando verdades com suas próprias paixões e preconceitos;

9ª Classe: Espíritos Levianos: são ignorantes e inconseqüentes, mais maliciosos do que propriamente maus; linguagem alegre, irônica e superficial;

10ª Classe: Espíritos Impuros: o mal é o objeto de suas preocupações; sua linguagem é grosseira e revela a baixeza de suas inclinações.


Bibliografia
a) Livro dos Espíritos - Allan Kardec
b) Obras Póstumas - Allan Kardec

Fonte: CVDEE

domingo, 25 de setembro de 2011

Mensagem da Semana


Ouça a Mensagem


Magnetismo Pessoal


"E toda a multidão procurava tocar-lhe, porque saía dele uma virtude que os curava a todos." — (Lucas, VI-XIX.)


Na atualidade, observamos toda uma plêiade de espiritualistas eminentes, espalhando conceitos relativos ao magnetismo pessoal, com tamanha estranheza, qual se estivéssemos perante verdadeira novidade do século XIX.

Tal serviço de investigação e divulgação dos poderes ocultos do homem representa valioso concurso na obra educativa do presente e do futuro, no entanto, é preciso lembrar que a edificação não é nova.

Jesus, em sua passagem pelo Planeta, foi a sublimação individualizada do magnetismo pessoal, em sua expressão substancialmente divina. As criaturas disputavam-lhe o encanto da presença, as multidões seguiam-lhe os passos, tocadas de singular admiração. Quase toda gente buscava tocar-lhe a vestidura. D'Ele emanavam irradiações de amor que neutralizavam moléstias recalcitrantes.

Produzia o Mestre, espontaneamente, o clima de paz que alcançava quantos lhe gozavam a companhia.

Se pretendes, pois, um caminho mais fácil para a eclosão plena de tuas potencialidades psíquicas, é razoável aproveites a experiência que os orientadores terrestres te oferecem, nesse sentido, mas não te esqueças dos exemplos e das vivas demonstrações de Jesus.

Se intentas atrair, é imprescindível saber amar. Se desejas influência legítima na Terra, santifica-te pela influência do Céu.


Emmanuel

Do livro Pão Nosso, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel

sábado, 24 de setembro de 2011

Dai de Graça ( O que de Graça Recebeste)


Uma das coisas que mais admiram as pessoas que vão pela primeira vez na Casa Espírita é a absoluta isenção de pagamento em qualquer atividade que transcorra neste ambiente (alguns insistem em pagar pelo benefício que tenham recebido, apesar da veemente recusa do trabalhador espírita.)

Em um mundo onde tudo é negociável, alguns não entendem como podem existir pessoas que, abdicando de seu tempo, sua família, seus afazeres e lazeres, dedicam-se a uma causa nobre e às necessidades de desconhecidos pelo simples prazer de ajudar, sem esperar nenhuma vantagem financeira.

Quando Jesus disse (Mt 10, 8 ) "Restituí a saúde aos doentes, ressucitai os mortos, curai os leprosos, expulsai os demonios. Dai gratuitamente o que gratuitamente haveis recebido", ensinou que todos que desejam servi-lo, devem fazer de forma desinteressada, proporcionando alívio aos que sofrem, ajudando na propagação da fé e da esperança, não devendo jamais fazer desta atividade um meio de comércio, nem de especulação, nem meio de vida.

A expulsão dos mercadores do templo (Mc11,15 a 18 : Mt 21,12 e 13) simboliza recriminação de Jesus ao comércio e tráfico das coisas santas, pois Deus não vende as suas bênçãos, não dando a nenhum homem o direito de negociar em Seu nome.

Assim, Allan Kardec enfatiza que também a mediunidade deve ser exercida de forma Santa e gratuita, pois é um dom que Deus concedeu aos homens para auxiliá-los no esclarecimento, consolo e evolução- sua e dos outros.

Divaldo Franco,Raul Teixeira, Yvone Pereira, Chico Xavier são exemplos de médiuns que exerceram e exercem a mediunidade com Jesus, desinteressada de qualquer beneficio, doando todos os direitos autorais das obras psicografadas a entidades beneficentes e instituições de caridade.

Chico Xavier, com mais de 400 obras mediúnicas, sempre viveu de forma humilde e pobre, primeiro com o salário de servidor público, depois com a aposentadoria a que teve direito.

Kardec alerta que "procure, pois, aquele que carece do que viver, recursos em qualquer parte, menos na mediunidade; não lhe consagre preciso, senão o tempo de que materialmente possa dispor. Os Espíritos lhe levarão em conta o devotamento e os sacrifícios, ao passo que se afastam dos que esperam fazer deles uma escala por onde subam."

Desta forma age a Sociedade séria, que se dedica ao estudo do Espiritismo e ao amparo dos necessitados (do corpo e da alma), não permitindo qualquer forma de comércio ou cobrança nas atividades em seu domínio. O espírita, seja qualquer função que exerça nesta sociedade (presidente, palestrante, passista, médium), não recebe remuneração alguma por atividade, realizando-se, conscientemente, apenas por amor ao próximo.

As Sociedades Espíritas são mantidas no seu aspecto material pela colaboração livre e espontânea de seus associados e simpatizantes (que vêem nesta contribuição uma possibilidade de exercerem a caridade) a venda de livros que tem por objetivo ser uma fonte de renda e, mais importante, como divulgação doutrinária.



Texto extraído do Jornal informativo "Seara Espírita", ano XIII, número 145

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

A Obsessão e a Mediunidade


Por Jean Bazerque ( traduzido por Paulo A. Ferreira )


Todos os espíritas sabem que um ser humano é a associação de três elementos: o corpo físico, o perispírito (ou corpo astral) e o espírito.

Podemos dizer (esquematizando) que a mediunidade intelectual é a faculdade que um ser humano possui de separar seu perispírito de seu corpo físico, em maior ou menor extensão, deixando as alavancas de comando deste último aos Espíritos desencarnados que o rodeiam.

Ocorre que os resultados obtidos pelo médium dependem do meio espiritual no qual ele se situa. Se ele for de pouca elevação espiritual estará rodeado de Espíritos da mesma ordem, o que pode levar à obsessão e à possessão. Se ele estiver em um nível espiritual elevado, estará rodeado de Espíritos guias ou protetores, ajudando-o em sua missão mediúnica e protegendo-o das agressões de Espíritos que freqüentemente são mais inconscientes que mal intencionados, mas que são, entretanto, perturbadores e nefastos.

Todos os espíritas o sabem. Nós também vamos nos ater a essas explicações teóricas para dar exemplos, vividos, dos inconvenientes que um médium pode encontrar antes de atingir o estado da mediunidade benéfica. Para isso, citarei minhas próprias experiências, mesmo assim me escusando a fazê-lo de modo pessoal, definitivamente mais simples e claro.

Alguns meses após minha entrada no grupo espírita que freqüentava, fui advertido por um sonho premonitório de que seguiria (sem que o soubesse) o curso de uma escola espiritual de mediunidade, onde iria ser médium, o que me surpreendeu fortemente, pois nada me faria supor isso, não tendo formulado esse desejo nem em pensamento, nem por palavras. Nosso grupo não tinha escola de mediunidade e após o sonho, o desenvolvimento se fazia no lado de lá, conduzido pelos guias espirituais, portanto, suponho, durante o sono normal. A separação corpo físico - corpo astral passou a se fazer cada vez mais facilmente, o aluno médium se tornando como uma habitação da qual se houvesse retirado a porta de entrada, não importando quem pudesse aí entrar, gente boa ou mal intencionada.

Os Espíritos protetores têm a tarefa de vigiar e afastar esses últimos, mas o médium tem o dever de não freqüentar os lugares malsãos onde eles pululam. Não é a leitura de alguns livros espíritas que lhe evitarão os inconvenientes de sua empreitada, mas somente a aplicação dos ensinamentos dos irmãos espirituais o que alguns chamam por brincadeira: o lado moral do Espiritismo.

Esta é a parte do desenvolvimento mediúnico exclusivamente reservada ao médium, à qual não pode se subtrair, e que ninguém pode fazer por ele. Aprendi assim, por experiência, que ao longo de minha vida quotidiana, profissional ou de lazer, precisava evitar certas pessoas, que são normais para todo o mundo, mas em realidade estão cercadas de espíritos inconscientes: colegas de escritório fanatizados em política, no plano esportivo, no plano sexual, etc.; necessitava evitar certos lugares: espetáculos, cinemas, estádios esportivos, bares, etc. Eu "recebia" espíritos errantes com uma facilidade espantosa, o que se traduzia em pensamentos obsedantes ou dores de cabeça tenazes. Remediava isso pela leitura de algumas páginas do livro "O Evangelho segundo o Espiritismo" de Allan Kardec (eles não gostam muito desses textos), por uma prece para os espíritos obsessores, do mesmo livro, por uma pequena ducha sobre a nuca pela manhã ao levantar. Geralmente ficava desembaraçado após cada sessão do grupo. Mas, na primeira ocasião, os "amontoava" de novo. Isso durou um ano e meio aproximadamente, sobre todo o período da guerra, com interrupções. Sabe-se, do que se costuma duvidar, do quanto as hostilidades eram nefastas ao ambiente espiritual de nosso planeta terrestre.

Eis aqui um exemplo de obsessão de que fui vítima:

Encontrei um conhecido na rua, um homem de negócios; trocamos algumas palavras sobre a saúde, a família, os negócios e nos despedimos. A partir desse momento uma dor de cabeça lancinante começou a se fazer sentir. Eu sabia que ele me tinha passado uma má influência espiritual. Meus esforços para me livrar foram vãos.

No terceiro dia, o peso sobre a cabeça e sobre as têmporas era tão grande que mal podia abrir os olhos. Decidi ver o irmão Botella para que ele me livrasse dessa entidade. Para o leitor que ainda não sabe, diremos que o irmão Botella era médium curador e vidente (que vê os Espíritos). Dirigindo-me para seu domicílio, vi bem de longe que ele estava conversando precisamente com aquele homem de negócios que me tinha passado seu acompanhante. O homem partiu quando chegava. O médium e eu começamos a tagarelar sobre a saúde, o trabalho, o tempo e toda sorte de coisas; mas notei que em seu primeiro olhar ele viu aquele quem obsedava. Ele fez menção de seguir nossa conversação porque não queria me fazer sofrer ao me dizer o que via; seu olhar tornou-se sem expressão dirigido para minha fronte e seus lábios moviam-se imperceptivelmente porque estava em vias de recalcar o perturbador por uma injunção ou uma prece. Senti o peso insuportável se desprender de minha testa, de minha nuca e de minhas espáduas, como por encanto.

Agradeci ao médium rindo; ele sorriu por ter sido compreendido. Disse-me: "aquele que o tinha pegado era um negociante; ele retornou para quem o passou". Com o polegar, me mostrou a direção do homem que já ia longe, precisamente o que me havia transmitido a entidade perturbadora. Suponho que ele já havia visto esse Espírito em sua companhia, em outra ocasião.

O irmão Botella ria enquanto lhe contava meus aborrecimentos e me respondia que ele havia tido idênticos. « Um dia, me disse, fazia calor e tinha sede, entrei na cozinha e me servi um grande copo de água. No momento de o levar à boca, escutei muito distintamente estas palavras: é bom esse pequeno vinho branco. Tinha recebido um amante de um trago.

Um outro dia, seu genro entrando na sala de jantar vê o médium estirado sobre o solo, aparentemente desmaiado. Ele saltou para o cômodo vizinho para chamar um médico. Voltou ao doente. Não havia mais ninguém. Enquanto ele telefonava, o irmão Botella, que estava em transe, tomado por um espírito errante tinha se recuperado, levantou-se e saiu pela porta de trás para tomar ar e escapar ao domínio da entidade perturbadora, sem saber que seu genro chamava o médico nesse momento. Este último sorriu ao saber do incidente; ele devia conhecer o problema; fora isso, ele agora faz parte dos espíritos guias de nosso grupo.

Eis um segundo exemplo de obsessão que me foi permitido observar:

Um amigo veio me ver e explicou que uma pessoa sua conhecida, uma mulher charmosa em seu comportamento normal, ao longo de uma crise de neurastenia, trancou-se em casa e se pôs a beber de maneira intempestiva; ele me perguntou se eu não poderia fazer qualquer coisa por ela porque supunha que estivesse tomada por um espírito vicioso. Acompanhei-o até a casa de sua amiga e constatei o estado em que esta mulher tinha caído, um verdadeiro porre. Aconselhei-o a levá-la à casa do médium curador Botella que a tiraria dessa influência malévola. Pedi-lhe que viesse me ver com sua amiga após sua visita ao médium.

Na manhã seguinte, esta dama veio me ver no escritório, toda sorridente,descontraída, me estendeu a mão e nesse momento preciso, senti um choque no rosto, como se houvessem me lançado um pesado travesseiro na face. Compreendi que ela acabara de me passar a entidade que a possuíra para beber. Não disse nada, entrei em meu domicílio, fiz minha refeição noturna e, para não satisfazer os baixos instintos desse espírito bebedor, nada bebi, nem mesmo um copo de água. Tempo perdido, quando me levantei da mesa, dirigindo-me para meu quarto, titubeei indo de uma parede à outra do corredor e caí sobre minha cama, a cabeça girando, as paredes de meu quarto dando a impressão de ficar de pernas para o ar. Deixei passar um bom tempo para poder constatar bem o efeito produzido por essa entidade, depois invoquei meu guia e fiz uma prece para esse obsessor que então me deixou de um só golpe. Recuperei a posse de meus sentidos normais, muito contente de ter podido livrar essa mulher de semelhante calamidade.

Essas pequenas experiências, por vezes aborrecidas, por outras divertidas, mas freqüentemente instrutivas para o médium neófito, normalmente fazem parte do desenvolvimento da faculdade mediúnica. Isso por duas razões:

v por um lado, o principiante não conhece a doutrina espírita senão bastante superficialmente, não está suficientemente engajado no caminho da reforma moral e sem saber atrai Espíritos de mesma elevação espiritual;

v por outro lado, é necessário que os Espíritos menos evoluídos os quais possuem fluidos mais grosseiros, possam agir sobre a matéria (o corpo do médium), amaciando os órgãos de retransmissão do instrumento (o corpo do médium) que, mais tarde, permitirão aos Espíritos mais elevados se comunicar.

No início do desenvolvimento da faculdade mediúnica, durante as sessões, os Espíritos guias do grupo deixam agir Espíritos menos evoluídos, mas cheios de boa vontade, que manipulam os médiuns e facilitam o amaciamento dos membros ou dos órgãos (nós os chamamos de exercícios). É assim que se pode apreciar os desenhos do médium A. intitulados "trabalho de amador" pelo espírito guia do médium desenhista.

Eis, a título de exemplo, uma experiência pessoal interessante sobre os assuntos desenvolvimento de uma faculdade mediúnica e controle de mediunidade; este último será objeto de um outro artigo.

Nossas reuniões espíritas ficaram interditas por causa da guerra e nos encontrávamos com alguns membros de nosso grupo, em um de nossos domicílios, onde conversávamos sobre a doutrina e a espiritualidade. Entre os recém chegados, um casal exprimiu o desejo de ver uma prancheta de ouija e seu funcionamento.

A hóspede arrumou a mesa, colocou sua mão sem resultado, embora alguns anos antes a prancheta funcionasse normalmente. Ela me propôs tentar; isso excedeu todas as expectativas; uma força impetuosa passeava rapidamente o braço em todos os azimutes. Ela me pediu para pegar o lápis e escrevi a primeira mensagem de uma entidade que se dizia meu guia. A partir desse dia, nos encontramos todos os domingos, nesse grupo restrito. Esse foi o início de uma possessão de todas as partes de meu corpo, experiência muito interessante pelas sensações sentidas e os resultados obtidos.

A força espiritual se manifestava começando na base da coluna vertebral, subia lentamente por golpes até a nuca (o guia fazia alusão à serpente kundalini querida aos hinduístas), depois a insensibilização se expandia a todos os membros superiores, seguido dos inferiores, finalmente todo o corpo, exceto os olhos, como se toda minha personalidade consciente aí estivesse localizada. Nesse momento, ele me levava a fazer poses plásticas durante longo tempo sem que eu sentisse a mínima fadiga. Por exemplo: sentado sobre uma cadeira, com o peito ereto, os braços em cruz horizontalmente no prolongamento das omoplatas, ele levantava minhas pernas lentamente paralelas ao soalho, horizontalmente, minhas pernas e meu peito fazendo um ângulo reto tendo como ponto de apoio meu posterior sobre a cadeira. Fazia-me manter esta pose durante cinco minutos aproximadamente. Eu não fazia nenhum esforço e não sentia nenhuma fadiga. Suponho que o guia mantinha possessão dos centros motores; não posso dizer do proveito disso porque ele não dava nenhuma explicação.

Depois o guia agia da mesma forma sobre o órgão da visão. Dizia-me para olhar um quadro fixado na parede e de um só golpe, como por uma batida, eu não via mais o quadro e via o papel de parede uniformemente claro como se o quadro tivesse sido levantado. Depois, de repente, a visão voltava ao normal. A mesma experiência era repetida com o desaparecimento de objetos diversos colocados sobre a mesa e mesmo de um ou dois dedos da mão pousada sobre uma toalha branca enquanto que via perfeitamente os outros dedos. A anulação da visão não se fazia sobre o olho ou sobre o nervo ótico, pois que havia a reconstituição da imagem do papel de parede; eu ignoro o processo.

Depois o guia nos informava pela escrita que iria me adormecer; ele tentou ao longo de várias sessões sem o conseguir. Então me fez ficar inicialmente no meio da sala e, com os olhos fechados, me fez girar sobre mim mesmo como um peão, cada vez mais rapidamente, como os derviches giradores. Eu não sabia mais onde estavam o piso e o teto, mas na altura dos olhos fechados tinha sempre consciência de meu eu. Sem o saber, ele me dirigia para uma poltrona para me fazer cair dentro dela, mas tendo caído do braço da poltrona, retornei ao exterior; um grito de terror da hóspede me fez retomar a consciência; eu estava estirado sobre o solo, apoiado sobre a palma das mãos e a ponta dos sapatos, sem dor. Amedrontada, a hóspede não queria mais recomeçar esta experiência. Ela teve a idéia de fazer vir um médium (que se dizia como tal) seu conhecido para me magnetizar; seus passes não tiveram nenhum efeito, exceto o de que minha cabeça pesava como chumbo, com uma impressão de volume, enorme como uma abóbora.

Vendo que não dava nenhum resultado, fez vir o médium curador Botella que nós não havíamos chamado até então, porque ele já começava a sentir os primórdios de sua doença e nós não o queríamos fatigar. Desde que a sessão começou, a entidade, se dizendo meu guia, não escreveu senão três ou quatro palavras e me deixou. O médium vidente nos assinalou que ele não tinha se retirado definitivamente porque de vez em quando se percebia sua cabeça passando por uma porta entreaberta, esperando que o médium partisse para me retomar em suas mãos, se assim o podemos dizer. Ele o descreveu com um turbante em volta da cabeça como um hindu. Depois, caindo em transe, o médium tomado por um espírito guia do grupo, nos felicitou por havermos continuado o trabalho espiritual malgrado as dificuldades do momento; ele nos explicou a necessidade da utilização de um espírito inferior para a preparação da mediunidade, depois terminou com esta frase simbólica: "Um bom operário deve ter boas ferramentas para fazer um bom trabalho". O que precisa ser traduzido: os Espíritos elevados, para fazer seu trabalho espiritual devem ter bons médiuns, donde a necessidade para estes últimos de uma melhora constante sobre o plano moral.

Evidentemente, estando prevenido, eu recusava categoricamente as solicitações desse Espírito errante e me colocava seriamente no trabalho de limpeza moral; o que durou algum tempo até uma outra experiência que foi o início de uma mediunidade efetiva.

De maneira geral, a palavra obsessão é empregada em sentido pejorativo porque a obsessão por Espíritos inconscientes é aquela que é a mais freqüentemente constatada. Em um sentido mais amplo, dizemos que a mediunidade é uma obsessão por Espíritos elevados na escala de elevação espiritual. A mediunidade é uma porta aberta ao Invisível. O médium está envolvido por Espíritos protetores que repelem as más influências, se tem consciência da alta importância de sua missão mediúnica. Caso se deixe levar por seus próprios instintos, os Espíritos guias não podem mais protegê-lo e ele cai sob a influência de Espíritos obsessores.

Allan Kardec falava dos escolhos da mediunidade: o orgulho e a cupidez (nós diríamos: o personalismo). Essas são duas formas de obsessão.

"A instrução espírita compreende não somente o ensinamento moral dado pelos Espíritos, mas também o estudo dos fatos; é a ela que compete a teoria de todos os fenômenos, a constatação do que é e do que não é possível; em resumo, a observação de tudo o que pode fazer avançar a ciência. Ora, isso seria limitar-se a crer que os fatos sejam restritos aos fenômenos extraordinários; que aqueles que atingem mais os sentidos sejam os únicos dignos de atenção; a cada passo, eles são encontrados nas comunicações inteligentes e assim não devem ser negligenciados pelos homens reunidos para o estudo; esses fatos, que seria impossível enumerar, surgem de uma enormidade de circunstâncias fortuitas; quaisquer que sejam os meios em destaque, eles não são menos dignos do mais alto interesse para o observador que neles vai encontrar seja a confirmação de um princípio conhecido, seja a revelação de um princípio novo que o faz penetrar mais adiante nos mistérios do mundo invisível; isso também é filosofia." Extraído de « O Livro dos médiuns » de Allan Kardec

Edição eletrônica original:
Centre Spirite Lyonnais Allan Kardec
23 rue Jeanne Collay
69500 BRON
04-78-41-19-03


Imagem: Mark Freedom

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Boas Notícias

Essas são as nossas notícias positivas em destaque no mês:

Cultura de Paz


Desarmamento Voluntário: Você pode colaborar para a paz!



Mais paz na sociedade é o que pretende a Campanha de Desarmamento Voluntário 2011 – “Tire uma arma do futuro do Brasil”, que segue até 31 de dezembro. O Ceará está entre os 19 estados que até este mês já assinaram o termo de adesão à campanha. Duda Quadros, que faz parte da Rede Brasil de Desarmamento e é coordenador regional da mobilização falou à Agência da Boa Notícia sobre a importância da iniciativa.

Depois do encontro entre ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o governador do Ceará, Cid Gomes, no último dia 16, Duda Quadros informa que articulações estão ocorrendo para operacionalizar a campanha. O previsto é a formação do Comitê Cearense pelo Desarmamento Voluntário, a instalação de onze postos de coleta de armas (seis na capital e cinco no interior), o treinamento de policiais que ficarão encarregados de receber as armas e a sensibilização da sociedade civil para fazer a entrega voluntária de armas.

A campanha “Tire uma arma do futuro do Brasil”, iniciada no último dia 6 de maio, prevê o anonimato para quem entregar a arma, que será logo inutilizada. O pagamento da indenização também é mais ágil e simples (a pessoa recebe um protocolo, cadastra uma senha e pode receber o dinheiro no Banco do Brasil em 24 horas). Dependendo da arma, a indenização pode ser de R$ 100,00, R$ 200,00 ou R$ 300,00.

Citando dados do Ministério da Justiça, Duda Quadros alerta que existem em circulação no País cerca de 16 milhões de armas, sendo que 14 milhões nas mãos de civis e 2 milhões com policiais e forças armadas. As armas nas mãos de pessoas comuns representam riscos de serem roubadas por marginais, ocasionar mortes em conflitos interpessoais e acidentes em casa, adverte Duda Quadros.

Ele destaca que esta campanha é uma ação de estado e não de Governo e a participação da sociedade civil conta com a Rede Desarma Brasil, que congrega mais de 70 entidades em todo o País.

No site da campanha – www.entreguesuaarma.gov.br – é informado que no Ceará, atualmente, há três unidades para recebimento e a meta é aumentar para mais de dez. Desde maio, início da campanha, os cearenses entregaram 369 armamentos. No país inteiro, esse número chega a 22,2 mil.

Duda Quadros acrescenta que em Fortaleza, desde 2010 a Prefeitura, através da Guarda Municipal, articula-se para participar da campanha.

Mais informações: Duda Quadros, coordenador regional da Campanha de Desarmamento Voluntário 2011/Rede Brasil – (fone: 85 3483 4957 / 9909 9105)

Fonte: Agência da Boa Notícia, 21/09/2011


Solidariedade


Projeto Casa da Criança realiza campanha de doação em parceria com Colégio Motivo


O Projeto CASA DA CRIANÇA, em parceria com o Colégio Motivo, lança a Campanha Aluno Consciente voltada para estudantes do infantil ao ensino médio. A campanha é dividida em duas ações, uma envolve os alunos do infantil e tem como objetivo arrecadar presentes para o Dia das Crianças das instituições beneficiadas pelo Projeto através do Programa Cia dos Anjos, a segunda com alunos do ensino médio para arrecadação de roupas e calçados para adolescentes atendidos pelo Núcleo Social Nassau, que também faz parte da rede de instituições parceiras do Cia dos Anjos.

Mais de 300 crianças de oito unidades de atendimento, entre abrigos públicos e creches populares, serão beneficiadas pela campanha do Dia das Crianças. A campanha segue até o dia 03 de outubro. Já a arrecadação de roupas e calçados beneficiará mais de 250 adolescentes que participam das atividades do Núcleo Social Nassau. A instituição foi construída pelo CASA DA CRIANÇA no ano de 2004, em parceria com a Cimento Nassau, e atende jovens da comunidade de Tejucupapo (Goiana, PE) com atividades extra-curriculares como oficina de música, dança, escultura com papel reciclado e informática.

A campanha Aluno Consciente está em seu segundo ano e, além do Dia das Crianças, realizou ações no Natal, São João e Volta às Aulas, arrecadando material escolar. Mais de 300 crianças foram beneficiadas com os produtos doados por estudantes do Motivo, que participam ativamente da campanha. Com ações como esta, o Projeto CASA DA CRIANÇA busca fomentar a participação cidadã desde cedo.

Cia dos Anjos – O objetivo do Programa é fortalecer o atendimento às crianças e adolescentes de instituições beneficiadas pelo Projeto CASA DA CRIANÇA através da mobilização de voluntários. Atualmente, o Cia dos Anjos beneficia 08 instituições no estado de Pernambuco, são elas: os abrigos mantidos pelo Governo do Estado Casa de Carolina, Casa da Madalena, Casa da Vovó Geralda e Casa da Harmonia; as creches Lar Esperança, Lar dos Pequeninos de Jesus e Lar de Clara; e o centro de atendimento a jovens Núcleo Social Nassau.

O Programa Cia dos Anjos mantém em sua rede de voluntários, profissionais liberais e empresas que realizam doações de produtos ou serviços nas áreas de saúde, educação, esportes, lazer, arte e cultura.

Conheça as parcerias ativas em Pernambuco:

SAÚDE

Fundação Altino Ventura – atendimento oftalmológico

Maria José Martins – atendimento odontológico

Savana Pereira e Danielle Alcântara – otorrinolaringologia

Odontoclínica da Aeronáutica – atendimento odontológico

ARTE E CULTURA

Escola de Dança e Arte Ária Social – aulas de dança e canto

Tio Fabiano – aula de danças folclóricas e regionais

LAZER

Companhia do Riso – recreação

DOAÇÃO DE PRODUTOS

Ferreira Costa – campanhas de arrecadação de produtos com clientes

Loja C&A (Conde da Boa Vista) – roupas e calçados infantis

Loja Ri Happy Shopping Center Recife – brinquedos

VICOFARMA – medicamentos

Hotel Nannai – roupas infantis, material de cama e banho

Colégio MOTIVO – campanhas de arrecadação de material escolar e brinquedos

FRUTARIA – frutas, verduras e legumes

OBA ALIMENTOS – alimentos e consultoria nutricional.

Mais informações:

Projeto CASA DA CRIANÇA

Tel.: [81] 3467-9968
www.projetocasadacrianca.org.br



Fonte: Viva Pernambuco, 15/09/2011


Educação


MEC apresenta estudo para deixar aluno mais tempo na escola











O ministro Fernando Haddad detalhou a proposta em coletiva à imprensa nesta tarde
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil


O ministro da Educação, Fernando Haddad, apresentou na tarde desta quarta-feira um estudo que embasa a proposta do governo de aumentar os dias letivos nas escolas do País. Segundo a pesquisa coordenada pelo secretário-executivo da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Ricardo Paes de Barros, o aumento de dez dias no ano letivo pode elevar o aprendizado do aluno em até 44% no período de um ano.

O trabalho levou o Ministério da Educação (MEC) a discutir a possibilidade de ampliar a carga horária mínima das redes de ensino, que hoje tem 800 horas distribuídas em 200 dias. Segundo Paes de Barros, a medida é importante para combater a desigualdade e tem efeito especial entre os alunos de baixa renda que não podem pagar reforço escolar ou contar com a ajuda dos pais, com baixa escolaridade, para aprender todo o conteúdo. "Ter férias muito prolongadas pode não ser a melhor ideia para um país que precisa acelerar seu desempenho em educação na velocidade em que o Brasil precisa", disse.

A ideia de aumentar a permanência do aluno na escola foi apresentada pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, na semana passada. Entretanto, o governo ainda não definiu como será feita a mudança - se por meio da ampliação da carga horária diária ou do número de dias letivos. O assunto é discutido com os secretários estaduais e municipais de Educação.

De acordo com Paes de Barros, não há estudos que comprovem cientificamente que o aumento do número de horas diárias tenha eficácia no aprendizado. Em termos de custos, ele ressaltou que pode ser mais vantajoso aumentar o número de dias, já que não é necessário ampliar ou melhorar a infraestrutura das escolas já existentes. Ele citou exemplos de países como Japão, Coreia do Sul e Israel, que têm anos letivos de 243 dias, 220 dias e 216 dias, respectivamente.

Segundo Haddad, o governo trabalha com a ampliação máxima de 20 dias letivos no ano. Isso, acrescentou, não terá impacto na carreira do professor, que tem 30 dias de férias por ano, além de 15 dias de recesso. Mas não está descartada a possibilidade de, ao mesmo tempo, aumentar o número de horas por dia e de dias letivos por ano.

"A qualidade da educação não vai vir por inércia, ela exige esforço. Acho que está mais do que na hora de rever a questão do número de horas por ano que a criança fica exposta ao professor. O que esse estudo mostra é que o impacto do aumento dos dias por ano é forte", defendeu o ministro.


Fonte: Terra Notícias, 21/09/2011


Ciência


Flor usada no Egito antigo tem sucesso contra câncer em pesquisa


A nova droga produzida a partir do açafrão-do-prado ataca as células com câncer. Foto: BBC Brasil

Um novo remédio feito com uma flor que já tinha usos medicinais no Egito antigo pode destruir células de câncer, segundo uma pesquisa realizada por cientistas britânicos. A nova droga produzida a partir do açafrão-do-prado (Colchicum autumnale) circula na corrente sanguínea, mas só é ativada por uma substância química emitida por tumores malignos. Ela atacaria então as células cancerosas que se espalharam, mas deixaria intactos os tecidos saudáveis.

O remédio foi testado com sucesso em camundongos contra câncer de mama, intestino, pulmão e próstata, mas deve ser eficiente contra qualquer tipo de tumor sólido, segundo os pesquisadores. Nos testes de laboratório, metade dos camundongos ficou completamente curada após uma única injeção da droga e houve redução no ritmo de crescimento dos tumores em todos os animais testados. Os testes clínicos devem começar em até dois anos.

Inanição
Os pesquisadores dizem que a chave para o sucesso do tratamento é que ele é ativado por uma enzima usada pelos tumores para invadir os tecidos a seu redor. Uma vez ativado, o remédio destrói as veias que alimentam o tumor e faz com que o câncer morra de inanição.

"O que criamos é, efetivamente, uma 'bomba inteligente', que pode ser direcionada a matar qualquer tumor sólido, aparentemente sem danificar os tecidos saudáveis", disse o líder da pesquisa da Universidade de Bradford, Laurence Patterson.

Veneno
O extrato do açafrão-do-prado tem um histórico de usos medicinais e também como veneno na Grécia e no Egito antigos. Mais freqüentemente, a substância colchicina, retirada da planta, é usada no tratamento de crises de gota. Tentativas anteriores de usá-la no combate ao câncer fracassaram devido à alta toxicidade do composto, mas o problema teria sido resolvido depois que a equipe britânica conseguiu torná-la inofensiva até entrar em contato com um tumor.

A nova droga pertence à mesma família de remédios do Paclitaxel, o agente de quimioterapia mais usado no mundo, produzido a partir da casca da árvore Taxus brevifolia. "Se (os resultados) forem confirmados em testes de laboratórios mais extensos, os remédios baseados nessa abordagem podem ser muito úteis como parte de uma combinação de tratamentos contra diversos tipos de câncer", disse Paul Workman, do Instituto de Pesquisa do Câncer, em Londres. Pacientes do Hospital de St. James, em Leeds, poderão ser os primeiros a testar o novo remédio dentro de 18 a 24 meses.

Fonte: Terra Notícias, 12/09/2011

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Seminário "O Livro dos Médiuns e a Prática Mediúnica"

Seminário "O Livro dos Médiuns e a Prática Mediúnica", com Suely Caldas Schubert, realizado em 12 de junho de 2011, na União Espírita Mineira, em homenagem aos 150 anos de O Livro dos Médiuns.





O Livro dos Médiuns e a Prática Mediúnica - Perguntas e Respostas

Momento aberto para perguntas e respostas do Seminário "O Livro dos Médiuns e a Prática Mediúnica", com Suely Caldas Schubert, em homenagem aos 150 anos de O Livro dos Médiuns.


terça-feira, 20 de setembro de 2011

Exaltando O Livro dos Médiuns

Allan Kardec, o missionário da Era Nova, havia anunciado na Revista Espírita de 1861, que entre os dias 05 a 10 de janeiro do novo ano, seria apresentado ao conhecimento público O Livro dos Médiuns, pelos editores Srs. Didier & Cia, o que viria concretizar-se, logo depois, no dia 15.

A obra monumental era aguardada com grande curiosidade e interesse, porquanto já vinha sendo anunciada desde algum tempo.

Em razão do êxito retumbante da publicação de O Livro dos Espíritos, quatro anos antes, o ilustre mestre preocupava-se com a complexidade da fenomenologia mediúnica, os seus desafios, as diferentes expressões da mediunidade, a interferência dos Espíritos frívolos e obsessores nas práticas espíritas e, para minimizar ou evitar as consequências, podendo ser algumas desastrosas, ele publicara anteriormente uma Instrução Prática, oferecendo um guia de segurança para as experimentações. Especialmente cuidava de oferecer um roteiro esclarecedor que servisse de segura diretriz de condutas experimentais para os médiuns.

Esgotando-se com grande rapidez, o nobre codificador reconheceu que uma nova edição da obra iria exigir um trabalho cuidadoso de aprimoramento e de lapidação, sendo necessária uma ampliação de conteúdos com novas observações resultantes dos estudos a que se afervorava, havendo conseguido fazê-lo na que estava sendo apresentada.

Teve o zelo de retirar algumas informações que já se encontravam em O Livro dos Espíritos, especializando o vocabulário e aprofundando as questões pertinentes aos médiuns, àqueles que se dedicam às experimentações e à imensa gama de fenômenos por ele observados.

Convencido da seriedade do Espiritismo, e depois da ampla divulgação da sua filosofia, tornava-se indispensável a contribuição de um tratado de alta magnitude com caráter científico para prevenir os incautos e bem conduzir os pesquisadores sérios.

Iniciando o notável livro pelas noções preliminares(*),depois da bem-cuidada introdução, recorreu às qualidades de educador para apresentar com lógica a palpitante questão “há Espíritos?”, e, através de uma análise bem realizada, demonstrar filosoficamente a existência da alma e a de Deus, conseqüência uma da outra, constituindo a base de todo o edifício, que é a própria Doutrina Espírita.

Bem se lhe entende essa preocupação, porquanto somente será possível a crença nos Espíritos e nas suas comunicações, acreditando-se nesses fundamentos essenciais, sem os quais nenhuma técnica ou demonstração poderá conduzir o observador à aceitação da fenomenologia probante da imortalidade.

A seguir, o sábio investigador que foi Kardec, penetrou o bisturi das suas análises nas questões do maravilhoso e do sobrenatural, demonstrando de maneira racional que para produzirem os movimentos e ruídos, o erguimento das mesas, por exemplo, os Espíritos necessitaram de instrumentos que lhes fornecessem os recursos para a sua execução, que são os médiuns. Dessa maneira, tornam-se fenômenos naturais, nada havendo, portanto, que se deva considerar como de natureza miraculosa, violentando as leis naturais.

De imediato, propôs os recursos, o método exigido na condição de ciência e de filosofia que é o Espiritismo, para que pudesse submeter-se a um estudo sério e persuadir-se de que ele não pode, como nenhuma outra ciência, ser aprendido a brincar.

Desnecessário informar-se que O Livro dos Médiuns tem os seus fundamentos em O Livro dos Espíritos, sendo, portanto, um desdobramento muito bem-elaborado de questões que são apresentadas em síntese e que se tornaram inevitáveis para mais graves elucubrações, o que então é cuidadosamente tratado na obra magistral.

A questão pertinente aos médiuns e aos experimentadores é fundamental, a fim de que ambos se equipem com os recursos valiosos para a boa condução dos fenômenos.

Prevenir, orientar e oferecer segurança aos incautos, assim como aos estudiosos sérios do Espiritismo, sempre foi a preocupação de Allan Kardec, por entender a grandiosidade da Doutrina que tem a ver com todos os ramos do conhecimento humano.

Dedicando grande parte à avaliação e às reflexões em torno das manifestações espíritas, classificou-as de físicas e inteligentes, detendo-se na sua imensa variedade, apresentando capítulos especiais referentes a cada uma delas, como nunca dantes se houvera feito.

Preocupado com o charlatanismo e a mistificação muito comuns entre as criaturas humanas, advertiu os leitores para terem cuidado com os médiuns interesseiros e desonestos, abordando os temas da suspensão e perda da mediunidade, que invariavelmente chocam os seus portadores e os seus acompanhantes...

Por outro lado, analisou os perigos da prática .mediúnica irresponsável, demonstrando que os períodos de curiosidade e de frivolidade estavam ultrapassados, havendo dado lugar à gravidade das revelações, confirmando a existência, a sobrevivência e a individualidade dos denominados mortos que retornam ou permanecem em contínuas comunicações com os chamados vivos.

Buscando libertar os curiosos do hábito de considerar os Espíritos e os seus fenômenos como prodigiosos, esclareceu quais as perguntas que aos primeiros se podem fazer, evitando que a irresponsabilidade e os interesses mesquinhos, em atraindo seres equivalentes, ensejem as mistificações e as perturbações a que dão lugar, quando não vigem a seriedade moral nem a elevação espiritual.

Percuciente pesquisador, honestamente declarou que o livro não era de sua lavra intelectual e que, ao colocar os nomes de alguns Espíritos nos textos publicados, tinha por meta assinalar-lhes a responsabilidade, mas que, embora essa ausência em outras páginas, quase todas eram de autoria dos mesmos, havendo sido o seu, o trabalho de selecionar as mensagens, de compará-las, de confrontar as ideias e os preceitos em busca da universalidade dos ensinos.

Os seus estudos resultavam da leitura do imenso volume de páginas que lhe eram enviadas de diferentes pontos da Europa, assim como das Américas, demonstrando não haver qualquer forma de contato entre os médiuns, o que lhes impedia a fraude...

Preocupou-se também em demonstrar a influência do meio, de igual maneira a influência do médium, cuidando das evocações, assim como das contradições.

Igualmente apresentou as considerações cabíveis nos estudos da mediunidade nos animais e nas crianças, libertando os curiosos das superstições em torno dos primeiros e apresentando os cuidados que se devem ter em relação aos fenômenos produzidos na infância, quando as suas reservas morais não são suficientes para o discernimento nem a conduta exigida pela faculdade correta.

Foi, no entanto, na análise em torno da saúde física, emocional e mental, que aprofundou as investigações no extraordinário capítulo da obsessão, conhecida em todos os períodos da História da Humanidade e confundida com a loucura e outros distúrbios de natureza psíquica e degenerativa.

Pensando na criação de novas células espíritas, publicou o Regulamento da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas como um modelo que poderia ser adotado ou adaptado pelos novos Núcleos de acordo com os objetivos programados.

É compreensível que toda doutrina nova sofra o descalabro dos seus profitentes, em particular dos presunçosos que se consideram superiores aos demais e buscam sempre ser originais... Kardec demonstrou que o Espiritismo não corre esse perigo, por ser doutrina dos Espíritos elevados que, sempre vigilantes, cuidarão de escoimá-lo das interpretações falsas ou interesseiras, assim como de quaisquer apêndices que os astutos lhe desejem aplicar.

Também informou que os Espíritos são as almas dos homens que habitam a Terra, não lhes concedendo dons ou atributos adivinhatórios nem celestiais, esclarecendo que cada qual, após a morte, continua o mesmo, conduzindo os valores que o assinalavam antes do decesso tumular.

Selecionando diversas comunicações espirituais no tema sobre dissertações espíritas, apresentou aquelas que são autênticas e aqueloutras que não resistem a uma análise profunda, demonstrando a falsidade de algumas delas através da comparação entre o que produziram os escritores quando encarnados e o pobre conteúdo de que então se revestiam...

Teve o zelo de propor as condições exigíveis para uma reunião mediúnica séria, na qual se podem obter comunicações valiosas em razão do caráter moral dos seus membros.

Por fim, para facilitar o entendimento da linguagem dos Espíritos, assim como alguns dos verbetes por ele utilizados, colocou, na etapa final, um vocabulário espírita cuidadoso e oportuno.

Em trinta e dois capítulos enriquecidos de sabedoria, O Livro dos Médiuns é o mais completo tratado de estudos sobre a paranormalidade humana, jamais ultrapassado, e tão atual hoje como naquele já distante e memorável dia 15 de janeiro de 1861, quando foi apresentado em Paris.

Guia seguro e eficiente para o conhecimento da prática espírita e sua aplicação diária, é obra para ser estudada com seriedade e cada vez mais atualizada, relacionando-a com O Livro dos Espíritos, que a precedeu e é o alicerce vigoroso do Espiritismo.

Por ocasião da celebração do seu sesquicentenário de publicação, saudamos esse grandioso brado de alerta e de orientação dos Benfeitores da Humanidade, de que Allan Kardec fez-se o apóstolo, inscrevendo-o entre as obras marcantes e mais valiosas da cultura terrestre.



(*) As frases e palavras em itálico são da autoria de Allan Kardec, O Livro dos Médiuns, ed. Feb.


Vianna de Carvalho

Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na sessão mediúnica da noite de 3 de janeiro de 2011, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.

Em 03.05.2011.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Poder do Pensamento


Bons e Maus Pensamentos


Estudando o assunto relacionado com a influência oculta dos Espíritos em nossos pensamentos e atos, na questão 467 de O Livro dos Espíritos (Ed.FEB), Allan Kardec pergunta: Pode o homem eximir-se da influência dos Espíritos que procuram arrastá-lo ao mal? E os Espíritos superiores respondem: “Pode, visto que tais Espíritos só se apegam aos que, pelos seus desejos, os chamam, ou aos que, pelos seus pensamentos, os atraem”.

Em seguida, na questão 469, indaga: Por que meio podemos neutralizar a influência dos maus Espíritos?, recebendo a seguinte resposta: “Praticando o bem e pondo em Deus toda a vossa confiança, repelireis a influência dos Espíritos inferiores e aniquilareis o império que desejem ter sobre vós. Guardai-vos de atender às sugestões dos Espíritos que vos suscitam maus pensamentos, que sopram a discórdia entre vós outros e que vos insuflam as paixões más. [...]”.

Observa-se, com base neste diálogo de Allan Kardec com os Espíritos superiores, que a causa dos problemas decorrentes da influência dos Espíritos em nossas vidas está em nós mesmos. E a solução desses problemas, também. Depende, apenas, do pensamento correto e da atitude adequada que nos cabe adotar.

Quando soubermos direcionar o nosso pensamento sempre no sentido da prática do bem, cultivando permanentemente a fraternidade, o amor ao próximo, o respeito ao nosso semelhante e o propósito sincero de nos aprimorar cada vez mais, intelectual e moralmente, estaremos – pela lei de afinidade que rege o relacionamento entre Espíritos encarnados e desencarnados –, atraindo a presença dos Espíritos superiores e bons e afastando os Espíritos inferiores e maus.

É exatamente em razão desta realidade que Jesus asseverou em seu Evangelho: “Vigiai e orai, para não cairdes em tentação”. (Marcos, 14:38.)


Fonte: Reformador, outubro de 2008.

domingo, 18 de setembro de 2011

Mensagem da Semana


Ouça a Mensagem



Jesus e Estudo - Estudo como Dever


Realmente Jesus começou o Apostolado Divino, junto à festa de Canaã, exaltando os júbilos da família; contudo, é importante verificar que o seu primeiro contato com a vida pública se realizou quando ainda era criança, com os sábios do Templo em Jerusalém.

Registrando o acontecimento, diz Lucas que o menino foi encontrado “entre os doutores, ouvindo-os e interrogando-os”.

Decerto, mostrava o Senhor, desde cedo, acendrado amor pelas criaturas.

Na intimidade do lar, em Nazaré, muita vez teria conduzido ao carinho maternal esse ou aquele faminto da estrada, ou um ou outro animal doente...

Fixava o céu noturno, convidando José da Galiléia à oração ante o altar das estrelas e nesse ou naquele passeio, através das montanhas convidava os pequeninos companheiros, à contemplação das flores, em êxtase infantil.

Entretanto, por força dos Desígnios Superiores que lhe orientavam a Divina Missão no mundo, o Evangelho lhe destaca, da meninice, apenas o encontro cm os professores do santuário, como a endereçar ao porvir a sua preocupação de aperfeiçoamento.

É que o Mestre Divino não veio à Terra apenas religar ossos quebrados ou reavivar corpo doentes, mas acima de tudo, descerrar horizontes libertadores à sublime visão da alma, banindo o cativeiro da superstição e do fanatismo.

Em meio ao coro de hosanas que fazia levantar da turba de enfermos e paralíticos, efetuava pregação do Reino de Deus que, no fundo, era sempre aula de profunda sabedoria, despertando a mente popular para a imortalidade e para a justiça.

Fosse no topo do monte, ao pé da multidão desorientada ou no recinto das sinagogas onde lia os Escritos Sagrados para ouvintes atentos, fosse na casa de Pedro, alinhando anotações da Boa Nova, ou na barca dos pescadores que convertia em cátedra luminosa na universidade da Natureza, foi sempre o Mestre, leal ao ministério do ensino, erguendo consciências e levantando corações, não somente no socorro às necessidades de superfície, mas na solução integral dos problemas da Vida Eterna.

Estudo como Dever

Compreendamos, assim, nas instituições do Espiritismo, que restauram o Evangelho para a atualidade, o culto do estudo edificante como simples dever.

Todos detemos conosco graves lições.

O estilete da angústia na própria alma...

A expiação em família...

A moléstia humilhante...

A inibição aflitiva...

A inadaptação social...

A trama da obsessão...

A esperança frustrada...

Buscar sistematicamente o alívio de uma hora, sem penetrar a essência da dor, é o mesmo que adquirir panacéias de ilusão e adotar a irresponsabilidade como norma de vida.

Por isso mesmo, é indispensável sacudir o marasmo do conformismo nos recessos do próprio ser, focando a observação em linhas renovadoras da emotividade e do pensamento para que se elevem nossas percepções e concepções, no rumo do progresso.

Para isso, é imprescindível que o estudo nos favoreça, porquanto a existência é passo da evolução em que o conhecimento é pão do Espírito, quanto o pão material é sustento do corpo.

Estudo sem ostentação de saber.

Estudo sem paranóia intelectual.

Estudo para trabalho incessante.

Estudo como hábito nobre nos domínios da cooperação e do entendimento.


Emmanuel

Do livro Doutrina-Escola, de Francisco Cândido Xavier, por Espíritos Diversos.

sábado, 17 de setembro de 2011

Mediunidade com Jesus


Por Tanya Oliveira


Como eternos viajores que somos no tempo e no espaço, habitando as "muitas moradas na casa do Pai", seja no plano físico ou imaterial, buscamos as experiências necessárias ao nosso burilamento espiritual.

Na medida em que evoluímos, nossa sensibilidade é depurada e nos colocamos cada vez em melhores condições de perceber e captar as instruções com que a espiritualidade superior sempre nos amparou, desde o início de nossa jornada espiritual.

É fato sabido que o fenômeno mediúnico é tão antigo quanto à própria humanidade.

Desde o alvorecer da consciência no homem, existiu o intercâmbio entre os seres então primitivos e a espiritualidade.

Inicialmente, através da intuição o homem apreendia e pressentia influências exteriores às perceptíveis pelos órgãos dos sentidos, passando, mais tarde às manifestações mais apuradas.

As próprias Leis que guiaram, através dos tempos o povo judeu, retratam o fenômeno mediúnico, presente na primeira revelação de Deus ao orbe terrestre.

No Egito dos faraós, há mais de três mil anos, encontramos os sacerdotes - iniciados - interpretando os sinais dos deuses de forma clara, realizando materializações e dotados de sólidos conhecimentos considerados de propriedade apenas de uma minoria.

A passagem onde José, filho de Jacó, interpretava os sonhos do faraó, revelava uma inspiração superior, através da explicação correta e de cunho premonitório dos anos de escassez que se seguiriam na terra egípcia.

Na Grécia, as famosas pitonisas, anteciparam guerras e nortearam o povo grego em diversas oportunidades.

Não é difícil perceber que a mediunidade perpassou por todo o Antigo e Novo Testamento, encontrando-se ali variados fenômenos, como a escrita direta, a incorporação, a levitação etc.

As profecias nada mais eram do que o exercício do instrumento mediúnico em uma época em que o conhecimento ainda era rudimentar; as "revelações", então, eram captadas pela sensibilidade apurada de espíritos missionários, que se encontravam no planeta em valorosas tarefas.

Passados quase dois mil anos, na época da codificação kardequiana, novamente o fenômeno ressurgiu de forma notória em diversos países, compelindo a humanidade a voltar o olhar novamente para a verdade precípua da vida.

Na Europa, inicialmente como atração nos salões da nobreza de países como França, Alemanha, Inglaterra e Rússia, vemos as elites intelectuais às voltas com a fenomenologia mediúnica, sem realmente compreenderem o alcance do assunto.

Na Inglaterra, ainda teríamos médiuns que se tornaram famosas como Ivy Beaumont, mais conhecida como Rosemary, Florence Cook, entre outras; nos Estados Unidos, as irmãs Fox se destacaram com os conhecidos fenômenos de Hydesville.

Somente com Kardec, no entanto, tendo despertada sua curiosidade cientifica pelas populares mesas girantes, a questão assumiu um caráter de seriedade, propiciado por sua credibilidade como professor e por seu caráter ilibado. William Crookes - entre outros - fez estudos sérios entre 1871 e 1874, priorizando as nuances científicas do assunto, sem vislumbrar as conseqüências morais e ou religiosas que adviriam no desenvolvimento posterior do Espiritismo.

Missionário do Cristo, Kardec, através da codificação da Doutrina dos Espíritos, nos trouxe a terceira revelação, cumprindo a alentadora promessa de Jesus.

Pelo trabalho do mestre lionês, a passagem evangélica "Dai de graça o que de graça receberdes" tomou corpo e se aplicou aos dons mediúnicos.

A mediunidade com Jesus representou a conquista de um outro patamar espiritual para a Humanidade.

Não se busca mais a fenomenologia movida pela curiosidade científica, mas sim a concretização do ideal evangélico, no serviço de intercâmbio espiritual, visando, antes de qualquer coisa, ao consolo e auxílio aos semelhantes.

O Brasil, para onde foi transplantada a "Árvore do Evangelho", local de onde se vislumbra do infinito o símbolo da redenção humana, o Cruzeiro do Sul, cuja índole trabalhadora e confiante do povo levará a todos os povos da Terra a lei de fraternidade Universal, consolidou o exercício da mediunidade sob a égide de Jesus. (Humberto de Campos (Espírito), no livro Brasil: Coração do Mundo, Pátria do Evangelho; psicografado Francisco Cândido Xavier. 11. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1977).

Exemplos não faltam: em terras mineiras, tivemos dois médiuns que se colocaram a serviço do Cristo, em toda a acepção da palavra. Espíritos luminares, como Eurípedes Barsanulfo e Chico Xavier vieram emprestar à seara mediúnica o cunho do apostolado, necessário para incutir nos corações os ideais evangélicos, que deveriam florescer na base do Espiritismo nestas terras.

Eurípedes, com várias encarnações voltadas à obra do Evangelho, desde a época dos essênios, já havia sido escolhido pelo Mestre como um dos trabalhadores da primeira hora; foi através de sua mediunidade que aqui se concretizaram as curas que Jesus realizava nos caminhos da remota Judéia.

Com Chico Xavier, obtivemos a consolação e a paz, quando milhares de criaturas, afogadas nas lágrimas da saudade, receberam a luz da esperança por verem que os entes amados, pais, mães, filhos, etc., continuavam vivos, manifestando-se em outro estágio da vida, e que a Misericórdia Divina concedia a oportunidade do intercâmbio espiritual para lhes suavizar a dor. Com Chico, o livro se tornou um veículo de fé, ensinamento e lenitivo, rasgando os horizontes de um novo mundo.

Muitos outros o sucederam, dando exemplos e nos lembrando do compromisso assumido na espiritualidade.

Sim, estamos compromissados com Jesus! É por Ele que devemos trabalhar na seara mediúnica sem contar as lágrimas e os possíveis dissabores e decepções que porventura tenhamos que suportar.

Vivemos um momento decisivo para o despertar das consciências sobre as realidades do Espírito e cabe aos medianeiros dos dois planos, a tarefa de intercambiar a mensagem da verdade, para fortalecer a fé nos que vacilam e confirmar a certeza dos que já crêem.

Para que a Terra se torne um mundo de regeneração, será necessário muito trabalho em todas as esferas da vida e a higienização mental, através do cultivo dos bons pensamentos, pode ser auxiliada pelo livro espírita.

Sendo assim, surge-nos tarefa de grande monta, pelo desafio que se nos apresenta, concitando-nos à nossa própria reforma interior, para nos tornarmos servos cada vez melhores na seara de Nosso Senhor.


Imagem - Pintura mediúnica de Valdelice Salum.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Mediunidade, um Resumo


Por Bismael B. Moraes


No Universo, tudo é energia em suas mais infinitas formas. Obviamente, a Terra é apenas como que um grão de areia nos inúmeros sistemas universais e, dentro dela, em graus evolutivos diversos e em aprendizado constante, os seres humanos ainda se debatem ante as Leis da Natureza. Muitos sequer descobriram a existência dos dois planos - o físico e o espiritual - dos quais todos participamos, independentemente da nossa vontade ou condição racial, política, social, econômica ou intelectual, pois o homem não cria nem revoga lei natural ou Lei de Deus.

A mediunidade, que envolve complexas e sutis formas energéticas, é uma faculdade que está latente em todos os indivíduos, podendo apresentar-se ou manifestar-se por vários modos, dependendo do estádio moral de cada médium (que é o intermediário entre o plano físico e plano espiritual, ou seja, serve de mediador entre encarnados - pessoas - e desencarnados - Espíritos , podendo também ser aquele que recebe influência, inspiração, conselho ou ensinamento de entidades espirituais, até, às vezes, sem o perceber). Allan Kardec sintetiza os médiuns em duas categorias: aqueles de efeitos físicos (a quem os Espíritos se manifestam por intermédio de movimentos, ruídos, sons, transporte de objetos, etc.) e aqueles de efeitos intelectuais (a quem os Espíritos se apresentam por meio de comunicações inteligentes - por idéias, escritos, desenhos, sinais, palavras etc.).

Como a vida física é efêmera (pois cada ser humano só vive pelo tempo necessário de prova que pediu ou de expiação que lhe foi determinada - de poucos minutos a muitos anos de existência terrena -, na lenta caminhada de aprendizado e progresso) e como a vida espiritual é eterna, e descobrindo-se, pelo estudo e pela pesquisa, que o espírito se comunica pelo pensamento, o raciocínio nos mostra, claramente, que somos espíritos encarnados, porque estamos sempre pensando: nosso corpo frágil, auxiliado pelos cinco sentidos - visão, tato, audição, olfato e paladar - é peça material que requer consciência e razão. Por isso, as diferenças entre os seres da mesma família: uns já viveram muito, antes, e aprenderam; outros viveram poucas existências e ainda não aprenderam.

Todos temos algum tipo de mediunidade; é dom concedido por Deus. Porém, só alguns possuem as chamadas mediunidades de tarefa: audiência (de ouvir vozes de Espíritos); vidência (de ver Espíritos); psicografia (de escrever o que ditam os Espíritos); psicopictografia (de pintar sob ação dos Espíritos); falante (de transmitir pelos órgãos vocais a palavra do Espírito); xenoglossia (de falar e escrever línguas estrangeiras que não conhece), além de outros tipos de mediunidade. Há pesquisadores e estudiosos do Espiritismo que classificam acima de cinqüenta os tipos de mediunidade. Existem ainda os casos de médiuns especiais, dotados de aptidões particulares, como os enumera Allan Kardec, no capítulo XVI, em "O Livro dos Médiuns", obra indispensável a quem se predisponha ao estudo sério sobre os tipos de mediunidade.

O médium, para desincumbir-se das tarefas que lhe são confiadas pelo plano espiritual, deve ser diligente, aplicado, sincero, disciplinado e bondoso, evitando o orgulho e a vaidade. Jamais deverá colocar-se na condição de superior perante os demais irmãos, sejam estes seguidores ou não da Doutrina Espírita, sabendo que é apenas um tarefeiro e que tem como diretrizes os ensinamentos dos bons Espíritos e, no que tange aos cristãos, as lições morais de Jesus, para a prática do bem.

"O médium é um companheiro. É um trabalhador. É um amigo. E é sobretudo nosso irmão, com dificuldades e problemas análogos àqueles que assediam a mente de qualquer espírito encarnado".

"Mediunidade não é pretexto para situar-se a criatura no fenômeno exterior ou no êxtase inútil, à maneira da criança atordoada no deslumbramento da festa vulgar. É , acima de tudo, caminho de árduo trabalho em que o espírito, chamado a servi-la, precisa consagrar o melhor das próprias forças para colaborar no desenvolvimento do bem". ( Ensinamentos do Espírito Emmanuel, no livro "Mediunidade e Sintonia", pelo médium Chico Xavier).

Observação final: para melhor conhecer essa importante matéria, aconselha-se, no mínimo, ler "O Livro dos Espíritos", analisando cada tópico, e, em seguida, ler "O Livro dos Médiuns", ambos de Allan Kardec, podendo complementá-los com "Espíritos e Médiuns", de Léon Denis, e "Mediunidade ", de J. Herculano Pires.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Pensamentos Nobres

Frases de médiuns e Espíritos abordando o tema mediunidade.


"Mediunidade são pupilas invisíveis para vermos e admirarmos os espetáculos ocultos do Universo. É ver sem valer-se dos olhos, é saber antes de tomar conhecimento dos fatos."
Lourdes Catherine

"Não posso julgar os companheiros que sintam receio da mediunidade, porque a minha mediunidade realmente começou muito cedo, eu não tive oportunidade de sentir medo, isso para mim começou em criança em minha vida, e passou a fazer parte de minha existência atual." Chico Xavier

"Todos os seres humanos são possuidores de pródromos de mediunidade, porquanto, sendo uma conquista do Espírito, um dia constituirá um sentido objetivo a mais, proporcionador de inestimáveis recursos para a existência terrestre." Joanna de Angelis

"A mediunidade pode manifestar-se através da pessoa absolutamente inculta, mas os bons espíritos são de parecer que todos os médiuns são chamados a estudar a fim de servirem com mais segurança." Chico Xavier

"Todos somos médiuns. Em linha geral, todos somos médiuns. Porque é muito raro na Terra se encontrar alguém que não sinta, de uma forma ou de outra, da forma mais rudimentar à forma mais exuberante, essa influência do mundo espiritual." Raul Teixeira

"A mediunidade a serviço de Jesus, é veículo de luz, de seriedade, dignificando o seu instrumento e enriquecendo de esperança e de felicidade todos aqueles que se lhe acercam." Vianna de Carvalho

"Nunca nos cansaremos de repetir que mediunidade é sintonia. Subamos aos cimos da virtude e do conhecimento e a mediunidade, na condição de serviço de sintonia com o Plano Divino, se elevará conosco." Chico Xavier

"Mediunidade é uma faculdade natural do ser humano e ocorre em determinado momento de sua evolução. É um fenômeno irreversível, quer dizer, não se pode evitá-lo, pois faz parte do desenvolvimento inato das criaturas." Lourdes Catherine

"A educação das possibilidades mediúnicas e a sua aplicação devem objetivar os fins nobres a serem alcançados. A utilização dessas forças que enriquecem a existência humana necessita ser orientada para atividades dignificantes, que se destinem ao serviço de amor ao próximo, transformando-se em caridade de alta significação." Joanna de Ângelis

"Aceitemos com humildade o concurso sagrado daqueles que se constituem nossos benfeitores nas Esferas Mais Altas e estendamos aos nossos irmãos mais necessitados que nós mesmos os braços fraternos que o Espiritismo envolve em bênçãos de revelação e de amor." Chico Xavier

"Um abraço que se dê em alguém com boa vontade, com gentileza, com espírito de utilidade, poderemos transformar os fluidos, as energias desse alguém, transmitindo-lhe saúde, harmonia, paz se, por nosso turno, formos detentores dessas virtudes." Raul Teixeira

"O médium é um filtro imprescindível ao pensamento do espírito comunicante e seus sentidos não podem ser completamente desprezados. As funções mentais, intelectuais, emocionais e espirituais do medianeiro somam-se às do espírito no ato mediúnico, produzindo a mensagem falada ou escrita." Lourdes Catherine

"Acreditamos que o Criador nos fez ricos a todos, sem exceção, porque a riqueza autêntica, a nosso ver, procedo do trabalho e todos nós de uma forma ou de outra, podemos trabalhar e servir." Chico Xavier

"No mundo materialista em que vivemos, é muito comum que várias pessoas portadoras da faculdade paranormal sejam tidas por esquizofrênicas, porque elas ouvem vozes, elas vêem criaturas que a maior parte não está vendo, que o vulgo não está vendo." Raul Teixeira

"Esperemos que o amor se propague no mundo com mais força que a violência e a violência desaparecerá, à maneira da treva quando a luz se lhe sobrepõe. Consideremos, porém, que essa obra, naturalmente, não prescindirá da autoridade humana, mas na essência e na prática exige a cooperação de nós todos." Chico Xavier

"Todos somos portadores de poderes psíquicos. Vale exercitá-los para o bem. Treinar para o bem através da prece, da boa ação, da boa vivência, dos bons relacionamentos e, somente a partir disso, é que a nossa faculdade paranormal poderá ser colocada a serviço do bem e atendendo a Jesus, fazer brilhar a nossa luz." Raul Teixeira

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

As Lições da Introdução d'O Livros dos Médiuns



Por Abel Sidney


O Livro dos Médiuns é uma dessas obras que merece um estudo acurado, profundo, o que nos exige, por certo, doses maiores de dedicação e constância. Não é, definitivamente, um livro de leitura digestiva, desses para se ler nas horas vagas. É um livro de estudo e pesquisa. E como tal como deve ser lido, estudado e meditado.

A sua Introdução guarda preciosas lições, a começar pela definição do caráter da obra. Kardec imprime-lhe a feição de “estudo sério e completo”. O sério se contrapõe à leviandade com que a mediunidade era tratada em seu tempo (e também no nosso!); o completo refere-se à busca de se estudar por todos os ângulos este tema tão complexo, que é a mediunidade, sem que isso signifique a verdade total ou a última palavra.

Fosse filho de uma cultura utilitarista e mercantilista, como a americana, e Kardec poderia ter caído na doce tentação de publicar um “resumido manual prático, que em poucas palavras desse a indicação dos processos a seguir, a fim de entrar em comunicação com os espíritos”. Entretanto, fosse por ter a exata noção de sua responsabilidade com a Doutrina que estava a edificar; fosse pelo espírito filosófico e cultural francês, que exige profundidade do pensador, decidiu ele evitar “experiências feitas levianamente” que poderiam ocorrer, caso um pequeno manual de como comunicar-se com os mortos fosse publicado.

Publicara ele, antes dessa obra, um pequeno livro chamado Instrução Prática, que fora o embrião, o alicerce da definitiva obra que seria erguida. Esgotada a edição, ele não a reeditou, por considerá-la “insuficiente para esclarecer todas as dificuldades que se podem apresentar” no trato com as manifestações espirituais. O Livro dos Médiuns, fruto de “uma longa experiência e um estudo consciencioso”, fora, pois, o sucessor natural das primeiras instruções. O caráter da obra, anota Kardec na linha seguinte, é o de seriedade, tendo ela por fim “desviar toda idéia de preocupação frívola ou de divertimento” daqueles que lidam com o Invisível.

Quando Kardec comenta sobre “a má impressão” causada por “experiências realizadas levianamente e sem conhecimento de causa”, o que permitiria “os ataques da zombaria e de uma crítica por vezes fundamentada”, ele se referia aos médiuns do seu tempo, que ao se exporem publicamente, em reuniões sem a devida seriedade, causavam um duplo mal: os incrédulos não se convenciam dos fatos e também não se inclinavam “a ver o lado sério do Espiritismo”.

A atualidade do alerta do codificador pode ser percebida em outras atitudes nossas, no movimento espírita. Trata-se da exposição dos dons mediúnicos notadamente da pintura mediúnica e da cura dita espiritual, que longe de convencer os céticos, desperta-lhes o senso crítico, por tratar-se, lamentavelmente, mais de um espetáculo do que propriamente da busca da comprovação da imortalidade da alma, o que aliás, já está suficientemente demonstrada, dispensando-se efeitos pirotécnicos para tanto.

Não por acaso, aponta Kardec, o progresso alcançado pelo Espiritismo nos seus primeiros anos de difusão deveu-se à sua apreciação “por gente esclarecida”, pelo fato da Doutrina ter adentrado pelo “caminho da Filosofia”. A conquista de “partidários valiosos” estaria mais no terreno da reflexão e da busca, próprios da Filosofia, do que na provocação das manifestações mediúnicas, que como simples fenômeno pode não suscitar, de imediato, quaisquer reflexões morais ou filosóficas.

O “número de adeptos feitos só com a leitura de O Livro dos Espíritos” é um atestado do que foi exposto anteriormente. E aqui cabe mais um alerta, desta vez nosso: a sofreguidão de muitos companheiros de conquistar adeptos através da oferta de livros supostamente espíritas. Refiro-me aos tantos recentes lançamentos de “romances mediúnicos” de conteúdo duvidoso, embora de enredo fácil e adocicado. Não se deveria confundir a leitura acessível dos romances espíritas de bom conteúdo e procedência legítima com os citados romances, os quais podem entreter e sensibilizar, mas não educam, por não despertar reflexões profundas, além de trazerem, dissimulados, conceitos errôneos sobre alguns dos pontos básicos da Doutrina.

Nos parágrafos finais desta Introdução Kardec tributa aos espíritos a realização da obra. Em suas palavras: “...como tudo reviram, aprovando ou modificando à vontade, pode-se dizer que, em grande parte, esta é uma obra deles, de vez que a sua intervenção não ficou limitada a alguns artigos assinados.”

Podemos afirmar que O Livro dos Médiuns é um trabalho feito a muitas mãos. Mas o pedreiro e o mestre de obra, se podemos utilizar tal analogia, é de fato Allan Kardec. Os engenheiros, os consultores, estiveram presentes, dando cada qual sua cota de orientação e trabalho. Os tijolos, assentados e reassentados, custou muito do seu suor. E se podemos tomar as palavras de Edison, o inventor da lâmpada elétrica, diríamos que no seu trabalho a inspiração ocupava apenas uma parte, devendo-se o restante à sua transpiração... O seu labor intelectual não conhecia limites; desafiando o cansaço e as doenças que o acometiam. A sua produção literária e as outras atividades paralelas desenvolvidas nos quinze anos (1854-1869) que se dedicou à causa espírita atesta a fenomenal capacidade de trabalho deste espírito. O seu exemplo nos atesta que não podemos dispensar o trabalho constante, a pesquisa e o estudo permanente, a busca da renovação espiritual e a luta pela própria transformação íntima.


Nota: todas as citações entre aspas foram colhidas na Introdução de O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec, tradução de Júlio Abreu Filho, edição Círculo do Livro.

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